Jesus não era o Pai

Eu costumava acreditar que Jesus era Deus quando aqui andou. Eu fazia uma mistura impressionante que me levava a não questionar quem na verdade morreu por mim, se foi o Pai ou se foi o Filho. Era uma espécie de mistura confusa, que eu segurava com unhas e dentes para manter a unidade doutrinária convencional e não tocar na trindade. Eu acreditava naquela velha fábula cristã que afirma ter sido Jesus 100% Deus e 100% homem.  Eu, como milhões de cristãos, não admitia a humanidade total de Jesus. Na verdade eu estava tão distraído com alguma coisa sobre escatologia e fim do mundo, que não questionava absolutamente nada que viesse contrário a ser Jesus o outro, ou seja, que ele e Deus eram dois. Eu nem mesmo percebia que os versos mostrando ser Jesus o Filho de Deus, superam em muito a pouca quantidade de versos que a multidão unida tenta usar para provar que Ele é Deus.

Depois de um monte de reconciliação e de comparação de Escrituras com Escrituras, descobri que Jesus foi chamado de Deus no sentido de um embaixador Salvador, pois esta é uma das definições de suporte para “theos” no léxico grego. Então, Ele é como um general ou comandante, mas que também tem um Comandante Geral sobre ele, que é o Pai, e que eles não são uma e a mesma coisa, mas que o Pai tem o título verdadeiro. Apocalipse 1:5-6, por exemplo,  diz,

“E da parte de Jesus Cristo, que é a fiel testemunha, o primogênito dentre os mortos e o príncipe dos reis da terra. Àquele que nos amou, e em seu sangue nos lavou dos nossos pecados, e nos fez reis e sacerdotes para Deus e seu Pai; a ele glória e poder para todo o sempre. Amém”.

É incrível como a maioria dos cristãos, após  2000 anos da revelação do “testamento final” de Deus,  ainda não estão conscientes de que Jesus e Deus não são a mesma pessoa. Para começar, observamos como Jesus e Deus estão aqui separados, e que, não foi Deus quem veio a esse mundo, mas sim seu Filho,

“E a vida eterna é esta: que te conheçam, a ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste”. João 17:3

Abaixo seleciono alguns versículos que claramente separam Jesus de Deus

2 Cor 1:3  Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai das misericórdias e o Deus de toda a consolação.

2 Cor 11:31 o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que é eternamente bendito, sabe que não minto.

Ef 1:3 Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo.

Ef 1:17 que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos dê o espírito de sabedoria e de revelação no pleno conhecimento dele.

A Bíblia diz que Jesus considerava a si próprio e Deus como dois

“… crede em Deus, crede também em mim”, (João 14:1).

Diante dos judeus Jesus mesmo diz que não era Deus, mas o Filho de Deus

João 8:24-28 “… Quem és tu? Jesus lhes disse: Isso mesmo que já desde o princípio vos disse. Muito tenho que dizer e julgar de vós, mas aquele que me enviou é verdadeiro; e o que dele tenho ouvido isso falo ao mundo. Mas não entenderam que ele lhes falava do Pai. Disse-lhes, pois, Jesus: Quando levantardes o Filho do homem, então conhecereis quem eu sou, e que nada faço por mim mesmo; mas falo como meu Pai me ensinou.

João 14:10 crês tu não que eu estou no Pai, e o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo, não as digo de mim mesmo, mas o Pai, que permanece em mim, é quem faz as obras.

João 10:36 Dizei a ele, a quem o Pai santificou, e enviou ao mundo, Blasfemas Tu, porque eu disse, eu sou o Filho de Deus?

Se Jesus nunca se identificou como Deus, como seus contemporâneos o identificaram?  Em mais de  40 vezes nos evangelhos o próprio Deus, homens, mulheres, anjos e demônios  proclamaram  que Jesus é “o Cristo” ou “o Filho de Deus.” Não vou detalhar  todos as passagens, mas apenas aquelas mais conhecidas. Estes são os  títulos mais importantes espalhados por todo o Novo testamento sobre Jesus:

• Gabriel – “Ele será grande e será chamado Filho do Altíssimo” (Lc 1,32).

• Deus – “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo” (Mt 3,17 ).

• João Batista – “Eu vi e testifico que este é o Filho de Deus” (Jo 1,34 NVI).

• Natanael – “Tu és o Filho de Deus, Tu és o Rei de Israel” (Jo 1,49).

• O diabo – “Se és o Filho de Deus” (Mt 4,3, 6 par.).

• demônios – “Tu és o Filho de Deus” (Lc 4,41, e “eles sabiam que Ele era o Cristo”).

• espíritos imundos – “Tu és o Filho de Deus” (Mc 3,11).

• Os discípulos no barco – “Você é certamente o Filho de Deus” (Mt 14,33).

• Pedro – “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo” (Mt 16,16).

• Marta – “Eu tenho crido que tu és o Cristo, o Filho de Deus” (Jo 11,27).

• O Centurião – “Verdadeiramente este era Filho de Deus” (Mt 27,54).

Em duas referências citadas acima, observamos a confissão de Satanás e dos espíritos imundos. Eles sabiam com quem estavam se envolvendo. Eles sabiam que ele não era o próprio Deus de Israel em pessoa. Eles estavam no céu com Deus e sabiam muito bem quem era o Pai e quem era o Filho,

Lucas 4:41 “E os demônios também de muitos saíam, clamando e dizendo: Tu és o Cristo, o Filho de Deus. E ele repreendendo-os não lhes permitiu falar, pois sabiam que ele era o [ Messias ] Cristo”.

Todos esses exemplos mostram que o Messias não pode ser o Senhor Deus de Israel. Vejamos um outro exemplo que o Judaísmo considera como  mais proeminente em suas Escrituras, que em verdade  está entre os mais  frequentemente citados do Antigo Testamento no Novo Testamento.  Um salmo composto pelo  rei Davi. Ele escreve no Salmo 2, “Os reis da terra se levantam e os governos consultam juntamente contra o Senhor e contra o seu ungido…” (v. 2;. cf At 4,26-27).

Assim, O Senhor e seu Messias são vistos separados como duas pessoas. Alguns versículos adiante, o Senhor chama esse ungido “Rei Meu” e “Meu Filho” (vv. 6-7).

Em suma, todos esses textos explicitamente separam  o Messias de Deus. Assim, de acordo com  os Evangelhos  Jesus sempre pensou e falou de um Deus, o Deus de Israel, como alguém diferente de si mesmo. Observe por exemplo no Evangelho de João; Jesus claramente pregava que as pessoas devem vir a Ele a fim de chegar a Deus. Ele disse: “Eu sou o caminho, … para o Pai” (Jo 14,6). Jesus também declara no mesmo Evangelho que Ele veio para mostrar às pessoas a Deus (Jo 14,6-10). Na verdade, a alegação principal de Jesus sobre si mesmo era que Deus estava  presente no seu ministério. Assim, de acordo com Jesus, Ele não era Deus, mas revelador do Deus que habitava nele através do Espírito Santo. Deus em Cristo não é o mesmo que Cristo é Deus.

Os debates são infindáveis, e aqueles que querem transformar Jesus no próprio Deus se embolam nos seus argumentos confusos; será que tentam dizer que Jesus era o Pai? Não seria coerente  aceitar a ideia de que quando um cristão mostra na Escritura que Jesus Cristo é o Senhor está tentando provar que Jesus é o Pai. Ora, as  Escrituras fazem distinção entre as duas pessoas, especialmente as que dizem que Jesus é o “Filho de Deus”.

A Bíblia diz que Jesus não se considerava igual a Deus e que Deus realizou milagres através de Jesus. E o contexto esclarece que Jesus foi mesmo um homem,

“Mas quando as multidões, vendo isso, eles ficaram impressionados, e glorificaram a Deus, que dera tal autoridade aos homens.” (Mateus 9:8).

“Um homem aprovado por Deus entre vós com milagres, prodígios e sinais que Deus realizou através dele no meio de vós.” (Atos 2:22).

“Ele passou fazendo o bem e curando todos os que eram oprimidos pelo diabo, porque Deus estava com ele.” (Atos 10:38).

Se Cristo era Deus, a Bíblia simplesmente diria que Jesus fez os milagres sem fazer referência a Deus. O fato de que foi Deus quem fornecia O PODER para os milagres mostra que Deus é maior do que Jesus. E não apenas isso, mas observem como um contexto pode ficar absurdo e sem sentido – supondo que Jesus era Deus quando aqui andou, vamos tentar fazer  um trocadilho de nomes neste versículo:

“E ali esteve no deserto quarenta dias, tentado por Satanás. E vivia entre as feras, e os anjos o serviam“, (Marcos 1:13).

A passagem todos conhecem. Fala da tentação de Jesus no deserto. Somente alguém destituído de cérebro  poderia concordar  que “DEUS FOI TENTADO PELO DIABO”. Ora, se Jesus era mesmo Deus quando aqui andou e foi tentando pelo diabo, então as Escrituras acabam em tremenda contradição, pois ela mesmo garante que “ Ninguém, sendo tentado, diga: De Deus sou tentado; porque Deus não pode ser tentado pelo mal, e a ninguém tenta”, Tiago 1:13.

Como poderia as Escrituras dizer que Deus foi tentado como nós?

“Tentado em todos os sentidos, assim como nós somos” (Hb 4:15).

“… Porque Deus não pode ser tentado pelo mal” (Tiago 1:13).

Uma vez que Deus não pode ser tentado, mas Jesus foi, portanto, Jesus não era Deus.

Se alguns estão tentando mostrar na Bíblia que Jesus Cristo é Deus, devem ser claros. Se não estão tentando provar que Jesus é Deus, o Pai, mas que Jesus realmente possuía a natureza de Deus enquanto aqui andou, que apresentem as evidências! Ora,  se Jesus não tinha a natureza de Deus, mas a de Adão, sendo homem como nós, e não divino, logo, Ele não era [um] Deus. E se Jesus e Deus são vistos separados, então nada pode ser feito.

A Bíblia diz que os ensinamentos de Jesus eram de Deus, não de si mesmo.

“Então Jesus respondeu-lhes e disse: “Minha doutrina não é minha, mas daquele que me enviou” (João 7:16). Jesus não poderia ter dito isso se ele fosse Deus, porque a doutrina teria sido sua.

Quem espalhou a velha heresia de que Jesus era o próprio Deus, com toda sua divindade, foi o “Modalismo”, refutado bravamente por alguns dos primeiros pais da igreja, especialmente Tertuliano. Modalismo é a crença de que Jesus e o Pai, literalmente, são a mesma pessoa e que não há distinção entre eles. No entanto, como explicado no artigo exposto, o Deus Todo-Poderoso (o Pai) e Jesus são claramente duas pessoas distintas.

“Sem princípio… nem fim de Vida”

PORQUE este Melquisedeque, que era rei de Salém, sacerdote do Deus Altíssimo… Sem pai, sem mãe, sem genealogia, não tendo princípio de dias nem fim de vida, mas sendo feito semelhante ao Filho de Deus, permanece sacerdote para sempre” Hebreus 7:1-3.

Melquisedeque era “sem mãe, sem pai, sem descendência”, ou como a tradução de Phillips diz: “Ele não tinha pai nem mãe nem árvore genealógica?”

Ele não nasceu como os outros seres humanos? Ele realmente não teve pai e nem mãe? Isso significa que os registros de nascimento de Melquisedeque foram perdidos? Sem tais registros, os sacerdotes humanos não poderiam servir (Esdras 2:62). Então, como ele serviu? Mas, se Melquisedeque não tivesse genealogia, ele não deveria ter sido um mortal comum. Se ele não tinha descendência então era auto-existente? Note o que o escritor de Hebreus diz: “Não tendo princípio de dias nem fim de vida” (Hebreus 7: 3). O que há de errado?

No entanto, Melquisedeque não pode ser Deus o Pai, pois ele era o “sacerdote do Deus Altíssimo” (Gn 14:18). E mais, diz que os Sumos Sacerdotes são “tomados dentre os homens” (Hb 5:1). Além disso, as Escrituras dizem que nenhum homem jamais viu a Deus (João 1:18, 5:37), mas Abraão viu Melquisedeque. Ele não pode ser Deus o Pai, mas sim “feito semelhante ao Filho de Deus; permanece sacerdote continuamente” (Hebreus 7: 3).

E ai está! Nos dias de Abraão, Melquisedeque não podia de forma alguma ser o Filho de Deus, pois Jesus ainda não havia nascido da virgem Maria. E, se alguém entende que a manifestação de Melquisedeque era uma teofonia do Senhor Jesus (Uma teofania é um ensinamento ou uma TEORIA de que um Deus “pré-encarnado”, o Filho, desceu do céu durante os tempos do Antigo Testamento e apareceu em diferentes formas) então deve admitir que o Verbo se fez carne várias vezes nos tempos do Velho Pacto.

O escritor de Hebreus usa este incidente de Melquisedeque (junto com uma profecia do Salmo 110), para demonstrar a superioridade do sacerdócio de Cristo à do sistema levítico (Hb 7: 4-10). Além disso, havia algumas semelhanças entre Melquisedeque e Cristo, de modo que se pode dizer que o primeiro era um “tipo” (uma imagem ou pré-visualização simbólica) de Jesus. Isso não significa, no entanto, que eles eram a mesma pessoa. De fato, o texto sagrado indica o contrário. Foi dito que Cristo era um sacerdote “da ordem de Melquisedeque” (Hb 5: 6,10; 6:20; 7:11). O termo grego para a palavra “ordem” sugere um “arranjo” similar. Por exemplo, assim como Melquisedeque era tanto um rei quanto um sacerdote simultaneamente, assim também Cristo é (cf Zc 6: 12-13; Hb 1: 3).

Melquisedeque foi “sem pai, sem mãe” (Hb 7: 3a). O significado é o seguinte: seu papel divino não foi derivado genealogicamente, nem transmitido de seus pais. Assim, nem o sacerdócio de Jesus foi determinado por uma linhagem física, como no caso dos sacerdotes levitas. De fato, no texto, Melquisedeque difere dos sacerdotes levíticos, pois nada é dito sobre seu nascimento, ascendência ou vida subsequente. Não devemos concluir que o escritor pensava que Melquisedeque era literalmente uma figura eterna – e certamente não que ele fosse algum tipo de pré-encarnação de Jesus. Melquisedeque é comparado ao Filho de Deus, no sentido específico de que ele “permanece um sacerdote para sempre”. Sabemos sobre os pais de Jesus, conhecemos as genealogias, sabemos que ele era descendente de Davi segundo a carne (cf. Rm 1: 3). No que diz respeito ao seu passado, ele não é como Melquisedeque.

Jesus foi “designado” sumo sacerdote por Deus porque “aprendeu a obediência pelo que sofreu” e foi “aperfeiçoado” (Hb 5: 8-10). Isso não faz sentido algum se Jesus, como algum tipo de sumo sacerdote eterno, já era Deus. Jesus se torna um sacerdote através do poder da ressurreição, pelo poder de uma “vida sem fim” (Hb 7:16). Ele foi apontado como sumo sacerdote (Hb 5: 5). Ele não era um sumo sacerdote antes de sua morte e ressurreição, portanto, nenhuma alegação pode ser feita com base nessa analogia a respeito de sua preexistência. Que Jesus viveria para sempre não é parte do argumento de que ele já vivia para sempre antes de sua existência terrena. Como um sacerdote humano segundo a ordem de Melquisedeque, ressuscitado dentre os mortos, Jesus foi adiante como um “precursor” em favor daqueles que também sofrerão e serão justificados por ele (6: 19-20).

Melquisedeque é um “tipo” de Jesus aqui apenas em um aspecto: ele continua como um sacerdote para sempre, que é um elemento na convergência dos temas sacerdotal e real. As outras declarações feitas não fazem parte da tipologia ou analogia – claramente não, já que Jesus tinha uma mãe e uma genealogia, de fato, duas genealogias. Você não pode ter uma genealogia e ser eterno. Então o escritor não está dizendo aqui que Jesus também não teve começo de dias. Isso não pode ser usado como argumento para a divindade ou preexistência de Jesus.

E, ao dizer que Melquisedeque foi sem “princípio de dias” e “fim da vida” (Hb 7: 3b) deve apenas significar que seu sacerdócio não era para um termo fixo (como no caso dos sacerdotes levíticos). Sob o regime do Antigo Testamento, os sacerdotes iniciavam seu serviço aos 30 anos e os levitas serviam de 30 a 50 anos (cf. Nm 4: 3 ss; 8: 24-25).

Aparentemente, no entanto, não havia limitação cronológica com referência a este “sacerdote do Deus Altíssimo” que reinou em Salém, alguns podem reclamar. Mais uma vez, a esse respeito, ele prefigurou Cristo, que serve continuamente como nosso sacerdote durante toda a era cristã. Que Melquisedeque não era a mesma pessoa que Jesus é evidente quando se diz que ele é “semelhante ao” Filho de Deus (Hb 7: 3c). A ênfase se tornaria irrelevante se as duas pessoas fossem iguais em identidade.

Leia com atenção o artigo a seguir para que você tenha uma ampla visão do assunto. Os créditos são para o apologista Valdomiro Filho.

PORQUE este Melquisedeque, que era rei de Salém, sacerdote do Deus Altíssimo… Sem pai, sem mãe, sem genealogia, não tendo princípio de dias nem fim de vida, mas sendo feito semelhante ao Filho de Deus, permanece sacerdote para sempre” Hebreus 7:1-3.

Será que Hb. 7.3 está ensinado sobre a eternidade de Jesus?

Para responder a essa pergunta precisamos entender o que o contexto quer dizer.

A Bíblia está textualmente dizendo que Melquisedeque não tinha pai, mãe ou genealogia, sem início de dias ou fim de dias, sendo semelhante ao Filho de Deus.

Se querem ver eternidade plena de Jesus nessa passagem precisarão considerar PRIMEIRO que Melquisedeque seria eterno também, pois note que é dele (Melquisedeque) que se fala não ter pai, mãe ou genealogia, princípio ou fim de dias. Ali também se diz “permanece sacerdote para sempre”, mas não é de Jesus que se diz isso, é de Melquisedeque que se diz “permanece sacerdote para sempre”. Não poderão alegar que Melquisedeque é Jesus preexistente, porque dele se diz ser semelhante ao Filho de Deus, ou seja, são dois seres distintos postos em paralelo. Um para mostrar legítimo o sacerdócio do outro. Assim, algumas perguntas, de cara, fazem-se necessárias:

  1. Melquisedeque realmente não tinha pai, mãe ou genealogia?
  2. Ele não tinha início ou fim de dias?
  3. Ele permanece sacerdote para sempre?

Ao que parece, querendo afirmar que Jesus é eterno, usam a passagem referente a Melquisedeque, mas esquecem que o que foi dito, foi dito do próprio Melquisedeque e depois houve comparação de, ou com Jesus.

Então, em que Jesus é semelhante a Melquisedeque? Será na eternidade de Melquisedeque?

A explicação começa a ser delineada na sequência do texto bíblico.

Hb 7:4 “Considerai, pois, quão grande era este, a quem até o patriarca Abraão deu os dízimos dos despojos”. Se falou de Melquisedeque nesses termos para mostrar que apesar de desconhecido, ele era, pelo ato de Abraão, evidentemente, grande em dignidade.

Em seguida lemos Hb 7:6 “Mas aquele, cuja genealogia não é contada entre eles, tomou dízimos de Abraão, e abençoou o que tinha as promessas. ” Aqui temos uma informação importantíssima: Melquisedeque é aquele cuja “GENEALOGIA NÃO É CONTADA ENTRE ELES”. Ou seja, o que se quis dizer antes foi que Melquisedeque não tinha genealogia entre os Levitas e não que ele fosse eterno. O destaque é que não existe o registro de seu nascimento e de sua morte: “sem início ou fim de dias”. O que se quer dizer é que nada se sabe sobre ele que o tornasse merecedor do sacerdócio. Ou seja, é alguém que apesar de não ser contado entre os levitas (não existia registro algum de sua vida) era tão importante que recebeu dízimo dos levitas que estavam, em semente, nos lombos de Abraão que efetivou a dádiva. É esse sacerdócio não preso às amarras da lei (a lei determinava uma outra base para o sacerdócio), que faz de Melquisedeque, por direito, sacerdote para sempre, o que não quer dizer que o próprio Melquisedeque tenha vivido pela eternidade. O que em está causa é o mérito.

A semelhança falada ali não é com a suposta ETERNIDADE de Melquisedeque, mas com o fato de ele não ser contado entre os que cabiam o sacerdócio e mesmo assim ser legitimamente sacerdote.

O foco de todo o contexto é a legitimidade e superioridade do sacerdócio de Cristo sobre o sacerdócio levítico a partir da comparação do sacerdócio de Melquisedeque que não era descente da tribo de Levi.

No contexto não se trata da eternidade; nem a de Melquisedeque, nem a de Jesus. E nem a eternidade de Jesus é ventilada, mesmo que indiretamente, pois se o fosse, então, estaria estabelecida também a eternidade de Melquisedeque.

É um verso que é fácil de descontextualizar quando se tem o propósito de por Jesus como ente eterno. Mas se esquecem que ali se falasse de eternidade, o que não é o caso, estaria falando primeiramente da eternidade de Melquisedeque, como reiteradas vezes falei. Mas, como vimos o objetivo foi falar da ausência genealógica ou registro de nascimento e morte daquele sacerdote, o que o tornaria um estranho e indigno da função aos olhos dos judeus, que só surgiriam posteriormente. Mas quando Abraão, o maior dos patriarcas, dá o dízimo a ele, revela e legitima sua grandeza e dignidade. É nesse comparativo de grandeza e dignidade, sem estar no rol dos levitas, que ele é posto em paralelo ao Filho de Deus.

Ver ali um ensino sobre a eternidade de Jesus decorre de uma leitura apressada do verso bíblico.

Autor: FILHO, Valdomiro

Postado originalmente em Unitarismo Bíblico: Hb. 7.3 e a eternidade de Jesus (?)

“Mas, do Filho, diz: Ó Deus”

nova

Mas, do Filho, diz: Ó Deus, o teu trono subsiste pelos séculos dos séculos; Cetro de eqüidade é o cetro do teu reino. Amaste a justiça e odiaste a iniqüidade; por isso Deus, o teu Deus, te ungiu Com óleo de alegria mais do que a teus companheiros”, Hebreus 1:8,9.

Está aí uma das principais passagens usadas pelos trinitarianos como evidência para a deidade de Cristo – que Jesus era, e é Deus. Visto pela superfície, a prova parece clara, direta e definitiva. Porém, os problemas começam a aparecer quando examinamos o contexto bem de perto, o que muitos não fazem por entender que essa Escritura é uma resposta conclusiva para os que ensinam o contrário. O versículo oito parece bem convincente: “Mas, do Filho, diz: Ó Deus, o teu trono subsiste pelos séculos dos séculos; Cetro de eqüidade é o cetro do teu reino”.

O escritor aos Hebreus está citando o Salmo 45:6. Observe como esta tradução apresenta o verso seis no Salmo: “O teu trono, ó Deus, é eterno e perpétuo; o cetro do teu reino é um cetro de eqüidade”.

Vemos uma discrepância terrível aqui. O Salmo faz alusão a um rei israelita – Salomão ou Davi – e seu casamento com uma princesa, mas em Hebreus a citação foi aplicada ao filho de Deus. Porém, as duas referências os tratam como Deus. Quanto ao rei se diz, “O teu trono, ó Deus”. E a Jesus, “do Filho, diz: Ó Deus, o teu trono”. Obviamente há algo errado em algum lugar, não apenas um erro pequeno, mas enorme, e este é um erro de tradução. O verso seis não poderia jamais ter sido traduzido como “O teu trono, ó Deus” para referência a um rei humano. Isso é um absurdo com consequências desastrosas.

O Salmo 45 é uma canção de amor para o casamento do rei Davi – alguns estudiosos acham que é Salomão – com uma princesa estrangeira de Tiro, na Fenícia. Observe o que é dito desse rei:

2 Tu és mais formoso do que os filhos dos homens; a graça se derramou em teus lábios; por isso Deus te abençoou para sempre.

3 Cinge a tua espada à coxa, ó valente, com a tua glória e a tua majestade.

4 E neste teu esplendor cavalga prosperamente, por causa da verdade, da mansidão e da justiça; e a tua destra te ensinará coisas terríveis.

5 As tuas flechas são agudas no coração dos inimigos do rei, e por elas os povos caíram debaixo de ti.

6 O teu trono, ó Deus, é eterno e perpétuo; o cetro do teu reino é um cetro de eqüidade.

7 Tu amas a justiça e odeias a impiedade; por isso Deus, o teu Deus, te ungiu com óleo de alegria mais do que a teus companheiros.

É evidente que o rei não está sendo chamado de Deus. Qualquer pessoa é capaz de ver um problema muito sério aqui. A coisa foi tão séria que as autoridades rabínicas divergem sobre o texto. O contexto só faz sentido se aplicamos a tradução correta, que é: “o seu trono é [o trono de] Deus“.

Certamente o salmista não quis dizer que o rei fosse Deus. Talvez quisesse dizer que o poder régio e governamental do rei, provinha de Deus e para isso precisamos descobrir qual foi a correta tradução, que certamente leva o mesmo sentido para Hebreus 1:8 aplicando-o profeticamente ao reinado messiânico de Jesus que é o Rei do reino de Deus, e também tem seu poder governamental fornecido por Deus.

A trinitáriana Bíblia New American Standard explica em uma nota de rodapé sobre o Salmo 45: 1: “Provavelmente se refere a Salomão como um tipo de Cristo”. Então, de acordo com esta Bíblia, as palavras do Salmo 45: 6, embora em sentido figurado referindo-se a Jesus, foram literalmente aplicadas a um antigo rei israelita (provavelmente o rei Salomão).

Então, se o Salmo 45: 6 está devidamente traduzido, “o seu trono, ó Deus…”, em seguida, aquele antigo rei israelita (Salomão?), também foi literalmente chamado de Deus em “Ó Deus” (ou “O Deus”?).

Outra versão, altamente trinitária, a New American Bible, St. Joseph Edição, 1970, explica em uma nota de rodapé para este verso: “O rei hebreu foi chamado… ‘Deus’, não no sentido politeísta comum entre os antigos pagãos, mas no sentido de “divino” ou “aquele que toma o lugar de Deus”.

Ainda outra Bíblia trinitáriana, a Easy-to-read-Version, também diz em uma nota de rodapé para esta passagem: “Deus… aqui o escritor pode estar usando a palavra ‘Deus’ como um título para o rei “(Cf. Estudo da Bíblia NIV para o Salmo 45: 6 e 82:1, 6).

A edição revista da NAB de 1991 traduz o Salmo 45: 6,7 como “Seu trono, ó Deus…”. Porem, a St. Joseph edição da NBA de 1970 já traduziu este verso como: “Seu trono é o trono de Deus“, o que nos remete a 1 Crônicas 29:23 “onde o trono de Salomão é referido como o trono do Senhor”.

Agora estamos chegando perto da intenção mais provável de Hebreus 1: 8. Há boas evidências de que a tradução adequada (bem como o Salmo 45: 6.) deve ser “o seu trono é de Deus para sempre“.

Apresento aqui algumas traduções do verso 6 no Salmo 45:

A NSB, diz: Deus está no seu trono.

A Revised Standard Version, “Seu trono divino dura para sempre e sempre. O seu cetro real é um cetro de eqüidade”.

A Mensagem tradução, “Seu trono é o trono de Deus, sempre e sempre”.

Nova Bíblia em Inglês tradução, “Seu trono é como o trono de Deus”.

A Good News Bible (GNB), uma paráfrase da Bíblia trinitária, diz: “O reino que Deus lhe deu vai durar para sempre e sempre”.

A RSV torna-o como “Seu trono divino“. E uma nota de rodapé oferece esta leitura alternativa: “teu trono é o trono de Deus”.

NEB diz: “Seu trono é como o trono de Deus”.

The Holy Sc riptures (versão JPS), afirma: “O teu trono dado por Deus“.

A tradução espanhola da Bíblia de Jerusalém de 1976 foi mais justa com o contexto. Veja como trouxe mais luz: “Tu trono es de Dios para siempre jamás; un cetro de equidad, el cetro de tu reino; tú amas la justicia y odias la impiedad. Por eso Dios, tu Dios, te ha ungido con óleo de alegría más que a tus compañeros”.

Observe agora essa tradução, a Catholic Public Domain Version. O versículo 7 do Salmo 45 ficou assim: “You have loved justice and hated iniquity. Because of this, God, your God, has anointed you, before your co-heirs, with the oil of gladness”. Aqui fala do rei, e o rei não é Deus: “Because of this, God, your God, has anointed you”. Tradução: “Por causa disso, Deus, seu Deus, te ungiu”.

A Sociedade Bíblica Britânica também norteou o mesmo sentido: “Amaste a justiça, e odiaste a iniqüidade; Portanto Deus, o teu Deus, te ungiu Com o óleo de alegria acima dos teus companheiros”. Inadmissível que se transfira daqui o que os trinitarianos desejam para Hebreus 1:9, que seria exatamente isso: “Portanto [eu te digo] Deus [Jesus], o teu Deus [o Pai] te ungiu com óleo de alegria acima dos seus companheiros”.

Outra tradução espanhola foi brilhante no Salmo 45:7: “Amaste la justicia y aborreciste la maldad; por tanto te ungió Dios, el Dios tuyo, con óleo de gozo más que a tus compañeros”.

A NTLH foi a que mais se aproximou do real significado da passagem: “Ama o bem e odeia o mal. Foi por isso que Deus, o seu Deus, o escolheu e deu mais felicidade ao senhor do que a qualquer outro rei”.

Como também visto acima, muitos têm interpretado ‘teu trono é (o) de Deus’ (cf. I Cr 29.23), ou então ‘teu trono é (como o de) Deus’. Até mesmo comentaristas trinitários reconhecem que o pensamento de atribuição desse verso ao Deus Eterno se dá nas versões, ou seja, não é o texto ou o contexto hebraico, por si só, que força esse entendimento, pelo contrário, se formos ler o texto só olhando para o hebraico o entendimento natural seria “Teu trono é de Deus”.

A Bíblia de Jerusalém traduz o Salmo a partir do hebraico assim: “Teu trono é de Deus, para sempre e eternamente! O cetro do teu reino é cetro de retidão”.

Esse é o sentido universal do texto. No entanto, se a interpretação Trinitária estiver correta para o verso chave, Hebreus 1:9, então Deus tem um Deus e Deus é ungido por outro Deus, porque o verso diz: “Por isso Deus, o teu Deus, te ungiu…”. Porém, o que vai ficar em evidencia após examinarmos todo o contexto é que nada disso tem fundamento algum.

O que o Salmo 45:6 e Hebreus 1:8 querem dizer é, literalmente, que o trono do ungido é o trono de Deus. O que teríamos, portanto, na primeira parte do versículo 8 em Hebreus, não fosse a desonestidade de muitos tradutores seria o seguinte: “O teu trono é o trono de Deus, que dura para sempre”.

O contexto no Salmo honra ao rei Davi (ou Salomão); o versículo em Hebreus faz a mesma coisa: honra ao filho. O Salmo é semelhante, pois não é o rei que é chamado de Deus logo após as palavras “O teu trono”. O versículo seguinte nos Salmos diz desse rei que, por ele amar a justiça e odiar a iniquidade, o Deus dele o ungiu: “Tu amas a justiça e odeias a impiedade; por isso Deus, o teu Deus, te ungiu com óleo de alegria mais do que a teus companheiros”.

Uma tradução apropriada seria: “Por esse motivo, Deus, que é o teu Deus te ungiu mais do que aos teus companheiros”. O mesmo sentido deve ser aplicado para Jesus em Hebreus 1:8: “Amaste a justiça e odiaste a iniqüidade; por [causa] disso, Deus, [que é] o teu Deus, te ungiu com óleo de alegria mais do que a teus companheiros”. Apesar disso, a desordem trinitariana alega que o texto deve ser lido da seguinte forma: “Amaste a justiça e odiaste a iniqüidade; por isso Deus [Jesus], o teu Deus [o Pai], te ungiu Com óleo de alegria mais do que a teus companheiros”. Exatamente isso caro amigo leitor: Deus de Deus! Um Deus tem outro Deus! O salmista e o Salmo desapareceram, segundo os trinitarianos, agora restam apenas Pai e Filho, sendo que o Pai fala com Filho na carta aos Hebreus. Algo está fora de lugar aqui: Deus Pai está falando a Deus Filho, “Ó Deus”, e então Deus o Pai diz ao Deus filho que ele é Deus e depois o Pai diz: “Deus, o teu Deus”. O que é isso? Certamente uma aberração sem precedentes!

Pare e pense sobre isso com muito cuidado. Em Hebreus 1:8 Deus, o Pai, trata outra pessoa, ou ser, como “Ó Deus”. Como podemos entender algo assim? Se acompanharmos a interpretação que os trinitarianos aplicam no texto, então isso implica dizer que Deus Pai tem um Deus. Insisto caro amigo leitor, os trinitarianos querem convencer a massa ignorante que o Deus de Abraão, Isaque e Jacó – O Deus único – se dirige a outro ser e o chama “Ó Deus”. O que lhe parece? Deus o Pai não tem Deus para tratar como “ó Deus”. Se aceitarmos esse terrível engano, então o texto fica desse jeito: “Mas, do Filho [Deus Pai] diz: Ó Deus, o seu trono é para todo o sempre“. Totalmente inaceitável!

Por que alguém iria querer interpretar as palavras gregas “ho theos”, como “Ó Deus” no versículo 8, mas as mesmas palavras como “Deus” (duas vezes) no versículo 9? Os resultados trinitários de tradução deixam implicações absurdas. Isso resulta em Deus ungir outro Deus para que Deus pudesse fazer de Deus acima de Deus. Se o texto diz que Deus, o Deus de “Deus”, o ungiu, não só teríamos um subordinacionismo ontológico, que é rejeitado pelos trinitarianos por negar a co-igualdade entre as hipóstases, como também “Deus” fora de Deus, cuja possibilidade é negada em Is 44:6. Ou seja, um Deus ungindo outro co-igual é algo não permitido e nem ensinado na Bíblia. Os versos não dizem que Deus está se auto-ungindo (?). Portanto se o texto se referir a primeira ocorrência da palavra Deus como Deidade absoluta, temos por via de consequência dois “Deus (es)”; o ungido e o que unge. Agora, se o entendemos como um texto que foi dirigido, como o próprio nome da epístola diz, aos HEBREUS, e nos lembrarmos que eles estavam familiarizados com o uso do termo “Deus” (Elohim) nas escrituras Hebraicas e o lê agora em grego, então, tudo se harmoniza, pois como regente da casa de Davi, Jesus, o Filho de Deus, se assenta no trono eterno de Deus.

Além disso, o Salmo 45 fala profeticamente do Ungido e o Deus do Ungido. Aquele que faz a unção é Deus que, claramente está separado de quem está sendo ungido. Assim, o único a fazer a unção é o Pai. Um unge o outro com o óleo da alegria. Assim, como fica claro que o antigo rei israelita não era Deus, mas foi ungido por Deus, seu Deus, para uma posição acima de seus companheiros, o mesmo acontece com Hebreus 1:9, como figurativamente aplicado a Jesus para mostrar que ele não é Deus, mas foi ungido por seu Deus para uma posição elevada acima de todos, exceto o próprio Deus.

Como é comum em vários salmos, muitos acreditam que há uma aplicação menor, original, típica, bem como uma aplicação importante antitípica no Salmo 45. Alguns estudiosos dizem que a aplicação original deste Salmo aponta para Salomão. Nós lemos que Salomão “sentou-se no trono do Senhor” (2 Crônicas 29:23, ver também: 1 Reis 1:13). Da mesma forma, o trono de Jesus também é o trono de Deus (Apocalipse 3:21), que ele recebe do seu Pai, o único Deus verdadeiro, Salmo 2:4-6; Daniel 7:13, 14; Atos 2:29-31; João 17:1, 3.

Na verdade, o autor de Hebreus está simplesmente dizendo que Jesus é exaltado ao trono de Deus no céu e, como tal, ele não está tentando demonstrar que “Jesus é Deus”, mas que Jesus subiu ao trono de Deus e está, portanto, acima dos anjos com toda a autoridade.

Deus fez este Jesus, que vós crucificastes, Senhor e Cristo”, Atos 2:36.

Toda a autoridade no céu e na terra foi dada a mim“, Mateus 28:18.

Ao que vencer lhe concederei que se assente comigo no meu trono; assim como eu venci, e me assentei com meu Pai no seu trono”, Apoc 3:21.

Porque o Cordeiro que está no meio do trono os apascentará, e lhes servirá de guia para as fontes das águas da vida; e Deus limpará de seus olhos toda a lágrima”, Apoc 7:17.

Deus está sobre o ungido. Evidente que Deus não pode ungir outro Deus. Não há dois Deus, mas um só. Ele é superior a quem está sendo ungido no Salmo 45:7, como também é superior ao Ungido de Hebreus 1:9. Observe que em Isaías 61:1 encontramos uma palavra profética do Messias, onde se lê: “o Senhor me ungiu“. Veja também Lucas 4:18; Atos 10:38; Mateus 27:46; Marcos 15:34; João 17:1, 3; 20:17; 2 Coríntios 1:3; 11:31; Efésios 1:3, 17; 5:20; Colossenses 1:3; Hebreus 1:9; 1 Pedro 1:3 Apocalipse 2:7; 3:2, 13. Assim, quem recebe a unção não é Deus.

O escritor aos Hebreus identifica uma pessoa que fala de seu Filho. Assim, o Filho a quem “Deus” fala não pode ser “Deus”. Portanto, podemos ver a partir de uma revisão da passagem original que Deus não está chamando o Rei de “Deus”, mas está se referindo ao fato de que ele se senta em um trono estabelecido por Deus. Podemos ver que o trono de Deus é divinamente estabelecido através de sua aliança com Davi que é citada em 2 Samuel 7:14-16, “Eu serei para ele um pai e ele será um filho para mim… A sua casa e o teu reino serão firmados antes de mim para sempre, o seu trono será estabelecido para sempre“. Veja que a carta aos Hebreus usa as mesmas palavras originais quando a referência passa para o Senhor Jesus: “Eu serei para ele um pai e ele será como um filho para mim” (1:5). E ainda a respeito de Jesus, o Messias, somos lembrados desta promessa de aliança por Lucas, “Ele será grande e será chamado Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi” (1:35). Em harmonia com o fato de que Deus é o “trono”, ou a origem e Sustentador da realeza de Cristo, mostram que Deus confere tal autoridade sobre ele em Hebreus 1:8, 9 quando é citado o Salmo 45:6, 7.

A força do contexto do livro de Hebreus é poderosa e indica que a interpretação correta de Hebreus 1:8 é entender que o homem Jesus, que foi feito menor que os anjos, agora ascendeu ao trono de Deus e sentou-se à sua direita: “Seu trono é o trono de Deus”.

Qualquer outra interpretação faz violência ao contexto imediato. Todo o tema da passagem é que o Jesus humano, que foi feito menor que os anjos, e sofreu por nossos pecados, ascendeu à mão direita do trono de Deus e por isso tornou-se posicionalmente acima dos anjos na autoridade tendo sentado no trono do Deus de Israel. Não há absolutamente nenhuma razão para supor que Hebreus 1:8 está sugerindo que Jesus é Deus. Nenhuma!

Apenas cinco versos antes do versículo 8 e cinco versos depois do versículo 8, o escritor diz a mesma coisa com palavras ligeiramente diferentes:

Tendo feito a purificação dos nossos pecados, assentou-se à direita da Majestade no alto” (1:3).

Para qual dos anjos disse jamais: Senta-te à minha direita até que eu ponha os teus inimigos por escabelo de teus pés” (1:13).

Outra evidência para a tradução adequada de Heb. 1: 8 é encontrado nas conclusões do Comité de Texto (UBS) da Bíblia, o United Bible Societies trinitáriana. As Sociedades Bíblicas Unidas, composta da Sociedade Americana da Bíblia, A Sociedade Bíblica Nacional da Escócia, Sociedade Bíblica da Holanda e da Sociedade Bíblica Wurttemberg nomeou uma comissão internacional e interdenominacional (mas trinitária, é claro) de estudiosos textuais para determinar o mais preciso texto possível do Novo Testamento grego.

Para isso, eles examinaram centenas de variações nos muitos milhares de manuscritos antigos do Novo Testamento e comparados outros textos existentes por Westcott e Hort, Nestlé, Bover, e Vogels.

Em 1971, o UBS publicou um comentário A Prova sobre o grego do Novo Testamento, que explicou por que a comissão havia escolhido certas leituras como sendo corretas e rejeitou outras. Ao escolher o texto que eles acreditavam ser o mais próximo do manuscrito original do livro de Hebreus, o comitê UBS olhou para os manuscritos muito mais antigos e melhores ainda em existência hoje. Vários métodos ajudaram a decidir o que é a redação original. Um deles, é claro, é a forma como muitos dos antigos e melhores manuscritos concordam.

Outro método consiste em determinar qual das variações tinham maior probabilidade de ter sido alteradas por copistas posteriores. Por exemplo, quando um escritor do NT está se referindo a uma citação do AT, muitas vezes ele tem que redigir de forma ligeiramente diferente a partir da exata citação encontrada se pretende alterar o sentido do texto.

Uma outra consideração da comissão foi observar que muitos copistas posteriores mudaram o texto de uma escritura que parecia contradizer os ensinamentos do Catolicismo Romano. Portanto, se a formulação de um antigo manuscrito parece contradizer os dogmas da Igreja de Roma, é mais propenso a ter a redação original do que um outro manuscrito antigo que (no mesmo verso) parece concordar com o ensinamento da Igreja. (Perecebe-se claramente aqui a tendência romanista manejando as penas desses copistas. Certamente muitas foram as adulterações, principalmente aquelas sobre a divindade e deidade de Jesus amparadas pelo recente estabelecimento da trindade).

Usando estes critérios, a Comissão de UBS concordou por unanimidade que a redação original da Heb. 1: 8 deve ler literalmente (no grego NT): “para com o filho, diz, o seu trono é o trono de Deus para sempre…”.

Portanto, está evidenciado que a adulteração trinitariana em Hebreus 1:8 é outro exemplo de parcialidade extrema de tradução. Eles escandalosamente tentam alegar que Deus está se dirigindo a Jesus como “Deus”. Sua tradução não é a leitura mais natural do texto original grego e grosseiramente viola o contexto a fim de promover a doutrina trinitária.

A Deus toda Glória

A Quem Traspassaram

Mas sobre a casa de Davi, e sobre os habitantes de Jerusalém, derramarei o Espírito de graça e de súplicas; e olharão para mim, a quem traspassaram; e pranteá-lo-ão sobre ele, como quem pranteia pelo filho unigênito; e chorarão amargamente por ele, como se chora amargamente pelo primogênito”.

Já que Deus diz que ele é o único que “traspassaram” em Zacarias 12: 1, e como Jesus foi traspassado no Calvário, deve significar, para os trinitarianos, que Jesus é Deus.

Zacarias 12:10 na versão trinitariana é uma falsificação pobre e deficiente. Imagino que os trinitarianos esperavam que o erro não fosse percebido. Não faz sentido algum ver o Senhor se referir a si mesmo na primeira pessoa e logo em seguida novamente se referir a si mesmo na terceira pessoa no mesmo fôlego: “olharão para mim, a quem traspassaram; e pranteá-lo-ão sobre ele… e chorarão amargamente por ele”.

A tradução trinitariana – ACF – remete o leitor para Deus (mim), mas podemos observar a seguir algo contraditório. Porquê a sentença não continuou em “mim”, no caso, Deus, mas passou para “ele”? O fluxo da frase continua com a palavra “ele”. Leia o detalhe novamente: “eles se lamentam por ele “e” chorarão amargamente por ele”. Está escrito, “por ele”, e não por mim.

A tradução que os trinitarianos desejam não existe, que é esta: “E derramarei sobre a família de Davi e sobre os habitantes de Jerusalém um espírito de ação de graças e de súplicas. Olharão para mim, aquele a quem traspassaram, e chorarão por mim como quem chora a perda de um filho único e se lamentarão amargamente por mim como quem lamenta a perda do filho mais velho”.

Por outro lado, o texto de João mostra de forma cristalina o que está em Zacarias 12:10. João 19:37, diz: “E outra vez diz a Escritura: Verão aquele que traspassaram”. Portanto, “verão aquele… e prantearão por Ele”. A leitura de Zacarias 12:10 que João conhecia não é “eles olharão para mim”, mas “olharão para ele”. (ou mais literalmente, “a quem traspassaram”).

Se alguém toma a posição de que o Espírito Santo inspirou cada palavra que João escreveu, então também deve insistir que o Espírito Santo está confirmando para nós que a leitura de Zacarias (12:10) repetida por João é a correta.

Valdomiro Filho, comentando sobre Zacarias 12:10, acrescenta: “Costumam usar Zacarias 12.10 “e olharão para mim, a quem traspassaram”, cujos versos anteriores falam de Deus, e comparam com Ap. 1.7 “Eis que vem com as nuvens, e todo o olho o verá, até os mesmos que o traspassaram; e todas as tribos da terra se lamentarão sobre ele. Sim. Amém”. A partir dai concluem que Jesus é Deus que foi traspassado.

Aqui é interessante observar que há discordância entre a ARA e a ACF para o texto de Zacarias. Esta última seguiu uma tradução literal do texto Massorético, ao passo que a ARA contextualizou a tradução e colocou “olharão para aquele”. Esse fato tornou-se mais um ponto de disputa entre os defensores de cada um dessas versões. Uma tradução como a ARC, embora literal, cria uma desconexão com o restante do texto que diz: “e pranteá-lo-ão sobre ele” quando era de se esperar “prantear-me-ão sobre mim”, pois como podem olhar para “MIM, o traspassado e pratearem por ELE?”

A ARA entendeu contextualmente a passagem de Zacarias 12.10 como “e olharão para aquele a quem traspassaram, e o prantearão”; o que parece ser, de fato, a melhor leitura desse verso. O próprio texto de Apocalipse onde procuram buscar a identidade comum entre Deus e Jesus confirma uma leitura na terceira pessoa. Ali se constata que os versos que citam o evento descrito em Zacarias 12.10 não o fazem na primeira pessoa. Isso indica que no contexto amplo Deus está falando daquele que seria traspassado e não dele mesmo, como querem os trinitaristas. De qualquer forma uma coisa contrapõe a outra, pois se aquele que foi traspassado foi visto, no caso Jesus, não pode ser Deus, pois Deus nunca foi visto (I Tm. 6.16), e se Deus foi traspassado o sentido não pode ser material, pois Deus é Espírito, o que levaria o “traspassar” para esfera espiritual desassociando o dito pelo profeta do ato de perfuração do corpo, embora explicitando a dor da morte do Filho pelo Pai.

Vale destacar (se a requisição de identidade recair na equivalência literal da tradução do texto hebraico) que nem sempre o NT segue a leitura do texto Massorético, sugerindo uma fonte diferente e, na verdade, por vezes, difere, de fato, do texto hebraico geralmente utilizado, basta lermos a citação do cumprimento profético dessa passagem em João 19.37 “E outra vez diz a Escritura: Verão aquele que traspassaram.”, perceba “aquele” e não “a mim”. Tal leitura se harmoniza com o contexto amplo das Escrituras que dizem que Jesus foi visto, mas Deus nunca foi visto: I Tm. 6.16 “Aquele que tem, ele só, a imortalidade, e habita na luz inacessível; a quem nenhum dos homens viu nem pode ver, ao qual seja honra e poder sempiterno. Amém.” Ora, se Zacarias for entendido como literal, então, estará falando do Corpo de Jesus, portanto o que é perceptível ao olho humano. No entanto versos como I Tm. 6.16, dentre outros, nega que tenha ocorrido a possibilidade de tal contemplação de Deus no evento da crucificação. Aquele que foi traspassado, nosso Senhor, estava morto e reviveu, mas há UM que não pode ser visto pelos mortais e nunca morreu, o nosso Deus” (1).

FILHO, Valdomiro – Zacarias 12:10, http://www.unitarismobiblico.com/w/2011/06/13/zc-12-10/

Deus seja louvado