O Alfa e o Ômega

Alfa

A afirmação feita pela tradição teológica cristã é de que o livro de Apocalipse mostra, não o Senhor Deus como o Alfa e o Ômega, mas a pessoa de Jesus. Isso não é verdade, e um exame minucioso dos textos vai esclarecer que o título Alfa e Ômega é aplicado somente para a pessoa do Pai, o Todo Poderoso mencionado em Apocalipse, o qual sempre é visto distinto do Cordeiro.

Além disso, e devo mencionar aqui no princípio, temos uma adulteração clara foi feita pela versão King James em Apocalipse 1:10-13 com relação ao título Alfa e Ômega e primeiro e último aplicados a Jesus. Como vai ser atestado, revelado e comprovado, esta sequência não deveria estar ali – foi um acréscimo irresponsável!

Quem é o Alfa e o Ômega?

A doutrina da trindade caminhava a passos largos para seu estabelecimento em 323 d.C. no Concílio de Nicéia, que formalmente foi escrito em um corpo de texto conhecido como O Credo de Atanásio. Abraçado pelos reformadores, a doutrina da Trindade usurpou as Escrituras na definição de quem é Deus, e quem é Jesus.

A Trindade afirma que há uma pessoa chamada por Deus Pai, uma pessoa chamada Deus o Filho, e uma pessoa chamada Deus Espírito Santo. Na Trindade, Jesus é visto como um ser incriado assim como o Pai é incriado e o Espírito Santo é incriado.

No quarto século, o que viria a ser a Igreja Católica Oriental, produziu o Credo Niceno-Constantinopolitano, que afirma a plena divindade de Jesus Cristo. Este credo leva o conceito de divindade ao extremo, referindo-se a Jesus Cristo como “Deus verdadeiro”.

Vamos examinar um a um os registros de João em Apocalipse para descobrir se a exigência feita pela interpretação tradicional cristã é mesmo confiável.

Apocalipse 1:8 “Eu sou o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim, diz o Senhor, que é, e que era, e que há de vir, o Todo-Poderoso”.

Apocalipse 1:10-13, “Eu fui arrebatado no Espírito no dia do Senhor, e ouvi detrás de mim uma grande voz, como de trombeta, que dizia: Eu sou o Alfa e o Ômega, o primeiro e o último; e o que vês, escreve-o num livro, e envia-o às sete igrejas que estão na Ásia: a Éfeso, e a Esmirna, e a Bergamo, e a Tiatira, e a Sardes, e a Filadélfia, e a Laodicéia. E virei-me para ver quem falava comigo. E, virando-me, vi sete castiçais de ouro; E no meio dos sete castiçais um semelhante ao Filho do homem”.

Apocalipse 21: 5-7 “E o que estava assentado sobre o trono disse: Eis que faço novas todas as coisas. E disse-me: Escreve; porque estas palavras são verdadeiras e fiéis. E disse-me mais: Está cumprido. Eu sou o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim. A quem tiver sede, de graça lhe darei da fonte da água da vida. Quem vencer, herdará todas as coisas; e eu serei seu Deus, e ele será meu filho”.

Apocalipse 22: 12-14 “E, eis que cedo venho, e o meu galardão está comigo, para dar a cada um segundo a sua obra. Eu sou o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim, o primeiro e o derradeiro. Bem-aventurados aqueles que guardam os seus mandamentos, para que tenham direito à árvore da vida, e possam entrar na cidade pelas portas”.

As coisas nem sempre são o que parecem. Este artigo irá explicar o verdadeiro significado dos versos acima e mostrar como o erro entrou na versão King James das Escrituras, que inseriu os termos “Alfa e Ômega, o primeiro e o último” onde eles não deveriam estar, no contexto de Apocalipse 1:10-13.

Não é de admirar que milhares de cristãos interpretem o “Alfa e Ômega” no livro do Apocalipse como sendo Jesus Cristo o mesmo Deus todo poderoso. Porém, a leitura cuidadosa das passagens não só refuta a afirmação de que Jesus é “totalmente Deus”, mas declara a sua humanidade glorificada como absoluta, e faz uma distinção clara entre ele e o Senhor Deus. Além de acreditar que Jesus é o Alfa e o Ômega de Apocalipse, a maior parte da cristandade crê que Jesus é o criador. Entendem que Alfa é uma designação em grego para o começo. E por causa de sua percepção da palavra Ômega, que é uma designação em grego para o fim de algo, acreditam que Jesus é o Deus eterno.

Muitos argumentam também que as referências a Alfa e Ômega são declarações de Cristo como divindade. Isso não pode ser aplicado como estritamente literal, porque nem Deus nem Cristo são uma letra grega. É inútil procurar literatura judaica e pagã para a fonte de algo que se assemelha a este nome, Alfa e Ômega. Em nenhum outro lugar é uma pessoa, para não falar de uma pessoa divina, chamada Alfa e Ômega. Estudiosos confirmam que a frase é um hebraísmo de uso comum entre os antigos comentaristas judeus para designar o conjunto de qualquer coisa, desde o início até o fim. Não é de admirar que as sequelas do protestantismo católico dentro da teologia cristã pode ser capaz de santificar e divinizar até as letras do alfabeto grego.

O Alfa e o Ômega de Apocalipse 1:8

Eu sou o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim, diz o Senhor, que é, e que era, e que há de vir, o Todo-Poderoso”.

Uma observação importante deve ser ressaltada: “Aquele que é, que era, e que há de vir” está “separado” de Jesus,

Apocalipse 1:4, 5 “João, às sete igrejas que estão na Ásia: Graça e paz seja convosco da parte daquele que é e que era, e que há de vir, e da dos sete espíritos que estão diante do seu trono; E da parte de Jesus Cristo, que é a fiel testemunha, o primogênito dentre os mortos e o príncipe dos reis da terra. Àquele que nos amou, e em seu sangue nos lavou dos nossos pecados”.

Atente agora para os detalhes:

“… da parte daquele que é e que era, e que há de vir… E da parte de Jesus Cristo, que é a fiel testemunha, o primogênito dentre os mortos”.

A conjunção “e” é adicionada para fins de separação e distinção. Na frase, a leitura para “Aquele que é, que era e que há de vir”, é claramente feita separando o Senhor Deus da pessoa de “Jesus Cristo, a fiel testemunha, o primogênito dos mortos…”. Esta é a prova de que Jesus e Deus são duas pessoas distintas, mesmo no céu. Note que João descreve o Alfa e o Ômega como “Aquele que é, que era e que há de vir“.

Este ponto se torna mais enfático quando examinamos Apocalipse 1: 8, que é uma ligação direta para Apocalipse 1: 4.

Apocalipse 1: 8 “Eu sou o Alfa e o Ômega”, diz o Senhor Deus”, que é que era e que há de vir, o Todo-Poderoso“.

O parágrafo lê: “… Aquele que é, que era e que há de vir E de Jesus Cristo“. Isso revela claramente que o Alfa e Ômega não é Jesus, mas sim “aquele que é, que era e que há de vir”, ou seja, Deus. Portanto, como foi verificado, a primeira referência para Alfa e Ômega de Apocalipse, tantas vezes ensinada ter sido direcionada ao Senhor Jesus, na verdade, aponta para Deus, o Pai.

O ERRO nas versões da Bíblia King James

A doutrina que aplica as palavras Alfa e Ômega para o Senhor Jesus é um exemplo triste e infeliz de adulteração com a Palavra de Deus. A verdade mostra como a empreitada foi um contrato irresponsável armado por homens para justificar crenças falsas. A frase que diz: “Eu sou o Alfa e o Ômega, o primeiro e o último” de Apocalipse 1:11 não deveria estar ali, pois não se encontra nos textos gregos originais, também não é encontrada em praticamente todos os textos antigos, mas mencionada como uma nota negativa de rodapé em algumas traduções atualizadas.

Abaixo está a versão King James de Apocalipse 1:10-11, seguida por várias outras versões críveis tendo os mesmos dois versos citados nesta discussão. Vamos descobrir que as palavras Alfa e Ômega foram erroneamente adicionadas pela versão do Rei Tiago para fins teológicos, e não de tradução.

“I was in the Spirit on the Lord’s day, and heard behind me a great voice, as of a trumpet, Saying,I am Alpha and Omega, the first and the last: and, What thou seest, write in a book, and send it unto the seven churches which are in Asia; unto Ephesus, and unto Smyrna, and unto Pergamos, and unto Thyatira, and unto Sardis, and unto Philadelphia, and unto Laodicea”.

Uma versão na língua portuguesa baseada na King James cita o versículo nos mesmos termos,

Eu fui arrebatado em espírito no dia do Senhor, e ouvi por detrás de mim uma grande voz, como de trombeta, dizendo: “Eu sou o Alfa e o Ômega, o primeiro e o último: e, o que vês, escreve-o num livro, e envia-o às sete igrejas que estão na Ásia; a Éfeso, a Esmirna, a Pérgamo, e a Tiatira, a Sardes, Filadélfia e Laodicéia” (ACF).

É necessário lembrar que algumas versões anteriores da Almeida causaram confusão ao adicionar as palavras que não ocorrem nos mais antigos e respeitados manuscritos. De fato, a King James Version que provavelmente serviu de referência para algumas versões Almeida, adicionou tais palavras e contribuíram significativamente para aprofundar ainda mais a confusão. Diversas versões cometeram este erro, todavia, muitas admitem como é o caso de uma nota da Versão Literal de Young, que “os mais antigos mss omitem” tais palavras. É reconhecido pelos eruditos que textos Bizantinos posteriores adicionaram tais palavras quando alguns copistas em sua tentativa de identificar Jesus com Deus mudaram o texto original.

Eu vou adicionar aqui alguns comentários bíblicos para confirmar a adulteração vergonhosa da cláusula citada em Apocalipse 1 verso 11:

Eu sou o Alfa e o Ômega, o primeiro e o ultimoEsta cláusula inteira está ausente no ABC, em trinta e outros manuscritos; algumas edições, o siríaco, copta, etíope, armênio, eslavo, Vulgata, Arethas, Andreas, e Primasius. Griesbach deixou-a fora do texto”, Clarke’s Commentary on the Bible.

Eu Sou o Alfa e o Ômega, o primeiro e o ultimo Os mais antigos manuscritos omitem esta cláusula inteira”, Jamieson-Fausset-Brown, Bible Commentary 11.

“… Com uma ampla evidência, Eu sou o Alfa e Ômega, o primeiro e o ultimo, deve ser omitido”, Pulpit Commentary, verse 11.

Atentem agora para as versões citadas a seguir; todas omitem as expressões Alfa e Ômega:

New American Standard Bible

“I was in the Spirit on the Lord’s day, and I heard behind me a great voice, as of a trumpet, saying, What thou seest, write in a book and send [it] to the seven churches: unto Ephesus, and unto Smyrna, and unto Pergamum, and unto Thyatira, and unto Sardis, and unto Philadelphia, and unto Laodicea”.

English Bible Society

“I was in the Spirit on the Lord’s day, and a great voice at my back, as of a horn, came to my ears, Saying, What you see, put in a book, and send it to the seven churches; to Ephesus and to Smyrna and to Pergamos and to Thyatira and to Sardis and to Philadelphia and to Laodicea”.

Almeida Atualizada

“Eu fui arrebatado em espírito no dia do Senhor, e ouvi por detrás de mim uma grande voz, como de trombeta, dizendo: O que vês, escreve-o num livro, e envia-o às sete igrejas: a Éfeso, a Esmirna, e até Pérgamo, e a Tiatira, a Sardes, e até Filadélfia e Laodicéia”.

Revista e Atualizada

“Achei-me em espírito, no dia do Senhor, e ouvi, por detrás de mim, grande voz, como de trombeta, dizendo: O que vês escreve em livro e manda às sete igrejas: Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodicéia”.

Almeida Revisada da Imprensa Bíblica

“Eu fui arrebatado em espírito no dia do Senhor, e ouvi por detrás de mim uma grande voz, como de trombeta, que dizia: O que vês, escreve-o num livro, e envia-o às sete igrejas: a Éfeso, a Esmirna, a Pérgamo, a Tiatira, a Sardes, a Filadélfia e a Laodicéia”.

Nova Versão Internacional

“No dia do Senhor achei-me no Espírito e ouvi por trás de mim uma voz forte, como de trombeta, que dizia: “Escreva num livro o que você vê e envie a estas sete igrejas: Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodicéia”.

Versão Católica

“Num domingo, fui arrebatado em êxtase, e ouvi, por trás de mim, voz forte como de trombeta, que dizia: O que vês, escreve-o num livro e manda-o às sete igrejas: a Éfeso, a Esmirna, a Pérgamo, a Tiatira, a Sardes, a Filadélfia e a Laodicéia”.

Bíblia de Jerusalém versão em Espanhol

“Caí en éxtasis el día del Señor, y oí detrás de mí una gran voz, como de trompeta, que decía: Lo que veas escríbelo en un libro y envíalo a las siete Iglesias: a Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadelfia y Laodicea”.

Darby Bíblia, “… dizendo: O que vês, escreve-o num livro, e envia às sete igrejas”.

De Phillip New Testament, “… dizendo: “Anote em um livro que você vê, e envia às sete igrejas …”.

Douay Rheims Version, “… dizendo: “O que vês, escreve-o num livro, e envia às sete igrejas…”.

Weymouth Novo Testamento, “… disse: “Faça imediatamente em um rolo um relato do que você vê, e enviá-lo às sete igrejas …”

Murdoch Novo Testamento, “… e disse: “O que vês, escreve-o num livro, e envia às sete igrejas … “.

Bíblia de Rotherham, “… dizendo: “O que vês, escreve-o num livro, e envia-o às sete Assembléias …”.

Como vimos, todas as versões citadas omitem as palavras em Apocalipse 1:11, “Eu sou o Alfa e o Ômega, o primeiro e o último”. Os melhores manuscritos não têm essa frase, e, portanto, deve a mesma ser omitida de qualquer tradução credível. A KJV também acrescenta “o primeiro e o último” de Apocalipse 1:11 em algumas versões. Em ambos os casos, os tradutores da Bíblia King James estavam seguindo o Textus Receptus. Mais tarde descobertas de manuscritos demonstraram que a cláusula não é original aqui. Para ser justo com os tradutores da KJV talvez deveríamos assumir que estavam apenas cumprindo o Textus Receptus, ou Texto Recebido, que tem centenas, se não milhares de problemas.

Só podemos especular, mas parece que os tradutores da Bíblia King James queriam fazer uma ligação clara entre as frases “Alfa e Ômega” e “o primeiro e o último”. E, qualquer que seja a posição teológica individual dos tradutores no comitê desta versão inglesa, certamente tentaram reforçar a visão de que Cristo era “Deus”. Influências trinitárias sem dúvida desempenharam algum papel, uma vez que a Igreja da Inglaterra defende Jesus Cristo como “Deus Filho” (ou seja – a segunda pessoa da Trindade, um Deus co-igual, junto com a pessoa do Pai e do Espírito Santo). No entanto, há manuscritos suficientemente críveis e ferramentas de estudo disponíveis para uma pessoa encontrar a resposta correta.

Ao longo de seu passado obscuro e sórdido, a Igreja Católica Romana escondeu as Escrituras das massas, e poucas pessoas tinham a paixão, unidade e a coragem de desafiar preconceitos doutrinários. Porém, hoje em dia, as pessoas estão começando a fazer perguntas, pesquisando e encontrando respostas, que para muitos ficaram ocultas na escuridão das trevas por séculos.

Vamos agora examinar Apocalipse 21:5-7 em seu contexto:

E aquele que está assentado no trono disse: Eis que faço novas todas as coisas. E acrescentou: Escreve, porque estas palavras são fiéis e verdadeiras. E disse-me ainda: Tudo está feito. Eu sou o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim. Eu, a quem tem sede, darei de graça da fonte da água da vida. O vencedor herdará estas coisas, e eu lhe serei Deus, e ele me será filho”.

Observe quem disse ser o Alfa e o Ômega: “E aquele que está assentado no trono disse: Eu sou o Alfa e o Ômega“. Além disso, Ele também acrescenta: ” O vencedor herdará estas coisas, e eu lhe serei Deus, e ele me será filho”. Evidente que quem fala aqui não é Jesus.

É necessário observar atentamente quem está falando ser o Alfa e o Ômega neste contexto de Apocalipse. Preste atenção amigo leitor, naquele que está assentado no trono, pois este é o Alfa e o Ômega, o mesmo citado como sendo o Deus de Jesus em Apocalipse 2:7; 3:2,12, que se distingue do Cordeiro em Apocalipse 5:1-7; 5:13; 6:16; 7:10, 15.

Veja que em alguns textos apresentados Jesus chama o Pai de “Meu Deus”. E não esqueça, Ele fala estas palavras quando já estava no céu,

Apocalipse 2:7 “Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: Ao que vencer, dar-lhe-ei a comer da árvore da vida, que está no meio do paraíso de Deus”.

Apocalipse 3:2, 12 “Sê vigilante, e confirma os restantes, que estavam para morrer; porque não achei as tuas obras perfeitas diante de Deus… A quem vencer, eu o farei coluna no templo do meu Deus, e dele nunca sairá; e escreverei sobre ele o nome do meu Deus, e o nome da cidade do meu Deus, a nova Jerusalém, que desce do céu, do meu Deus, e também o meu novo nome”.

Eu acredito piamente que a cristandade não se deu conta do real significado destas passagens. Observe que Jesus está glorificado, mas continua chamando o Pai de MEU DEUS. Se Ele chama o Pai de meu Deus, Ele não pode ser Deus também. Não existe dois Deus. Veja o que Ele diz em João 17:3: “E a vida eterna é esta: que te conheçam, a ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste”.

Paulo reforça as palavras do Senhor Jesus quando declara haver apenas um Deus e não dois:

1 Coríntios 8:6 “Todavia para nós há um só Deus, o Pai, de quem é tudo e para quem nós vivemos; e um só Senhor, Jesus Cristo, pelo qual são todas as coisas, e nós por ele”.

Efésios 4:6 “Um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, e por todos e em todos vós”.

1 Timóteo 2:5 “Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem”.

Observe que Paulo continua chamando Jesus de homem. O Senhor subiu ao céu pela morte e ressurreição, não foi transformado em um Deus, mas sim em um homem glorificado, a pedra angular nos propósitos de Deus, o mediador e salvador da humanidade.

O apóstolo dos gentios foi enfático quando afirmou “que a morte veio por um homem, mas também por um homem veio a ressurreição dos mortos“, 1 Cor 15:21. A palavra “também” é significativa, pois faz uma comparação entre dois seres mortais, dois homens, Jesus e Adão.

A posição de Jesus em relação ao Pai não é aquela apresentada pelos trinitarianos e pela ortodoxia cristã, que ele é outro Deus, o Deus filho. Na verdade, Ele é o filho de Deus, o mediador e reconciliador dos pecadores, mas sujeito e submisso ao Pai. Veja o que declara Paulo na profecia do Salmo 110: “Depois virá o fim, quando [O Senhor Jesus] tiver entregado o reino a Deus, ao Pai, e quando houver aniquilado todo o império, e toda a potestade e força. Porque convém que reine até que haja posto a todos os inimigos debaixo de seus pés. Ora, o último inimigo que há de ser aniquilado é a morte. Porque todas as coisas sujeitou debaixo de seus pés. Mas, quando diz que todas as coisas lhe estão sujeitas, claro está que se excetua aquele que lhe sujeitou todas as coisas. E, quando todas as coisas lhe estiverem sujeitas, então também o mesmo Filho se sujeitará àquele que todas as coisas lhe sujeitou, para que Deus seja tudo em todos”, 1 Coríntios 15:24-28.

Por que Paulo disse que “é evidente” que o Filho tem tudo em sujeição, exceto Deus? Eis aqui mais um entendimento óbvio e implícito, que o salmista não mencionou, mas Paulo, para a nossa benção, explicou. Em seguida o Apóstolo afirma que o Filho, este sim, “também se sujeitará” a Deus, para que todos, inclusive o Filho, estejam sujeitos ao Criador do Universo. Não é muito claro que o Filho, embora superior a todos os demais, além de não ser Deus é subserviente a Ele?

Qual a explicação que os trinitarianos dariam para estas passagens? As mesmas explicações vagas de sempre, de que é uma questão de funções organizacionais celestes, e que muitas vezes o termo “Deus” se refere ao “Deus-Pai” na sua função de Pai – a função de quem comanda – extraindo de vários versículos coisas que eles não dizem. Ainda recheiam o “bolo de interpretações” com termos teológicos e filosóficos pouco usados, que impressionam facilmente os leitores desavisados, ou os candidatos a eruditos.

Vamos voltar ao Alfa e o Ômega do versículo em discussão. Foi dito anteriormente que quem está assentado no trono – o qual disse ser o Alfa e o Ômega – é visto separado de Jesus, o Cordeiro. Isso é confirmado com mais algumas passagens interessantes:

Apocalipse 5:7 E veio [Jesus], e tomou o livro da destra do que estava assentado no trono.

Apocalipse 5:13 E ouvi a toda a criatura que está no céu, e na terra, e debaixo da terra, e que está no mar, e a todas as coisas que neles há, dizer: Ao que está assentado sobre o trono, e ao Cordeiro, sejam dadas ações de graças, e honra e glória, e poder para todo o sempre.

Apocalipse 7:10 “E clamavam com grande voz, dizendo: Salvação ao nosso Deus, que está assentado no trono, e ao Cordeiro”.

Agora leia novamente parte do contexto em estudo e descubra quem é o Alfa e o Ômega. Veja o que diz aquele que está assentado no trono:

E aquele que está assentado no trono… disse-me ainda: Tudo está feito. Eu sou o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim”, Ap 21:5-7.

Não devemos esquecer que quem está assentado no trono é chamado de “Todo Poderoso”. No entanto, em duas ocorrências da palavra “Todo-Poderoso” em Apocalipse, Jesus é contextualmente – ontológicamente e gramaticalmente – excluído de ser o Todo-Poderoso mencionado. Veja:

Apocalipse 19:15 “E da sua boca [de Jesus] saía uma aguda espada, para ferir com ela as nações; e ele as regerá com vara de ferro; e ele mesmo é o que pisa o lagar do vinho do furor e da ira do Deus Todo-Poderoso”.

Apocalipse 21:22 “E nela não vi templo, porque o seu templo é o Senhor Deus Todo-Poderoso, e o Cordeiro”.

Além de tudo isso, Apocalipse 21: 6, 7 indica que os cristãos que são vencedores devem ser ‘filhos’ daquele conhecido como Alfa e Ômega. Isso nunca é dito sobre o relacionamento dos cristãos com Cristo. Jesus falou sobre os cristãos como seus ‘irmãos’ (Heb 2:11; Mat 12:50; 25:40). Esses ‘irmãos’ de Jesus são referidos como filhos de Deus Pai (Gálatas 3:26; 4: 6).

Portanto, foi mostrado que o segundo texto em Apocalipse apresentando o título de Alfa e Ômega, tantas vezes atribuído a Jesus, foi, na verdade, aplicado ao Pai por Ele mesmo.

Está faltando um, e é para ele que vamos agora…

O Alfa e Ômega em Apocalipse 22:13

Descobrimos, sem sombra de dúvidas – como visto nos argumentos anteriores – que o título Alfa e Ômega foi aplicado ao Pai, não ao filho. Porém, temos aqui em Apocalipse 22:13 novamente o título Alfa e Ômega que, para a Apologética convencional, é a principal prova para derrubar de vez o argumento de seus oponentes com relação à divindade e preexistência de Jesus. Para eles está claro aqui que Jesus é o Alfa e o Ômega.

Na verdade, nós temos duas opções: Os títulos (ou título!) só podem ser aplicados a Jesus com uma condição: se a composição textual for encurtada – e pode ser aplicado ao Pai de forma integral. Porém, há algo sumamente importante que foi ignorado por nossa Ortodoxia. Observe como a composição tradicional do texto está longa, em nada parecida com as outras duas mencionadas no mesmo Livro:

Eu sou o Alfa e Ômega, princípio e o fim, o primeiro e o último”.

Compare com Apocalipse 1:8: “Eu sou o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim, diz o Senhor…”. E Agora veja Apocalipse 21:6: “Eu sou o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim”.

Completamente desnecessário introduzir no texto de Apocalipse 22:13 os três títulos: “Alfa e Ômega, princípio e o fim, o primeiro e o último”. Certamente há algo errado, e nós vamos descobrir onde está esse erro.

Observe três traduções que poderiam mudar todo o curso das discussões. Veja como a Bible in Basic English, a Good News Translation e a Worldwide English apresentam o texto:

I am the First and the Last, the start and the end

Eu sou o primeiro e o último, o princípio e o fim

Confira aqui as três versões: Bible in Basic EnglishGood News TranslationWorldwide English

Certamente houve um acréscimo aqui; acréscimo feito por escribas que acreditaram que o texto poderia enfatizar a divindade de Jesus apresentando-o como Deus. E, muitíssimo provavelmente, eles acreditaram que os títulos faziam menção ao filho, o que não é verdade. A referência é ao Pai!

Os erros em Apocalipse 1:11, como visto anteriormente, e Apocalipse 22:13, devem-se à imprecisão do chamado Textus Receptus, o texto grego no qual o Novo Testamento da KJV se baseou. De acordo com Bruce Metzger (em The Text of the New Testament: Its Transmission, Corruption and Restoration, Second Edition, Oxford University Press, 1968), o Textus Receptus foi preparado às pressas e a esmo, e foi baseado principalmente em manuscritos não confiáveis do século XII. Foi obra de um holandês chamado Desiderius Erasmus e foi publicado pela primeira vez em 1516. Embora o que ficou conhecido como Textus Receptus tenha uma precisão inferior ao primeiro Novo Testamento Grego completo, o chamado Novo Testamento Complutense que foi Publicado apenas dois anos antes em 1514, o texto de Erasmus foi comercializado com muito mais eficácia e foi usado como base para todas as principais traduções protestantes nas línguas da Europa até 1881, quando a versão revisada em inglês [RV] foi publicada pela primeira vez.

A tradução do Textus Receptus de Apocalipse 22:13, na qual se baseou a KJ, e da qual foram construídas quase todas as nossas traduções, pode estar em ordem incorreta em relação a tradução grega e não representa exatamente o texto original. E com base nas edições citadas acima temos pelo menos evidências que nos faz suspeitar de que o texto original pode sim ter sido alterado.

Acredito, baseado nos argumentos anteriores em Apocalipse quando o título Alfa e Ômega é aplicado ao Pai, que aqui também podemos colher evidências para provar a mesma tese se considerarmos se as palavras Alfa e Ômega são parte do texto original ou não. Observe que o texto poderia ficar de duas formas: “Eu sou o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim”, que é similar as outras duas menções dadas ao Pai em Apocalipse, ou poderia ser, “Eu sou o princípio e o fim, o primeiro e o último”, que também pode ser aplicado a Deus, porém, a frase jamais foi usada em conjunto. Observe também que algo no texto maior parece estar fora de ordem, pois “primeiro e último” foi citado depois de “princípio e fim“: “Eu sou o Alfa e Ômega, princípio e o fim, o primeiro e o último”. Para o hermeneuta atento há uma discrepância aqui. Bastaria que a citação fosse, “Eu sou o Alfa e Ômega, princípio e o fim”.

E apesar de Jesus falar de forma semelhante em Apocalipse 1:18 e 2:8, “… Eu sou o primeiro e o último; E o que vivo e fui morto, mas eis aqui estou vivo para todo o sempre. Amém. E tenho as chaves da morte e do inferno”, e “E ao anjo da igreja em Esmirna, escreve: Isto diz o primeiro e o último, que foi morto, e reviveu”, não podemos atribuir a ele o título de Alfa e Ômega. Note que quando Jesus diz “eu sou o primeiro e o último” ele conecta as palavras com a frase, “que foi morto e reviveu”. Você vai descobrir também o significado de ser “primeiro e último” aplicado a Jesus na última seção desse artigo.

Vamos examinar Apocalipse 22:13

Apocalipse 22:12,13 “Eis que venho sem demora. O meu galardão está comigo, para retribuir a cada um segundo a sua obra. Eu sou o Alfa e o Ômega, o Primeiro e o Último, o Princípio e o Fim”.

Preste atenção em todo o contexto de Apocalipse 22:6-21 com alguns comentários adicionados entre colchetes:

Apocalipse 22: 6 “Ele [o anjo mencionado no Apocalipse 21: 9] me disse: “Estas palavras são fiéis e verdadeiras; e o Senhor, o Deus dos santos profetas, enviou o seu anjo, para mostrar aos seus servos as coisas que em breve hão de acontecer“.

Apocalipse 22: 7 [Observe a mudança abrupta; o anjo de repente fala como alguém que vem] “Eis que venho sem demora. Bem-aventurado aquele que guarda as palavras da profecia deste livro. [Muitos afirmam que o que vem é Jesus; no entanto, isso também poderia ser falado de Deus (1 Tess 3:13), o que é mais do que provável, uma vez que o anjo estava apenas se referindo ao Senhor].

Apocalipse 22:8 [Aqui João fala de si mesmo] Eu, João, sou aquele que vi e ouvi estas coisas. Quando eu ouvi e vi, caí em adoração diante dos pés do anjo que me tinha mostrado essas coisas.

Apocalipse 22:9 Ele [o anjo] me disse: Olha, não faças tal; porque eu sou conservo teu e de teus irmãos, os profetas, e dos que guardam as palavras deste livro. Adora a Deus.

Apocalipse 22:10 Ele [o anjo] disse-me: “Não seles as palavras da profecia deste livro, porque o tempo está próximo”.

Apocalipse 22:11 Quem é injusto, faça injustiça ainda; e quem está sujo, suje-se ainda; e quem é justo, faça justiça ainda; e quem é santo, seja santificado ainda.

Apocalipse 22:12 [Abruptamente o anjo começa a citar alguém novamente] Eis que venho sem demora. O meu galardão está comigo, para retribuir a cada um segundo a sua obra. [O Deus de Jesus julga o mundo através de Jesus, e cada um receberá de Deus o louvor – Atos 17:31; Romanos 2:16; 1 Coríntios 4: 5; 2 Timóteo 4: 1; Isaías 40:10].

Apocalipse 22:13 Eu sou o Alfa e o Ômega, o Primeiro e o Último, o Princípio e o fim.

Compare cuidadosamente o seguinte, especialmente os dois últimos versículos: “Eu caí para adorar aos pés do anjo que me mostrou essas coisas” (22: 8); “Eu, Jesus, enviei meu anjo para testemunhar estas coisas” (22:16); “Aquele que testifica estas coisas diz: Certamente cedo venho. Amém. Ora vem, Senhor Jesus” (22:20). Que o leitor seja lembrado de quem estava se comunicando com João no capítulo 1, e então pergunte-se quem testemunhou essas coisas a João.

Olhe novamente para Ap 22: 8-16. João é identificado como o orador em 22: 8. O anjo fala no verso 9. Aparentemente, o anjo continua falando no verso 10. O anjo ainda pode estar falando no versículo 11. O anjo continua falando no verso 12. O anjo fala pelo Pai no verso 13. A Bíblia de Jerusalém; a NJB e a tradução de J. Moffatt nos mostram que o anjo falou todas as palavras do versículo 9 até ao versículo 15.

Jesus começa a falar no versículo 16: “Eu, Jesus” – também introduz um novo orador. Isso significa que a declaração anterior (“Eu sou o Alfa e o Ômega”) foi feita por outra pessoa. No caso aqui é o anjo falando pelo Pai. Isso fica claro quando lemos o verso imediatamente anterior, o 12, que diz: “Eis que cedo venho e está comigo a minha recompensa, para retribuir a cada um segundo a sua obra“. É uma réplica exata do verso 6 de Romanos capítulo 2 quando fala do juízo de Deus. Veja: “Mas, segundo a tua dureza e teu coração impenitente, entesouras ira para ti no dia da ira e da revelação do justo juízo de Deus, que retribuirá a cada um segundo as suas obras“, Rm 2:5,6.

Aqueles que usam a expressão “Alfa e Ômega” para Jesus se apoiam na frase: “Eu venho em breve/Eis que cedo venho” em Apocalipse 22:20. Em seguida, eles apontam para as mesmas palavras em Apoc 22:12 (“certamente cedo venho”) e afirmam que quem fala que é o Alfa e o Ômega só pode ser o Senhor Jesus.

Porque Deus reina sobre todas as coisas, e é o Senhor da história, Israel viveu na esperança (como os profetas anunciaram) da ‘vinda’ de Deus – seus atos futuros pelos quais ele decisivamente lida com toda a maldade estabelecendo justiça na terra . Veja alguns textos que falam de Deus vindo; o Salmo 96:13 diz, “O Senhor está vindo”, que é uma expressão no VT descrevendo a intervenção do Senhor na história [compare com Sl 18: 9; 96:13; 144: 5; Isa 26:21; 31: 4; 64: 1-3 ].

Quando o anjo falou a Maria: “O Senhor está com você” (Lucas 1:28), ele obviamente não quer dizer que Deus tinha literalmente vindo à terra (compare Juízes 6:7-12). Quando o pai de João Batista disse: “Louvado seja o Senhor, o Deus de Israel, porque ele veio e redimiu o seu povo” (Lucas 1: 66-68) ele quis dizer que Deus estava operando do céu para ajudar a humanidade dos justos. Quando Moisés descreve Deus com ele (Josué 1: 5), significava que Deus, do céu, estava auxiliando-o. Quando Josué disse aos israelitas “Deus está entre vós” (Jos 3:10), ele estava novamente dizendo que Deus estava ajudando-os. E não podemos ignorar um grupo vasto de profecias para os tempos finais que fala de Deus “vindo”. Além disso, quando Deus “vem” a terra, ele vem para operar através de alguma outra pessoa. Quando Moisés voltou ao Egito para ajudar seu povo, Deus “veio” para ajudá-los (através de Moisés). Quando Jesus veio à terra para ajudar a humanidade, Deus “veio” (através de Jesus). E quando Jesus “retornar” do céu, Deus “vem!”

Assim, se Jesus “em breve” vem para fazer a vontade de Deus, então, pelo mesmo ato, Deus vai “vir” também (não literalmente, mas através de Jesus).

Leia agora novamente Apocalipse 1: 8 e Apocalipse 1: 4, 5 que vai ficar mais claro para você:

Eu sou o Alfa e o Ômega”, diz o Senhor Deus, que é, que era e que há de vir, o Todo-Poderoso

Sabemos que este é o Pai falando como vimos nos comentários na primeira parte desse estudo. Somente Ele é chamado Senhor Deus e Todo-Poderoso na Sagrada Escritura. Observe que o Pai neste versículo é descrito como alguém que está para vir:

Graça e paz da parte daquele que é, que era e que há de vir, e da dos sete espíritos que estão diante do seu trono, e de Jesus Cristo, a testemunha fiel …” (1: 4, 5).

Portanto, no sentido que Deus “vai vir”, deve ser como descrito acima: Deus “vir” através de seu filho, mas eles ainda são duas pessoas distintas!

Portanto, podemos ver facilmente que não há razão para dizer que o título Alfa e Ômega de Apocalipse 22:13 foi dirigido a pessoa de Jesus. E a maior evidência para tal é exatamente o versículo imediato. Leia Apocalipse 22:14 [Isto é o anjo falando] Bem-aventurados aqueles que guardam os seus mandamentos, para que tenham direito à árvore da vida, e possam entrar pelas portas na cidade. É uma terceira pessoa falando – Deus não diria: “Bem-aventurados aqueles que guardam os seus mandamentos“.

O capítulo segue dizendo:

Apocalipse 22:15 Ficarão de fora os cães, os feiticeiros, os adúlteros, os homicidas, os idólatras, e todo aquele que ama e pratica a mentira.

Apocalipse 22:16 [Agora entra Jesus:] Eu, Jesus, enviei o meu anjo para vos testificar estas coisas a favor das igrejas. Eu sou a raiz e a geração de Davi; a Resplandecente Estrela da Manhã“.

Apocalipse 22:17 Vem!’ O Espírito e a noiva dizem: Aquele que ouve, diga: Vem! E quem tem sede, venha. E quem quiser, receba de graça a água da vida.

Apocalipse 22:18 Eu testifico a todo aquele que ouve as palavras da profecia deste livro que, se alguém lhes acrescentar alguma coisa, Deus lhe acrescentará as pragas que estão escritas neste livro.

Apocalipse 22:19 Se alguém tirar quaisquer palavras do livro desta profecia, Deus tirará a sua parte da árvore da vida, e da cidade santa, que estão escritas neste livro.

Apocalipse 22:20 [João escreve] Ele [Jesus] que dá testemunho destas coisas diz: “Sim, eu venho“, Amém! [João responde] Vem, Senhor Jesus.

Apocalipse 22:21 A graça do Senhor Jesus esteja com todos os santos. Amém”.

Um detalhe importante a ser notado está registrado nos versículos oito e nove. Quando João cai aos pés do anjo para adorá-lo, este diz: “Não faças tal; porque eu sou conservo teu e de teus irmãos, os profetas, e dos que guardam as palavras deste livro. Adora a Deus“. João ficou tão maravilhado que se ajoelhou diante do poderoso anjo. É a segunda vez que ele comete o mesmo erro, e a segunda vez que lhe chamam a atenção (Ap 19:10). Esta é uma prova conclusiva de que realmente temos um anjo falando pelo Senhor Deus Todo Poderoso, alguem subserviente ao Senhor admoestando o apóstolo João a “adoração a Deus”, assim como ele faz. Veja: “Não faças tal… adora a Deus”.

Portanto, não há evidência alguma de que a frase “o Alfa e o Ômega” refere-se ao Messias – na verdade, o oposto é evidente quando examinamos cuidadosamente as ocorrências desta frase em todo o livro do Apocalipse.

O Primeiro e o Último

Em Isaías 41:4; 44:6; 48:12 encontramos as palavras “primeiro e último”, que expressam a soberania do Senhor apresentado-o como único Deus. No entanto, a ortodoxia cristã entende que primeiro e último neste contexto deve significar eternidade para trás e para frente no tempo. Na verdade, o profeta reforça nestas expressões o domínio do Deus Todo-Poderoso, o “primeiro e último” em força (Divindade), apresentando o Pai como a fonte de todo o poder, algo que os falsos deuses das nações não podem reclamar. Observe as palavras em 44:6, 8: “Eu sou o primeiro, e eu sou o último, e fora de mim não há Deus… Eu não conheço nenhum”.

Compare esta sentença com os textos a seguir: “Por isso hoje saberás, e refletirás no teu coração, que só o Senhor é Deus, em cima no céu e em baixo na terra; nenhum outro há”, Deuteronômio 4:39.

Portanto, grandioso és, ó Senhor Deus, porque não há semelhante a ti, e não há outro Deus senão tu só, segundo tudo o que temos ouvido com os nossos ouvidos”, 2 Samuel 7:22.

Vós sois as minhas testemunhas, diz o Senhor, e meu servo, a quem escolhi; para que o saibais, e me creiais, e entendais que eu sou o mesmo, e que antes de mim deus nenhum se formou, e depois de mim nenhum haverá”, Isaías 43:10.

No último livro da Bíblia descobrimos a expressão “primeiro e último”. Pelo menos duas vezes ela é aplicada a Jesus, em Apocalipse 1:17 e Apocalipse 2: 8. A frase aparece também em Apocalipse 22:13, onde o Senhor a aplica para si mesmo.

Erroneamente a ortodoxia popular prefere ler as expressões primeiro e ultimo de Isaías e Apocalipse, como “eterno”, embora não haja nada nas referências citadas para justificar este significado. Assim, e irresponsavelmente, surgiu uma reivindicação que foi transformada em constituição pela teologia cristã tradicional, de que o livro de Apocalipse mostra, não só o Pai, como o primeiro e ultimo e o alfa e Ômega – com conotação de eternidade, mas também o Filho, o Senhor Jesus. Além disso, de acordo com muitos, a frase “o primeiro e o último”, aplicados a Jesus em Apocalipse 1:17 e 2:8 oferece prova de que Jesus é o Senhor Deus, uma vez que o Pai fala de si mesmo como primeiro e último sugere que Jesus é o Senhor do Antigo Testamento e, portanto, pré-existente de acordo com o ensino da envelhecida ortodoxia cristã apoiada pelo trinitarismo e o catolicismo romano.

O primeiro e o último, que foi morto e reviveu

Apocalipse 1:17, 18 “E eu, quando vi, caí a seus pés como morto; e ele pôs sobre mim a sua destra, dizendo-me: Não temas; Eu sou o primeiro e o último; e o que vivo e fui morto, mas eis aqui estou vivo para todo o sempre. Amém. E tenho as chaves da morte e do inferno”.

Apocalipse 2:8 “E ao anjo da Igreja que está em Esmirna, escreve: Isto diz o primeiro e o último, que foi morto e reviveu”.

Observem que os termos primeiro e último estão associados às palavras “o que vivo e fui morto, mas estou vivo para sempre”, e, “que foi morto e reviveu”. Vamos saber depois porque.

O ponto que deve ser observado, insisto, é que a cristologia popular vê na frase “o primeiro e o último” de Apocalipse 1:18 e 2:8 um Jesus preexistente, como sendo ele o próprio Deus, dando-lhe o significado de eterno, sugerindo que Jesus existe fora de todos os tempos, ou que ele sempre existiu a partir da eternidade passada infinita com uma existência contínua ininterrupta para o futuro infinito. Esse ponto de vista sugere que Jesus, enquanto aqui viveu, era uma coisa do outro mundo, alguém que tinha um poder incomum, que flutuava pelo espaço infinito indo para trás e para frente no tempo, movendo-se entre o passado, presente e futuro: Um verdadeiro Deus! Está aí, presado leitor, uma extraordinária maneira de negar que ele não veio em carne. Isto é um perigo mortífero, pois insinua que o Messias jamais morreu.

A conclusão das Escrituras não seria de que Jesus é o Senhor Todo-Poderoso, mas que tanto Jesus como Deus são, de alguma forma, respectivamente, o primeiro e o último. No entanto, muitos têm afirmado que só pode haver um primeiro e último, e, assim, entendem que esta frase mostra que a pessoa que está falando em Apocalipse 2:8 é o Senhor, o Altíssimo. Seu raciocínio é que, quando o uso semelhante de palavras se aplica para Jesus e Deus, deve significar que Eles não tem começo e nem fim – são ambos eterno passado e futuro eterno. Assim, entendem que as palavras tem o mesmo sentido quando aplicadas a Jesus, e, portanto, eles concluem que Jesus é o Senhor Deus.

Quando questionados sobre como o Eterno, que é de eternidade a eternidade, morreu, a ortodoxia cristã fica em apuros. Como poderia um ser eterno morrer? E é aqui que começam os tropeços nos argumentos, dando a luz àquela velha fábula trinitariana: “quem morreu foi a natureza humana de Jesus e não a divina”. Isto se torna um desastre para aqueles que não separam Jesus de Deus, afirmando serem eles uma só pessoa, literalmente, insinuando ter sido o Messias um ser eterno, que mesmo estando na sepultura, continuava vivo.

Observe aqui a realidade dos contextos: “… Eu sou o primeiro e o ultimo; e o que vivo e fui morto, mas eis aqui estou vivo para todo o sempre”, Ap 1:18.

“… Isto diz o primeiro e o último, que foi morto, e reviveu”, Ap 2:8.

Obviamente, O Deus eterno, que é Espírito, nunca iria dizer: “Eu estava morto“. Deus é imortal e Ele não pode morrer; portanto, em Apocalipse 1:18 a referência aponta para o filho do homem glorificado: “Eu sou aquele que vive, e foi morto, e eis que estou vivo para sempre“.

A proposta da maioria na cristologia convencional é irritante, pois sugere que Jesus morreu, mas uma parte dele ficou viva em outro lugar. No entanto, deve-se observar que há um contraste entre o seu ser morto com estar vivo para todo o sempre, como atesta o verso acima, o que esclarece que ele morreu mesmo. Quando Jesus diz que ele estava “morto” é traduzida da palavra grega, “Nekros”, que significa “um cadáver”. A nossa palavra “necrotério” é derivado de Nekros. Jesus diz em Apocalipse: “Eu era um cadáver”. Ele não diz apenas que estava morto, mas acrescenta ênfase à morte. Deus é imortal, e, portanto, Jesus não pode ser chamado de Deus. As Escrituras que provam que Deus não pode morrer são as seguintes:

Ora, ao Rei dos séculos, imortal, invisível, ao único Deus sábio, seja honra e glória para todo o sempre. Amém”, 1 Timóteo 1:17.

Aquele que é o bendito e único Soberano, o Rei dos reis e Senhor dos senhores; o único que possui a imortalidade e habita em luz inacessível; a quem nenhum dos homens viu nem pode ver. A ele seja honra e poder eterno! Amém”, 1 Timóteo 6: 15-16.

Porém, lamentavelmente, a alegação de que Jesus foi 100% Deus Todo-Poderoso e ao mesmo tempo 100% ser humano, quando aqui andou, tornou-se uma constituição dentro da teologia protestante e católica romana. Muitos se referem a esta suposição como a “dupla natureza” ou “união hipostática” de Jesus. Ou seja, ele era humano, mas uma parte dele era eterna, a divina que nunca morreu. Assim, a fim de aplicar essa hipótese ao Apocalipse, o trinitário ou qualquer um que acredita nas alegadas “naturezas duais” de Cristo, tem de dividir a sentença em duas partes, de modo a aplicar a frase “o primeiro e o último” à ideia de Jesus como Deus. Em seguida, a última parte da frase, “que estava morto”, eles teriam que reclamar que se aplica apenas à “natureza” humana de Jesus, concluindo assim que somente esta natureza, a humana, foi que morreu. Isso tudo gera a tese absurda e cômica de que “o primeiro e o último” não morreu. Em outras palavras: Jesus morreu, mas uma parte dele, a divina, continuou viva em algum lugar entre o céu e a terra.

Está aí, amigo leitor, a proposta mais nociva e destruidora já apresentada contra o sacrifício do Senhor Jesus, que faz da sua morte no madeiro uma verdadeira farsa. E acreditem, pode até ser que a ortodoxia cristã, envenenada pelo trinitarismo e o catolicismo romano, nem tenha percebido o absurdo proposto. E repito: em Apocalipse 2:8, Jesus disse: “O primeiro e o último, que foi morto”. Ele declara que “o primeiro e o último” esteve morto. Ele não disse, como a ortodoxia cristã parece ter dito: “Eu sou o primeiro e o último que não morreu, mas que como um ser humano, fui morto”. Portanto, qualquer que tenha uma visão dualista para este versículo, na verdade, acaba negando o que Jesus disse, que o “primeiro e ultimo esteve morto”.

O Significado de primeiro e último para Cristo

E eu, quando vi, caí a seus pés como morto; e ele pôs sobre mim a sua destra, dizendo-me: Não temas; Eu sou o primeiro e o último”, Apoc 1:17.

Para os defensores da preexistência do Filho de Deus aqui está a principal evidência a favor de suas argumentações: “Jesus já existia desde tempos eternos”. Declaram que a palavra “primeiro” deve significar “princípio”. Portanto, para eles, Jesus existe desde o princípio. O problema é que essa linha de interpretação parece não ter entendido perfeitamente o verso 18, que declara,

“… E o que vivo e fui morto, mas eis aqui estou vivo para todo o sempre. Amém. E tenho as chaves da morte e do inferno”.

Qual seria, então, neste contexto, o sentido exato de ser o primeiro e o último? Perguntando de outra forma: Quem morreu na cruz? Isso parece escapar à atenção dos muitos dedicados a doutrina da “pré-existência”, que, se Jesus era o “filho eterno” ou “o Filho de Deus, Ele não poderia ter sido a semente prometida a Abraão, Isaque e Jacó, semente esta, como disse Paulo, que se tornou o mediador entre Deus e o homem (1 Tm. 2:5). Se, de fato, Jesus era o Filho de Deus, uma parte da “Divindade”, ou o “Filho eterno”, Ele não poderia ter se tornado um mediador entre Deus e o homem, como atesta as Escrituras.

O Senhor Jesus é descrito no Apocalipse como “o primogênito dentre os mortos” (Ap . 1:5), e isto é confirmado pelo próprio, quando ele instrui João a escrever, “Eu sou aquele que vive e fui morto” (Apoc 1: 18). A sentença continua, ou seja, o verso 18 completa o sentido do contexto, enfatizando de forma brilhante a vitória do Senhor sobre as hostes malignas, lhe dando o poderio sobre tudo e todos, “… E o que vivo e fui morto, mas eis aqui estou vivo para todo o sempre. Amém. E tenho as chaves da morte e do inferno”. Isso também significa ser o primeiro e o último, como veremos com mais detalhes nos comentários que se seguem. Aqui também temos uma revelação valiosa, pois se atentarmos para a palavra do verso 17, descobrimos que o Senhor tranquiliza João diante da visão deixando explícito ser dele o poder de abrir e fechar, e, portanto, demonstrando que ele tem a primazia. A nenhum outro homem será jamais dada tal autoridade, pois há apenas um mediador entre Deus e os homens: Jesus, o primeiro e o último, ninguém mais.

Há outra palavra interessante que o Senhor nos deixa de uma forma positiva neste contexto, e João a registrou como segue: “Eu sou a Raiz e a Geração de Davi”, Apoc 22:16. Poderia haver algo mais definitivo? As Escrituras provam que a pessoa a direita do Pai é de fato Jesus de Nazaré, que tinha morrido e que era um descendente do rei Davi, que ele não poderia ter sido pré-existente se sua raiz começava em Davi. E quando Miquéias 5: 2 diz do Messias: “Ó Belém …, de ti sairá [o Messias]”, só pode significar que, na sua existência única e terrena, ele se originou em Belém!

Detalhes importantes também encontramos nas palavras de Lucas em 1:32, e que podem causar danos irreparáveis para a doutrina da pré-existência do Messias como o “Filho eterno”, ou mesmo, “Deus Filho”. Observe que a pessoa a nascer de Maria era o Messias prometido, e era para ser chamado Filho do Altíssimo, e que Ele estava para reinar sobre o trono de seu pai, Davi: ”Ele será grande e será chamado Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi“. Esse versículo mostra que Jesus de Nazaré passaria a ser chamado Filho do Altíssimo. Se Jesus tivesse sido o “Filho eterno”, ou “Deus Filho”, a natureza profética desta passagem estaria totalmente destruída.

Na verdade, o contexto que fala de Jesus como o “primeiro e o último”, mostra ele sendo levantado para a vida eterna pelo Senhor Deus e Pai. Assim, ele é chamado de o “primogênito dos mortos” (Colossenses 1:18). De qualquer maneira, parece haver aqui uma conexão entre suas declarações que ele se tornou morto e agora está vivo para todo o sempre.

Um detalhe importantíssimo que deve ser observado é porque as palavras “Eu sou o primeiro e o último” são seguidas pela sentença “Que foi morto e reviveu”. A adição feita por Jesus completa o sentido da mensagem transmitida. Nos dois versículos inspirados Jesus declara ser ele o primeiro e o último, mas acrescenta porque: que foi morto e reviveu.

Jesus não está dizendo que ele é preexistente quando usa a sentença nas duas passagens, e muito menos declara ter sido ele o criador. Também não devemos entender o primeiro e o último aplicados a Jesus em Apocalipse da mesma maneira que foi contextualizado por Isaías, quando declara sobre Deus em em 44:6, 8: “Eu sou o primeiro, e eu sou o último, e fora de mim não há Deus… Eu não conheço nenhum”.

O profeta reforça nestas expressões o domínio do Deus Todo-Poderoso, o “primeiro e último” em força (divindade), apresentando o Pai como a fonte de todo o poder, algo que os falsos deuses das nações não podem reclamar.

Compare com os textos que seguem: “Por isso hoje saberás, e refletirás no teu coração, que só o Senhor é Deus, em cima no céu e em baixo na terra; nenhum outro há”, Deuteronômio 4:39.

Vós sois as minhas testemunhas, diz o Senhor, e meu servo, a quem escolhi; para que o saibais, e me creiais, e entendais que eu sou o mesmo, e que antes de mim deus nenhum se formou, e depois de mim nenhum haverá”, Isaías 43:10.

Em ambos os casos em que os termos “primeiro” e “último” são usados sobre Jesus, também sua morte e vida eterna são mencionados no contexto, Ap 1:17, 18 e 2:8. Jesus foi o primeiro a quem Deus deu à luz diretamente da morte por meio de seu Espírito Santo para nunca mais morrer de novo, Atos 2:24, 32, 26; 3:15; 4:10; 10:40; 13:30, 33, 37; 17:31; Romanos 4:24; 8:11; 10: 9; 1 Coríntios 6: 14; 15:15; Gálatas 1: 1; Colossenses 2:11, 12; 1 Tessalonicenses 1:9, 10; 1 Pedro 1:21; 3:18.

Todos os cristãos, que estiverem nos túmulos, Deus os trará a vida por meio de Jesus no ultimo dia: João 5:21, 22, 25, 27,28, 29; 6:39, 40, 44,54; 11:24; Atos 10:42; 17:31; Romanos 2:16, o que faz do Senhor Jesus o primeiro, ou seja, o primogênito de entre os mortos, sendo que nunca haverá outro que será o primogênito dentre os mortais, Col 1:18; Ap 1:5. Paulo diz em 1 Coríntios 15:20 que Cristo “foi feito as primícias dos que dormem”. Com efeito, uma vez que, no contexto, Jesus descreve a si mesmo como o primogênito dos mortos, podemos fazer aqui um paralelo como sendo ele “o primeiro e o último”, que após sua exaltação, reconciliou, justificou e salvou. Desta forma Jesus é designado como primeiro e ultimo, o que faz uma distinta aplicação nos termos para ele em relação ao Deus Todo-Poderoso. Ele é chamado de primeiro e ultimo, não porque ele é o Pai, mas, no contexto sempre tem a ver com sua morte e ressurreição, em oposição à nunca ter um começo e nem fim, sendo eterno passado e futuro eterno.

Deus não pode ser o primogênito dentre os mortos porque ele simplesmente não pode morrer, não pode ser trazido de volta à vida novamente depois da morte porque ele é imortal. Por outro lado o Senhor Jesus disse: “Eu estive morto”. Jesus não disse que apenas uma parte dele morreu. Apocalipse 1: 17,18 atesta: ”… Eu sou o primeiro e o último; E o que vivo e fui morto”, o que pode ser extremamente embaraçoso para a ortodoxia tradicional a qual propõe que Jesus sempre esteve na condição de eterno enquanto estava no túmulo. Se Jesus não morreu realmente na cruz então seu sacrifício foi uma farsa e nós permanecemos no nosso pecado, o que faz do Espírito Santo um mentiroso, pois ele inspirou Paulo a registrar que nosso velho homem foi com Cristo crucificado e morto (Romanos 6:6-8). O corpo de Cristo é aquele em que nos é dado a vida, ele é o início e o fim da nova criação nos decretos de Deus.

E aqui temos a principal evidência de que a adulteração de Apocalipse 1:10-13 na King James, acrescentando as palavras “Eu sou o Alfa e o Ômega, o primeiro e o último”, não é ilusão ou engano, mas um fato.

Como foi visto anteriormente, os dois textos inspirados em discussão neste tópico, imediatamente após a expressão “primeiro e último”, são acompanhados das palavras “e o que vivo e fui morto, mas eis aqui estou vivo para todo o sempre” (Ap 1:18) e, “que foi morto, e reviveu” (Ap 2:8). Essa composição contextual nos deixa um tesouro de valor inestimável, que é a revelação do porque o Senhor Jesus foi chamado de primeiro e último.Primeiro e último neste contexto está ligado a sua morte, ressurreição e exaltação

Vamos observar que a passagem adulterada não nos possibilita visualizar a intenção de todo o contexto circundante, mas tenta transformar Jesus no Deus Todo Poderoso apenas para satisfazer interesses trinitários e ortodoxos, furtando o real significado de sua conquista sobre a morte que culmina na sua ressurreição, exaltação e glorificação. Assim, o contexto inspirado nos permite aplicar os termos primeiro e último em referência à vida incessante que ele recebeu depois de ter sido o primeiro ressuscitado, obtendo exclusividade como herdeiro e salvador do mundo. Por isso quando o Senhor Jesus foi levantado da morte para a glória, Ele foi o início de uma nova criação – Apocalipse 3:14, “E ao anjo da igreja que está em Laodicéia escreve: Isto diz o Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de Deus”. Colossenses 1:15 diz que ele “é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação“ (Veja o artigo sobre Colossenses 1:16-19 clicando aqui: TUDO foi criado por Ele).

Cristo é o primeiro e o último, porque ele é o Autor e Consumador da fé, A Pedra angular, o homem por quem Deus julgará o mundo, e criador das novas eras vindouras (ver Heb. 1:10). Nele consiste Colossenses 1:17, “Ele é antes(superior a) de todas as coisas, e nele tudo subsiste”. Então, ele é o começo e o fim da nova criação de Deus, pois ele consumou a obra de redenção tendo completado tudo a nosso favor, nos fazendo assentar nos lugares celestiais, transferindo-nos do reino das trevas para o reino da luz (Ef 2:6; Col 1:13). A ele foi concedida uma imortalidade interminável e o poder de dar vida à humanidade pelo próprio doador da vida e sustentador, que é o Pai. Seu corpo foi levantado do túmulo para sempre, e, literalmente, o seu “outro” corpo, que é o de cristãos, também se levantará (1 Cor. 12:27 compare com Ef 2:6).

A Deus toda Glória

Adulteração em Mateus 28:19

O Cardeal Ratzinger, em seu Livro “Introdução ao Cristianismo”, fez algumas declarações que se espalharam pela Internet de forma avassaladora. Essas declarações revelam nas entrelinhas algo interessante sobre a forma batismal em nome do Pai, Filho e Espírito Santo, mesmo estando o Cardeal fazendo referência ao Credo Apostólico, que de Apostólico nada tem, pois ele é bem explicito quando afirma onde e quando foi elaborado esse Credo.

Toda essa discussão gira em torno da trindade, crida e aceita pela maioria cristã hoje, sejam eles católicos ou protestantes. Porém, a discussão e crença não se limita apena aos religiosos convencionais, mas vai além; milhões creem na trindade até fora das Igrejas, dentro de outras religiões, entre incrédulos e até pessoas afastadas da Igreja temem blasfemar contra aquela doutrina que entendem ser um mistério divino, um enigma do outro mundo, o sagrado segredo que pode exterminar quem duvidar de sua existência.

Depois da eliminação de 1 João 5:7-8 das Escrituras, toda responsabilidade para provar a doutrina trinitariana está agora sobre Mateus 28:19, que diz: “Ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a guardar todas as coisas que lhes tenho ordenado, e eis que estarei convosco todos os dias até a consumação dos séculos”.

Uma pergunta apenas deve ser feita aqui: Para quem Mateus escreveu seu Evangelho? Todos sabem que ele escreveu para os judeus. No entanto, a sugestão da existência de uma trindade não se coaduna com a crença do público alvo do livro. O objetivo de Mateus era alcançar os judeus convencendo-os de que Jesus Cristo era o Messias descrito pelos profetas do Antigo Testamento. Desta forma, causa-nos no mínimo alguma estranheza a menção de uma fórmula batismal que sugira a existência de uma trindade jamais aceita pelos judeus. Isto porque a crença dos judeus se baseia totalmente no Velho Testamento, onde não há qualquer sugestão da existência de uma trindade. Baseados no Velho Testamento, os judeus aceitam um único Deus e a proposta de uma trindade soaria absurda. Ademais, o objetivo de Mateus não era convencê-los da existência de uma trindade, mas mostrar Jesus como o Messias.

Isso lhe parece estranho? Não se preocupe com suas dúvidas; apenas continue a leitura para descobrir um dos maiores embustes inseridos na Palavra de Deus depois da interpretação equivocada de João 1:1-3.

O texto do Cardeal Ratzinger diz:

Talvez seja útil fornecer alguns dados sobre a origem e estrutura do símbolo, que contribuirão para esclarecer o “por quê” do nosso proceder. A forma básica do nosso símbolo apostólico cristalizou-se no correr do segundo e terceiro século, em CONEXÃO com o rito batismal. Trata-se originariamente de uma fórmula nascida na cidade de Roma. Contudo, seu lugar interno de origem é a liturgia, ou mais exatamente, o batismo. O rito batismal fundamentalmente orientava-se pelas palavras de Cristo: “Ide, fazei discípulos a todos os povos e batizai-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo” (Mt 28, 19). De acordo com esta ordem, o batizando ouvia três perguntas: “Crês em Deus, Pai todo-poderoso…? Crês em Jesus Cristo, Filho de Deus…? Crês no Espírito Santo…?” 2. A cada uma das perguntas o batizando respondia: “Creio”, sendo, de cada vez, mergulhado na água. Portanto, a fórmula mais antiga do símbolo realiza-se em tríplice diálogo e está enquadrada no rito batismal.

Provavelmente ainda no correr do século II, mas sobretudo no século III, a fórmula tríplice, tão simples, e reproduzindo apenas o texto de Mt 28, sofreu um desdobramento em sua parte média, ou seja, na pergunta sobre Cristo. Por tratar-se do que é tipicamente cristão, aproveitou-se a ocasião para fornecer um resumo a respeito da importância de Cristo para o cristão, dentro dos limites daquela pergunta. Igualmente a terceira pergunta, a profissão da fé no Espírito Santo, foi explicitada e desenvolvida como declaração da fé a respeito do presente e do futuro do cristão. No século IV estamos diante de um texto contínuo, libertado do esquema de perguntas e respostas” (Introdução ao Cristiansmo, pág. 31).

O que está explícito no texto é que o batismo trinitário deu origem ao credo: “… seu lugar interno de origem é a liturgia, ou mais exatamente, o batismo”. No entanto, como vai ficar provado, o batismo em nome da trindade não é bíblico, e Mateus 28:19 em sua forma alongada, a forma trinitariana, não faz parte do texto original, mas foi uma adulteração inserida em um manuscrito supostamente de Mateus que circulava entre o terceiro e quarto século.

Mateus 28:19 é realmente um texto muito suspeito. Uma das razões pelas quais esse é o caso é que há um intervalo muito grande desde o momento em que Mateus escreveu seu Evangelho e os primeiros manuscritos gregos que temos contendo as palavras encontradas em Mateus 28:19 – existem quase trezentos anos entre os dois.

Infelizmente, a “Igreja” durante esse período também estava rapidamente se transformando em escuridão. O que viria a ser a Igreja Católica desenvolveu grande parte de sua teologia durante esse período e foi obstinadamente zelosa na aplicação dessas doutrinas. Se você ousasse desafiá-los, seria rotulado de herege e poderia enfrentar evasão, censura e até morte. Ter apenas manuscritos datados dessa época (séculos III e IV – durante os quais a Igreja Católica estava surgindo com suas crenças como autoridade das Escrituras) era um problema real e muito grande.

Em outro lugar Ratzinger diz:: “Nas considerações introdutórias tivemos ocasião de ver que o Credo se originou do tríplice interrogatório batismal sobre a fé no Pai, Filho e Espírito, que, por sua vez, se baseia na fórmula do batismo, testemunhada e transmitida em Mateus (28,19). Neste sentido, a forma mais antiga de nossa fé, com a sua tríplice divisão, apresenta até uma das mais decisivas raízes da imagem trinitária de Deus. Somente o alargamento paulatino do questionário batismal, até formar um texto desenvolvido do símbolo, encobriu um tanto a sua estrutura trinitária” (Introdução ao Cristianismo, pág. 160).

Ratzinger fez uma exegese em cima de um texto falsificado. Ele está sendo enganado, como estão sendo todos os católicos. Ele é católico, e como tal defende também outras mentiras, como o purgatório, a assunção de Maria e o pontificado de Pedro em Roma.

Os textos do Cardeal serão examinados com mais detalhes no decorrer desse artigo.

O Batismo

A Bíblia afirma claramente que somos batizados em Jesus Cristo (não no Pai ou no Espírito Santo). O Espírito vem como dom quando o fiel é batizado em Cristo (Atos Atos 2:38; 19: 1-6). Além disso Romanos 6: 3,4, diz: “Ou, porventura, ignorais que todos quantos fomos batizados em Cristo Jesus fomos batizados na sua morte? Fomos, pois, sepultados com ele pelo batismo na morte, para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida“.

É sepultado com Cristo no batismo, e não com o Pai e o Espírito Santo. O símbolo do batismo é a morte de Cristo. Esse é o ponto principal.

O novo Cristão, ao ser submergido totalmente pelas águas, está sepultando a velha criatura junto com todos os seus pecados: “tendo sido sepultados com ele no batismo, no qual também fostes ressuscitados pela fé no poder de Deus, que o ressuscitou dentre os mortos” (Cl 2:12). Portanto, não é lícito batizar em nome do Pai. Ele não é parte da velha criatura. Além disso, ele não morre – veremos isso com mais detalhes adiante.

Os verdadeiros Pais da Igreja

O que precisamos considerar de mais importante na discussão sobre Mateus 28:19 é que os Pais da Igreja são os Apóstolos originais. Portanto, nós devemos ter como fidedignos seus escritos e não os escritos daqueles considerados pais que apareceram pós século primeiro, pois muitos deles não passam de lobos devoradores:

Eu sei que DEPOIS da minha partida entrarão no meio de vós lobos cruéis que não pouparão o rebanho” (Atos 20:29).

Depois desses tantos chamados Pais da Igreja se manifestarem foi que a própria Igreja entrou em confusão. Acreditar em todos eles e usar seus escritos como prova de autenticidade doutrinária é muito perigoso. Na verdade, a doutrina deve ser obtida somente da pura Palavra de Deus e não de outras fontes duvidosas. Esses autoproclamados “pais” viveram em uma era de heresia desenfreada. O testemunho de alguns deles pode ser valioso apenas porque eles fornecem uma verificação incidental e independente dos textos das Escrituras muito mais antigos do que nossas cópias completas atuais.

No entanto, ignorando o contexto das Escrituras, muitos tem como preciosos os escritos de alguns desses chamados pais quando se levantam em defesa do batismo trinitariano. Podemos encontrar pelo menos uma dúzia de citações dos pais patrísticos “autenticando” o batismo em nome do Pai, Filho e Espírito Santo” antes do estabelecimento oficial da trindade – as discussões tiveram início com o Concílio de Niceia, tendo a aceitação do dogma sido concluído mais tarde. Há um ponto importante a ser lembrado aqui: a trindade, apesar de existir na crença eclesiástica e da Igreja, não foi codificada até o ano de 381 (o Concílio de Niceia em 325 d.C. simplesmente decidiu que Jesus era Deus enquanto deixava o Espírito Santo fora da equação).

Também é necessário dizer que o cristianismo do século IV era uma bagunça organizacional, razão pela qual o século estava repleto de controvérsias e conselhos. E no meio dessa desordem abundante podia-se encontrar documentos considerados fidedignos, que foram atestados e escritos por pais de renome já falecidos, como Tertuliano, Justino Mártir, Origenes e Cipriano de Cartago que viveram entre fins do primeiro e segundo séculos, e, acrescentando os vivos por volta do quarto século, haviam Jerônimo e Agostinho. Todos eles deixaram documentado que o batismo era em “nome do Pai, Filho e Espírito Santo”. Não vou considerar aqui qual deles teve seus escritos adulterados, embora tenhamos certeza de que isso ocorreu. É relativamente fácil identificar uma adulteração trinitariana feita no século 16 (exemplo I João 5:7), mas o mesmo não pode se afirmar com relação a adulterações mais antigas, principalmente as adulterações anteriores ao quarto século.

No entanto, é preciso entender que a corrupção da fórmula batismal teve inicio realmente no segundo século. De acordo com a Enciclopédia de Religião de Canney, a igreja primitiva batizou em nome de Jesus até o segundo século.

A Enciclopédia Britânica (11ª ed., Vol. 3, p. 365) concorda, afirmando que o batismo foi mudado do nome de Jesus para as palavras Pai, Filho e Espírito Santo no século II.

No Volume 2 da Enciclopédia de Religião e Ética, p.389, é observado que o batismo sempre foi realizado em nome de Jesus até a época de Justino Mártir.

No Pastor de Hermas – datado de aproximadamente 120 dC, portanto, antes dos mais antigos Pais citados, está registrado: “Antes que o homem levasse o nome do Filho de Deus, ele estava morto, mas quando recebeu o selo [pelo batismo], ele deixou de lado a mortalidade e recebe a vida”. Também declara: “Eles são aqueles que ouviram a palavra e estavam dispostos a ser batizados em nome do Senhor”.

A apologética trinitariana invoca o testemunho desses escritores patrísticos em defesa dos seus argumentos, mas, sem dar explicações coerentes, ignoram o testemunho maior e mais excelente que é o do Novo Testamento, o escrito dos verdadeiros Pais da Igreja, que circulavam entre os cristãos um século e meio antes dos escritos chamados patristicos. Nestes documentos está registrado que o batismo era feito em nome de Jesus. Preste atenção nesses registros ao modelo da patrística:

“… Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados” (São Lucas – Livro de Atos dos Apóstolos, capítulo ii verso 38).

Mandou, pois [Pedro], que fossem batizados em nome do Senhor Jesus” (São Lucas – Livro de Atos dos Apóstolos, capítulo x, v 48).

“… foram batizados em nome do Senhor Jesus” (São Lucas – Livro de Atos dos Apóstolos, capítulo xix, v 5).

fomos batizados em Cristo Jesus” (São Paulo – Carta aos Romanos, capítulo vi, v 3).

Porque todos quantos fostes batizados em Cristo, de Cristo vos revestistes” (São Paulo – carta à Igreja da Galácia, capitão iii, v 28).

Estão aí, de forma magnífica e explícita, os registros dos originais Pais da Igreja.

A Grande Comissão

Um dos maiores problemas para a formato textual batismal trinitariano apresentado em Mateus 28:19 são as passagens paralelas que tratam do mesmo evento (Marcos 16:15,16; Lucas 24:46-51 e Atos 1:5,8).

Marcos 16:15,16: “E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo”. Marcos omitiu o batismo trinitariano, além de omitir os nomes dos três componentes da chamada trindade.

Lucas 24:46-51 “E disse-lhes: Assim está escrito, e assim convinha que o Cristo padecesse, e ao terceiro dia ressuscitasse dentre os mortos, e em seu nome se pregasse o arrependimento e a remissão dos pecados, em todas as nações, começando por Jerusalém”. E eis que sobre vós envio a promessa de meu Pai; ficai, porém, na cidade de Jerusalém, até que do alto sejais revestidos de poder. E levou-os fora, até Betânia; e, levantando as suas mãos, os abençoou. E aconteceu que, abençoando-os ele, se apartou deles e foi elevado ao céu”. Outra omissão aqui do batismo e da trindade, embora fale do mesmo evento.

Atos 1:4,5-8,9 “E, estando com eles, determinou-lhes que não se ausentassem de Jerusalém, mas que esperassem a promessa do Pai, que (disse ele) de mim ouvistes. Porque, na verdade, João batizou com água, mas vós sereis batizados com o Espírito Santo, não muito depois destes dias… Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra… E, quando dizia isto, vendo-o eles, foi elevado às alturas, e uma nuvem o recebeu, ocultando-o a seus olhos”.

Note que no contexto de Atos, momentos antes de subir ao céus, está registrado que eles seriam batizados no Espírito Santo, mas omite “em nome do Pai e do Filho”. Observe que em Lucas 24:46-52, ele omite totalmente o nome do Espírito Santo e do Pai, mas insinua o batismo em Jesus quando fala que eles receberiam o revestimento de poder prometido, que só é obtido quando o arrependido é batizado em nome de Jesus, não no nome do Espírito Santo. O Espírito Santo vem como dádiva sobre aqueles que se arrependem e são batizados em Cristo, como diz Pedro falando do cumprimento dessa promessa do Senhor Jesus: “Arrependei-vos, e seja cada um de vós BATIZADO EM NOME DE JESUS e recebereis o dom do Espírito Santo” (Atos 2:38). Observe que Pedro não usa o termo batizados no Espírito Santo, mas diz: “recebereis o dom do Espírito Santo”. Pedro não chamou de batismo, mas de dom. Quando usou a palavra batismo ele inseriu apenas um nome, o de Jesus, mais ninguém. Compare com Atos 19:1-6.

Jesus não poderia ter dito a Seus discípulos para batizar pessoas no Espírito Santo simplesmente porque este não era um batismo que os discípulos deveriam realizar. Além disso, se Jesus não pudesse ter dito a seus discípulos que batizassem homens no Espírito Santo, é altamente improvável que Ele teria dito a eles que batizassem os homens no Pai também.

Jesus é quem nos batiza com o Espírito Santo; este é o batismo de Jesus, João Batista nos disse: “Eu vos batizo com água, Ele [Cristo] vos batizará com o Espírito Santo” (Marcos 1: 8, cf. Mat 3:11 e Lc 3:16). “… este [Jesus] é o que batiza no Espírito Santo” (João 1:33). Como este é obviamente um batismo separado – um batismo no qual somos imersos [batizados] com [ou no] Espírito Santo – um batismo que Cristo deve realizar -, Jesus não poderia ter dito aos discípulos que batizassem as pessoas em nome do Espírito Santo. Portanto, o Espírito vem como dádiva para aqueles que recebem Jesus e são batrizados EM SEU NOME. Isso é o que significa que Jesus é quem batiza com o Espírito Santo. Não é uma mera profissão de fé quando manipulada por pessoas que jogam água na cabeça de um iniciante – ou mesmo a mergulhe em qualquer lugar que seja – que vai fazer com que o Espírito Santo seja recebido. Não é, “Eu te batizo em nome do Pai, Filho e Espírito Santo”; a ordem prescrita foi: receber Cristo e como dádiva o cristão recebe o Espírito Santo.

Mateus e Lucas – onde está a corrupção textual?

Logo após a ressurreição de Jesus a Escritura diz que Ele se mostrou vivo depois de sua paixão por muitas provas infalíveis, sendo visto pelos discípulos e outros seguidores quarenta dias, e falando das coisas pertencentes ao reino de Deus (Atos 1:3). Durante esses encontros, obviamente Jesus fez questão de lembrá-los das coisas que havia ensinado enquanto ainda estava com eles e, no fim, antes de ser assunto ao céu, ordenou que pregassem em seu nome (singular), salvação, arrependimento e remissão dos pecados. Leia Lucas 24: 45-47 novamente, texto que está de acordo com o modelo batismal praticado na Igreja primitiva: “E disse-lhes: Assim está escrito, e assim convinha que o Cristo padecesse, e ao terceiro dia ressuscitasse dentre os mortos, e em seu nome se pregasse o arrependimento e a remissão dos pecados, em todas as nações, começando por Jerusalém”. E eis que sobre vós envio a promessa de meu Pai; ficai, porém, na cidade de Jerusalém, até que do alto sejais revestidos de poder. E levou-os fora, até Betânia; e, levantando as suas mãos, os abençoou. E aconteceu que, abençoando-os ele, se apartou deles e foi elevado ao céu”. Também é o que está de acordo com as palavras de Pedro proferidos 50 dias depois da ascensão do Senhor: “Arrependei-vos e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para remissão dos pecados” (Atos 2: 37-38). Como pode ser visto, não há lugar no contexto para a redação trinitariana de Mateus 28:19.

Há uma evidência por demais interessante que pode nos revelar de uma vez por todas se as palavras originais de Jesus estão na forma trinitariana de Mateus 28:19 ou em Lucas 24:47. Está em Paulo; vemos o Apóstolo batizando em nome de Jesus (Atos 19:1-5). Esse contexto de Atos nos leva para o encontro entre Paulo e alguns discípulos de João Batista em Éfeso. Eles não haviam recebido ainda o Espírito Santo. Alí é dito que eles são batizados por Paulo; o verso 5 esclarece que todos eles: “… foram batizados em nome do Senhor Jesus“.

Em outro lugar, Paulo esclarece que o batismo é feito em nome de Jesus: “Porque todos quantos fostes batizados em Cristo vos revestistes de Cristo” (Gal 3:27).

Ficamos com uma pergunta: Quem instruiu Paulo e lhe concedeu essa revelação? Basta lembrar que o Evangelho que Paulo recebeu não era de homem, mas de várias revelações dadas a ele diretamente por Jesus de acordo com Gálatas 1:11 e 12 e II Corintios 12:1.

Ele diz claramente que o Evangelho que lhe foi confiado ele “não recebeu de homem algum, e conclui, “mas o recebi por revelação de Jesus Cristo”.

A esse apóstolo Deus revelou o “mistério da Igreja” (ver Ef 3: 5). Com toda essa autoridade, ele também nos exorta em 1 Coríntios 14:37 “Se alguém se considera profeta ou espiritual, reconheça que as coisas que eu escrevo são os mandamentos do Senhor“. Ele também nos diz: “E o que quer que você faça com palavras ou ações faça tudo em nome do SENHOR JESUS … ” (Col. 3:17). O contexto fala por si só.

A leitura correta de Mateus 28:19 parece estar em Lucas 24:47 – o arrependimento pelo perdão dos pecados seria proclamado em seu nome a todas as nações, começando em Jerusalém. Mas Lucas 24:47 não diz nada de batismo! Isso é verdade. Eles se referem apenas a “fazer discípulos de todas as nações” e “arrependimento e remissão de pecados”. No entanto, uma vez que estabelecemos que o texto original de Mateus 28:19 simplesmente diz “em meu nome”, eliminamos essencialmente todo o apoio para o batismo “em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo!” Por causa dessa implicação de longo alcance, somos obrigados a examinar as evidências internas sobre o batismo, a fim de encontrar qualquer outro suporte possível para a leitura tradicional, isso porque o conceito doutrinal trinitário que foi adicionado a Mateus 28:19 está relacionado com o batismo. Embora o batismo não seja especificamente mencionado em Mateus 28:19 ou Lucas 24:47, é inferido pelos argumentos apresentados a seguir.

Em Mateus, o comando é “fazer discípulos em meu nome”. Para “fazer um discípulo”, a necessidade inclui o batismo no processo de conversão (Marcos 16: 15-16; João 3: 3-5) e todo o processo está sob a vigilância da especificação para fazê-lo “em seu nome”. Em Lucas, “arrependimento e remissão de pecados” seria pregado “em Seu nome”. Pelo testemunho de outras Escrituras (Lucas 3: 3; Atos 2:38), é claro que a remissão dos pecados vem pelo batismo, precedido pelo arrependimento. Ambos devem ser pregados “em Seu nome”.

Considerando a evidência dos manuscritos, das versões e agora dos primeiros escritos, você deve chegar à conclusão de que, nos primeiros séculos, algumas cópias de Mateus não continham a moderna redação trinitária. Independentemente das opiniões ou posições tomadas pelos nossos adversários, devemos, pelo menos, admitir esse fato. Na prática legal em que as cópias de um documento perdido, e original, variam, a “Evidência Interna” é usada para resolver a discrepância. Ou seja, uma comparação de outros textos com o texto em questão, a fim de determinar qual das versões variáveis é mais provável que seja o original. Com ambas as variantes em mente, nos voltaremos para as próprias Escrituras para a nossa evidência interna.

No caso que acabamos de examinar (Mateus 28:19), deve-se notar que nem um único manuscrito ou versão antiga nos preservou a verdadeira leitura. Mas isso não é surpreendente, pois, como o Dr. C.R. Gregory, um dos maiores críticos textuais, nos lembra: “Os manuscritos gregos do texto do Novo Testamento foram freqüentemente alterados por escribas, que colocaram nelas as leituras que eram familiar para eles, e que eles consideraram ser as leituras certas” (Canon e Texto do NT 1907, pág. 424).

Outro acrescenta:

Estes fatos falam por si mesmos. Nossos textos gregos, não apenas dos Evangelhos, mas também das Epístolas, foram revisados e interpolados por copistas ortodoxos. Podemos rastrear suas perversões do texto em alguns casos, com a ajuda de citações patrísticas e versões antigas. Mas deve haver muitas passagens que foram corrigidas, mas onde hoje não podemos expor a fraude” (Peter Watkins, in an excellent article ‘Bridging the Gap’ in The Christadelphian, January, 1962, pp. 4-8).

E ainda:

O Codex B. (Vaticanus) seria o melhor de todos os manuscritos existentes … se fosse completamente preservado, menos danificado, (menos) corrigido, mais facilmente legível e não alterado por uma mão posterior em mais de dois mil lugares. Eusébio, portanto, tem razão para acusar os adeptos de Atanásio e da doutrina da Trindade de falsificar a Bíblia mais de uma vez” (Fraternal Visitor 1924, p. 148, tradução de Christadelphian Monatshefte).

Ao bispo de Londres, este escreveu:

Nós certamente conhecemos uma maior quantidade de interpolações e corrupções trazidas para as Escrituras … pelos Atanásios e relacionadas à Doutrina da Trindade, do que em qualquer outro caso” (Whiston – Segunda Carta ao Bispo de Londres, 1719, p. 15)

F.C. Conybeare, um dos mais renomados mestres do Novo Testamento do século passado, disse: “Nos únicos códices que seriam mesmo susceptíveis de preservar uma leitura mais antiga, a saber, o Syriac sinaitico e o Manuscrito latino mais antigo, as páginas que continham o fim de Mateus desapareceram” (Hibbert Journal, 1902, Fred C.Conybeare).

Então, apesar de todas as versões anteriores conterem o nome Trino tradicional em Mateus 28:19, as primeiras versões não contiam o verso. E, curiosamente, não devido a omissão, mas devido à remoção!

Precisamos nos perguntar: a frase “em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo” aparece em outras partes da Escritura? Na verdade não aparece. Jesus usou a frase “em meu nome” em outras ocasiões? Sim, 17 vezes para ser exato – exemplos são encontrados em Mateus 18:20; Marcos 9: 37,39 e 41; Marcos 16:17; João 14:14 e 26; João 15:16 e 16:23.

Há alguma afirmação nas Escrituras baseada no fato do batismo em nome de Jesus? Sim! Isto é esclarecido em 1 Coríntios 1:13: “Vocês foram batizados em nome de Paulo?” Essas palavras, quando cuidadosamente analisadas, sugerem que os crentes devem ser batizados em nome daquele que foi crucificado por eles.

De fato, o raciocínio oferecido por Paulo é claro quando ele dispara: “Vocês foram batizados em nome de Paulo?” Por qual motivo Paulo mencionou o batismo em seu próprio nome? Por que o batismo deve ser feito em nome de Jesus! Observe todo versículo 13: “Cristo está dividido? Paulo foi crucificado por você? Ou você foi batizado em nome de Paulo?” Ele conclui lembrando aos membros da igreja de Corinto que eles foram “lavados, santificados e justificados quando foram batizados em nome de Jesus” (1 Coríntios 6:11). Com base apenas no entendimento acima, podemos verificar o texto genuíno de Mateus 28:19 confirmando o uso da frase “em meu nome”.

Outra coisa que precisamos destacar é como Mateus 28:19, na forma trinitariana, contradiz o versículo anterior. Vamos ler o versículo 18 agora e veja o que diz: “Então Jesus veio a eles e disse: “Toda autoridade no céu e na terra me foi dada”.

Jesus diz: “Toda autoridade no céu e na terra foi dada a mim“. E ele continua no verso 19 dando ênfase ao seu nome: “Portanto, Ide e fazei discípulos de todas as nações em meu nome”. O contexto (verso 18) diz que a autoridade foi dada a Cristo o que sugeriria, naturalmente, uma ação posterior em nome de quem tem e delega a autoridade, no caso, em nome de Cristo Jesus apenas.

Se Mateus 28:19 é exato, tal como está em versões modernas, então não há nenhuma explicação para a aparente desobediência dos apóstolos, uma vez que não há uma única ocorrência deles batizando alguém de acordo com essa fórmula.Todos os registros no Novo Testamento mostram que as pessoas foram batizados em nome do Senhor Jesus. Em outras palavras, o “nome de Jesus Cristo”, ou seja , tudo o que ele representa, é o elemento ou substância, em que as pessoas eram figurativamente “batizadas”. “Pedro respondeu aos ouvintes: “Arrependei-vos e sede batizados, cada um de vocês, em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados” (Atos 2:38).

O Batismo era somente praticado em nome de Jesus. Batizar “em nome de Jesus” quer dizer batizar “pela autoridade de” ou “pelo poder de”. Os discípulos ministravam o batismo não pela autoridade humana, mas pela autoridade e pelo poder do próprio Cristo. “Em nome de Jesus”, partindo do uso hebraico-aramaico, significa “com respeito a” ou “por causa de”. “Em nome de” era uma locução hebraico-aramaica naqueles dias dos apóstolos. A sociedade daquela época era familiarizada com tal expressão. No próprio livro de Atos, a locução “em nome de” tem o significado de “pela autoridade de” ou “pelo poder de”. Compare isso com o comportamento das autoridades judaicas quando desafiaram Pedro e João pelo fato deles estarem pregando no Templo: “E, pondo-os no meio, perguntaram: Com que poder ou em nome de quem fizestes isto?” (At 4.7).

Os apóstolos faziam tudo em nome de Jesus (Cl 3.17): pregavam (Lc 24.47), curavam (At 3.6,16), expulsavam demônios, falavam em línguas, eram livrados (Mc 16.17,18) e disciplinavam na igreja (2Ts 3.6). Assim, quando batizavam, faziam isso também “em nome de Jesus”. Efetuavam o batismo sob a “autoridade” e sob o “poder” de Cristo! No Livro de Atos os apóstolos são vistos batizando em nome de Jesus. Eles batizavam “em nome de Jesus”, ou seja, “com respeito a”, o mesmo que “relativamente”, “no tocante ao”, que foi o preceito entregue por Jesus à Igreja. Por isso que o original de Mateus não pode conter a fórmula trinitariana – o que temos é uma falsificação tardia. Alguém escreveu com muita propriedade: “Nõs não temos manuscritos conhecidos que estavam escritos nos séculos primeiro e segundo. Há uma lacuna de quase 300 anos entre o momento em que Mateus escreveu sua epístola e nossas primeiras cópias manuscritas. É sabido também que os manuscritos gregos do texto do Novo Testamento foram muitas vezes alterados pelos escribas, que colocaram neles as leituras que lhes eram familiares, que eles entendiam ser a leitura correta… Não é de surpreender que algumas dessas corrupções textuais ocorreram simultaneamente com as respectivas mudanças doutrinárias que foram introduzidas na Igreja”.

Ratzinger deixa rastros visíveis dessa verdade em seus escritos. Evidente que os trinitrianos, principalmente oriundos do catolicismo, não concordam. Vejam novamente: “… Nas considerações introdutórias tivemos ocasião de ver que o Credo se originou do tríplice interrogatório batismal sobre a fé no Pai, Filho e Espírito, que, por sua vez, se baseia na fórmula do batismo, testemunhada e transmitida em Mateus (28:19)“. “Introdução ao Cristianismo”, pág 34 – Versão online, PDF.

O credo foi criado em Roma, como ele mesmo atesta, e isso entre o segundo e terceiro séculos, baseado em Mateus 28:19 na forma trinitária da versão de Mateus adulterada que também apareceu entre o segundo e tercero século. A alegação dele não pode ficar oculta: “… A forma básica do nosso símbolo apostólico cristalizou-se no correr do segundo e terceiro século, EM CONEXÃO com o rito batismal. Trata-se originariamente de uma fórmula nascida na cidade de Roma“, pág. 31.

Surpreendendmente ele acaba revelando que o credo não tem origem nos Apóstolos: “… já do século IV, surge a lenda da origem apostólica desse formulário que muito cedo (provavelmente ainda no correr do século 5) se concretizou na suposição de que cada um dos doze artigos, em que fora dividido, representava a contribuição de um dos doze apóstolos”.

A tríplice confissão não saiu dos lábios de Jesus! Não está coerente com a verdade admitir que o credo nasceu três séculos depois tendo por base as supostas palavras do Senhor ditas quase três séculos antes. E além disso, suas palavras acabam revelando que o credo teve como base o texto adulterado de Mateus: “O rito batismal fundamentalmente orientava-se pelas palavras de Cristo: “Ide, fazei discípulos a todos os povos e batizai-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo” (Mt 28, 19). DE ACORDO COM ESTA ORDEM, o batizando ouvia três perguntas: “Crês em Deus, Pai todo-poderoso…? Crês em Jesus Cristo, Filho de Deus…? Crês no Espírito Santo…?”

Ele alega que as palavras “batizai-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo” são de Cristo, mas não são. Jesus jamais disse tais palavras, o que foi garantido por Marcos e Lucas: “E disse-lhes: Assim está escrito, e assim convinha que o Cristo padecesse, e ao terceiro dia ressuscitasse dentre os mortos, E em seu nome se pregasse o arrependimento e a remissão dos pecados, em todas as nações, começando por Jerusalém“, Lucas 24:47.

Foi exatamente o que Pedro fez quase dois meses depois no dia de Pentecostes, cumprindo as instruções de Jesus. Ele apelou aos novos conversos para que se arrependessem e fossem batizados “em nome de Jesus Cristo”, para remissão de pecados” (Atos 2:38). Atos é uma réplica exata de Lucas!

A Trindade e o batismo de João

É de admirar que o Livro de Mateus tenha sido o escolhido para ser alterado; ele foi escrito para a comunidade judáica, ao contrário de Lucas e Marcos. Um livro endereçado à Igreja Primitiva seria o pior alvo para adulterações. Além disso, ao lermos o livro de Mateus notamos que não há nenhuma apresentação da doutrina da trindade. É duvidoso que os apóstolos tenham introduzido a doutrina trinitária antes do derramamento do Espírito. E ainda, seria realmente estranho para Cristo introduzir a doutrina da trindade aqui no último versículo do livro sem que seja mencionada anteriormente.

Ninguém era batizado em nome da trindade. Nem mesmo Jesus poderia ser batizado em seu próprio nome – o batismo é feito por causa da sua morte: “Ou não sabeis que todos quantos fomos batizados em Jesus Cristo fomos batizados na sua morte?” Rom 6:3.

Não se pode batizar em nome de Deus. Fosse assim, então João Batista deveria ter batizado as pessoas em nome do Pai, pelo menos. Mas nem isso. No batismo de João o iniciante era batizado “com o batismo de arrependimento, dizendo ao povo que cresse no que após ele havia de vir, isto é, em Jesus Cristo“(Atos 19:4). Atente para alguns detalhes interessantes nesse incidente; aqui nesse diálogo com alguns discípulos de João em Éfeso, Paulo descobriu que eles nunca ouviram falar do Espírito Santo: “E sucedeu que, enquanto Apolo estava em Corinto, Paulo, tendo passado por todas as regiões superiores, chegou a Éfeso; e achando ali alguns discípulos, disse-lhes: Recebestes vós já o Espírito Santo quando crestes? E eles disseram-lhe: Nós nem ainda ouvimos que haja Espírito Santo.

Perguntou-lhes, então: Em que sois batizados então? E eles disseram: No batismo de João. Mas Paulo disse: Certamente João batizou com o batismo de arrependimento, dizendo ao povo que cresse no que após ele havia de vir, isto é, em Jesus Cristo. E os que ouviram foram batizados em nome do Senhor Jesus. E, impondo-lhes Paulo as mãos, veio sobre eles o Espírito Santo; e falavam línguas, e profetizavam. E estes eram, ao todo, uns doze homens” (Atos 19:1-7).

Aqueles que receberam o batismo de João nem sequer ouviram falar que existia o Espírito Santo! Como não sabiam? Não dizem os Trinitarianos que as pessoas eram batizadas “em nome do Pai, do Filho e do Espirito Santo?

Se João Batista, ou qualquer discípulo após ele, batizassem em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo ao modelo litúrgico católico romano, com a frase batismal no melhor estilo romanista (“Eu vos batizo em nome do pai, do Filho e do Espirito Santo”), logicamente estes discípulos de João teriam ouvido falar de tão sagrado ato e jamais diriam: “Nós nem ainda ouvimos que haja Espírito Santo“.

Na verdade, ninguém na Igreja considerava esse tipo de “fórmula batismal” – palavras litúrgicas prescritas requeridas a serem ditas no batismo. Por outro lado a frase está com um terrível peso trinitáriano litúrgico. É um típico modelo católico romano.

João Batista e outros discípulos de Jesus fizeram constantes batismos. Porém, não há evidência alguma de que essa litúrgia baseada na frase (“em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”) era conhecida na Igreja.

João Batista dizia no batismo: “Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus”(João 3:2). Certamente João não usava a fórmula trinitariana no batismo; ele não podia fazer o batismo em nome de Jesus por que esse batismo é o que concede o Espírito Santo, que seria derramado de forma poderosa somente depois de sua ascenção ao céus – Jesus é quem batiza. Notem isso: Jesus é quem batiza com o Espírito Santo. Por esse motivo ele nunca batizou ninguém em água (João 3:22; 4:1,2).

Agora, pare e pense apenas no batismo de infantes supostamente praticado por João Batista; imagine vocês a possibilidade de se dizer para um bebê de um ano que ele estava sendo batizado “para que cresse naquele que após João Batista havia de vir?”

O Batismo na Igreja Primitiva

O batismo na Igreja Primitiva nunca foi feito em nome de uma trindade. Vejam os textos:

Atos 2:38 “Cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo“.

Atos 10:48 “E mandou que fossem batizados em nome do Senhor. Então rogaram-lhe que ficasse com eles por alguns dias“.

Atos 19:5 “E os que ouviram foram batizados em nome do Senhor Jesus“.

Romanos 6:3 “Ou não sabeis que todos quantos fomos batizados EM JESUS CRISTO fomos batizados na sua morte?”

Gálatas 3:27 “Porque todos quantos fostes batizados EM CRISTO já vos revestistes de Cristo“.

Perceba caro amigo leitor, se o batismo é figura do sepultamento na morte de Cristo como poderíamos envolver o Pai e o Espírito Santo – que não podem morrer – neste batismo?

Romanos:6:4 “Fomos, pois, sepultados com ele pelo batismo na morte, para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida

Colossenses:2:12 “tendo sido sepultados com ele no batismo, no qual também fostes ressuscitados pela fé no poder de Deus, que o ressuscitou dentre os mortos”.

Romanos:6:3 “Ou, porventura, ignorais que todos quantos fomos batizados em Cristo Jesus fomos batizados na sua morte?”

Não existe batismo em nome do Pai e do Espírito Santo, pois os batizados são batizados na morte de Jesus. Nem mesmo Jesus poderia ter sido batizado em seu próprio nome, pois o batismo é feito em (por causa de) sua morte. Ninguém podia ser batizado em Jesus antes de sua morte. Não havia batismo na trindade e muito menos havia trindade. O batismo trinitariano destrói todo o significado salvífico e redentor de Cristo.

Além desses registros, ainda temos a experiência de Paulo com relação ao seu próprio batismo. Foi dito a Ananias sobre Paulo: “Vai, porque este é para Mim um vaso escolhido, para levar o Meu nome perante os gentios, e os reis, e os filhos de Israel” (Atos 9:15). Após o seu chamado, ele foi batizado (Atos 9:18).

Em um de seus discursos, ao defender-se dos ataques de seus opositores, ele relata um detalhe muito importante sobre o seu batismo: “Um certo Ananias, varão piedoso conforme a lei, que tinha bom testemunho de todos os judeus que ali moravam, indo ter comigo, de pé ao meu lado, disse-me: … O Deus de nossos pais de antemão te designou para conhecer a Sua vontade, ver o Justo, e ouvir a voz da sua boca. Porque hás de ser Sua testemunha para com todos os homens do que tens visto e ouvido. Agora por que te demoras? Levanta-te, batiza-te e lava os teus pecados, invocando O SEU NOME” Atos 22:12-16.

Foi dito ao apóstolo Paulo que, ao ser batizado, fosse invocado o nome de Jesus. A razão disto é porque o batismo em nome de Jesus tem um significado único. O batismo por imersão aponta para a graça redentora. Representa a morte, o sepultamento e a ressurreição de Jesus (Romanos 6:3-6).

Em Romanos 6:3 Paulo afirma que “fomos batizados em Cristo Jesus”. Ele nunca afirmou que fomos batizados na trindade. A importância que Paulo deu a esse detalhe pode-se deduzir pelo que ele escreveu aos gálatas: “Porque todos quantos fostes batizados em Cristo Jesus vos revestistes de Cristo” (Gálatas 3:27).

A Escritura ensina que o batismo em nome de Jesus é um ato de arrependimento que leva ao perdão dos pecados (Atos 2:38). O batismo em Seu nome está associado à promessa do Espírito Santo (Atos 2:38, 19: 1-5). O batismo em nome de Jesus é comparado à nossa vontade pessoal de ser sacrifício vivo ou mesmo morrer com Cristo (Romanos 6: 1-4 e Colossenses 2:12). Ser batizado em Cristo é nos revestir de Cristo (Gálatas 3:27). O batismo em seu nome é chamado de “circuncisão de Cristo”, e reflete a redenção do velho homem, tornando-nos assim uma “nova criatura em Jesus” (Colossenses 2: 11-12, 2 Coríntios 5: 17). O batismo em nome de Jesus expressa fé na vida de Jesus, o sacrifício pelos nossos pecados e a remissão dos pecados através do Seu nome. O batismo trinitário só pode expressar fé na própria teologia católica. Assim, Mateus 28:18, no mais antigo códice, o original, só pode estar dessa forma: “Portanto, ide, fazei discípulos de todas as nações em meu nome“.

A Bíblia de Jerusalém foi uma tradução composta por católicos e protestantes. Vejam o que ela diz: “É possível que, em sua forma precisa, essa fórmula (Pai, Filho e Espírito Santo) reflita influência do uso litúrgico POSTERIORMENTE fixado na comunidade primitiva. Sabe-se que o livro dos Atos fala em batizar `no nome de Jesus`… MAIS TARDE deve ter-se estabelecido a associação do batizado às três pessoas da Trindade” “Comentário no rodapé da Bíblia de Jerusalém”.

E mais uma vez: O batismo é símbolo da morte e ressurreição de Jesus. A Igreja primitiva somente batizava em nome de Jesus. Mateus 28:19, em sua forma trinitariana É UMA ADULTERAÇÃO, pois a Escritura diz que “todos quantos fomos batizados em Jesus Cristo fomos batizados na sua morte“, Rom 6:3. Paulo não está dizendo que “todos quantos fomos batizados em nome do Pai, Filho e Espírito Santo fomos batizados na sua morte“. Isso não existe! Não é biblíco!

O verso cinco do mesmo capítulo diz que o batismo em Cristo mostra que se “fomos plantados juntamente com ele na semelhança da sua morte, também o seremos na da sua ressurreição“. Não existe batismo em nome do Pai, Filho e Espírito Santo, mas somente em nome do Filho. Apenas do Filho. E observe que nem mesmo no Velho Testamento as pessoas eram batizadas em nome de Deus, mas sim naquele que era um tipo de Cristo, Moisés: “E na nuvem e no mar, todos foram batizados em Moisés” (1 Cor 10:2).

A Igreja primitiva não batizava em nome do Pai, Filho e Espírito Santo. Essa foi uma fórmula inventada depois do segundo século quando começaram a circular cópias do Evangelho de Mateus com o acréscimo trinitariano. Mateus 28:19 com sua fórmula trinitariana é uma falsificação posterior absurda que não passa no teste bíblico.

Com isso tudo em mente, vamos ler outra vez a fala completa de Ratzinger como está no livro e veja que ele envolve de forma explicita Mateus 28 verso 19 no tempo em que nasceu o credo: “A forma básica do nosso símbolo apostólico cristalizou-se no correr do segundo e terceiro século, em conexão com o rito batismal. Trata-se originariamente de uma fórmula nascida na cidade de Roma. Contudo, seu lugar interno de origem é a liturgia, ou mais exatamente, o batismo. O rito batismal fundamentalmente orientava-se pelas palavras de Cristo: “Ide, fazei discípulos a todos os povos e batizai-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo” (Mt 28, 19). De acordo com esta ordem, o batizando ouvia três perguntas: “Crês em Deus, Pai todo-poderoso…? Crês em Jesus Cristo, Filho de Deus…? Crês no Espírito Santo…?” A cada uma das perguntas o batizando respondia: “Creio”, sendo, de cada vez, mergulhado na água. Portanto, a fórmula mais antiga do símbolo realiza-se em tríplice diálogo e está enquadrada no rito batismal”.

“DE ACORDO COM ESTA ORDEM”. Qual? A do batismo em nome do Pai, Filho e Espírito Santo. Isso denuncia que o tempo do texto de Mateus 28:19, como reclamado pelos trinitarianos, começou a aparecer na mesma época do credo, isto é, no terceiro século. Se o original de Mateus fosse mesmo composto de Pai, Filho e Espirito Santo, então por quê a distância exorbitante entre a formula trinitariana de Mateus e a fórmula trinitariana do credo? Elas são idênticas!

Podemos perceber claramente através das declarações do Ex Papa que o texto, no modelo trinitário, foi mesmo uma interpolação. Os registros de Ratzinger deixam algumas pistas confirmando a inautenticidade da frase “em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”.

A confissão tríplice do credo está associada ao batismo de Mateus nas palavras de Ratzinger: “a forma básica do nosso símbolo apostólico cristalizou-se no correr do segundo e terceiro século, em conexão com o batismo… seu lugar interno de origem é a liturgia, ou mais exatamente, o batismo…”.

O texto de Mateus 28:19 defendido por muitos, e por mim, como sendo o original de Mateus está sem a forma trinitária. Ele não serviria de forma alguma para o credo. O acréscimo tem que ter sido feito muito tempo depois. A data da criação do credo denuncia isso, pois o mesmo nasceu no terceiro século em Roma – tendo por base um texto totalmente adulterado de Mateus 28:19.

O Evangelho de Mateus em grego

Até hoje, quase que no geral é crido e ensinado que Mateus escreveu seu livro em grego. Nada se discute a esse respeito e nada se faz para abordar esse tópico para explorar até onde essa crença pode ser verdadeira. Diz-se que seu escrito apareceu pela metade do primeiro século, mas sempre se evita explicar o porquê de havendo sido escrito para os judeus ele utilizou uma língua estranha ao invés da língua dos judeus, o hebraico.

Irineu (185 EC.) Contra os hereges, livro III. Capítulo 1. 1 diz que: “Mateus publicou um livro escrito para os Hebreus em seu próprio dialeto”.

Eusébio (325 EC.) Historia Eclesiástica livro III. Capítulo 24. 6 diz: “Efetivamente, Mateus, primeiramente havia pregado aos judeus, quando estava a ponto de sair para pregar aos judeus em diáspora entre os gentios, entregou por escrito o seu Livro, em sua língua materna, suprindo assim por meio da escrita o que faltava para aqueles que estavam longe”.

Jerônimo (347-420 EC.). Em Vida de homens ilustres, Capitulo III diz: “Mateus que também é conhecido como Levi, emissário, ex-publicano, escreveu seu Livro em letras e palavras hebreias… Quem depois o traduziu para o grego é incerto. Mas, Mateus em hebreu, temos hoje na biblioteca de Cesárea, a qual Panfilo, o mártir, organizou. Eu também tive a oportunidade de copiar dos Nazarenos, que utilizam um volume em Boreia, uma cidade da Síria”.

Bastam estas provas para confirmar positivamente que o Livro de Mateus foi escrito originalmente em hebreu e não em grego como popularmente é sugerido. Observa-se que entre todas as fontes transcritas aqui, Jerônimo é bastante amplo e específico, detalhando suficientemente a existência desse valioso Evangelho em língua original. Ele menciona duas coisas interessantes que merecem muita atenção:

A – Diz que ele viu esse manuscrito (ou pelo menos uma cópia dele) na biblioteca de Cesáreia, que havia sido compilada por Panfilo. Ou seja, não somente comenta a sua existência, mas que a viu, dando com isso inteira confiabilidade de que suas palavras são certíssimas. Isso claramente significa que entre os séculos III e IV EC., esse documento em sua língua original existia e era ele que circulava, se não universalmente, mas nas mãos de muitos.

B – Acrescenta que não somente viu uma cópia desse manuscrito, mas também contatou a seita dos Nazarenos e fez cópia do volume que possuíam. Isso significa que ele menciona duas cópias, e se levarmos em conta que a seita dos Nazarenos não era um grupo solitário, mas sim um grupo de congregações, percebemos que cada congregação possuía, pelo menos, uma cópia no hebreu e não no grego.

Fica então estabelecido que mesmo no século IV EC o evangelho de Mateus, escrito na língua hebreia, continuava existindo, e que possivelmente Eusébio, sendo um historiador sério, e dispondo de uma cópia (a herdada de Panfilo), pode constatar que a fórmula batismal estava ausente, e com certeza deve ter sido essa a razão de que em todas as vezes que cita Mateus 28: 19, nunca a menciona. Certamente Eusébio tinha diante de si um autêntico manuscrito de Mateus quando escreveu essas palavras em seu livro III de sua famosa História eclesiástica, no Capítulo 5 e na Seção 2: “Mas o resto dos apóstolos… foram expulsos da terra da Judéia, foram a todas as nações para pregar o Evangelho, confiando no poder de Cristo, que lhes disse: “Ide e fazei discípulos de todas as nações em meu nome“.

Portanto, parece que a fórmula batismal trinitariana vem do livro de Mateus na versão grega, a qual o próprio Jerônimo se encarrega de dizer que não se sabe quem a escreveu. Ele atestou: “quem depois o traduziu para o grego é incerto”. O autor da versão grega do livro de Mateus é desconhecido, isso sem dúvida significa que o discípulo de Jesus, ao qual se atribui haver escrito seu registro em grego, não é o seu autor. Mateus não era de origem pagã, suas raízes judias desconheciam totalmente a existência, nas escrituras hebreias do Velho Pacto, a existência da trindade. Para a igreja apostólica o misterioso deus trino não existia como veio a existir por volta do IV-V século EC. Aliás, por que essa misteriosa fórmula batismal aparece somente em Mateus 28: 18? Se Jesus a ordenou, por que não a mencionaram Marcos, João e Lucas?

Que melhor e mais claro testemunho para mostrar a origem da inserção longa de Mateus 28: 19, que está relatada pelo papa Benedicto XVI? Ele declara que a fórmula tríplice do credo apostólico está associada como sequência daquilo que posteriormente veio a ser tido como um alongamento da declaração de Mateus. O Cardeal está dizendo que esse alongamento em Mateus 28: 19 foi realizado por volta do século III EC., quando o “ Credo Apostólico” foi elaborado. E por incrível que possa parecer, ele declara que a trindade apareceu no século III. Veja com seus próprios olhos: “… se a fé exprime a trindade de Deus na fórmula “uma natureza – três pessoas” desde o século III, uma tal disposição dos conceitos é, em primeiro lugar, mera “disciplinação terminológica” (Introdução ao Cristianismo, pág. 80).

Nas palavras de Ratzinger o batismo trinitário deu origem ao credo: “… seu lugar interno de origem é a liturgia, ou mais exatamente, o batismo”. No entanto, como vemos, o batismo em nome da trindade não é bíblico, e Mateus 28:19 em sua forma alongada, a forma trinitariana, não faz parte do texto original.

Em outro lugar Ratzinger diz:: “Nas considerações introdutórias tivemos ocasião de ver que o Credo se originou do tríplice interrogatório batismal sobre a fé no Pai, Filho e Espírito, que, por sua vez, se baseia na fórmula do batismo, testemunhada e transmitida em Mateus (28,19). Neste sentido, a forma mais antiga de nossa fé, com a sua tríplice divisão, apresenta até uma das mais decisivas raízes da imagem trinitária de Deus. Somente o alargamento paulatino do questionário batismal, até formar um texto desenvolvido do símbolo, encobriu um tanto a sua estrutura trinitária”, pág. 160.

O Cardeal disse que o credo apostólico constitui a forma concreta da fé cristã simplesmente porque ali são mencionados o Pai, o Filho e o Espírito Santo. É claro, que quando alguém diz, credo apostólico (é melhor explicar para aqueles que não estão familiarizados com a história desse assunto), de nenhuma maneira significa que tenha sido redigido pelos apóstolos. O credo apostólico é anônimo, já que não se sabe a data em que apareceu, geralmente se diz que provavelmente próximo do final do II século dC.

O cardeal Ratzinger, em seu escrito aqui considerado, declara que esse credo tem relação com o batismo, e apareceu entre os séculos II e III. Os pagãos do século II em diante foram compelidos pelos bispos a aceitar a Deus Pai, a Seu Filho e ao Espírito Santo como requisito prévio para serem batizados. Não se admira que vários padres da igreja (entre eles os bem conhecidos Atanásio e Orígenes), naqueles tempos, enviaram cartas a respeito do batismo do pagão. Sendo que os pagãos estavam acostumados com as diferentes trindades pagãs, aceitaram ser batizados em nome de uma trindade, Pai, Filho e Espírito Santo. Disso nasceu o credo apostólico em Roma e a adição a Mateus 28:19.

A grande maioria dos bispos daquele tempo não sabiam que rumo tomar, se favoreciam o ponto de vista de Ario ou o de Atanásio; devido a isso Constantino se viu na necessidade de intervir ordenando aos bispos comparecer em concílio para tratar do assunto. Foi no ano de 325 que foi redigido o credo Niceno, O qual diz: “Cremos em um só Deus Pai Todo Poderoso, Criador do céu e da terra, de tudo visível e invisível. Cremos em um só Senhor, Jesus Cristo o Messias, Filho unigênito de Deus, nascido do Pai antes de todos os séculos: Deus de Deus, Luz de Luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado, não criado, da mesma natureza do Pai, por quem tudo foi feito, que por nós e por nossa salvação desceu do céu, por obra do espírito santo nasceu de Maria, a virgem e se fez homem. Por nossa causa foi crucificado nos tempos de Pôncio Pilatos. Padeceu e foi sepultado. Ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras, subiu ao céu e está sentado à direita do Pai. De novo virá com glória para julgar os vivos e os mortos, e seu reino não terá fim. Cremos no espírito santo, Senhor e doador da vida, que procede do Pai e do Filho, que com o Pai e o Filho recebe uma mesma adoração e glória, e que falou pelos profetas. Cremos na igreja, que é una, santa, católica e apostólica. Reconhecemos um só batismo para o perdão dos pecados. Esperamos a ressurreição dos mortos e vida no mundo futuro. Amém”.

Foi o credo Apostólico que abriu as portas para a formulação da trindade. Ele foi utilizado para colocar nos lábios do Messias palavras que ele nunca pronunciou. Por isso é impossível estabelecer o credo com sua tríplice confissão desconectado de Mateus 28:19 na sua composição trinitária. Das palavras, Pai, Filho e Espírito Santo nasceu o credo acompanhado da liturgia batismal. O problema, insisto, é que o credo apareceu no terceiro século. Seria muito tempo para criar um dogma tão importante para a ala trinitariana com o texto de Mateus 28:19 trinitário supostamente disponível desde o anos 60 dC.

Uma palavra final

O antitrinitariano não crê no que foi estabelecido em 325 no Concílio de Nicéia, principalmente na descrição que fizeram do Senhor Jesus colocando-o como a segunda pessoa, o Deus Filho, preexistente e em igualdade com o Pai em essência, sempre eterno, o que é altamente perigoso, pois destrói sua missão como nosso substituto, mascarando seu sacrifício por nossos pecados, sem contar nas trapalhadas geradas contra o nascimento virginal. No entanto, o antitrinitariano, obviamente crê no Deus de Abraão, Isaque e Jacó, e em seu Filho, o Cristo, e no Consolador, que é o Espírito Santo

Se Jesus é preexistente então nunca foi humano enquanto viveu aqui, e isso é um desastre para seu sacrifício como nosso substituto. E por incrível que possa parecer, milhares de cristãos acreditam que Jesus tinha poder por que ele participou de uma existência anterior com o Pai; que havia entre os dois um contrato secreto preparado de antemão, o qual delegava a Jesus um poder celestial oculto, somente conhecido entre os dois, Pai e Filho, sendo que a partir dele, seu pai, Jesus herdou tendências espirituais espaciais latentes que o fortaleceram para conquistar a carne e manifestar qualidades divinas superiores aos humanos. Assim, para muitos, Jesus passou a ser outro Deus, alguém gerado de forma diferente dos humanos mesmo que tenha sido concebido por mulher.

E novamente: os antitrinitários creem no Deus de Abraão, Isaque e Jacó, Criador dos céus e da terra, creem em seu filho Jesus Cristo, nascido de uma virgem, que padeceu e morreu, ressuscitando três dias depois, mas que jamais existiu antes do seu nascimento em Belém da Judeia. Isso é uma aberração. Não é possível a ser humano algum, nascido de mulher (Gal 4:4), ter existido antes do seu nascimento. Entenda: “Jesus é fruto do ventre de uma mulher e não da eternidade”. O tempo e o local da origem do Filho de Deus são feitas de forma transparente. Lucas também diz que o Filho de Deus veio à existência no ventre de sua mãe (Lucas 1:32, 35). Não é de admirar, pois se retornamos até Gênesis lembramos que Jesus foi prometido como a semente da mulher: “E porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua semente e a sua semente; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar”, Gên 3:15. Ele foi aquele que veio a existir após a existência do seu ancestral. Além disso, a inimizade não existia entre o Messias e a semente da serpente, mas era para ser uma hostilidade futura.

No evangelho de Mateus, a genealogia de Jesus volta até Davi chegando a Abraão. O registro genealógico dado por Lucas leva as coisas ainda mais para trás, até Adão. Veja Lucas 3:38:

“… E Cainã de Enos, e Enos de Sete, e Sete de Adão, e Adão de Deus”. Isso é Genealogia! Jesus é citado bem antes. Ele não está invisível entre cada nome; é uma pessoa depois da outra até chegar a Deus. Seres preexistentes não podem possuir genealogia. Jesus era humano e hoje é um homem glorificado. Ele é as primícias dos que dormem, foi o primeiro a ressuscitar. Só se fala assim de seres humanos. E mais: Deus é o pai, não o filho. Para ser filho de Deus tem que ser alguém que não seja ele mesmo. Jesus muitas vezes chamou o pai de Meu Deus, mas Deus jamais chamou o filho de Meu Deus.

Os antitrinitarianos também creem no Espírito Santo, mas não como um terceiro Deus. Observem que o Espírito Santo, o terceiro Deus, ou terceira PESSOA da trindade, segundo os trinitarianos, foi excluído das palavras de Cristo quando ele afirma que só o Pai é o Deus verdadeiro em João 17:5: “E a vida eterna é esta: que te conheçam, a ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste”.

É doloroso ver alguns trinitarianos dizerem que Jesus se exclui como Deus desse contexto porque estava encarnado. E o Espírito Santo, o terceiro Deus – Por que Jesus não disse então que só existia dois Deus verdadeiros, O Pai e o Espírito Santo se o Espírito não estava encarnado?

Vejam o que diz o cardeal Ratzinger em sua obra “Introdução ao Cristianismo” sobre o homem Jesus divino: “… O conceito de homem divino ou seja de homem-Deus (theios aner) não se encontra em parte alguma no Novo Testamento… Nem a Bíblia conhece o homem divino, nem a Antiguidade, na esfera do homem divino, conhece a idéia de filiação divina”. Citando outro escritor, ele conclui: “… o conceito de “homem divino” dificilmente encontra cobertura na era pré-cristã, tendo surgido apenas mais tarde”, págs 98,99.

E não importa se Ratzinger parece dizer algo divergente em outras páginas, pois o que é revelado muitas vezes por escritores como ele é muito curioso: eles deixam escapar a verdade. Ele faz parte da grande liderança da Igreja Católica que conhece a verdade, deixando, às vezes, escapar textos nos revelando que eles sabem mais do que se possa imaginar – eles omitem as verdades do fiel católico. Está aí um bom exemplo do que digo: ele fala da divindade de Jesus em algumas páginas declarando ser ele a terceira pessoa da trindade, mas aqui ele chuta o pau da barraca!

A “Salvação vem dos judeus” (João 4:22), não vem dos gregos e muito menos dos romanos. A trindade veio de Roma, não de Jerusalém. Os Judeus jamais acreditaram em três deuses. Até hoje não acreditam em trindade alguma. Nenhum judeu, de Abraão até o último apóstolo teve o Messias prometido como Deus. Jamais acreditaram em um Messias preexistente.

Mas, vigiemos, pois é bem provável que os trinitarianos tentem falsificar o registro que temos de Êxodo para ficar a cara do trinitarianismo. Veja como ficaria o mandamento na língua trinitariana:

Êxodo 20: 3 “Não terás outros Deuses diante de nós

A Deus toda Glória

TUDO foi criado por Ele

criacao

O Apóstolo Paulo atesta sobre o Senhor Jesus: “O qual é imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação; Porque nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra”, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades. Tudo foi criado por ele e para ele. E ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele”, Col 1:15-17

Tradução da NVI: “O qual é a imagem do Deus invisível, o primogênito sobre toda criatura, pois nele foram criadas todas as coisas nos céus e na terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos ou soberanias, poderes ou autoridades; todas as coisas foram criadas por ele e para ele. Ele é antes de todas as coisas, e nele tudo subsiste”.

A passagem parece dizer que Jesus é o primogênito de toda criatura humana, como também diz que ele criou os céus e a terra e tudo quanto neles há, sendo, portanto, pré-existente, o que é reforçado pela sentença: “Ele é antes de todas as coisas”.

É bastante comum para a ortodoxia cristã convencional ler Colossenses 1:16 como referência ao ato da criação do Gênesis. Acredita-se que aqui nesse contexto Paulo está discursando sobre Jesus presente na criação, que Jesus foi o meio pelo qual Deus criou todas as coisas. Mas, será que o Apóstolo dos gentios está discursando sobre a preexistência de Jesus e o apresentando como o criador de todo o universo?

Porque nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra… Tudo foi criado por ele e para ele”.

A maioria cristã aprendeu com essa passagem que o uso desta palavra indica que Deus, o Pai, estava com o Filho como parceiros iguais na criação.

Este é um exemplo clássico de como é importante considerar todo o contexto quando estudamos a Bíblia sobre qualquer assunto importante. Além disso, o maior erro das pessoas que lêem versículos isolados é não considerar quem está falando, e quais são as circunstâncias. Aqui, Paulo escreve aos santos na igreja dos colossenses lembrando-lhes quão abençoados eles são de estar em Cristo Jesus e “participar da herança dos santos na luz.” (versículo 12)

Para entender o que ele quis dizer quando escreveu de Cristo como o primogênito de toda a criação, e que nEle foram criadas todas as coisas, é preciso ler todo o texto circundante. Em particular, devemos olhar para os versículos 17 e 18 neste primeiro capítulo.

E ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele. E ele é a cabeça do corpo da igreja; é o princípio e o primogênito dentre os mortos, para que em tudo tenha a preeminência.“

Perceberam alguma mudança? Observe que o texto acrescenta que ele é o princípio e o primogênito dentre os mortos. Além do mais, como mostro mais adiante, a palavra sobre Jesus, atestando que ele é antes de todas as coisas, significa que ele é superior a todas as coisas, que ele tem autoridade e primazia, e não que ele é “antes de todas as coisas” criadas no Gênesis. O contexto aqui não trata da criação original dos céus e da terra.

Parafraseando o texto: “Ele é superior a todas as coisas… ele é o cabeça… para que em tudo tenha a preeminência“.

As próprias palavras dos versículos 17 e 18 expostas mais acima falam por si só, elas são auto-explicativas e são consistentes com outros versos, como a profecia do Salmo 89:27. Este fala sobre um evento que ainda era futuro quando os Salmos foram registrados, “Também por isso lhe darei o lugar de primogênito; fá-lo-ei mais elevado do que os reis da terra“.

Os fatos bíblicos nos mostram que Paulo não está se referindo ao ato da criação do Gênesis em Colossenses 1:16. Ele está falando sobre a nova criação, a criação da estrutura de autoridade no reino de Cristo, a nova criação que é a reconciliação do velho. Paulo tinha em mente o que pode ser chamado de “nova criação” que teve início com a vitória de Cristo. Paulo passa a definir esta criação como compreendendo todas as coisas “no céu e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias, poderes ou autoridades; todas as coisas foram criadas por ele e para ele“. Assim, Jesus é o primogênito e as primícias de uma nova criação – chamado de um “novo e vivo caminho” em Hebreus 10:20. Tudo foi feito por ele e por meio dele, e sem ele nada do que foi feito se fez (Comparar com João 1:3).

Quando vemos a palavra “criar” ou “criação” não podemos simplesmente assumir que se refere ao relato da criação de Gênesis. Deus está criando de novo através de, e em Cristo. Em Efésios 2:10, Paulo diz que somos criação de Deus realizada em Cristo Jesus. Nós morremos para a velha criação e nascemos de novo para a nova criação de Deus. Em 2 Coríntios 5:16-19, aprendemos que Deus estava em Cristo reconciliando o mundo consigo mesmo e se estamos em Cristo ressuscitado fomos reconciliados com Deus e participamos de uma nova criação.

“Pois o amor de Cristo nos constrange, porque julgamos assim: se um morreu por todos, logo todos morreram; e ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou. Por isso daqui por diante a ninguém conhecemos segundo a carne; e, ainda que tenhamos conhecido Cristo segundo a carne, contudo agora já não o conhecemos desse modo. Pelo que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo. Mas todas as coisas provêm de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por Cristo, e nos confiou o ministério da reconciliação; pois que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões; e nos encarregou da palavra da reconciliação. 2 Cor 5:14-19. Se alguém está em Cristo pelo batismo, ele é uma nova criação. Observe o verso chave: “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo”, v 17.

Coisas velhas incluem o pecado de Adão e a velha criação. Tudo se fez novo. Acabou. Isso é que significa ESTÁ CONSUMADO! Somos perdoados em Cristo e na sua morte fomos batizados como novas criaturas. Ou seja, batizados quando Cristo é sepultado, e quando Cristo se levantou na ressurreição, significa que ressuscitamos com ele. Isso é o que significa ter Cristo morrido por nós, como também significa nascer de novo. Compare com Romanos 6:4, que diz, “Fomos, pois, sepultados com ele pelo batismo na morte, para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida“.

Assim uma pessoa “em Cristo” é descrito como uma “nova criatura”, ou “nova criação” (Gl 6:15), e que as “coisas” que em Cristo é dito terem sido criadas e estão “nele”, são, obviamente, esta “nova criação” citada pelo apóstolo Paulo. Cristo é o começo desta nova criação de Deus (Ap 3:14), abrindo o caminho para que seus seguidores possam atingir o mesmo objetivo (Filipenses 3:21, 1 João 3:1-2).

Estas novas criaturas não podem viver conforme a velha criação. O planeta literal não pode ser creditado por estar em Cristo. A criação anterior permanece existindo paralela à missão completa de Jesus, estando ainda subjugada ao príncipe deste mundo. Portanto, a nova criatura participa da nova criação apresentada por Paulo em Colossenses, o qual insiste: “nEle foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra”, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades. Tudo foi criado por ele e para ele”.

No verso 18, Paulo fala de Jesus como “o primogênito dentre os mortos”, o que é uma referência a ser ele o “primogênito de toda a criação”. Ou seja, o primogênito da nova criação de Deus. Primogênito por que foi o primeiro a ressuscitar e não morrer mais, o que também nos deu o direito de participarmos da ressurreição sendo novas criaturas de uma nova criação. Devemos aceitar isso pela fé, pois o Apóstolo afirma categoricamente que nós fomos ressuscitados por Deus juntamente com Jesus e estamos assentados nas regiões celestiais ( Efésios 2:6), o que tornar-se-a realidade plena no Seu reino vindouro.

Jesus tornou-se “o Filho de Deus com poder” por sua ressurreição dentre os mortos: “… com poder foi declarado Filho de Deus segundo o espírito de santidade, pela ressurreição dentre os mortos, Jesus Cristo nosso Senhor” (Romanos 1:4).

Deus “ressuscitou Jesus, como também está escrito no salmo segundo: Tu és meu Filho, hoje te gerei” (Atos 13:32,33). Isso tudo significa que pela sua ressurreição, Jesus tornou-se o primogênito de uma nova criação. Sua ressurreição foi o selo de aprovação do Pai, no Filho (Rm 1, 1-4). Isto constituiu o Primogênito.

Paulo escreveu: “Ele é … o primogênito dentre os mortos, para que em todas as coisas ele tenha a preeminência” (Cl 1:18). Ele é o “primogênito entre muitos irmãos” (Rm 8:29), o que deve ser associado ao contexto de Jesus como ”o primogênito de toda criatura”, ou a NOVA criação, que é o sentido em Apocalipse quando fala do “primogênito dentre os mortos … o princípio da [nova] criação de Deus” (Ap 1:5; 3:14).

Jesus foi o primeiro a ser ressuscitado para a imortalidade (Lázaro e outros ressuscitados nas Escrituras morreram posteriormente). Uma vez que Jesus é o primeiro homem a ser ressuscitado para a imortalidade, fez dele o “primogênito dentre os mortos”, o primeiro e o último descrito em Apocalipse 1:17 e 2:8, chamado por Paulo, o novo homem,

Na sua carne desfez a inimizade, isto é, a lei dos mandamentos, que consistia em ordenanças, para criar em si mesmo dos dois um novo homem, fazendo a paz (Ef 2:15).

E vos renoveis no espírito da vossa mente; E vos revistais do novo homem, que segundo Deus é criado em verdadeira justiça e santidade (Ef 4:23,24).

O novo homem, a nova criatura, não mais se ajusta ao mundo presente, mas para ele também foi antecipado viver sob uma nova criação – esta é a mesma ideia que vemos aqui em Colossenses. Jesus foi a primeira pessoa a ressuscitar dentre os mortos e ter a imortalidade, sendo o primeiro da nova criação, e os verdadeiros crentes seguirão o padrão em seu retorno.

Cristo é a “cabeça do corpo, da igreja”. Consequentemente também pode ser dito que ele é o criador deste novo e vivo caminho. Foi a sua vida de obediência à vontade do Pai e do seu sacrifício fiel que lançou a pedra fundamental do seu templo espiritual, o corpo de crentes. Ele também é considerado o “autor e consumador da nossa fé” em Hebreus 1:2. Todos estes termos de louvor e exaltação são apropriados para Jesus Cristo, nosso Senhor e Mestre na nova criação. Jesus é o autor, o Senhor, o criador desta nova ordem de coisas, como diz Paulo em Colossenses 1:16: “Porque nele foram criadas todas as coisas que estão no céu, e que estão na terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades: tudo foi criado por ele e para ele”.

Certamente Paulo não está aqui nos dando uma aula de teologia sistemática relacionado à criação original dos céus e da terra. Observe que o contexto não revela que Cristo criou todas as coisas. Um exame atento da passagem irá revelar algo estranho e curioso, pois afirma que ele criou todas as coisas “no céu”. Isso incluiria o próprio Deus, para não falar dos anjos!

Isso está, obviamente, fora de ordem. Certamente, a criação falada neste contexto de Colossenses, refere-se à nova criação através do trabalho de Jesus, quando foram criadas todas as coisas: tronos, domínios, salvação, perdão, reconciliação, novo homem e tudo que diz respeito a antecipação do reino de Deus na terra. Paulo não diz que Jesus criou todas as coisas e, em seguida, nos mostra exemplos de rios, montanhas, pássaros, etc. O sentido em dizer que “nEle foram criadas todas as coisas nos céus e na terra” diz respeito ao seu domínio nas eras que se seguiram a sua ressurreição e ascensão e a sua vitória sobre a desordem causada pela queda do homem. Assim, podemos também ler em Efésios 2:6, como a ordem das coisas mudaram no céu, pois aqui é dito que os crentes estão em Cristo como assentados em “lugares celestiais”.

O contexto de Colossenses não diz que Jesus é o primogênito da velha criação, pois se ele adentrou a este mundo em semelhança da carne do pecado (Rom 8:3) crucificando com ele nosso velho homem, levando-o a sepultura (Rom 6:6-8), vantagem alguma haveria neste louvor Paulino de Colossenses capítulo um. O Novo homem não nasceu da antiga criação. Toda criação humana está ainda torta, sujeita à vaidade, na servidão da corrupção, gemendo e labutando na dor como resultado do pecado de Adão (Romanos 8:19-22). A velha criação humana está agora sob a servidão da corrupção, e não pode libertar-se (Romanos 5:12; 1 Pedro 4:1-4)

Colossenses ensina que houve uma mudança enorme feita na posição espiritual de muitas criaturas, as quais agora podem experimentar os efeitos da missão do nosso Salvador, que é aquilo que apenas se transforma em realidade para àqueles que crêem em Cristo e estão nEle. O mundo não pode experimentar essa realidade presente: “Porque Ele nos libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do seu Filho amado” (Cl 1:13).

É importante lembrar aqui que foi o próprio Cristo quem descreveu a criação original como sendo trabalho de Deus, e não dele: “Porque naqueles dias haverá uma aflição tal, qual nunca houve desde o princípio da criação, que Deus criou, até agora, nem jamais haverá” (Marcos 13:19). Compare com Hebreus 4:4, onde Deus, não Jesus, descansou da obra da criação: “Porque em certo lugar disse assim do dia sétimo: E repousou Deus de todas as suas obras no sétimo dia”.

Parece que muitos não consideram Isaías quando testifica que Deus criou tudo sozinho.

A João Ferreira de Almeida Revista Atualizada, diz: “Assim diz o SENHOR, que te redime, o mesmo que te formou desde o ventre materno: Eu sou o SENHOR, que faço todas as coisas, que sozinho estendi os céus e sozinho espraiei a terra” (Isaías 44:24).

João Ferreira de Almeida Atualizada: “Assim diz o Senhor, teu Redentor, e que te formou desde o ventre: Eu sou o Senhor que faço todas as coisas, que sozinho estendi os céus, e espraiei a terra, quem estava comigo?”

A NTLH piora bastante a situação dos Trinitarianos: “O SENHOR, o Salvador de Israel, diz: “Meu povo, eu sou o seu Criador; antes que você tivesse nascido, eu já o havia criado. Sozinho, eu criei todas as coisas; estendi os céus e firmei a terra sem a ajuda de ninguém”.

Paulo, na verdade, parece dar uma descrição exata do que ele quer dizer com “todas as coisas” criadas – “tronos, poderes, governantes, autoridades”. Isto é, Cristo está sendo chamado de criador porque está nos dando uma antevisão do seu reino na terra. Em outras palavras, “todas as coisas” – neste caso, “tronos, dominações, principados e potestades” – foram criados em Jesus, através” dele e “para” ele. Paulo não está dizendo aqui que Jesus foi o criador no versículo de abertura de Gênesis , mas que ele era o centro da hierarquia cósmica de Deus. Todas as autoridades deveriam ser submetidas ao Filho, que iria finalmente entregar tudo de volta para o Pai, o Senhor a quem devia fidelidade, para que “Deus possa ser tudo em todos” (1 Cor. 15:28). E é exatamente isso que nos esclarece o contexto da passagem em discussão. Observe: “… havendo por ele feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, tanto as que estão na terra, como as que estão nos céus” (Colossenses 1:20).

Paulo diz que quando Cristo foi ressuscitado dentre os mortos, e foi colocado à mão direita de Deus nos “lugares celestiais”, sua nova posição o levou a um estado “muito acima de todo governo e autoridade, poder e domínio, e de todo nome que pode ser dado , não só no presente século, mas também no vindouro” (Efésios 1:21). Não só isso, mas “Deus colocou todas as coisas debaixo de seus pés” (v. 22). Colossenses 1:17 ecoa, ao dizer que “nele tudo subsiste”; Colossenses 2:10 descreve-o como “a cabeça de todo poder e autoridade“.

Deus recompensou a “obediência até a morte” de Jesus e muito o exaltou dando-lhe o nome que está acima de todo nome, o que Paulo confirma: “Ao nome de Jesus todo joelho deve se curvar, no céu, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para glória de Deus Pai” (Filipenses 2:8-11) .

Estas atribuições de autoridade suprema a Cristo, sob Deus, sugerem que, quando Cristo veio para ser assentado à destra de Deus, ele – por sua vez – criou um novo sistema de regências entre os seres angelicais, bem como preparou um lugar de honra diante do Pai para todos os seus fiéis, tanto no presente como na idade vindoura (João 14:2,3). Tudo isso é, então, parte da “nova criação.” É esta a nova criação o tema de Colossenses 1:15-17.

O impacto da ressurreição de Jesus foi tão grande que, mesmo agora, um seguidor do Senhor é elevado a uma posição de privilégio em relação a Deus e Seu Filho, descrito como “os céus em Cristo” (Ef 1: 3). Esses “céus” foram trazidos à existência por meio de Cristo, e eles são os precursores dos políticos “céus” para se manifestar na idade para vir quando ele governará na terra. Neles são encontrados graduações de autoridade, descrito como tronos, dominações e assim por diante, alguns dos quais são visíveis e alguns dos quais ainda estão para se manifestar, e, portanto, ainda são invisíveis. A ordem das novas coisas, incluindo céus e terra, mundo por vir, ressurreição dos santos, redenção e etc, foram criadas por ele e para ele, sendo que tudo será revelado após a volta do Senhor Jesus.

Para resumir, Colossenses 1:16 não ensina a criação literal dos céus e da terra por Jesus, porque:

  1. Entra em conflito com o testemunho do Antigo Testamento, que ensina que foi Deus que criou.
  2. Os céus, e tudo criado por ele, em questão aqui em Colossensses, só podem ser entendidos quando aplicados para as coisas espirituais.
  3. Outras expressões do Apóstolo alinham os “céus” para posições de privilégio em Cristo.

Antes de Todas as Coisas

O versículo 17 diz que Cristo é “antes de tudo” – pró panton, no grego. Esta frase foi tomada como prova de sua preexistência pessoal. Mas é preciso ter cuidado, pois o verbo aqui está no tempo presente – “é”, e não “era”. Paulo não nos diz que Cristo “foi” antes de todas as coisas, como evidência de preexistência. Portanto, esse “antes” deve ter outro significado.

A palavra grega usada – pro – tem três usos comuns: antes, no sentido de lugar – na frente; antes, no sentido de tempo = “antes”, e antes, no sentido de preeminência, rank , ou vantagem . O último uso é visto em 1 Pedro 4:8 – pró panton, “antes de todas as coisas“, ou seja, “acima de todas as coisas” = “mais importante de todas“. Aqui em Colossenses, pro, não tem nada a ver com tempo ou lugar, mas sublinha como o amor cristão é preeminente acima de todas as outras virtudes. Tiago 5:12 é um outro exemplo do mesmo uso da frase pro panton .

Dizer, portanto, que Cristo é pró panton é dizer que a ele é dado o primeiro lugar no universo todo de Deus. Isto lembra o episódio em que Faraó exalta José para o “primeiro lugar” no Egito. Ele lhe disse: “Você deve estar no comando do meu palácio, e todo o meu povo se sujeitará às suas ordens. Somente em relação ao trono eu serei maior do que você. . . Tenho a honra de colocar você no comando de toda a terra do Egito. . . Eu sou o faraó, mas sem a sua palavra ninguém levantará a mão ou o pé em todo o Egito” (Gn 41:40, 41, 44). Este é o tipo de preeminência e regência que Deus concedeu ao seu filho – para ser mais do que todos os outros seres – tipificado apenas vagamente pela história da própria exaltação de José!

E não esqueçamos da liderança de Cristo sobre a igreja, que é um tema frequente nos escritos de Paulo. O versículo 18 declara sua chefia, e passa a chamá-lo de arche, “princípio”. Esta palavra também significa “governante, autoridade”. Ele dá mais ênfase ao tema de Paulo da preeminência de Cristo e a autoridade suprema em Deus, sendo que a autoridade conferida agora faz com que todas as coisas começem e terminem em Cristo.

Como o início da nova criação, ele é o “primogênito dentre os mortos“, o primeiro ser humano a subir imortal da sepultura e tornar-se assim um “participante da natureza divina” (2 Pedro 1:4). Como Senhor e também sendo “o primeiro a ser ressurreto” dentre os mortos, porque ele, por sua vez é o Doador da vida, o Príncipe da Vida – sua voz irá despertar os mortos de seus túmulos (João 5:21-29; Atos 3:15 ). E é pela ressurreição dos mortos que ele alcança sua posição suprema (v. 18: “para que”). Isto significa que ele não tinha essa posição antes.

Como sempre, o contexto (inimigo público dos trinitarianos) é um fator importante na interpretação. O foco de Paulo nesta passagem é sobre a “herança” (futuro) “reino”, e “autoridades” (Cl 1:12, 13, 16). Isto sugere fortemente que ele tem em mente a nova criação em Cristo que é o rei messiânico da nova ordem de Deus.

A Deus toda Glória

“Eu sou de cima”

“Eu sou de cima” (João 8:23).

Esta afirmação é muitas vezes usada para ensinar que Jesus estava no céu antes de vir para a terra. O contexto do verso, no entanto, mostra que essa interpretação é incorreta. Jesus declarou aos judeus: “Vós sois de baixo: eu sou de cima“, então, na explicação, ele continuou: “. Vós sois deste mundo, eu não sou deste mundo” Cristo era “de cima” e “não é deste mundo”, porque Deus era seu Pai, e ele se manifestou em sabedoria e características que eram celestiais, isto é, vindas de Deus.

Se Jesus realmente quer dizer que  em sua encarnação Ele literalmente desceu “de cima” porque preexistia no céu, então, para que tratemos desta  antítese de forma consistente, que em sendo esses judeus incrédulos, “de baixo“, deve significar que eles literalmente preexistiam no inferno (localizado “abaixo”, dentro da terra), o que é um absurdo.

Nas palavras, “Vós sois de baixo, eu sou de cima; vós sois deste mundo, eu não sou deste mundo”, Jesus está querendo dizer o seguinte aos judeus: “Vocês pertencem ao que está embaixo, eu pertenço ao que está acima”. Assim, Jesus está afirmando que seus adversários estão abaixo em um sentido espiritual, ou seja, seus valores refletem  que eles são do mundo e, portanto, sem Deus na sua vida. Em contraste, Jesus é espiritualmente “de cima” no sentido de que seus valores têm origem em Deus e, portanto, vem do céu.  Jesus não ser deste mundo, significa que Ele não pertence a este mundo, porque Ele não vive de acordo com os seus padrões. Assim, Jesus não se refere aqui que Ele literalmente veio do céu no momento de uma encarnação, mas que, eticamente, ele é das coisas do céu.

É o mesmo com os onze apóstolos. Jesus orou ao Pai sobre eles, dizendo: “Como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo” (Jo 17,18; cf 1,6). Se Deus enviar Jesus ao mundo significa que  Jesus literalmente vivia antes disso no céu, confirmando assim a clássica encarnação, então, para ser consistente, o envio por  Jesus de Seus discípulos ao mundo, deve implicar a  preexistência e encarnação dos mesmos. Ora,  se Jesus “não é deste mundo“, e como um ser preexistia no céu, então, para que sejamos justos e coerentes, devemos entender que na oração pelos discípulos, “Eles não são do mundo, assim como eu não sou do mundo” (Jo 17,16), que eles também são seres pré-existentes que encarnaram. Esse não é o sentido em que as palavras de Cristo devem ser entendidas. Ele “não era deste mundo” no mesmo sentido que João exortou os crentes a ser “não deste mundo” (1 João 2:15). O seguidor de Cristo deve olhar para além das coisas da terra – deste mundo. Ele deve olhar  para a glória ainda a ser revelada, e tornar-se mentalmente e moralmente alterado pela influência que é “de cima”.

Um homem que “ama o mundo” é “de baixo”, ou da “terra”, mas alguém que tem “o amor do Pai” habitando nele é “de cima” (1 João 2:15). Jesus disse a Nicodemos que uma pessoa deve “nascer do alto” (João 3:3) se ele quer herdar o reino de Deus. Esse tal é gerado pela palavra de Deus (I Pedro 1:23 e 1 João 3:9-10), por uma “sabedoria que vem do alto” (Tiago 3:15-18). O personagem que ele vai desenvolver é  moldado pela Palavra que habita nele (João 17:17), para que ele possa reivindicar ser “de cima”, embora ele nunca foi, literalmente, do céu.

Outra característica única do Evangelho de João é quando freqüentemente contrasta metáforas e antíteses. Por exemplo, João (geralmente citando Jesus) contrasta a luz com as trevas (Jo 1,5-9; 3,19-21; 8,12; 9,4-5; 12,35-36, 46), a vida com a morte (Jo 1,4; 5,21-26,54; 8,51-52; 11,25), a liberdade com a escravidão (Jo 8,32-38), que tem a ver com a cegueira (Jo 9,39-41). O mesmo é  verdade das expressões que envolvem Jesus e os judeus incrédulos neste contexto, como “os debaixo e os de cima”. Os termos não estão falando de origens literais,  mas como indicador de uma realidade espiritual.

Esta interpretação metafórica de Jo 8:23 serve como uma explicação de Jo 3:31 e Jo 6:25-65. Ou seja, todas as três passagens significam que o ministério de Jesus é espiritualmente, não literalmente, “de cima”, ou seja, do céu, tem origem em Deus. Portanto, assim se conclui a  linguagem de subida/descida em João 3:31, para interpretar a obra salvadora de Deus em Jesus. Certamente a Bíblia não fala do modelo da descida de uma Segunda Pessoa da Trindade ao mundo, o que só serviu para confundir a cristandade eliminando o conceito real, que é a presença interior de Deus em Cristo através do Espírito Santo. Isso tudo pode ser chamado de “Deus em Cristo reconciliando consigo o mundo”, como atesta o apóstolo Paulo em II Cor 5:19.

“Ele é antes de mim”

João Batista declara em João 1:15, 30: “… Este é o de quem eu disse: o que vem depois de mim tem, contudo, a primazia, porquanto já existia antes de mimÉ este a favor de quem eu disse: após mim vem um varão que tem a primazia, porque já existia antes de mim”.

O significado pode mudar drasticamente se atentarmos para a redação dos mesmos textos, mas em outras versões.

Verso 15: “João testificou dele, e clamou, dizendo: Este era aquele de quem eu dizia: O que vem após mim é antes de mim, porque foi primeiro do que eu”.

Verso 30: “Este é aquele do qual eu disse: Após mim vem um homem que é antes de mim, porque foi primeiro do que eu”.

O evangelista Marcos dentro do mesmo contexto coloca o versículo da seguinte forma: “E pregava, dizendo: Após mim vem aquele que é mais poderoso do que eu, do qual não sou digno de, curvando-me, desatar-lhe as correias das sandálias”, Marcos 1:7.

Note o leitor que João simplesmente estava querendo dizer que, “o que vem depois de mim é [superior] antes de mim”. O significado é óbvio; Jesus tem um maior grau de autoridade no reino de Deus do que João Batista.

Traduções tendenciosas e trinitarianas registram João Batista “afirmando” que Jesus já existia antes dele. Uma vez que João Batista nasceu seis meses antes de Jesus (Lc 1:24-31), esta cláusula independente exigiria a preexistência do Messias. No entanto, a AV e a RSV traduzem esta segunda cláusula diferente: “ele foi antes de mim”. Algumas traduções em português, como a ARC de 1995, traduzem como, “Ele foi primeiro do que eu“. Outras, como visto nas primeiras citações, associam as duas frases, “O que vem após mim é antes de mim, porque foi primeiro do que eu”.

Este tipo de tradução não é sobre a preexistência, mas representa uma reiteração da cláusula primeira, isto é, que Jesus supera João Batista. Por isso João disse em outro verso,”Importa que Ele cresça e que eu diminua”, João 3:30.

Deus seja louvado

“Pai, glorifica-me com aquela glória”

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Agora, Pai, glorifica-me junto de ti mesmo, com aquela glória que eu tinha contigo antes que o mundo existisse”, João 17:5

Na superfície, pode-se facilmente levar as palavras de Jesus como se referindo a algo que ele já teve e não tem mais. Os trinitarianos imaginam que Jesus está falando de um “tempo” quando ele estava com o Pai na eternidade, quando então ele compartilhou essa glória com Ele.

Este é um dos versos preferidos dos patrocinadores da doutrina do Messias preexistente. Alguém já imaginou um Messias preexistente? Algo poderia soar mais confuso do que isto? Pode haver uma doutrina mais confusa do que aquela que afirma ter existido no céu alguém que a Bíblia garante que seria “semente da mulher”, descendente de Abraão e Davi?

Para muitos, se um Jesus preexistente tinha desistido de sua glória quando ele desceu do céu para ser encarnado, e ele está pedindo para que esta glória seja devolvida a ele, seria de se esperar que ele dissesse: “Agora, Pai, glorifica-me junto de ti mesmo , com a glória que eu tinha contigo antes que o mundo existisse”. Compare isso com 2 Timóteo 1:9, que diz: “Que nos salvou, e chamou com uma santa vocação; não segundo as nossas obras, mas segundo o seu próprio propósito e graça que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos dos séculos”.

Não poderíamos fazer uma oração semelhante como a que Jesus fez em João capítulo 17 e dizer: “Eu te agradeço Pai pela graça que tive contigo antes do mundo existir?” Será que esta oração nos faz preexistentes porque tivemos graça aos olhos de Deus antes do mundo ser criado?

E quanto a Tito 1: 2? “Em esperança da vida eterna, a qual Deus, que não pode mentir, prometeu antes dos tempos dos séculos”. Será que poderíamos orar como Jesus aqui também, dizendo: “Pai, glorifica-me com a vida eterna que tive contigo antes do mundo existir?” Esse tipo de oração nos faz preexistir na eternidade passada? Evidente que não. Como recebemos a PROMESSA dada a nós – desde antes dos tempos eternos – Cristo também recebeu a Glória PROMETIDA desde antes da fundação do mundo por suportar a cruz. Logo, em João 17:5, é evidente que Jesus estava simplesmente pedindo a glória que lhe foi prometida pelo Pai antes que o mundo existisse, e não que ele estava lá como um Filho preexistente.

Em João 17:22 Jesus diz: “E eu lhes dei a glória que tu me deste, para que eles sejam um, assim como nós somos um”. E aqui, podemos fazer o mesmo, orando, “glorifica-me Jesus com a glória que tive contigo antes de ir para a cruz?” Ora, nós não vivíamos no tempo em que Jesus sofreu e morreu na cruz. Além disso, temos aqui uma promessa para ser ainda recebida no futuro, após a ressurreição e estabelecimento do reino de Deus.

Obviamente, Jesus, em João 17:5, está clamando pela promessa de Deus, que Deus prometeu em seu plano antes que o mundo existisse, que foi glorificá-lo com sua própria glória, para que o Filho do homem se tornasse o Filho Eterno de Deus na nova criação feita na perfeita imagem de Deus em justiça e imortalidade. Este é o real significado de João 17: 5, que não prova de forma alguma que Jesus preexistiu com Deus ao seu lado como uma pessoa divina na eternidade passada.

A palavra “eu tinha”, em “a Glória que tinha contigo antes do mundo existir”, é a palavra grega “eichon” , que significa manter, guardar como posse, como uma condição. Em outras palavras, Jesus está pedindo ao Pai para glorificá-lo com a glória que Deus prometeu e estava reservando para ele. Como nós não temos realmente, ou possuímos a vida eterna em nós ainda, mas este previlégio é colocado diante de nós como uma PROMESSA certa sendo reservada no céu esperando por nós, assim foi com Cristo na expectativa da sua oração pela glória que lhe era devida.

O léxico de Thayer, do grego para inglês, define essa palavra “eichon” de forma semelhante, que a grosso modo significa, “ter guardado”, no sentido de algo que está retido. Assim, João 17;5 poderia ser traduzido com muita facilidade da seguinte forma: “Glorifica-me com aquela glória que eu tenho guardada e reservada contigo antes do mundo existir”.

Quando Jesus foi glorificado

Jesus não foi glorificado até que Deus o ressuscitou dentre os mortos: “E isto disse ele do Espírito, que aqueles que acreditavam Nele estavam para receber, porque o Espírito Santo ainda não fora dado, porque Jesus ainda não tinha sido glorificado”, João 7:39.

Porventura não convinha que o Cristo padecesse e entrasse na sua glória?”, Lucas 24:26.

“… Os seus discípulos, porém, não entenderam isto no princípio; mas, quando Jesus foi glorificado, então se lembraram de que isto estava escrito dele, e que isto lhe fizeram”, João 12:16.

Portanto, quando chegou o momento, ele disse: “agora, Pai, glorifica-me …”, João 17:5.

A verdade da questão torna-se muito clara. Jesus estava ciente de que tinha sido amado por Deus antes que o mundo existisse. Pedro ensinou que o Senhor foi “conhecido antes da fundação do mundo, mas foi manifestado nestes últimos tempos por amor de vós” (1 Pedro 1:20). João descreve-o como “o Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo” (Ap 13:8). Está aí a glória. A glória do Cristo recebida na ressurreição. O texto diz que isso foi prometido desde a fundação do mundo.

Jesus foi “morto desde a fundação do mundo?” Normalmente, sim, nos sacrifícios fornecidos, mas literalmente, não. Embora ele mesmo ainda não, no momento da oração, tivesse sido glorificado, as Escrituras enfatizam que Jesus obteve essa glória, prometida desde a fundação do mundo, ao completar na cruz a sua vitória sobre o pecado. O escritor aos Hebreus confirma: “Vemos, todavia, aquele que, por um pouco, tendo sido feito menor que os anjos, Jesus, por causa do sofrimento da morte, foi coroado de glória e de honra, para que, pela graça de Deus, provasse a morte por todo homem” (Hebreus 2:9)

Em Atos 3:13, referindo-se a ressurreição e ascensão de Jesus ao céu, Pedro diz: “O Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó, o Deus de nossos pais, glorificou a seu Servo Jesus, a quem vós traístes e negastes perante Pilatos, quando este havia decidido soltá-lo“.

Na sua primeira epístola, Pedro diz novamente que Deus “o ressuscitou [Jesus] dentre os mortos e lhe deu glória...” (1 Pedro 1:21).

O próprio Jesus, falando com dois discípulos no caminho de Emaús enfatiza que a sua glorificação era posterior aos seus sofrimentos dizendo: “Porventura, não convinha que o Cristo padecesse e entrasse na sua glória?” (Lucas 24:26; ver também João 7:39, João 12:16).

As passagens anteriores demonstram que Jesus não pode ter literalmente usufruído de glória antes do seu nascimento, porque somente podia recebê-la depois de ter terminado o seu ministério com êxito. Tanto a existência de Jesus antes que o mundo existisse, como a sua glorificação, somente podem ter existido de forma antecipada na mente e propósito de Deus. Este propósito foi aos poucos revelado aos profetas. Falando do que ia acontecer, o Senhor disse. “O Filho do Homem vai, como está escrito a seu respeito…” (Mateus 26:24).

Os versículos que são citados para apoiar a ideia da suposta “preexistência” de Jesus Cristo não indicam que ele realmente viveu no céu antes de nascer. Simplesmente enfatizam em linguagem figurada o fato que a aparição do Senhor Jesus na terra não foi uma coisa do acaso, mas um acontecimento que foi determinado e autorizado pelo seu Pai celestial desde antes da criação do mundo. Portanto, quando Jesus pediu ao pai para dar-lhe a glória que ele tinha com ele antes que o mundo começou, Ele não estava falando de uma época em que Ele viveu em um corpo de carne divina celestial ao lado do Pai, como segunda pessoa da trindade. A glória de que Jesus falou era a glória que Ele, como um homem, teria no cumprimento do plano de Deus preordenado para redenção da humanidade. Jesus olhou para a frente, e orou pedindo ao Pai para dar a Ele, para que Ele pudesse compartilhar com todos os crentes, “A glória que Tu me deste, eu lhes dei” (João 17:22).

Os seguidores de Cristo possuem esta glória agora? Não! Eles estão apenas “na esperança” dessa glória, “pelo qual também obtemos entrada pela fé a esta graça, na qual estamos firmes; e nos gloriamos na esperança da glória de Deus”, Rom 5:2.

Como Cristo pode, então, afirmar ter dado a eles essa glória? Apenas no sentido de que ele prometeu, conhecendo de antemão que a quem é dada em promessa cumprirá as condições para recebê-lo, finalmente, na realidade. Assim, um seguidor que aceita a vinda de Cristo poderia falar como o Senhor, quando ele mesmo orou ao Pai:

Glorifica-me com a glória que eu tinha contigo antes que o mundo existisse“.

Deus conhece o propósito concluído, e sabendo que Ele quer trazê-lo para a consumação, é capaz de “chamar as coisas que não são como se elas fossem” (Rm 4:17). Observe também, que a Escritura fala de outros preexistentes, bem como Cristo. Considere o seguinte:

Dos crentes, Paulo escreveu: “Os que dantes conheceu“, (Rom. 8:29).

Ele já dantes preparou os {observe o verbo no passado} para a glória“, (Rm 9:23 cf. 2 Tm. 1:9).

Ele também nos elegeu nele antes da fundação do mundo“, (Ef 1:4).

De Jeremias, o Senhor disse: “Antes que eu te formasse no ventre te conheci, e antes que saísses da madre, te santifiquei, e te dei por profeta para as nações“, (Jeremias 1:5).

Mas quem iria disputar a preexistência de Jeremias e de outros crentes? Assim, a linguagem de João 17:5 deve ser entendida de uma maneira consistente com todo o contexto sobre ter sido Jesus a semente da mulher e não um ser preexistente. Certamente o contexto de João não deve ser usado para ensinar a preexistência de Jesus, pois se assim for, haverá sérios conflitos com muitas outras referências que falam dele como o filho de Davi que nasceu há mais de 20 séculos.

Por outro lado, Paulo, em Gálatas 1:15 afirma que quando Cristo voltar, aos seus seguidores será concedida uma glória “semelhante” a que foi concedida ao Filho. Eles vão ser “conformes à imagem do Filho de Deus, para que ele seja o primogênito entre muitos irmãos” (Rm 8:29).

Sua responsabilidade

É muito difícil livrar nossas mentes de preconceitos, mas é necessário se quisermos encontrar a verdade. No entanto, para milhões de cristãos não há problema algum em crer que um anjo, ou um ser preexistente, deve tornar-se um bebê, e ser obrigado a aprender de novo todas aquelas coisas que uma vez ele sabia.

Não, a verdade é simples e clara. O Espírito de Deus causou o nascimento de seu filho, e o fortaleceu em sua peregrinação diária para a vitória sobre o pecado. Ao fazê-lo, foi revelado o meio de vitória para cada um de nós: ajuda e força (Filipenses 4:13) divina. Um exame cuidadoso da Escritura vai mostrar que a doutrina da preexistência é tanto ilógica como falsa.

“Antes que Abraão existisse, Eu sou”

Abraao

A chamada Ortodoxia Cristã defende ter sido Jesus divino e Deus quando esteve neste mundo; afirmam que o grego ego eimi, “eu sou”, é uma técnica de linguagem intencional implementado por Jesus para invocar o nome divino e identificar-se como (um) Deus. Quando Jesus disse: “Eu sou”, neste contexto [João 8:58], deve ser entendido para ser uma citação de referência a Deus para Si mesmo como EU SOU em Êxodo 3:14.

Nesse versículo, segundo os trinitarianos e segundo a maioria de nossas versões modernas, quando Moisés perguntou o nome de Deus, Deus teria respondido: “EU SOU O QUE EU SOU” e, em seguida, disse, É isto que você dirá aos israelitas: Eu Sou me enviou a vocês“.

A Septuaginta foi uma tradução do Velho Testamento em hebraico para o idioma grego. Como ela verteu a passagem de Êxodo 3:14? A expressão hebraica “Ehye asher ehye” de Êxodo 3:14 foi traduzida em grego na septuaginta por: ἐγώ εἰμί ὁ ὤν (Ego Eimi Ho On). Em português essa expressão seria algo próximo de “Eu sou (ego eimi) aquele que é (Ho On)”.

O texto todo de Êxodo 3:14, de acordo com a Septuaginta, fica dessa forma: “E disse Deus a Moisés: Egō eimi ho ōn (Eu sou aquele que é). Assim dirás aos filhos de Israel: Ho ōn apestalken me pros hymas (Aquele que é me enviou a vós)”. O que Deus disse para Moisés, que Ele era o “Eu Sou” (ego eimi) ou Ele disse que era “Aquele que é” (Ho on)?

Deus não estava dizendo “Eu sou Eu sou.” A frase “Eu sou o que sou”, literalmente, significa “Eu sou aquele que é“. Deus estava dizendo a Moisés que o nome que ele deveria dar aos filhos de Israel é “Aquele que é“, e não “eu sou o que sou“. A frase, “eu sou”, simplesmente é inserida no texto para identificação de quem é nomeado. Ou seja, é como se um enviado perguntasse a autoridade que o envia, o seu nome para identificação posterior. Seria uma construção textual semelhante a essa: “como eu poderia identificá-lo ao me encontrar com as pessoas que devem receber vossa mensagem?” O indagado simplesmente responde: “Eu sou Carlos, diga-lhes que Carlos o enviou“. O mensageiro jamais poderia chegar aos endereçados e dizer que “EU SOU Carlos me enviou a vós“, mas apenas dizer que Carlos o enviou. O verso tem a expressão “Eu sou”, mas ela não identifica o nome de Deus. A expressão só é usada para Deus complementar dizendo que era HO ON. Deus diz que é “Ho on”, não que ele é “Ego eimi”.

Deus não disse ser um certo “Ego Eimi” (eu sou), ele disse ser “Aquele que é” (ho On). A ideia foi dizer “Eu sou AQUELE QUE É”, tanto é que quando Moisés perguntou o que diria quando fosse indagado sobre quem o enviou, Deus manda Moisés responder “HO ON (AQUELE QUE É) me enviou a vós”, Ele não disse “Ego Eimi” me enviou a vós”.

Jesus não reivindicou este título. Observem o texto: “Disse lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que antes que Abraão fosse eu sou”. Se Jesus quisesse fazer alusão ao “ὁ ὤν” (ho On) de Êxodo 3.14, teria usado a idêntica construção, e não precisaria tomar por base a existência de Abraão.

Sobre esse ponto, o Apologista Valdomiro Filho comenta com muita propriedade:

“O problema é que há traduções que verteram HO ON como “AQUELE QUE É” na primeira ocorrência e o mesmo HO ON como “Eu Sou” na ocorrência seguinte. A expressão HO ON não está em Jo. 8.58. Todos os livros e comentários que você já leu, digo com simplicidade e sem medo de errar, estão equivocados quando tentam comparar João 8.58 com Ex. 3.14 dizendo que Jesus é o EU SOU do Antigo Testamento, porque simplesmente as construções são diferentes. Se considerarmos o hebraico, que é a língua em que originalmente foi escrito o livro de Êxodo ai é que se descarta mesmo, porque a construção verbal do hebraico, daquela passagem, é causativa e em João é, seguramente, grego no presente do indicativo ativo. Se for os dois em grego, um é particípio e o outro presente do indicativo ativo.

Vamos, para ficar didaticamente mais visível, dividir o verso de Êxodo em duas partes: A + B. A) “καὶ (e) εἶπεν (disse) ὁ θεὸς (Deus) πρὸς (a) μωυσῆν (Moisés) ἐγώ (eu) εἰμι (sou) ὁ ὤν (AQUELE QUE É).

Pergunto o seguinte: Deus em “A” disse ser “ego eimi” ou Deus disse ser “HO ON”? B) καὶ (e/também) εἶπεν (disse:) οὕτως (assim) ἐρεῖς (dirás) τοῖς (aos) υἱοῖς (filhos [de]) ισραηλ (Israel) ὁ ὢν (AQUELE QUE É [aqui, desuniformemente as Bíblias vertem para EU SOU, donde decorre a associação com Jo.8.58]) ἀπέσταλκέν με (enviou-me) πρὸς (a) ὑμᾶς (vós).

A pergunta que faço agora é a seguinte: Moisés identificou Deus, em “B”, como “ego eimi” ou como “HO ON”? Onde está a expressão “ego eimi” na parte “B” para os tradutores verterem “EU SOU” ao invés de “AQUELE QUE É”?

Percebamos que não existe um “ego eimi” nessa parte; não se sabe porque os tradutores inseriram “Eu sou me enviou a vós”. E a Bíblia de Jerusalém fez mais do que isso e colocou em maiúsculo “EU SOU me enviou a vós”, quando o procedimento uniforme seria “AQUELE QUE É me enviou a vós”. Ora, se “ego eimi” significa “eu sou” e “HO ON” significa “eu sou” exatamente com a mesma semântica, então, a parte “A” deveria ser traduzida por, “Disse Deus a Moisés: Eu sou Eu sou” (ego eimi ho on), e ai teríamos, ao menos, uniformemente “Eu sou me enviou a vós”. Mas se HO ON é traduzida por “AQUELE QUE É” na parte “A” não há razão para não ser, também, na parte “B” pela mesma expressão, a não ser que haja a intenção de criar a associação que os trinitários hoje defendem” (1).

Portanto, esse teoria trinitariana de que Jesus disse “Eu Sou” para identificar-se como Deus não tem fundamento nem mesmo nas Escrituras. Provavelmente Jesus não falava o grego, e muito menos estava falando em grego para os fariseus.

A afirmação de Jesus, “eu sou”, foi construída em grego. A declaração do Senhor em Êxodo 3:14 foi em hebraico. As duas línguas não são apenas muito diferentes umas das outras, mas as duas declarações também não são as mesmas. “Eu sou” não é o mesmo que o terrivelmente mal traduzido “eu sou o que eu sou”.

Vamos analisar os versículos anteriores a este: “Abraão, vosso pai, exultou por ver o meu dia, e viu o, e alegrou se“, v. 56. Os judeus estavam distorcendo as palavras de Jesus: “Disseram-lhe, pois, os judeus: Ainda não tens cinqüenta anos, e viste Abraão?” Jesus não disse isso. Foi o contrário: Abraão viu Jesus e não Jesus viu Abraão. Então, vem o verso chave: “Disse lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que antes que Abraão fosse eu sou”, João 8:58. Se traduzimos a última parte do versículo como “Eu sou antes de Abraão” podemos ter um significado completamente oposto ao da nossa envelhecida ortodoxia cristã. Nesse caso, o texto não diz que Jesus era preexistente, e muito menos diz que ele usou uma técnica de linguagem intencional para se igualar ao Deus de Israel.

Jesus estaria simplesmente dizendo que foi conhecido antes da criação do universo como o cordeiro que foi morto nos propósitos de Deus (Ap 13:8). Nas palavras de Pedro “Ele foi conhecido antes da fundação do mundo, mas manifestado nesses últimos tempos por amor de vós” (1 Pedro 1:20).

Ele foi o Messias anunciado e predestinado a vir desde sempre, portanto, antes de Abraão.

Ele também é antes de Abraão nas palavras de Moisés: “Porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua descendência e a sua descendência; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar” (Gênesis 3:15).

Há outra opção de Interpretação que vai ser exposta mais adiante.

Um título ou um verbo?

Os trinitarianos dizem que os Judeus entenderam perfeitamente que Jesus estava afirmando ser Deus quando ele usou as palavras “ego eimí”, porque eles imediatamente pegaram pedras para matá-lo. Mas os trinitarianos não consideram que os Judeus já haviam decidido matar o Senhor Jesus antes desse impasse em João 8:58. Leia João 7:1, 25. Além disso, a expressão em grego “ego eimí” em João 8:58 utiliza o pronome pessoal acompanhado de um verbo, que é o verbo “ser”. “Eu sou” NÃO É UM TÍTULO. De forma semelhante, o “eu sou” (“ego eimí”) em Êxodo 3:14 não constitui um título. O título usado por Deus nesse texto é “Ho On” (“Aquele que é”). O “sou” de “eu sou” é apenas um verbo e não um nome divino.

Alguém escreveu sobre isso com muita sabedoria:

“Se em João 8:58 Jesus tivesse dito: “Eu sou o EU SOU”, ou “Eu sou o Ser”, ou ainda “Eu Sou Aquele que é ”, seria diferente. Mas ele fez um uso simples e comum na língua grega, do verbo ser. É muito arriscado divinizar uma expressão grega, mesmo quando sai da boca do Mestre. Por que transformar uma expressão de uso corriqueiro num carregado título teológico? Todo esse conjunto de teorias recaem, como sempre, na esfera da incerteza, porque não seguem a regra bíblica de ‘não ir além do que está escrito’. E tais teorias gozam de grande credibilidade entre muitos cristãos, e estimulam declarações pouco analisadas e ponderadas, transformando algo que é duvidoso em algo “inquestionável”. Para muitas pessoas que formam os rebanhos das igrejas, é muito comum o pensamento: “Se os doutores, teólogos e filósofos acreditam assim, quem sou eu para discordar?” No entanto, uma simples leitura atenta é suficiente para desmontar uma teoria humana, ou, pelo menos, para mostrar que a coisa não é tão sólida quanto alguns pensam” (2).

O professor de Estudos Religiosos, Jason David BeDuhn, da Universidade do Norte do Arizona, em seu livro “Precisão e parcialidade na tradução do Novo Testamento em inglês” (Accuracy and Bias in English New Testament Translation) compara algumas traduções inglesas principais e as relaciona da seguinte forma no capítulo dez, onde ele lida exclusivamente com João 8:58:

KJV “before Abraham was, I am” “antes que Abraão existisse, eu sou”

NASB “before Abraham was born, I am” “antes de Abraão nascer, eu sou”

NAB “before Abraham came to be, I am” “antes de Abraão vir a ser, eu sou”

NW “before Abraham came into existence, I have been” “antes que Abraão existisse, eu tenho sido”

O Dr Duhn conclui:

“O que está acontecendo aqui? Você pode pensar que há uma cláusula grega particularmente difícil ou complicada por trás dessa bagunça em inglês. Mas esse não é o caso. O grego lê “prin Abraham genesthai ego eimi”. Ele pode ser traduzido diretamente para o inglês, fazendo o que os tradutores sempre fazem com o grego, ou seja, reorganizando as palavras na ordem normal do inglês, e ajustando as coisas com o tempo verbal complementar para a expressão apropriada… a KJV tem influenciado os seus tradutores colocando o verbo impropriamente no final da sentença”. Assim, o “eu sou” de João 8:58 deveria estar no início da sentença, deixando o versículo como segue: “Eu sou antes de Abraão”.

Jesus diz EU SOU várias vezes

Se “ἐγώ εἰμι” era o título sagrado de Deus o Todo Poderoso, porque somente no versículo 58 os judeus tentam apedrejar Jesus? Porque não tentaram apedrejá-lo depois dele dizer no versículo 24 do mesmo capítulo: “se não crerdes que EU SOU, morrereis nos vossos pecados”? Não seria uma ótima oportunidade para os Judeus acusarem Jesus de blasfêmia por aplicar a si mesmo o título de Deus? Isso mostra que ἐγώ εἰμι não foi o fator determinante para provocar essas reações ambíguas. O problema foi com Abraão.

Veja com mais detalhes dentro do mesmo contexto: “Vocês são daqui de baixo; eu sou lá de cima. Vocês são deste mundo; eu não sou deste mundo. Eu disse que vocês morrerão em seus pecados. Se vocês não crerem que EU SOU, de fato morrerão em seus pecados. Diziam-lhe então, quem és tú”, João 8:23,24.

Os judeus não acharam que Jesus estava dizendo que era o Deus de Israel. Ao contrário de Êxodo 3:14, a expressão eu sou não está sendo usada com função de nome identificador, tanto é que não causou reação nos judeus. É tão evidente que esse não era o caso, que quando Jesus disse eu sou, os seus opositores perguntaram em seguida, quem és tu? Se falar eu sou significasse uma auto identificação não haveria necessidade dessa pergunta, e os judeus já teriam corrido para pegar pedras e atirar em Jesus. E não podemos ignorar também o verso 28, que enfatiza de forma clara a reclamação trinitariana de Jesus como EU SOU. Veja o texto: “Então Jesus disse: Quando vocês levantarem o Filho do homem saberão que EU SOU, e que nada faço de mim mesmo, mas falo exatamente o que o Pai me ensinou”. A construção textual é incrivelmente provocadora, mas os trinitarianos a abandonaram. Por qual motivo? Talvez porque não houve ameaça de apedrejamento. Não se vê nenhuma reação dos judeus. Na sensível mente deles, não houve rejeição ao que Jesus falou. Pelo contrário, o versículo seguinte relata que muitos JUDEUS creram nele: “Tendo dito essas coisas, muitos creram nele”. Depois disso o relato prossegue de forma contínua. Mas, em determinado momento algo muda em João 8:57,58: “Disseram-lhe, então, os judeus: Não tens ainda cinquenta anos e viste Abraão? Jesus lhes disse: Em verdade, em verdade, vos digo: antes que Abraão existisse, EU SOU. Então apanharam pedras para atirar nele”.

Os Judeus constantemente corrompiam as palavras de Jesus. Isto é, eles as entendiam de forma equivocada (João 3:3,4). E se comportaram da mesma maneira no contexto de João 8:58. Possívelmente eles entenderam que ele estava alegando superioridade a Abraão. Se considerarmos que Jesus usou as palavras “Eu sou antes de Abraão”, ou “Eu tenho sido antes de Abraão”, ele pode ter causado um rebuliço total na mente dos judeus levando-os a acreditar que ele declarou ser maior do que Abraão.

Lembre-se que Jesus se declarou mais importante – maior – que o templo em Mateus 12:6, “aqui está quem é maior que o templo”. E também maior do que Salomão: “A rainha do Sul se levantará, no Juízo, com esta geração e a condenará; porque veio dos confins da terra para ouvir a sabedoria de Salomão. E eis aqui está quem é maior do que Salomão”.

Jesus estava sendo ameaçado de apedrejamento pelo que ele teria dito sobre Abraão. Dizer que “Sou antes” (entendido pelos judeus como “mais importante”, “superior”, “maior” – acréscimos meus) de Abraão seria considerado injúria, visto que os Judeus encaravam tal ancestral como o “Pai” da nação (Ver João 8:39). Além disso, o significado de blasfêmia na bíblia vai muito além do que apenas dizer algo contra Deus. Era considerado blasfêmia algo que ofendesse algum maioral da nação (Ver Êxodo 22:28)” (3).

No contexto de uma perseguição anterior a Jesus, ficou claro “para os judeus” que Ele era um blasfemo e se faz igual a Deus, isto é, fazendo-se igual a Deus porque se declarava Filho de Deus (João 5:18), o que, obviamente, não o fazia igual a Deus apenas por chamar Deus de seu Pai. Seria, portanto, razoável concluir que para a maioria dos ouvintes, as palavras de Jesus em “Eu sou antes de Abraão” não eram algo totalmente inesperado, mas confirmavam sua suspeita e até a convicção de que Jesus era mesmo um blasfemo. Para eles era uma teologia sacrílega; e é claro que Jesus conhecia suas expectativas e medos sinistros quando pronunciou intencionalmente aquelas palavras absolutamente provocativas. Isto é, foi uma “blasfêmia” intencional de sua parte, a fim de revelar sua identidade, não sua divindade. Observe que quando Jesus disse “antes que Abraão existisse, eu sou” ele estava respondendo aos judeus duas perguntas que foram feitas em dois versos anteriores. A primeira está no versículo 53: “Porventura és tu maior do que nosso pai Abraão…?” A outra está no verso 57: “Ainda não tens cinquenta anos e viste Abraão?”

Podemos, como já disse, ter dois significados nas palavras de Jesus em João 8:58 quando ele alega, “Eu sou antes de Abraão“. O primeiro é que ele era o Messias que havia de vir e estava nos planos de Deus antes mesmo de existir de fato: “Pai, aqueles que me deste quero que, onde eu estiver também eles estejam comigo, para que vejam a minha glória que me deste; porque tu me amaste ANTES da fundação do mundo“, João 17:24.

Observem, mais uma vez, que o “Cordeiro de Deus” tinha sido “crucificado antes da fundação do mundo” (Ap 13:8 NVI), sendo que, evidentemente, o que ocorreu de forma não literal, pois Jesus foi crucificado em 33 dC sob o governo de Pôncio Pilatos, mas no plano de Deus desde antes da fundação do mundo. Desta forma também Jesus “era” antes de Abraão. Assim Abraão podia olhar para frente, para a vinda do Messias e seu Reino. O Messias e seu reino, portanto, “preexistiam” no sentido de que eles foram “vistos” por Abraão através dos olhos da fé. Antes que Abraão nascesse Jesus tinha sido “conhecido” (cf. 1 Ped. 1:20). Jesus aqui faz a afirmação estupenda do seu significado absoluto no propósito [plano] de Deus. E o segundo significado é que ele pode ter dito também que é superior a Abraão. Portanto, não foi o EU SOU de Êxodo 3:14 que provocou a ira dos judeus. Jesus não está alegando que existiu – literalmente – antes de Abraão e nem que é Deus, em João 8:58.

Será que Jesus confundiu tudo depois, dizendo por um lado que somente o Pai é o “único Deus verdadeiro” (17:3, 5:44) e que ele mesmo não era Deus, mas o Filho de Deus (João 10: 36), e por outro lado, que ele, Jesus, é também um ser incriado? Será que ele quis definir seu status dentro das categorias reconhecíveis do Antigo Testamento (João 10:36, Sl 82:6; 2:7), apenas para representar um enigma insolúvel dizendo que ele estava vivo antes do nascimento de Abraão? Se Jesus realmente quisesse falar de sua preexistência e divindade usando a mesma construção textual ele poderia fazê-lo em outros contextos e ter declarado “EU SOU antes de Adão”, ou, “Eu sou antes da humanidade”, não ANTES de Abraão. Não seria mais sensato ler João 8:58 à luz da declaração de Jesus em João 10: 32,33 e 36 e no resto das Escrituras?

É um fato bem conhecido que as conversas entre Jesus e os judeus foram muitas vezes de forma contraditória. Em João 8:57 Jesus não tinha, de fato, dito como os judeus pareciam pensar, que ele tinha visto Abraão, mas que Abraão exultou por ver o dia do Messias (v. 56). O patriarca estava esperando surgir na ressurreição no último dia (João 11:24; Mat 8:11) e tomar parte no reino messiânico. Jesus também estava afirmando superioridade a Abraão, mas não no sentido que os judeus entenderam.

Uma leitura honesta de “eu sou” em João 8:58 simplifica o entendimento, revelando positivamente que o significado não é “eu sou Deus.” E, também não é, como tantas vezes alegado, o nome divino de Êxodo 3:14, onde o Senhor declarou, “Eu sou o ser” ou “Eu sou o aquele que é” (EGO EIMI HO ON, que é traduzido para o Inglês como “Eu sou o Ser”). Jesus aqui em João não defendeu nenhum título.

Além disso, na ocasião da sarça no monte Sinai é registrado que um anjo falava com Moisés do arbusto que ardia em chamas, não o próprio Senhor.

Êxodo 3: 2, afirma: “E apareceu-lhe o anjo do Senhor em uma chama de fogo do meio duma sarça; e olhou, e eis que a sarça ardia no fogo, e a sarça não se consumia”. Estêvão, nos registros do NT, em Atos 7:30, declara: “E, completados quarenta anos, apareceu-lhe o anjo do Senhor no deserto do monte Sinai, numa chama de fogo no meio de uma sarça”. Ele confirma a mesma coisa quando diz aos judeus em Atos 7:53, “vocês, que receberam a Lei por intermédio de anjos, mas não lhe obedeceram”.

Isso torna evidente que era um anjo do Senhor que falava com Moisés como representante de Deus, falando e agindo em nome de Deus na ocasião do Sinai, e não o próprio Deus. Deus estava falando e revelando Sua glória a Moisés, mas o fez através de um anjo.

Apesar de todos os argumentos apresentados aqui contra a alegação trinitariana, ainda assim, para eles, esse teria sido um dos momentos mais importantes do Novo Testamento, pois em João 8:58, Jesus teria decidido revelar sua verdadeira divindade alegando ser o “EU SOU” de Êxodo 3:14, a Segunda Pessoa da Trindade, o Deus Filho eterno do Velho Testamento, O ser preexistente. Mas, que, inexplicavelmente, depois de fazer essa estupenda revelação para o povo de Deus, os judeus guardiões da Palavra, ele teve que fugir porque estes queriam matá-lo!

É fato caro leitor, que isso tudo aconteceu logo depois que Jesus supostamente deu sua última declaração sobre sua verdadeira divindade! Mas, espere! Os judeus não creram? No Velho Testamento não fala do Jesus preexistente, Deus conosco, Pai eterno e títulos semelhantes? Os Judeus não creram, e até hoje ainda não creem na trindade por qual motivo? É evidente que Jesus nunca deu tal declaração (o EU SOU de Êxodo 3:14).

O que dizer de João 1:1-3?

Nesse momento da leitura é muito comum aos teólogos da nossa ortodoxia convencional se agarrarem no prólogo do Quarto Evangelho para invalidar os argumentos desse pequeno artigo. No entanto caro amigo leitor, o prólogo de João está fazendo referência a algo tão simples, tão contrário a interpretação popular, que vai surpreender até os céticos e ateístas: João não está falando do princípio de Gênesis em “no princípio era o verbo…”.

Talvez a maioria argumente que o contexto realmente fala sobre Jesus no princípio da criação do mundo, pois os dois versículos imediatamente posteriores dizem que “Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e sem ele nada do que foi feito se fez“, João:1:2,3.

A referência é a Nova Criação, não a velha. Veja meu artigo “TUDO foi criado por Ele“. E não se engane com Hebreus 1:1,2 quando diz que Jesus fez o mundo. Não é uma referência a Gênesis 1:

Havendo Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias a nós nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, e por quem fez também o mundo“, Hebreus 1:2. Isto é, o mundo vindouro, a era por vir, como confirmado pelo mesmo escritor apenas alguns versículos depois: “Porque não foi aos anjos que Deus sujeitou o mundo vindouro, sobre o qual estamos falando“, Hebreus:2:5.

Portanto, quando a Escritura revela que Jesus é o princípio de toda a criação significa que ele é o primeiro da nova criação de Deus: “Ao anjo da igreja em Laodicéia escreve: Isto diz o Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de Deus“, Apocalipse 3:14.

De fato, temos aqui mais uma referência apontando para a nova criação inaugurada pela ressurreição de Cristo. Por esse motivo as Escrituras fazem referência aos cristãos como novas criaturas. Assim, Jesus é o primogênito e as primícias de uma nova criação – chamado de um “novo e vivo caminho” em Hebreus 10:20. Tudo foi feito por ele e por meio dele, e sem ele nada do que foi feito se fez (João 1:3).

Eu vou apresentar aqui um resumo do meu artigo sobre João 1:1-3 que já está disponível nesse site com o título, “No Princípio” – João 1:1 – que princípio?

É necessário observar que a narrativa do Evangelho supostamente cita uma referência da criação de Gênesis em sua abertura e no mesmo fôlego salta para o ministério de João Batista. Além disso, dizer que o verbo se fez carne (Jo 1:14) num tempo de João Batista já adulto nos convida a sérios questionamentos. Não seria mais coerente dizer que o verbo se fez carne em Belém quando Jesus nasceu?

O registro diz que o verbo se fez carne três versículos após dizer que os seus o rejeitaram: “Veio para o que era seu, e os seus não o receberam“, João:1:11. Agora veja o verso 14: “E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade; e vimos a sua glória, como a glories do unigênito do Pai“. Se é uma sequência, então temos um problema enorme aqui.

Portanto, é preciso prestar atenção no verbo usado, “era”, em “no princípio era a palavra”, que pode estar fazendo referência a fatos ocorridos no início de algo, e ocorridos em terra, não no espaço, no princípio da criação narrado em Gênesis 1.

Eu explico; o significado de “no princípio” em João 1:1 está falando do princípio do Evangelho de Jesus (o novo princípio), o princípio do seu ministério, na Palavra que começou a ser anunciada pelas terras de Israel quando do aparecimento do Messias. Por isso o escritor começa a sua narrativa em tom poético: “No princípio era a Palavra“, a palavra da pregação; a promessa que estava para ser revelada; o anúncio; a chegada dele sendo proclamada – são expressões que podem traduzir o termo grego logos, usado aqui para “palavra”.

João 1: 1-3 não é uma declaração sobre a criação original do mundo. O escritor pode ter adotado a linguagem do primeiro “começo” para falar de um novo “começo” nas coisas que aconteceram na vida de Jesus – o princípio da nova criação. Desse modo, o resultado da atividade da Palavra não era que o mundo material existisse, mas que as pessoas recebessem a vida; e esta vida foi a luz que as trevas vistas na história do Evangelho não conseguiram superar. A leitura de João 1: 1-5 é uma sinopse preliminar da história do Evangelho.

E preste atenção também em João Batista envolvido no texto. Ele é “a voz do que clama no deserto“. Ele veio preparar o caminho do Senhor anunciando a palavra “no princípio” quando Deus voltou a falar ao seu povo depois de quatro séculos de silêncio.

O Evangelho de Marcos também usa – confirmando João – o mesmo termo no mesmo tempo em “o princípio”, que é uma referência ao princípio das boas novas. Veja: “Princípio do evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus“, Marcos 1:1, e ele passa imediatamente para João Batista, como no prólogo de João.

Observe que João sai do relato sobre o verbo e dá um salto tremendo para o ministério de João Batista. Em Marcos 1:1-5 o salto aparece de forma bem explícita. Porém, o mais interessante é que Marcos esclareceu João. João diz, “no princípio era Palavra“. Marcos diz: “princípio das boas novas“, ou “princípio do Evangelho“. Isso deveria estabelecer e acabar com qualquer disputa sobre o significado de João 1: 1. Claramente, o texto significa o início da mensagem do Evangelho de Jesus Cristo, começando com a mensagem de arrependimento pregada pela primeira vez por João Batista, um precursor do Messias.

Lucas usa “no princípio” como referência para a mensagem do Evangelho, mas também incluí relatos do nascimento e infância do Senhor Jesus.

Tendo, pois, muitos empreendido pôr em ordem a narração dos fatos que entre nós se cumpriram, segundo nos transmitiram os mesmos que os presenciaram desde o princípio e foram ministros da palavra, pareceu-me também a mim conveniente descrevê-los a ti, ó excelentíssimo Teófilo, por sua ordem, havendo-me já informado minuciosamente de tudo desde o princípio“, Lucas 1:1-3.

É o mesmo princípio citado por João!

O escritor de 1 João 1:1 usa “o princípio” de forma semelhante: “O que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que contemplamos e as nossas mãos apalparam, a respeito do Verbo da vida“.

Mas, se o verbo citado em João 1:1 era Jesus, então, indiscutivelmente, você poderia argumentar que ele seria mesmo Deus, pois a parte final do versículo 1 de João 1, diz que “o verbo era Deus”. As coisas não são tão simples assim. Observe a sequência e perceba como e fácil interpretar o texto sem necessidade de colocar Jesus na eternidade passada.

No princípio era a palavra (a palavra sobre a chegada do Messias sendo anunciada por todas as partes), e a Palavra estava com Deus (Jesus como Mediador – O termo grego permite essa interpretação), e a Palavra era Deus“. De fato, a Palavra era Deus, pois quem vê o filho, vê o Pai, ou como disse Jesus: “Eu e Pai somos um”. Nada mais justo do que dizer aqui – ainda mais nessa tonalidade incrivelmente poética – que o “verbo era Deus”.

Se conectamos o sentido na confissão de Tomé, “meu Senhor e meu Deus”, e em outras passagens que confessam que “quem vê o filho, vê o Pai” e “Eu e o Pai somos um“ podemos achar o significado pretendido por João. Estes são sentidos similares de “o verbo era Deus”.

Vamos fazer uma pequena análise no episódio de Tomé. Ao dizer “meu Senhor e meu Deus” (João 20:28) , o INCRÉDULO Tomé passou a crer que Deus estava em Jesus. Ou seja, que ele era realmente o Messias enviado; que Jesus era o Filho de Deus; que ver Jesus era o mesmo que ver o Pai e não que Jesus era (um) Deus.

Veja o que Jesus respondeu ao próprio Tomé alguns capítulos antes: “Disse-lhe Tomé: Senhor, nós não sabemos para onde vais e como podemos saber o caminho? Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim.

Se vós me conhecêsseis a mim, também conheceríeis a meu Pai; e já desde agora o conheceis e o tendes visto.

Disse-lhe Filipe: Senhor, mostra-nos o Pai, o que nos basta. Disse-lhe Jesus: Estou há tanto tempo convosco, e não me tendes conhecido, Filipe? Quem me vê a mim vê o Pai; e como dizes tu: Mostra-nos o Pai?” João 14:5-9.

A confissão de Tomé reforça a última parte do verso 1 em João 1 esclarecendo porque o “verbo era Deus”. Jesus respondeu de forma perfeita: “Quem vê a mim, vê o Pai”.

Jesus nãoestava com Deus

É necessário esclarecer que Jesus não estava presente no ato da criação. Fosse assim, Deus não teria dito que criou tudo SOZINHO: “Assim diz o SENHOR, que te redime, o mesmo que te formou desde o ventre materno: Eu sou o SENHOR, que faço todas as coisas, que sozinho estendi os céus e sozinho espraiei a terra”, Isaias 44:24.

A tradução da Almeida Corrigida e Fiel enfatiza mais ainda: “Assim diz o SENHOR, teu redentor, e que te formou desde o ventre: Eu sou o SENHOR que faço tudo, que sozinho estendo os céus, e espraio a terra por mim mesmo”.

É importante lembrar aqui que foi o próprio Cristo quem descreveu a criação original como sendo trabalho de Deus, não dele: “Porque naqueles dias haverá uma aflição tal, qual nunca houve desde o princípio da criação, que Deus criou, até agora, nem jamais haverá”, Marcos 13:19. Compare com Hebreus 4:4, onde Deus, não Jesus, descansou da obra da criação, “Porque em certo lugar disse assim do dia sétimo: E repousou Deus de todas as suas obras no sétimo dia”.

Jesus não existia antes de nascer em Belém. Observe que a genealogia dele vista por Mateus parte de Abraão e chega até Maria: “Livro da geração de Jesus Cristo, filho de Davi, filho de Abraão” (Mateus 1:1). Depois de passar por toda a descendência do Senhor o escritor alcança a mãe deste: “E Jacó gerou a José, marido de Maria, da qual nasceu JESUS, que se chama o Cristo” (Mateus 1:16). Aqui Jesus passa a existir. No Evangelho de Lucas ele traça a genealogia de Jesus de volta a Adão. “E o mesmo Jesus começava a ser de quase trinta anos, sendo (como se cuidava) filho de José, e José de Heli” (Lucas 3:23). Depois de tratar de todos os descendentes deste, alcança o próprio Deus. E note que na ascendência de Adão ele é listado como “filho de Deus”, e entre ele e Deus ninguém é citado.

Veja pela tradução da King James Atualizada quando apresenta o relato da genealogia aproximando-se do Criador: “… filho de Enos, filho de Sete, filho de Adão, filho de Deus“, Lucas 3:38. Jesus está ausente do texto próximo a Deus e depois de Deus porque ele não existia. O único citado como filho direto de Deus – bem próximo da criação – é Adão. Jesus não viveu antes – ele passou a existir somente depois que nasceu de uma mulher (Gálatas 4:4). Ou seja, quem possui árvore genealógica não pode ter existido antes dos seus ancestrais. E de fato, Jesus foi prometido como a semente da mulher: “E porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua semente e a sua semente; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar”, Gên 3:15. Isso mostrou que o Messias seria um descendente da mulher e, por definição, deve ser aquele que vem a existir após a existência do seu ancestral. Além disso, a inimizade não existia entre o Messias e a semente da serpente, mas era para ser uma hostilidade futura.

Isaías atesta claramente que a origem do Messias teve início no ventre de sua mãe: “E agora diz o Senhor, que me formou desde o ventre para ser seu servo…”, (Isaías 49:5).

DESDE O VENTRE !!!

Foi uma boa oportunidade para o escritor revelar que Jesus teria sido formado DESDE A ETERNIDADE. Não o fez por que?

Todos tem conhecimento de que o Salmo 22 é uma profecia sobre o Messias como provado por suas citações nos Evangelhos. O versículo dez mostra enfaticamente que o Senhor Jesus tinha Deus como Pai somente após seu nascimento. Neste caso, ele jamais poderia ter sido Filho Unigênito antes do tempo: “Sobre ti fui lançado desde a madre; tu és o meu Deus desde o ventre de minha mãe”. Quando ocorreu o nascimento do Senhor Jesus? Aconteceu em 4 dC sob o governo do Rei Herodes, Mat 2:1 “E, TENDO nascido Jesus em Belém de Judéia, no tempo do rei Herodes, eis que uns magos vieram do oriente a Jerusalém“.

O Filho de Deus veio à existência quando foi gerado no útero de sua mãe. Observe novamente a ênfase no relato do milagre da concepção em Lucas 1:35 “E, respondendo o anjo, disse-lhe: Descerá sobre ti o Espírito Santo, e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; por isso também o Santo, que de ti há de nascer, será chamado Filho de Deus”.

A filiação divina – ou seja, filiação com o Pai – de Jesus é explicitamente estabelecida por seu nascimento milagroso. Por isso o nascimento virginal de Cristo está em contradição irreconciliável com a cristologia da encarnação do Filho preexistente de Deus.

Na verdade, o anjo anunciou no nascimento que Jesus “é o Filho de Deus”, não por causa de uma preexistência ontológica, mas por causa da sua concepção sobrenatural. Este milagre apenas sinalizou que ele iria ter uma relação especial com Deus. Assim, com efeito, a concepção de Jesus sendo realizado pelo Espírito de Deus é a base para identificá-lo como Filho de Deus, O Filho do Altíssimo, por causa da salvação que ele realizaria na história, não por causa de sua natureza intrínseca. Logicamente, o nascimento virginal não indica que Jesus é Deus simplesmente por causa de sua natureza milagrosa. O Milagre só aponta para uma origem sobrenatural. Deus fez um milagre causando a concepção virginal, mas isso não indica que o milagre em si é Deus.

Fica evidente então, que o momento da concepção de Jesus foi a causa dele tornar-se Filho de Deus. Portanto, Jesus não era o Filho de Deus em qualquer momento antes de seu nascimento simplesmente porque Jesus veio à existência como o Filho somente após ter sido concebido no ventre de Maria. Assim, ele não poderia ter existência como o Filho de Deus antes disso, como Gabriel afirma: “Este será grande e será chamado Filho do Altíssimo” (Lucas 1:32).

Não havia nenhuma pessoa distinta chamada “Filho” – “Filho” só surge no NT. A terminologia “Filho” e “Pai” surgiu apenas depois da manifestação de Jesus para descrever a relação entre a existência de Deus além da humanidade, e como um ser humano foi concebido pelo poder do Espírito Santo – parece que não havia nenhuma pessoa distinta do Pai no Antigo Testamento (Hb 6:3).

Quero lhe dizer que não sou ignorante sobre as tantas passagens que parecem reivindicar uma pré-existência de Jesus no céu antes de sua chegada a terra. Mas te garanto, nenhuma delas dá suporte à teoria se forem devidamente interpretadas. E para aqueles que acreditam que estou sozinho nessa empreitada, sugiro que prestem atenção nas palavras do famoso expositor Metodista Adam Clark: “A doutrina da filiação eterna de Cristo, é em minha opinião, ante-escritural e altamente perigosa. Eu não tenho sido capaz de encontrar qualquer declaração expressa disto nas Escrituras”. (Comentário de Lucas 1: 35).

A cristologia ortodoxa baseia sua visão nas decisões dos concílios do que propriamente na palavra de Deus. A Igreja Evangélica, que se diz “contrária” ao posicionamento da igreja Católica Romana, também tem baseado seus ensinamentos sobre a divindade e humanidade de Jesus segundo o que declara estes concílios.

A velha tradição determinou a qualquer custo a igualdade de Jesus com Deus em essência, isso pelo fato dessa tradição ortodoxa extrema não permitir a Jesus uma personalidade humana PLENA, o que patenteou aquilo que mais ouvimos nos últimos 15 séculos: Jesus foi “homem” sem ser de fato “um homem” – Divino e Humano ao mesmo tempo. Essa doutrina foi desenvolvida justamente para preservar o conceito de que ele tinha preexistido como Segundo Membro da Trindade.

Outro problema enorme, e que muitos não consideram, é que essa conclusão de que Jesus era um ser pré-existente afeta de maneira drástica toda a teologia que gira em torno do sacrifício substitutivo causando também um conflito direto com outras reivindicações bíblicas que Jesus era um HOMEM REAL. Se iniciarmos uma leitura honesta de todos os textos, vamos descobrir formas bastantes diferentes comparados à interpretação convencional, o que pode causar espanto em muitos daqueles que começam a partir de uma posição de “preconcebida preexistência”. O importante em considerar aqui é que, se Jesus é um homem de verdade, então Ele começou sua vida em Seu nascimento, assim como todo o resto de nós. Observe a contribuição valiosa de Moisés para nosso contexto em discussão. Moisés, legislador e líder de Israel, que tipificava a vinda de outro Legislador (Jesus Cristo) disse à nação judaica: “O Senhor teu Deus suscitará a ti um profeta do meio de ti, de TEUS IRMÃOS, semelhante a mim, a ele ouvireis” (Deuteronômio 18:5).

No Novo Testamento Pedro citou essas mesmas palavras e aplicou-as a Jesus Cristo (Atos 3:22, 7:37), e Paulo ensinou: “Por isso convinha que ele fosse feito semelhante a seus irmãos…” (Hebreus 2:17).

Podem as palavras de Moisés acima se aplicarem a um anjo ou a um ser preexistente? Poderia tal pessoa ser verdadeiramente descrita como “levantou do meio de ti”, “de teus irmãos, como Moisés?”

Não há nessas referências uma pitada sequer de algo que nos dirija o pensamento para a crença de que Jesus foi formado de um estoque angelical, ou mesmo que era um ser preexistente. Mas, em vez disso aprendemos que ele foi alguém que teve origem entre os humanos. Deus disse a Moisés claramente, “… suscitarei um profeta do meio de seus irmãos!”

O Filho de Deus não existia antes desse tempo. Hebreus 1:1 afirma: “HAVENDO Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, a nós falou-nos nestes últimos dias pelo Filho”.

João declara que Jesus veio em carne (I Jo 4:2; II Jo 7). Ou seja, sua origem é deste mundo. O significado é estarrecedor se optarmos pela tradução da BLH em João 4:2, que diz: “É assim que vocês poderão saber se, de fato, o espírito é de Deus: quem afirma que Jesus Cristo veio como um ser humano tem o Espírito que vem de Deus”.

Jesus veio a esse mundo com a natureza dos nascidos em Adão porque ele é nascido de mulher! É o que Atos 17:26 esclarece quando afirma que Deus “… de um só sangue fez toda a geração dos homens, para habitar sobre toda a face da terra…”.

Jesus foi um homem e não uma criatura de outro mundo, um ser imortal ou uma divindade cósmica, como atesta Pedro em Atos 2:22, : “Jesus Nazareno, homem aprovado por Deus“.

Jesus era o filho de Davi, e a Davi foi dito: “Quando teus dias forem completos, e vieres a dormir com teus pais, então farei levantar depois de ti um dentre a tua descendência, o qual sairá das tuas entranhas, e estabelecerei o seu reino. Eu lhe serei por pai, e ele me será por filho…”. (2 Sam. 7:12-14). Observe que o texto afirma categoricamente que Jesus veio da descendência de Davi, negando enfaticamente ter sido ele um ser preexistente. Veja na expressão “o qual sairá das tuas entranhas” que a real origem do Messias é deste mundo. A profecia relaciona-se com Cristo, como o comentário do Novo Testamento sobre ele deixa claro (ver Lucas 1:32-33, Hebreus 1:5). Note bem o tempo futuro usado em relação a ele. Deus diz: “Eu serei seu pai,” ele “SERÁ meu filho”. Se Jesus já existia, não deveria Deus ter dito: “Eu sou seu pai”, “ele é meu filho?” Lembre-se que o Anjo disse a Maria: “Ele deve ser (não é!) Grande, e será chamado Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi, e reinará eternamente sobre a casa de Jacó para sempre, e seu reino não terá fim” (Lucas 1:32-33). Estas palavras do anjo Gabriel afirmam que Jesus “será chamado Filho do Altíssimo”, e ele reinará no trono de “Davi, seu pai.” Podem estas expressões se aplicar a alguém preexistente?

Considere também a pregação dos Apóstolos. Será que eles proclamaram a crença em um ser preexistente que havia assumido a forma humana? Eles não fizeram; ouça a pregação de Pedro: “Davi… sendo um profeta, e sabendo que Deus lhe havia prometido com juramento a ele, que do fruto de seus lombos, segundo a carne, levantaria o Cristo, para se sentar no seu trono” (Atos 2:30). A quem Davi acredita que sentaria no seu trono, um anjo ou um ser que já existia? Não, ele acreditava que aquele que reinaria seria “fruto de seus lombos”, isto é, um descendente. O menino que nasceu de Maria era descendente de Davi, não um ser preexistente assumindo a forma humana.

Como visto, a alegação trinitariana de João 1:1-3 não se sustenta se a interpretarmos lançando mão de todo o contexto das Sagradas Escrituras.

Deus seja louvado

(1) FILHO, Valdomiro – Comentário sobre João 8:58

(2) Mentes Bereanas – Resposta ao Leitor – Eu Sou

(3) Autor anônimo – A EXPRESSÃO “EU SOU” PROVA A DIVINDADE DE JESUS?

ELE é desde os tempos eternos

E tu, Belém Efrata, posto que pequena entre os milhares de Judá, de ti me sairá o que governará em Israel, e cujas saídas são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade”. Miquéias 5:2

De acordo com o Anchor Bible Commentary, Miquéias “… descreve o lugar a partir do qual algo sai, o lugar do nascer do sol, sair em uma viagem, uma campanha militar, o que tem aqui neste contexto relacionado ao Messias a conotação de” (saídas) ou (gerações), e referem-se a antiga linhagem de Davi, preservada nas velhas genealogias (Rute 4)”.

Este significado sugere que Miquéias está se referindo às garantias do pacto através da linhagem de Davi, que duraria para sempre, interpretado agora como antigas previsões de um Messias davídico para o tempo do fim  – Lucas 1:32; 2 Sm 7 onde diz, “Serei seu pai, e ele será meu filho“.

Miquéias pode estar fazendo alusão ao Messias passando pelas raízes de Davi, lembrando assim da pequena cidade de Belém-Efrata, de onde vem o clã da antiga dinastia davídica, enfatizando a expressão que aponta para o Senhor Jesus, (cuja origem é de tempos antigos, desde os tempos antigos). Assim, segundo a NTLH, a palavra “origens” em Miquéias 5:2 refere-se a sua (do Messias) descida da antiga família de Davi e não que ele era preexistente desde os tempos eternos,

O SENHOR Deus diz: – Belém-Efrata, você é uma das menores cidades de Judá, mas do seu meio farei sair aquele que será o rei de Israel. Ele será descendente de uma família que começou em tempos antigos, num passado muito distante”.

A NVI reforça ainda mais quando atesta,

 “Mas tu, Belém-Efrata, embora pequena entre os clãs de Judá, de ti virá para mim aquele que será o governante sobre Israel. Suas origens estão no passado distante, em tempos antigos”.

Na sequência apresentada pelas duas versões podemos captar  o verdadeiro sentido aqui em “cuja origem é de longo tempo”. Assim, Miquéias 5:2 refere-se a linha de descendência de Jesus, que, para os leitores judeus de Mateus, capítulo um, remonta a Abraão – O Messias é descrito como o filho de Davi, a descendência de Abraão, mas também como a semente da mulher (Gn 3:15). Portanto, as “saídas antigas” ou” origem num passado distante” do Messias como “a semente da mulher” se refere à sua descendência linear através de Abraão e Davi. Além disso, deve-se aqui incluir as profecias sobre o Messias como vindo através da tribo de Judá (Gênesis 49:10), e ele ser um israelita (Números 24:17-19).

É evidente que quando Miquéias 5: 2 diz do Messias: “Ó Belém …, de ti sairá [o Messias]”, isso só pode significar que, na sua existência única e terrena, ele se originou em Belém !

Nada aqui indica uma pessoa pré-existente.