Homem e Filho do Homem

É apenas uma mera coincidência que há exatamente três versos em todo o Antigo Testamento afirmando que Deus não é homem e nem filho do homem? Eu não acho que isso seja  uma mera coincidência. No entanto, eu acredito que seja uma enorme contradição estes   versículos negarem que Deus é homem ou filho de homem e ao mesmo tempo a teologia convencional cristológica afirmar que o Filho do homem seja denominado Deus.

O Novo Testamento  descreve Jesus como  homem e filho do homem em muitos lugares. Atos 2:22 deixa bem claro que Jesus era um homem,

Homens israelitas, escutai estas palavras: A Jesus Nazareno, homem aprovado por Deus entre vós com maravilhas, prodígios e sinais, que Deus por ele fez no meio de vós, como vós mesmos bem sabeis“.

Observe que Pedro aqui não usa o script evangelista que Jesus é Deus-homem ou homem-deus. Pedro apenas afirmou a nossa posição de que Jesus era um homem que Deus escolheu.

O termo  “Filho do Homem”,  ocorre exatamente 82 vezes nos quatro evangelhos e quatro vezes adicionais em outras partes do Novo Testamento – 30 vezes em Mateus, 14 vezes em Marcos, 25 vezes em Lucas, 13 vezes em João, 1 vez em Atos, 1 vez em Hebreus e 2 vezes em Apocalipse.

A frequência em que o termo é usado por Jesus nos Evangelhos é uma das razões que levaram os estudiosos da Bíblia considerá-lo como um  título específico para ele. Porém, muitos teólogos também entendem que o título filho do homem, quando aplicado aos vários personagens do Velho Testamento, deve significar apenas que são nascidos de mulheres, e que  essa visão interpretativa pode ser usada como referência para Jesus. Desta maneira, muitos acreditam que Jesus não deveria ser excluído de Números 23:19. O versículo diz,

Deus não é homem, para que minta; nem filho do homem, para que se arrependa; porventura diria ele, e não o faria? Ou falaria, e não o confirmaria?”

Logo, entendem que Jesus não pode ser Deus, sendo ele Filho do Homem, descendente de Abraão e Davi. A parte fundamental no versículo é, “lo’ ‘iysh ‘êl viykhazzêbh ubhen-‘âdhâm veyithnechâm”. A negação ocorre no início da frase, e  o que isto significa, literalmente, é “Não é verdade que Deus é um homem para mentir ou filho do homem para mudar de ideia“. A negação é distribuída a cada frase que então produz, “Deus não é homem, e Ele não mente, Ele não é o filho do homem e ele não se arrepende“. O texto não faz de Jesus um homem que mente e se arrepende, mas apenas mostra o contraste entre os seres humanos e Deus, sendo que Jesus está na categoria dos humanos.

Podemos observar em muitos versículos que  Jesus foi conhecido como  homem e o filho do homem. Em contraposição, o versículo 19 de Números 23 diz que Deus não é nem homem, nem o filho do homem, e pior, nos originais deveria ser traduzido da seguinte forma: “Deus não é nem homem, nem  filho de Adão”. Quando trazemos esses dois registros juntos  não chegamos à conclusão de que Jesus não é Deus? Aliás, o próprio Jesus  nega que ele fosse Deus,

Jesus falou a um homem que o havia chamado ‘bom’, pedindo-lhe: “Por que me chamas bom? Ninguém é bom senão Deus“(Lucas 18:19). Se Jesus tivesse dito às pessoas que ele era Deus, ele teria elogiado o homem. Em vez disso, Jesus o repreendeu, negando  que ele era Deus.

Jesus é chamado de um homem muitas vezes na Bíblia

Um homem que lhe disse a verdade” (João 8:40)

Ele julgará o mundo com justiça por meio de um homem a quem constituiu” (Atos 17:31)

Cristo Jesus, homem” (Tim. 2:5).

 A Bíblia muitas vezes chama a Jesus  “o filho do homem”.

“… o Filho do homem “(Mateus 12:40).

“… o filho do homem há de vir” (Mateus 16:27).

Mas, para que saibais que o Filho do Homem tem autoridade” (Marcos 2:10).

 “porque ele é o filho do homem “(João 5:27)

Alguns podem até resistir à interpretação exposta neste site, alegando que o contexto mostra que o versículo está falando sobre a condição limitada e inconstante do homem humano em que eles mentem e mudam as suas mentes ou exigem arrependimento por suas ações, e que Deus jamais agiria dessa forma. Sim, eu concordo  que o contexto mostra que ele está falando sobre a limitação humana e como Deus não tem essas limitações, ou seja, sujeito a se arrepender. No entanto, eu não consigo ver como alguém poderia negar o fato de que o verso diz “Deus não é um homem … nem o filho do homem“. Na verdade, eu acho que o contexto  apoia ainda mais minha posição, porque a mentira e se arrepender são inatas condições humanas. Assim,  porque a natureza do homem contém a facilidade de mentir e de se arrepender, o versículo permite o contraste, confirmando que Deus não é um homem – Isso é o que o verso significa. Como diz o ditado “errar é humano”. Porque Deus não erra demonstra que ele não é homem,  é porque ele não é o homem/humano que ele não erra! Alguns tentaram sugerir que Deus pode ser humano desde que ele se torna um ser humano perfeito que não mente, nem se arrepende, e chegaram a conclusão que foi nesse sentido que ele se tornou Jesus, que foi perfeito e sem pecado. Aqui é que entra o exemplo magnífico do Senhor para nós, nos possibilitando servi-lo como homem que somos, pois ele o foi. Ele foi perfeito sim, mas conseguiu isso obedecendo até a morte, se entregando a Deus com lágrimas. Podemos observar tudo isso começando pelas palavras de  Paulo aos Filipenses 2:8

E, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz”. E o versículo segue dizendo que através de sua submissão ele recebeu um nome que é exaltado acima de todo o nome,

Por isso, também Deus o exaltou soberanamente, e lhe deu um nome que é sobre todo o nome”.

Foi por isso que Deus o exaltou, e não porque Jesus era o próprio Deus. Fica por demais fora de contexto se admitimos que Deus deu a Deus um nome que é acima de todos os nomes. A propósito, se ele era mesmo Deus enquanto aqui viveu, por que recebeu um nome acima de todo nome? Qual outro nome poderia estar acima do nome do Deus Jesus? Caso a se pensar…

O escritor aos Hebreus nos leva para o mesmo contexto apresentado em Filipenses onde encontramos expressões que de maneira brilhante revela a humanidade do Senhor Jesus,

O qual, nos dias da sua carne, oferecendo, com grande clamor e lágrimas, orações e súplicas ao que o podia livrar da morte, foi ouvido quanto ao que temia. Ainda que era Filho, aprendeu a obediência, por aquilo que padeceu”. Hebreus 5:7,8

O que vos parece, será essa uma descrição de Deus?

O fato em questão é que o versículo diz claramente que Deus não é um homem e Jesus é um homem e isso significa que Jesus não era Deus. Ele também diz que Deus não é o filho do homem, e Jesus era o filho do homem, o que  é repetido 82 vezes nos evangelhos, o  que deve simplesmente significar  que Jesus não era [um] Deus. É um exercício muito simples e eu realmente acredito que qualquer pessoa razoável possa admitir isso.

Existem mais dois versículos que podem reforçar o argumento exposto até o presente momento. Observem a redação de  1 Samuel 15:29,

Também a Glória de Israel não mente, nem se arrepende, porquanto não é um homem (adam lo), para que se arrependa.”

Deus não é um homem porque Ele não mente, nem se arrepende, e ele não mente, nem se arrepende, porque Ele não é o homem. Em ambos os casos, a negação é feita entre o Deus referente e o homem referente, isto é, não são os mesmos. Deus não é um homem (lo ish e eis adam).

O outro  verso da série é ainda mais claro

Não executarei o furor da minha ira; não voltarei para destruir a Efraim, porque eu sou Deus e não homem, o Santo no meio de ti; eu não entrarei na cidade”. (Oséias 11: 9)

Jesus não é Deus porque todo o contexto dos versos citados estão de acordo de que Deus não é um homem e a natureza dos versos são as mesmas em que nega que ele é um homem.

“Eu e o Pai somos UM”

Um

Em João 10:30 Jesus diz: “Eu e Pai somos um“. Segundo a doutrina trinitariana Jesus afirmava sua posição como Deus ao se igualar ao Pai. Se ele disse que é um com o pai, para os trinitarianos, deve significar que ele é Deus. No entanto, se na doutrina trinitariana o Espírito Santo é a terceira pessoa da trindade, por qual motivo ele foi excluído aqui? Por que Jesus não disse, “Eu, o Pai, e o Espírito Santo somos um?” Além disso, Jesus também diz em João 17:3: “E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste”, João 17:3. Para termos a vida eterna devemos conhecer apenas duas pessoas, o Pai e o seu Filho. E o Espírito Santo?

A terceira pessoa da Trindade também não sabe a hora e o dia da Vinda de Jesus: “Mas a respeito daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos dos céus, nem o Filho, senão somente o Pai”, Mateus 24:36. Da mesma forma Mateus 16:27 cita o Filho, o Pai e os anjos, mas não cita o Espírito Santo na Vinda do Senhor: “Porque o Filho do homem há de vir na glória de seu Pai, com os seus anjos”, Mateus 16:27. O Espírito Santo não vem!

E novamente: Jesus e o Pai são um sem o Espírito Santo? Provavelmente a resposta trinitariana será a mesma de sempre: “É um mistério”. Esse mistério é um mistério, é só. Esse é um tema onde o silêncio é ouro – para os trinitarianos é sagrado, não se pode tocar. Essa é a desculpa mais incrível de todos os tempos!

“O maior problema da doutrina da Trindade não é o fato dela conter um mistério, mas o fato dela conter contradições lógicas cuja resolução é impossível. Há muitos mistérios para os quais não há explicação na Bíblia. O que não podemos fazer é transformar tais mistérios em doutrinas fundamentais” ( RICOTA, Ricardo, “Eu e Pai somos um”, pág. 13. Terceira Edição – 2008).

Infelizmente nossa cultura foi extremamente influenciada pelo Catolicismo Romano, que fez da doutrina da Trindade uma constituição de fé, e que tem afetado todos os ramos da religião no mundo inteiro. Porém, é bom que se saiba: a doutrina da Trindade é um monopólio Católico, criada e desenvolvida séculos depois da morte dos apóstolos.

Jesus e Deus são um como?

Jesus é chamado de Filho mais de 200 vezes em todo o NT; o Pai é referido como distinto do Filho mais de 200 vezes. Ao longo de 50 vezes o Filho e o Pai são mencionados no mesmo versículo. Ainda encontramos saudações de Paulo com graça e paz para Deus Pai e o Senhor Jesus Cristo. Jesus se identifica como o Filho de Deus por toda a Bíblia. Ele é sempre colocado em pé de igualdade com o Pai, sendo capaz de dar graça ao crente.

Lemos em João 20:17,Jesus disse-lhe: Não me toques, porque eu ainda não subi para meu Pai, mas vai para meus irmãos, e dize-lhes que eu subo para meu Pai, E o seu pai, e para meu Deus e vosso Deus“. Jesus afirmou que havia uma distinção entre ele e Deus. Em outras palavras, o próprio Jesus tinha um Deus. Portanto, ele não era o próprio Deus. Estas são várias maneiras diferentes e opostas; em algumas passagens vemos que ele e Deus são um, em outras Jesus se refere a uma autoridade maior do que ele, que é Deus. Agora, assumindo que todas são declarações corretas, então temos uma contradição. Se, por exemplo, Jesus Cristo era o próprio Deus como afirmam sobre João 10:30, então seria mais apropriado para ele dizer “… eu mesmo e eu mesmo somos um”. E em João 20:17 ele deveria dizer no fim do versículo que ele iria subir “para mim mesmo e vosso Deus”, ou, “Eu mesmo, por que me desamparaste?” em Mateus 27:46.

Tanto quanto em João 20:17 como em Mateus 27:46 está muito claro que Jesus tinha um Deus que ele orou, e que foi uma autoridade maior que a sua própria. Podemos fazer isso com outros versículos da Bíblia: “Eu não posso de minha própria vontade fazer nada: conforme ouço, assim julgo, e o meu julgamento é justo, porque não busco a minha vontade, mas a vontade do Pai que me enviou. “(João 5:30). Além disso, Jesus disse : “… porque meu Pai é maior do que eu” (João 14:28). Se Jesus e Deus eram a mesma pessoa, literalmente interpretando, então ele não teria dito o que disse nos versos acima.

A única maneira de João 10:30 poder ser interpretado de tal forma que ele não contradiga todos os outros versículos é dizer que Jesus e Deus tinham tudo em comum. O próprio versículo refuta que Jesus é o Pai. O verso mostra duas pessoas distintas (… Eu + meu Pai = 2). Então, isso deve significar que os dois estavam sempre em comunhão, estavam de acordo em tudo, como também é necessário dizer que Jesus era a própria imagem de Deus, pois era seu filho. Todos os versículos que parecem dizer que Jesus foi Deus enquanto aqui andou devem ser entendidos segundo a palavra de Paulo, quando afirma que “Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo”, 2 Co 5:19.

O sentido de dizer que Ele e o Pai são um, também deve significar que ele foi enviado debaixo da autoridade do Deus de Israel e, que ele, além de ser Filho, veio como seu porta voz. Ele foi a autoridade de Deus em missão para os judeus. Portanto, nesse contexto é que devemos aplicar palavras como: “Quem vê a mim vê o Pai”, “Eu e o Pai somos um”, “Deus conosco”, “Meu Senhor e meu Deus” e similares.

Em João 10:31, vemos que os judeus interpretaram mal o que Jesus queria dizer com “Eu e meu Pai somos um”. Parece claro que Cristo nessa ocasião não fazia referência à essência do ser, mas sim à união de parecer entre ambos. Por isso que ele diz em seguida sobre seus discípulos: “Para que todos sejam um, Pai, como tu estás em mim e eu em ti. Que eles também estejam em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste” (João 17:21)

Se nós também somos um com Cristo e Deus, então parece-me óbvio que Jesus não estava falando de essência aqui (ou senão teríamos a mesma essência divina de Deus!), mas sim de união de parecer em um só pensamento, em comunhão com o Pai e termos semelhantes. Doutra forma não faria sentido dizer que estava rogando “para que SEJAM um, assim como somos um” (João 17:11). Que sentido teria orar para que SEJAM “um em essência”, se todos os humanos tem a mesma essência humana de qualquer jeito?

Observe a palavra “assim como” se referindo a similaridade de unidade que existe tanto entre Deus e Cristo, como também entre Cristo, Deus e seus seguidores: “Que sejam um assim como nós somos um”. Se Jesus, ao dizer, “Eu e o Pai somos um”, quer deixar claro que é Deus da mesma forma que o Pai é, então, somos todos Deus, pois em João 17:21 Ele diz com relação a ser UM COM seus discípulos: “ASSIM COMO tu ó Pai, és em mim, e eu em ti”, e vai além quando ora para os díscipulos serem um com ele e Deus nas palavras “… que também eles sejam um em nós“.

Muito oportuno observar quando Paulo fala de seu companheiro Apolo que revisitava os locais onde ele mesmo já havia pregado. Paulo disse: “Pois, quem é Paulo, e quem é Apolo, senão ministros pelos quais crestes, e conforme o que o Senhor deu a cada um? Eu plantei, Apolo regou; mas Deus deu o crescimento. Por isso, nem o que planta é alguma coisa, nem o que rega, mas Deus, que dá o crescimento. Ora, o que planta e o que rega são um; e cada um receberá o seu galardão, segundo o seu próprio trabalho”, 1 Coríntios 3:5-7.

Concluimos destas palavras que Paulo e Apolo eram uma só pessoa? Paulo não queria dizer que ele e Apolo eram duas pessoas em uma; ele quis dizer que eles estavam unidos em propósito. A palavra grega que Paulo usou ali para “um” (hen) é neutra, literalmente “uma só (coisa)”, indicando unicidade de cooperação. É a mesma palavra que Jesus usou em João 10:30 para descrever a sua relação com o seu Pai. É também a mesma palavra usada por Jesus em João 17:21, 22 com relação aos discípulos serem um entre si e com ele e Deus. A palavra “um” (hen), nestes casos, fala a respeito de união de pensamento e de propósito.

João 10:30 não prova a trindade! O escritor inspirado, insisto, usa a palavra “um” ( do grego hen) que é neutra, ou seja, de um modo geral aplicada a coisas impessoais. Obviamente seriam “um” em propósito e não como pessoa. Aplicar João 10:30 da forma como fazem alguns trinitários é não somente gramaticalmente errado, como também ignora as declarações claras da Bíblia onde Cristo e o Pai são diferenciados. Em João 5:32,37 Jesus disse claramente : “outro que testifica de mim, e sei que o testemunho que ele dá de mim é verdadeiro… E o Pai, que me enviou, ele mesmo testificou de mim. Vós nunca ouvistes a sua voz, nem vistes o seu parecer”.

É interessante observar também que Jesus não teve a menor intenção de citar a palavra “Deus” na frase “Eu o e o Pai somos um”. Muito interessante observar o que ele não disse: “Eu e Deus somos um”. Há uma infinidade de textos demonstrando que o Filho é diferente do Pai e que estes não são a mesma pessoa. Jesus disse em João 14:28 : “…Vou para o Pai; porque meu Pai é maior do que eu”.

Além disso, Jesus chama seu Pai de “O único Deus verdadeiro” (João 17:3). Observem que o Pai de Jesus é o Deus de Jesus, Aquele a quem ele chama de “meu Deus” em João 20:17. Além disso, mais de 60 anos após a ascensão, Jesus continua chamando o Pai de “Meu Deus” em Apocalipse 3:12: “A quem vencer, eu o farei coluna no templo do meu Deus, e dele nunca sairá; e escreverei sobre ele o nome do meu Deus, e o nome da cidade do meu Deus, a nova Jerusalém, que desce do céu, do meu Deus, e também o meu novo nome”. Lembre-se que isto foi falado por Cristo após ter subido ao céus.

A ortodoxia tradicional ignora o que seja linguagem figurada nesse tipo de contexto como o de João 10:30.

Volte para o episódio com Tomé e Felipe para que você caro leitor possa entender melhor o que quero dizer. Veja o que Jesus, ao responder a uma pergunta de Tomé, disse: “Se vós me tivésseis conhecido, teríeis também conhecido meu Pai; deste momento em diante vós o conheceis e o tendes visto”. E em resposta a uma pergunta de Filipe, Jesus acrescentou: “Quem vê a mim, vê também o Pai” (Jo 14:5-9). A explicação seguinte de Jesus mostra que isto se dava porque ele representava fielmente o Pai, falava as palavras do Pai e fazia as obras do Pai (Jo 14:10, 11; compare isso com Jo 12:28, 44-49).

Que a declaração de Jesus sobre ver o Pai devia ser entendida figurativamente, e não de forma literal, evidencia-se na sua própria afirmação em João 6:45, bem como no fato de que João, muito depois da morte de Jesus, escreveu: “Nenhum homem jamais viu a Deus; o Filho unigênito, que está no seio do Pai, é quem o tem revelado” (Jo 1:18; 1 Jo 4:12).

O que João 10:30 não significa

Muitos dizem que o sentido de João 10:30 foi o de Jesus realmente se igualar a Deus, o Pai, em essência, porque no verso seguinte se vê uma tentativa de apedrejamento por parte dos judeus. Eis a sequência preferida dos trinitarianos: “Eu e o Pai somos um. Os judeus pegaram então outra vez em pedras para o apedrejar. Respondeu-lhes Jesus: Tenho-vos mostrado muitas obras boas procedentes de meu Pai; por qual destas obras me apedrejais? Os judeus responderam, dizendo-lhe: Não te apedrejamos por alguma obra boa, mas pela blasfêmia; porque, sendo tu homem, te fazes Deus a ti mesmo”, João 10:30-33

Pelo motivo de o verso sobre o apedrejamento ser seguinte a expressão “Eu e o Pai somos um”, a interpretação imediata é que a blasfêmia, assim entendida pelos judeus, seria por essa afirmação, mas a informação textual não para no verso 33. Veja o verso 36: “àquele a quem o Pai santificou, e enviou ao mundo, dizeis vós: Blasfemas; porque eu disse: Sou Filho de Deus?”

O curioso do estudo dessa passagem bíblica é que todos reconhecem a visão errada dos judeus, principalmente a má interpretação que os fariseus sempre fizeram das palavras de Jesus em todo Novo Testamento, que estes constantemente o acusavam enganosamente, mas surpreendentemente os que defendem a co-igualdade entre Cristo e Deus acham, agora, que os fariseus haviam entendido acertadamente (?), de forma indubitável, que Jesus teria afirmado ser o próprio Deus ao invés de ser mais uma das falsas afirmações farisaicas acerca de Jesus. Porém, o Mestre mostra o engano de ambos ao continuar o diálogo e explicita que não haveria motivo para espanto.

Está claro no fechamento das palavras de Jesus: “dizeis vós: Blasfemas; porque eu disse: Sou Filho de Deus?”, que a causa foi a afirmação ocorrida varias vezes, desde o verso 10 do capítulo, que Deus era seu Pai.

Ele apenas disse ser Filho de Deus, e para os judeus esse era o motivo pelo qual ele se fazia igual a Deus. Já havia acontecido antes: “Por isso, pois, os judeus ainda mais procuravam matá-lo, porque não só quebrantava o sábado, mas também dizia que Deus era seu próprio Pai, fazendo-se igual a Deus”, João 5:18. Quem disse que Jesus estava fazendo-se igual a Deus não foi Ele. Ele se defendeu contra essa falsa acusação logo no versículo seguinte (João 5:19): “Retomando a palavra, Jesus lhes disse: . . . o Filho, por si mesmo, nada pode fazer mas só aquilo que vê o Pai fazer.”

Com isso, Jesus mostrou aos judeus que ele não era igual a Deus e que, por conseguinte, não podia agir por iniciativa própria. Podemos imaginar alguém igual ao Deus Todo-poderoso dizer que, “por si mesmo, nada pode fazer?”

Portanto, não foi por causa de dizer “eu e o Pai somos um” que Jesus foi ameaçado de apedrejamento, mas por ter falado que é Filho de Deus. E ele disse isso antes das palavras “eu e o Pai somos um”. Porém, suas palavras foram inseridas dentro de um contexto messiânico mediador! Essa foi a causa de todo o problema.

Observe o tom do Senhor Jesus nos seguintes versículos do mesmo capítulo:

Assim como o Pai me conhece a mim, também eu conheço o Pai, e dou a minha vida pelas ovelhas.

Por isto o Pai me ama, porque dou a minha vida para tornar a tomá-la.

Ninguém ma tira de mim, mas eu de mim mesmo a dou; tenho poder para a dar, e poder para tornar a tomá-la. Este mandamento recebi de meu Pai.

Tornou, pois, a haver divisão entre os judeus por causa destas palavras”, João 10:15-19.

Veja na sequência a ousadia do Senhor novamente. Sua missão e a citação do Pai : “Respondeu-lhes Jesus: Já vo-lo tenho dito, e não o credes. As obras que eu faço, em nome de meu Pai, essas testificam de mim.

Mas vós não credes porque não sois das minhas ovelhas, como já vo-lo tenho dito.
As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu conheço-as, e elas me seguem;

E dou-lhes a vida eterna, e nunca hão de perecer, e ninguém as arrebatará da minha mão”, João 10:25-28.

Dizer que era o Filho de Deus com a missão agravou em muito levando a situação para um apedrejamento, o que os judeus viam como blasfêmia de se fazer igual Deus. Veja novamente no final do capítulo:

Aquele a quem o Pai santificou, e enviou ao mundo, vós dizeis: Blasfemas, porque disse: Sou Filho de Deus?”, João 10:36.

Vou finalizar o artigo com as palavras de três eruditos trinitarianos. Eles são protestantes, mas, repito: SÃO TRINITARIANOS!

W.E. VINE abordando o tema referente “… Eu e o Pai somos um”, declara: “… metafóricamente [figurativamente] união e acordo, exemplo: João 10:30;11:52; 17:11, 21,22…”- An Expository Dictionary of New Testament Words, p. 809.

O erudito William Barclay escrevendo em seu diário Daily Study Bible Series, O Evangelho de João, vol. 2, A Imprensa Westminster, 1975, pp 74, 75, 76 diz:

“Agora chegamos à afirmação suprema [de João 10:30]. “Eu e o Pai somos um”, disse Jesus. O que ele quis dizer? É um mistério absoluto, ou se pode compreender pelo menos um pouco dele? Somos levados a interpretá-la em termos de essência e hipóstase e todo o resto das noções metafísicas e filosóficas sobre as quais os fabricantes de credos lutaram e defenderam? Precisaríamos ser um teólogo ou um filósofo a fim de compreender até mesmo um fragmento do significado desta tremenda declaração?”

“Se recorrermos a própria Bíblia para a interpretação”, continua Barclay, nós achamos que ela é na verdade tão simples que a mente mais simples pode compreendê-la. Voltemo-nos para o décimo sétimo capítulo do Evangelho de João, que fala da oração de Jesus para seus seguidores antes de sua morte: “Pai Santo, guarda em teu nome, que me tens dado, para que eles sejam um, como nós somos um” (João 17:11). Jesus concebeu a unidade dos cristãos com cristãos como a mesma que a sua unidade com Deus”.

“Aqui está a essência da questão. O vínculo de unidade é o amor, a prova de amor é a obediência. Os cristãos são “um” com os outros quando eles estão ligados pelo amor, e obedecer as palavras de Cristo. Jesus é um com Deus, porque, como nenhum outro jamais fez, ele obedeceu e o amava. Sua unidade com Deus é uma unidade de amor perfeito, mostrando perfeita obediência.”

“Quando Jesus disse: “Eu e o Pai somos um“, ele não estava se referindo ao mundo da filosofia e da metafísica e abstrações, ele estava se referindo ao mundo das relações pessoais. Ninguém pode realmente entender o que uma frase como ”uma unidade de essência” quer dizer, mas qualquer um pode entender o que significa uma unidade de coração, a unidade que Jesus com Deus veio a partilhar tanto o amor perfeito quanto a obediência perfeita. Ele era um com Deus porque ele o amava e lhe obedeceu perfeitamente …”.

O trinitário Robert Young comentou sobre esse reconhecimento da palavra “um” em João 10:30 em sua obra Young’s Concise Critical Bible Commentary: “A partícula [hen] que está no gênero neutro, dificilmente pode significar” um ser, ou seja, um só Deus ‘, mas sim “um na vontade, em propósito, conselho, …” – pg. 62, Baker Book House, 1977.

João Calvino (que era trinitarista) disse no livro Commentary on the Gospel According to John (Comentário do Evangelho Segundo João): “Os antigos usaram mal essa passagem para provar que Cristo é . . . da mesma essência que o Pai. Pois Cristo não argumenta a respeito da unidade em substância, mas sim a respeito do estado de concordância dele com o Pai.”

Verdadeiramente, então, não há absolutamente nenhuma evidência de uma interpretação “trinitária” em João 10:30.

Precisamos apenas ser coerentes com a verdade!

Divino disfarçado de humano

Que divindade poderia ser atribuída a um homem? Como chamar de divino Deus aquele que veio a semelhança dos homens, sendo descendente de Davi, tendo as mesmas características do ser humano, sendo igual a eles? Como poderíamos falar de divindade em alguém que foi chamado de último Adão pelo Apóstolo Paulo em 1 Cor 15:54? Como um homem nascido de mulher ( Gal 4:4 ) poderia ser divino?

As pessoas que não acreditam que Jesus era  um homem,  estão erradas. É necessário acrescentar que Jesus não era um homem comum, ou seja, um pecador.  Ele era um homem único,  era o Filho de Deus. No entanto, em um sentido muito real, ele era um homem e não o Deus de Abraão, Isaque e Jacó em pessoa.

Os cristãos que definem Jesus como Deus quando aqui andou, discretamente insinuam ter sido ele um ser místico, um avatar ou um guru. Acreditem ou não, mas  podemos encontrar milhões de pessoas, seja nas fileiras do protestantismo, do catolicismo ou qualquer outro ismo, acreditando piamente que  Jesus foi um ser divino que baixou na criança gerada no ventre de Maria. Eles não confessam as intenções nestas palavras, mas a descrição que fazem de como Jesus veio parar neste mundo não esconde o misticismo em seus extensos discursos escritos.

A ortodoxia cristã não pode ser excluída da responsabilidade na deturpação do Jesus histórico. Munida de um imenso arsenal deixado pelos grandes concílios do passado, ela tem  insinuado de forma camuflada que Jesus,  quando aqui  andou, era um astro, um ser do outro mundo, Deus encarnado num corpo, o poderoso homem que veio do céu, o  Super Homem disfarçado de Clark Kent. Aqueles que conhecem bem o estudo da cristologia advindo da nossa velha ortodoxia, sabem  muito bem das  manobras que fazem para deturpar o sentido de divindade.

Infelizmente os  cristãos da nossa geração tem uma visão de Jesus como tinham àqueles que vieram de uma origem grega ou romana, que  acreditavam que o termo “filho de Deus” significava uma encarnação de um deus ou alguém nascido de uma união física entre os deuses masculinos e femininos. Isso pode ser visto em Atos 14: 11-13, onde lemos que, quando Paulo e Barnabé pregaram em uma cidade da Turquia, os pagãos afirmavam que eles foram a encarnação de deuses. A Barnabé chamavam o deus romano Zeus, e Paulo, o deus romano Hermes.

Para muitos cristãos, Deus teve de assumir a forma humana para compreender a tentação e o sofrimento humano, mas o conceito não se baseia em quaisquer palavras claras de Jesus. Em contraste, Deus não precisa ser tentado e sofrer, a fim de ser capaz de compreender e perdoar os pecados do homem, ou mesmo para ficar sabendo como sofrem ou o que sofrem, porque Ele é o Criador do homem e onisciente. Deus não enviou seu amado Filho por esse motivo, como se querendo saber que sentimento tem os humanos debaixo da servidão e opressão. Isso está expresso em Êxodo 3:7,

E disse o Senhor: Tenho visto atentamente a aflição do meu povo, que está no Egito, e tenho ouvido o seu clamor por causa dos seus exatores, porque conheci as suas dores“.

Muitos cristãos afirmam que no nascimento de Jesus ocorreu o milagre da encarnação de Deus na forma de um ser humano. Dizer que Deus se tornou verdadeiramente um ser humano convida a uma série de perguntas. Vamos perguntar o seguinte sobre o homem-Deus Jesus. O que aconteceu com seu prepúcio após sua circuncisão (Lucas 2:21)? Será que desapareceu quando ele tornou-se adulto se manifestando como [um] Deus?  Durante sua vida, o que aconteceu com seu cabelo, unhas e sangue derramado de feridas? As células de seu corpo morreriam como nos seres humanos comuns? Se o seu corpo não funcionou de uma forma verdadeiramente humana, ele não poderia ser verdadeiramente humano, mas verdadeiramente Deus, o que não foi o caso. Assim, se o seu corpo funcionou exatamente de um modo humano, isso anularia qualquer alegação de divindade. Seria impossível para qualquer parte de Deus, mesmo se encarnado, ser submetido ao que Jesus foi submetido  e ainda ser considerado Deus. A verdade é que,  Jesus no seu corpo sofreu as sequelas da decadência humana durante sua vida aqui, logo, ele não poderia ser Deus. Infelizmente muitos acreditam, mesmo com o testemunho das Escrituras apresentando Jesus como um ser humano normal, que  ele não foi submetido a essa ‘decadência’ concluindo que ele era  verdadeiramente [um] Deus. Por esse motivo, temos hoje o ensino mais difundido dentro da cristandade: Jesus foi o  Deus Todo-Poderoso em forma humana.

Compare isso com estas palavras do ex-bispo de Woolwich, Dr. Robinson, em seu livro, “Juro por Deus”, em uma passagem em que ele estava explicando como a  maioria dos cristãos vêem Jesus:

Jesus não era um homem nascido e criado, ele era Deus por um período limitado participando de uma farsa. Ele parecia um homem, mas por baixo era Deus vestido – como o Pai Noel

No entanto, como ensina as Escrituras, sabemos que Ele   nasceu com o mesmo tipo de identidade humana que Adão e Eva tinham quando foram criados.

1 João 4: 2 declara,  “Nisto conhecereis o Espírito de Deus: Todo o espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus”.

Jesus era o descendente biológico de Maria 

Maria não foi uma “incubadora” para gerar uma “carne divina” . Ela não se limitou a levar Cristo, mas ela concebeu Cristo em seu ventre (Lucas 1:31). O anjo não disse: “Maria, você vai produzir um corpo de carne para uma pessoa divina  vir e viver dentro dele“. Ele disse: “Você vai conceber… e terás um filho“. Estas palavras tiveram, obviamente, a intenção de ser entendidas  literalmente. Elas descrevem o começo de uma nova vida humana – não a vinda à Terra de uma pessoa divina para habitar dentro de um corpo humano.

As Escrituras identificam Maria como mãe de Jesus (Mateus 1:18, 2:11 e Lucas 2:34, 43, 48, 51). Os anjos especificamente  identificaram ela como a verdadeira mãe de Jesus (Mateus 2:13, 19-20).  A palavra  mãe  não pode ser aplicada a uma mera incubadora.  Exige uma relação biológica.  Jesus  foi “feito de uma mulher, nascido sob a lei” (Gálatas 4:4).

É necessário também lembrar que Maria foi gerada como foram todos os outros seres humanos. Ela veio a existência através de uma relação sexual entre seus pais biológicos. Portanto, a família do Senhor Jesus – que para muitos era o próprio Deus – não era pequena. Quem poderia conceber a ideia absurda de que Deus teve parentes? As Escrituras falam de seus primos. Deus também teve uma tia, pois a irmã de sua mãe é citada nas Escrituras. Assim, Deus era sobrinho da outra Maria. Ele, Deus, exercia uma profissão, era  carpinteiro nascido numa  pequena vila chamada Belém tendo sido  criado na cidade de NAZARÉ. E acreditem: Deus foi circuncidado ao oitavo dia de nascido (Lc 2:21), como também foi levado ao deserto para ser tentando pelo diabo (Mat 4:1). Estes são os absurdos que encontramos nas Escrituras quando substituímos o nome de Jesus pelo nome de Deus. Absurdos estes, que de tão escandalosos, não param por aqui. Observe o leitor quem são os incluídos na  família de Davi

Luc 2:4 E subiu também José da Galileia, da cidade de Nazaré, à Judéia, à cidade de Davi, chamada Belém (porque era da casa e família de Davi). A mesma procedência do Cristo nascido da mulher Maria: João 7:42, Não diz a Escritura que o Cristo vem da descendência de Davi, e de Belém, da aldeia de onde era Davi? Jesus era tão humano e descendente de humanos como era José.

E a você, caro amigo leitor, para que não fique distraído pelos erros que a ortodoxia cristã nos legou, e tente aceitá-los como genuínos, deixo aqui mais uma passagem que poderia gerar um absurdo escandaloso quando trocamos o nome de Jesus pelo nome de Deus. Observe,

LIVRO da geração de Deus, filho de Davi, filho de Abraão”, Mateus 1:1.

O que lhe parece?

Acredito que não há necessidade de  comentários.

Jesus era descendente Biológico de Abraão e Davi

Jesus era o Filho de Deus, e, como sua posição foi para ser o salvador dos homens, era necessário que ele fosse um homem, não um ser imortal, uma divindade cósmica. Ele foi a semente da mulher, a semente de   Abraão, a semente de Davi e “descendência” de Davi. (Ver Gênesis 3:15, João 7:42;  Atos 13:23, Romanos 1:3, Gálatas 3:16, 2 Timóteo 2:8, Hebreus 2:16, Apocalipse 22:16). Jesus  era um israelita natural da mesma forma como Paulo  (Ver Romanos 9:3-5), sendo também  fruto dos lombos de Davi segundo a carne (Atos 2:30).

Tanto no hebraico como no grego a palavra traduzida como   “Semente” na Bíblia se refere principalmente à prole biológica de homens e mulheres, e apenas  secundariamente podem ser aplicadas como uma metáfora para a prole espiritual.

O próprio Jesus identificou os judeus, mesmo  aqueles que tentaram matá-lo, como sendo descendentes de Abraão (João 8:37).  Maria compreendeu a descendência de Abraão para incluir “os pais”, a quem as promessas de Deus foram feitas (Lucas 1:55).   Pedro compreendeu que os homens de Israel “foram as sementes de convênio”  (Atos 3:12, 25).  Paulo escreveu sobre “todas as sementes”, demonstrando que a palavra se aplica a todos os crentes bem como todos os descendentes físicos de Abraão (Romanos 4:16, 9:29).  Paulo incluiu a muitas  nações que vieram da descendência de Abraão na semente da qual falou Deus (Romanos 4:18;  11:1; II Coríntios 11:22).  Além disso, Paulo ampliou o alcance da palavra “semente” para incluir todos os  que viriam a ser os crentes em Cristo como a descendência espiritual de Abraão e os filhos de  Deus (Romanos 9:7-8, Gálatas 3:29).

Assim, a Escritura ensina claramente que Jesus Cristo estava biologicamente e  geneticamente relacionado com Adão, Abraão, Isaac, Jacó, Judá e Davi, através de Eva e a  Virgem Maria, sua mãe.

Houve uma mudança no corpo de Cristo na Sua ressurreição

Antes de Sua ressurreição, Jesus  tinha um corpo capaz de sofrimento, morte e decadência, mas, na Sua ressurreição Seu  corpo foi alterado para ser incorruptível (incapaz de decadência) e imortal (incapaz de morte),

Sabendo que, tendo Cristo ressuscitado dentre os mortos, já não morre mais, a morte não mais tem domínio  sobre ele” (Romanos 6:9).

Davi profetizou de Cristo, “Tu não deixarás a minha alma no inferno:  nem tu permitirás que o teu Santo veja a corrupção” (Salmo 16:10). Pedro   explicou que esta profecia se cumpriu pela ressurreição de Cristo: “Nesta previsão, disse da ressurreição de Cristo, que a sua alma não foi deixada no inferno, nem a sua carne viu a corrupção” (Atos 2:31).  Da mesma forma, Paulo citou o mesmo versículo de Salmos, afirmando que Cristo  foi ressuscitado dentre os mortos para “agora não mais tornar à corrupção” (Atos 13:34-35).  Segundo  a esta profecia, aplicado por ambos, Pedro e Paulo, o corpo de Cristo teria deteriorado se não fosse o milagre da ressurreição.

Em Sua ressurreição, Cristo é “as primícias dos que dormem” (I Coríntios 15:20).  Através de Cristo veio “a ressurreição dos mortos” (I Coríntios 15:21).  I Coríntios 15:42-44  explica o que acontece na ressurreição dos mortos,

 “… Semeia-se o corpo em corrupção; ressuscitará em incorrupção. Semeia-se em ignomínia, ressuscitará em glória. Semeia-se em fraqueza, ressuscitará com vigor. Semeia-se corpo natural, ressuscitará corpo espiritual. Se há corpo natural, há também corpo espiritual“.

Nossa ressurreição será igual a dele e nos dará um corpo como o dele.  Em ambos os casos,  “ressurreição” refere-se ao mesmo processo, de modo que a ressurreição de Cristo fez-lhe “as primícias dos crentes”. Observe o que ele diz em I Coríntios  15:50-53,

E digo isto, irmãos, que carne e sangue não podem herdar o reino de Deus;  nem a corrupção herda a incorrupção.  Eis que lhes mostro um mistério: nem todos  dormiremos, mas todos seremos transformados, num momento, num abrir e fechar de olhos, ante a última trombeta, pois  a trombeta soará, e os mortos ressuscitarão incorruptíveis e nós seremos transformados.  Para que  isto que é corruptível se revista da incorruptibilidade, e isto que é mortal se revista da imortalidade“.  E João acrescenta,

Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não é manifestado o que havemos de ser,  mas sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele, pois o veremos como ele é “(I  João 3:2).

Em suma, a Bíblia revela que a humanidade de Cristo teve por se qualificar para a exaltação e  glorificação, que ocorreu por Sua morte, ressurreição e ascensão.  (Ver Sl 2:7 com Atos  13:32-24; Salmos 110:1-3 com Efésios 1:19-23, Salmo 110:4 com Hebreus 5:1-11; Isaías  28:16 com I Pedro 2:6-8, João 7:39, 17:1; Atos 2:33, 3:13, 4:10-12, 5:31, Romanos 1:3-4;  Filipenses 2:5-11.)

Se Jesus Cristo não fosse verdadeiramente humano, com potencial humano cheio de sofrimento,  experiência, a obediência, crescimento e transformação, estes textos não teriam sentido quando   eles falam dele como se tornou perfeito através do sofrimento e ser exaltado pela ressurreição.  Se o Seu corpo não tinha nenhum relacionamento biológico ou genético com outros seres humanos, se Ele fosse “divino na  carne “ou isento de fragilidade humana, tais qualificações não teriam sentido,  porque uma divindade não precisa se qualificar para a glorificação, exaltação, ou qualquer papel que Ele escolha  tomar  nos assuntos de sua criação. Somente quando reconhecemos Jesus como um verdadeiro ser humano, que descende através de humanos, é que  podemos entender estas declarações.

Para se ter uma ideia mais clara do que eu disse até o presente momento, basta observar como dois versículos do Livro de Hebreus denunciam de forma escancarada a visão errônea que milhões de cristãos tem do Senhor Jesus. São dois contextos importantíssimos que reforçam os argumentos aqui apresentados.

Ainda que era Filho, aprendeu a obediência, por aquilo que padeceu. E, sendo ele consumado, veio a ser a causa da eterna salvação para todos os que lhe obedecem” (Hebreus 5:8, 9).

Porque convinha que aquele, para quem são todas as coisas, e mediante quem tudo existe, trazendo muitos filhos à glória, consagrasse pelas aflições o príncipe da salvação deles” (Hebreus 2:10).

Mais uma vez, é claro que há algo muito errado com a ideia popular que Jesus era um ser divino vestido de um corpo humano. Você consegue imaginar alguém que aprende “obediência através daquilo que sofreu” ser cheio de divindade? Em outras palavras, você pode imaginar uma pessoa divina ser “aperfeiçoada através do sofrimento”?

Claro que não. Temos aqui a descrição de um homem de verdade construindo um personagem perfeito, camada sobre camada.

Não podemos aceitar qualquer  doutrina que defende uma divindade corruptível que divorcia Jesus Cristo de uma biológica  relação genética para a humanidade. Não podemos aceitar a ideia básica de que a humanidade e divindade estavam inseparavelmente unidas na pessoa de Cristo quando ele aqui andou. Assim, Cristo foi  uma pessoa  em todos os sentidos.  Jesus “foi  Deus” manifesto na carne, não de Deus por um residente ou encarnação, mas por identidade e representação.

As relações genéticas de Cristo com a humanidade foi herdado  de  sua mãe, Maria.  Ele é, assim, parte da raça humana, o descendente biológico de Adão e Eva,  Abraão e Davi, e qualificado para reconciliar humanos pecadores com Deus.   A doutrina da carne divina ou “carne celestial” de Cristo,  definido como a negação de que Jesus Cristo era biológica ou geneticamente relacionado à humanidade  através de Maria, sua mãe, é biblicamente falso.

Jesus Cristo não era um meio homem, sendo um semideus, uma segunda pessoa na  Trindade, uma pessoa divina temporariamente destituído de alguns atributos divinos, a transmutação do  Deus em carne, a manifestação de uma parte de Deus, a animação de um corpo humano por Deus. Não, Jesus era realmente um homem, um verdadeiro ser humano.

Jesus não foi uma entidade

Muitos acreditam que Jesus foi um homem com um corpo divino, o que seria dizer: homem com carne divina. Isto não está de acordo com a divindade de Cristo. A divindade de Jesus esta ligada a sua autoridade espiritual, que o envolve na missão para a qual, só Ele, foi o escolhido, salvar a humanidade, o que fez como homem, e não como um Deus, ou o próprio Deus, literalmente. A interpretação de divindade herdada da ortodoxia cristã sobre a pessoa de Jesus parece estar ligada a divindade da carne, o que não passa de heresia, pois transforma o cristão  numa pessoa que tem uma fé baseada em conhecimento místico e experimental do divino nos objetos e corpos mortos e pessoas vivas, o que é mais parecido com um gnosticismo misturado com misticismo do que o Cristianismo do Novo Testamento, e é uma característica de todas as religiões místicas.

A divindade que eles exigem esta ligada para além deste mundo, uma definição de divindade que ultrapassa as mais altas nuvens, cheia de espiritualismo, que acabou criando uma onda de misticismo envolvendo a pessoa de Jesus de Nazaré. Ou seja, diante da exigência espiritual temporal, que transformaram Jesus em um ser, que é uma herança da interpretação católica, descobre-se que o Jesus histórico  desapareceu por completo, dando lugar a figura de um fantasma que se manifestou entre os homens – transformaram Jesus numa entidade que baixou na terra entrando dentro do corpo de um bebe. Jesus foi confundido com uma coisa do outro mundo!

Isso tudo nos impulsiona inevitavelmente para os criadores de divindades, o catolicismo romano. O romanismo, quando menciona a divindade de Jesus, logo posiciona a mãe na frente do filho que ela gerou. Assim, transformaram Maria numa figura esplendidamente embelezada e revestida com roupagem doutrinaria católica; não a Maria bíblica, a judia  e mãe, mas sim a divindade que tomou impulso por causa da suposta virgindade, o que explicaria o título de santíssima, pois é esse o único motivo que reforça seu título: a sua virgindade que a transformou em divindade. Isso pode ser notado pela ênfase  dada a pessoa de Maria, considerando-a não humana, o que, provavelmente os levem a pensar que a natureza dos deuses tenha criado nela o desinteresse pelo o que é terreno e carnal, dando a Maria o poder da abstinência, da pureza sexual, que por fim fez dela a milagrosa,  divina, pura e imaculada.

O catolicismo visualiza Maria como alguém que não foi gerado como foram os outros seres humanos, o que supostamente criou nela uma blindagem que a protegia do lado impuro humano. Associaram a figura de Jesus à figura da mãe, transformando-o numa coisa, onde numa metade dele morava Deus mesmo e na outra metade um homem diferente dos humanos. Por isso uma não pequena parte de cristãos acredita  que Deus movia e animava o corpo de Jesus. Um engano, pois a  divindade de Jesus esta ligada a sua missão que gerou sua obediência, fazendo dele um homem casto não por exigência religiosa de deuses internos e externos, mas sim por amor a Deus, dedicação e posição – bem diferente da divindade exigida pelo catolicismo  e pela ortodoxia protestante. Ao contrário de que muitos pensam, Jesus e Maria não são duas criaturas de outro mundo disfarçadas de seres humanos.

Por fim, e resumindo em poucas palavras o que  registro até aqui, quero dizer que o catolicismo romano e a ortodoxia protestante geraram o suficiente para que suspeitemos de seu ensino sobre divindade de Jesus. Quando tentam definir o que é divindade, em se  tratando da pessoa de Jesus e sua mãe, estão simplesmente interpretando como se eles fossem duas entidades. Eles transformaram o Salvador e a virgem  em entidades que desceram a terra. Isso faz com que eles adentrem aos porões do diviníssimo misterioso oculto, o que é um perigo – isso é espiritismo. Jesus não foi um espírito que baixou na terra! E mesmo que Ele tenha sido gerado de uma maneira totalmente incrível, ele foi, sem duvida, 100% homem, um nascido de mulher (Gal 4:4).