Adulteração em Mateus 28:19

Esta é a segunda versão, e sofrerá constantes atualizações.

O Cardeal Ratzinger, em seu Livro “Introdução ao Cristianismo”, fez algumas declarações que se espalharam pela Internet de forma avassaladora. Essas declarações revelam nas entrelinhas algo interessante sobre a forma batismal em nome do Pai, Filho e Espírito Santo, mesmo estando o Cardeal fazendo referência ao Credo Apostólico, que de Apostólico nada tem, pois ele é bem explicito quando afirma onde e quando foi elaborado esse Credo.

Toda essa discussão gira em torno da trindade, crida e aceita pela maioria cristã hoje, sejam eles católicos ou protestantes. Porém, a discussão e crença não se limita apena aos religiosos convencionais, mas vai além; milhões creem na trindade até fora das Igrejas, dentro de outras religiões, entre incrédulos e até pessoas afastadas da Igreja temem blasfemar contra aquela doutrina que entendem ser um mistério divino, um enigma do outro mundo, o sagrado segredo que pode exterminar quem duvidar de sua existência.

Depois da eliminação de 1 João 5:7-8 das Escrituras, toda responsabilidade para provar a doutrina trinitariana está agora sobre Mateus 28:19, que diz: “Ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a guardar todas as coisas que lhes tenho ordenado, e eis que estarei convosco todos os dias até a consumação dos séculos”.

Uma pergunta apenas deve ser feita aqui: Para quem Mateus escreveu seu Evangelho? Todos sabem que ele escreveu para os judeus. No entanto, a sugestão da existência de uma trindade não se coaduna com a crença do público alvo do livro. O objetivo de Mateus era alcançar os judeus convencendo-os de que Jesus Cristo era o Messias descrito pelos profetas do Antigo Testamento. Desta forma, causa-nos no mínimo alguma estranheza a menção de uma fórmula batismal que sugira a existência de uma trindade jamais aceita pelos judeus. Isto porque a crença dos judeus se baseia totalmente no Velho Testamento, onde não há qualquer sugestão da existência de uma trindade. Baseados no Velho Testamento, os judeus aceitam um único Deus e a proposta de uma trindade soaria absurda. Ademais, o objetivo de Mateus não era convencê-los da existência de uma trindade, mas mostrar Jesus como o Messias.

Isso lhe parece estranho? Não se preocupe com suas dúvidas; apenas continue a leitura para descobrir um dos maiores embustes inseridos na Palavra de Deus depois da interpretação equivocada de João 1:1-3.

O texto do Cardeal Ratzinger diz:

Talvez seja útil fornecer alguns dados sobre a origem e estrutura do símbolo, que contribuirão para esclarecer o “por quê” do nosso proceder. A forma básica do nosso símbolo apostólico cristalizou-se no correr do segundo e terceiro século, em CONEXÃO com o rito batismal. Trata-se originariamente de uma fórmula nascida na cidade de Roma. Contudo, seu lugar interno de origem é a liturgia, ou mais exatamente, o batismo. O rito batismal fundamentalmente orientava-se pelas palavras de Cristo: “Ide, fazei discípulos a todos os povos e batizai-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo” (Mt 28, 19). De acordo com esta ordem, o batizando ouvia três perguntas: “Crês em Deus, Pai todo-poderoso…? Crês em Jesus Cristo, Filho de Deus…? Crês no Espírito Santo…?” 2. A cada uma das perguntas o batizando respondia: “Creio”, sendo, de cada vez, mergulhado na água. Portanto, a fórmula mais antiga do símbolo realiza-se em tríplice diálogo e está enquadrada no rito batismal.

Provavelmente ainda no correr do século II, mas sobretudo no século III, a fórmula tríplice, tão simples, e reproduzindo apenas o texto de Mt 28, sofreu um desdobramento em sua parte média, ou seja, na pergunta sobre Cristo. Por tratar-se do que é tipicamente cristão, aproveitou-se a ocasião para fornecer um resumo a respeito da importância de Cristo para o cristão, dentro dos limites daquela pergunta. Igualmente a terceira pergunta, a profissão da fé no Espírito Santo, foi explicitada e desenvolvida como declaração da fé a respeito do presente e do futuro do cristão. No século IV estamos diante de um texto contínuo, libertado do esquema de perguntas e respostas” (Introdução ao Cristiansmo, pág. 31).

O que está explícito no texto é que o batismo trinitário deu origem ao credo: “… seu lugar interno de origem é a liturgia, ou mais exatamente, o batismo”. No entanto, como vai ficar provado, o batismo em nome da trindade não é bíblico, e Mateus 28:19 em sua forma alongada, a forma trinitariana, não faz parte do texto original, mas foi uma adulteração inserida em um manuscrito supostamente de Mateus que circulava entre o terceiro e quarto século.

Mateus 28:19 é realmente um texto muito suspeito. Uma das razões pelas quais esse é o caso é que há um intervalo muito grande desde o momento em que Mateus escreveu seu Evangelho e os primeiros manuscritos gregos que temos contendo as palavras encontradas em Mateus 28:19 – existem quase trezentos anos entre os dois.

Infelizmente, a “Igreja” durante esse período também estava rapidamente se transformando em escuridão. O que viria a ser a Igreja Católica desenvolveu grande parte de sua teologia durante esse período e foi obstinadamente zelosa na aplicação dessas doutrinas. Se você ousasse desafiá-los, seria rotulado de herege e poderia enfrentar evasão, censura e até morte. Ter apenas manuscritos datados dessa época (séculos III e IV – durante os quais a Igreja Católica estava surgindo com suas crenças como autoridade das Escrituras) era um problema real e muito grande.

Em outro lugar Ratzinger diz:: “Nas considerações introdutórias tivemos ocasião de ver que o Credo se originou do tríplice interrogatório batismal sobre a fé no Pai, Filho e Espírito, que, por sua vez, se baseia na fórmula do batismo, testemunhada e transmitida em Mateus (28,19). Neste sentido, a forma mais antiga de nossa fé, com a sua tríplice divisão, apresenta até uma das mais decisivas raízes da imagem trinitária de Deus. Somente o alargamento paulatino do questionário batismal, até formar um texto desenvolvido do símbolo, encobriu um tanto a sua estrutura trinitária” (Introdução ao Cristianismo, pág. 160).

Ratzinger fez uma exegese em cima de um texto falsificado. Ele está sendo enganado, como estão sendo todos os católicos. Ele é católico, e como tal defende também outras mentiras, como o purgatório, a assunção de Maria e o pontificado de Pedro em Roma.

Os textos do Cardeal serão examinados com mais detalhes no decorrer desse artigo.

O Batismo

A Bíblia afirma claramente que somos batizados em Jesus Cristo (não no Pai ou no Espírito Santo). O Espírito vem como dom quando o fiel é batizado em Cristo (Atos Atos 2:38; 19: 1-6). Além disso Romanos 6: 3,4, diz: “Ou, porventura, ignorais que todos quantos fomos batizados em Cristo Jesus fomos batizados na sua morte? Fomos, pois, sepultados com ele pelo batismo na morte, para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida“.

É sepultado com Cristo no batismo, e não com o Pai e o Espírito Santo. O símbolo do batismo é a morte de Cristo. Esse é o ponto principal.

O novo Cristão, ao ser submergido totalmente pelas águas, está sepultando a velha criatura junto com todos os seus pecados: “tendo sido sepultados com ele no batismo, no qual também fostes ressuscitados pela fé no poder de Deus, que o ressuscitou dentre os mortos” (Cl 2:12). Portanto, não é lícito batizar em nome do Pai. Ele não é parte da velha criatura. Além disso, ele não morre – veremos isso com mais detalhes adiante.

Os verdadeiros Pais da Igreja

O que precisamos considerar de mais importante na discussão sobre Mateus 28:19 é que os Pais da Igreja são os Apóstolos originais. Portanto, nós devemos ter como fidedignos seus escritos e não os escritos daqueles considerados pais que apareceram pós século primeiro, pois muitos deles não passam de lobos devoradores:

Eu sei que DEPOIS da minha partida entrarão no meio de vós lobos cruéis que não pouparão o rebanho” (Atos 20:29).

Depois desses tantos chamados Pais da Igreja se manifestarem foi que a própria Igreja entrou em confusão. Acreditar em todos eles e usar seus escritos como prova de autenticidade doutrinária é muito perigoso. Na verdade, a doutrina deve ser obtida somente da pura Palavra de Deus e não de outras fontes duvidosas. Esses autoproclamados “pais” viveram em uma era de heresia desenfreada. O testemunho de alguns deles pode ser valioso apenas porque eles fornecem uma verificação incidental e independente dos textos das Escrituras muito mais antigos do que nossas cópias completas atuais.

No entanto, ignorando o contexto das Escrituras, muitos tem como preciosos os escritos de alguns desses chamados pais quando se levantam em defesa do batismo trinitariano. Podemos encontrar pelo menos uma dúzia de citações dos pais patrísticos “autenticando” o batismo em nome do Pai, Filho e Espírito Santo” antes do estabelecimento oficial da trindade – as discussões tiveram início com o Concílio de Niceia, tendo a aceitação do dogma sido concluído mais tarde. Há um ponto importante a ser lembrado aqui: a trindade, apesar de existir na crença eclesiástica e da Igreja, não foi codificada até o ano de 381 (o Concílio de Niceia em 325 d.C. simplesmente decidiu que Jesus era Deus enquanto deixava o Espírito Santo fora da equação).

Também é necessário dizer que o cristianismo do século IV era uma bagunça organizacional, razão pela qual o século estava repleto de controvérsias e conselhos. E no meio dessa desordem abundante podia-se encontrar documentos considerados fidedignos, que foram atestados e escritos por pais de renome já falecidos, como Tertuliano, Justino Mártir, Origenes e Cipriano de Cartago que viveram entre fins do primeiro e segundo séculos, e, acrescentando os vivos por volta do quarto século, haviam Jerônimo e Agostinho. Todos eles deixaram documentado que o batismo era em “nome do Pai, Filho e Espírito Santo”. Não vou considerar aqui qual deles teve seus escritos adulterados, embora tenhamos certeza de que isso ocorreu. É relativamente fácil identificar uma adulteração trinitariana feita no século 16 (exemplo I João 5:7), mas o mesmo não pode se afirmar com relação a adulterações mais antigas, principalmente as adulterações anteriores ao quarto século.

No entanto, é preciso entender que a corrupção da fórmula batismal teve inicio realmente no segundo século. De acordo com a Enciclopédia de Religião de Canney, a igreja primitiva batizou em nome de Jesus até o segundo século.

A Enciclopédia Britânica (11ª ed., Vol. 3, p. 365) concorda, afirmando que o batismo foi mudado do nome de Jesus para as palavras Pai, Filho e Espírito Santo no século II.

No Volume 2 da Enciclopédia de Religião e Ética, p.389, é observado que o batismo sempre foi realizado em nome de Jesus até a época de Justino Mártir.

No Pastor de Hermas – datado de aproximadamente 120 dC, portanto, antes dos mais antigos Pais citados, está registrado: “Antes que o homem levasse o nome do Filho de Deus, ele estava morto, mas quando recebeu o selo [pelo batismo], ele deixou de lado a mortalidade e recebe a vida”. Também declara: “Eles são aqueles que ouviram a palavra e estavam dispostos a ser batizados em nome do Senhor”.

A apologética trinitariana invoca o testemunho desses escritores patrísticos em defesa dos seus argumentos, mas, sem dar explicações coerentes, ignoram o testemunho maior e mais excelente que é o do Novo Testamento, o escrito dos verdadeiros Pais da Igreja, que circulavam entre os cristãos um século e meio antes dos escritos chamados patristicos. Nestes documentos está registrado que o batismo era feito em nome de Jesus. Preste atenção nesses registros ao modelo da patrística:

“… Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados” (São Lucas – Livro de Atos dos Apóstolos, capítulo ii verso 38).

Mandou, pois [Pedro], que fossem batizados em nome do Senhor Jesus” (São Lucas – Livro de Atos dos Apóstolos, capítulo x, v 48).

“… foram batizados em nome do Senhor Jesus” (São Lucas – Livro de Atos dos Apóstolos, capítulo xix, v 5).

fomos batizados em Cristo Jesus” (São Paulo – Carta aos Romanos, capítulo vi, v 3).

Porque todos quantos fostes batizados em Cristo, de Cristo vos revestistes” (São Paulo – carta à Igreja da Galácia, capitão iii, v 28).

Estão aí, de forma magnífica e explícita, os registros dos originais Pais da Igreja.

A Grande Comissão

Um dos maiores problemas para a formato textual batismal trinitariano apresentado em Mateus 28:19 são as passagens paralelas que tratam do mesmo evento (Marcos 16:15,16; Lucas 24:46-51 e Atos 1:5,8).

Marcos 16:15,16: “E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo”. Marcos omitiu o batismo trinitariano, além de omitir os nomes dos três componentes da chamada trindade.

Lucas 24:46-51 “E disse-lhes: Assim está escrito, e assim convinha que o Cristo padecesse, e ao terceiro dia ressuscitasse dentre os mortos, e em seu nome se pregasse o arrependimento e a remissão dos pecados, em todas as nações, começando por Jerusalém”. E eis que sobre vós envio a promessa de meu Pai; ficai, porém, na cidade de Jerusalém, até que do alto sejais revestidos de poder. E levou-os fora, até Betânia; e, levantando as suas mãos, os abençoou. E aconteceu que, abençoando-os ele, se apartou deles e foi elevado ao céu”. Outra omissão aqui do batismo e da trindade, embora fale do mesmo evento.

Atos 1:4,5-8,9 “E, estando com eles, determinou-lhes que não se ausentassem de Jerusalém, mas que esperassem a promessa do Pai, que (disse ele) de mim ouvistes. Porque, na verdade, João batizou com água, mas vós sereis batizados com o Espírito Santo, não muito depois destes dias… Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra… E, quando dizia isto, vendo-o eles, foi elevado às alturas, e uma nuvem o recebeu, ocultando-o a seus olhos”.

Note que no contexto de Atos, momentos antes de subir ao céus, está registrado que eles seriam batizados no Espírito Santo, mas omite “em nome do Pai e do Filho”. Observe que em Lucas 24:46-52, ele omite totalmente o nome do Espírito Santo e do Pai, mas insinua o batismo em Jesus quando fala que eles receberiam o revestimento de poder prometido, que só é obtido quando o arrependido é batizado em nome de Jesus, não no nome do Espírito Santo. O Espírito Santo vem como dádiva sobre aqueles que se arrependem e são batizados em Cristo, como diz Pedro falando do cumprimento dessa promessa do Senhor Jesus: “Arrependei-vos, e seja cada um de vós BATIZADO EM NOME DE JESUS e recebereis o dom do Espírito Santo” (Atos 2:38). Observe que Pedro não usa o termo batizados no Espírito Santo, mas diz: “recebereis o dom do Espírito Santo”. Pedro não chamou de batismo, mas de dom. Quando usou a palavra batismo ele inseriu apenas um nome, o de Jesus, mais ninguém. Compare com Atos 19:1-6.

Jesus não poderia ter dito a Seus discípulos para batizar pessoas no Espírito Santo simplesmente porque este não era um batismo que os discípulos deveriam realizar. Além disso, se Jesus não pudesse ter dito a seus discípulos que batizassem homens no Espírito Santo, é altamente improvável que Ele teria dito a eles que batizassem os homens no Pai também.

Jesus é quem nos batiza com o Espírito Santo; este é o batismo de Jesus, João Batista nos disse: “Eu vos batizo com água, Ele [Cristo] vos batizará com o Espírito Santo” (Marcos 1: 8, cf. Mat 3:11 e Lc 3:16). “… este [Jesus] é o que batiza no Espírito Santo” (João 1:33). Como este é obviamente um batismo separado – um batismo no qual somos imersos [batizados] com [ou no] Espírito Santo – um batismo que Cristo deve realizar -, Jesus não poderia ter dito aos discípulos que batizassem as pessoas em nome do Espírito Santo. Portanto, o Espírito vem como dádiva para aqueles que recebem Jesus e são batrizados EM SEU NOME. Isso é o que significa que Jesus é quem batiza com o Espírito Santo. Não é uma mera profissão de fé quando manipulada por pessoas que jogam água na cabeça de um iniciante – ou mesmo a mergulhe em qualquer lugar que seja – que vai fazer com que o Espírito Santo seja recebido. Não é, “Eu te batizo em nome do Pai, Filho e Espírito Santo”; a ordem prescrita foi: receber Cristo e como dádiva o cristão recebe o Espírito Santo.

Mateus e Lucas – onde está a corrupção textual?

Logo após a ressurreição de Jesus a Escritura diz que Ele se mostrou vivo depois de sua paixão por muitas provas infalíveis, sendo visto pelos discípulos e outros seguidores quarenta dias, e falando das coisas pertencentes ao reino de Deus (Atos 1:3). Durante esses encontros, obviamente Jesus fez questão de lembrá-los das coisas que havia ensinado enquanto ainda estava com eles e, no fim, antes de ser assunto ao céu, ordenou que pregassem em seu nome (singular), salvação, arrependimento e remissão dos pecados. Leia Lucas 24: 45-47 novamente, texto que está de acordo com o modelo batismal praticado na Igreja primitiva: “E disse-lhes: Assim está escrito, e assim convinha que o Cristo padecesse, e ao terceiro dia ressuscitasse dentre os mortos, e em seu nome se pregasse o arrependimento e a remissão dos pecados, em todas as nações, começando por Jerusalém”. E eis que sobre vós envio a promessa de meu Pai; ficai, porém, na cidade de Jerusalém, até que do alto sejais revestidos de poder. E levou-os fora, até Betânia; e, levantando as suas mãos, os abençoou. E aconteceu que, abençoando-os ele, se apartou deles e foi elevado ao céu”. Também é o que está de acordo com as palavras de Pedro proferidos 50 dias depois da ascensão do Senhor: “Arrependei-vos e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para remissão dos pecados” (Atos 2: 37-38). Como pode ser visto, não há lugar no contexto para a redação trinitariana de Mateus 28:19.

Há uma evidência por demais interessante que pode nos revelar de uma vez por todas se as palavras originais de Jesus estão na forma trinitariana de Mateus 28:19 ou em Lucas 24:47. Está em Paulo; vemos o Apóstolo batizando em nome de Jesus (Atos 19:1-5). Esse contexto de Atos nos leva para o encontro entre Paulo e alguns discípulos de João Batista em Éfeso. Eles não haviam recebido ainda o Espírito Santo. Alí é dito que eles são batizados por Paulo; o verso 5 esclarece que todos eles: “… foram batizados em nome do Senhor Jesus“.

Em outro lugar, Paulo esclarece que o batismo é feito em nome de Jesus: “Porque todos quantos fostes batizados em Cristo vos revestistes de Cristo” (Gal 3:27).

Ficamos com uma pergunta: Quem instruiu Paulo e lhe concedeu essa revelação? Basta lembrar que o Evangelho que Paulo recebeu não era de homem, mas de várias revelações dadas a ele diretamente por Jesus de acordo com Gálatas 1:11 e 12 e II Corintios 12:1.

Ele diz claramente que o Evangelho que lhe foi confiado ele “não recebeu de homem algum, e conclui, “mas o recebi por revelação de Jesus Cristo”.

A esse apóstolo Deus revelou o “mistério da Igreja” (ver Ef 3: 5). Com toda essa autoridade, ele também nos exorta em 1 Coríntios 14:37 “Se alguém se considera profeta ou espiritual, reconheça que as coisas que eu escrevo são os mandamentos do Senhor“. Ele também nos diz: “E o que quer que você faça com palavras ou ações faça tudo em nome do SENHOR JESUS … ” (Col. 3:17). O contexto fala por si só.

A leitura correta de Mateus 28:19 parece estar em Lucas 24:47 – o arrependimento pelo perdão dos pecados seria proclamado em seu nome a todas as nações, começando em Jerusalém. Mas Lucas 24:47 não diz nada de batismo! Isso é verdade. Eles se referem apenas a “fazer discípulos de todas as nações” e “arrependimento e remissão de pecados”. No entanto, uma vez que estabelecemos que o texto original de Mateus 28:19 simplesmente diz “em meu nome”, eliminamos essencialmente todo o apoio para o batismo “em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo!” Por causa dessa implicação de longo alcance, somos obrigados a examinar as evidências internas sobre o batismo, a fim de encontrar qualquer outro suporte possível para a leitura tradicional, isso porque o conceito doutrinal trinitário que foi adicionado a Mateus 28:19 está relacionado com o batismo. Embora o batismo não seja especificamente mencionado em Mateus 28:19 ou Lucas 24:47, é inferido pelos argumentos apresentados a seguir.

Em Mateus, o comando é “fazer discípulos em meu nome”. Para “fazer um discípulo”, a necessidade inclui o batismo no processo de conversão (Marcos 16: 15-16; João 3: 3-5) e todo o processo está sob a vigilância da especificação para fazê-lo “em seu nome”. Em Lucas, “arrependimento e remissão de pecados” seria pregado “em Seu nome”. Pelo testemunho de outras Escrituras (Lucas 3: 3; Atos 2:38), é claro que a remissão dos pecados vem pelo batismo, precedido pelo arrependimento. Ambos devem ser pregados “em Seu nome”.

Considerando a evidência dos manuscritos, das versões e agora dos primeiros escritos, você deve chegar à conclusão de que, nos primeiros séculos, algumas cópias de Mateus não continham a moderna redação trinitária. Independentemente das opiniões ou posições tomadas pelos nossos adversários, devemos, pelo menos, admitir esse fato. Na prática legal em que as cópias de um documento perdido, e original, variam, a “Evidência Interna” é usada para resolver a discrepância. Ou seja, uma comparação de outros textos com o texto em questão, a fim de determinar qual das versões variáveis é mais provável que seja o original. Com ambas as variantes em mente, nos voltaremos para as próprias Escrituras para a nossa evidência interna.

No caso que acabamos de examinar (Mateus 28:19), deve-se notar que nem um único manuscrito ou versão antiga nos preservou a verdadeira leitura. Mas isso não é surpreendente, pois, como o Dr. C.R. Gregory, um dos maiores críticos textuais, nos lembra: “Os manuscritos gregos do texto do Novo Testamento foram freqüentemente alterados por escribas, que colocaram nelas as leituras que eram familiar para eles, e que eles consideraram ser as leituras certas” (Canon e Texto do NT 1907, pág. 424).

Outro acrescenta:

Estes fatos falam por si mesmos. Nossos textos gregos, não apenas dos Evangelhos, mas também das Epístolas, foram revisados e interpolados por copistas ortodoxos. Podemos rastrear suas perversões do texto em alguns casos, com a ajuda de citações patrísticas e versões antigas. Mas deve haver muitas passagens que foram corrigidas, mas onde hoje não podemos expor a fraude” (Peter Watkins, in an excellent article ‘Bridging the Gap’ in The Christadelphian, January, 1962, pp. 4-8).

E ainda:

O Codex B. (Vaticanus) seria o melhor de todos os manuscritos existentes … se fosse completamente preservado, menos danificado, (menos) corrigido, mais facilmente legível e não alterado por uma mão posterior em mais de dois mil lugares. Eusébio, portanto, tem razão para acusar os adeptos de Atanásio e da doutrina da Trindade de falsificar a Bíblia mais de uma vez” (Fraternal Visitor 1924, p. 148, tradução de Christadelphian Monatshefte).

Ao bispo de Londres, este escreveu:

Nós certamente conhecemos uma maior quantidade de interpolações e corrupções trazidas para as Escrituras … pelos Atanásios e relacionadas à Doutrina da Trindade, do que em qualquer outro caso” (Whiston – Segunda Carta ao Bispo de Londres, 1719, p. 15)

F.C. Conybeare, um dos mais renomados mestres do Novo Testamento do século passado, disse: “Nos únicos códices que seriam mesmo susceptíveis de preservar uma leitura mais antiga, a saber, o Syriac sinaitico e o Manuscrito latino mais antigo, as páginas que continham o fim de Mateus desapareceram” (Hibbert Journal, 1902, Fred C.Conybeare).

Então, apesar de todas as versões anteriores conterem o nome Trino tradicional em Mateus 28:19, as primeiras versões não contiam o verso. E, curiosamente, não devido a omissão, mas devido à remoção!

Precisamos nos perguntar: a frase “em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo” aparece em outras partes da Escritura? Na verdade não aparece. Jesus usou a frase “em meu nome” em outras ocasiões? Sim, 17 vezes para ser exato – exemplos são encontrados em Mateus 18:20; Marcos 9: 37,39 e 41; Marcos 16:17; João 14:14 e 26; João 15:16 e 16:23.

Há alguma afirmação nas Escrituras baseada no fato do batismo em nome de Jesus? Sim! Isto é esclarecido em 1 Coríntios 1:13: “Vocês foram batizados em nome de Paulo?” Essas palavras, quando cuidadosamente analisadas, sugerem que os crentes devem ser batizados em nome daquele que foi crucificado por eles.

De fato, o raciocínio oferecido por Paulo é claro quando ele dispara: “Vocês foram batizados em nome de Paulo?” Por qual motivo Paulo mencionou o batismo em seu próprio nome? Por que o batismo deve ser feito em nome de Jesus! Observe todo versículo 13: “Cristo está dividido? Paulo foi crucificado por você? Ou você foi batizado em nome de Paulo?” Ele conclui lembrando aos membros da igreja de Corinto que eles foram “lavados, santificados e justificados quando foram batizados em nome de Jesus” (1 Coríntios 6:11). Com base apenas no entendimento acima, podemos verificar o texto genuíno de Mateus 28:19 confirmando o uso da frase “em meu nome”.

Outra coisa que precisamos destacar é como Mateus 28:19, na forma trinitariana, contradiz o versículo anterior. Vamos ler o versículo 18 agora e veja o que diz: “Então Jesus veio a eles e disse: “Toda autoridade no céu e na terra me foi dada”.

Jesus diz: “Toda autoridade no céu e na terra foi dada a mim“. E ele continua no verso 19 dando ênfase ao seu nome: “Portanto, Ide e fazei discípulos de todas as nações em meu nome”. O contexto (verso 18) diz que a autoridade foi dada a Cristo o que sugeriria, naturalmente, uma ação posterior em nome de quem tem e delega a autoridade, no caso, em nome de Cristo Jesus apenas.

Se Mateus 28:19 é exato, tal como está em versões modernas, então não há nenhuma explicação para a aparente desobediência dos apóstolos, uma vez que não há uma única ocorrência deles batizando alguém de acordo com essa fórmula.Todos os registros no Novo Testamento mostram que as pessoas foram batizados em nome do Senhor Jesus. Em outras palavras, o “nome de Jesus Cristo”, ou seja , tudo o que ele representa, é o elemento ou substância, em que as pessoas eram figurativamente “batizadas”. “Pedro respondeu aos ouvintes: “Arrependei-vos e sede batizados, cada um de vocês, em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados” (Atos 2:38).

O Batismo era somente praticado em nome de Jesus. Batizar “em nome de Jesus” quer dizer batizar “pela autoridade de” ou “pelo poder de”. Os discípulos ministravam o batismo não pela autoridade humana, mas pela autoridade e pelo poder do próprio Cristo. “Em nome de Jesus”, partindo do uso hebraico-aramaico, significa “com respeito a” ou “por causa de”. “Em nome de” era uma locução hebraico-aramaica naqueles dias dos apóstolos. A sociedade daquela época era familiarizada com tal expressão. No próprio livro de Atos, a locução “em nome de” tem o significado de “pela autoridade de” ou “pelo poder de”. Compare isso com o comportamento das autoridades judaicas quando desafiaram Pedro e João pelo fato deles estarem pregando no Templo: “E, pondo-os no meio, perguntaram: Com que poder ou em nome de quem fizestes isto?” (At 4.7).

Os apóstolos faziam tudo em nome de Jesus (Cl 3.17): pregavam (Lc 24.47), curavam (At 3.6,16), expulsavam demônios, falavam em línguas, eram livrados (Mc 16.17,18) e disciplinavam na igreja (2Ts 3.6). Assim, quando batizavam, faziam isso também “em nome de Jesus”. Efetuavam o batismo sob a “autoridade” e sob o “poder” de Cristo! No Livro de Atos os apóstolos são vistos batizando em nome de Jesus. Eles batizavam “em nome de Jesus”, ou seja, “com respeito a”, o mesmo que “relativamente”, “no tocante ao”, que foi o preceito entregue por Jesus à Igreja. Por isso que o original de Mateus não pode conter a fórmula trinitariana – o que temos é uma falsificação tardia. Alguém escreveu com muita propriedade: “Nõs não temos manuscritos conhecidos que estavam escritos nos séculos primeiro e segundo. Há uma lacuna de quase 300 anos entre o momento em que Mateus escreveu sua epístola e nossas primeiras cópias manuscritas. É sabido também que os manuscritos gregos do texto do Novo Testamento foram muitas vezes alterados pelos escribas, que colocaram neles as leituras que lhes eram familiares, que eles entendiam ser a leitura correta… Não é de surpreender que algumas dessas corrupções textuais ocorreram simultaneamente com as respectivas mudanças doutrinárias que foram introduzidas na Igreja”.

Ratzinger deixa rastros visíveis dessa verdade em seus escritos. Evidente que os trinitrianos, principalmente oriundos do catolicismo, não concordam. Vejam novamente: “… Nas considerações introdutórias tivemos ocasião de ver que o Credo se originou do tríplice interrogatório batismal sobre a fé no Pai, Filho e Espírito, que, por sua vez, se baseia na fórmula do batismo, testemunhada e transmitida em Mateus (28:19)“. “Introdução ao Cristianismo”, pág 34 – Versão online, PDF.

O credo foi criado em Roma, como ele mesmo atesta, e isso entre o segundo e terceiro séculos, baseado em Mateus 28:19 na forma trinitária da versão de Mateus adulterada que também apareceu entre o segundo e tercero século. A alegação dele não pode ficar oculta: “… A forma básica do nosso símbolo apostólico cristalizou-se no correr do segundo e terceiro século, EM CONEXÃO com o rito batismal. Trata-se originariamente de uma fórmula nascida na cidade de Roma“, pág. 31.

Surpreendendmente ele acaba revelando que o credo não tem origem nos Apóstolos: “… já do século IV, surge a lenda da origem apostólica desse formulário que muito cedo (provavelmente ainda no correr do século 5) se concretizou na suposição de que cada um dos doze artigos, em que fora dividido, representava a contribuição de um dos doze apóstolos”.

A tríplice confissão não saiu dos lábios de Jesus! Não está coerente com a verdade admitir que o credo nasceu três séculos depois tendo por base as supostas palavras do Senhor ditas quase três séculos antes. E além disso, suas palavras acabam revelando que o credo teve como base o texto adulterado de Mateus: “O rito batismal fundamentalmente orientava-se pelas palavras de Cristo: “Ide, fazei discípulos a todos os povos e batizai-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo” (Mt 28, 19). DE ACORDO COM ESTA ORDEM, o batizando ouvia três perguntas: “Crês em Deus, Pai todo-poderoso…? Crês em Jesus Cristo, Filho de Deus…? Crês no Espírito Santo…?”

Ele alega que as palavras “batizai-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo” são de Cristo, mas não são. Jesus jamais disse tais palavras, o que foi garantido por Marcos e Lucas: “E disse-lhes: Assim está escrito, e assim convinha que o Cristo padecesse, e ao terceiro dia ressuscitasse dentre os mortos, E em seu nome se pregasse o arrependimento e a remissão dos pecados, em todas as nações, começando por Jerusalém“, Lucas 24:47.

Foi exatamente o que Pedro fez quase dois meses depois no dia de Pentecostes, cumprindo as instruções de Jesus. Ele apelou aos novos conversos para que se arrependessem e fossem batizados “em nome de Jesus Cristo”, para remissão de pecados” (Atos 2:38). Atos é uma réplica exata de Lucas!

A Trindade e o batismo de João

É de admirar que o Livro de Mateus tenha sido o escolhido para ser alterado; ele foi escrito para a comunidade judáica, ao contrário de Lucas e Marcos. Um livro endereçado à Igreja Primitiva seria o pior alvo para adulterações. Além disso, ao lermos o livro de Mateus notamos que não há nenhuma apresentação da doutrina da trindade. É duvidoso que os apóstolos tenham introduzido a doutrina trinitária antes do derramamento do Espírito. E ainda, seria realmente estranho para Cristo introduzir a doutrina da trindade aqui no último versículo do livro sem que seja mencionada anteriormente.

Ninguém era batizado em nome da trindade. Nem mesmo Jesus poderia ser batizado em seu próprio nome – o batismo é feito por causa da sua morte: “Ou não sabeis que todos quantos fomos batizados em Jesus Cristo fomos batizados na sua morte?” Rom 6:3.

Não se pode batizar em nome de Deus. Fosse assim, então João Batista deveria ter batizado as pessoas em nome do Pai, pelo menos. Mas nem isso. No batismo de João o iniciante era batizado “com o batismo de arrependimento, dizendo ao povo que cresse no que após ele havia de vir, isto é, em Jesus Cristo“(Atos 19:4). Atente para alguns detalhes interessantes nesse incidente; aqui nesse diálogo com alguns discípulos de João em Éfeso, Paulo descobriu que eles nunca ouviram falar do Espírito Santo: “E sucedeu que, enquanto Apolo estava em Corinto, Paulo, tendo passado por todas as regiões superiores, chegou a Éfeso; e achando ali alguns discípulos, disse-lhes: Recebestes vós já o Espírito Santo quando crestes? E eles disseram-lhe: Nós nem ainda ouvimos que haja Espírito Santo.

Perguntou-lhes, então: Em que sois batizados então? E eles disseram: No batismo de João. Mas Paulo disse: Certamente João batizou com o batismo de arrependimento, dizendo ao povo que cresse no que após ele havia de vir, isto é, em Jesus Cristo. E os que ouviram foram batizados em nome do Senhor Jesus. E, impondo-lhes Paulo as mãos, veio sobre eles o Espírito Santo; e falavam línguas, e profetizavam. E estes eram, ao todo, uns doze homens” (Atos 19:1-7).

Aqueles que receberam o batismo de João nem sequer ouviram falar que existia o Espírito Santo! Como não sabiam? Não dizem os Trinitarianos que as pessoas eram batizadas “em nome do Pai, do Filho e do Espirito Santo?

Se João Batista, ou qualquer discípulo após ele, batizassem em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo ao modelo litúrgico católico romano, com a frase batismal no melhor estilo romanista (“Eu vos batizo em nome do pai, do Filho e do Espirito Santo”), logicamente estes discípulos de João teriam ouvido falar de tão sagrado ato e jamais diriam: “Nós nem ainda ouvimos que haja Espírito Santo“.

Na verdade, ninguém na Igreja considerava esse tipo de “fórmula batismal” – palavras litúrgicas prescritas requeridas a serem ditas no batismo. Por outro lado a frase está com um terrível peso trinitáriano litúrgico. É um típico modelo católico romano.

João Batista e outros discípulos de Jesus fizeram constantes batismos. Porém, não há evidência alguma de que essa litúrgia baseada na frase (“em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”) era conhecida na Igreja.

João Batista dizia no batismo: “Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus”(João 3:2). Certamente João não usava a fórmula trinitariana no batismo; ele não podia fazer o batismo em nome de Jesus por que esse batismo é o que concede o Espírito Santo, que seria derramado de forma poderosa somente depois de sua ascenção ao céus – Jesus é quem batiza. Notem isso: Jesus é quem batiza com o Espírito Santo. Por esse motivo ele nunca batizou ninguém em água (João 3:22; 4:1,2).

Agora, pare e pense apenas no batismo de infantes supostamente praticado por João Batista; imagine vocês a possibilidade de se dizer para um bebê de um ano que ele estava sendo batizado “para que cresse naquele que após João Batista havia de vir?”

O Batismo na Igreja Primitiva

O batismo na Igreja Primitiva nunca foi feito em nome de uma trindade. Vejam os textos:

Atos 2:38 “Cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo“.

Atos 10:48 “E mandou que fossem batizados em nome do Senhor. Então rogaram-lhe que ficasse com eles por alguns dias“.

Atos 19:5 “E os que ouviram foram batizados em nome do Senhor Jesus“.

Romanos 6:3 “Ou não sabeis que todos quantos fomos batizados EM JESUS CRISTO fomos batizados na sua morte?”

Gálatas 3:27 “Porque todos quantos fostes batizados EM CRISTO já vos revestistes de Cristo“.

Perceba caro amigo leitor, se o batismo é figura do sepultamento na morte de Cristo como poderíamos envolver o Pai e o Espírito Santo – que não podem morrer – neste batismo?

Romanos:6:4 “Fomos, pois, sepultados com ele pelo batismo na morte, para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida

Colossenses:2:12 “tendo sido sepultados com ele no batismo, no qual também fostes ressuscitados pela fé no poder de Deus, que o ressuscitou dentre os mortos”.

Romanos:6:3 “Ou, porventura, ignorais que todos quantos fomos batizados em Cristo Jesus fomos batizados na sua morte?”

Não existe batismo em nome do Pai e do Espírito Santo, pois os batizados são batizados na morte de Jesus. Nem mesmo Jesus poderia ter sido batizado em seu próprio nome, pois o batismo é feito em (por causa de) sua morte. Ninguém podia ser batizado em Jesus antes de sua morte. Não havia batismo na trindade e muito menos havia trindade. O batismo trinitariano destrói todo o significado salvífico e redentor de Cristo.

Além desses registros, ainda temos a experiência de Paulo com relação ao seu próprio batismo. Foi dito a Ananias sobre Paulo: “Vai, porque este é para Mim um vaso escolhido, para levar o Meu nome perante os gentios, e os reis, e os filhos de Israel” (Atos 9:15). Após o seu chamado, ele foi batizado (Atos 9:18).

Em um de seus discursos, ao defender-se dos ataques de seus opositores, ele relata um detalhe muito importante sobre o seu batismo: “Um certo Ananias, varão piedoso conforme a lei, que tinha bom testemunho de todos os judeus que ali moravam, indo ter comigo, de pé ao meu lado, disse-me: … O Deus de nossos pais de antemão te designou para conhecer a Sua vontade, ver o Justo, e ouvir a voz da sua boca. Porque hás de ser Sua testemunha para com todos os homens do que tens visto e ouvido. Agora por que te demoras? Levanta-te, batiza-te e lava os teus pecados, invocando O SEU NOME” Atos 22:12-16.

Foi dito ao apóstolo Paulo que, ao ser batizado, fosse invocado o nome de Jesus. A razão disto é porque o batismo em nome de Jesus tem um significado único. O batismo por imersão aponta para a graça redentora. Representa a morte, o sepultamento e a ressurreição de Jesus (Romanos 6:3-6).

Em Romanos 6:3 Paulo afirma que “fomos batizados em Cristo Jesus”. Ele nunca afirmou que fomos batizados na trindade. A importância que Paulo deu a esse detalhe pode-se deduzir pelo que ele escreveu aos gálatas: “Porque todos quantos fostes batizados em Cristo Jesus vos revestistes de Cristo” (Gálatas 3:27).

A Escritura ensina que o batismo em nome de Jesus é um ato de arrependimento que leva ao perdão dos pecados (Atos 2:38). O batismo em Seu nome está associado à promessa do Espírito Santo (Atos 2:38, 19: 1-5). O batismo em nome de Jesus é comparado à nossa vontade pessoal de ser sacrifício vivo ou mesmo morrer com Cristo (Romanos 6: 1-4 e Colossenses 2:12). Ser batizado em Cristo é nos revestir de Cristo (Gálatas 3:27). O batismo em seu nome é chamado de “circuncisão de Cristo”, e reflete a redenção do velho homem, tornando-nos assim uma “nova criatura em Jesus” (Colossenses 2: 11-12, 2 Coríntios 5: 17). O batismo em nome de Jesus expressa fé na vida de Jesus, o sacrifício pelos nossos pecados e a remissão dos pecados através do Seu nome. O batismo trinitário só pode expressar fé na própria teologia católica. Assim, Mateus 28:18, no mais antigo códice, o original, só pode estar dessa forma: “Portanto, ide, fazei discípulos de todas as nações em meu nome“.

A Bíblia de Jerusalém foi uma tradução composta por católicos e protestantes. Vejam o que ela diz: “É possível que, em sua forma precisa, essa fórmula (Pai, Filho e Espírito Santo) reflita influência do uso litúrgico POSTERIORMENTE fixado na comunidade primitiva. Sabe-se que o livro dos Atos fala em batizar `no nome de Jesus`… MAIS TARDE deve ter-se estabelecido a associação do batizado às três pessoas da Trindade” “Comentário no rodapé da Bíblia de Jerusalém”.

E mais uma vez: O batismo é símbolo da morte e ressurreição de Jesus. A Igreja primitiva somente batizava em nome de Jesus. Mateus 28:19, em sua forma trinitariana É UMA ADULTERAÇÃO, pois a Escritura diz que “todos quantos fomos batizados em Jesus Cristo fomos batizados na sua morte“, Rom 6:3. Paulo não está dizendo que “todos quantos fomos batizados em nome do Pai, Filho e Espírito Santo fomos batizados na sua morte“. Isso não existe! Não é biblíco!

O verso cinco do mesmo capítulo diz que o batismo em Cristo mostra que se “fomos plantados juntamente com ele na semelhança da sua morte, também o seremos na da sua ressurreição“. Não existe batismo em nome do Pai, Filho e Espírito Santo, mas somente em nome do Filho. Apenas do Filho. E observe que nem mesmo no Velho Testamento as pessoas eram batizadas em nome de Deus, mas sim naquele que era um tipo de Cristo, Moisés: “E na nuvem e no mar, todos foram batizados em Moisés” (1 Cor 10:2).

A Igreja primitiva não batizava em nome do Pai, Filho e Espírito Santo. Essa foi uma fórmula inventada depois do segundo século quando começaram a circular cópias do Evangelho de Mateus com o acréscimo trinitariano. Mateus 28:19 com sua fórmula trinitariana é uma falsificação posterior absurda que não passa no teste bíblico.

Com isso tudo em mente, vamos ler outra vez a fala completa de Ratzinger como está no livro e veja que ele envolve de forma explicita Mateus 28 verso 19 no tempo em que nasceu o credo: “A forma básica do nosso símbolo apostólico cristalizou-se no correr do segundo e terceiro século, em conexão com o rito batismal. Trata-se originariamente de uma fórmula nascida na cidade de Roma. Contudo, seu lugar interno de origem é a liturgia, ou mais exatamente, o batismo. O rito batismal fundamentalmente orientava-se pelas palavras de Cristo: “Ide, fazei discípulos a todos os povos e batizai-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo” (Mt 28, 19). De acordo com esta ordem, o batizando ouvia três perguntas: “Crês em Deus, Pai todo-poderoso…? Crês em Jesus Cristo, Filho de Deus…? Crês no Espírito Santo…?” A cada uma das perguntas o batizando respondia: “Creio”, sendo, de cada vez, mergulhado na água. Portanto, a fórmula mais antiga do símbolo realiza-se em tríplice diálogo e está enquadrada no rito batismal”.

“DE ACORDO COM ESTA ORDEM”. Qual? A do batismo em nome do Pai, Filho e Espírito Santo. Isso denuncia que o tempo do texto de Mateus 28:19, como reclamado pelos trinitarianos, começou a aparecer na mesma época do credo, isto é, no terceiro século. Se o original de Mateus fosse mesmo composto de Pai, Filho e Espirito Santo, então por quê a distância exorbitante entre a formula trinitariana de Mateus e a fórmula trinitariana do credo? Elas são idênticas!

Podemos perceber claramente através das declarações do Ex Papa que o texto, no modelo trinitário, foi mesmo uma interpolação. Os registros de Ratzinger deixam algumas pistas confirmando a inautenticidade da frase “em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”.

A confissão tríplice do credo está associada ao batismo de Mateus nas palavras de Ratzinger: “a forma básica do nosso símbolo apostólico cristalizou-se no correr do segundo e terceiro século, em conexão com o batismo… seu lugar interno de origem é a liturgia, ou mais exatamente, o batismo…”.

O texto de Mateus 28:19 defendido por muitos, e por mim, como sendo o original de Mateus está sem a forma trinitária. Ele não serviria de forma alguma para o credo. O acréscimo tem que ter sido feito muito tempo depois. A data da criação do credo denuncia isso, pois o mesmo nasceu no terceiro século em Roma – tendo por base um texto totalmente adulterado de Mateus 28:19.

O Evangelho de Mateus em grego

Até hoje, quase que no geral é crido e ensinado que Mateus escreveu seu livro em grego. Nada se discute a esse respeito e nada se faz para abordar esse tópico para explorar até onde essa crença pode ser verdadeira. Diz-se que seu escrito apareceu pela metade do primeiro século, mas sempre se evita explicar o porquê de havendo sido escrito para os judeus ele utilizou uma língua estranha ao invés da língua dos judeus, o hebraico.

Irineu (185 EC.) Contra os hereges, livro III. Capítulo 1. 1 diz que: “Mateus publicou um livro escrito para os Hebreus em seu próprio dialeto”.

Eusébio (325 EC.) Historia Eclesiástica livro III. Capítulo 24. 6 diz: “Efetivamente, Mateus, primeiramente havia pregado aos judeus, quando estava a ponto de sair para pregar aos judeus em diáspora entre os gentios, entregou por escrito o seu Livro, em sua língua materna, suprindo assim por meio da escrita o que faltava para aqueles que estavam longe”.

Jerônimo (347-420 EC.). Em Vida de homens ilustres, Capitulo III diz: “Mateus que também é conhecido como Levi, emissário, ex-publicano, escreveu seu Livro em letras e palavras hebreias… Quem depois o traduziu para o grego é incerto. Mas, Mateus em hebreu, temos hoje na biblioteca de Cesárea, a qual Panfilo, o mártir, organizou. Eu também tive a oportunidade de copiar dos Nazarenos, que utilizam um volume em Boreia, uma cidade da Síria”.

Bastam estas provas para confirmar positivamente que o Livro de Mateus foi escrito originalmente em hebreu e não em grego como popularmente é sugerido. Observa-se que entre todas as fontes transcritas aqui, Jerônimo é bastante amplo e específico, detalhando suficientemente a existência desse valioso Evangelho em língua original. Ele menciona duas coisas interessantes que merecem muita atenção:

A – Diz que ele viu esse manuscrito (ou pelo menos uma cópia dele) na biblioteca de Cesáreia, que havia sido compilada por Panfilo. Ou seja, não somente comenta a sua existência, mas que a viu, dando com isso inteira confiabilidade de que suas palavras são certíssimas. Isso claramente significa que entre os séculos III e IV EC., esse documento em sua língua original existia e era ele que circulava, se não universalmente, mas nas mãos de muitos.

B – Acrescenta que não somente viu uma cópia desse manuscrito, mas também contatou a seita dos Nazarenos e fez cópia do volume que possuíam. Isso significa que ele menciona duas cópias, e se levarmos em conta que a seita dos Nazarenos não era um grupo solitário, mas sim um grupo de congregações, percebemos que cada congregação possuía, pelo menos, uma cópia no hebreu e não no grego.

Fica então estabelecido que mesmo no século IV EC o evangelho de Mateus, escrito na língua hebreia, continuava existindo, e que possivelmente Eusébio, sendo um historiador sério, e dispondo de uma cópia (a herdada de Panfilo), pode constatar que a fórmula batismal estava ausente, e com certeza deve ter sido essa a razão de que em todas as vezes que cita Mateus 28: 19, nunca a menciona. Certamente Eusébio tinha diante de si um autêntico manuscrito de Mateus quando escreveu essas palavras em seu livro III de sua famosa História eclesiástica, no Capítulo 5 e na Seção 2: “Mas o resto dos apóstolos… foram expulsos da terra da Judéia, foram a todas as nações para pregar o Evangelho, confiando no poder de Cristo, que lhes disse: “Ide e fazei discípulos de todas as nações em meu nome“.

Portanto, parece que a fórmula batismal trinitariana vem do livro de Mateus na versão grega, a qual o próprio Jerônimo se encarrega de dizer que não se sabe quem a escreveu. Ele atestou: “quem depois o traduziu para o grego é incerto”. O autor da versão grega do livro de Mateus é desconhecido, isso sem dúvida significa que o discípulo de Jesus, ao qual se atribui haver escrito seu registro em grego, não é o seu autor. Mateus não era de origem pagã, suas raízes judias desconheciam totalmente a existência, nas escrituras hebreias do Velho Pacto, a existência da trindade. Para a igreja apostólica o misterioso deus trino não existia como veio a existir por volta do IV-V século EC. Aliás, por que essa misteriosa fórmula batismal aparece somente em Mateus 28: 18? Se Jesus a ordenou, por que não a mencionaram Marcos, João e Lucas?

Que melhor e mais claro testemunho para mostrar a origem da inserção longa de Mateus 28: 19, que está relatada pelo papa Benedicto XVI? Ele declara que a fórmula tríplice do credo apostólico está associada como sequência daquilo que posteriormente veio a ser tido como um alongamento da declaração de Mateus. O Cardeal está dizendo que esse alongamento em Mateus 28: 19 foi realizado por volta do século III EC., quando o “ Credo Apostólico” foi elaborado. E por incrível que possa parecer, ele declara que a trindade apareceu no século III. Veja com seus próprios olhos: “… se a fé exprime a trindade de Deus na fórmula “uma natureza – três pessoas” desde o século III, uma tal disposição dos conceitos é, em primeiro lugar, mera “disciplinação terminológica” (Introdução ao Cristianismo, pág. 80).

Nas palavras de Ratzinger o batismo trinitário deu origem ao credo: “… seu lugar interno de origem é a liturgia, ou mais exatamente, o batismo”. No entanto, como vemos, o batismo em nome da trindade não é bíblico, e Mateus 28:19 em sua forma alongada, a forma trinitariana, não faz parte do texto original.

Em outro lugar Ratzinger diz:: “Nas considerações introdutórias tivemos ocasião de ver que o Credo se originou do tríplice interrogatório batismal sobre a fé no Pai, Filho e Espírito, que, por sua vez, se baseia na fórmula do batismo, testemunhada e transmitida em Mateus (28,19). Neste sentido, a forma mais antiga de nossa fé, com a sua tríplice divisão, apresenta até uma das mais decisivas raízes da imagem trinitária de Deus. Somente o alargamento paulatino do questionário batismal, até formar um texto desenvolvido do símbolo, encobriu um tanto a sua estrutura trinitária”, pág. 160.

O Cardeal disse que o credo apostólico constitui a forma concreta da fé cristã simplesmente porque ali são mencionados o Pai, o Filho e o Espírito Santo. É claro, que quando alguém diz, credo apostólico (é melhor explicar para aqueles que não estão familiarizados com a história desse assunto), de nenhuma maneira significa que tenha sido redigido pelos apóstolos. O credo apostólico é anônimo, já que não se sabe a data em que apareceu, geralmente se diz que provavelmente próximo do final do II século dC.

O cardeal Ratzinger, em seu escrito aqui considerado, declara que esse credo tem relação com o batismo, e apareceu entre os séculos II e III. Os pagãos do século II em diante foram compelidos pelos bispos a aceitar a Deus Pai, a Seu Filho e ao Espírito Santo como requisito prévio para serem batizados. Não se admira que vários padres da igreja (entre eles os bem conhecidos Atanásio e Orígenes), naqueles tempos, enviaram cartas a respeito do batismo do pagão. Sendo que os pagãos estavam acostumados com as diferentes trindades pagãs, aceitaram ser batizados em nome de uma trindade, Pai, Filho e Espírito Santo. Disso nasceu o credo apostólico em Roma e a adição a Mateus 28:19.

A grande maioria dos bispos daquele tempo não sabiam que rumo tomar, se favoreciam o ponto de vista de Ario ou o de Atanásio; devido a isso Constantino se viu na necessidade de intervir ordenando aos bispos comparecer em concílio para tratar do assunto. Foi no ano de 325 que foi redigido o credo Niceno, O qual diz: “Cremos em um só Deus Pai Todo Poderoso, Criador do céu e da terra, de tudo visível e invisível. Cremos em um só Senhor, Jesus Cristo o Messias, Filho unigênito de Deus, nascido do Pai antes de todos os séculos: Deus de Deus, Luz de Luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado, não criado, da mesma natureza do Pai, por quem tudo foi feito, que por nós e por nossa salvação desceu do céu, por obra do espírito santo nasceu de Maria, a virgem e se fez homem. Por nossa causa foi crucificado nos tempos de Pôncio Pilatos. Padeceu e foi sepultado. Ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras, subiu ao céu e está sentado à direita do Pai. De novo virá com glória para julgar os vivos e os mortos, e seu reino não terá fim. Cremos no espírito santo, Senhor e doador da vida, que procede do Pai e do Filho, que com o Pai e o Filho recebe uma mesma adoração e glória, e que falou pelos profetas. Cremos na igreja, que é una, santa, católica e apostólica. Reconhecemos um só batismo para o perdão dos pecados. Esperamos a ressurreição dos mortos e vida no mundo futuro. Amém”.

Foi o credo Apostólico que abriu as portas para a formulação da trindade. Ele foi utilizado para colocar nos lábios do Messias palavras que ele nunca pronunciou. Por isso é impossível estabelecer o credo com sua tríplice confissão desconectado de Mateus 28:19 na sua composição trinitária. Das palavras, Pai, Filho e Espírito Santo nasceu o credo acompanhado da liturgia batismal. O problema, insisto, é que o credo apareceu no terceiro século. Seria muito tempo para criar um dogma tão importante para a ala trinitariana com o texto de Mateus 28:19 trinitário supostamente disponível desde o anos 60 dC.

Uma palavra final

O antitrinitariano não crê no que foi estabelecido em 325 no Concílio de Nicéia, principalmente na descrição que fizeram do Senhor Jesus colocando-o como a segunda pessoa, o Deus Filho, preexistente e em igualdade com o Pai em essência, sempre eterno, o que é altamente perigoso, pois destrói sua missão como nosso substituto, mascarando seu sacrifício por nossos pecados, sem contar nas trapalhadas geradas contra o nascimento virginal. No entanto, o antitrinitariano, obviamente crê no Deus de Abraão, Isaque e Jacó, e em seu Filho, o Cristo, e no Consolador, que é o Espírito Santo

Se Jesus é preexistente então nunca foi humano enquanto viveu aqui, e isso é um desastre para seu sacrifício como nosso substituto. E por incrível que possa parecer, milhares de cristãos acreditam que Jesus tinha poder por que ele participou de uma existência anterior com o Pai; que havia entre os dois um contrato secreto preparado de antemão, o qual delegava a Jesus um poder celestial oculto, somente conhecido entre os dois, Pai e Filho, sendo que a partir dele, seu pai, Jesus herdou tendências espirituais espaciais latentes que o fortaleceram para conquistar a carne e manifestar qualidades divinas superiores aos humanos. Assim, para muitos, Jesus passou a ser outro Deus, alguém gerado de forma diferente dos humanos mesmo que tenha sido concebido por mulher.

E novamente: os antitrinitários creem no Deus de Abraão, Isaque e Jacó, Criador dos céus e da terra, creem em seu filho Jesus Cristo, nascido de uma virgem, que padeceu e morreu, ressuscitando três dias depois, mas que jamais existiu antes do seu nascimento em Belém da Judeia. Isso é uma aberração. Não é possível a ser humano algum, nascido de mulher (Gal 4:4), ter existido antes do seu nascimento. Entenda: “Jesus é fruto do ventre de uma mulher e não da eternidade”. O tempo e o local da origem do Filho de Deus são feitas de forma transparente. Lucas também diz que o Filho de Deus veio à existência no ventre de sua mãe (Lucas 1:32, 35). Não é de admirar, pois se retornamos até Gênesis lembramos que Jesus foi prometido como a semente da mulher: “E porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua semente e a sua semente; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar”, Gên 3:15. Ele foi aquele que veio a existir após a existência do seu ancestral. Além disso, a inimizade não existia entre o Messias e a semente da serpente, mas era para ser uma hostilidade futura.

No evangelho de Mateus, a genealogia de Jesus volta até Davi chegando a Abraão. O registro genealógico dado por Lucas leva as coisas ainda mais para trás, até Adão. Veja Lucas 3:38:

“… E Cainã de Enos, e Enos de Sete, e Sete de Adão, e Adão de Deus”. Isso é Genealogia! Jesus é citado bem antes. Ele não está invisível entre cada nome; é uma pessoa depois da outra até chegar a Deus. Seres preexistentes não podem possuir genealogia. Jesus era humano e hoje é um homem glorificado. Ele é as primícias dos que dormem, foi o primeiro a ressuscitar. Só se fala assim de seres humanos. E mais: Deus é o pai, não o filho. Para ser filho de Deus tem que ser alguém que não seja ele mesmo. Jesus muitas vezes chamou o pai de Meu Deus, mas Deus jamais chamou o filho de Meu Deus.

Os antitrinitarianos também creem no Espírito Santo, mas não como um terceiro Deus. Observem que o Espírito Santo, o terceiro Deus, ou terceira PESSOA da trindade, segundo os trinitarianos, foi excluído das palavras de Cristo quando ele afirma que só o Pai é o Deus verdadeiro em João 17:5: “E a vida eterna é esta: que te conheçam, a ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste”.

É doloroso ver alguns trinitarianos dizerem que Jesus se exclui como Deus desse contexto porque estava encarnado. E o Espírito Santo, o terceiro Deus – Por que Jesus não disse então que só existia dois Deus verdadeiros, O Pai e o Espírito Santo se o Espírito não estava encarnado?

Vejam o que diz o cardeal Ratzinger em sua obra “Introdução ao Cristianismo” sobre o homem Jesus divino: “… O conceito de homem divino ou seja de homem-Deus (theios aner) não se encontra em parte alguma no Novo Testamento… Nem a Bíblia conhece o homem divino, nem a Antiguidade, na esfera do homem divino, conhece a idéia de filiação divina”. Citando outro escritor, ele conclui: “… o conceito de “homem divino” dificilmente encontra cobertura na era pré-cristã, tendo surgido apenas mais tarde”, págs 98,99.

E não importa se Ratzinger parece dizer algo divergente em outras páginas, pois o que é revelado muitas vezes por escritores como ele é muito curioso: eles deixam escapar a verdade. Ele faz parte da grande liderança da Igreja Católica que conhece a verdade, deixando, às vezes, escapar textos nos revelando que eles sabem mais do que se possa imaginar – eles omitem as verdades do fiel católico. Está aí um bom exemplo do que digo: ele fala da divindade de Jesus em algumas páginas declarando ser ele a terceira pessoa da trindade, mas aqui ele chuta o pau da barraca!

A “Salvação vem dos judeus” (João 4:22), não vem dos gregos e muito menos dos romanos. A trindade veio de Roma, não de Jerusalém. Os Judeus jamais acreditaram em três deuses. Até hoje não acreditam em trindade alguma. Nenhum judeu, de Abraão até o último apóstolo teve o Messias prometido como Deus. Jamais acreditaram em um Messias preexistente.

Mas, vigiemos, pois é bem provável que os trinitarianos tentem falsificar o registro que temos de Êxodo para ficar a cara do trinitarianismo. Veja como ficaria o mandamento na língua trinitariana:

Êxodo 20: 3 “Não terás outros Deuses diante de nós

A Deus toda Glória

Um Judeu debaixo da Lei

O pacto da circuncisão era um complemento da lei de Moisés, e todos os homens judeus eram obrigados a ser circuncidados no oitavo dia. O parto contaminava a mãe judia, e certos rituais de purificação eram necessários para a limpeza. Divinos não estão sujeitos à circuncisão e nem aos rituais de purificação, mas Jesus e Maria estavam:

“Fala aos filhos de Israel, dizendo: Se uma mulher conceber e der à luz um menino, será imunda sete dias, assim como nos dias da separação da sua enfermidade, será imunda. E no dia oitavo se circuncidará ao menino a carne do seu prepúcio. Depois ficará ela trinta e três dias no sangue da sua purificação; nenhuma coisa santa tocará e não entrará no santuário até que se cumpram os dias da sua purificação. Mas, se der à luz uma menina será imunda duas semanas, como na sua separação; depois ficará sessenta e seis dias no sangue da sua purificação. E, quando forem cumpridos os dias da sua purificação por filho ou por filha, trará um cordeiro de um ano por holocausto, e um pombinho ou uma rola para expiação do pecado, diante da porta da tenda da congregação, ao sacerdote“, (Levítico 12:2-6).

Observem como Maria e Jesus são vistos no contexto da purificação e da circuncisão,

 “Completando-se os oito dias para a circuncisão do menino, foi-lhe posto o nome de Jesus, o qual lhe tinha sido dado pelo anjo antes de ele nascer. Completando-se o tempo da purificação deles, de acordo com a Lei de Moisés, José e Maria o levaram a Jerusalém para apresentá-lo ao Senhor”, (Lucas 2:21-22).

O texto apresenta um detalhe assombroso para os que defendem que Maria  e Jesus eram duas divindades:

 “… Completando-se o tempo da purificação deles…”.

Observe você que no ato da circuncisão houve um reconhecimento da existência de impurezas e a necessidade de sangue para removê-la. Se acreditamos no testemunho da Bíblia, vamos reconhecer um Jesus que nasceu após o curso normal do desenvolvimento do homem desde a concepção até o nascimento. Portanto, meu caro amigo leitor, a Bíblia ensina claramente que há um só Deus, que é Pai e Senhor supremo de todas as coisas, e que o Seu Filho que aqui veio, foi gerado como são todos os seres humanos, ou seja, Deus o trouxe adiante no processo do nascimento através de uma mulher mortal e não divina. Basta dizer que Gênesis 3:15 afirma que Jesus é semente de uma mulher. Uma mulher nascida em pecado.

Graças a ele é que hoje nós somos salvos da condenação, pois a condenação passou a todos os homens, como resultado da desobediência edênica. Todos os descendentes de Adão vieram sob esta sentença de morte apenas por ter nascido, e Jesus não era exceção (Rom 5:12, 18; Hebreus 2:14, 16-18).

 “Portanto, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens por isso que todos pecaram. Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação de vida”, Romanos 5:12 e 18

Necessário comentar algo aqui referente ao detalhe que diz “o pecado passou a todos os homens, por isso todos pecaram”. O texto quer dizer que a mancha do pecado original foi transmitida a todos, também a Maria e a Jesus. No entanto, a Bíblia AVISA que Jesus NÃO COMETEU PECADO NENHUM. Não haveria necessidade da ênfase se ele fosse mesmo DEUS e divino. Outro detalhe espantoso está nas palavras: “a morte passou a todos os homens”. Por isso Jesus morreu, ele era um homem e não um ser divino,

 “E, visto como os filhos participam da carne e do sangue, também ele participou das mesmas coisas, para que pela morte aniquilasse o que tinha o império da morte, isto é, o diabo; Porque, na verdade, ele não tomou os anjos, mas tomou a descendência de Abraão. Por isso convinha que em tudo fosse semelhante aos irmãos, para ser misericordioso e fiel sumo sacerdote naquilo que é de Deus, para expiar os pecados do povo. Porque naquilo que ele mesmo, sendo tentado, padeceu, pode socorrer aos que são tentados”, Hebreus 2:14-18

 “… Por isso convinha que em tudo fosse semelhante aos irmãos”. Isso significa que EM TUDO ele foi semelhante aos homens e nem um pouco semelhante aos deuses!

Por isso que Pedro diz que nós não fomos gerados pela semente corruptível, que é a dos homens, que está no sangue daqueles que são gerados de mulher, mas sim fomos gerados do Jesus ressurreto, a semente incorruptível,

1Pe 1:23 Sendo de novo gerados, não de semente corruptível, mas da incorruptível, pela palavra de Deus, viva, e que permanece para sempre.

Gerados de novo!

Por isso a Bíblia diz que Jesus veio a esse mundo no corpo do pecado, o natural,

1Co 15:46 “Mas não é primeiro o espiritual, senão o natural; depois o espiritual”.

Por isso também o versículo seguinte diz que o homem nascido de mulher é da terra, mas o ressuscitado é do céu,

O primeiro homem, da terra, é terreno; o segundo homem, o Senhor, é do céu.          Qual o terreno, tais são também os terrestres; e, qual o celestial, tais também os celestiais”, vv 47,48

A sequência seguinte revela que os homens da terra são criados em corrupção,

49 E, assim como trouxemos a imagem do terreno, assim traremos também a imagem do celestial.

50 E agora digo isto, irmãos: que a carne e o sangue não podem herdar o reino de Deus, nem a corrupção herdar a incorrupção.

Ele ficou divino depois,

1Co 15:44 – Semeia-se corpo natural, ressuscitará corpo espiritual. Se há corpo natural, há também corpo espiritual.

O novo homem foi criado em Deus, e não por Maria,

Efe 2:15 – Na sua carne desfez a inimizade, isto é, a lei dos mandamentos, que consistia em ordenanças, para criar em si mesmo dos dois um novo homem, fazendo a paz

Efe 4:24 – E vos revistais do novo homem, que segundo Deus é criado em verdadeira justiça e santidade.

Jesus de Nazaré não era uma divindade, mas sim totalmente humano!

TUDO foi criado por Ele

criacao

O Apóstolo Paulo atesta sobre o Senhor Jesus: “O qual é imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação; Porque nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra”, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades. Tudo foi criado por ele e para ele. E ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele”, Col 1:15-17

Tradução da NVI: “O qual é a imagem do Deus invisível, o primogênito sobre toda criatura, pois nele foram criadas todas as coisas nos céus e na terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos ou soberanias, poderes ou autoridades; todas as coisas foram criadas por ele e para ele. Ele é antes de todas as coisas, e nele tudo subsiste”.

A passagem parece dizer que Jesus é o primogênito de toda criatura humana, como também diz que ele criou os céus e a terra e tudo quanto neles há, sendo, portanto, pré-existente, o que é reforçado pela sentença: “Ele é antes de todas as coisas”.

É bastante comum para a ortodoxia cristã convencional ler Colossenses 1:16 como referência ao ato da criação do Gênesis. Acredita-se que aqui nesse contexto Paulo está discursando sobre Jesus presente na criação, que Jesus foi o meio pelo qual Deus criou todas as coisas. Mas, será que o Apóstolo dos gentios está discursando sobre a preexistência de Jesus e o apresentando como o criador de todo o universo?

Porque nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra… Tudo foi criado por ele e para ele”.

A maioria cristã aprendeu com essa passagem que o uso desta palavra indica que Deus, o Pai, estava com o Filho como parceiros iguais na criação.

Este é um exemplo clássico de como é importante considerar todo o contexto quando estudamos a Bíblia sobre qualquer assunto importante. Além disso, o maior erro das pessoas que lêem versículos isolados é não considerar quem está falando, e quais são as circunstâncias. Aqui, Paulo escreve aos santos na igreja dos colossenses lembrando-lhes quão abençoados eles são de estar em Cristo Jesus e “participar da herança dos santos na luz.” (versículo 12)

Para entender o que ele quis dizer quando escreveu de Cristo como o primogênito de toda a criação, e que nEle foram criadas todas as coisas, é preciso ler todo o texto circundante. Em particular, devemos olhar para os versículos 17 e 18 neste primeiro capítulo.

E ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele. E ele é a cabeça do corpo da igreja; é o princípio e o primogênito dentre os mortos, para que em tudo tenha a preeminência.“

Perceberam alguma mudança? Observe que o texto acrescenta que ele é o princípio e o primogênito dentre os mortos. Além do mais, como mostro mais adiante, a palavra sobre Jesus, atestando que ele é antes de todas as coisas, significa que ele é superior a todas as coisas, que ele tem autoridade e primazia, e não que ele é “antes de todas as coisas” criadas no Gênesis. O contexto aqui não trata da criação original dos céus e da terra.

Parafraseando o texto: “Ele é superior a todas as coisas… ele é o cabeça… para que em tudo tenha a preeminência“.

As próprias palavras dos versículos 17 e 18 expostas mais acima falam por si só, elas são auto-explicativas e são consistentes com outros versos, como a profecia do Salmo 89:27. Este fala sobre um evento que ainda era futuro quando os Salmos foram registrados, “Também por isso lhe darei o lugar de primogênito; fá-lo-ei mais elevado do que os reis da terra“.

Os fatos bíblicos nos mostram que Paulo não está se referindo ao ato da criação do Gênesis em Colossenses 1:16. Ele está falando sobre a nova criação, a criação da estrutura de autoridade no reino de Cristo, a nova criação que é a reconciliação do velho. Paulo tinha em mente o que pode ser chamado de “nova criação” que teve início com a vitória de Cristo. Paulo passa a definir esta criação como compreendendo todas as coisas “no céu e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias, poderes ou autoridades; todas as coisas foram criadas por ele e para ele“. Assim, Jesus é o primogênito e as primícias de uma nova criação – chamado de um “novo e vivo caminho” em Hebreus 10:20. Tudo foi feito por ele e por meio dele, e sem ele nada do que foi feito se fez (Comparar com João 1:3).

Quando vemos a palavra “criar” ou “criação” não podemos simplesmente assumir que se refere ao relato da criação de Gênesis. Deus está criando de novo através de, e em Cristo. Em Efésios 2:10, Paulo diz que somos criação de Deus realizada em Cristo Jesus. Nós morremos para a velha criação e nascemos de novo para a nova criação de Deus. Em 2 Coríntios 5:16-19, aprendemos que Deus estava em Cristo reconciliando o mundo consigo mesmo e se estamos em Cristo ressuscitado fomos reconciliados com Deus e participamos de uma nova criação.

“Pois o amor de Cristo nos constrange, porque julgamos assim: se um morreu por todos, logo todos morreram; e ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou. Por isso daqui por diante a ninguém conhecemos segundo a carne; e, ainda que tenhamos conhecido Cristo segundo a carne, contudo agora já não o conhecemos desse modo. Pelo que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo. Mas todas as coisas provêm de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por Cristo, e nos confiou o ministério da reconciliação; pois que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões; e nos encarregou da palavra da reconciliação. 2 Cor 5:14-19. Se alguém está em Cristo pelo batismo, ele é uma nova criação. Observe o verso chave: “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo”, v 17.

Coisas velhas incluem o pecado de Adão e a velha criação. Tudo se fez novo. Acabou. Isso é que significa ESTÁ CONSUMADO! Somos perdoados em Cristo e na sua morte fomos batizados como novas criaturas. Ou seja, batizados quando Cristo é sepultado, e quando Cristo se levantou na ressurreição, significa que ressuscitamos com ele. Isso é o que significa ter Cristo morrido por nós, como também significa nascer de novo. Compare com Romanos 6:4, que diz, “Fomos, pois, sepultados com ele pelo batismo na morte, para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida“.

Assim uma pessoa “em Cristo” é descrito como uma “nova criatura”, ou “nova criação” (Gl 6:15), e que as “coisas” que em Cristo é dito terem sido criadas e estão “nele”, são, obviamente, esta “nova criação” citada pelo apóstolo Paulo. Cristo é o começo desta nova criação de Deus (Ap 3:14), abrindo o caminho para que seus seguidores possam atingir o mesmo objetivo (Filipenses 3:21, 1 João 3:1-2).

Estas novas criaturas não podem viver conforme a velha criação. O planeta literal não pode ser creditado por estar em Cristo. A criação anterior permanece existindo paralela à missão completa de Jesus, estando ainda subjugada ao príncipe deste mundo. Portanto, a nova criatura participa da nova criação apresentada por Paulo em Colossenses, o qual insiste: “nEle foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra”, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades. Tudo foi criado por ele e para ele”.

No verso 18, Paulo fala de Jesus como “o primogênito dentre os mortos”, o que é uma referência a ser ele o “primogênito de toda a criação”. Ou seja, o primogênito da nova criação de Deus. Primogênito por que foi o primeiro a ressuscitar e não morrer mais, o que também nos deu o direito de participarmos da ressurreição sendo novas criaturas de uma nova criação. Devemos aceitar isso pela fé, pois o Apóstolo afirma categoricamente que nós fomos ressuscitados por Deus juntamente com Jesus e estamos assentados nas regiões celestiais ( Efésios 2:6), o que tornar-se-a realidade plena no Seu reino vindouro.

Jesus tornou-se “o Filho de Deus com poder” por sua ressurreição dentre os mortos: “… com poder foi declarado Filho de Deus segundo o espírito de santidade, pela ressurreição dentre os mortos, Jesus Cristo nosso Senhor” (Romanos 1:4).

Deus “ressuscitou Jesus, como também está escrito no salmo segundo: Tu és meu Filho, hoje te gerei” (Atos 13:32,33). Isso tudo significa que pela sua ressurreição, Jesus tornou-se o primogênito de uma nova criação. Sua ressurreição foi o selo de aprovação do Pai, no Filho (Rm 1, 1-4). Isto constituiu o Primogênito.

Paulo escreveu: “Ele é … o primogênito dentre os mortos, para que em todas as coisas ele tenha a preeminência” (Cl 1:18). Ele é o “primogênito entre muitos irmãos” (Rm 8:29), o que deve ser associado ao contexto de Jesus como ”o primogênito de toda criatura”, ou a NOVA criação, que é o sentido em Apocalipse quando fala do “primogênito dentre os mortos … o princípio da [nova] criação de Deus” (Ap 1:5; 3:14).

Jesus foi o primeiro a ser ressuscitado para a imortalidade (Lázaro e outros ressuscitados nas Escrituras morreram posteriormente). Uma vez que Jesus é o primeiro homem a ser ressuscitado para a imortalidade, fez dele o “primogênito dentre os mortos”, o primeiro e o último descrito em Apocalipse 2:18, chamado por Paulo o novo homem,

Na sua carne desfez a inimizade, isto é, a lei dos mandamentos, que consistia em ordenanças, para criar em si mesmo dos dois um novo homem, fazendo a paz (Ef 2:15).

E vos renoveis no espírito da vossa mente; E vos revistais do novo homem, que segundo Deus é criado em verdadeira justiça e santidade (Ef 4:23,24).

O novo homem, a nova criatura, não mais se ajusta ao mundo presente, mas para ele também foi antecipado viver sob uma nova criação – esta é a mesma ideia que vemos aqui em Colossenses. Jesus foi a primeira pessoa a ressuscitar dentre os mortos e ter a imortalidade, sendo o primeiro da nova criação, e os verdadeiros crentes seguirão o padrão em seu retorno.

Cristo é a “cabeça do corpo, da igreja”. Consequentemente também pode ser dito que ele é o criador deste novo e vivo caminho. Foi a sua vida de obediência à vontade do Pai e do seu sacrifício fiel que lançou a pedra fundamental do seu templo espiritual, o corpo de crentes. Ele também é considerado o “autor e consumador da nossa fé” em Hebreus 1:2. Todos estes termos de louvor e exaltação são apropriados para Jesus Cristo, nosso Senhor e Mestre na nova criação. Jesus é o autor, o Senhor, o criador desta nova ordem de coisas, como diz Paulo em Colossenses 1:16: “Porque nele foram criadas todas as coisas que estão no céu, e que estão na terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades: tudo foi criado por ele e para ele”.

Certamente Paulo não está aqui nos dando uma aula de teologia sistemática relacionado à criação original dos céus e da terra. Observe que o contexto não revela que Cristo criou todas as coisas. Um exame atento da passagem irá revelar algo estranho e curioso, pois afirma que ele criou todas as coisas “no céu”. Isso incluiria o próprio Deus, para não falar dos anjos!

Isso está, obviamente, fora de ordem. Certamente, a criação falada neste contexto de Colossenses, refere-se à nova criação através do trabalho de Jesus, quando foram criadas todas as coisas: tronos, domínios, salvação, perdão, reconciliação, novo homem e tudo que diz respeito a antecipação do reino de Deus na terra. Paulo não diz que Jesus criou todas as coisas e, em seguida, nos mostra exemplos de rios, montanhas, pássaros, etc. O sentido em dizer que “nEle foram criadas todas as coisas nos céus e na terra” diz respeito ao seu domínio nas eras que se seguiram a sua ressurreição e ascensão e a sua vitória sobre a desordem causada pela queda do homem. Assim, podemos também ler em Efésios 2:6, como a ordem das coisas mudaram no céu, pois aqui é dito que os crentes estão em Cristo como assentados em “lugares celestiais”.

O contexto de Colossenses não diz que Jesus é o primogênito da velha criação, pois se ele adentrou a este mundo em semelhança da carne do pecado (Rom 8:3) crucificando com ele nosso velho homem, levando-o a sepultura (Rom 6:6-8), vantagem alguma haveria neste louvor Paulino de Colossenses capítulo um. O Novo homem não nasceu da antiga criação. Toda criação humana está ainda torta, sujeita à vaidade, na servidão da corrupção, gemendo e labutando na dor como resultado do pecado de Adão (Romanos 8:19-22). A velha criação humana está agora sob a servidão da corrupção, e não pode libertar-se (Romanos 5:12; 1 Pedro 4:1-4)

Colossenses ensina que houve uma mudança enorme feita na posição espiritual de muitas criaturas, as quais agora podem experimentar os efeitos da missão do nosso Salvador, que é aquilo que apenas se transforma em realidade para àqueles que crêem em Cristo e estão nEle. O mundo não pode experimentar essa realidade presente: “Porque Ele nos libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do seu Filho amado” (Cl 1:13).

É importante lembrar aqui que foi o próprio Cristo quem descreveu a criação original como sendo trabalho de Deus, e não dele: “Porque naqueles dias haverá uma aflição tal, qual nunca houve desde o princípio da criação, que Deus criou, até agora, nem jamais haverá” (Marcos 13:19). Compare com Hebreus 4:4, onde Deus, não Jesus, descansou da obra da criação: “Porque em certo lugar disse assim do dia sétimo: E repousou Deus de todas as suas obras no sétimo dia”.

Parece que muitos não consideram Isaías quando testifica que Deus criou tudo sozinho.

A João Ferreira de Almeida Revista Atualizada, diz: “Assim diz o SENHOR, que te redime, o mesmo que te formou desde o ventre materno: Eu sou o SENHOR, que faço todas as coisas, que sozinho estendi os céus e sozinho espraiei a terra” (Isaías 44:24).

João Ferreira de Almeida Atualizada: “Assim diz o Senhor, teu Redentor, e que te formou desde o ventre: Eu sou o Senhor que faço todas as coisas, que sozinho estendi os céus, e espraiei a terra, quem estava comigo?”

A NTLH piora bastante a situação dos Trinitarianos: “O SENHOR, o Salvador de Israel, diz: “Meu povo, eu sou o seu Criador; antes que você tivesse nascido, eu já o havia criado. Sozinho, eu criei todas as coisas; estendi os céus e firmei a terra sem a ajuda de ninguém”.

Paulo, na verdade, parece dar uma descrição exata do que ele quer dizer com “todas as coisas” criadas – “tronos, poderes, governantes, autoridades”. Isto é, Cristo está sendo chamado de criador porque está nos dando uma antevisão do seu reino na terra. Em outras palavras, “todas as coisas” – neste caso, “tronos, dominações, principados e potestades” – foram criados em Jesus, através” dele e “para” ele. Paulo não está dizendo aqui que Jesus foi o criador no versículo de abertura de Gênesis , mas que ele era o centro da hierarquia cósmica de Deus. Todas as autoridades deveriam ser submetidas ao Filho, que iria finalmente entregar tudo de volta para o Pai, o Senhor a quem devia fidelidade, para que “Deus possa ser tudo em todos” (1 Cor. 15:28). E é exatamente isso que nos esclarece o contexto da passagem em discussão. Observe: “… havendo por ele feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, tanto as que estão na terra, como as que estão nos céus” (Colossenses 1:20).

Paulo diz que quando Cristo foi ressuscitado dentre os mortos, e foi colocado à mão direita de Deus nos “lugares celestiais”, sua nova posição o levou a um estado “muito acima de todo governo e autoridade, poder e domínio, e de todo nome que pode ser dado , não só no presente século, mas também no vindouro” (Efésios 1:21). Não só isso, mas “Deus colocou todas as coisas debaixo de seus pés” (v. 22). Colossenses 1:17 ecoa, ao dizer que “nele tudo subsiste”; Colossenses 2:10 descreve-o como “a cabeça de todo poder e autoridade“.

Deus recompensou a “obediência até a morte” de Jesus e muito o exaltou dando-lhe o nome que está acima de todo nome, o que Paulo confirma: “Ao nome de Jesus todo joelho deve se curvar, no céu, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para glória de Deus Pai” (Filipenses 2:8-11) .

Estas atribuições de autoridade suprema a Cristo, sob Deus, sugerem que, quando Cristo veio para ser assentado à destra de Deus, ele – por sua vez – criou um novo sistema de regências entre os seres angelicais, bem como preparou um lugar de honra diante do Pai para todos os seus fiéis, tanto no presente como na idade vindoura (João 14:2,3). Tudo isso é, então, parte da “nova criação.” É esta a nova criação o tema de Colossenses 1:15-17.

O impacto da ressurreição de Jesus foi tão grande que, mesmo agora, um seguidor do Senhor é elevado a uma posição de privilégio em relação a Deus e Seu Filho, descrito como “os céus em Cristo” (Ef 1: 3). Esses “céus” foram trazidos à existência por meio de Cristo, e eles são os precursores dos políticos “céus” para se manifestar na idade para vir quando ele governará na terra. Neles são encontrados graduações de autoridade, descrito como tronos, dominações e assim por diante, alguns dos quais são visíveis e alguns dos quais ainda estão para se manifestar, e, portanto, ainda são invisíveis. A ordem das novas coisas, incluindo céus e terra, mundo por vir, ressurreição dos santos, redenção e etc, foram criadas por ele e para ele, sendo que tudo será revelado após a volta do Senhor Jesus.

Para resumir, Colossenses 1:16 não ensina a criação literal dos céus e da terra por Jesus, porque:

  1. Entra em conflito com o testemunho do Antigo Testamento, que ensina que foi Deus que criou.
  2. Os céus, e tudo criado por ele, em questão aqui em Colossensses, só podem ser entendidos quando aplicados para as coisas espirituais.
  3. Outras expressões do Apóstolo alinham os “céus” para posições de privilégio em Cristo.

Antes de Todas as Coisas

O versículo 17 diz que Cristo é “antes de tudo” – pró panton, no grego. Esta frase foi tomada como prova de sua preexistência pessoal. Mas é preciso ter cuidado, pois o verbo aqui está no tempo presente – “é”, e não “era”. Paulo não nos diz que Cristo “foi” antes de todas as coisas, como evidência de preexistência. Portanto, esse “antes” deve ter outro significado.

A palavra grega usada – pro – tem três usos comuns: antes, no sentido de lugar – na frente; antes, no sentido de tempo = “antes”, e antes, no sentido de preeminência, rank , ou vantagem . O último uso é visto em 1 Pedro 4:8 – pró panton, “antes de todas as coisas“, ou seja, “acima de todas as coisas” = “mais importante de todas“. Aqui em Colossenses, pro, não tem nada a ver com tempo ou lugar, mas sublinha como o amor cristão é preeminente acima de todas as outras virtudes. Tiago 5:12 é um outro exemplo do mesmo uso da frase pro panton .

Dizer, portanto, que Cristo é pró panton é dizer que a ele é dado o primeiro lugar no universo todo de Deus. Isto lembra o episódio em que Faraó exalta José para o “primeiro lugar” no Egito. Ele lhe disse: “Você deve estar no comando do meu palácio, e todo o meu povo se sujeitará às suas ordens. Somente em relação ao trono eu serei maior do que você. . . Tenho a honra de colocar você no comando de toda a terra do Egito. . . Eu sou o faraó, mas sem a sua palavra ninguém levantará a mão ou o pé em todo o Egito” (Gn 41:40, 41, 44). Este é o tipo de preeminência e regência que Deus concedeu ao seu filho – para ser mais do que todos os outros seres – tipificado apenas vagamente pela história da própria exaltação de José!

E não esqueçamos da liderança de Cristo sobre a igreja, que é um tema frequente nos escritos de Paulo. O versículo 18 declara sua chefia, e passa a chamá-lo de arche, “princípio”. Esta palavra também significa “governante, autoridade”. Ele dá mais ênfase ao tema de Paulo da preeminência de Cristo e a autoridade suprema em Deus, sendo que a autoridade conferida agora faz com que todas as coisas começem e terminem em Cristo.

Como o início da nova criação, ele é o “primogênito dentre os mortos“, o primeiro ser humano a subir imortal da sepultura e tornar-se assim um “participante da natureza divina” (2 Pedro 1:4). Como Senhor e também sendo “o primeiro a ser ressurreto” dentre os mortos, porque ele, por sua vez é o Doador da vida, o Príncipe da Vida – sua voz irá despertar os mortos de seus túmulos (João 5:21-29; Atos 3:15 ). E é pela ressurreição dos mortos que ele alcança sua posição suprema (v. 18: “para que”). Isto significa que ele não tinha essa posição antes.

Como sempre, o contexto (inimigo público dos trinitarianos) é um fator importante na interpretação. O foco de Paulo nesta passagem é sobre a “herança” (futuro) “reino”, e “autoridades” (Cl 1:12, 13, 16). Isto sugere fortemente que ele tem em mente a nova criação em Cristo que é o rei messiânico da nova ordem de Deus.

A Deus toda Glória

“Eu sou de cima”

“Eu sou de cima” (João 8:23).

Esta afirmação é muitas vezes usada para ensinar que Jesus estava no céu antes de vir para a terra. O contexto do verso, no entanto, mostra que essa interpretação é incorreta. Jesus declarou aos judeus: “Vós sois de baixo: eu sou de cima“, então, na explicação, ele continuou: “. Vós sois deste mundo, eu não sou deste mundo” Cristo era “de cima” e “não é deste mundo”, porque Deus era seu Pai, e ele se manifestou em sabedoria e características que eram celestiais, isto é, vindas de Deus.

Se Jesus realmente quer dizer que  em sua encarnação Ele literalmente desceu “de cima” porque preexistia no céu, então, para que tratemos desta  antítese de forma consistente, que em sendo esses judeus incrédulos, “de baixo“, deve significar que eles literalmente preexistiam no inferno (localizado “abaixo”, dentro da terra), o que é um absurdo.

Nas palavras, “Vós sois de baixo, eu sou de cima; vós sois deste mundo, eu não sou deste mundo”, Jesus está querendo dizer o seguinte aos judeus: “Vocês pertencem ao que está embaixo, eu pertenço ao que está acima”. Assim, Jesus está afirmando que seus adversários estão abaixo em um sentido espiritual, ou seja, seus valores refletem  que eles são do mundo e, portanto, sem Deus na sua vida. Em contraste, Jesus é espiritualmente “de cima” no sentido de que seus valores têm origem em Deus e, portanto, vem do céu.  Jesus não ser deste mundo, significa que Ele não pertence a este mundo, porque Ele não vive de acordo com os seus padrões. Assim, Jesus não se refere aqui que Ele literalmente veio do céu no momento de uma encarnação, mas que, eticamente, ele é das coisas do céu.

É o mesmo com os onze apóstolos. Jesus orou ao Pai sobre eles, dizendo: “Como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo” (Jo 17,18; cf 1,6). Se Deus enviar Jesus ao mundo significa que  Jesus literalmente vivia antes disso no céu, confirmando assim a clássica encarnação, então, para ser consistente, o envio por  Jesus de Seus discípulos ao mundo, deve implicar a  preexistência e encarnação dos mesmos. Ora,  se Jesus “não é deste mundo“, e como um ser preexistia no céu, então, para que sejamos justos e coerentes, devemos entender que na oração pelos discípulos, “Eles não são do mundo, assim como eu não sou do mundo” (Jo 17,16), que eles também são seres pré-existentes que encarnaram. Esse não é o sentido em que as palavras de Cristo devem ser entendidas. Ele “não era deste mundo” no mesmo sentido que João exortou os crentes a ser “não deste mundo” (1 João 2:15). O seguidor de Cristo deve olhar para além das coisas da terra – deste mundo. Ele deve olhar  para a glória ainda a ser revelada, e tornar-se mentalmente e moralmente alterado pela influência que é “de cima”.

Um homem que “ama o mundo” é “de baixo”, ou da “terra”, mas alguém que tem “o amor do Pai” habitando nele é “de cima” (1 João 2:15). Jesus disse a Nicodemos que uma pessoa deve “nascer do alto” (João 3:3) se ele quer herdar o reino de Deus. Esse tal é gerado pela palavra de Deus (I Pedro 1:23 e 1 João 3:9-10), por uma “sabedoria que vem do alto” (Tiago 3:15-18). O personagem que ele vai desenvolver é  moldado pela Palavra que habita nele (João 17:17), para que ele possa reivindicar ser “de cima”, embora ele nunca foi, literalmente, do céu.

Outra característica única do Evangelho de João é quando freqüentemente contrasta metáforas e antíteses. Por exemplo, João (geralmente citando Jesus) contrasta a luz com as trevas (Jo 1,5-9; 3,19-21; 8,12; 9,4-5; 12,35-36, 46), a vida com a morte (Jo 1,4; 5,21-26,54; 8,51-52; 11,25), a liberdade com a escravidão (Jo 8,32-38), que tem a ver com a cegueira (Jo 9,39-41). O mesmo é  verdade das expressões que envolvem Jesus e os judeus incrédulos neste contexto, como “os debaixo e os de cima”. Os termos não estão falando de origens literais,  mas como indicador de uma realidade espiritual.

Esta interpretação metafórica de Jo 8:23 serve como uma explicação de Jo 3:31 e Jo 6:25-65. Ou seja, todas as três passagens significam que o ministério de Jesus é espiritualmente, não literalmente, “de cima”, ou seja, do céu, tem origem em Deus. Portanto, assim se conclui a  linguagem de subida/descida em João 3:31, para interpretar a obra salvadora de Deus em Jesus. Certamente a Bíblia não fala do modelo da descida de uma Segunda Pessoa da Trindade ao mundo, o que só serviu para confundir a cristandade eliminando o conceito real, que é a presença interior de Deus em Cristo através do Espírito Santo. Isso tudo pode ser chamado de “Deus em Cristo reconciliando consigo o mundo”, como atesta o apóstolo Paulo em II Cor 5:19.

“Ele é antes de mim”

João Batista declara em João 1:15, 30: “… Este é o de quem eu disse: o que vem depois de mim tem, contudo, a primazia, porquanto já existia antes de mimÉ este a favor de quem eu disse: após mim vem um varão que tem a primazia, porque já existia antes de mim”.

O significado pode mudar drasticamente se atentarmos para a redação dos mesmos textos, mas em outras versões.

Verso 15: “João testificou dele, e clamou, dizendo: Este era aquele de quem eu dizia: O que vem após mim é antes de mim, porque foi primeiro do que eu”.

Verso 30: “Este é aquele do qual eu disse: Após mim vem um homem que é antes de mim, porque foi primeiro do que eu”.

O evangelista Marcos dentro do mesmo contexto coloca o versículo da seguinte forma: “E pregava, dizendo: Após mim vem aquele que é mais poderoso do que eu, do qual não sou digno de, curvando-me, desatar-lhe as correias das sandálias”, Marcos 1:7.

Note o leitor que João simplesmente estava querendo dizer que, “o que vem depois de mim é [superior] antes de mim”. O significado é óbvio; Jesus tem um maior grau de autoridade no reino de Deus do que João Batista.

Traduções tendenciosas e trinitarianas registram João Batista “afirmando” que Jesus já existia antes dele. Uma vez que João Batista nasceu seis meses antes de Jesus (Lc 1:24-31), esta cláusula independente exigiria a preexistência do Messias. No entanto, a AV e a RSV traduzem esta segunda cláusula diferente: “ele foi antes de mim”. Algumas traduções em português, como a ARC de 1995, traduzem como, “Ele foi primeiro do que eu“. Outras, como visto nas primeiras citações, associam as duas frases, “O que vem após mim é antes de mim, porque foi primeiro do que eu”.

Este tipo de tradução não é sobre a preexistência, mas representa uma reiteração da cláusula primeira, isto é, que Jesus supera João Batista. Por isso João disse em outro verso,”Importa que Ele cresça e que eu diminua”, João 3:30.

Deus seja louvado

“Pai, glorifica-me com aquela glória”

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Agora, Pai, glorifica-me junto de ti mesmo, com aquela glória que eu tinha contigo antes que o mundo existisse”, João 17:5

Na superfície, pode-se facilmente levar as palavras de Jesus como se referindo a algo que ele já teve e não tem mais. Os trinitarianos imaginam que Jesus está falando de um “tempo” quando ele estava com o Pai na eternidade, quando então ele compartilhou essa glória com Ele.

Este é um dos versos preferidos dos patrocinadores da doutrina do Messias preexistente. Alguém já imaginou um Messias preexistente? Algo poderia soar mais confuso do que isto? Pode haver uma doutrina mais confusa do que aquela que afirma ter existido no céu alguém que a Bíblia garante que seria “semente da mulher”, descendente de Abraão e Davi?

Para muitos, se um Jesus preexistente tinha desistido de sua glória quando ele desceu do céu para ser encarnado, e ele está pedindo para que esta glória seja devolvida a ele, seria de se esperar que ele dissesse: “Agora, Pai, glorifica-me junto de ti mesmo , com a glória que eu tinha contigo antes que o mundo existisse”. Compare isso com 2 Timóteo 1:9, que diz: “Que nos salvou, e chamou com uma santa vocação; não segundo as nossas obras, mas segundo o seu próprio propósito e graça que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos dos séculos”.

Não poderíamos fazer uma oração semelhante como a que Jesus fez em João capítulo 17 e dizer: “Eu te agradeço Pai pela graça que tive contigo antes do mundo existir?” Será que esta oração nos faz preexistentes porque tivemos graça aos olhos de Deus antes do mundo ser criado?

E quanto a Tito 1: 2? “Em esperança da vida eterna, a qual Deus, que não pode mentir, prometeu antes dos tempos dos séculos”. Será que poderíamos orar como Jesus aqui também, dizendo: “Pai, glorifica-me com a vida eterna que tive contigo antes do mundo existir?” Esse tipo de oração nos faz preexistir na eternidade passada? Evidente que não. Como recebemos a PROMESSA dada a nós – desde antes dos tempos eternos – Cristo também recebeu a Glória PROMETIDA desde antes da fundação do mundo por suportar a cruz. Logo, em João 17:5, é evidente que Jesus estava simplesmente pedindo a glória que lhe foi prometida pelo Pai antes que o mundo existisse, e não que ele estava lá como um Filho preexistente.

Em João 17:22 Jesus diz: “E eu lhes dei a glória que tu me deste, para que eles sejam um, assim como nós somos um”. E aqui, podemos fazer o mesmo, orando, “glorifica-me Jesus com a glória que tive contigo antes de ir para a cruz?” Ora, nós não vivíamos no tempo em que Jesus sofreu e morreu na cruz. Além disso, temos aqui uma promessa para ser ainda recebida no futuro, após a ressurreição e estabelecimento do reino de Deus.

Obviamente, Jesus, em João 17:5, está clamando pela promessa de Deus, que Deus prometeu em seu plano antes que o mundo existisse, que foi glorificá-lo com sua própria glória, para que o Filho do homem se tornasse o Filho Eterno de Deus na nova criação feita na perfeita imagem de Deus em justiça e imortalidade. Este é o real significado de João 17: 5, que não prova de forma alguma que Jesus preexistiu com Deus ao seu lado como uma pessoa divina na eternidade passada.

A palavra “eu tinha”, em “a Glória que tinha contigo antes do mundo existir”, é a palavra grega “eichon” , que significa manter, guardar como posse, como uma condição. Em outras palavras, Jesus está pedindo ao Pai para glorificá-lo com a glória que Deus prometeu e estava reservando para ele. Como nós não temos realmente, ou possuímos a vida eterna em nós ainda, mas este previlégio é colocado diante de nós como uma PROMESSA certa sendo reservada no céu esperando por nós, assim foi com Cristo na expectativa da sua oração pela glória que lhe era devida.

O léxico de Thayer, do grego para inglês, define essa palavra “eichon” de forma semelhante, que a grosso modo significa, “ter guardado”, no sentido de algo que está retido. Assim, João 17;5 poderia ser traduzido com muita facilidade da seguinte forma: “Glorifica-me com aquela glória que eu tenho guardada e reservada contigo antes do mundo existir”.

Quando Jesus foi glorificado

Jesus não foi glorificado até que Deus o ressuscitou dentre os mortos: “E isto disse ele do Espírito, que aqueles que acreditavam Nele estavam para receber, porque o Espírito Santo ainda não fora dado, porque Jesus ainda não tinha sido glorificado”, João 7:39.

Porventura não convinha que o Cristo padecesse e entrasse na sua glória?”, Lucas 24:26.

“… Os seus discípulos, porém, não entenderam isto no princípio; mas, quando Jesus foi glorificado, então se lembraram de que isto estava escrito dele, e que isto lhe fizeram”, João 12:16.

Portanto, quando chegou o momento, ele disse: “agora, Pai, glorifica-me …”, João 17:5.

A verdade da questão torna-se muito clara. Jesus estava ciente de que tinha sido amado por Deus antes que o mundo existisse. Pedro ensinou que o Senhor foi “conhecido antes da fundação do mundo, mas foi manifestado nestes últimos tempos por amor de vós” (1 Pedro 1:20). João descreve-o como “o Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo” (Ap 13:8). Está aí a glória. A glória do Cristo recebida na ressurreição. O texto diz que isso foi prometido desde a fundação do mundo.

Jesus foi “morto desde a fundação do mundo?” Normalmente, sim, nos sacrifícios fornecidos, mas literalmente, não. Embora ele mesmo ainda não, no momento da oração, tivesse sido glorificado, as Escrituras enfatizam que Jesus obteve essa glória, prometida desde a fundação do mundo, ao completar na cruz a sua vitória sobre o pecado. O escritor aos Hebreus confirma: “Vemos, todavia, aquele que, por um pouco, tendo sido feito menor que os anjos, Jesus, por causa do sofrimento da morte, foi coroado de glória e de honra, para que, pela graça de Deus, provasse a morte por todo homem” (Hebreus 2:9)

Em Atos 3:13, referindo-se a ressurreição e ascensão de Jesus ao céu, Pedro diz: “O Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó, o Deus de nossos pais, glorificou a seu Servo Jesus, a quem vós traístes e negastes perante Pilatos, quando este havia decidido soltá-lo“.

Na sua primeira epístola, Pedro diz novamente que Deus “o ressuscitou [Jesus] dentre os mortos e lhe deu glória...” (1 Pedro 1:21).

O próprio Jesus, falando com dois discípulos no caminho de Emaús enfatiza que a sua glorificação era posterior aos seus sofrimentos dizendo: “Porventura, não convinha que o Cristo padecesse e entrasse na sua glória?” (Lucas 24:26; ver também João 7:39, João 12:16).

As passagens anteriores demonstram que Jesus não pode ter literalmente usufruído de glória antes do seu nascimento, porque somente podia recebê-la depois de ter terminado o seu ministério com êxito. Tanto a existência de Jesus antes que o mundo existisse, como a sua glorificação, somente podem ter existido de forma antecipada na mente e propósito de Deus. Este propósito foi aos poucos revelado aos profetas. Falando do que ia acontecer, o Senhor disse. “O Filho do Homem vai, como está escrito a seu respeito…” (Mateus 26:24).

Os versículos que são citados para apoiar a ideia da suposta “preexistência” de Jesus Cristo não indicam que ele realmente viveu no céu antes de nascer. Simplesmente enfatizam em linguagem figurada o fato que a aparição do Senhor Jesus na terra não foi uma coisa do acaso, mas um acontecimento que foi determinado e autorizado pelo seu Pai celestial desde antes da criação do mundo. Portanto, quando Jesus pediu ao pai para dar-lhe a glória que ele tinha com ele antes que o mundo começou, Ele não estava falando de uma época em que Ele viveu em um corpo de carne divina celestial ao lado do Pai, como segunda pessoa da trindade. A glória de que Jesus falou era a glória que Ele, como um homem, teria no cumprimento do plano de Deus preordenado para redenção da humanidade. Jesus olhou para a frente, e orou pedindo ao Pai para dar a Ele, para que Ele pudesse compartilhar com todos os crentes, “A glória que Tu me deste, eu lhes dei” (João 17:22).

Os seguidores de Cristo possuem esta glória agora? Não! Eles estão apenas “na esperança” dessa glória, “pelo qual também obtemos entrada pela fé a esta graça, na qual estamos firmes; e nos gloriamos na esperança da glória de Deus”, Rom 5:2.

Como Cristo pode, então, afirmar ter dado a eles essa glória? Apenas no sentido de que ele prometeu, conhecendo de antemão que a quem é dada em promessa cumprirá as condições para recebê-lo, finalmente, na realidade. Assim, um seguidor que aceita a vinda de Cristo poderia falar como o Senhor, quando ele mesmo orou ao Pai:

Glorifica-me com a glória que eu tinha contigo antes que o mundo existisse“.

Deus conhece o propósito concluído, e sabendo que Ele quer trazê-lo para a consumação, é capaz de “chamar as coisas que não são como se elas fossem” (Rm 4:17). Observe também, que a Escritura fala de outros preexistentes, bem como Cristo. Considere o seguinte:

Dos crentes, Paulo escreveu: “Os que dantes conheceu“, (Rom. 8:29).

Ele já dantes preparou os {observe o verbo no passado} para a glória“, (Rm 9:23 cf. 2 Tm. 1:9).

Ele também nos elegeu nele antes da fundação do mundo“, (Ef 1:4).

De Jeremias, o Senhor disse: “Antes que eu te formasse no ventre te conheci, e antes que saísses da madre, te santifiquei, e te dei por profeta para as nações“, (Jeremias 1:5).

Mas quem iria disputar a preexistência de Jeremias e de outros crentes? Assim, a linguagem de João 17:5 deve ser entendida de uma maneira consistente com todo o contexto sobre ter sido Jesus a semente da mulher e não um ser preexistente. Certamente o contexto de João não deve ser usado para ensinar a preexistência de Jesus, pois se assim for, haverá sérios conflitos com muitas outras referências que falam dele como o filho de Davi que nasceu há mais de 20 séculos.

Por outro lado, Paulo, em Gálatas 1:15 afirma que quando Cristo voltar, aos seus seguidores será concedida uma glória “semelhante” a que foi concedida ao Filho. Eles vão ser “conformes à imagem do Filho de Deus, para que ele seja o primogênito entre muitos irmãos” (Rm 8:29).

Sua responsabilidade

É muito difícil livrar nossas mentes de preconceitos, mas é necessário se quisermos encontrar a verdade. No entanto, para milhões de cristãos não há problema algum em crer que um anjo, ou um ser preexistente, deve tornar-se um bebê, e ser obrigado a aprender de novo todas aquelas coisas que uma vez ele sabia.

Não, a verdade é simples e clara. O Espírito de Deus causou o nascimento de seu filho, e o fortaleceu em sua peregrinação diária para a vitória sobre o pecado. Ao fazê-lo, foi revelado o meio de vitória para cada um de nós: ajuda e força (Filipenses 4:13) divina. Um exame cuidadoso da Escritura vai mostrar que a doutrina da preexistência é tanto ilógica como falsa.

“Antes que Abraão existisse, Eu sou”

Abraao

A chamada Ortodoxia Cristã defende ter sido Jesus divino e Deus quando esteve neste mundo; afirmam que o grego ego eimi, “eu sou”, é uma técnica de linguagem intencional implementado por Jesus para invocar o nome divino e identificar-se como (um) Deus. Quando Jesus disse: “Eu sou”, neste contexto [João 8:58], deve ser entendido para ser uma citação de referência a Deus para Si mesmo como EU SOU em Êxodo 3:14.

Nesse versículo, segundo os trinitarianos e segundo a maioria de nossas versões modernas, quando Moisés perguntou o nome de Deus, Deus teria respondido: “EU SOU O QUE EU SOU” e, em seguida, disse, É isto que você dirá aos israelitas: Eu Sou me enviou a vocês“.

A Septuaginta foi uma tradução do Velho Testamento em hebraico para o idioma grego. Como ela verteu a passagem de Êxodo 3:14? A expressão hebraica “Ehye asher ehye” de Êxodo 3:14 foi traduzida em grego na septuaginta por: ἐγώ εἰμί ὁ ὤν (Ego Eimi Ho On). Em português essa expressão seria algo próximo de “Eu sou (ego eimi) aquele que é (Ho On)”.

O texto todo de Êxodo 3:14, segundo a Septuaginta fica dessa forma: “E disse Deus a Moisés: Egō eimi ho ōn (Eu sou aquele que é). Assim dirás aos filhos de Israel: Ho ōn apestalken me pros hymas (Aquele que é me enviou a vós).”

O que Deus disse para Moisés, que Ele era o “Eu Sou” (ego eimi) ou Ele disse que era “Aquele que é” (Ho on)?

Deus não estava dizendo “Eu sou Eu sou.” A frase “Eu sou o que sou”, literalmente, significa “Eu sou aquele que é“. Deus estava dizendo a Moisés que o nome que ele deveria dar aos filhos de Israel é “Aquele que é“, e não “eu sou o que sou“. A frase “eu sou”, simplesmente é inserida no texto para identificação de quem é nomeado. Ou seja, é como se um enviado perguntasse a autoridade que o envia, o seu nome para identificação posterior. Seria uma construção textual semelhante a essa: “como eu poderia identificá-lo ao me encontrar com as pessoas que devem receber vossa mensagem?” O indagado simplesmente responde: “Eu sou Carlos, diga-lhes que Carlos o enviou“. O mensageiro jamais poderia chegar aos endereçados e dizer que “EU SOU Carlos me enviou a vós“, mas apenas dizer que Carlos o enviou. O verso tem a expressão “Eu sou”, mas ela não identifica o nome de Deus. A expressão só é usada para Deus complementar dizendo que era HO ON. Deus diz que é “Ho on”, não que ele é “Ego eimi”.

E mais uma vez: No grego da Septuaginta está escrito egō eimi ho ōn (“Eu sou Aquele que é/o Ser”) e não egō eimi ho egō eimi (“Eu sou o que Eu Sou”). Deus pede a Moisés para identificá-lo como ho on (“Aquele que é/o Ser”). Nem sequer volta a aparecer ego eimi nesta cláusula.

Deus, em Ex 3.14 não disse ser um certo “Ego Eimi” (eu sou), ele disse ser “Aquele que é” (ho On), a ideia foi dizer “Eu sou AQUELE QUE É”, tanto é que quando Moisés perguntou o que diria quando fosse indagado sobre quem o enviou, Deus manda Moisés responder “HO ON (AQUELE QUE É) me enviou a vós”, Ele não disse “Ego Eimi” me enviou a vós”.

Portanto, Jesus não reivindicou este título. Observem o texto: “Disse lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que antes que Abraão fosse eu sou”. Se Jesus quisesse fazer alusão ao “ὁ ὤν” (ho On) de Ex. 3.14, teria usado a idêntica construção, e não precisaria tomar por base a existência de Abraão.

“O problema é que há traduções que verteram HO ON como “AQUELE QUE É” na primeira ocorrência e o mesmo HO ON como “Eu Sou” na ocorrência seguinte. A expressão HO ON não está em Jo. 8.58. Todos os livros e comentários que você já leu, digo com simplicidade e sem medo de errar, estão equivocados quando tentam comparar João 8.58 com Ex. 3.14 dizendo que Jesus é o EU SOU do Antigo Testamento, porque simplesmente as construções são diferentes. Se considerarmos o hebraico, que é a língua em que originalmente foi escrito o livro de Êxodo ai é que se descarta mesmo, porque a construção verbal do hebraico, daquela passagem, é causativa e em João é, seguramente, grego no presente do indicativo ativo. Se for os dois em grego, um é particípio e o outro presente do indicativo ativo.

Vamos, para ficar didaticamente mais visível, dividir o verso de Êxodo em duas partes: A + B.

A) “καὶ (e) εἶπεν (disse) ὁ θεὸς (Deus) πρὸς (a) μωυσῆν (Moisés) ἐγώ (eu) εἰμι (sou) ὁ ὤν (AQUELE QUE É).

Pergunto o seguinte: Deus em “A” disse ser “ego eimi” ou Deus disse ser “HO ON”?

B) καὶ (e/também) εἶπεν (disse:) οὕτως (assim) ἐρεῖς (dirás) τοῖς (aos) υἱοῖς (filhos [de]) ισραηλ (Israel) ὁ ὢν(AQUELE QUE É [aqui, desuniformemente as Bíblias vertem para EU SOU, donde decorre a associação com Jo.8.58]) ἀπέσταλκέν με (enviou-me) πρὸς (a) ὑμᾶς (vós).

A pergunta que faço agora é a seguinte: Moisés identificou Deus, em “B”, como “ego eimi” ou como “HO ON”?

Onde está a expressão “ego eimi” na parte “B” para os tradutores verterem “EU SOU” ao invés de “AQUELE QUE É”? Percebamos que não existe um “ego eimi” nessa parte e que estranhamente, praticamente todos os tradutores colocam nessa parte “B” a tradução como “Eu sou me enviou a vós”? E a Bíblia de Jerusalém ainda faz mais e coloca em maiúsculo “EU SOU me enviou a vós?” Quando o procedimento uniforme seria “AQUELE QUE É me enviou a vós”.

Ora, se “ego eimi” significa “eu sou” e “HO ON” significa “eu sou” exatamente com a mesma semântica, então, a parte “A” deveria ser traduzida por “Disse Deus a Moisés: Eu sou Eu sou” (ego eimi ho on[?]), e ai teríamos, ao menos, uniformemente na segunda com “Eu sou me enviou a vós”. Mas se HO ON é traduzida por “AQUELE QUE É” na parte “A” não há razão para não ser, também, na parte “B” pela mesma expressão, a não ser que haja a intenção de criar a associação que os trinitários hoje defendem” (1).

Portanto, esse teoria trinitariana de que Jesus disse “Eu Sou” para identificar-se como Deus não tem fundamento nem mesmo nas Escrituras. Provavelmente Jesus não falava o grego, e muito menos estava falando em grego para os fariseus.

A afirmação de Jesus, “eu sou”, foi construída em grego. A declaração do Senhor em Êxodo 3:14 foi em hebraico. As duas línguas não são apenas muito diferentes umas das outras, mas as duas declarações também não são as mesmas. “Eu sou” não é o mesmo que o terrivelmente mal traduzido “eu sou o que eu sou”.

Vamos analisar os versículos anteriores a este: “Abraão, vosso pai, exultou por ver o meu dia, e viu o, e alegrou se“, v. 56. Os judeus estavam distorcendo as palavras de Jesus: “Disseram-lhe, pois, os judeus: Ainda não tens cinqüenta anos, e viste Abraão?” Jesus não disse isso. Foi o contrário: Abraão viu Jesus e não Jesus viu Abraão. Então, vem o verso chave: : “Disse lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que antes que Abraão fosse eu sou”, João 8:58. Se traduzimos a última parte do versículo como “Eu sou antes de Abraão” podemos ter um significado completamente oposto ao da nossa envelhecida ortodoxia cristã. Nesse caso, o texto não diz que Jesus era preexistente, e muito menos diz que ele usou uma técnica de linguagem intencional para se igualar ao Deus de Israel.

São dois sentidos aqui. O primeiro, ao Jesus dizer que “antes de Abraão existir Eu sou”, pode significar que ele foi conhecido antes da fundação do mundo como o cordeiro que foi morto nos propósitos de Deus como também foi profetizado em Gênesis 3:15 e nas palavras de 1 Pedro 1:20. Pedro diz: “Ele foi conhecido antes da fundação do mundo, mas manifestado nesses últimos tempos por amor de vós”. Ele foi predestinado a vir desde antes da criação do universo. Era o Messias anunciado e predestinado a vir desde sempre, portanto antes de Abraão. O outro significado vai ser exposto mais adiante.

Um título ou um verbo?

Os trinitarianos dizem que os Judeus entenderam perfeitamente que Jesus estava afirmando ser Deus quando ele usou as palavras “ego eimí”, porque eles imediatamente pegaram pedras para matá-lo. Mas os trinitarianos não consideram que os Judeus já haviam decidido matar o Senhor Jesus antes desse impasse em João 8:58. Leia João 7:1, 25.

Além disso, a expressão em grego “ego eimí” em João 8:58 utiliza o pronome pessoal acompanhado de um verbo, que é o verbo “ser”. “Eu sou” NÃO É UM TÍTULO. De forma semelhante, o “eu sou” (“ego eimí”) em Êxodo 3:14 não constitui um título. O título usado por Deus nesse texto é “Ho On” (“Aquele que é”). O “sou” de “eu sou” é apenas um verbo e não um nome divino.

Alguém escreveu sobre isso com muita sabedoria: “Se em João 8:58 Jesus tivesse dito: “Eu sou o EU SOU”, ou “Eu sou o Ser”, ou ainda “Eu Sou Aquele que é ”, seria diferente. Mas ele fez um uso simples e comum na língua grega, do verbo ser. É muito arriscado divinizar uma expressão grega, mesmo quando sai da boca do Mestre.

Por que transformar uma expressão de uso corriqueiro num carregado título teológico? Todo esse conjunto de teorias recaem, como sempre, na esfera da incerteza, porque não seguem a regra bíblica de ‘não ir além do que está escrito’. E tais teorias gozam de grande credibilidade entre muitos cristãos, e estimulam declarações pouco analisadas e ponderadas, transformando algo que é duvidoso em algo “inquestionável”. Para muitas pessoas que formam os rebanhos das igrejas, é muito comum o pensamento: “Se os doutores, teólogos e filósofos acreditam assim, quem sou eu para discordar?” No entanto, uma simples leitura atenta é suficiente para desmontar uma teoria humana, ou, pelo menos, para mostrar que a coisa não é tão sólida quanto alguns pensam ” (2).

Para que você entenda melhor, basta dizer que a frase “Eu sou” deveria estar posicionada no início da sentença, não no final.

O professor de Estudos Religiosos, Jason David BeDuhn, da Universidade do Norte do Arizona, em seu livro “Precisão na tradução e Preconceito do Novo Testamento” compara algumas traduções inglesas principais e as relaciona da seguinte forma no capítulo dez de seu livro onde ele lida exclusivamente com João 8:58:

KJV “before Abraham was, I am”

“antes que Abraão existisse, eu sou”

NASB “before Abraham was born, I am”

“antes de Abraão nascer, eu sou”

NAB “before Abraham came to be, I am”

“antes de Abraão vir a ser, eu sou”

NW “before Abraham came into existence, I have been”

“antes que Abraão existisse, eu tenho sido”

O Dr Duhn conclui: “O que está acontecendo aqui? Você pode pensar que há uma cláusula grega particularmente difícil ou complicada por trás dessa bagunça em inglês. Mas esse não é o caso. O grego lê “prin Abraham genesthai ego eimi”. Ele pode ser traduzido diretamente para o inglês, fazendo o que os tradutores sempre fazem com o grego, ou seja, reorganizando a palavra na ordem normal do inglês, e ajustando as coisas com o tempo verbal complementar para a expressão apropriada… a KJV tem influenciado os seus tradutores colocando o verbo impropriamente no final da sentença”.

Assim, o “eu sou” de João 8:58 deveria estar no início da sentença, deixando o versículo como segue: “Eu sou antes de Abraão”.

Eu sou, Eu sou e Eu sou

Se “ἐγώ εἰμι” era o título sagrado de Deus o Todo Poderoso, porque somente no versículo 58 os judeus tentam apedrejar Jesus? Porque não tentaram apedrejá-lo depois dele dizer no versículo 24 do mesmo capítulo: “se não crerdes que EU SOU, morrereis nos vossos pecados”? Não seria uma ótima oportunidade para os Judeus acusarem Jesus de blasfêmia por aplicar a si mesmo o título de Deus? Isso mostra que ἐγώ εἰμι não foi o fator determinante para provocar essas reações ambíguas. O problema foi com Abraão.

Veja com mais detalhes dentro do mesmo contexto: “Vocês são daqui de baixo; eu sou lá de cima. Vocês são deste mundo; eu não sou deste mundo. Eu disse que vocês morrerão em seus pecados. Se vocês não crerem que EU SOU, de fato morrerão em seus pecados. Diziam-lhe então, quem és tú”, João 8:23,24.

Os judeus não acharam que Jesus estava dizendo que era o Deus de Israel. Ao contrário de Êxodo 3:14, a expressão eu sou não está sendo usada com função de nome identificador, tanto é que não causou reação nos judeus. É tão evidente que esse não era o caso, que quando Jesus disse eu sou, os seus opositores perguntaram em seguida, quem és tu?

Se falar eu sou significasse uma auto identificação não haveria necessidade dessa pergunta, e os judeus já teriam corrido para pegar pedras e atirar em Jesus. E não podemos ignorar também o verso 28, que enfatiza de forma clara a reclamação trinitariana de Jesus como EU SOU. Veja o texto: “Então Jesus disse: Quando vocês levantarem o Filho do homem saberão que EU SOU, e que nada faço de mim mesmo, mas falo exatamente o que o Pai me ensinou”. A construção textual é incrivelmente provocadora, mas os trinitarianos a abandonaram. Por qual motivo? Talvez porque não houve ameaça de apedrejamento. Não se vê nenhuma reação dos judeus.

Na sensível mente deles, não houve rejeição ao que Jesus falou. Pelo contrário, o versículo seguinte relata que muitos JUDEUS creram nele: “Tendo dito essas coisas, muitos creram nele”. Depois disso o relato prossegue de forma contínua. Mas, em determinado momento algo muda em João 8:57,58: “Disseram-lhe, então, os judeus: Não tens ainda cinquenta anos e viste Abraão? Jesus lhes disse: Em verdade, em verdade, vos digo: antes que Abraão existisse, EU SOU. Então apanharam pedras para atirar nele”.

Os Judeus constantemente corrompiam as palavras de Jesus. Isto é, eles as entendiam de forma equivocada (João 3:3,4). E se comportaram da mesma maneira no contexto de João 8:58. Possívelmente eles entenderam que ele estava alegando superioridade a Abraão. Se considerarmos que Jesus usou as palavras “Eu sou antes de Abraão”, ou “Eu tenho sido antes de Abraão”, ele pode ter causado um rebuliço total na mente dos judeus levando-os a acreditar que ele declarou ser maior do que Abraão.

Lembre-se que Jesus se declarou mais importante – maior – que o templo em Mateus 12:6, “aqui está quem é maior que o templo”. E também maior do que Salomão: “A rainha do Sul se levantará, no Juízo, com esta geração e a condenará; porque veio dos confins da terra para ouvir a sabedoria de Salomão. E eis aqui está quem é maior do que Salomão”.

“Jesus estava sendo ameaçado de apedrejamento pelo que ele teria dito sobre Abraão. Dizer que “Sou antes” (entendido pelos judeus como “mais importante”, “superior”, “maior”, acréscimos meus) de Abraão seria considerado injúria, visto que os Judeus encaravam tal ancestral como o “Pai” da nação (Ver João 8:39). Além disso, o significado de blasfêmia na bíblia vai muito além do que apenas dizer algo contra Deus. Era considerado blasfêmia algo que ofendesse algum maioral da nação (Ver Êxodo 22:28)” (3).

No contexto de uma perseguição anterior a Jesus ficou claro “para os judeus” que Ele era um blasfemo e se faz igual a Deus, isto é, fazendo-se igual a Deus porque se declarava Filho de Deus (João 5:18), o que, obviamente, não o fazia igual a Deus apenas por chamar Deus de seu Pai. Seria, portanto, razoável concluir que para a maioria dos ouvintes, as palavras de Jesus em “Eu sou antes de Abraão” não eram algo totalmente inesperado, mas confirmavam sua suspeita e até a convicção de que Jesus era mesmo um blasfemo. Para eles era uma teologia sacrílega; e é claro que Jesus conhecia suas expectativas e medos sinistros quando pronunciou intencionalmente aquelas palavras absolutamente provocativas. Isto é, foi uma “blasfêmia” intencional de sua parte, a fim de revelar sua identidade, não sua divindade.

Observe que quando Jesus disse “antes que Abraão existisse, eu sou” ele estava respondendo aos judeus duas perguntas que foram feitas em dois versos anteriores. A primeira está no versículo 53: “Porventura és tu maior do que nosso pai Abraão…?” A outra está no verso 57: “Ainda não tens cinquenta anos e viste Abraão?”

Podemos, como já disse, ter dois significados nas palavras de Jesus em João 8:58 quando ele alega, “Eu sou antes de Abraão“: O primeiro é que ele era o Messias que havia de vir e estava nos planos de Deus antes mesmo de existir de fato: “Pai, aqueles que me deste quero que, onde eu estiver também eles estejam comigo, para que vejam a minha glória que me deste; porque tu me amaste ANTES da fundação do mundo“, João 17:24.

Observem, mais uma vez, que o “Cordeiro de Deus” tinha sido “crucificado antes da fundação do mundo” (Ap 13:8, NVI), sendo que, evidentemente, o que ocorreu de forma não literal, pois Jesus foi crucificado em 33 dC sob o governo de Pôncio Pilatos, mas no plano de Deus desde antes da fundação do mundo. Desta forma também Jesus “era” antes de Abraão. Assim Abraão podia olhar para frente, para a vinda do Messias e seu Reino. O Messias e seu reino, portanto, “preexistiam” no sentido de que eles foram “vistos” por Abraão através dos olhos da fé. Antes que Abraão nascesse Jesus tinha sido “conhecido” (cf. 1 Ped. 1:20). Jesus aqui faz a afirmação estupenda do seu significado absoluto no propósito [plano] de Deus. E o segundo significado é que ele pode ter dito também que é superior a Abraão. Portanto, não foi o EU SOU de Êxodo 3:14 que provocou a ira dos judeus. Jesus não está alegando que existiu – literalmente – antes de Abraão e nem que é Deus, em João 8:58.

Será que Jesus confundiu tudo depois, dizendo por um lado que somente o Pai é o “único Deus verdadeiro” (17:3, 5:44) e que ele mesmo não era Deus, mas o Filho de Deus (João 10: 36), e por outro lado, que ele, Jesus, é também um ser incriado? Será que ele quis definir seu status dentro das categorias reconhecíveis do Antigo Testamento (João 10:36, Sl 82:6; 2:7), apenas para representar um enigma insolúvel dizendo que ele estava vivo antes do nascimento de Abraão? Se Jesus realmente quisesse falar de sua preexistência e divindade usando a mesma construção textual ele poderia fazê-lo em outros contextos e ter declarado “EU SOU antes de Adão”, ou, “Eu sou antes da humanidade”, não ANTES de Abraão. Não seria mais sensato ler João 8:58 à luz da declaração de Jesus em João 10: 32,33 e 36 e no resto da Escritura?

É um fato bem conhecido que as conversas entre Jesus e os judeus foram muitas vezes de forma contraditória. Em João 8:57 Jesus não tinha, de fato, dito como os judeus pareciam pensar, que ele tinha visto Abraão, mas que Abraão exultou por ver o dia do Messias (v. 56). O patriarca estava esperando surgir na ressurreição no último dia (João 11:24; Mat 8:11) e tomar parte no reino messiânico. Jesus estava afirmando superioridade a Abraão, mas não no sentido que os judeus entenderam.

Uma leitura honesta de “eu sou” em João 8:58 simplifica o entendimento, revelando positivamente que o significado não é “eu sou Deus.” E, também não é, como tantas vezes alegado, o nome divino de Êxodo 3:14, onde o Senhor declarou, “Eu sou o ser” ou “Eu sou o aquele que é” (EGO EIMI HO ON, que é traduzido para o Inglês como “Eu sou o Ser”). Jesus aqui em João não defendeu nenhum título.

Além disso, na ocasião da sarça no monte Sinai é registrado que um anjo falava com Moisés do arbusto que ardia em chamas, não o próprio Senhor.

Êxodo 3: 2, afirma: “E apareceu-lhe o anjo do Senhor em uma chama de fogo do meio duma sarça; e olhou, e eis que a sarça ardia no fogo, e a sarça não se consumia”. Estêvão, nos registros do NT, em Atos 7:30, declara: “E, completados quarenta anos, apareceu-lhe o anjo do Senhor no deserto do monte Sinai, numa chama de fogo no meio de uma sarça”. Ele confirma a mesma coisa quando diz aos judeus em Atos 7:53, “vocês, que receberam a Lei por intermédio de anjos, mas não lhe obedeceram”.

Isso torna evidente que era um anjo do Senhor que falava com Moisés como representante de Deus, falando e agindo em nome de Deus na ocasião do Sinai, e não o próprio Deus. Deus estava falando e revelando Sua glória a Moisés, mas o fez através de um anjo.

Apesar de todos os argumentos apresentados aqui contra a alegação trinitariana, ainda assim, para eles, esse teria sido um dos momentos mais importantes do Novo Testamento, pois em João 8:58, Jesus teria decidido revelar sua verdadeira divindade, e alegou ser o “EU SOU” de Êxodo 3:14, a Segunda Pessoa da Trindade, o Deus Filho eterno do Velho Testamento, O ser preexistente. Mas, que, inexplicavelmente, depois de fazer essa estupenda revelação para o povo de Deus, os judeus guardiões da Palavra, ele teve que fugir porque estes queriam matá-lo!

É fato caro leitor que isso tudo aconteceu logo depois que Jesus supostamente deu sua última declaração sobre sua verdadeira divindade! Mas, espere! Os judeus não creram? No Velho Testamento não fala do Jesus preexistente, Deus conosco, Pai eterno e títulos semelhantes? Os Judeus não creram, e até hoje ainda não creem na trindade por qual motivo? É evidente que Jesus nunca deu tal declaração (o EU SOU de Êxodo 3:14).

O que dizer de João 1:1-3?

Nesse momento da leitura é muito comum aos teólogos da nossa ortodoxia convencional se agarrar no prólogo do Quarto Evangelho para invalidar os argumentos desse pequeno artigo. No entanto caro amigo leitor, o prólogo de João está fazendo referência a algo tão simples, tão contrário a interpretação popular, que vai surpreender até os céticos e ateístas. João não está falando do princípio de Gênesis em “no princípio era o verbo…”.

Talvez a maioria argumente que o contexto realmente fala sobre Jesus no princípio da criação do mundo, pois os dois versículos imediatamente posteriores dizem que “Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e sem ele nada do que foi feito se fez“, João:1:2,3.

A referência é a Nova Criação, não a velha. Veja meu artigo “TUDO foi criado por Ele“. E não se engane com Hebreus 1:1,2 quando diz que Jesus fez o mundo. Não é uma referência a Gênesis 1:

Havendo Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias a nós nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, e por quem fez também o mundo“, Hebreus:1:2. Isto é, o mundo vindouro, a era por vir, como confirmado pelo mesmo escritor apenas alguns versículos depois: “Porque não foi aos anjos que Deus sujeitou o mundo vindouro, sobre o qual estamos falando“, Hebreus:2:5.

Portanto, quando a Escritura revela que Jesus é o princípio de toda a criação significa que ele é o primeiro da nova criação de Deus: “Ao anjo da igreja em Laodicéia escreve: Isto diz o Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de Deus“, Apocalipse:3:14.

De fato, temos aqui mais uma referência apontando para a nova criação inaugurada pela ressurreição de Cristo. Por esse motivo as Escrituras fazem referência aos cristãos como novas criaturas. Assim, Jesus é o primogênito e as primícias de uma nova criação – chamado de um “novo e vivo caminho” em Hebreus 10:20. Tudo foi feito por ele e por meio dele, e sem ele nada do que foi feito se fez (João 1:3).

Eu vou apresentar aqui parte do meu artigo sobre João 1:1-3 que ainda está em construção.

Há duas possibilidades interpretativas para o prólogo do Quarto Evangelho. A primeira é que o verbo seja o próprio Deus (“o verbo era Deus”). A segunda possibilidade é que o verbo represente o Filho de Deus, Cristo, conectado com o termo Palavra. E é com essa segunda posição que vou trabalhar aqui apesar de não abandonar a hipótese de que o verbo seja o Pai.

É necessário observar que a narrativa do Evangelho supostamente cita uma referência da criação de Gênesis em sua abertura e no mesmo fôlego salta para o ministério de João Batista. Além disso, dizer que o verbo (Jesus) se fez carne (Jo 1:14) num tempo de João Batista já adulto nos convida a sérios questionamentos. Não seria mais coerente dizer que o verbo se fez carne em Belém quando Jesus nasceu?

O registro diz que o verbo se fez carne três versículos após dizer que os seus o rejeitaram: “Veio para o que era seu, e os seus não o receberam“, João:1:11. Agora veja o verso 14: “E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade; e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai“. Se é uma sequência, então temos um problema enorme aqui.

Portanto, é preciso prestar atenção no verbo usado, “era”, em “no princípio era a palavra“, que pode estar fazendo referência a fatos ocorridos no início de algo, e ocorridos em terra, não no espaço, no princípio da criação narrado em Gênesis 1.

Eu explico; o significado de “no princípio” em João 1:1 está falando do princípio do Evangelho de Jesus (o novo princípio), o princípio do seu ministério, na Palavra que começou a ser anunciada pelas terras de Israel quando do aparecimento do Messias. Por isso o escritor começa a sua narrativa em tom poético: “No princípio era a Palavra“, a palavra da pregação; a promessa que estava para ser revelada; o anúncio; a chegada dele sendo proclamada – são expressões que podem traduzir o termo grego logos, usado aqui para “palavra”.

João 1: 1-3 não é uma declaração sobre a criação original do mundo. O escritor do Quarto Evangelho pode ter adotado a linguagem do primeiro “começo” para falar de um novo “começo” nas coisas que aconteceram na vida de Jesus – o princípio da nova criação. Desse modo, o resultado da atividade da Palavra não era que o mundo material existisse, mas que as pessoas recebessem a vida; e esta vida foi a luz que as trevas vistas na história do Evangelho não conseguiram superar. A leitura de João 1: 1-5 é uma sinopse preliminar da história do Evangelho.

E preste atenção também em João Batista envolvido no texto. Ele é “a voz do que clama no deserto“. Ele veio preparar o caminho do Senhor anunciando a palavra “no princípio” quando Deus voltou a falar ao seu povo depois de quatro séculos de silêncio.

O Evangelho de Marcos também usa – confirmando João – o mesmo termo no mesmo tempo em “o princípio”, que é uma referência ao princípio das boas novas. Veja: “Princípio do evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus“, Marcos:1:1, e ele passa imediatamente para João Batista, como no quarto Evangelho.

Observe que o escritor do Quarto Evangelho sai do relato sobre o verbo e dá um salto tremendo para o ministério de João Batista. Em Marcos 1:1-5 o salto aparece de forma bem explícita. Porém, o mais interessante é que Marcos esclareceu João. João diz, “no princípio era Palavra“. Marcos diz: “princípio das boas novas“, ou “princípio do Evangelho“. Isso deveria estabelecer e acabar com qualquer disputa sobre o significado de João 1: 1. Claramente, o texto significa o início da mensagem do evangelho de Jesus Cristo, começando com a mensagem de arrependimento pregada pela primeira vez por João Batista, um precursor do Messias.

Lucas usa “no princípio” como referência para a mensagem do Evangelho, mas também incluí relatos do nascimento e infância do Senhor Jesus.

“Tendo, pois, muitos empreendido pôr em ordem a narração dos fatos que entre nós se cumpriram, segundo nos transmitiram os mesmos que os presenciaram desde o princípio e foram ministros da palavra, pareceu-me também a mim conveniente descrevê-los a ti, ó excelentíssimo Teófilo, por sua ordem, havendo-me já informado minuciosamente de tudo desde o princípio“, Lucas 1:1-3.

É o mesmo princípio citado em João 1:1.

O escritor de 1 João:1:1 usa “o principo” de forma semelhante: “O que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que contemplamos e as nossas mãos apalparam, a respeito do Verbo da vida“.

Mas, se o verbo citado em João 1:1 era Jesus, então, indiscutivelmente, você poderia argumentar que ele seria mesmo Deus, pois a parte final do versículo 1 de João 1, diz que “o verbo era Deus”. As coisas não são tão simples assim. Observe a sequência e perceba como e fácil interpretar o texto sem necessidade de colocar Jesus na eternidade passada.

No princípio era a palavra (a palavra sobre a chegada do Messias sendo anunciada por todas as partes), e a Palavra estava com Deus (Jesus como Mediador – O termo grego permite essa interpretação), e a Palavra era Deus“. De fato, a Palavra era Deus, pois quem vê o filho, vê o Pai, ou como disse Jesus: “Eu e Pai somos um”. Nada mais justo do que dizer aqui – ainda mais nessa tonalidade incrivelmente poética – que o “verbo era Deus”.

Se conectamos o sentido na confissão de Tomé, “meu Senhor e meu Deus”, e em outras passagens que confessam que “quem vê o filho, vê o Pai” e “Eu e o Pai somos um”podemos achar o significado pretendido pelo autor do Quarto Evangelho. Estes são sentidos similares de “o verbo era Deus”.

Vamos fazer uma pequena análise no episódio de Tomé. Ao dizer “meu Senhor e meu Deus” (João 20:28) , o INCRÉDULO Tomé passou a crer que Deus estava em Jesus. Ou seja, que ele era realmente o Messias enviado; que Jesus era o Filho de Deus; que ver Jesus era o mesmo que ver o Pai e não que Jesus era (um) Deus.

Veja o que Jesus respondeu ao próprio Tomé alguns capítulos antes: “Disse-lhe Tomé: Senhor, nós não sabemos para onde vais e como podemos saber o caminho? Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim.

Se vós me conhecêsseis a mim, também conheceríeis a meu Pai; e já desde agora o conheceis e o tendes visto.

Disse-lhe Filipe: Senhor, mostra-nos o Pai, o que nos basta. Disse-lhe Jesus: Estou há tanto tempo convosco, e não me tendes conhecido, Filipe? Quem me vê a mim vê o Pai; e como dizes tu: Mostra-nos o Pai?” João 14:5-9.

A confissão de Tomé reforça a última parte do verso 1 em João 1 esclarecendo porque o “verbo era Deus”. Jesus respondeu de forma perfeita: “Quem me vê a mim vê o Pai“.

Jesus nãoestava com Deus

É necessário esclarecer que Jesus não estava presente no ato da criação. Fosse assim, Deus não teria dito que criou tudo SOZINHO: “Assim diz o SENHOR, que te redime, o mesmo que te formou desde o ventre materno: Eu sou o SENHOR, que faço todas as coisas, que sozinho estendi os céus e sozinho espraiei a terra”, Isaias 44:24.

A tradução da Almeida Corrigida e Fiel enfatiza mais ainda: “Assim diz o SENHOR, teu redentor, e que te formou desde o ventre: Eu sou o SENHOR que faço tudo, que sozinho estendo os céus, e espraio a terra por mim mesmo”.

É importante lembrar aqui que foi o próprio Cristo quem descreveu a criação original como sendo trabalho de Deus, não dele: “Porque naqueles dias haverá uma aflição tal, qual nunca houve desde o princípio da criação, que Deus criou, até agora, nem jamais haverá”, Marcos 13:19. Compare com Hebreus 4:4, onde Deus, não Jesus, descansou da obra da criação, “Porque em certo lugar disse assim do dia sétimo: E repousou Deus de todas as suas obras no sétimo dia”.

Jesus não existia antes de nascer em Belém. Observe que a genealogia dele vista por Mateus parte de Abraão e chega até Maria: “Livro da geração de Jesus Cristo, filho de Davi, filho de Abraão” (Mateus 1:1). Depois de passar por toda a descendência do Senhor o escritor alcança a mãe deste: “E Jacó gerou a José, marido de Maria, da qual nasceu JESUS, que se chama o Cristo” (Mateus 1:16). Aqui Jesus passa a existir.

No Evangelho de Lucas ele traça a genealogia de Jesus de volta a Adão. “E o mesmo Jesus começava a ser de quase trinta anos, sendo (como se cuidava) filho de José, e José de Heli” (Lucas 3:23). Depois de tratar de todos os descendentes deste, alcança o próprio Deus. E note que na ascendência de Adão ele é listado como “filho de Deus”, e entre ele e Deus ninguém é citado. Veja pela tradução da King James Atualizada quando apresenta o relato da genealogia aproximando-se do Criador: “… filho de Enos, filho de Sete, filho de Adão, filho de Deus“, Lucas 3:38.

Jesus está ausente do texto próximo a Deus e depois de Deus porque ele não existia. O único citado como filho direto de Deus – bem próximo da criação – é Adão.

Jesus não viveu antes – ele passou a existir somente depois que nasceu de uma mulher (Gálatas 4:4). Ou seja, quem possui árvore genealógica não pode ter existido antes dos seus ancestrais. E de fato, Jesus foi prometido como a semente da mulher: “E porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua semente e a sua semente; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar”, Gên 3:15. Isso mostrou que o Messias seria um descendente da mulher e, por definição, deve ser aquele que vem a existir após a existência do seu ancestral. Além disso, a inimizade não existia entre o Messias e a semente da serpente, mas era para ser uma hostilidade futura.

Isaías atesta claramente que a origem do Messias teve início no ventre de sua mãe:

“E agora diz o Senhor, que me formou desde o ventre para ser seu servo…”, (Isaías 49:5).

DESDE O VENTRE !!!

Foi uma boa oportunidade para o escritor revelar que Jesus teria sido formado DESDE A ETERNIDADE. Não o fez por que?

Todos tem conhecimento de que o Salmo 22 é uma profecia sobre o Messias como provado por suas citações nos Evangelhos. O versículo dez mostra enfaticamente que o Senhor Jesus tinha Deus como Pai somente após seu nascimento. Sendo assim, ele jamais poderia ter sido Filho Unigênito antes do tempo,

“Sobre ti fui lançado desde a madre; tu és o meu Deus desde o ventre de minha mãe”.

Quando ocorreu o nascimento do Senhor Jesus? Aconteceu em 4 dC sob o governo do Rei Herodes,

Mat 2:1 “E, TENDO nascido Jesus em Belém de Judéia, no tempo do rei Herodes, eis que uns magos vieram do oriente a Jerusalém“.

O Filho de Deus veio à existência quando foi gerado no útero de sua mãe. Observe novamente a ênfase no relato do milagre da concepção em Lucas 1:35 “E, respondendo o anjo, disse-lhe: Descerá sobre ti o Espírito Santo, e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; por isso também o Santo, que de ti há de nascer, será chamado Filho de Deus”.

A filiação divina – ou seja, filiação com o Pai – de Jesus é explicitamente estabelecida por seu nascimento milagroso. Por isso o nascimento virginal de Cristo está em contradição irreconciliável com a cristologia da encarnação do Filho preexistente de Deus.

Na verdade, o anjo anunciou no nascimento que Jesus “é o Filho de Deus”, não por causa de uma preexistência ontológica, mas por causa da sua concepção sobrenatural. Este milagre apenas sinalizou que ele iria ter uma relação especial com Deus. Assim, com efeito, a concepção de Jesus sendo realizado pelo Espírito de Deus é a base para identificá-lo como Filho de Deus, O Filho do Altíssimo, por causa da salvação que ele realizaria na história, não por causa de sua natureza intrínseca.

Logicamente, o nascimento virginal não indica que Jesus é Deus simplesmente por causa de sua natureza milagrosa. O Milagre só aponta para uma origem sobrenatural. Deus fez um milagre causando a concepção virginal, mas isso não indica que o milagre em si é Deus. Fica evidente então, que o momento da concepção de Jesus foi a causa dele tornar-se Filho de Deus. Portanto, Jesus não era o Filho de Deus em qualquer momento antes de seu nascimento simplesmente porque Jesus veio à existência como o Filho somente após ter sido concebido no ventre de Maria. Assim, ele não poderia ter existência como o Filho de Deus antes disso, como Gabriel afirma:

Este será grande e será chamado Filho do Altíssimo” (Lucas 1:32)

Não havia nenhuma pessoa distinta chamada “Filho” – “Filho” só surge no NT. A terminologia “Filho” e “Pai” surgiu apenas depois da manifestação de Jesus para descrever a relação entre a existência de Deus além da humanidade, e como um ser humano foi concebido pelo poder do Espírito Santo – parece que não havia nenhuma pessoa distinta do Pai no Antigo Testamento (Hb 6:3).

Quero lhe dizer que não sou ignorante sobre as tantas passagens que parecem reivindicar uma pré-existência de Jesus no céu antes de sua chegada a terra. Mas te garanto, nenhuma delas dá suporte à teoria se forem devidamente interpretadas. E para aqueles que acreditam que estou sozinho nessa empreitada, sugiro que prestem atenção nas palavras do famoso expositor Metodista Adam Clark:

A doutrina da filiação eterna de Cristo, é em minha opinião, ante-escritural e altamente perigosa. Eu não tenho sido capaz de encontrar qualquer declaração expressa disto nas Escrituras”. (Comentário de Lucas 1: 35).

A cristologia ortodoxa baseia sua visão nas decisões dos concílios do que propriamente na palavra de Deus. A Igreja Evangélica, que se diz “contrária” ao posicionamento da igreja Católica Romana, também tem baseado seus ensinamentos sobre a divindade e humanidade de Jesus segundo o que declara estes concílios.

A velha tradição determinou a qualquer custo a igualdade de Jesus com Deus em essência, isso pelo fato dessa tradição ortodoxa extrema não permitir a Jesus uma personalidade humana PLENA, o que patenteou aquilo que mais ouvimos nos últimos 15 séculos: Jesus foi “homem” sem ser de fato “um homem” – Divino e Humano ao mesmo tempo. Essa doutrina foi desenvolvida justamente para preservar o conceito de que ele tinha preexistido como Segundo Membro da Trindade.

Outro problema enorme, e que muitos não consideram, é que essa conclusão de que Jesus era um ser pré-existente afeta de maneira drástica toda a teologia que gira em torno do sacrifício substitutivo causando também um conflito direto com outras reivindicações bíblicas que Jesus era um HOMEM REAL.

Se iniciarmos uma leitura honesta de todos os textos, vamos descobrir formas bastantes diferentes comparados à interpretação convencional, o que pode causar espanto em muitos daqueles que começam a partir de uma posição de “preconcebida preexistência”. O importante em considerar aqui é que, se Jesus é um homem de verdade, então Ele começou sua vida em Seu nascimento, assim como todo o resto de nós.

Observe a contribuição valiosa de Moisés para nosso contexto em discussão. Moisés, legislador e líder de Israel, que tipificava a vinda de outro Legislador (Jesus Cristo) disse à nação judaica:

O Senhor teu Deus suscitará a ti um profeta do meio de ti, de TEUS IRMÃOS, semelhante a mim, a ele ouvireis” (Deuteronômio 18:5).

No Novo Testamento Pedro citou essas mesmas palavras e aplicou-as a Jesus Cristo (Atos 3:22, 7:37), e Paulo ensinou: “Por isso convinha que ele fosse feito semelhante a seus irmãos…” (Hebreus 2:17).

Podem as palavras de Moisés acima se aplicarem a um anjo ou a um ser preexistente? Poderia tal pessoa ser verdadeiramente descrita como “levantou do meio de ti”, “de teus irmãos, como Moisés?”

Não há nessas referências uma pitada sequer de algo que nos dirija o pensamento para a crença de que Jesus foi formado de um estoque angelical, ou mesmo que era um ser preexistente. Mas, em vez disso aprendemos que ele foi alguém que teve origem entre os humanos. Deus disse a Moisés claramente, “… suscitarei um profeta do meio de seus irmãos!”

O Filho de Deus não existia antes desse tempo. Hebreus 1:1 afirma: “HAVENDO Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, a nós falou-nos nestes últimos dias pelo Filho”.

João declara que Jesus veio em carne (I Jo 4:2; II Jo 7). Ou seja, sua origem é deste mundo. O significado é estarrecedor se optarmos pela tradução da BLH em João 4:2, que diz: “É assim que vocês poderão saber se, de fato, o espírito é de Deus: quem afirma que Jesus Cristo veio como um ser humano tem o Espírito que vem de Deus”. Jesus veio a esse mundo com a natureza dos nascidos em Adão porque ele é nascido de mulher! É o que Atos 17:26 esclarece quando afirma que Deus “… de um só sangue fez toda a geração dos homens, para habitar sobre toda a face da terra…”. Jesus foi um homem e não uma criatura de outro mundo, um ser imortal ou uma divindade cósmica, como atesta Pedro em Atos 2:22, : “Jesus Nazareno, homem aprovado por Deus“.

Jesus era o filho de Davi, e a Davi foi dito: “Quando teus dias forem completos, e vieres a dormir com teus pais, então farei levantar depois de ti um dentre a tua descendência, o qual sairá das tuas entranhas, e estabelecerei o seu reino. Eu lhe serei por pai, e ele me será por filho…”. (2 Sam. 7:12-14).

Observe que o texto afirma categoricamente que Jesus veio da descendência de Davi, negando enfaticamente ter sido ele um ser preexistente. Veja na expressão “o qual sairá das tuas entranhas” que a real origem do Messias é deste mundo.

A profecia relaciona-se com Cristo, como o comentário do Novo Testamento sobre ele deixa claro (ver Lucas 1:32-33, Hebreus 1:5), e com isso claramente estabelecido, observe bem o tempo futuro usado em relação a ele. Deus diz: “Eu serei seu pai,” ele “SERÁ meu filho”. Se Jesus já existia, não deveria Deus ter dito: “Eu sou seu pai”, “ele é meu filho?”

Lembre-se que o Anjo disse a Maria: “Ele deve ser (não é!) Grande, e será chamado Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi, e reinará eternamente sobre a casa de Jacó para sempre, e seu reino não terá fim” (Lucas 1:32-33).

Estas palavras do anjo Gabriel afirmam que Jesus “será chamado Filho do Altíssimo”, e ele reinará no trono de “Davi, seu pai.” Podem estas expressões se aplicar a alguém preexistente?

Considere também a pregação dos Apóstolos. Será que eles proclamaram a crença em um ser preexistente que havia assumido a forma humana? Eles não fizeram. Ouça a pregação de Pedro:

Davi… sendo um profeta, e sabendo que Deus lhe havia prometido com juramento a ele, que do fruto de seus lombos, segundo a carne, levantaria o Cristo, para se sentar no seu trono” (Atos 2:30).

A quem Davi acredita que sentaria no seu trono, um anjo ou um ser que já existia? Não, ele acreditava que aquele que reinaria seria “fruto de seus lombos”, isto é, um descendente. O menino que nasceu de Maria era descendente de Davi, não um ser preexistente assumindo a forma humana.

Como visto, a alegação trinitariana de João 1:1-3 não se sustenta se a interpretarmos lançando mão de todo o contexto das Sagradas Escrituras.

Deus seja louvado

(1) FILHO, Valdomiro – Comentário sobre João 8:58

(2) Mentes Bereanas – Resposta ao Leitor – Eu Sou

(3) Autor anônimo – A EXPRESSÃO “EU SOU” PROVA A DIVINDADE DE JESUS?

ELE é desde os tempos eternos

E tu, Belém Efrata, posto que pequena entre os milhares de Judá, de ti me sairá o que governará em Israel, e cujas saídas são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade”. Miquéias 5:2

De acordo com o Anchor Bible Commentary, Miquéias “… descreve o lugar a partir do qual algo sai, o lugar do nascer do sol, sair em uma viagem, uma campanha militar, o que tem aqui neste contexto relacionado ao Messias a conotação de” (saídas) ou (gerações), e referem-se a antiga linhagem de Davi, preservada nas velhas genealogias (Rute 4)”.

Este significado sugere que Miquéias está se referindo às garantias do pacto através da linhagem de Davi, que duraria para sempre, interpretado agora como antigas previsões de um Messias davídico para o tempo do fim  – Lucas 1:32; 2 Sm 7 onde diz, “Serei seu pai, e ele será meu filho“.

Miquéias pode estar fazendo alusão ao Messias passando pelas raízes de Davi, lembrando assim da pequena cidade de Belém-Efrata, de onde vem o clã da antiga dinastia davídica, enfatizando a expressão que aponta para o Senhor Jesus, (cuja origem é de tempos antigos, desde os tempos antigos). Assim, segundo a NTLH, a palavra “origens” em Miquéias 5:2 refere-se a sua (do Messias) descida da antiga família de Davi e não que ele era preexistente desde os tempos eternos,

O SENHOR Deus diz: – Belém-Efrata, você é uma das menores cidades de Judá, mas do seu meio farei sair aquele que será o rei de Israel. Ele será descendente de uma família que começou em tempos antigos, num passado muito distante”.

A NVI reforça ainda mais quando atesta,

 “Mas tu, Belém-Efrata, embora pequena entre os clãs de Judá, de ti virá para mim aquele que será o governante sobre Israel. Suas origens estão no passado distante, em tempos antigos”.

Na sequência apresentada pelas duas versões podemos captar  o verdadeiro sentido aqui em “cuja origem é de longo tempo”. Assim, Miquéias 5:2 refere-se a linha de descendência de Jesus, que, para os leitores judeus de Mateus, capítulo um, remonta a Abraão – O Messias é descrito como o filho de Davi, a descendência de Abraão, mas também como a semente da mulher (Gn 3:15). Portanto, as “saídas antigas” ou” origem num passado distante” do Messias como “a semente da mulher” se refere à sua descendência linear através de Abraão e Davi. Além disso, deve-se aqui incluir as profecias sobre o Messias como vindo através da tribo de Judá (Gênesis 49:10), e ele ser um israelita (Números 24:17-19).

É evidente que quando Miquéias 5: 2 diz do Messias: “Ó Belém …, de ti sairá [o Messias]”, isso só pode significar que, na sua existência única e terrena, ele se originou em Belém !

Nada aqui indica uma pessoa pré-existente.

Deus manifestado na carne

I Timóteo 3: 16

E sem controvérsia grande é o mistério da piedade: Deus foi manifestado na carne, justificado no Espírito, visto dos anjos, pregado aos gentios, crido no mundo, recebido na glória”. I Timóteo 3: 16

Outra tradução  apresenta  o versículo  da seguinte forma,

Evidentemente, grande é o mistério da piedade: Aquele que foi manifestado na carne foi justificado em espírito, contemplado por anjos, pregado entre os gentios, crido no mundo, recebido na glória

Um teólogo cristão, trinitariano confesso, declara que “1 Timóteo 3:16 fala de uma manifestação pessoal de Deus – Deus na segunda pessoa foi manifestado” (O  Impecável Cristo) [1]

Quando as controvérsias cristológicas estavam ocorrendo no século IV, não encontramos a maioria fazendo  referência ao “Deus  manifestado na carne” usando este tipo de versão identificando Jesus como Deus.  A palavra “Deus” começou a aparecer em muitas traduções anos mais tarde. A palavra aparece  pela primeira vez em manuscritos após o dogma trinitário ter sido  desenvolvido e canonizado, o que nos revela que foi  uma alteração óbvia feita depois. Os manuscritos mais antigos e melhores não tem a palavra “Deus” ( theos ) em 1 Timóteo 3:16.

Por outro lado,  se a palavra Deus estava mesmo no original, por que a maioria dos sábios  gregos, que tiveram acesso a numerosos manuscritos, não foram capazes de manter a versão que incluiu o nome de Deus [Theos],  apesar de alguns desejarem que  a palavra  permanecesse no texto? Obviamente eles não aceitaram como autênticos os manuscritos que fazem esta distinção.

Vejamos algumas das traduções mais importantes dessa passagem e observe como ficou a parte principal do texto:

” Ele que foi manifestado na carne “(ASV)

” Ele foi manifestado na carne “(RSV)

” O que foi manifestado na carne “(Douey-Rheims)

” Quem foi manifestado na carne “(NAB)”

As versões em português diferem entre si. A  Revista e atualizada da Imprensa Bíblica diz,

E, sem dúvida alguma, grande é o mistério da piedade: Aquele que se manifestou em carne, foi justificado em espírito, visto dos anjos, pregado entre os gentios, crido no mundo, e recebido acima na glória”.

A Tradução na Linguagem de hoje atesta,

“Sem nenhuma dúvida, é grandiosa a verdade revelada da nossa religião. Essa verdade é a seguinte: Ele se tornou um ser humano, foi aprovado pelo Espírito de Deus, foi visto pelos anjos, foi anunciado entre as nações, foi aceito com fé por muitos no mundo inteiro e foi levado para a glória“.

A João Ferreira de Almeida Atualizada diz,

E, sem dúvida alguma, grande é o mistério da piedade: Aquele que se manifestou em carne, foi justificado em espírito, visto dos anjos, pregado entre os gentios, crido no mundo, e recebido acima na glória!”

Entre estas encontramos também algumas versões católicas que omitem o nome de Deus no texto

A Ave Maria

Sim, é tão sublime – unanimemente o proclamamos – o mistério da bondade divina: manifestado na carne, justificado no Espírito, visto pelos anjos, anunciado aos povos, acreditado no mundo, exaltado na glória!”

CNBB

De fato, como é grande o mistério da piedade: ele se manifestou na carne, foi justificado no espírito, apareceu aos anjos, foi anunciado aos pagãos, foi acreditado no mundo e exaltado na glória”.

Há uma versão católica chamada a Bíblia Sagrada, versão está mais próxima da  Bíblia de Jerusalém, tão apreciada pelos católicos romanos, que  também apresenta o texto sem a palavra Deus,

De facto, como é grande o mistério da piedade: ele manifestou-se na carne, foi justificado no Espírito, apareceu aos anjos, foi anunciado aos pagãos, foi acreditado no mundo e exaltado na glória!”

A Standard Version, tradução inglesa, também omite o nome de Deus:

Great indeed, we confess, is the mystery of godliness: He was manifested in the flesh, vindicated by the Spirit, seen by angels, proclaimed among the nations, believed on in the world, taken up in glory

Algumas traduções insistem com a frase “Deus foi manifestado na carne“, mas o Códice Alexandrino, um dos primeiros e a maioria dos manuscritos completos da Bíblia,  considerados  por estudiosos como os melhores e mais fiéis aos originais, se lê:  “que foi manifestado na carne“.

Aqui é 1 Timóteo 3:16, no grego:

καὶ ὁμολογουμένως μέγα ἐστὶν τὸ τῆς εὐσεβείας μυστήριον• ὃς ἐφανερώθη ἐν σαρκί, ἐδικαιώθη ἐν πνεύματι, ὤφθη ἀγγέλοις, ἐκηρύχθη ἐν ἔθνεσιν, ἐπιστεύθη ἐν κόσμῳ, ἀνελήμφθη ἐν δόξη.

Esta é a tradução direta do grego de 1 Timóteo 3:16: ” E, confessadamente, grande é o mistério da piedade: Quem foi manifestado em carne …. “

A palavra grega Hos  é a palavra “quem”, “que” “ou aquele que”, que é incorretamente traduzida como “Deus”.

Ho, Hos & Theos

Existem três possibilidades neste texto: ho (“que”), hos (“quem”), e  theos . (“Deus / divindade”). Os dois primeiros são atestados em manuscritos antigos. Assim, deve-se procurar outro lugar para descobrir qual deles foi que  Paulo originalmente usou.

A leitura, “Deus manifestado na carne” (theos ephanerothe en sarki) é encontrada na versão do Rei James, que é baseado no Textus Receptus ou Texto Recebido,  trabalho feito por Desiderius Erasmus e publicado em 1516. A posição padrão nos modernos estudos bíblicos é que o Receptus é um texto inferior, uma vez que é baseado em manuscritos mais tardios de tradição bizantina (século 12 e 13), como o Prof Raymond Brown afirma, “… no final do século 19 finalmente foi vencida  a batalha para substituir o Texto Receptus inferior  por novas edições do NT grego com base em grandes  códices e outras evidências disponíveis desde o tempo de Erasmus… “[2]

 O erudito em grego Michael A Barber resume a situação do TR nos  seguintes termos:

Os tradutores da versão do Rei James da 1611 usaram  o Textus Receptus, Texto Recebido, por sua tradução. Naquela época este texto grego foi tão altamente respeitado que muitos consideraram ser inspirado por Deus. Seu texto é lidoDeus foi manifestado na carne.” No entanto, o valor do Receptus já foi desacreditado por estudiosos e substituído pelos três principais manuscritos (entre outros), todos eles bem mais antigos, e, portanto, mais perto dos escritos originais  inspirados: O Vaticano, manuscrito n º 1209 do século 4, o manuscrito do Sinai também do século 4 (descoberto por Tischendorf em um mosteiro ao pé do Monte Sinai, em 1844) e o manuscrito Alexandrino do século 5 “. [3]

O texto em questão foi provado ter sofrido alteração. Em ambos, o Codex Sinaiticus e o Vaticanus a leitura original era “hos ephanerothe en sarki” com o  relativo pronome “hos” em vez de o substantivo “theos”, como encontrado no Textus Receptus. Qualquer criança pode perceber  a diferença entre um pronome e um substantivo, o que nos deixa a suspeita de que o texto sofreu uma alteração. A questão é:  como  a mudança ocorreu?

Na verdade, temos uma ideia muito provável de como esta corrupção aconteceu. Alguns  escribas utilizavam rotineiramente uma forma contraída da palavra grega para “Deus” chamado de “nomina sacra”, que foi usada em uma data muito cedo na história cristã para nomes sagrados. A palavra grega para “Deus” é theos escrito no alfabeto grego como Θεός. As abreviaturas dos copistas correspondentemente tomou a forma  Θς  ou   θΣ. Agora, a palavra grega para “quem”,  é a palavra hos que está escrito em grego como Oς , ou OΣ. Agora, observe a semelhança entre essas duas palavras: θΣ – OΣ – são praticamente idênticas.  Mas também seria muito fácil para um escriba exagerado supor que ele estava fazendo um favor a Deus e executar uma falsificação aqui mudando o manuscrito. Com um golpe de sua pena mudaria completamente o significado do verso fazendo com que o leitor, ou o copista seguinte pudesse ler  θΣ  ao invés   de OΣ.

Fig 1Observe o quadro ao lado para que você tenha uma ideia das abreviaturas; e repetindo: Hos, [quem, ou, que] na aparência do grego, é OΣ (omicron e sigma), enquanto a abreviatura de theos, que é chamado de nomina sacra, ou seja, nome sagrado, aparece como θΣ (teta e sigma) com uma linha horizontal na parte superior do sigma. Em grego para alterar um sigma a uma omicron basta adicionar uma linha horizontal no meio do O que irá produzir um θ, theta. Assim, o escriba, ou o tradutor da Escritura, ao ver a abreviação de Deus, teve como certa a tradução de  θΣ para Θεός.

Outras evidências  nos manuscritos,

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Evidencia Interna

O contexto imediato e o pensamento paulino

Paulo, aqui no contexto em debate, está falando sobre o mistério que se manifestou. Em 2 Timóteo diz ele, “Deus que nos salvou e nos chamou com uma santa vocação, não segundo as nossas obras, mas segundo o seu próprio propósito e  a graça que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos eternos (2 Tm 1: 8-9). Isso é quase idêntico ao que ele diz em Romanos: “Ora, àquele que é poderoso para vos confirmar segundo o meu evangelho e a pregação de Jesus Cristo, conforme a revelação do mistério que desde tempos eternos esteve oculto“(Rm 16:25). E em Efésios, ele diz, “Descobrindo-nos o mistério da sua vontade, segundo o seu beneplácito, que propusera em si mesmo, de tornar a congregar em Cristo todas as coisas, na dispensação da plenitude dos tempos, tanto as que estão nos céus como as que estão na terra“(Ef 1:9-10), e “… demonstrar a todos qual seja a dispensação do mistério, que desde os séculos esteve oculto em Deus, que tudo criou por meio de Jesus Cristo“(3:9) e “Grande é este mistério; digo-o, porém, a respeito de Cristo e da igreja” (5:32). Ainda Paulo: “E por mim; para que me seja dada, no abrir da minha boca, a palavra com confiança, para fazer notório o mistério do evangelho“(6:19), que  ele também chama de “o mistério de Cristo” (Colossenses 4:3). Quanto ao mistério é o próprio Cristo que se revelou a nós por Deus. Ele nos diz em Colossenses,” a glória deste mistério , que é Cristo em vós , a esperança da glória “(Cl 1:27; veja 1 Coríntios 1:30; 2:7). O mistério de Deus é  Cristo Jesus, seu Filho, que  é a manifestação carnal de seu mistério. Portanto, o versículo faz justiça quando é traduzido  que “grande é o mistério da piedade que se manifestou em carne, foi justificado em espírito …”

Além disso, também não houve sentença final  no texto grego. Se a palavra “que” é a junção adequada, a passagem realmente diz em grego, “grande é o mistério da piedade que se manifestou em carne, foi justificado em espírito …” No entanto, se a palavra “Deus” é usada temos uma pausa abrupta no fluxo da frase, “grande é o mistério da piedade. Deus se manifestou em carne, foi justificado em espírito …” A tradução que usa a palavra “quem” ou “o que” é muito mais suave e natural. Não só isso, é o estilo típico paulino para compor e executar as sentenças.

Deus foi justificado no Espírito?

Outro problema associado com o “Deus” Criador do mundo, o Espírito Eterno, Santo, Imutável e Glorioso, é que se continuamos insistindo na leitura posicionando este Deus dentro do texto, então devemos acreditar que  Deus foi justificado em Espírito. Não faz sentido dizer que Deus foi justificado em Espírito, Deus foi visto por anjos, Deus foi pregado entre os gentios, Deus foi crido no mundo, e Deus foi recebido na glória, tudo isso  quase três mil anos depois da criação de  Deus. Seria preciso criar uma espetacular manobra teológica para dobrar o bom senso de qualquer pessoa neste mundo se tentamos explicar que Deus foi recebido na glória se ele mesmo viveu/vive em glória todo o tempo, ou que foi justificado em Espírito e foi finalmente crido no mundo se centenas de anos antes do advento de Cristo um incontável números de pessoas já haviam acreditado em Deus.

Em Colossenses 1:27, lemos: “a glória deste mistério entre os gentios, que é Cristo em vós, esperança da glória“. O pronome relativo usado aqui é o pronome relativo masculino hos que remete para o substantivo neutro “mistério”. Isto é quase idêntico ao que encontramos em 1 Timóteo 3:16 que termina com a frase “recebido na glória.” Daí podemos ver que hos é o pronome relativo provável para ser usado em 1 Timóteo 3:16.

Então, quando nós revisamos toda a evidência, a solução é fácil de ver. A evidência histórica e textual indica que a palavra “Deus”  não estava no texto original. Todas as objeções com base em razões  gramáticas e teológicas são nada mais que falatórios vãos. Cristo é o mistério em questão, e por esse motivo a passagem deve ser lida da seguinte forma: “grande é o mistério da piedade [quem/o que/aquele que] foi manifestado na carne, justificado no espírito … “. Obviamente depois da leitura profunda e meditativa do texto percebemos o total sentido com o resto das Escrituras, usando uma ou outra palavra, seja “quem” ou “qual” ou “que” ou “aquele que” em vez da palavra “Deus”, que é um erro óbvio ou falsificação. Não importa o tamanho dos protestos ao contrário destes novos apologistas que querem a todo custo que a palavra Deus esteja no texto.

Portanto, obviamente escribas  do século quarto e quinto, os quais estavam tendo uma crise na Igreja a respeito da natureza de Cristo e sua relação com Deus,  negligenciaram a parte principal do texto. Quem os  induziu? Só  uma religião no mundo estaria interessada nestas mudanças extraordinárias.

O que dizem os eruditos do Grego?

Há duas maneiras de abordar esta anomalia na Crítica Textual. Alguns estudiosos afirmam que a mudança foi acidental sem quaisquer motivos teológicos por trás dela, enquanto outro grupo de estudiosos argumentam que ela foi feita intencionalmente com  implicações  óbvias teológicas. James White em seu livro The King James Controvérsia favorece a posição anterior. O principal crítico textual Bruce Metzger em seu texto do Novo Testamento menciona brevemente o erro em 1 Timóteo 3:16 como um item no âmbito da discussão de “alterações não intencionais”, sob a rubrica de “erros decorrentes da VISÃO defeituosa”. Em seu trabalho de 1968 ele favorece a posição de mudança acidental. [4] Em um trabalho posterior (1975), no entanto, ele admite mudança intencional como uma possibilidade  do que aconteceu com o texto. Ele explica isso da seguinte forma:

“… todas as versões antigas pressupõem ὅς, e nenhum escritor patrístico antes do  século quarto testemunha  θεός como  leitura. A leitura θεός surgiu  acidentalmente  através da leitura errada da ος como ΘΣ, ou deliberadamente…  ou  para proporcionar uma maior precisão dogmática. “[5 ]

O  professor Bart Ehrman favorece uma outra opção:

A mudança deve ter sido feita muito cedo, pelo menos durante o terceiro século dado o seu atestado difundido a partir do século IV. Ela pode, portanto, ser melhor explicada como uma anti-corrupção adocionista que enfatiza a divindade de Cristo “. [6]

Outro erudito, Misquoting,  afirma: “Este seria um exemplo de uma…  alteração textual feita para contrariar a alegação de que Jesus era plenamente humano…”. [7]

Andreas Kostenberger e Michael Kruger  concordam que houve uma interrupção do  escriba em 1 Timóteo 3:16 e que a leitura original não é “Deus manifestado na carne”. [8]

A posição de outros doutores do grego,  Keith Elliot e Ian Moire,  dá suporte  a uma tese defendida por muitos,  embora pouco difundida,

Outra razão para a mudança deliberada de ‘quem’ para ‘Deus’ é que a igreja pode ter desejado aqui  enfatizar sua crença na divindade de Jesus …” Deus “foi a leitura preferida de uma geração posterior e a mudança nos manuscritos não era mera leitura errada acidental”. [9]

Depois de elaborar os  relatórios sobre os resultados da crítica textual  sobre o texto, os  estudiosos da Bíblia, e teólogos,  Sir Anthony Buzzard e Charles F. Caça escrevem:

Alguns manuscritos inseriram  a palavra” Deus “para as palavras” quem. “A alteração é admitida por tradutores modernos como sendo  injustificada. “Deus” é o mais improvável de ter feito parte dos manuscritos mais antigos. Tais interpolações, como a adição espúria trinitária famosa  em 1 João 5:7, que é omitida pelas traduções modernas, sugere que alguém estava tentando forçar uma nova idéia sobre o texto original“. [10]

Repetindo o mesmo ponto  no seu mais recente trabalho, ele escreve:

“… Versões  modernas tem corrigido a palavra” Deus “para” Quem “. A alteração do  original “Quem “(em grego ὅς) foi muito furtivamente realizado quando alguns escribas mudaram o (omicron) O em um θ (teta), dando a luz θς (teta sigma). A leitura THS foi uma forma abreviada  da palavra grega theos, Deus. Tudo o que tinha que ser feito era desenhar uma linha  por todo o meio do “O” para produzir a letra grega teta (θ). Em seguida, o texto foi feito ao som trinitáriano para apoiar a Encarnação: “… Deus foi manifestado na carne”. “Quem” (Oς) foi mudado para “Deus “(θς)” [11]

Outro erudito,  Michael Barber,  escreve:

Os manuscritos muito antigos tinham abreviações de palavras comumente utilizadas, tais como THE.OS “,” Deus “, e KU’RI. OS,” Senhor “.  A abreviatura de THE.OS foi ΘΣ (com uma linha horizontal no topo ). No entanto, se não fosse por essa linha horizontal seria  idêntico ao OC, palavra que significa “quem”.  No manuscrito Alexandrino  se lê originalmente OC, que mais tarde  acrescentou essa pequena linha  mudando a leitura para ΘΣ, THE.OS, Deus. Foi só um  exame ao microscópio que revelou isso!”

A leitura de “Deus” é tão irrelevante em termos de fornecer qualquer significado material para a cristologia do Novo Testamento que Raymond Brown ao discutir as duvidosas referências bíblicas que usam o título de “Deus” como uma referência a Jesus, relega a Timóteo 1 3:16  apenas uma nota de rodapé e observações:

Vou discutir apenas aqueles que eu acho que tem algum mérito, ignorando, por exemplo, 1 Timóteo 3:16, onde algumas testemunhas têm uma referência a Deus sendo manifestado na carne, em vez de uma referência pronominal a Jesus. O certificado para tal leitura não é forte o suficiente para justificar uma consideração séria“. [13]

Essa   adulteração  no texto de Timóteo 3:16 pode ser explicada  por causa da  tendência de alguns tradutores  a favor  da divindade do Senhor Jesus numa época em que a doutrina corria a todo vapor depois do anuncio de que Ele e o Pai sempre foram um em essência. Na verdade, muitos desses tradutores trabalhavam  cercados pelo ambiente austero da Igreja mãe.

Infelizmente, não só aqui em 1 Timóteo 3:16, como também em inúmeros outros textos, algumas  Bíblias modernas perpetuaram o erro, tao somente acreditando que oferecem vantagens para ajudar os leitores com passagens obscurecidas pela linguagem mais antiga. No entanto,  o que acabaram fazendo  foi  que destruíram  todo o contexto relacionado.

Devemos estar vigilantes para que as verdades importantes não sejam perdidas na pressa de fazer a Bíblia “legível” para os ouvidos modernos.

Em conclusão, se 1 Timóteo 3:16 mudou deliberadamente ou acidentalmente, não importa. O que todos os especialistas da Bíblia KJV ,excluindo  os grupos  fundamentalistas,  concordam,  é que a leitura original de 1 Timóteo 3:16 não tem “Deus” no mesmo. A palavra theos foi  uma inserção posterior, isto é, uma corrupção do texto.

References:

[1] Best, W. E. (1971). The Impeccable Christ. U.S. : Lightning Source Inc. p. 23

[2] Brown, R. E. (1997). An Introduction to the New Testament. U.S. : Yale University Press. p. 52

[3] Barber, M. A. (2006). Should Christians Abandon the Doctrine of the Trinity?. Boca Raton, Florida: Universal Publishers. p. 47

[4] Metzger, B. M. (1968). The Text of the New Testament : Its Transmission, Corruption, and Restoration, 2nd ed. Oxford: The Clarendon Press. p. 187

[5] Metzger, B. M. (2002). A Textual Commentary on the Greek New Testament, 4th ed. London: United Bible Societies. pp. 573-574

[6] Ehrman, B. D. (1993). The Orthodox Corruption of Scripture: The Effect of Early Christological Controversies on the Text of the New Testament. Madison Avenue, New York: Oxford University Press.

[7] Ehrman, B. D. (2005). Misquoting Jesus: The Story Behind Who Changed the Bible and Why. New York: HarperSanFrancisco. pp. 157-158

[8] Kostenberger, A. J., & Kruger M. J.(2010). The Heresy of Orthodoxy: How Contemporary Culture’s Fascination with Diversity Has Reshaped Our Understanding of Early Christianity. Wheaton, Illinois: Crossway. p. 222

[9] Elliot, K., & Moir, I. (1995). Manuscripts and the Text of the New Testament: An Introduction for English Readers. London: T&T Clark Ltd. p. 73

[10] Buzzard, A., & Hunting, C. F. (1998). The Doctrine of the Trinity: Christianity’s Self-Inflicted Wound. Lanham, Maryland: International Scholars Publications. p. 303

[11] Buzzard, A. (2007). Jesus Was Not a Trinitarian: A Call to Return to the Creed of Jesus. Morrow, Georgia: Restoration Fellowship. pp. 257-258

[12] Barber, M. A. Op. Cit. p. 48

[13] Brown, R. E. (1994). An Introduction to New Testament Christology. Mahwah, New Jersey: Paulist Press. p. 177

A Divindade do Messias

É claro que sempre que o Messias aparece ele acaba por ser o agente do Deus de Israel. Isso deve ser claramente distinguido de qualquer sugestão de que ele foi em si mesmo uma figura transcendente, existindo de modo sobrenatural dominador do espaço e do tempo. Este Messias era esperado para vir da tribo de Judá e da linhagem real do rei Davi. As genealogias de Mateus e Lucas, de fato, inclui Jesus entre os descendentes de Davi (Mt 1.1, 6; Lc 3,31).

Jesus foi um homem como nós, sujeito ao ambiente humano tanto quanto qualquer um de nós. Certamente por não entenderem o que seja uma pré-existência no céu com o Pai ajude aos apologistas da cristologia tradicional desaparecer com sua experiência humana a um ponto de colocá-lo muito além da capacidade de se relacionar com qualquer um de nós. Como poderia então ser ele o descendente de Abraão em Hebreus 2:16-18 ou o “homem nascido de mulher” de Gálatas 4:4?

Se Jesus foi humano de uma maneira diferente de nós, onde estaria a validade das comparações entre ele e Adão? De acordo com  Romanos 5:12-21, por um homem entrou o pecado no mundo, e, portanto, para que houvesse justificação, a redenção teria que vir por outro homem, outro Adão.  O que é enfatizado repetidas vezes é que o Messias foi como um de nós, intimamente relacionado com aqueles a quem ele deve resgatar. Em parte alguma neste contexto deve ser exigida qualquer nuança de divindade.

Da mesma forma é 1 Coríntios 15:21 “Porque, assim como por um homem veio a morte, por um homem veio também a ressurreição dentre os mortos“. O que se segue é outra comparação entre Jesus e Adão. Não seria realmente justo sendo Adão um homem simples e Jesus a encarnação da divindade.

A propósito, como esse tipo de refutação e argumentos inevitavelmente geram perguntas, e perguntas extremamente complicadas, tenho aqui algumas. Por exemplo: Quando Deus aparentemente abandonou seu Filho na cruz, quem ele abandonou, um homem completo ou um corpo humano com o centro pessoal abarrotado de divindade? Será que foi apenas uma questão do “Deus Filho” entregando o corpo humano e retornando para a existência que gozava antes de ser ‘encarnado’ nele mesmo?

Vamos examinar um problema. Quem morreu na cruz? Se foi uma divindade, então não é o sacrifício perfeito. Ninguém em total divindade, sendo 100% Deus, poderia expiar os pecados de toda a humanidade ou atender às exigências do sacrifício. E se aquele que morreu na cruz era Deus, então Deus ficou morto por “três dias”? É consistente com o Antigo Testamento expressar algo desse tipo? E se o Doador da Vida foi mesmo morto, quem mais poderia trazer de volta à vida? Quem cuidou do universo antes da ressurreição de Jesus – Deus?

Infelizmente são perguntas geradas por causa do ensino herético que a cristologia tradicional desenvolveu.

A maioria dos estudantes da Bíblia diz que Jesus era divino quando aqui andou, mesmo considerando que ele era um mortal. Outros, geralmente limitam o termo “divino” como aplicado a Jesus só depois de sua ressurreição, pois eles misturam o significado de “divino” com a “imortalidade” no reino do espírito. Porém, eu acredito que as Escrituras indicam que um maior uso dos termos “divindade” e “divino” podem ser aplicados. Há um sentido bíblico em que Jesus como um ser humano poderia ser visto como divino por causa do domínio, de levar o nome de Deus e agir na autoridade de Deus.

Em alguns casos as palavras hebraicas EL e ELOHIM são usadas no sentido de ser divino exclusivamente para seres espirituais, como no Salmo 8:5. No entanto, os hebreus também usaram as palavras que designam divindade em um sentido de potência especial, mesmo dos seres humanos.  Moisés foi feito, não um ser divino, mas divino, poderoso para o Faraó do Egito, e também para Arão, quando o Senhor falou que Moisés lhe seria por Deus, ou porta-voz de Deus (Êxodo 4:16; 7:1). Assim Moisés pode ser referido como um ser humano divino.

O termo Ha Elohim é aplicado aos juízes de Israel como um corpo de homens, não como seres espirituais (Êxodo 21:6; 22:8, 9, 28 [Ver Atos 23:5], de modo que estes homens poderiam ser referidos como “divinos”, embora humanos. Além disso, no Salmo 82, os termos EL e ELOHIM estão sendo aplicadas para os filhos humanos de Deus. Assim eles poderiam ser referidos como divinos, mesmo sendo humanos. Em cada um desses casos, os seres humanos poderiam ser “divinos” por causa de poderes especiais, como também por causa da própria missão dadas a eles por Deus.

Da mesma forma, a Jesus, como ser humano, foi dado poderes especiais para realizar várias obras e milagres, e para falar no lugar do único Deus verdadeiro. Portanto, neste sentido, Jesus também pode ser referido como divino, poderoso, até mesmo como um ser humano.

É claro que, depois de sua exaltação (Atos 2:33; 5:31; Filipenses 2:9), ele agora é literalmente divino, (1 Coríntios 15:45) sendo maior do que os anjos (Hebreus 1:3, 4), que também são chamados elohim – seres divinos, Salmo 8:5; Hebreus 2:7.

Uma observação digna de nota é Hebreus afirmando categoricamente que o Senhor Jesus após sua ressurreição foi feito maior que os anjos,

O qual, sendo o resplendor da sua glória, e a expressa imagem da sua pessoa, e sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, havendo feito por si mesmo a purificação dos nossos pecados, assentou-se à destra da majestade nas alturas; feito tanto mais excelente do que os anjos, quanto herdou mais excelente nome do que eles”.  Hebreus 1:3, 4

Jesus tinha a natureza divina enquanto era um ser humano? Não! Jesus não poderia ter a divindade exigida por muitos, pois o mesmo livro de Hebreus também afirma que nessa condição ele foi feito menor que os anjos.

Vemos, porém, coroado de glória e de honra aquele Jesus que fora feito um pouco menor do que os anjos, por causa da paixão da morte, para que, pela graça de Deus, provasse a morte por todos”. Heb 2:9

O escritor, o apresentando em sua paixão e morte, declara sua condição humana lembrando em suas palavras do homem que aqui andou, quando enfatiza sobre “aquele Jesus”.

Necessário dizer aqui que Jesus não foi feito um pecador, como toda a humanidade tem sido através de Adão (Romanos 5:19), nem mesmo viu a corrupção a qual toda a humanidade participa através de Adão (Eclesiastes 1:15. Jesus nunca se corrompeu, mesmo que tenha sofrido sob o cativeiro da corrupção (Romanos 8:23), à semelhança da carne do pecado (Romanos 8:3). Ele morreu, o justo pelos injustos (1 Pedro 3:18). É digna de observação essa ênfase, o homem justo pelos homens injustos, o que não haveria necessidade de citar se ele fosse mesmo Deus. Assim, só Jesus, que permaneceu obediente até a morte, poderia oferecer ao Altíssimo um sacrifício pelo pecado. (Romanos 8:3 ; Efésios 5:2 ; Hebreus 9:14; 0:10 , 12 , 14 , 18). Jesus fez provar por si mesmo a incorruptibilidade pela sua perfeita obediência e, assim, ele trouxe vida e imortalidade através das boas novas. (2 Timóteo 1:10). Esta é a base para a crença em Jesus, e, portanto, a base para o verdadeiro cristianismo.

Se, por outro lado, Jesus foi o Altíssimo e divino na carne, como muitos afirmam, então nenhum resgate foi fornecido, pois ele é julgado por muitos como perfeito porque era Deus. Em outras palavras, isso significa dizer que Jesus venceu como Deus provando que só uma divindade poderia obedecer as leis de Deus para o homem. Isso gera problemas para Deus, pois implica afirmar que Ele  errou em dar ao homem uma lei de comando que não poderia ser obedecida, o que faria dele injusto em condenar toda a humanidade por não obedecer essa lei. Na verdade, essa teoria de que houve obediência porque Jesus era divino perfeito, falha, pois se fosse dessa forma Ele não teria “condenado o pecado na carne” (Romanos 8:3), a carne de Adão, que era a carne dele próprio.

Apesar de tudo, muitos ainda dizem que Jesus tinha uma natureza dual, que era 100% homem e 100% Deus. O problema é que ninguém explica o que aconteceu com a parte humana de Jesus se ele era 100% divino. Onde estava a natureza humana de Jesus se ele e Deus eram um?

Alguns complicam ainda mais quando garantem que Jesus era mesmo o logos eterno habitando seu corpo, o próprio Espírito de Deus, caso em que Jesus não teria sido “totalmente” humano – o que aconteceu ao espírito deste homem? A humanidade de Jesus não é contestada por ninguém.  Alguém pode explicar: Se Jesus é totalmente Deus, então Deus é totalmente homem? A teoria do Deus-homem total é impossível explicar com sinceridade.  Por outro lado, entendemos, literalmente, que divindade alguma pode habitar na carne,

Dan 2:11  “Porque o assunto que o rei requer é difícil; e ninguém há que o possa declarar diante do rei, senão os deuses, cuja morada não é com a carne”.