Cristo estava nos Profetas?

Da qual salvação inquiriram e trataram diligentemente os profetas que profetizaram da graça que vos foi dada, Indagando que tempo ou que ocasião de tempo o Espírito de Cristo, que estava neles, indicava, anteriormente testificando os sofrimentos que a Cristo haviam de vir, e a glória que se lhes havia de seguir”, 1 Pedro 1:10, 11.

No versículo 10, Pedro nos revela que os profetas do Antigo Testamento que escreveram sobre a salvação vindoura pela graça de Deus não a compreenderam completamente. Eles pesquisaram e fizeram perguntas sobre isso.

Ele continua a frase no versículo 11: Os profetas queriam conhecer a “quem” e “quando” o Espírito de Cristo se referia à medida que eles eram direcionados para escrever as palavras de suas profecias. Quem seria a pessoa que traria essa salvação, o Cristo que sofreria e depois seria glorificado? E quando isso aconteceria? Os capítulos 11 e 53 de Isaías são exemplos dessas profecias.

No versículo 12, Pedro nos dá a resposta que receberam, mas o versículo 11 é importante. É uma declaração clara de que os profetas do Antigo Testamento não estavam escrevendo suas próprias ideias – O Espírito Santo os dirigia enquanto escreveram as próprias palavras de Deus. É uma verdade que Pedro indicará ainda mais claramente em 1 Pedro 1: 21: “Porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo”.

Pedro não faz menção à preexistência de Cristo.  Os fatos contextuais nos mostram também que o Espírito de Cristo “neles” se refere ao que esperavam, o Messias prometido e profetizado desde  Gênesis 3:15.   Ou seja, o “Espírito de Cristo que neles estava” não era Cristo neles de forma literal como um ser preexistente.  Não significava o espírito de Cristo como nova criatura ou um Jesus que existia antes de descer a terra.

Necessário aqui lembrar que o Espírito Santo, que foi dado a Jesus pela primeira vez no Jordão, nunca foi dado a ninguém antes da sua glorificação, isto é, não antes do Pentecostes (João 7: 39). Aqui em 1 Pedro 1: 11 a expressão deve significar, evidentemente, outra coisa, ou seja, o poder de revelação profética concedido aos profetas pelo próprio Deus sobre o Messias. Neste caso, Pedro aplicaria o termo “espírito de Cristo” de maneira retrospectiva a esses profetas.

Esses profetas estavam investigando o que, ou o tempo em que o Messias apareceria, e ao mesmo tempo estavam testemunhando de antemão os sofrimentos de Cristo e as glórias a seguir. Parafraseando isso de forma diferente, enquanto esses profetas procuraram conhecer muitas coisas sobre o Messias, o que realmente lhes foi revelado era o sofrimento que o Messias devia suportar e as glórias a seguir.

Também não devemos pensar que Pedro estava dizendo que os profetas entendiam plenamente o que estava sendo falado através deles. Todos profetizaram sobre o Messias vindouro, mas a manifestação não era para eles, mas para os apóstolos a quem o espírito da verdade havia sido dado, pelo qual foram conduzidos a toda verdade. Veja o verso 12: “Aos quais (aos profetas) foi revelado que, não para si mesmos, mas para nós, eles ministravam estas coisas que agora vos foram anunciadas por aqueles que, pelo Espírito Santo enviado do céu, vos pregaram o evangelho; para as quais coisas os anjos desejam bem atentar”.

Uma leitura mais atenta do versículo 11, e uma breve revisão do contexto imediato revela a verdade do assunto: “Indagando que tempo ou que ocasião de tempo o Espírito de Cristo, que estava neles, indicava, anteriormente testificando os sofrimentos que a Cristo haviam de vir, e a glória que se lhes havia de seguir”. Pedro descreve como os profetas profetizaram o futuro Cristo. Basta observar como ele se refere aos sofrimentos de Cristo e as glórias que se seguiram, uma referência a um futuro ser humano (Isaías 53). E neste contexto, o termo “Espírito de Cristo” refere-se a como o Espírito Santo revelou Cristo a eles, isto é, o que aconteceria no futuro em relação a Cristo. Na verdade, nas antigas profecias, Deus prometeu um Salvador que sofreria e depois seria glorificado. A vida, a morte e a ressurreição de Jesus realizaram as profecias.

Por outro lado, a expressão “espírito de Cristo” nunca aparece no Antigo Testamento. O “espírito do Senhor” ou “o espírito de Deus” aparece uma multidão de vezes, mas nunca o “espírito de Cristo”.

O espírito que Deus coloca sobre as pessoas assume nomes diferentes, pois se refere a diferentes funções. Isso pode ser comprovado. No entanto, o espírito é o mesmo. Deus sempre dá o Seu espírito, e então ele é nomeado como funciona. Quando está associada à sabedoria, é chamado de “espírito de sabedoria” (Ex 28: 3; Deut 34: 9; Efésios 1:17). Quando é associada à graça, é chamado de “espírito de graça” (Zac 12: 10; Heb 10:29). Quando está relacionado à glória, é chamado de “espírito de glória” (1 Pedro 4:14).

É chamado de “espírito de adoção” quando está associado à nossa vida eterna (Romanos 8:15, que é traduzido como “espírito de filiação” em algumas versões). É chamado “o espírito da verdade” quando está associado com a verdade que aprendemos pela revelação (João 14:17; 16:13). Estes não são espíritos diferentes. Efésios 4: 4 afirma claramente que há “um espírito” e esse espírito vinha com poder sobre alguns profetas no VT, revelando através de profecias que tomavam a forma escrita ou vinha através de poder dando autoridade para eles em ocasiões oportunas, e em nós hoje é concedido como dom permanente segundo a necessidade de cada um.

É errado ver 1 Pedro 1:11 como prova de que Jesus era aquele a quem Deus usava no Antigo Testamento para falar com os profetas; a Escritura não diz isso. Quem assim ensina deve antes considerar Hebreus 1: 1,2.

Quando Pedro menciona que “o espírito de Cristo” era sobre os profetas, porque “previam os sofrimentos de Cristo e a glória que seguiria”, não devemos entender que Cristo realmente existia como um ser divino durante o Antigo Testamento.

 

 

 

“Desci do Céu”

Deus é Onipresente – os teólogos trinitários celebram com júbilo quando falam em onipresença. Evidente que eu concordo que Deus é Onipresente. Uma maneira precisa de falar em onipresença é: “Deus não está limitado no que diz respeito à localização“. Localização, em relação ao que é infinito, apresenta problemas reais para o trinitário quando se fala de encarnação. A maioria dos trinitários acredita que o Deus Filho (Jesus) pode ser originalmente localizado no Céu, mas mudou-se para a terra por um tempo, e depois se mudou novamente para o céu. Como, então, é Deus, o Filho, infinito? Além disso, alguns notáveis trinitários têm promovido a ideia de que Deus, o Filho, permaneceu no céu mesmo enquanto ele “descia do céu” mudando-se para a terra. Problema resolvido? Dificilmente.

Em que sentido Cristo “esvaziou-se” se Ele permaneceu completamente Deus no céu? Em que sentido Cristo “se fez carne” se Ele permaneceu completamente Deus no céu? Como Cristo poderia ser tentado pelas glórias patéticas da terra se Ele permaneceu plenamente Deus no céu? Como poderia Cristo ter medo de ter sua alma deixada no inferno, se Ele permaneceu completamente Deus no céu? Como poderia Cristo, na cruz, se sentir separado do seu Pai, se Ele permaneceu totalmente Deus no céu, indivisível e inseparavelmente ligado a Tríade Divina? Como poderia Cristo verdadeiramente morrer se permanecesse completamente Deus no Céu, incapaz de morrer? Será que o Deus Filho observava do céu seu corpo morrendo na cruz?

Os que defendem a preexistência de Jesus usando João 6:31-56 parecem desatentos com um detalhe extremamente curioso. Vou apresentar aqui  dois versículos dessa  passagem citando-os  separadamente: “Porque o pão de Deus é aquele que desce do céu e dá vida ao mundo… Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém comer deste pão, viverá para sempre; e o pão que eu der é a minha carne [meu corpo], que eu darei pela vida do mundo” (João 6:51,63).

O corpo de Jesus não foi gerado nas dependências celestiais. Se o pão que desceu do céu é a carne/corpo de Jesus, então ele não veio do céu. Seu corpo é terreno; não pode ter vindo do céu. Porém, a interpretação convencional insiste: “mas a Bíblia diz, Porque eu desci do céu“. Eles não procuram dar uma olhadela no contexto que, como sempre digo, é o inimigo número um dos trinitarianos.

Cristo está falando metaforicamente quando declara: “Porque eu desci do céu”. Entendemos isto simplesmente observando o contexto, que fala do maná que descia do céu. Só a alma mais ingênua poderia acreditar que Deus tinha armazéns literais de maná no céu, e que esta substância viajou através das dimensões em rota para a terra; “desceu do céu”, é entendido no sentido de que a fonte do maná é Deus – que Deus forneceu. Da mesma forma Cristo. Ele foi “enviado do céu”. Ele desceu do céu, mas não como um ser preexistente.

Vamos aos textos

João 6:33, nas palavras de Jesus, registra: “Porque o pão de Deus é aquele que desce do céu.” João 6:38 acrescenta: “Eu desci do céu“.

Em João 6:51 o Senhor repete: “Eu sou o pão vivo que desceu do céu“. E finalmente em João 6:58; “Este é o pão que desceu do céu“.

Os trinitarianos e os defensores da preexistência de Jesus acreditam que aqui nos versículos expostos estão as provas de que Jesus existia no céu antes de vir a este mundo.

Desceu Jesus literalmente do céu? O capítulo 6, v. 38 do evangelho de João aparentemente responde a esta pergunta. Jesus disse: “Porque eu desci do céu, não para fazer a minha própria vontade, e sim a vontade daquele que me enviou”. Não devemos apressadamente chegar à conclusão trinitariana. O tema não é tão simples como parece à primeira vista. É preciso cavar mais fundo. Há boas razões para acreditarmos que a ação em descer do céu não seja literal, mas figurativa. No versículo 31 do mesmo capítulo, há menção do “maná” enviado do céu no Velho Testamento. Este era um tipo de pão que Deus proveu, por um milagre, para o seu povo enquanto eles estavam no deserto. As palavras do versículo 31 são: “Ele (Deus) lhes deu pão do céu para comer“.

Aqui, obviamente, o contexto está tratando de uma linguagem figurada. Este pão milagroso não foi cozido no céu e nem armazenado em gavetas até chegar a terra. A afirmação de que ele veio do céu nos informa que o Deus do céu foi o provedor direto. Estas palavras são tomadas em linha reta a partir do Novo Testamento em Tiago 1:17, que diz que toda boa dádiva vem “do alto, descendo do Pai”.

A Bíblia não diz que as “boas dádivas” descem literalmente do céu, a menos que você esteja procurando uma tradução trinitária distante. Jesus desceu do céu? Sim? Então todas as “coisas boas” também descem do céu e se encarnam!

O que o Senhor quis dizer com estas palavras difíceis, “Eu desci do Céu?” Uma compreensão da analogia com o maná fornece a chave para o correto entendimento desta passagem.

O maná é descrito como “pão do céu” (João 6:32), e o Senhor comparou-se ao maná anti-típico ou “pão do céu” (vv. 32-33). Será que esta descrição significa que o maná foi fabricado no céu, na morada de Deus, e flutuou em uma nuvem grossa todas as noites através dos espaços ilimitáveis acima para o deserto embaixo?

O pão “do céu” (v. 31) não significa que ele realmente foi fabricado no céu e desceu através da atmosfera, mas sim que ele foi produzido na terra pelo poder de Deus. “Do céu”, portanto, enfatiza a origem divina do pão. Esse é o sentido, portanto, no qual devemos entender as alusões do Senhor a si mesmo. Da mesma forma, Cristo desceu do céu, não literalmente, já que foi o Espírito Santo, que desceu sobre Maria, para efetuar a concepção. (Lucas 1:35). “Do céu”, enfatiza sua origem divina como uma pessoa (isto é, do seu pai, Deus) e a origem divina do seu ensinamento.

Devemos notar que as palavras deste capítulo 6 de João foram consideradas palavras duras: “duro é este discurso”, (v. 60). Esse discurso foi seguido por um ainda mais difícil: “E se vós virdes o Filho do Homem subir para onde ele estava antes?” Tão ridículo isso soou para alguns dos discípulos de Jesus que eles o deixaram (v. 66). E isso é prova conclusiva que eles não sabiam nada da teoria de um Cristo pré-existente. Veja: “Murmuravam, pois, dele os judeus, porque dissera: Eu sou o pão que desceu do céu. E diziam: Não é este Jesus, o filho de José, cujo pai e mãe nós conhecemos? Como, pois, diz ele: Desci do céu?”, vv. 41,42.

Além disso, considere o título que o Senhor usou. Ele se descreveu como “Filho do Homem”. Como um ser pré-existente pode ser Filho do Homem? E mais ainda: Como conciliar que um filho de homem poderia “subir para onde ele estava antes?” Como entender o real significado desse texto?

Alguns mestres das Escrituras atestam que aqui, Deus, pelo Seu Espírito, desceu a terra para prover uma raça humana capaz de vencer o pecado e, tendo feito isso, Ele o retirou (Jesus) para o céu, tendo mudado sua natureza de um corpo de carne para um corpo espiritual, o que poderia ser entendido que um ser espiritual é corpóreo (1 Coríntios 15: 44-45). Assim, Jesus, pelo Espírito, ascendeu onde (O Espírito) estava antes, embora em uma forma diferente: Desceu como o poder de Deus e ascendeu como um Filho do Homem tornado imortal. Outros acreditam que aqui Jesus falava de sua morte e ressurreição nas palavras “subir para onde estava antes”, que poderiam ser entendidas como subir da sepultura voltando para o meio deles outra vez, o que faz mais sentido com o contexto.

Este fato é claro a partir do estudo do contexto. Porque os tradutores optaram por traduzir o grego anabaino como “ascender”, as pessoas acreditam que é uma referência à ascensão de Cristo da terra como registrado em Atos 1: 9, mas Atos 1: 9 não usa esta palavra. Anabaino simplesmente significa “subir”. É usado para “subir” a uma elevação mais alta como subir uma montanha (Mateus 5: 1, 14:23); de Jesus “subindo” da agua no seu batismo (Mateus 3:16, Marcos 1:10). E como todos sabem, o batismo é um símbolo da morte e da RESSURREIÇÃO.

O contexto confirma que Jesus estava falando sobre ser o pão do céu, que ele daria a sua vida através de sua ressurreição. Versículos como o 39, 40 e 44 confirmam isso. Jesus repetidamente disse: “Eu o ressuscitarei [cada crente] no último dia“. Cristo estava surpreso porque alguns de seus discípulos ficaram ofendidos com seu ensinamento. Ele estava falando da ressurreição, e eles se escandalizaram, então ele perguntou se eles poderiam ficar ofendidos se o vissem ressuscitado, o que infelizmente foi traduzido como “ascender” no versículo 62. Jesus poderia ter feito uma pergunta retórica: “Se as pessoas tropeçam em mim agora, o que farão quando me virem levantar dos mortos?”

Quem “desceu” foi o Espírito, não Jesus

Se a nossa envelhecida Ortodoxia Protestante desejasse, pelo menos, literalizar as palavras, desci do céu, poderia ter um razoável sucesso se as interpretassem segundo as circunstâncias de seu nascimento. O anjo disse a sua mãe: “Descerá sobre ti o Espírito Santo, e o poder do Altíssimo te envolverá com a sua sombra; por isso, também o ente santo que há de nascer será chamado Filho de Deus”, Lucas 1:35. O que gerou Cristo (O Espírito) desceu do céu.

Porém, a revelação nos conduz para outro caminho: Jesus era “o Filho unigênito de Deus” e, portanto, de cima. Paulo ensinou que “Deus estava em Cristo, reconciliando consigo o mundo” (2 Coríntios 5:19).

Uma maneira melhor de entendermos as palavras de Jesus em João 6 seria compará-las com palavras semelhantes faladas em João 16: 28-30:

Saí do Pai, e vim ao mundo; outra vez deixo o mundo, e vou para o Pai. Disseram-lhe os seus discípulos: Eis que agora falas abertamente, e não dizes parábola alguma. Agora conhecemos que sabes tudo, e não precisas de que alguém te interrogue. Por isso cremos que saíste de Deus.”

Em João 16:28, Jesus afirmou que ele “saiu do Pai”. Em João 6:38, Jesus disse que “desceu do céu”. Estas duas frases significam a mesma coisa. Basta apenas observar o que os discípulos disseram no verso trinta. Quando eles ouviram Jesus dizer: “Saí do Pai”, entenderam que o ensinamento dele era de Deus. Os discípulos disseram: “Agora conhecemos que sabes tudo, e não precisas de que alguém te interrogue. Por isso cremos que saíste de Deus.” Este, “por isso cremos que saíste de Deus”, não foi um aviso de que eles entenderam que Jesus era preexistente, mas que ele foi enviado de Deus, ensinado por Deus e autorizado por Deus e, o mais importante: é Filho de Deus.

Os discípulos entenderam a declaração de Jesus de que ele “saiu do Pai” de forma diferente da ortodoxia tradicional. Os discípulos compreenderam que Jesus estava falando do seu conhecimento e sabedoria. Os discípulos não confundiram suas palavras para significar que Jesus havia preexistido no céu, ou que ele tinha descido do céu levando sua habitação para a pessoa de Maria como um embrião, que mais tarde teria sido habitado pelo ser celestial preexistente. Como sabemos disso? Porque Jesus confirmou que os discípulos tinham interpretado o significado de “que vem de Deus” corretamente, pois ele respondeu positivamente a sua confissão de fé, respondendo-lhes: “Credes agora?”

Os discípulos acreditaram com razão, que Jesus “vindo do céu” era nada mais do que uma referência a Jesus como aquele que “sabia todas as coisas”, que era o Messias prometido, a pedra, o salvador, e que Jesus não precisa ter alguém para dizer-lhe qualquer coisa. Em suma, “vindo de Deus” é uma abreviação para “sendo ensinados por Deus e Deus ensinando aos homens.”.

Nós encontramos essa figura de linguagem também em João 6:42, onde os judeus perguntam: “Não é este Jesus, o filho de José, cujo pai e mãe nós conhecemos? Como, pois, diz agora: Desci do céu?” Os judeus tropeçaram nas palavras de Jesus porque a tomaram literalmente. Na tentativa de explicar o que queria dizer, Jesus escolheu citar o Antigo Testamento:

Está escrito nos profetas: E serão todos ensinados por Deus” (João 6:45)

Ensinar através de Deus, portanto, é o equivalente a “vindo de Deus”, de acordo com Jesus. O último é uma figura de linguagem, e não deve ser tomada literalmente. Se continuarmos a ler mais em João 6, veremos que Jesus fala muitas vezes em sentido figurado. Por isso Jesus se compara ao maná do céu. João 6:51 diz: “Eu sou o pão vivo que desceu do céu“. Aqui Jesus está falando em sentido figurado – não literalmente – pois ele se compara ao pão celestial (o maná), que sustentou os israelitas no deserto por quarenta anos. Jesus, então, continua a dizer que devemos comer sua carne e beber seu sangue. Os protestantes tomam as palavras de Jesus aqui, literalmente? Não, não tomam. Então, por que eles ensinam que Jesus fala literalmente quando ele diz: “Eu desci do céu”?

Caro amigo leitor, lembre-se novamente que em João 6:31 o maná é referido como “pão do céu”. A tradução literal é “pão do céu”. Foi o maná cozido pelos anjos no céu, ou pelo próprio Deus, e depois atirou em direção a Terra à velocidade da luz, só para pousar no chão do deserto do Sinai? Não! Quando alguma coisa (ou outra) é descrito como tendo vindo de Deus, isso significa que a sua fonte pode ser atribuída a Deus. A fonte do maná pode ser atribuída a Deus, por isso o maná é descrito como “pão do céu”. Da mesma forma, a “fonte” de Jesus é Deus, e, portanto, Jesus poderia afirmar corretamente que ele veio do céu (isto é, de Deus), assim como o maná no deserto veio do céu. Mas tal afirmação não significa ter Jesus preexistido no céu antes do seu nascimento – não mais do que fez o “preexistente” maná no céu antes de aparecer no deserto do Sinai.

Deus enviou seu Filho

Deus é a fonte de Jesus Cristo. Cristo foi o plano de Deus, e então Deus gerou diretamente Jesus. Há também versículos que dizem que Jesus foi “enviado de Deus”, uma frase que mostra Deus como a fonte final do que é enviado. João Batista era um homem “enviado de Deus” (João 1: 6), e foi ele quem disse que Jesus “vem de cima” e “vem do céu” (João 3: 31).

Ainda outro exemplo é quando Cristo estava falando e disse: “O batismo de João – de onde ele veio? Foi do céu ou dos homens?” (Mateus 21: 25). Naturalmente, o modo como o batismo de João teria sido “do céu” era se Deus fosse a fonte da revelação. João não teve a ideia por si mesmo, ela veio “do céu”. O versículo torna o idioma claro: as coisas poderiam ser “do céu”, ou seja, de Deus, ou poderiam ser “dos homens”. Assim, quando os termos são usados em relação a Jesus: Jesus é “de Deus”, “do céu” ou “de cima”, o sentido é que Deus é seu Pai e, portanto, sua origem.

A ideia de vir de Deus ou de ser enviado por Deus também é esclarecida pelas palavras de Jesus em João 17. Ele disse: “Assim como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo” (João 17: 18). Nós entendemos perfeitamente o que Cristo quis dizer quando declarou: “Eu os enviei ao mundo“. Ele quis dizer que ele nos encomendou, ou nos nomeou. Ninguém pensa que estávamos no céu com Cristo e encarnados na carne. Cristo disse: “Como tu me enviaste, eu os enviei“. Tomamos a frase “Cristo nos enviou” para entender como Deus enviou Cristo.

O Filho foi enviado como um homem, e não como Deus: “Deus enviou seu Filho feito de uma mulher” (Gálatas 4: 4). Paulo se refere a um evento que teve lugar em um determinado ponto no tempo. A palavra enviou não deve significar que Deus enviou seu Filho do céu, mas que ele foi enviado a partir do seu nascimento. Isso significa que ele veio de Maria. A palavra “enviado” não significa pré-existência, mas sim sua origem, quando foi enviado através de uma Mulher: “Deus enviou seu filho, nascido de mulher”.

Deus seja louvado

Divindade ou Entidade?

Porventura caro amigo leitor, você já teve a oportunidade de ver uma foto do Jesus preexistente? Certamente a resposta será um sonoro não. Porém, eu acredito que poderia ser algo parecido com essa figura ao lado. Muito provavelmente essa é a imagem perfeita do Jesus preexistente que existe na mente de uma multidão enorme de cristãos. É o misticismo que tomou conta do Protestaismo e do Catolicismo – Jesus é o ser, é o misterioso homem que veio do céu, aquele que venceu porque era (um) Deus, o iluminado, o invencível homem de aço, o Super Homem disfarçado de Clark Kent. Porém, com Jesus foi um pouco diferente: Ele veio do espaço – já adulto – para habitar no corpo gerado no ventre de Maria

É dessa forma que milhões de cristãos crêem, sejam eles católicos ou protestantes: que um veio habitar no outro – a parte divina dele desceu para habitar na parte humana. Essa parte divina, crêem, é aquela que não morreu, que não foi gerada por Maria. Acreditam que ela apenas gerou o corpo de Jesus. Está é uma maneira terrível de confessar que ele não veio em carne (1 João 4:2; 2 João 1:7), o que vai ser assunto para outro artigo.

Gostaria de aproveitar essa oportunidade tão preciosa para fazer uma pergunta: A parte de Jesus que não morreu ficou onde quando ele morreu, dentro ou fora do corpo dele? Vou aguardar a resposta sentado …

Os cristãos e religiosos em geral, seja ele católico ou evangélico, entendem a divindade de Jesus de uma forma extremamente extraordinária: Jesus era do outro mundo. Ou seja, Jesus era divino porque não tinha um corpo semelhante aos outros nascidos de mulher. Concluem dessa forma por ter sido ele gerado por obra e graça do Espírito Santo através de uma diviníssima criatura chamada Maria, que também não participou, segundo os católicos, da natureza legada aos seres humanos.

Obviamente muitos concordam que Jesus foi humano, mas o problema é quando alguém realmente mostra como ele era mesmo humano – é aqui que entram os protestos. Entre os católicos podemos encontrar facilmente aqueles que não concordam que Maria possa ter gerado um ser humano como os outros por vários motivos, dentre eles o mais popular: ela não carregou a mancha do pecado original, era especial, divina e celestial espacial; ela não poderia ter gerado um ser humano, mas um Deus.

Infelizmente os cristãos da nossa geração tem uma visão de Jesus como tinham àqueles que vieram de uma origem grega ou romana, que acreditavam que o termo “filho de Deus” significava uma encarnação de um deus ou alguém nascido de uma união física entre os deuses masculinos e femininos. Isso pode ser visto em Atos 14: 11-13, onde lemos que, quando Paulo e Barnabé pregaram em uma cidade da Turquia, os pagãos afirmavam que eles foram a encarnação de deuses. A Barnabé chamavam o deus romano Zeus, e Paulo, o deus romano Hermes.

Vamos examinar um problema. Quem morreu na cruz? E se aquele que morreu na cruz era Deus, então Deus ficou morto por “três dias”! É consistente com o Antigo Testamento expressar algo desse tipo? E se o Doador da Vida foi mesmo morto, quem mais poderia trazer de volta à vida? Quem cuidou do universo antes da ressurreição de Deus?

Para muitos cristãos, Deus teve de assumir a forma humana para compreender a tentação e o sofrimento humano, mas o conceito não se baseia em quaisquer palavras claras de Jesus. Em contraste, Deus não precisa ser tentado e sofrer, a fim de ser capaz de compreender e perdoar os pecados do homem, ou mesmo para ficar sabendo como sofrem ou o que sofrem, porque Ele é o Criador do homem e onisciente. Deus não enviou seu amado Filho por esse motivo, como se querendo saber que sentimento tem os humanos debaixo da servidão e opressão. Isso está expresso em Êxodo 3:7,

E disse o Senhor: Tenho visto atentamente a aflição do meu povo, que está no Egito, e tenho ouvido o seu clamor por causa dos seus exatores, porque conheci as suas dores“.

Muitos cristãos afirmam que no nascimento de Jesus ocorreu o milagre da encarnação de Deus na forma de um ser humano. Dizer que Deus se tornou verdadeiramente um ser humano convida a uma série de perguntas. Vamos perguntar o seguinte sobre o homem-Deus Jesus. O que aconteceu com seu prepúcio após sua circuncisão (Lucas 2:21)? Será que desapareceu quando ele tornou-se adulto se manifestando como [um] Deus? Durante sua vida, o que aconteceu com seu cabelo, unhas e sangue derramado de feridas? As células de seu corpo morreriam como nos seres humanos comuns? Se o seu corpo não funcionou de uma forma verdadeiramente humana, ele não poderia ser verdadeiramente humano, mas verdadeiramente Deus, o que não foi o caso. Assim, se o seu corpo funcionou exatamente de um modo humano, isso anularia qualquer alegação de divindade. Seria impossível para qualquer parte de Deus, mesmo se encarnado, ser submetido ao que Jesus foi submetido e ainda ser considerado Deus. A verdade é que, Jesus no seu corpo sofreu as sequelas da decadência humana durante sua vida aqui, logo, ele não poderia ser Deus. Infelizmente muitos acreditam, mesmo com o testemunho das Escrituras apresentando Jesus como um ser humano normal, que ele não foi submetido a essa ‘decadência’ concluindo que ele era verdadeiramente [um] Deus.

Muitos atribuem a Jesus uma divindade mística corporal, ou seja, um homem com um corpo divino, o que seria dizer: homem com carne divina. Isto não está de acordo com a divindade de Cristo, mas está de acordo com a divindade do Cristo avatar andróide místico. A divindade de Jesus esta ligada a sua autoridade espiritual, que o envolve na missão para a qual, só Ele, foi o escolhido, salvar a humanidade, o que fez como homem, e não como um Deus, ou o próprio Deus, literalmente.

A interpretação de divindade herdada do catolicismo sobre a pessoa de Jesus parece estar ligada a divindade da carne, o que não passa de heresia, pois o que insinuam é que no corpo do Filho e da mãe não corria o sangue dos descendentes de Adão e Eva. E isso não está de acordo com Atos 17:26, onde ficamos sabendo que Deus “… de um só sangue fez toda a geração dos homens, para habitar sobre toda a face da terra…”. Quando afirmam que Jesus e Maria não foram gerados como os outros seres humanos, eles acabam transformando-os em dois deuses, dois seres, e sem o perceber, ou talvez por cegueira e teimosia, eles divinizam àqueles que vieram da descendência do primeiro casal criado, e isso é heresia. Ninguém que tenha sido gerado de uma maneira diferente dos nascidos de mulher poderia fazer essa oração: “… o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador“, Luc 1:47

Isso transforma o católico numa pessoa que tem uma fé baseada em conhecimento místico e experimental do divino nos objetos e corpos mortos e pessoas vivas, o que é mais parecido com um gnosticismo misturado com misticismo do que o Cristianismo do Novo Testamento, e é uma característica de todas as religiões místicas.

Creio com toda minha convicção que ninguém sensato e de boa mente, jamais diria que temos na passagem que se segue a descrição de [um] Deus. Certamente o profeta Isaías fazia referência a um homem,

1 QUEM deu crédito à nossa pregação? E a quem se manifestou o braço do Senhor?

2 Porque foi subindo como renovo perante ele, e como raiz de uma terra seca; não tinha beleza nem formosura e, olhando nós para ele, não havia boa aparência nele, para que o desejássemos.

3 Era desprezado, e o mais rejeitado entre os homens, homem de dores, e experimentado nos trabalhos; e, como um de quem os homens escondiam o rosto, era desprezado, e não fizemos dele caso algum.

4 Verdadeiramente ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus, e oprimido.

5 Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados. Isaías 53

Muitos, principalmente entre católicos, detestam ouvir falar do Jesus homem que veio em carne, o último Adão, como afirma Paulo em I Cor 15:45, pois, se é assim, o que é fato, Maria teria que descer de onde a colocaram: o de humana e não divina. Provavelmente isto o catolicismo romano jamais permitirá.

Um católico resumiu:

“… Temos agora evangélicos-protestantes que negam a divindade de Jesus. Ignorando toda a discussão teológica nos concílios da Igreja e que definiram a Trindade, bem como a divindade de Jesus, afirmam que Jesus era apenas um homem, do seu nascimento até a ressurreição”.

O problema principal é que o catolicismo tem como meta somente proteger a pureza de Maria. Tudo que escrevem e anunciam sobre a divindade de Jesus tem como objetivo defender Maria e sua divindade. E o problema se torna ainda mais sério quando fica patente que o catolicismo não tem disposição alguma em confessar que Jesus veio em carne. É como se estivessem bloqueados. Portanto, com esse objetivo crônico em negar a humanidade plena de Jesus, apenas demonstram que querem proteger a divindade de Maria.

Hebreus 2:9 afirma que Jesus foi feito inferior aos anjos,

Vemos, porém, coroado de glória e de honra aquele Jesus que fora feito um pouco menor do que os anjos, por causa da paixão da morte, para que, pela graça de Deus, provasse a morte por todos”.

O detalhe do escritor da carta aos hebreus é por demais interessante. Ele lembra sobre “aquele Jesus”, ou seja, aquele que aqui andou, que era um homem, um ser humano. Afinal, “aquele” de um passado recente, o Jesus de Nazaré. Isso deixa implícito que ele aludia a uma pessoa, uma figura histórica, e não a [um] Deus.

Jesus era humaníssimo, mas os anjos não, tanto que a Escritura diz que quando os salvos chegarem a glória celeste serão como os anjos, sem nada de humano, criaturas totalmente destituídas de vestígios terrenos, pois terão seus corpos transformados:

Mar 12:25 “Porquanto, quando ressuscitarem dentre os mortos, nem casarão, nem se darão em casamento, mas serão como os anjos que estão nos céus”.

Portanto, se tomamos por base a interpretação de divindade do ponto de vista católico romano, então podemos facilmente perceber que a palavra divindade desaparece se aplicadas a Jesus e Maria dando lugar a palavra entidade.

A divindade que eles exigem esta ligada para além deste mundo, uma definição de divindade que ultrapassa as mais altas nuvens, cheia de espiritualismo, que acabou criando uma onda de misticismo envolvendo a pessoa de Jesus e Maria. Ou seja, diante da exigência espiritual temporal, que transformaram Jesus e Maria em dois seres, que é uma herança da interpretação católica, descobre-se que o Jesus histórico e sua mãe desaparecem por completo, dando lugar a duas figuram que se manifestaram entre os homens, oriundas de cima mesmo, literalmente – Fizeram deles duas entidades que baixaram entre os seres humanos!

Esse misticismo todo envolvendo a pessoa do salvador e sua mãe fez com que surgissem dois seres do alto, envoltos em mistério, que obrigaram a mente divina católica desaparecer com a verdadeira identidade de Jesus de Nazaré. O catolicismo romano passa a seus fiéis um Jesus, que mesmo em vida era um Deus, tendo ao seu lado outra figura divina, sua mãe. Maria e Jesus foram transformados em duas coisas do outro mundo, criaturas que se manifestaram na terra de uma maneira diferente dos humanos.

O Católico quando quer definir a divindade de Jesus, logo posiciona a mãe na frente do filho que ela gerou. Assim, transformam Maria numa figura esplendidamente embelezada e revestida com roupagem doutrinaria católica; não a Maria bíblica, a judia e mãe, mas sim a divindade/entidade que tomou impulso por causa da suposta virgindade, o que explicaria o título de santíssima, pois é esse o único motivo que reforça sua divindade, a sua virgindade que a transformou em diviníssima. Isso pode ser notado pela ênfase dada a pessoa de Maria, considerando-a não humana, o que, provavelmente os levem a pensar que a natureza dos deuses tenha criado nela o desinteresse pelo o que é carnal, dando a Maria o poder da abstinência, da pureza sexual, que por fim fez dela a milagrosa, divina, pura e imaculada. Provavelmente o catolicismo visualiza Maria como alguém que não foi gerado como foram os outros seres humanos, o que supostamente criou nela uma blindagem que a protegia do lado impuro humano. Associaram a figura de Jesus à figura da mãe, transformando-o numa coisa, onde numa metade dele morava Deus mesmo e na outra metade um homem diferente dos humanos. Ou seja, o católico pensa que Deus movia e animava o corpo de Jesus.

A divindade de Jesus esta ligada a sua missão que gerou sua obediência, fazendo dele um homem casto não por exigência religiosa de deuses internos e externos, mas sim por amor a Deus, dedicação e posição. Bem diferente da divindade exigida pelo catolicismo, que estaria no corpo divino espacial, nos cabelos de aço, olhos de bronze e visão de raio X, que sugere o homem misterioso e formado de uma maneira oculta dentro de um ventre celestial. Jesus e Maria, segundo o catolicismo, são dois mistérios da revelação de Deus, cheios de poder outorgado por algum Deus do olimpo.

Por isso que milhões entendem que as roupas e as sandálias de Maria, como também seu leite conservado em potes, guardado com chaves de ouro nos aposentos de alguns mosteiros divinos, eram igualmente divinos. Sem contar as centenas de objetos espalhados por tantos outros mosteiros ao redor do planeta: pregos divinos, mantos divinos, lascas de madeiras da cruz divina e etc… Não é de admirar que possam divinizar dois humanos.

Por fim, e resumindo em poucas palavras o que registro até aqui, quero dizer que, o catolicismo quando tenta definir o que é divindade, em se tratando da pessoa de Jesus e sua mãe, estão simplesmente interpretando como se eles fossem duas entidades. Eles transformaram o Salvador e a virgem em entidades católicas romanas. Isso faz com que eles desçam aos porões do diviníssimo misterioso oculto, o que é um perigo – isso é espiritismo. Jesus não foi um espírito que baixou na terra! E mesmo que Ele tenha sido gerado de uma maneira totalmente incrível, ele foi, sem duvida, 100% homem.