“Antes que Abraão existisse, Eu sou”

Abraao

A chamada Ortodoxia Cristã defende ter sido Jesus divino e Deus quando esteve neste mundo; afirmam que o grego ego eimi, “eu sou”, é uma técnica de linguagem intencional implementado por Jesus para invocar o nome divino e identificar-se como (um) Deus. Quando Jesus disse: “Eu sou”, neste contexto [João 8:58], deve ser entendido para ser uma citação de referência a Deus para Si mesmo como EU SOU em Êxodo 3:14.

Nesse versículo, segundo os trinitarianos e segundo a maioria de nossas versões modernas, quando Moisés perguntou o nome de Deus, Deus teria respondido: “EU SOU O QUE EU SOU” e, em seguida, disse, É isto que você dirá aos israelitas: Eu Sou me enviou a vocês“.

A Septuaginta foi uma tradução do Velho Testamento em hebraico para o idioma grego. Como ela verteu a passagem de Êxodo 3:14? A expressão hebraica “Ehye asher ehye” de Êxodo 3:14 foi traduzida em grego na septuaginta por: ἐγώ εἰμί ὁ ὤν (Ego Eimi Ho On). Em português essa expressão seria algo próximo de “Eu sou (ego eimi) aquele que é (Ho On)”.

O texto todo de Êxodo 3:14, de acordo com a Septuaginta, fica dessa forma: “E disse Deus a Moisés: Egō eimi ho ōn (Eu sou aquele que é). Assim dirás aos filhos de Israel: Ho ōn apestalken me pros hymas (Aquele que é me enviou a vós)”. O que Deus disse para Moisés, que Ele era o “Eu Sou” (ego eimi) ou Ele disse que era “Aquele que é” (Ho on)?

Deus não estava dizendo “Eu sou Eu sou.” A frase “Eu sou o que sou”, literalmente, significa “Eu sou aquele que é“. Deus estava dizendo a Moisés que o nome que ele deveria dar aos filhos de Israel é “Aquele que é“, e não “eu sou o que sou“. A frase, “eu sou”, simplesmente é inserida no texto para identificação de quem é nomeado. Ou seja, é como se um enviado perguntasse a autoridade que o envia, o seu nome para identificação posterior. Seria uma construção textual semelhante a essa: “como eu poderia identificá-lo ao me encontrar com as pessoas que devem receber vossa mensagem?” O indagado simplesmente responde: “Eu sou Carlos, diga-lhes que Carlos o enviou“. O mensageiro jamais poderia chegar aos endereçados e dizer que “EU SOU Carlos me enviou a vós“, mas apenas dizer que Carlos o enviou. O verso tem a expressão “Eu sou”, mas ela não identifica o nome de Deus. A expressão só é usada para Deus complementar dizendo que era HO ON. Deus diz que é “Ho on”, não que ele é “Ego eimi”.

Deus não disse ser um certo “Ego Eimi” (eu sou), ele disse ser “Aquele que é” (ho On). A ideia foi dizer “Eu sou AQUELE QUE É”, tanto é que quando Moisés perguntou o que diria quando fosse indagado sobre quem o enviou, Deus manda Moisés responder “HO ON (AQUELE QUE É) me enviou a vós”, Ele não disse “Ego Eimi” me enviou a vós”.

Jesus não reivindicou este título. Observem o texto: “Disse lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que antes que Abraão fosse eu sou”. Se Jesus quisesse fazer alusão ao “ὁ ὤν” (ho On) de Êxodo 3.14, teria usado a idêntica construção, e não precisaria tomar por base a existência de Abraão.

Sobre esse ponto, o Apologista Valdomiro Filho comenta com muita propriedade:

“O problema é que há traduções que verteram HO ON como “AQUELE QUE É” na primeira ocorrência e o mesmo HO ON como “Eu Sou” na ocorrência seguinte. A expressão HO ON não está em Jo. 8.58. Todos os livros e comentários que você já leu, digo com simplicidade e sem medo de errar, estão equivocados quando tentam comparar João 8.58 com Ex. 3.14 dizendo que Jesus é o EU SOU do Antigo Testamento, porque simplesmente as construções são diferentes. Se considerarmos o hebraico, que é a língua em que originalmente foi escrito o livro de Êxodo ai é que se descarta mesmo, porque a construção verbal do hebraico, daquela passagem, é causativa e em João é, seguramente, grego no presente do indicativo ativo. Se for os dois em grego, um é particípio e o outro presente do indicativo ativo.

Vamos, para ficar didaticamente mais visível, dividir o verso de Êxodo em duas partes: A + B. A) “καὶ (e) εἶπεν (disse) ὁ θεὸς (Deus) πρὸς (a) μωυσῆν (Moisés) ἐγώ (eu) εἰμι (sou) ὁ ὤν (AQUELE QUE É).

Pergunto o seguinte: Deus em “A” disse ser “ego eimi” ou Deus disse ser “HO ON”? B) καὶ (e/também) εἶπεν (disse:) οὕτως (assim) ἐρεῖς (dirás) τοῖς (aos) υἱοῖς (filhos [de]) ισραηλ (Israel) ὁ ὢν (AQUELE QUE É [aqui, desuniformemente as Bíblias vertem para EU SOU, donde decorre a associação com Jo.8.58]) ἀπέσταλκέν με (enviou-me) πρὸς (a) ὑμᾶς (vós).

A pergunta que faço agora é a seguinte: Moisés identificou Deus, em “B”, como “ego eimi” ou como “HO ON”? Onde está a expressão “ego eimi” na parte “B” para os tradutores verterem “EU SOU” ao invés de “AQUELE QUE É”?

Percebamos que não existe um “ego eimi” nessa parte; não se sabe porque os tradutores inseriram “Eu sou me enviou a vós”. E a Bíblia de Jerusalém fez mais do que isso e colocou em maiúsculo “EU SOU me enviou a vós”, quando o procedimento uniforme seria “AQUELE QUE É me enviou a vós”. Ora, se “ego eimi” significa “eu sou” e “HO ON” significa “eu sou” exatamente com a mesma semântica, então, a parte “A” deveria ser traduzida por, “Disse Deus a Moisés: Eu sou Eu sou” (ego eimi ho on), e ai teríamos, ao menos, uniformemente “Eu sou me enviou a vós”. Mas se HO ON é traduzida por “AQUELE QUE É” na parte “A” não há razão para não ser, também, na parte “B” pela mesma expressão, a não ser que haja a intenção de criar a associação que os trinitários hoje defendem” (1).

Portanto, esse teoria trinitariana de que Jesus disse “Eu Sou” para identificar-se como Deus não tem fundamento nem mesmo nas Escrituras. Provavelmente Jesus não falava o grego, e muito menos estava falando em grego para os fariseus.

A afirmação de Jesus, “eu sou”, foi construída em grego. A declaração do Senhor em Êxodo 3:14 foi em hebraico. As duas línguas não são apenas muito diferentes umas das outras, mas as duas declarações também não são as mesmas. “Eu sou” não é o mesmo que o terrivelmente mal traduzido “eu sou o que eu sou”.

Vamos analisar os versículos anteriores a este: “Abraão, vosso pai, exultou por ver o meu dia, e viu o, e alegrou se“, v. 56. Os judeus estavam distorcendo as palavras de Jesus: “Disseram-lhe, pois, os judeus: Ainda não tens cinqüenta anos, e viste Abraão?” Jesus não disse isso. Foi o contrário: Abraão viu Jesus e não Jesus viu Abraão. Então, vem o verso chave: “Disse lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que antes que Abraão fosse eu sou”, João 8:58. Se traduzimos a última parte do versículo como “Eu sou antes de Abraão” podemos ter um significado completamente oposto ao da nossa envelhecida ortodoxia cristã. Nesse caso, o texto não diz que Jesus era preexistente, e muito menos diz que ele usou uma técnica de linguagem intencional para se igualar ao Deus de Israel.

Jesus estaria simplesmente dizendo que foi conhecido antes da criação do universo como o cordeiro que foi morto nos propósitos de Deus (Ap 13:8). Nas palavras de Pedro “Ele foi conhecido antes da fundação do mundo, mas manifestado nesses últimos tempos por amor de vós” (1 Pedro 1:20).

Ele foi o Messias anunciado e predestinado a vir desde sempre, portanto, antes de Abraão.

Ele também é antes de Abraão nas palavras de Moisés: “Porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua descendência e a sua descendência; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar” (Gênesis 3:15).

Há outra opção de Interpretação que vai ser exposta mais adiante.

Um título ou um verbo?

Os trinitarianos dizem que os Judeus entenderam perfeitamente que Jesus estava afirmando ser Deus quando ele usou as palavras “ego eimí”, porque eles imediatamente pegaram pedras para matá-lo. Mas os trinitarianos não consideram que os Judeus já haviam decidido matar o Senhor Jesus antes desse impasse em João 8:58. Leia João 7:1, 25. Além disso, a expressão em grego “ego eimí” em João 8:58 utiliza o pronome pessoal acompanhado de um verbo, que é o verbo “ser”. “Eu sou” NÃO É UM TÍTULO. De forma semelhante, o “eu sou” (“ego eimí”) em Êxodo 3:14 não constitui um título. O título usado por Deus nesse texto é “Ho On” (“Aquele que é”). O “sou” de “eu sou” é apenas um verbo e não um nome divino.

Alguém escreveu sobre isso com muita sabedoria:

“Se em João 8:58 Jesus tivesse dito: “Eu sou o EU SOU”, ou “Eu sou o Ser”, ou ainda “Eu Sou Aquele que é ”, seria diferente. Mas ele fez um uso simples e comum na língua grega, do verbo ser. É muito arriscado divinizar uma expressão grega, mesmo quando sai da boca do Mestre. Por que transformar uma expressão de uso corriqueiro num carregado título teológico? Todo esse conjunto de teorias recaem, como sempre, na esfera da incerteza, porque não seguem a regra bíblica de ‘não ir além do que está escrito’. E tais teorias gozam de grande credibilidade entre muitos cristãos, e estimulam declarações pouco analisadas e ponderadas, transformando algo que é duvidoso em algo “inquestionável”. Para muitas pessoas que formam os rebanhos das igrejas, é muito comum o pensamento: “Se os doutores, teólogos e filósofos acreditam assim, quem sou eu para discordar?” No entanto, uma simples leitura atenta é suficiente para desmontar uma teoria humana, ou, pelo menos, para mostrar que a coisa não é tão sólida quanto alguns pensam” (2).

O professor de Estudos Religiosos, Jason David BeDuhn, da Universidade do Norte do Arizona, em seu livro “Precisão e parcialidade na tradução do Novo Testamento em inglês” (Accuracy and Bias in English New Testament Translation) compara algumas traduções inglesas principais e as relaciona da seguinte forma no capítulo dez, onde ele lida exclusivamente com João 8:58:

KJV “before Abraham was, I am” “antes que Abraão existisse, eu sou”

NASB “before Abraham was born, I am” “antes de Abraão nascer, eu sou”

NAB “before Abraham came to be, I am” “antes de Abraão vir a ser, eu sou”

NW “before Abraham came into existence, I have been” “antes que Abraão existisse, eu tenho sido”

O Dr Duhn conclui:

“O que está acontecendo aqui? Você pode pensar que há uma cláusula grega particularmente difícil ou complicada por trás dessa bagunça em inglês. Mas esse não é o caso. O grego lê “prin Abraham genesthai ego eimi”. Ele pode ser traduzido diretamente para o inglês, fazendo o que os tradutores sempre fazem com o grego, ou seja, reorganizando as palavras na ordem normal do inglês, e ajustando as coisas com o tempo verbal complementar para a expressão apropriada… a KJV tem influenciado os seus tradutores colocando o verbo impropriamente no final da sentença”. Assim, o “eu sou” de João 8:58 deveria estar no início da sentença, deixando o versículo como segue: “Eu sou antes de Abraão”.

Jesus diz EU SOU várias vezes

Se “ἐγώ εἰμι” era o título sagrado de Deus o Todo Poderoso, porque somente no versículo 58 os judeus tentam apedrejar Jesus? Porque não tentaram apedrejá-lo depois dele dizer no versículo 24 do mesmo capítulo: “se não crerdes que EU SOU, morrereis nos vossos pecados”? Não seria uma ótima oportunidade para os Judeus acusarem Jesus de blasfêmia por aplicar a si mesmo o título de Deus? Isso mostra que ἐγώ εἰμι não foi o fator determinante para provocar essas reações ambíguas. O problema foi com Abraão.

Veja com mais detalhes dentro do mesmo contexto: “Vocês são daqui de baixo; eu sou lá de cima. Vocês são deste mundo; eu não sou deste mundo. Eu disse que vocês morrerão em seus pecados. Se vocês não crerem que EU SOU, de fato morrerão em seus pecados. Diziam-lhe então, quem és tú”, João 8:23,24.

Os judeus não acharam que Jesus estava dizendo que era o Deus de Israel. Ao contrário de Êxodo 3:14, a expressão eu sou não está sendo usada com função de nome identificador, tanto é que não causou reação nos judeus. É tão evidente que esse não era o caso, que quando Jesus disse eu sou, os seus opositores perguntaram em seguida, quem és tu? Se falar eu sou significasse uma auto identificação não haveria necessidade dessa pergunta, e os judeus já teriam corrido para pegar pedras e atirar em Jesus. E não podemos ignorar também o verso 28, que enfatiza de forma clara a reclamação trinitariana de Jesus como EU SOU. Veja o texto: “Então Jesus disse: Quando vocês levantarem o Filho do homem saberão que EU SOU, e que nada faço de mim mesmo, mas falo exatamente o que o Pai me ensinou”. A construção textual é incrivelmente provocadora, mas os trinitarianos a abandonaram. Por qual motivo? Talvez porque não houve ameaça de apedrejamento. Não se vê nenhuma reação dos judeus. Na sensível mente deles, não houve rejeição ao que Jesus falou. Pelo contrário, o versículo seguinte relata que muitos JUDEUS creram nele: “Tendo dito essas coisas, muitos creram nele”. Depois disso o relato prossegue de forma contínua. Mas, em determinado momento algo muda em João 8:57,58: “Disseram-lhe, então, os judeus: Não tens ainda cinquenta anos e viste Abraão? Jesus lhes disse: Em verdade, em verdade, vos digo: antes que Abraão existisse, EU SOU. Então apanharam pedras para atirar nele”.

Os Judeus constantemente corrompiam as palavras de Jesus. Isto é, eles as entendiam de forma equivocada (João 3:3,4). E se comportaram da mesma maneira no contexto de João 8:58. Possívelmente eles entenderam que ele estava alegando superioridade a Abraão. Se considerarmos que Jesus usou as palavras “Eu sou antes de Abraão”, ou “Eu tenho sido antes de Abraão”, ele pode ter causado um rebuliço total na mente dos judeus levando-os a acreditar que ele declarou ser maior do que Abraão.

Lembre-se que Jesus se declarou mais importante – maior – que o templo em Mateus 12:6, “aqui está quem é maior que o templo”. E também maior do que Salomão: “A rainha do Sul se levantará, no Juízo, com esta geração e a condenará; porque veio dos confins da terra para ouvir a sabedoria de Salomão. E eis aqui está quem é maior do que Salomão”.

Jesus estava sendo ameaçado de apedrejamento pelo que ele teria dito sobre Abraão. Dizer que “Sou antes” (entendido pelos judeus como “mais importante”, “superior”, “maior” – acréscimos meus) de Abraão seria considerado injúria, visto que os Judeus encaravam tal ancestral como o “Pai” da nação (Ver João 8:39). Além disso, o significado de blasfêmia na bíblia vai muito além do que apenas dizer algo contra Deus. Era considerado blasfêmia algo que ofendesse algum maioral da nação (Ver Êxodo 22:28)” (3).

No contexto de uma perseguição anterior a Jesus, ficou claro “para os judeus” que Ele era um blasfemo e se faz igual a Deus, isto é, fazendo-se igual a Deus porque se declarava Filho de Deus (João 5:18), o que, obviamente, não o fazia igual a Deus apenas por chamar Deus de seu Pai. Seria, portanto, razoável concluir que para a maioria dos ouvintes, as palavras de Jesus em “Eu sou antes de Abraão” não eram algo totalmente inesperado, mas confirmavam sua suspeita e até a convicção de que Jesus era mesmo um blasfemo. Para eles era uma teologia sacrílega; e é claro que Jesus conhecia suas expectativas e medos sinistros quando pronunciou intencionalmente aquelas palavras absolutamente provocativas. Isto é, foi uma “blasfêmia” intencional de sua parte, a fim de revelar sua identidade, não sua divindade. Observe que quando Jesus disse “antes que Abraão existisse, eu sou” ele estava respondendo aos judeus duas perguntas que foram feitas em dois versos anteriores. A primeira está no versículo 53: “Porventura és tu maior do que nosso pai Abraão…?” A outra está no verso 57: “Ainda não tens cinquenta anos e viste Abraão?”

Podemos, como já disse, ter dois significados nas palavras de Jesus em João 8:58 quando ele alega, “Eu sou antes de Abraão“. O primeiro é que ele era o Messias que havia de vir e estava nos planos de Deus antes mesmo de existir de fato: “Pai, aqueles que me deste quero que, onde eu estiver também eles estejam comigo, para que vejam a minha glória que me deste; porque tu me amaste ANTES da fundação do mundo“, João 17:24.

Observem, mais uma vez, que o “Cordeiro de Deus” tinha sido “crucificado antes da fundação do mundo” (Ap 13:8 NVI), sendo que, evidentemente, o que ocorreu de forma não literal, pois Jesus foi crucificado em 33 dC sob o governo de Pôncio Pilatos, mas no plano de Deus desde antes da fundação do mundo. Desta forma também Jesus “era” antes de Abraão. Assim Abraão podia olhar para frente, para a vinda do Messias e seu Reino. O Messias e seu reino, portanto, “preexistiam” no sentido de que eles foram “vistos” por Abraão através dos olhos da fé. Antes que Abraão nascesse Jesus tinha sido “conhecido” (cf. 1 Ped. 1:20). Jesus aqui faz a afirmação estupenda do seu significado absoluto no propósito [plano] de Deus. E o segundo significado é que ele pode ter dito também que é superior a Abraão. Portanto, não foi o EU SOU de Êxodo 3:14 que provocou a ira dos judeus. Jesus não está alegando que existiu – literalmente – antes de Abraão e nem que é Deus, em João 8:58.

Será que Jesus confundiu tudo depois, dizendo por um lado que somente o Pai é o “único Deus verdadeiro” (17:3, 5:44) e que ele mesmo não era Deus, mas o Filho de Deus (João 10: 36), e por outro lado, que ele, Jesus, é também um ser incriado? Será que ele quis definir seu status dentro das categorias reconhecíveis do Antigo Testamento (João 10:36, Sl 82:6; 2:7), apenas para representar um enigma insolúvel dizendo que ele estava vivo antes do nascimento de Abraão? Se Jesus realmente quisesse falar de sua preexistência e divindade usando a mesma construção textual ele poderia fazê-lo em outros contextos e ter declarado “EU SOU antes de Adão”, ou, “Eu sou antes da humanidade”, não ANTES de Abraão. Não seria mais sensato ler João 8:58 à luz da declaração de Jesus em João 10: 32,33 e 36 e no resto das Escrituras?

É um fato bem conhecido que as conversas entre Jesus e os judeus foram muitas vezes de forma contraditória. Em João 8:57 Jesus não tinha, de fato, dito como os judeus pareciam pensar, que ele tinha visto Abraão, mas que Abraão exultou por ver o dia do Messias (v. 56). O patriarca estava esperando surgir na ressurreição no último dia (João 11:24; Mat 8:11) e tomar parte no reino messiânico. Jesus também estava afirmando superioridade a Abraão, mas não no sentido que os judeus entenderam.

Uma leitura honesta de “eu sou” em João 8:58 simplifica o entendimento, revelando positivamente que o significado não é “eu sou Deus.” E, também não é, como tantas vezes alegado, o nome divino de Êxodo 3:14, onde o Senhor declarou, “Eu sou o ser” ou “Eu sou o aquele que é” (EGO EIMI HO ON, que é traduzido para o Inglês como “Eu sou o Ser”). Jesus aqui em João não defendeu nenhum título.

Além disso, na ocasião da sarça no monte Sinai é registrado que um anjo falava com Moisés do arbusto que ardia em chamas, não o próprio Senhor.

Êxodo 3: 2, afirma: “E apareceu-lhe o anjo do Senhor em uma chama de fogo do meio duma sarça; e olhou, e eis que a sarça ardia no fogo, e a sarça não se consumia”. Estêvão, nos registros do NT, em Atos 7:30, declara: “E, completados quarenta anos, apareceu-lhe o anjo do Senhor no deserto do monte Sinai, numa chama de fogo no meio de uma sarça”. Ele confirma a mesma coisa quando diz aos judeus em Atos 7:53, “vocês, que receberam a Lei por intermédio de anjos, mas não lhe obedeceram”.

Isso torna evidente que era um anjo do Senhor que falava com Moisés como representante de Deus, falando e agindo em nome de Deus na ocasião do Sinai, e não o próprio Deus. Deus estava falando e revelando Sua glória a Moisés, mas o fez através de um anjo.

Apesar de todos os argumentos apresentados aqui contra a alegação trinitariana, ainda assim, para eles, esse teria sido um dos momentos mais importantes do Novo Testamento, pois em João 8:58, Jesus teria decidido revelar sua verdadeira divindade alegando ser o “EU SOU” de Êxodo 3:14, a Segunda Pessoa da Trindade, o Deus Filho eterno do Velho Testamento, O ser preexistente. Mas, que, inexplicavelmente, depois de fazer essa estupenda revelação para o povo de Deus, os judeus guardiões da Palavra, ele teve que fugir porque estes queriam matá-lo!

É fato caro leitor, que isso tudo aconteceu logo depois que Jesus supostamente deu sua última declaração sobre sua verdadeira divindade! Mas, espere! Os judeus não creram? No Velho Testamento não fala do Jesus preexistente, Deus conosco, Pai eterno e títulos semelhantes? Os Judeus não creram, e até hoje ainda não creem na trindade por qual motivo? É evidente que Jesus nunca deu tal declaração (o EU SOU de Êxodo 3:14).

O que dizer de João 1:1-3?

Nesse momento da leitura é muito comum aos teólogos da nossa ortodoxia convencional se agarrarem no prólogo do Quarto Evangelho para invalidar os argumentos desse pequeno artigo. No entanto caro amigo leitor, o prólogo de João está fazendo referência a algo tão simples, tão contrário a interpretação popular, que vai surpreender até os céticos e ateístas: João não está falando do princípio de Gênesis em “no princípio era o verbo…”.

Talvez a maioria argumente que o contexto realmente fala sobre Jesus no princípio da criação do mundo, pois os dois versículos imediatamente posteriores dizem que “Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e sem ele nada do que foi feito se fez“, João:1:2,3.

A referência é a Nova Criação, não a velha. Veja meu artigo “TUDO foi criado por Ele“. E não se engane com Hebreus 1:1,2 quando diz que Jesus fez o mundo. Não é uma referência a Gênesis 1:

Havendo Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias a nós nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, e por quem fez também o mundo“, Hebreus 1:2. Isto é, o mundo vindouro, a era por vir, como confirmado pelo mesmo escritor apenas alguns versículos depois: “Porque não foi aos anjos que Deus sujeitou o mundo vindouro, sobre o qual estamos falando“, Hebreus:2:5.

Portanto, quando a Escritura revela que Jesus é o princípio de toda a criação significa que ele é o primeiro da nova criação de Deus: “Ao anjo da igreja em Laodicéia escreve: Isto diz o Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de Deus“, Apocalipse 3:14.

De fato, temos aqui mais uma referência apontando para a nova criação inaugurada pela ressurreição de Cristo. Por esse motivo as Escrituras fazem referência aos cristãos como novas criaturas. Assim, Jesus é o primogênito e as primícias de uma nova criação – chamado de um “novo e vivo caminho” em Hebreus 10:20. Tudo foi feito por ele e por meio dele, e sem ele nada do que foi feito se fez (João 1:3).

Eu vou apresentar aqui um resumo do meu artigo sobre João 1:1-3 que já está disponível nesse site com o título, “No Princípio” – João 1:1 – que princípio?

É necessário observar que a narrativa do Evangelho supostamente cita uma referência da criação de Gênesis em sua abertura e no mesmo fôlego salta para o ministério de João Batista. Além disso, dizer que o verbo se fez carne (Jo 1:14) num tempo de João Batista já adulto nos convida a sérios questionamentos. Não seria mais coerente dizer que o verbo se fez carne em Belém quando Jesus nasceu?

O registro diz que o verbo se fez carne três versículos após dizer que os seus o rejeitaram: “Veio para o que era seu, e os seus não o receberam“, João:1:11. Agora veja o verso 14: “E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade; e vimos a sua glória, como a glories do unigênito do Pai“. Se é uma sequência, então temos um problema enorme aqui.

Portanto, é preciso prestar atenção no verbo usado, “era”, em “no princípio era a palavra”, que pode estar fazendo referência a fatos ocorridos no início de algo, e ocorridos em terra, não no espaço, no princípio da criação narrado em Gênesis 1.

Eu explico; o significado de “no princípio” em João 1:1 está falando do princípio do Evangelho de Jesus (o novo princípio), o princípio do seu ministério, na Palavra que começou a ser anunciada pelas terras de Israel quando do aparecimento do Messias. Por isso o escritor começa a sua narrativa em tom poético: “No princípio era a Palavra“, a palavra da pregação; a promessa que estava para ser revelada; o anúncio; a chegada dele sendo proclamada – são expressões que podem traduzir o termo grego logos, usado aqui para “palavra”.

João 1: 1-3 não é uma declaração sobre a criação original do mundo. O escritor pode ter adotado a linguagem do primeiro “começo” para falar de um novo “começo” nas coisas que aconteceram na vida de Jesus – o princípio da nova criação. Desse modo, o resultado da atividade da Palavra não era que o mundo material existisse, mas que as pessoas recebessem a vida; e esta vida foi a luz que as trevas vistas na história do Evangelho não conseguiram superar. A leitura de João 1: 1-5 é uma sinopse preliminar da história do Evangelho.

E preste atenção também em João Batista envolvido no texto. Ele é “a voz do que clama no deserto“. Ele veio preparar o caminho do Senhor anunciando a palavra “no princípio” quando Deus voltou a falar ao seu povo depois de quatro séculos de silêncio.

O Evangelho de Marcos também usa – confirmando João – o mesmo termo no mesmo tempo em “o princípio”, que é uma referência ao princípio das boas novas. Veja: “Princípio do evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus“, Marcos 1:1, e ele passa imediatamente para João Batista, como no prólogo de João.

Observe que João sai do relato sobre o verbo e dá um salto tremendo para o ministério de João Batista. Em Marcos 1:1-5 o salto aparece de forma bem explícita. Porém, o mais interessante é que Marcos esclareceu João. João diz, “no princípio era Palavra“. Marcos diz: “princípio das boas novas“, ou “princípio do Evangelho“. Isso deveria estabelecer e acabar com qualquer disputa sobre o significado de João 1: 1. Claramente, o texto significa o início da mensagem do Evangelho de Jesus Cristo, começando com a mensagem de arrependimento pregada pela primeira vez por João Batista, um precursor do Messias.

Lucas usa “no princípio” como referência para a mensagem do Evangelho, mas também incluí relatos do nascimento e infância do Senhor Jesus.

Tendo, pois, muitos empreendido pôr em ordem a narração dos fatos que entre nós se cumpriram, segundo nos transmitiram os mesmos que os presenciaram desde o princípio e foram ministros da palavra, pareceu-me também a mim conveniente descrevê-los a ti, ó excelentíssimo Teófilo, por sua ordem, havendo-me já informado minuciosamente de tudo desde o princípio“, Lucas 1:1-3.

É o mesmo princípio citado por João!

O escritor de 1 João 1:1 usa “o princípio” de forma semelhante: “O que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que contemplamos e as nossas mãos apalparam, a respeito do Verbo da vida“.

Mas, se o verbo citado em João 1:1 era Jesus, então, indiscutivelmente, você poderia argumentar que ele seria mesmo Deus, pois a parte final do versículo 1 de João 1, diz que “o verbo era Deus”. As coisas não são tão simples assim. Observe a sequência e perceba como e fácil interpretar o texto sem necessidade de colocar Jesus na eternidade passada.

No princípio era a palavra (a palavra sobre a chegada do Messias sendo anunciada por todas as partes), e a Palavra estava com Deus (Jesus como Mediador – O termo grego permite essa interpretação), e a Palavra era Deus“. De fato, a Palavra era Deus, pois quem vê o filho, vê o Pai, ou como disse Jesus: “Eu e Pai somos um”. Nada mais justo do que dizer aqui – ainda mais nessa tonalidade incrivelmente poética – que o “verbo era Deus”.

Se conectamos o sentido na confissão de Tomé, “meu Senhor e meu Deus”, e em outras passagens que confessam que “quem vê o filho, vê o Pai” e “Eu e o Pai somos um“ podemos achar o significado pretendido por João. Estes são sentidos similares de “o verbo era Deus”.

Vamos fazer uma pequena análise no episódio de Tomé. Ao dizer “meu Senhor e meu Deus” (João 20:28) , o INCRÉDULO Tomé passou a crer que Deus estava em Jesus. Ou seja, que ele era realmente o Messias enviado; que Jesus era o Filho de Deus; que ver Jesus era o mesmo que ver o Pai e não que Jesus era (um) Deus.

Veja o que Jesus respondeu ao próprio Tomé alguns capítulos antes: “Disse-lhe Tomé: Senhor, nós não sabemos para onde vais e como podemos saber o caminho? Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim.

Se vós me conhecêsseis a mim, também conheceríeis a meu Pai; e já desde agora o conheceis e o tendes visto.

Disse-lhe Filipe: Senhor, mostra-nos o Pai, o que nos basta. Disse-lhe Jesus: Estou há tanto tempo convosco, e não me tendes conhecido, Filipe? Quem me vê a mim vê o Pai; e como dizes tu: Mostra-nos o Pai?” João 14:5-9.

A confissão de Tomé reforça a última parte do verso 1 em João 1 esclarecendo porque o “verbo era Deus”. Jesus respondeu de forma perfeita: “Quem vê a mim, vê o Pai”.

Jesus nãoestava com Deus

É necessário esclarecer que Jesus não estava presente no ato da criação. Fosse assim, Deus não teria dito que criou tudo SOZINHO: “Assim diz o SENHOR, que te redime, o mesmo que te formou desde o ventre materno: Eu sou o SENHOR, que faço todas as coisas, que sozinho estendi os céus e sozinho espraiei a terra”, Isaias 44:24.

A tradução da Almeida Corrigida e Fiel enfatiza mais ainda: “Assim diz o SENHOR, teu redentor, e que te formou desde o ventre: Eu sou o SENHOR que faço tudo, que sozinho estendo os céus, e espraio a terra por mim mesmo”.

É importante lembrar aqui que foi o próprio Cristo quem descreveu a criação original como sendo trabalho de Deus, não dele: “Porque naqueles dias haverá uma aflição tal, qual nunca houve desde o princípio da criação, que Deus criou, até agora, nem jamais haverá”, Marcos 13:19. Compare com Hebreus 4:4, onde Deus, não Jesus, descansou da obra da criação, “Porque em certo lugar disse assim do dia sétimo: E repousou Deus de todas as suas obras no sétimo dia”.

Jesus não existia antes de nascer em Belém. Observe que a genealogia dele vista por Mateus parte de Abraão e chega até Maria: “Livro da geração de Jesus Cristo, filho de Davi, filho de Abraão” (Mateus 1:1). Depois de passar por toda a descendência do Senhor o escritor alcança a mãe deste: “E Jacó gerou a José, marido de Maria, da qual nasceu JESUS, que se chama o Cristo” (Mateus 1:16). Aqui Jesus passa a existir. No Evangelho de Lucas ele traça a genealogia de Jesus de volta a Adão. “E o mesmo Jesus começava a ser de quase trinta anos, sendo (como se cuidava) filho de José, e José de Heli” (Lucas 3:23). Depois de tratar de todos os descendentes deste, alcança o próprio Deus. E note que na ascendência de Adão ele é listado como “filho de Deus”, e entre ele e Deus ninguém é citado.

Veja pela tradução da King James Atualizada quando apresenta o relato da genealogia aproximando-se do Criador: “… filho de Enos, filho de Sete, filho de Adão, filho de Deus“, Lucas 3:38. Jesus está ausente do texto próximo a Deus e depois de Deus porque ele não existia. O único citado como filho direto de Deus – bem próximo da criação – é Adão. Jesus não viveu antes – ele passou a existir somente depois que nasceu de uma mulher (Gálatas 4:4). Ou seja, quem possui árvore genealógica não pode ter existido antes dos seus ancestrais. E de fato, Jesus foi prometido como a semente da mulher: “E porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua semente e a sua semente; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar”, Gên 3:15. Isso mostrou que o Messias seria um descendente da mulher e, por definição, deve ser aquele que vem a existir após a existência do seu ancestral. Além disso, a inimizade não existia entre o Messias e a semente da serpente, mas era para ser uma hostilidade futura.

Isaías atesta claramente que a origem do Messias teve início no ventre de sua mãe: “E agora diz o Senhor, que me formou desde o ventre para ser seu servo…”, (Isaías 49:5).

DESDE O VENTRE !!!

Foi uma boa oportunidade para o escritor revelar que Jesus teria sido formado DESDE A ETERNIDADE. Não o fez por que?

Todos tem conhecimento de que o Salmo 22 é uma profecia sobre o Messias como provado por suas citações nos Evangelhos. O versículo dez mostra enfaticamente que o Senhor Jesus tinha Deus como Pai somente após seu nascimento. Neste caso, ele jamais poderia ter sido Filho Unigênito antes do tempo: “Sobre ti fui lançado desde a madre; tu és o meu Deus desde o ventre de minha mãe”. Quando ocorreu o nascimento do Senhor Jesus? Aconteceu em 4 dC sob o governo do Rei Herodes, Mat 2:1 “E, TENDO nascido Jesus em Belém de Judéia, no tempo do rei Herodes, eis que uns magos vieram do oriente a Jerusalém“.

O Filho de Deus veio à existência quando foi gerado no útero de sua mãe. Observe novamente a ênfase no relato do milagre da concepção em Lucas 1:35 “E, respondendo o anjo, disse-lhe: Descerá sobre ti o Espírito Santo, e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; por isso também o Santo, que de ti há de nascer, será chamado Filho de Deus”.

A filiação divina – ou seja, filiação com o Pai – de Jesus é explicitamente estabelecida por seu nascimento milagroso. Por isso o nascimento virginal de Cristo está em contradição irreconciliável com a cristologia da encarnação do Filho preexistente de Deus.

Na verdade, o anjo anunciou no nascimento que Jesus “é o Filho de Deus”, não por causa de uma preexistência ontológica, mas por causa da sua concepção sobrenatural. Este milagre apenas sinalizou que ele iria ter uma relação especial com Deus. Assim, com efeito, a concepção de Jesus sendo realizado pelo Espírito de Deus é a base para identificá-lo como Filho de Deus, O Filho do Altíssimo, por causa da salvação que ele realizaria na história, não por causa de sua natureza intrínseca. Logicamente, o nascimento virginal não indica que Jesus é Deus simplesmente por causa de sua natureza milagrosa. O Milagre só aponta para uma origem sobrenatural. Deus fez um milagre causando a concepção virginal, mas isso não indica que o milagre em si é Deus.

Fica evidente então, que o momento da concepção de Jesus foi a causa dele tornar-se Filho de Deus. Portanto, Jesus não era o Filho de Deus em qualquer momento antes de seu nascimento simplesmente porque Jesus veio à existência como o Filho somente após ter sido concebido no ventre de Maria. Assim, ele não poderia ter existência como o Filho de Deus antes disso, como Gabriel afirma: “Este será grande e será chamado Filho do Altíssimo” (Lucas 1:32).

Não havia nenhuma pessoa distinta chamada “Filho” – “Filho” só surge no NT. A terminologia “Filho” e “Pai” surgiu apenas depois da manifestação de Jesus para descrever a relação entre a existência de Deus além da humanidade, e como um ser humano foi concebido pelo poder do Espírito Santo – parece que não havia nenhuma pessoa distinta do Pai no Antigo Testamento (Hb 6:3).

Quero lhe dizer que não sou ignorante sobre as tantas passagens que parecem reivindicar uma pré-existência de Jesus no céu antes de sua chegada a terra. Mas te garanto, nenhuma delas dá suporte à teoria se forem devidamente interpretadas. E para aqueles que acreditam que estou sozinho nessa empreitada, sugiro que prestem atenção nas palavras do famoso expositor Metodista Adam Clark: “A doutrina da filiação eterna de Cristo, é em minha opinião, ante-escritural e altamente perigosa. Eu não tenho sido capaz de encontrar qualquer declaração expressa disto nas Escrituras”. (Comentário de Lucas 1: 35).

A cristologia ortodoxa baseia sua visão nas decisões dos concílios do que propriamente na palavra de Deus. A Igreja Evangélica, que se diz “contrária” ao posicionamento da igreja Católica Romana, também tem baseado seus ensinamentos sobre a divindade e humanidade de Jesus segundo o que declara estes concílios.

A velha tradição determinou a qualquer custo a igualdade de Jesus com Deus em essência, isso pelo fato dessa tradição ortodoxa extrema não permitir a Jesus uma personalidade humana PLENA, o que patenteou aquilo que mais ouvimos nos últimos 15 séculos: Jesus foi “homem” sem ser de fato “um homem” – Divino e Humano ao mesmo tempo. Essa doutrina foi desenvolvida justamente para preservar o conceito de que ele tinha preexistido como Segundo Membro da Trindade.

Outro problema enorme, e que muitos não consideram, é que essa conclusão de que Jesus era um ser pré-existente afeta de maneira drástica toda a teologia que gira em torno do sacrifício substitutivo causando também um conflito direto com outras reivindicações bíblicas que Jesus era um HOMEM REAL. Se iniciarmos uma leitura honesta de todos os textos, vamos descobrir formas bastantes diferentes comparados à interpretação convencional, o que pode causar espanto em muitos daqueles que começam a partir de uma posição de “preconcebida preexistência”. O importante em considerar aqui é que, se Jesus é um homem de verdade, então Ele começou sua vida em Seu nascimento, assim como todo o resto de nós. Observe a contribuição valiosa de Moisés para nosso contexto em discussão. Moisés, legislador e líder de Israel, que tipificava a vinda de outro Legislador (Jesus Cristo) disse à nação judaica: “O Senhor teu Deus suscitará a ti um profeta do meio de ti, de TEUS IRMÃOS, semelhante a mim, a ele ouvireis” (Deuteronômio 18:5).

No Novo Testamento Pedro citou essas mesmas palavras e aplicou-as a Jesus Cristo (Atos 3:22, 7:37), e Paulo ensinou: “Por isso convinha que ele fosse feito semelhante a seus irmãos…” (Hebreus 2:17).

Podem as palavras de Moisés acima se aplicarem a um anjo ou a um ser preexistente? Poderia tal pessoa ser verdadeiramente descrita como “levantou do meio de ti”, “de teus irmãos, como Moisés?”

Não há nessas referências uma pitada sequer de algo que nos dirija o pensamento para a crença de que Jesus foi formado de um estoque angelical, ou mesmo que era um ser preexistente. Mas, em vez disso aprendemos que ele foi alguém que teve origem entre os humanos. Deus disse a Moisés claramente, “… suscitarei um profeta do meio de seus irmãos!”

O Filho de Deus não existia antes desse tempo. Hebreus 1:1 afirma: “HAVENDO Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, a nós falou-nos nestes últimos dias pelo Filho”.

João declara que Jesus veio em carne (I Jo 4:2; II Jo 7). Ou seja, sua origem é deste mundo. O significado é estarrecedor se optarmos pela tradução da BLH em João 4:2, que diz: “É assim que vocês poderão saber se, de fato, o espírito é de Deus: quem afirma que Jesus Cristo veio como um ser humano tem o Espírito que vem de Deus”.

Jesus veio a esse mundo com a natureza dos nascidos em Adão porque ele é nascido de mulher! É o que Atos 17:26 esclarece quando afirma que Deus “… de um só sangue fez toda a geração dos homens, para habitar sobre toda a face da terra…”.

Jesus foi um homem e não uma criatura de outro mundo, um ser imortal ou uma divindade cósmica, como atesta Pedro em Atos 2:22, : “Jesus Nazareno, homem aprovado por Deus“.

Jesus era o filho de Davi, e a Davi foi dito: “Quando teus dias forem completos, e vieres a dormir com teus pais, então farei levantar depois de ti um dentre a tua descendência, o qual sairá das tuas entranhas, e estabelecerei o seu reino. Eu lhe serei por pai, e ele me será por filho…”. (2 Sam. 7:12-14). Observe que o texto afirma categoricamente que Jesus veio da descendência de Davi, negando enfaticamente ter sido ele um ser preexistente. Veja na expressão “o qual sairá das tuas entranhas” que a real origem do Messias é deste mundo. A profecia relaciona-se com Cristo, como o comentário do Novo Testamento sobre ele deixa claro (ver Lucas 1:32-33, Hebreus 1:5). Note bem o tempo futuro usado em relação a ele. Deus diz: “Eu serei seu pai,” ele “SERÁ meu filho”. Se Jesus já existia, não deveria Deus ter dito: “Eu sou seu pai”, “ele é meu filho?” Lembre-se que o Anjo disse a Maria: “Ele deve ser (não é!) Grande, e será chamado Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi, e reinará eternamente sobre a casa de Jacó para sempre, e seu reino não terá fim” (Lucas 1:32-33). Estas palavras do anjo Gabriel afirmam que Jesus “será chamado Filho do Altíssimo”, e ele reinará no trono de “Davi, seu pai.” Podem estas expressões se aplicar a alguém preexistente?

Considere também a pregação dos Apóstolos. Será que eles proclamaram a crença em um ser preexistente que havia assumido a forma humana? Eles não fizeram; ouça a pregação de Pedro: “Davi… sendo um profeta, e sabendo que Deus lhe havia prometido com juramento a ele, que do fruto de seus lombos, segundo a carne, levantaria o Cristo, para se sentar no seu trono” (Atos 2:30). A quem Davi acredita que sentaria no seu trono, um anjo ou um ser que já existia? Não, ele acreditava que aquele que reinaria seria “fruto de seus lombos”, isto é, um descendente. O menino que nasceu de Maria era descendente de Davi, não um ser preexistente assumindo a forma humana.

Como visto, a alegação trinitariana de João 1:1-3 não se sustenta se a interpretarmos lançando mão de todo o contexto das Sagradas Escrituras.

Deus seja louvado

(1) FILHO, Valdomiro – Comentário sobre João 8:58

(2) Mentes Bereanas – Resposta ao Leitor – Eu Sou

(3) Autor anônimo – A EXPRESSÃO “EU SOU” PROVA A DIVINDADE DE JESUS?

ELE é desde os tempos eternos

E tu, Belém Efrata, posto que pequena entre os milhares de Judá, de ti me sairá o que governará em Israel, e cujas saídas são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade”. Miquéias 5:2

De acordo com o Anchor Bible Commentary, Miquéias “… descreve o lugar a partir do qual algo sai, o lugar do nascer do sol, sair em uma viagem, uma campanha militar, o que tem aqui neste contexto relacionado ao Messias a conotação de” (saídas) ou (gerações), e referem-se a antiga linhagem de Davi, preservada nas velhas genealogias (Rute 4)”.

Este significado sugere que Miquéias está se referindo às garantias do pacto através da linhagem de Davi, que duraria para sempre, interpretado agora como antigas previsões de um Messias davídico para o tempo do fim  – Lucas 1:32; 2 Sm 7 onde diz, “Serei seu pai, e ele será meu filho“.

Miquéias pode estar fazendo alusão ao Messias passando pelas raízes de Davi, lembrando assim da pequena cidade de Belém-Efrata, de onde vem o clã da antiga dinastia davídica, enfatizando a expressão que aponta para o Senhor Jesus, (cuja origem é de tempos antigos, desde os tempos antigos). Assim, segundo a NTLH, a palavra “origens” em Miquéias 5:2 refere-se a sua (do Messias) descida da antiga família de Davi e não que ele era preexistente desde os tempos eternos,

O SENHOR Deus diz: – Belém-Efrata, você é uma das menores cidades de Judá, mas do seu meio farei sair aquele que será o rei de Israel. Ele será descendente de uma família que começou em tempos antigos, num passado muito distante”.

A NVI reforça ainda mais quando atesta,

 “Mas tu, Belém-Efrata, embora pequena entre os clãs de Judá, de ti virá para mim aquele que será o governante sobre Israel. Suas origens estão no passado distante, em tempos antigos”.

Na sequência apresentada pelas duas versões podemos captar  o verdadeiro sentido aqui em “cuja origem é de longo tempo”. Assim, Miquéias 5:2 refere-se a linha de descendência de Jesus, que, para os leitores judeus de Mateus, capítulo um, remonta a Abraão – O Messias é descrito como o filho de Davi, a descendência de Abraão, mas também como a semente da mulher (Gn 3:15). Portanto, as “saídas antigas” ou” origem num passado distante” do Messias como “a semente da mulher” se refere à sua descendência linear através de Abraão e Davi. Além disso, deve-se aqui incluir as profecias sobre o Messias como vindo através da tribo de Judá (Gênesis 49:10), e ele ser um israelita (Números 24:17-19).

É evidente que quando Miquéias 5: 2 diz do Messias: “Ó Belém …, de ti sairá [o Messias]”, isso só pode significar que, na sua existência única e terrena, ele se originou em Belém !

Nada aqui indica uma pessoa pré-existente.

Deus manifestado na carne

I Timóteo 3: 16

E sem controvérsia grande é o mistério da piedade: Deus foi manifestado na carne, justificado no Espírito, visto dos anjos, pregado aos gentios, crido no mundo, recebido na glória”. I Timóteo 3: 16

Outra tradução  apresenta  o versículo  da seguinte forma,

Evidentemente, grande é o mistério da piedade: Aquele que foi manifestado na carne foi justificado em espírito, contemplado por anjos, pregado entre os gentios, crido no mundo, recebido na glória

Um teólogo cristão, trinitariano confesso, declara que “1 Timóteo 3:16 fala de uma manifestação pessoal de Deus – Deus na segunda pessoa foi manifestado” (O  Impecável Cristo) [1]

Quando as controvérsias cristológicas estavam ocorrendo no século IV, não encontramos a maioria fazendo  referência ao “Deus  manifestado na carne” usando este tipo de versão identificando Jesus como Deus.  A palavra “Deus” começou a aparecer em muitas traduções anos mais tarde. A palavra aparece  pela primeira vez em manuscritos após o dogma trinitário ter sido  desenvolvido e canonizado, o que nos revela que foi  uma alteração óbvia feita depois. Os manuscritos mais antigos e melhores não tem a palavra “Deus” ( theos ) em 1 Timóteo 3:16.

Por outro lado,  se a palavra Deus estava mesmo no original, por que a maioria dos sábios  gregos, que tiveram acesso a numerosos manuscritos, não foram capazes de manter a versão que incluiu o nome de Deus [Theos],  apesar de alguns desejarem que  a palavra  permanecesse no texto? Obviamente eles não aceitaram como autênticos os manuscritos que fazem esta distinção.

Vejamos algumas das traduções mais importantes dessa passagem e observe como ficou a parte principal do texto:

” Ele que foi manifestado na carne “(ASV)

” Ele foi manifestado na carne “(RSV)

” O que foi manifestado na carne “(Douey-Rheims)

” Quem foi manifestado na carne “(NAB)”

As versões em português diferem entre si. A  Revista e atualizada da Imprensa Bíblica diz,

E, sem dúvida alguma, grande é o mistério da piedade: Aquele que se manifestou em carne, foi justificado em espírito, visto dos anjos, pregado entre os gentios, crido no mundo, e recebido acima na glória”.

A Tradução na Linguagem de hoje atesta,

“Sem nenhuma dúvida, é grandiosa a verdade revelada da nossa religião. Essa verdade é a seguinte: Ele se tornou um ser humano, foi aprovado pelo Espírito de Deus, foi visto pelos anjos, foi anunciado entre as nações, foi aceito com fé por muitos no mundo inteiro e foi levado para a glória“.

A João Ferreira de Almeida Atualizada diz,

E, sem dúvida alguma, grande é o mistério da piedade: Aquele que se manifestou em carne, foi justificado em espírito, visto dos anjos, pregado entre os gentios, crido no mundo, e recebido acima na glória!”

Entre estas encontramos também algumas versões católicas que omitem o nome de Deus no texto

A Ave Maria

Sim, é tão sublime – unanimemente o proclamamos – o mistério da bondade divina: manifestado na carne, justificado no Espírito, visto pelos anjos, anunciado aos povos, acreditado no mundo, exaltado na glória!”

CNBB

De fato, como é grande o mistério da piedade: ele se manifestou na carne, foi justificado no espírito, apareceu aos anjos, foi anunciado aos pagãos, foi acreditado no mundo e exaltado na glória”.

Há uma versão católica chamada a Bíblia Sagrada, versão está mais próxima da  Bíblia de Jerusalém, tão apreciada pelos católicos romanos, que  também apresenta o texto sem a palavra Deus,

De facto, como é grande o mistério da piedade: ele manifestou-se na carne, foi justificado no Espírito, apareceu aos anjos, foi anunciado aos pagãos, foi acreditado no mundo e exaltado na glória!”

A Standard Version, tradução inglesa, também omite o nome de Deus:

Great indeed, we confess, is the mystery of godliness: He was manifested in the flesh, vindicated by the Spirit, seen by angels, proclaimed among the nations, believed on in the world, taken up in glory

Algumas traduções insistem com a frase “Deus foi manifestado na carne“, mas o Códice Alexandrino, um dos primeiros e a maioria dos manuscritos completos da Bíblia,  considerados  por estudiosos como os melhores e mais fiéis aos originais, se lê:  “que foi manifestado na carne“.

Aqui é 1 Timóteo 3:16, no grego:

καὶ ὁμολογουμένως μέγα ἐστὶν τὸ τῆς εὐσεβείας μυστήριον• ὃς ἐφανερώθη ἐν σαρκί, ἐδικαιώθη ἐν πνεύματι, ὤφθη ἀγγέλοις, ἐκηρύχθη ἐν ἔθνεσιν, ἐπιστεύθη ἐν κόσμῳ, ἀνελήμφθη ἐν δόξη.

Esta é a tradução direta do grego de 1 Timóteo 3:16: ” E, confessadamente, grande é o mistério da piedade: Quem foi manifestado em carne …. “

A palavra grega Hos  é a palavra “quem”, “que” “ou aquele que”, que é incorretamente traduzida como “Deus”.

Ho, Hos & Theos

Existem três possibilidades neste texto: ho (“que”), hos (“quem”), e  theos . (“Deus / divindade”). Os dois primeiros são atestados em manuscritos antigos. Assim, deve-se procurar outro lugar para descobrir qual deles foi que  Paulo originalmente usou.

A leitura, “Deus manifestado na carne” (theos ephanerothe en sarki) é encontrada na versão do Rei James, que é baseado no Textus Receptus ou Texto Recebido,  trabalho feito por Desiderius Erasmus e publicado em 1516. A posição padrão nos modernos estudos bíblicos é que o Receptus é um texto inferior, uma vez que é baseado em manuscritos mais tardios de tradição bizantina (século 12 e 13), como o Prof Raymond Brown afirma, “… no final do século 19 finalmente foi vencida  a batalha para substituir o Texto Receptus inferior  por novas edições do NT grego com base em grandes  códices e outras evidências disponíveis desde o tempo de Erasmus… “[2]

 O erudito em grego Michael A Barber resume a situação do TR nos  seguintes termos:

Os tradutores da versão do Rei James da 1611 usaram  o Textus Receptus, Texto Recebido, por sua tradução. Naquela época este texto grego foi tão altamente respeitado que muitos consideraram ser inspirado por Deus. Seu texto é lidoDeus foi manifestado na carne.” No entanto, o valor do Receptus já foi desacreditado por estudiosos e substituído pelos três principais manuscritos (entre outros), todos eles bem mais antigos, e, portanto, mais perto dos escritos originais  inspirados: O Vaticano, manuscrito n º 1209 do século 4, o manuscrito do Sinai também do século 4 (descoberto por Tischendorf em um mosteiro ao pé do Monte Sinai, em 1844) e o manuscrito Alexandrino do século 5 “. [3]

O texto em questão foi provado ter sofrido alteração. Em ambos, o Codex Sinaiticus e o Vaticanus a leitura original era “hos ephanerothe en sarki” com o  relativo pronome “hos” em vez de o substantivo “theos”, como encontrado no Textus Receptus. Qualquer criança pode perceber  a diferença entre um pronome e um substantivo, o que nos deixa a suspeita de que o texto sofreu uma alteração. A questão é:  como  a mudança ocorreu?

Na verdade, temos uma ideia muito provável de como esta corrupção aconteceu. Alguns  escribas utilizavam rotineiramente uma forma contraída da palavra grega para “Deus” chamado de “nomina sacra”, que foi usada em uma data muito cedo na história cristã para nomes sagrados. A palavra grega para “Deus” é theos escrito no alfabeto grego como Θεός. As abreviaturas dos copistas correspondentemente tomou a forma  Θς  ou   θΣ. Agora, a palavra grega para “quem”,  é a palavra hos que está escrito em grego como Oς , ou OΣ. Agora, observe a semelhança entre essas duas palavras: θΣ – OΣ – são praticamente idênticas.  Mas também seria muito fácil para um escriba exagerado supor que ele estava fazendo um favor a Deus e executar uma falsificação aqui mudando o manuscrito. Com um golpe de sua pena mudaria completamente o significado do verso fazendo com que o leitor, ou o copista seguinte pudesse ler  θΣ  ao invés   de OΣ.

Fig 1Observe o quadro ao lado para que você tenha uma ideia das abreviaturas; e repetindo: Hos, [quem, ou, que] na aparência do grego, é OΣ (omicron e sigma), enquanto a abreviatura de theos, que é chamado de nomina sacra, ou seja, nome sagrado, aparece como θΣ (teta e sigma) com uma linha horizontal na parte superior do sigma. Em grego para alterar um sigma a uma omicron basta adicionar uma linha horizontal no meio do O que irá produzir um θ, theta. Assim, o escriba, ou o tradutor da Escritura, ao ver a abreviação de Deus, teve como certa a tradução de  θΣ para Θεός.

Outras evidências  nos manuscritos,

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Evidencia Interna

O contexto imediato e o pensamento paulino

Paulo, aqui no contexto em debate, está falando sobre o mistério que se manifestou. Em 2 Timóteo diz ele, “Deus que nos salvou e nos chamou com uma santa vocação, não segundo as nossas obras, mas segundo o seu próprio propósito e  a graça que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos eternos (2 Tm 1: 8-9). Isso é quase idêntico ao que ele diz em Romanos: “Ora, àquele que é poderoso para vos confirmar segundo o meu evangelho e a pregação de Jesus Cristo, conforme a revelação do mistério que desde tempos eternos esteve oculto“(Rm 16:25). E em Efésios, ele diz, “Descobrindo-nos o mistério da sua vontade, segundo o seu beneplácito, que propusera em si mesmo, de tornar a congregar em Cristo todas as coisas, na dispensação da plenitude dos tempos, tanto as que estão nos céus como as que estão na terra“(Ef 1:9-10), e “… demonstrar a todos qual seja a dispensação do mistério, que desde os séculos esteve oculto em Deus, que tudo criou por meio de Jesus Cristo“(3:9) e “Grande é este mistério; digo-o, porém, a respeito de Cristo e da igreja” (5:32). Ainda Paulo: “E por mim; para que me seja dada, no abrir da minha boca, a palavra com confiança, para fazer notório o mistério do evangelho“(6:19), que  ele também chama de “o mistério de Cristo” (Colossenses 4:3). Quanto ao mistério é o próprio Cristo que se revelou a nós por Deus. Ele nos diz em Colossenses,” a glória deste mistério , que é Cristo em vós , a esperança da glória “(Cl 1:27; veja 1 Coríntios 1:30; 2:7). O mistério de Deus é  Cristo Jesus, seu Filho, que  é a manifestação carnal de seu mistério. Portanto, o versículo faz justiça quando é traduzido  que “grande é o mistério da piedade que se manifestou em carne, foi justificado em espírito …”

Além disso, também não houve sentença final  no texto grego. Se a palavra “que” é a junção adequada, a passagem realmente diz em grego, “grande é o mistério da piedade que se manifestou em carne, foi justificado em espírito …” No entanto, se a palavra “Deus” é usada temos uma pausa abrupta no fluxo da frase, “grande é o mistério da piedade. Deus se manifestou em carne, foi justificado em espírito …” A tradução que usa a palavra “quem” ou “o que” é muito mais suave e natural. Não só isso, é o estilo típico paulino para compor e executar as sentenças.

Deus foi justificado no Espírito?

Outro problema associado com o “Deus” Criador do mundo, o Espírito Eterno, Santo, Imutável e Glorioso, é que se continuamos insistindo na leitura posicionando este Deus dentro do texto, então devemos acreditar que  Deus foi justificado em Espírito. Não faz sentido dizer que Deus foi justificado em Espírito, Deus foi visto por anjos, Deus foi pregado entre os gentios, Deus foi crido no mundo, e Deus foi recebido na glória, tudo isso  quase três mil anos depois da criação de  Deus. Seria preciso criar uma espetacular manobra teológica para dobrar o bom senso de qualquer pessoa neste mundo se tentamos explicar que Deus foi recebido na glória se ele mesmo viveu/vive em glória todo o tempo, ou que foi justificado em Espírito e foi finalmente crido no mundo se centenas de anos antes do advento de Cristo um incontável números de pessoas já haviam acreditado em Deus.

Em Colossenses 1:27, lemos: “a glória deste mistério entre os gentios, que é Cristo em vós, esperança da glória“. O pronome relativo usado aqui é o pronome relativo masculino hos que remete para o substantivo neutro “mistério”. Isto é quase idêntico ao que encontramos em 1 Timóteo 3:16 que termina com a frase “recebido na glória.” Daí podemos ver que hos é o pronome relativo provável para ser usado em 1 Timóteo 3:16.

Então, quando nós revisamos toda a evidência, a solução é fácil de ver. A evidência histórica e textual indica que a palavra “Deus”  não estava no texto original. Todas as objeções com base em razões  gramáticas e teológicas são nada mais que falatórios vãos. Cristo é o mistério em questão, e por esse motivo a passagem deve ser lida da seguinte forma: “grande é o mistério da piedade [quem/o que/aquele que] foi manifestado na carne, justificado no espírito … “. Obviamente depois da leitura profunda e meditativa do texto percebemos o total sentido com o resto das Escrituras, usando uma ou outra palavra, seja “quem” ou “qual” ou “que” ou “aquele que” em vez da palavra “Deus”, que é um erro óbvio ou falsificação. Não importa o tamanho dos protestos ao contrário destes novos apologistas que querem a todo custo que a palavra Deus esteja no texto.

Portanto, obviamente escribas  do século quarto e quinto, os quais estavam tendo uma crise na Igreja a respeito da natureza de Cristo e sua relação com Deus,  negligenciaram a parte principal do texto. Quem os  induziu? Só  uma religião no mundo estaria interessada nestas mudanças extraordinárias.

O que dizem os eruditos do Grego?

Há duas maneiras de abordar esta anomalia na Crítica Textual. Alguns estudiosos afirmam que a mudança foi acidental sem quaisquer motivos teológicos por trás dela, enquanto outro grupo de estudiosos argumentam que ela foi feita intencionalmente com  implicações  óbvias teológicas. James White em seu livro The King James Controvérsia favorece a posição anterior. O principal crítico textual Bruce Metzger em seu texto do Novo Testamento menciona brevemente o erro em 1 Timóteo 3:16 como um item no âmbito da discussão de “alterações não intencionais”, sob a rubrica de “erros decorrentes da VISÃO defeituosa”. Em seu trabalho de 1968 ele favorece a posição de mudança acidental. [4] Em um trabalho posterior (1975), no entanto, ele admite mudança intencional como uma possibilidade  do que aconteceu com o texto. Ele explica isso da seguinte forma:

“… todas as versões antigas pressupõem ὅς, e nenhum escritor patrístico antes do  século quarto testemunha  θεός como  leitura. A leitura θεός surgiu  acidentalmente  através da leitura errada da ος como ΘΣ, ou deliberadamente…  ou  para proporcionar uma maior precisão dogmática. “[5 ]

O  professor Bart Ehrman favorece uma outra opção:

A mudança deve ter sido feita muito cedo, pelo menos durante o terceiro século dado o seu atestado difundido a partir do século IV. Ela pode, portanto, ser melhor explicada como uma anti-corrupção adocionista que enfatiza a divindade de Cristo “. [6]

Outro erudito, Misquoting,  afirma: “Este seria um exemplo de uma…  alteração textual feita para contrariar a alegação de que Jesus era plenamente humano…”. [7]

Andreas Kostenberger e Michael Kruger  concordam que houve uma interrupção do  escriba em 1 Timóteo 3:16 e que a leitura original não é “Deus manifestado na carne”. [8]

A posição de outros doutores do grego,  Keith Elliot e Ian Moire,  dá suporte  a uma tese defendida por muitos,  embora pouco difundida,

Outra razão para a mudança deliberada de ‘quem’ para ‘Deus’ é que a igreja pode ter desejado aqui  enfatizar sua crença na divindade de Jesus …” Deus “foi a leitura preferida de uma geração posterior e a mudança nos manuscritos não era mera leitura errada acidental”. [9]

Depois de elaborar os  relatórios sobre os resultados da crítica textual  sobre o texto, os  estudiosos da Bíblia, e teólogos,  Sir Anthony Buzzard e Charles F. Caça escrevem:

Alguns manuscritos inseriram  a palavra” Deus “para as palavras” quem. “A alteração é admitida por tradutores modernos como sendo  injustificada. “Deus” é o mais improvável de ter feito parte dos manuscritos mais antigos. Tais interpolações, como a adição espúria trinitária famosa  em 1 João 5:7, que é omitida pelas traduções modernas, sugere que alguém estava tentando forçar uma nova idéia sobre o texto original“. [10]

Repetindo o mesmo ponto  no seu mais recente trabalho, ele escreve:

“… Versões  modernas tem corrigido a palavra” Deus “para” Quem “. A alteração do  original “Quem “(em grego ὅς) foi muito furtivamente realizado quando alguns escribas mudaram o (omicron) O em um θ (teta), dando a luz θς (teta sigma). A leitura THS foi uma forma abreviada  da palavra grega theos, Deus. Tudo o que tinha que ser feito era desenhar uma linha  por todo o meio do “O” para produzir a letra grega teta (θ). Em seguida, o texto foi feito ao som trinitáriano para apoiar a Encarnação: “… Deus foi manifestado na carne”. “Quem” (Oς) foi mudado para “Deus “(θς)” [11]

Outro erudito,  Michael Barber,  escreve:

Os manuscritos muito antigos tinham abreviações de palavras comumente utilizadas, tais como THE.OS “,” Deus “, e KU’RI. OS,” Senhor “.  A abreviatura de THE.OS foi ΘΣ (com uma linha horizontal no topo ). No entanto, se não fosse por essa linha horizontal seria  idêntico ao OC, palavra que significa “quem”.  No manuscrito Alexandrino  se lê originalmente OC, que mais tarde  acrescentou essa pequena linha  mudando a leitura para ΘΣ, THE.OS, Deus. Foi só um  exame ao microscópio que revelou isso!”

A leitura de “Deus” é tão irrelevante em termos de fornecer qualquer significado material para a cristologia do Novo Testamento que Raymond Brown ao discutir as duvidosas referências bíblicas que usam o título de “Deus” como uma referência a Jesus, relega a Timóteo 1 3:16  apenas uma nota de rodapé e observações:

Vou discutir apenas aqueles que eu acho que tem algum mérito, ignorando, por exemplo, 1 Timóteo 3:16, onde algumas testemunhas têm uma referência a Deus sendo manifestado na carne, em vez de uma referência pronominal a Jesus. O certificado para tal leitura não é forte o suficiente para justificar uma consideração séria“. [13]

Essa   adulteração  no texto de Timóteo 3:16 pode ser explicada  por causa da  tendência de alguns tradutores  a favor  da divindade do Senhor Jesus numa época em que a doutrina corria a todo vapor depois do anuncio de que Ele e o Pai sempre foram um em essência. Na verdade, muitos desses tradutores trabalhavam  cercados pelo ambiente austero da Igreja mãe.

Infelizmente, não só aqui em 1 Timóteo 3:16, como também em inúmeros outros textos, algumas  Bíblias modernas perpetuaram o erro, tao somente acreditando que oferecem vantagens para ajudar os leitores com passagens obscurecidas pela linguagem mais antiga. No entanto,  o que acabaram fazendo  foi  que destruíram  todo o contexto relacionado.

Devemos estar vigilantes para que as verdades importantes não sejam perdidas na pressa de fazer a Bíblia “legível” para os ouvidos modernos.

Em conclusão, se 1 Timóteo 3:16 mudou deliberadamente ou acidentalmente, não importa. O que todos os especialistas da Bíblia KJV ,excluindo  os grupos  fundamentalistas,  concordam,  é que a leitura original de 1 Timóteo 3:16 não tem “Deus” no mesmo. A palavra theos foi  uma inserção posterior, isto é, uma corrupção do texto.

References:

[1] Best, W. E. (1971). The Impeccable Christ. U.S. : Lightning Source Inc. p. 23

[2] Brown, R. E. (1997). An Introduction to the New Testament. U.S. : Yale University Press. p. 52

[3] Barber, M. A. (2006). Should Christians Abandon the Doctrine of the Trinity?. Boca Raton, Florida: Universal Publishers. p. 47

[4] Metzger, B. M. (1968). The Text of the New Testament : Its Transmission, Corruption, and Restoration, 2nd ed. Oxford: The Clarendon Press. p. 187

[5] Metzger, B. M. (2002). A Textual Commentary on the Greek New Testament, 4th ed. London: United Bible Societies. pp. 573-574

[6] Ehrman, B. D. (1993). The Orthodox Corruption of Scripture: The Effect of Early Christological Controversies on the Text of the New Testament. Madison Avenue, New York: Oxford University Press.

[7] Ehrman, B. D. (2005). Misquoting Jesus: The Story Behind Who Changed the Bible and Why. New York: HarperSanFrancisco. pp. 157-158

[8] Kostenberger, A. J., & Kruger M. J.(2010). The Heresy of Orthodoxy: How Contemporary Culture’s Fascination with Diversity Has Reshaped Our Understanding of Early Christianity. Wheaton, Illinois: Crossway. p. 222

[9] Elliot, K., & Moir, I. (1995). Manuscripts and the Text of the New Testament: An Introduction for English Readers. London: T&T Clark Ltd. p. 73

[10] Buzzard, A., & Hunting, C. F. (1998). The Doctrine of the Trinity: Christianity’s Self-Inflicted Wound. Lanham, Maryland: International Scholars Publications. p. 303

[11] Buzzard, A. (2007). Jesus Was Not a Trinitarian: A Call to Return to the Creed of Jesus. Morrow, Georgia: Restoration Fellowship. pp. 257-258

[12] Barber, M. A. Op. Cit. p. 48

[13] Brown, R. E. (1994). An Introduction to New Testament Christology. Mahwah, New Jersey: Paulist Press. p. 177

A Divindade do Messias

É claro que sempre que o Messias aparece ele acaba por ser o agente do Deus de Israel. Isso deve ser claramente distinguido de qualquer sugestão de que ele foi em si mesmo uma figura transcendente, existindo de modo sobrenatural dominador do espaço e do tempo. Este Messias era esperado para vir da tribo de Judá e da linhagem real do rei Davi. As genealogias de Mateus e Lucas, de fato, inclui Jesus entre os descendentes de Davi (Mt 1.1, 6; Lc 3,31).

Jesus foi um homem como nós, sujeito ao ambiente humano tanto quanto qualquer um de nós. Certamente por não entenderem o que seja uma pré-existência no céu com o Pai ajude aos apologistas da cristologia tradicional desaparecer com sua experiência humana a um ponto de colocá-lo muito além da capacidade de se relacionar com qualquer um de nós. Como poderia então ser ele o descendente de Abraão em Hebreus 2:16-18 ou o “homem nascido de mulher” de Gálatas 4:4?

Se Jesus foi humano de uma maneira diferente de nós, onde estaria a validade das comparações entre ele e Adão? De acordo com  Romanos 5:12-21, por um homem entrou o pecado no mundo, e, portanto, para que houvesse justificação, a redenção teria que vir por outro homem, outro Adão.  O que é enfatizado repetidas vezes é que o Messias foi como um de nós, intimamente relacionado com aqueles a quem ele deve resgatar. Em parte alguma neste contexto deve ser exigida qualquer nuança de divindade.

Da mesma forma é 1 Coríntios 15:21 “Porque, assim como por um homem veio a morte, por um homem veio também a ressurreição dentre os mortos“. O que se segue é outra comparação entre Jesus e Adão. Não seria realmente justo sendo Adão um homem simples e Jesus a encarnação da divindade.

A propósito, como esse tipo de refutação e argumentos inevitavelmente geram perguntas, e perguntas extremamente complicadas, tenho aqui algumas. Por exemplo: Quando Deus aparentemente abandonou seu Filho na cruz, quem ele abandonou, um homem completo ou um corpo humano com o centro pessoal abarrotado de divindade? Será que foi apenas uma questão do “Deus Filho” entregando o corpo humano e retornando para a existência que gozava antes de ser ‘encarnado’ nele mesmo?

Vamos examinar um problema. Quem morreu na cruz? Se foi uma divindade, então não é o sacrifício perfeito. Ninguém em total divindade, sendo 100% Deus, poderia expiar os pecados de toda a humanidade ou atender às exigências do sacrifício. E se aquele que morreu na cruz era Deus, então Deus ficou morto por “três dias”? É consistente com o Antigo Testamento expressar algo desse tipo? E se o Doador da Vida foi mesmo morto, quem mais poderia trazer de volta à vida? Quem cuidou do universo antes da ressurreição de Jesus – Deus?

Infelizmente são perguntas geradas por causa do ensino herético que a cristologia tradicional desenvolveu.

A maioria dos estudantes da Bíblia diz que Jesus era divino quando aqui andou, mesmo considerando que ele era um mortal. Outros, geralmente limitam o termo “divino” como aplicado a Jesus só depois de sua ressurreição, pois eles misturam o significado de “divino” com a “imortalidade” no reino do espírito. Porém, eu acredito que as Escrituras indicam que um maior uso dos termos “divindade” e “divino” podem ser aplicados. Há um sentido bíblico em que Jesus como um ser humano poderia ser visto como divino por causa do domínio, de levar o nome de Deus e agir na autoridade de Deus.

Em alguns casos as palavras hebraicas EL e ELOHIM são usadas no sentido de ser divino exclusivamente para seres espirituais, como no Salmo 8:5. No entanto, os hebreus também usaram as palavras que designam divindade em um sentido de potência especial, mesmo dos seres humanos.  Moisés foi feito, não um ser divino, mas divino, poderoso para o Faraó do Egito, e também para Arão, quando o Senhor falou que Moisés lhe seria por Deus, ou porta-voz de Deus (Êxodo 4:16; 7:1). Assim Moisés pode ser referido como um ser humano divino.

O termo Ha Elohim é aplicado aos juízes de Israel como um corpo de homens, não como seres espirituais (Êxodo 21:6; 22:8, 9, 28 [Ver Atos 23:5], de modo que estes homens poderiam ser referidos como “divinos”, embora humanos. Além disso, no Salmo 82, os termos EL e ELOHIM estão sendo aplicadas para os filhos humanos de Deus. Assim eles poderiam ser referidos como divinos, mesmo sendo humanos. Em cada um desses casos, os seres humanos poderiam ser “divinos” por causa de poderes especiais, como também por causa da própria missão dadas a eles por Deus.

Da mesma forma, a Jesus, como ser humano, foi dado poderes especiais para realizar várias obras e milagres, e para falar no lugar do único Deus verdadeiro. Portanto, neste sentido, Jesus também pode ser referido como divino, poderoso, até mesmo como um ser humano.

É claro que, depois de sua exaltação (Atos 2:33; 5:31; Filipenses 2:9), ele agora é literalmente divino, (1 Coríntios 15:45) sendo maior do que os anjos (Hebreus 1:3, 4), que também são chamados elohim – seres divinos, Salmo 8:5; Hebreus 2:7.

Uma observação digna de nota é Hebreus afirmando categoricamente que o Senhor Jesus após sua ressurreição foi feito maior que os anjos,

O qual, sendo o resplendor da sua glória, e a expressa imagem da sua pessoa, e sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, havendo feito por si mesmo a purificação dos nossos pecados, assentou-se à destra da majestade nas alturas; feito tanto mais excelente do que os anjos, quanto herdou mais excelente nome do que eles”.  Hebreus 1:3, 4

Jesus tinha a natureza divina enquanto era um ser humano? Não! Jesus não poderia ter a divindade exigida por muitos, pois o mesmo livro de Hebreus também afirma que nessa condição ele foi feito menor que os anjos.

Vemos, porém, coroado de glória e de honra aquele Jesus que fora feito um pouco menor do que os anjos, por causa da paixão da morte, para que, pela graça de Deus, provasse a morte por todos”. Heb 2:9

O escritor, o apresentando em sua paixão e morte, declara sua condição humana lembrando em suas palavras do homem que aqui andou, quando enfatiza sobre “aquele Jesus”.

Necessário dizer aqui que Jesus não foi feito um pecador, como toda a humanidade tem sido através de Adão (Romanos 5:19), nem mesmo viu a corrupção a qual toda a humanidade participa através de Adão (Eclesiastes 1:15. Jesus nunca se corrompeu, mesmo que tenha sofrido sob o cativeiro da corrupção (Romanos 8:23), à semelhança da carne do pecado (Romanos 8:3). Ele morreu, o justo pelos injustos (1 Pedro 3:18). É digna de observação essa ênfase, o homem justo pelos homens injustos, o que não haveria necessidade de citar se ele fosse mesmo Deus. Assim, só Jesus, que permaneceu obediente até a morte, poderia oferecer ao Altíssimo um sacrifício pelo pecado. (Romanos 8:3 ; Efésios 5:2 ; Hebreus 9:14; 0:10 , 12 , 14 , 18). Jesus fez provar por si mesmo a incorruptibilidade pela sua perfeita obediência e, assim, ele trouxe vida e imortalidade através das boas novas. (2 Timóteo 1:10). Esta é a base para a crença em Jesus, e, portanto, a base para o verdadeiro cristianismo.

Se, por outro lado, Jesus foi o Altíssimo e divino na carne, como muitos afirmam, então nenhum resgate foi fornecido, pois ele é julgado por muitos como perfeito porque era Deus. Em outras palavras, isso significa dizer que Jesus venceu como Deus provando que só uma divindade poderia obedecer as leis de Deus para o homem. Isso gera problemas para Deus, pois implica afirmar que Ele  errou em dar ao homem uma lei de comando que não poderia ser obedecida, o que faria dele injusto em condenar toda a humanidade por não obedecer essa lei. Na verdade, essa teoria de que houve obediência porque Jesus era divino perfeito, falha, pois se fosse dessa forma Ele não teria “condenado o pecado na carne” (Romanos 8:3), a carne de Adão, que era a carne dele próprio.

Apesar de tudo, muitos ainda dizem que Jesus tinha uma natureza dual, que era 100% homem e 100% Deus. O problema é que ninguém explica o que aconteceu com a parte humana de Jesus se ele era 100% divino. Onde estava a natureza humana de Jesus se ele e Deus eram um?

Alguns complicam ainda mais quando garantem que Jesus era mesmo o logos eterno habitando seu corpo, o próprio Espírito de Deus, caso em que Jesus não teria sido “totalmente” humano – o que aconteceu ao espírito deste homem? A humanidade de Jesus não é contestada por ninguém.  Alguém pode explicar: Se Jesus é totalmente Deus, então Deus é totalmente homem? A teoria do Deus-homem total é impossível explicar com sinceridade.  Por outro lado, entendemos, literalmente, que divindade alguma pode habitar na carne,

Dan 2:11  “Porque o assunto que o rei requer é difícil; e ninguém há que o possa declarar diante do rei, senão os deuses, cuja morada não é com a carne”.

Nascido de Mulher

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Mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei“, Gálatas 4:4.

Em sendo Jesus, Deus, segundo a teologia cristológica convencional, temos aqui a revelação bombástica de como Deus veio parar nesse mundo: “Nascido de mulher, nascido sob a lei”.

Mas, como são os nascidos de mulher, são deuses ou são humanos? Obviamente os nascidos de mulher fazem parte da raça caída – assim são todos os que foram gerados depois da queda. Portanto, Jesus também está incluído dentre os que foram nascidos de mulher. Ele, como o último Adão, veio na qualidade de ser humano, sem nenhum vestígio de natureza celestial. É o que o versículo a seguir afirma. E por sinal, é uma afirmativa muito séria, um significado abandonado pelos adeptos da doutrina do Deus homem:

Rom 6:6 “Sabendo isto, que o nosso homem velho foi com ele crucificado, para que o corpo do pecado seja desfeito, para que não sirvamos mais ao pecado“.

O versículo sugere duas coisas importantíssimas: Que Jesus veio na qualidade de velho homem e que veio com o corpo do pecado. Se assim não foi, então ainda estamos em débito com Deus. Porém, a verdade explícita no contexto é que ele realmente se apresentou como nosso substituto; de outra forma ele não teria pago a dívida por nós. Nesse contexto não podemos atribuir a ele a natureza de Deus.

Portanto, o ultimo Adão, Jesus, acabou com a velha criatura por que representava a velha criatura. Ele não podia ter feito isso se viesse a esse mundo com a natureza dos céus. Assim, Jesus era só homem. Ou seja, ele foi totalmente humano. Em contrapartida, o efeito de todo o sacrifício e morte foi a criação do novo homem, criado em Deus e não por Mulher.

Efe 2:15 “Na sua carne desfez a inimizade, isto é, a lei dos mandamentos, que consistia em ordenanças, para criar em si mesmo dos dois um novo homem, fazendo a paz“.

Efe 4:24 “E vos revistais do novo homem, que segundo Deus é criado em verdadeira justiça e santidade“.

Na condição de representar o velho homem, Jesus adentrou neste mundo “…em semelhança da carne do pecado” (Rom 8:3), feito menor que os anjos, não possuindo a natureza de Deus. É exatamente isso que Paulo esclarece em I Coríntios 15:

40-43 E há corpos celestes e corpos terrestres, mas uma é a glória dos celestes e outra a dos terrestres… Assim também a ressurreição dentre os mortos. Semeia-se o corpo em corrupção; ressuscitará em incorrupção. Semeia-se em ignomínia, ressuscitará em glória. Semeia-se em fraqueza, ressuscitará com vigor.

Jesus não foi exceção, pois ele também está incluído nessa seleção. Observe os versículos e você descobrirá que o corpo incorrupto só é dado após a ressurreição. Portanto, é muito simples entender que Jesus veio a esse mundo com um corpo igual ao dos nascidos de mulher, mas, como diz o texto, que como “… Semeia-se o corpo em corrupção; ressuscitará em incorrupção” sabemos que ele “ressuscitou em glória”, e, somente a ele foi dado um nome que está acima de todo o nome.

45 Assim está também escrito: O primeiro homem, Adão, foi feito em alma vivente; o último Adão em espírito vivificante.

Jesus foi feito Espírito vivificante porque ele ressuscitou dos mortos, o que ainda não ocorreu com Adão. E observe que Paulo chama Jesus de o “último Adão”. O verso seguinte atesta sobre a ordem que foi estabelecida,

46 Mas não é primeiro o espiritual, senão o natural; depois o espiritual.

Aqui ele não está fazendo referência a Adão como o natural e a Jesus como o espiritual. O que o texto quer dizer é que, primeiro Jesus veio a esse mundo como o homem natural e depois foi revestido de um corpo espiritual.

O que tento explicar pode ser esclarecido melhor com dois versículos citados a seguir, que afirmam claramente que o homem natural, representado por Jesus, que também foi nascido de mulher, mudou toda a ordem das coisas nos dando livramento do pecado,

Portanto, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens por isso que todos pecaram”.

Observe agora abaixo que são citados indiretamente dois homens, Jesus e Adão. Um deles, Adão, foi responsável pela entrada do pecado ao mundo, e o outro, Jesus, tirou os pecados do mundo,

Porque, se pela ofensa de um morreram muitos, muito mais a graça de Deus, e o dom pela graça, que é de um só homem, Jesus Cristo, abundou sobre muitos”.

Evidente que Jesus foi o único que não cometeu pecado. E o versículo apresentado acima também revela que são citados dois seres humanos e não um humano e um homem-Deus. O que é visto no texto é uma outra comparação entre Jesus e Adão. Não seria realmente justo sendo Adão um homem simples e Jesus a encarnação da divindade.

A ordem da criação apresentada abaixo também atingiu Jesus, que veio a esse mundo trazendo as sequelas dos caídos em Adão – ele não tinha duas naturezas, a divina e a humana.

Ora, o segundo homem foi criado em Deus, como dito no verso anterior de Efésios 4:24.

Não há dúvida, Jesus como nascido de mulher também foi alcançado pelo contexto apresentado abaixo em 1 Corintios 15:

47 O primeiro homem, da terra, é terreno; o segundo homem, o Senhor, é do céu.

48 Qual o terreno, tais são também os terrestres; e, qual o celestial, tais também os celestiais.

49 E, assim como trouxemos a imagem do terreno, assim traremos também a imagem do celestial.

Aqui sabemos que Jesus, como todos nós, trouxemos para este mundo a imagem do homem terreno. Entretanto, como ele, nós também seremos revestidos do corpo celestial. Portanto, Jesus não veio a esse mundo trazendo a natureza de Deus, mas sim a natureza de Abraão (Heb 2:16). Como Jesus, que foi lembrado ser da semente de Abraão, outros também o foram:

Sal 105:6 Vós, semente de Abraão, seu servo, vós, filhos de Jacó, seus escolhidos. Não estamos tratando aqui de deuses, mas sim de seres humanos, nascidos de mulher.

Observe esse diálogo de quando o Senhor Jesus foi abordado por um jovem que lhe disse, “Bom mestre, que farei para herdar a vida eterna“, ele poderia muito bem ter acrescentado: “Por que me chamas bom, dos nascidos de mulher não há nada bom, bom só Deus”, Marcos 10:18. O que Jesus esclarece aqui para este jovem é simplesmente que ele não era [um] Deus.

O Jesus judeu, o homem e carpinteiro de Nazaré, que cumpriu toda a lei, morreu para sempre. Pertencemos a outro,

ROM 7:4 Assim, meus irmãos, também vós estais mortos para a lei pelo corpo de Cristo [ o ultimo Adão ], para que sejais de outro, daquele que ressuscitou dentre os mortos, a fim de que demos fruto para Deus.

“… ainda que tenhamos conhecido Cristo segundo a carne, contudo agora já não o conhecemos deste modo”. 2 Co 5:16

Assim, todo o contexto citado até aqui revela Jesus como homem, nascido como foram todos nós, participante de uma semente corruptível. E o que é corruptível [terreno e humano] tem que se revestir de incorruptibilidade,

1 Co 15:54 – E, quando isto que é corruptível se revestir da incorruptibilidade, e isto que é mortal se revestir da imortalidade, então cumprir-se-á a palavra que está escrita: Tragada foi a morte na vitória.

Esse foi o brado de Jesus, o qual Paulo bravamente diz que será dado pelos salvos. Jesus tragou a morte!

Resumo

Jesus nasceu aqui como o velho homem, e foi crucificado como o velho homem. Estas são afirmações que provocam diversas questões, entre elas uma extremamente curiosa e interessante: “Como o velho homem poderia ser divino?” Ora, se Jesus era da semente corruptível de Abraão, em que sentido era ele possuidor de divindade? Essa semente é a semente de todos os nascidos de Mulher:

Rom 1:23 “E mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível…”.

Heb 2:16 “Pois na verdade Ele [Jesus] não tomou sobre si a natureza de anjos, mas Ele tomou sobre si a semente de Abraão”

Como alguém poderia divinizar quem veio da semente de Abraão? Na verdade, nós fomos gerados de novo pelo Jesus incorruptível, e não do Jesus semente de Abraão,

1Pe 1:23 “Sendo de novo gerados, não de semente corruptível, mas da incorruptível, pela palavra de Deus, viva, e que permanece para sempre“.

Por isso Paulo diz que o Jesus ressurreto é outro:

ROM 7:4 “Assim, meus irmãos, também vós estais mortos para a lei pelo corpo de Cristo, para que sejais de outro, daquele que ressuscitou dentre os mortos, a fim de que demos fruto para Deus“.

Efe 4:24 “E vos revistais do novo homem, que segundo Deus é criado em verdadeira justiça e santidade“.

O Nascimento Virginal

A palavra grega usada para “homem” em João 8:40 e 1 Timóteo 2:5 é “anthropos”:

Mas agora procurais matar-me, a mim, homem que vos tem dito a verdade que de Deus tem ouvido; Abraão não fez isto”.

“Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem”.

Um dos significados da palavra é para distinguir o homem de seres de uma ordem diferente. Por isso, Jesus chama a si mesmo uma palavra que separa Deus do homem, que distingue Jesus de Deus. Em outras palavras, Deus não é homem e o homem não é Deus. Jesus não veio a esse mundo com a natureza de Deus, a natureza celestial divina, mas na natureza de Adão, 1Co 15:45; 1Co 15:40; Heb 2:16.

Observe agora Atos 2:22: “Homens israelitas, escutai estas palavras: A Jesus Nazareno, homem aprovado por Deus entre vós com maravilhas, prodígios e sinais, que Deus por ele fez no meio de vós, como vós mesmos bem sabeis”.

A palavra grega para “homem” aqui é “aner”, que basicamente se refere ao sexo masculino. Também pode se referir tanto ao masculino como ao feminino. Então, Jesus é descrito como um homem (referindo-se a um ser humano) como qualquer outro ser humano. Ele nasceu de uma virgem, por obra e graça do Espírito Santo, mas que ainda fez dele um ser mortal, um humano, razão pela qual ele é descrito como um homem, que é como nós descreveríamos as pessoas normais. Infelizmente essa visão foi ofuscada pela avidez católica romana em querer a qualquer custo colocar Maria numa posição de proeminência quase exclusiva dentro da fé cristã.

Isso tudo criou uma tradição chamada de nascimento virginal, o que foi aproveitada pelo catolicismo para que tenazmente defendessem a veneração a Maria, enfatizando a pessoa da virgem muito mais do que a pessoa de Jesus. Acreditam eles que o nascimento virginal, eventualmente, pode ser considerado como a encarnação do divino. E, portanto, a natureza miraculosa do nascimento virginal foi pensada para confirmar que Jesus era Deus. No entanto, se o nascimento virginal miraculoso indica que Jesus era o próprio Deus, ou mesmo divino, é surpreendente, pois nem Mateus e nem Lucas dizem nas narrativas sobre seu nascimento se Jesus era mesmo Deus.

Na verdade, o anjo anunciou no nascimento que Jesus “é o Filho de Deus” (Lc 1:32-35), não por causa de uma pré-existência ontológica, mas por causa da sua concepção sobrenatural. Este milagre apenas sinalizou que ele iria ter uma relação especial com Deus. Assim, com efeito, a concepção de Jesus sendo realizado pelo Espírito de Deus é a base para identificá-lo como Filho de Deus, O Filho do Altíssimo, por causa da salvação que ele realizaria na história, não por causa de sua natureza intrínseca.

Logicamente, o nascimento virginal não indica que Jesus é Deus, simplesmente por causa de sua natureza milagrosa. O Milagre só aponta para uma origem sobrenatural. Deus fez um milagre causando a concepção virginal, mas isso não indica que o milagre em si é Deus.

Considere o primeiro homem, Adão. Aceitando os dois relatos bíblicos de sua criação como literal (Gn 2-3), então, como Jesus, Adão tornou-se um ser humano, devido à criação direta de Deus. No entanto, ninguém gostaria de sugerir que a origem sobrenatural de Adão faz dele Deus. Eu fico imaginado o estrago no catolicismo se Deus fizesse com Jesus o que fez com Adão, que foi cria-lo já adulto. Ou seja, como os judeus que o rejeitaram desejariam: que ele aparecesse milagrosamente do nada:

Todavia bem sabemos de onde este [Jesus] é; mas, quando vier o Cristo, ninguém saberá de onde ele é”, João 7:27.

Muitos tradicionalistas ainda insistem que o nascimento virginal é um elemento essencial da crença cristã. Em outras palavras, eles têm insistido que uma pessoa tem que acreditar no nascimento virginal a fim de ser um cristão genuíno. No entanto, não existe tal ensino o NT. Este silêncio é significativo nas duas narrativas do nascimento gravadas, mas especialmente nos sermões evangelísticos registrado em Atos e nos escritos do apóstolo Paulo, que surpreendentemente nem muita ênfase da à pessoa de Maria, quando afirma:

Mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei”, Gal 4:4.

Nascido de mulher, nada mais que isso para tristeza dos católicos romanos. Acredito que alguns já se perguntaram por que Paulo não escreveu da seguinte forma,

Mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido da bem-aventurada, nossa digníssima mãe, Maria, nascido sob a lei”.

Além disso, o tema da concepção milagrosa de Jesus não indica que Jesus tinha uma natureza divina, tornando-o Deus.

Sua mãe e seus irmãos não sabiam que ele era Deus?

Jesus foi considerado “fora de Si” por sua mãe e seus irmãos, por quem também foi desacreditado; foi visto como enganador; foi abandonado por Seus seguidores e quase apedrejado certa ocasião; foi chamado de “beberrão” e de “endemoninhado”, além de “embusteiro”. Finalmente, foi crucificado como malfeitor.

A evidência por demais indigesta está em Marcos 3. O relato mostra Jesus dentro de uma casa enquanto lá fora chegam sua mãe e seus irmãos. Foram ali chamados, pois souberam que o Senhor fazia a maior algazarra expulsando demônios. Acreditavam que Deus (no caso aqui disfarçado de Jesus) estava fora de si, estava louco. Leia o relato:

Marcos 3

21 E, quando os seus ouviram isto, saíram para o prender; porque diziam: Está fora de si.

Sem contar os escribas e fariseus que ousaram dizer que Deus (aqui como Jesus) estava endemoninhado!

22 E os escribas, que tinham descido de Jerusalém, diziam: Tem Belzebu, e pelo príncipe dos demônios expulsa os demônios.

Por que ele foi tratado dessa forma por seus próprios familiares se estes o viam como o próprio Deus de Israel? E os escribas judeus que acreditavam piamente no Deus de Abraão, por que ousaram dizer tamanha blasfêmia de Jesus [Deus]?

Caro leitor, acredite, Jesus foi um homem e não um ser celestial, o homem que veio do espaço, um andróide disfarçado de ser humano ou mesmo o THOR! Isso mesmo, muitos confundem Jesus com um super herói vindo de outra galáxia, o Super Homem disfarçado de Clark Kent.

É lamentável…

Homem e Filho do Homem

É apenas uma mera coincidência que há exatamente três versos em todo o Antigo Testamento afirmando que Deus não é homem e nem filho do homem? Eu não acho que isso seja  uma mera coincidência. No entanto, eu acredito que seja uma enorme contradição estes   versículos negarem que Deus é homem ou filho de homem e ao mesmo tempo a teologia convencional cristológica afirmar que o Filho do homem seja denominado Deus.

O Novo Testamento  descreve Jesus como  homem e filho do homem em muitos lugares. Atos 2:22 deixa bem claro que Jesus era um homem,

Homens israelitas, escutai estas palavras: A Jesus Nazareno, homem aprovado por Deus entre vós com maravilhas, prodígios e sinais, que Deus por ele fez no meio de vós, como vós mesmos bem sabeis“.

Observe que Pedro aqui não usa o script evangelista que Jesus é Deus-homem ou homem-deus. Pedro apenas afirmou a nossa posição de que Jesus era um homem que Deus escolheu.

O termo  “Filho do Homem”,  ocorre exatamente 82 vezes nos quatro evangelhos e quatro vezes adicionais em outras partes do Novo Testamento – 30 vezes em Mateus, 14 vezes em Marcos, 25 vezes em Lucas, 13 vezes em João, 1 vez em Atos, 1 vez em Hebreus e 2 vezes em Apocalipse.

A frequência em que o termo é usado por Jesus nos Evangelhos é uma das razões que levaram os estudiosos da Bíblia considerá-lo como um  título específico para ele. Porém, muitos teólogos também entendem que o título filho do homem, quando aplicado aos vários personagens do Velho Testamento, deve significar apenas que são nascidos de mulheres, e que  essa visão interpretativa pode ser usada como referência para Jesus. Desta maneira, muitos acreditam que Jesus não deveria ser excluído de Números 23:19. O versículo diz,

Deus não é homem, para que minta; nem filho do homem, para que se arrependa; porventura diria ele, e não o faria? Ou falaria, e não o confirmaria?”

Logo, entendem que Jesus não pode ser Deus, sendo ele Filho do Homem, descendente de Abraão e Davi. A parte fundamental no versículo é, “lo’ ‘iysh ‘êl viykhazzêbh ubhen-‘âdhâm veyithnechâm”. A negação ocorre no início da frase, e  o que isto significa, literalmente, é “Não é verdade que Deus é um homem para mentir ou filho do homem para mudar de ideia“. A negação é distribuída a cada frase que então produz, “Deus não é homem, e Ele não mente, Ele não é o filho do homem e ele não se arrepende“. O texto não faz de Jesus um homem que mente e se arrepende, mas apenas mostra o contraste entre os seres humanos e Deus, sendo que Jesus está na categoria dos humanos.

Podemos observar em muitos versículos que  Jesus foi conhecido como  homem e o filho do homem. Em contraposição, o versículo 19 de Números 23 diz que Deus não é nem homem, nem o filho do homem, e pior, nos originais deveria ser traduzido da seguinte forma: “Deus não é nem homem, nem  filho de Adão”. Quando trazemos esses dois registros juntos  não chegamos à conclusão de que Jesus não é Deus? Aliás, o próprio Jesus  nega que ele fosse Deus,

Jesus falou a um homem que o havia chamado ‘bom’, pedindo-lhe: “Por que me chamas bom? Ninguém é bom senão Deus“(Lucas 18:19). Se Jesus tivesse dito às pessoas que ele era Deus, ele teria elogiado o homem. Em vez disso, Jesus o repreendeu, negando  que ele era Deus.

Jesus é chamado de um homem muitas vezes na Bíblia

Um homem que lhe disse a verdade” (João 8:40)

Ele julgará o mundo com justiça por meio de um homem a quem constituiu” (Atos 17:31)

Cristo Jesus, homem” (Tim. 2:5).

 A Bíblia muitas vezes chama a Jesus  “o filho do homem”.

“… o Filho do homem “(Mateus 12:40).

“… o filho do homem há de vir” (Mateus 16:27).

Mas, para que saibais que o Filho do Homem tem autoridade” (Marcos 2:10).

 “porque ele é o filho do homem “(João 5:27)

Alguns podem até resistir à interpretação exposta neste site, alegando que o contexto mostra que o versículo está falando sobre a condição limitada e inconstante do homem humano em que eles mentem e mudam as suas mentes ou exigem arrependimento por suas ações, e que Deus jamais agiria dessa forma. Sim, eu concordo  que o contexto mostra que ele está falando sobre a limitação humana e como Deus não tem essas limitações, ou seja, sujeito a se arrepender. No entanto, eu não consigo ver como alguém poderia negar o fato de que o verso diz “Deus não é um homem … nem o filho do homem“. Na verdade, eu acho que o contexto  apoia ainda mais minha posição, porque a mentira e se arrepender são inatas condições humanas. Assim,  porque a natureza do homem contém a facilidade de mentir e de se arrepender, o versículo permite o contraste, confirmando que Deus não é um homem – Isso é o que o verso significa. Como diz o ditado “errar é humano”. Porque Deus não erra demonstra que ele não é homem,  é porque ele não é o homem/humano que ele não erra! Alguns tentaram sugerir que Deus pode ser humano desde que ele se torna um ser humano perfeito que não mente, nem se arrepende, e chegaram a conclusão que foi nesse sentido que ele se tornou Jesus, que foi perfeito e sem pecado. Aqui é que entra o exemplo magnífico do Senhor para nós, nos possibilitando servi-lo como homem que somos, pois ele o foi. Ele foi perfeito sim, mas conseguiu isso obedecendo até a morte, se entregando a Deus com lágrimas. Podemos observar tudo isso começando pelas palavras de  Paulo aos Filipenses 2:8

E, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz”. E o versículo segue dizendo que através de sua submissão ele recebeu um nome que é exaltado acima de todo o nome,

Por isso, também Deus o exaltou soberanamente, e lhe deu um nome que é sobre todo o nome”.

Foi por isso que Deus o exaltou, e não porque Jesus era o próprio Deus. Fica por demais fora de contexto se admitimos que Deus deu a Deus um nome que é acima de todos os nomes. A propósito, se ele era mesmo Deus enquanto aqui viveu, por que recebeu um nome acima de todo nome? Qual outro nome poderia estar acima do nome do Deus Jesus? Caso a se pensar…

O escritor aos Hebreus nos leva para o mesmo contexto apresentado em Filipenses onde encontramos expressões que de maneira brilhante revela a humanidade do Senhor Jesus,

O qual, nos dias da sua carne, oferecendo, com grande clamor e lágrimas, orações e súplicas ao que o podia livrar da morte, foi ouvido quanto ao que temia. Ainda que era Filho, aprendeu a obediência, por aquilo que padeceu”. Hebreus 5:7,8

O que vos parece, será essa uma descrição de Deus?

O fato em questão é que o versículo diz claramente que Deus não é um homem e Jesus é um homem e isso significa que Jesus não era Deus. Ele também diz que Deus não é o filho do homem, e Jesus era o filho do homem, o que  é repetido 82 vezes nos evangelhos, o  que deve simplesmente significar  que Jesus não era [um] Deus. É um exercício muito simples e eu realmente acredito que qualquer pessoa razoável possa admitir isso.

Existem mais dois versículos que podem reforçar o argumento exposto até o presente momento. Observem a redação de  1 Samuel 15:29,

Também a Glória de Israel não mente, nem se arrepende, porquanto não é um homem (adam lo), para que se arrependa.”

Deus não é um homem porque Ele não mente, nem se arrepende, e ele não mente, nem se arrepende, porque Ele não é o homem. Em ambos os casos, a negação é feita entre o Deus referente e o homem referente, isto é, não são os mesmos. Deus não é um homem (lo ish e eis adam).

O outro  verso da série é ainda mais claro

Não executarei o furor da minha ira; não voltarei para destruir a Efraim, porque eu sou Deus e não homem, o Santo no meio de ti; eu não entrarei na cidade”. (Oséias 11: 9)

Jesus não é Deus porque todo o contexto dos versos citados estão de acordo de que Deus não é um homem e a natureza dos versos são as mesmas em que nega que ele é um homem.

“Eu e o Pai somos UM”

Um

Em João 10:30 Jesus diz: “Eu e Pai somos um“. Segundo a doutrina trinitariana Jesus afirmava sua posição como Deus ao se igualar ao Pai. Se ele disse que é um com o pai, para os trinitarianos, deve significar que ele é Deus. No entanto, se na doutrina trinitariana o Espírito Santo é a terceira pessoa da trindade, por qual motivo ele foi excluído aqui? Por que Jesus não disse, “Eu, o Pai, e o Espírito Santo somos um?” Além disso, Jesus também diz em João 17:3: “E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste”, João 17:3. Para termos a vida eterna devemos conhecer apenas duas pessoas, o Pai e o seu Filho. E o Espírito Santo?

A terceira pessoa da Trindade também não sabe a hora e o dia da Vinda de Jesus: “Mas a respeito daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos dos céus, nem o Filho, senão somente o Pai”, Mateus 24:36. Da mesma forma Mateus 16:27 cita o Filho, o Pai e os anjos, mas não cita o Espírito Santo na Vinda do Senhor: “Porque o Filho do homem há de vir na glória de seu Pai, com os seus anjos”, Mateus 16:27. O Espírito Santo não vem!

E novamente: Jesus e o Pai são um sem o Espírito Santo? Provavelmente a resposta trinitariana será a mesma de sempre: “É um mistério”. Esse mistério é um mistério, é só. Esse é um tema onde o silêncio é ouro – para os trinitarianos é sagrado, não se pode tocar. Essa é a desculpa mais incrível de todos os tempos!

“O maior problema da doutrina da Trindade não é o fato dela conter um mistério, mas o fato dela conter contradições lógicas cuja resolução é impossível. Há muitos mistérios para os quais não há explicação na Bíblia. O que não podemos fazer é transformar tais mistérios em doutrinas fundamentais” ( RICOTA, Ricardo, “Eu e Pai somos um”, pág. 13. Terceira Edição – 2008).

Infelizmente nossa cultura foi extremamente influenciada pelo Catolicismo Romano, que fez da doutrina da Trindade uma constituição de fé, e que tem afetado todos os ramos da religião no mundo inteiro. Porém, é bom que se saiba: a doutrina da Trindade é um monopólio Católico, criada e desenvolvida séculos depois da morte dos apóstolos.

Jesus e Deus são um como?

Jesus é chamado de Filho mais de 200 vezes em todo o NT; o Pai é referido como distinto do Filho mais de 200 vezes. Ao longo de 50 vezes o Filho e o Pai são mencionados no mesmo versículo. Ainda encontramos saudações de Paulo com graça e paz para Deus Pai e o Senhor Jesus Cristo. Jesus se identifica como o Filho de Deus por toda a Bíblia. Ele é sempre colocado em pé de igualdade com o Pai, sendo capaz de dar graça ao crente.

Lemos em João 20:17,Jesus disse-lhe: Não me toques, porque eu ainda não subi para meu Pai, mas vai para meus irmãos, e dize-lhes que eu subo para meu Pai, E o seu pai, e para meu Deus e vosso Deus“. Jesus afirmou que havia uma distinção entre ele e Deus. Em outras palavras, o próprio Jesus tinha um Deus. Portanto, ele não era o próprio Deus. Estas são várias maneiras diferentes e opostas; em algumas passagens vemos que ele e Deus são um, em outras Jesus se refere a uma autoridade maior do que ele, que é Deus. Agora, assumindo que todas são declarações corretas, então temos uma contradição. Se, por exemplo, Jesus Cristo era o próprio Deus como afirmam sobre João 10:30, então seria mais apropriado para ele dizer “… eu mesmo e eu mesmo somos um”. E em João 20:17 ele deveria dizer no fim do versículo que ele iria subir “para mim mesmo e vosso Deus”, ou, “Eu mesmo, por que me desamparaste?” em Mateus 27:46.

Tanto quanto em João 20:17 como em Mateus 27:46 está muito claro que Jesus tinha um Deus que ele orou, e que foi uma autoridade maior que a sua própria. Podemos fazer isso com outros versículos da Bíblia: “Eu não posso de minha própria vontade fazer nada: conforme ouço, assim julgo, e o meu julgamento é justo, porque não busco a minha vontade, mas a vontade do Pai que me enviou. “(João 5:30). Além disso, Jesus disse : “… porque meu Pai é maior do que eu” (João 14:28). Se Jesus e Deus eram a mesma pessoa, literalmente interpretando, então ele não teria dito o que disse nos versos acima.

A única maneira de João 10:30 poder ser interpretado de tal forma que ele não contradiga todos os outros versículos é dizer que Jesus e Deus tinham tudo em comum. O próprio versículo refuta que Jesus é o Pai. O verso mostra duas pessoas distintas (… Eu + meu Pai = 2). Então, isso deve significar que os dois estavam sempre em comunhão, estavam de acordo em tudo, como também é necessário dizer que Jesus era a própria imagem de Deus, pois era seu filho. Todos os versículos que parecem dizer que Jesus foi Deus enquanto aqui andou devem ser entendidos segundo a palavra de Paulo, quando afirma que “Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo”, 2 Co 5:19.

O sentido de dizer que Ele e o Pai são um, também deve significar que ele foi enviado debaixo da autoridade do Deus de Israel e, que ele, além de ser Filho, veio como seu porta voz. Ele foi a autoridade de Deus em missão para os judeus. Portanto, nesse contexto é que devemos aplicar palavras como: “Quem vê a mim vê o Pai”, “Eu e o Pai somos um”, “Deus conosco”, “Meu Senhor e meu Deus” e similares.

Em João 10:31, vemos que os judeus interpretaram mal o que Jesus queria dizer com “Eu e meu Pai somos um”. Parece claro que Cristo nessa ocasião não fazia referência à essência do ser, mas sim à união de parecer entre ambos. Por isso que ele diz em seguida sobre seus discípulos: “Para que todos sejam um, Pai, como tu estás em mim e eu em ti. Que eles também estejam em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste” (João 17:21)

Se nós também somos um com Cristo e Deus, então parece-me óbvio que Jesus não estava falando de essência aqui (ou senão teríamos a mesma essência divina de Deus!), mas sim de união de parecer em um só pensamento, em comunhão com o Pai e termos semelhantes. Doutra forma não faria sentido dizer que estava rogando “para que SEJAM um, assim como somos um” (João 17:11). Que sentido teria orar para que SEJAM “um em essência”, se todos os humanos tem a mesma essência humana de qualquer jeito?

Observe a palavra “assim como” se referindo a similaridade de unidade que existe tanto entre Deus e Cristo, como também entre Cristo, Deus e seus seguidores: “Que sejam um assim como nós somos um”. Se Jesus, ao dizer, “Eu e o Pai somos um”, quer deixar claro que é Deus da mesma forma que o Pai é, então, somos todos Deus, pois em João 17:21 Ele diz com relação a ser UM COM seus discípulos: “ASSIM COMO tu ó Pai, és em mim, e eu em ti”, e vai além quando ora para os díscipulos serem um com ele e Deus nas palavras “… que também eles sejam um em nós“.

Muito oportuno observar quando Paulo fala de seu companheiro Apolo que revisitava os locais onde ele mesmo já havia pregado. Paulo disse: “Pois, quem é Paulo, e quem é Apolo, senão ministros pelos quais crestes, e conforme o que o Senhor deu a cada um? Eu plantei, Apolo regou; mas Deus deu o crescimento. Por isso, nem o que planta é alguma coisa, nem o que rega, mas Deus, que dá o crescimento. Ora, o que planta e o que rega são um; e cada um receberá o seu galardão, segundo o seu próprio trabalho”, 1 Coríntios 3:5-7.

Concluimos destas palavras que Paulo e Apolo eram uma só pessoa? Paulo não queria dizer que ele e Apolo eram duas pessoas em uma; ele quis dizer que eles estavam unidos em propósito. A palavra grega que Paulo usou ali para “um” (hen) é neutra, literalmente “uma só (coisa)”, indicando unicidade de cooperação. É a mesma palavra que Jesus usou em João 10:30 para descrever a sua relação com o seu Pai. É também a mesma palavra usada por Jesus em João 17:21, 22 com relação aos discípulos serem um entre si e com ele e Deus. A palavra “um” (hen), nestes casos, fala a respeito de união de pensamento e de propósito.

João 10:30 não prova a trindade! O escritor inspirado, insisto, usa a palavra “um” ( do grego hen) que é neutra, ou seja, de um modo geral aplicada a coisas impessoais. Obviamente seriam “um” em propósito e não como pessoa. Aplicar João 10:30 da forma como fazem alguns trinitários é não somente gramaticalmente errado, como também ignora as declarações claras da Bíblia onde Cristo e o Pai são diferenciados. Em João 5:32,37 Jesus disse claramente : “outro que testifica de mim, e sei que o testemunho que ele dá de mim é verdadeiro… E o Pai, que me enviou, ele mesmo testificou de mim. Vós nunca ouvistes a sua voz, nem vistes o seu parecer”.

É interessante observar também que Jesus não teve a menor intenção de citar a palavra “Deus” na frase “Eu o e o Pai somos um”. Muito interessante observar o que ele não disse: “Eu e Deus somos um”. Há uma infinidade de textos demonstrando que o Filho é diferente do Pai e que estes não são a mesma pessoa. Jesus disse em João 14:28 : “…Vou para o Pai; porque meu Pai é maior do que eu”.

Além disso, Jesus chama seu Pai de “O único Deus verdadeiro” (João 17:3). Observem que o Pai de Jesus é o Deus de Jesus, Aquele a quem ele chama de “meu Deus” em João 20:17. Além disso, mais de 60 anos após a ascensão, Jesus continua chamando o Pai de “Meu Deus” em Apocalipse 3:12: “A quem vencer, eu o farei coluna no templo do meu Deus, e dele nunca sairá; e escreverei sobre ele o nome do meu Deus, e o nome da cidade do meu Deus, a nova Jerusalém, que desce do céu, do meu Deus, e também o meu novo nome”. Lembre-se que isto foi falado por Cristo após ter subido ao céus.

A ortodoxia tradicional ignora o que seja linguagem figurada nesse tipo de contexto como o de João 10:30.

Volte para o episódio com Tomé e Felipe para que você caro leitor possa entender melhor o que quero dizer. Veja o que Jesus, ao responder a uma pergunta de Tomé, disse: “Se vós me tivésseis conhecido, teríeis também conhecido meu Pai; deste momento em diante vós o conheceis e o tendes visto”. E em resposta a uma pergunta de Filipe, Jesus acrescentou: “Quem vê a mim, vê também o Pai” (Jo 14:5-9). A explicação seguinte de Jesus mostra que isto se dava porque ele representava fielmente o Pai, falava as palavras do Pai e fazia as obras do Pai (Jo 14:10, 11; compare isso com Jo 12:28, 44-49).

Que a declaração de Jesus sobre ver o Pai devia ser entendida figurativamente, e não de forma literal, evidencia-se na sua própria afirmação em João 6:45, bem como no fato de que João, muito depois da morte de Jesus, escreveu: “Nenhum homem jamais viu a Deus; o Filho unigênito, que está no seio do Pai, é quem o tem revelado” (Jo 1:18; 1 Jo 4:12).

O que João 10:30 não significa

Muitos dizem que o sentido de João 10:30 foi o de Jesus realmente se igualar a Deus, o Pai, em essência, porque no verso seguinte se vê uma tentativa de apedrejamento por parte dos judeus. Eis a sequência preferida dos trinitarianos: “Eu e o Pai somos um. Os judeus pegaram então outra vez em pedras para o apedrejar. Respondeu-lhes Jesus: Tenho-vos mostrado muitas obras boas procedentes de meu Pai; por qual destas obras me apedrejais? Os judeus responderam, dizendo-lhe: Não te apedrejamos por alguma obra boa, mas pela blasfêmia; porque, sendo tu homem, te fazes Deus a ti mesmo”, João 10:30-33

Pelo motivo de o verso sobre o apedrejamento ser seguinte a expressão “Eu e o Pai somos um”, a interpretação imediata é que a blasfêmia, assim entendida pelos judeus, seria por essa afirmação, mas a informação textual não para no verso 33. Veja o verso 36: “àquele a quem o Pai santificou, e enviou ao mundo, dizeis vós: Blasfemas; porque eu disse: Sou Filho de Deus?”

O curioso do estudo dessa passagem bíblica é que todos reconhecem a visão errada dos judeus, principalmente a má interpretação que os fariseus sempre fizeram das palavras de Jesus em todo Novo Testamento, que estes constantemente o acusavam enganosamente, mas surpreendentemente os que defendem a co-igualdade entre Cristo e Deus acham, agora, que os fariseus haviam entendido acertadamente (?), de forma indubitável, que Jesus teria afirmado ser o próprio Deus ao invés de ser mais uma das falsas afirmações farisaicas acerca de Jesus. Porém, o Mestre mostra o engano de ambos ao continuar o diálogo e explicita que não haveria motivo para espanto.

Está claro no fechamento das palavras de Jesus: “dizeis vós: Blasfemas; porque eu disse: Sou Filho de Deus?”, que a causa foi a afirmação ocorrida varias vezes, desde o verso 10 do capítulo, que Deus era seu Pai.

Ele apenas disse ser Filho de Deus, e para os judeus esse era o motivo pelo qual ele se fazia igual a Deus. Já havia acontecido antes: “Por isso, pois, os judeus ainda mais procuravam matá-lo, porque não só quebrantava o sábado, mas também dizia que Deus era seu próprio Pai, fazendo-se igual a Deus”, João 5:18. Quem disse que Jesus estava fazendo-se igual a Deus não foi Ele. Ele se defendeu contra essa falsa acusação logo no versículo seguinte (João 5:19): “Retomando a palavra, Jesus lhes disse: . . . o Filho, por si mesmo, nada pode fazer mas só aquilo que vê o Pai fazer.”

Com isso, Jesus mostrou aos judeus que ele não era igual a Deus e que, por conseguinte, não podia agir por iniciativa própria. Podemos imaginar alguém igual ao Deus Todo-poderoso dizer que, “por si mesmo, nada pode fazer?”

Portanto, não foi por causa de dizer “eu e o Pai somos um” que Jesus foi ameaçado de apedrejamento, mas por ter falado que é Filho de Deus. E ele disse isso antes das palavras “eu e o Pai somos um”. Porém, suas palavras foram inseridas dentro de um contexto messiânico mediador! Essa foi a causa de todo o problema.

Observe o tom do Senhor Jesus nos seguintes versículos do mesmo capítulo:

Assim como o Pai me conhece a mim, também eu conheço o Pai, e dou a minha vida pelas ovelhas.

Por isto o Pai me ama, porque dou a minha vida para tornar a tomá-la.

Ninguém ma tira de mim, mas eu de mim mesmo a dou; tenho poder para a dar, e poder para tornar a tomá-la. Este mandamento recebi de meu Pai.

Tornou, pois, a haver divisão entre os judeus por causa destas palavras”, João 10:15-19.

Veja na sequência a ousadia do Senhor novamente. Sua missão e a citação do Pai : “Respondeu-lhes Jesus: Já vo-lo tenho dito, e não o credes. As obras que eu faço, em nome de meu Pai, essas testificam de mim.

Mas vós não credes porque não sois das minhas ovelhas, como já vo-lo tenho dito.
As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu conheço-as, e elas me seguem;

E dou-lhes a vida eterna, e nunca hão de perecer, e ninguém as arrebatará da minha mão”, João 10:25-28.

Dizer que era o Filho de Deus com a missão agravou em muito levando a situação para um apedrejamento, o que os judeus viam como blasfêmia de se fazer igual Deus. Veja novamente no final do capítulo:

Aquele a quem o Pai santificou, e enviou ao mundo, vós dizeis: Blasfemas, porque disse: Sou Filho de Deus?”, João 10:36.

Vou finalizar o artigo com as palavras de três eruditos trinitarianos. Eles são protestantes, mas, repito: SÃO TRINITARIANOS!

W.E. VINE abordando o tema referente “… Eu e o Pai somos um”, declara: “… metafóricamente [figurativamente] união e acordo, exemplo: João 10:30;11:52; 17:11, 21,22…”- An Expository Dictionary of New Testament Words, p. 809.

O erudito William Barclay escrevendo em seu diário Daily Study Bible Series, O Evangelho de João, vol. 2, A Imprensa Westminster, 1975, pp 74, 75, 76 diz:

“Agora chegamos à afirmação suprema [de João 10:30]. “Eu e o Pai somos um”, disse Jesus. O que ele quis dizer? É um mistério absoluto, ou se pode compreender pelo menos um pouco dele? Somos levados a interpretá-la em termos de essência e hipóstase e todo o resto das noções metafísicas e filosóficas sobre as quais os fabricantes de credos lutaram e defenderam? Precisaríamos ser um teólogo ou um filósofo a fim de compreender até mesmo um fragmento do significado desta tremenda declaração?”

“Se recorrermos a própria Bíblia para a interpretação”, continua Barclay, nós achamos que ela é na verdade tão simples que a mente mais simples pode compreendê-la. Voltemo-nos para o décimo sétimo capítulo do Evangelho de João, que fala da oração de Jesus para seus seguidores antes de sua morte: “Pai Santo, guarda em teu nome, que me tens dado, para que eles sejam um, como nós somos um” (João 17:11). Jesus concebeu a unidade dos cristãos com cristãos como a mesma que a sua unidade com Deus”.

“Aqui está a essência da questão. O vínculo de unidade é o amor, a prova de amor é a obediência. Os cristãos são “um” com os outros quando eles estão ligados pelo amor, e obedecer as palavras de Cristo. Jesus é um com Deus, porque, como nenhum outro jamais fez, ele obedeceu e o amava. Sua unidade com Deus é uma unidade de amor perfeito, mostrando perfeita obediência.”

“Quando Jesus disse: “Eu e o Pai somos um“, ele não estava se referindo ao mundo da filosofia e da metafísica e abstrações, ele estava se referindo ao mundo das relações pessoais. Ninguém pode realmente entender o que uma frase como ”uma unidade de essência” quer dizer, mas qualquer um pode entender o que significa uma unidade de coração, a unidade que Jesus com Deus veio a partilhar tanto o amor perfeito quanto a obediência perfeita. Ele era um com Deus porque ele o amava e lhe obedeceu perfeitamente …”.

O trinitário Robert Young comentou sobre esse reconhecimento da palavra “um” em João 10:30 em sua obra Young’s Concise Critical Bible Commentary: “A partícula [hen] que está no gênero neutro, dificilmente pode significar” um ser, ou seja, um só Deus ‘, mas sim “um na vontade, em propósito, conselho, …” – pg. 62, Baker Book House, 1977.

João Calvino (que era trinitarista) disse no livro Commentary on the Gospel According to John (Comentário do Evangelho Segundo João): “Os antigos usaram mal essa passagem para provar que Cristo é . . . da mesma essência que o Pai. Pois Cristo não argumenta a respeito da unidade em substância, mas sim a respeito do estado de concordância dele com o Pai.”

Verdadeiramente, então, não há absolutamente nenhuma evidência de uma interpretação “trinitária” em João 10:30.

Precisamos apenas ser coerentes com a verdade!

Divino disfarçado de humano

Que divindade poderia ser atribuída a um homem? Como chamar de divino Deus aquele que veio a semelhança dos homens, sendo descendente de Davi, tendo as mesmas características do ser humano, sendo igual a eles? Como poderíamos falar de divindade em alguém que foi chamado de último Adão pelo Apóstolo Paulo em 1 Cor 15:54? Como um homem nascido de mulher ( Gal 4:4 ) poderia ser divino?

As pessoas que não acreditam que Jesus era  um homem,  estão erradas. É necessário acrescentar que Jesus não era um homem comum, ou seja, um pecador.  Ele era um homem único,  era o Filho de Deus. No entanto, em um sentido muito real, ele era um homem e não o Deus de Abraão, Isaque e Jacó em pessoa.

Os cristãos que definem Jesus como Deus quando aqui andou, discretamente insinuam ter sido ele um ser místico, um avatar ou um guru. Acreditem ou não, mas  podemos encontrar milhões de pessoas, seja nas fileiras do protestantismo, do catolicismo ou qualquer outro ismo, acreditando piamente que  Jesus foi um ser divino que baixou na criança gerada no ventre de Maria. Eles não confessam as intenções nestas palavras, mas a descrição que fazem de como Jesus veio parar neste mundo não esconde o misticismo em seus extensos discursos escritos.

A ortodoxia cristã não pode ser excluída da responsabilidade na deturpação do Jesus histórico. Munida de um imenso arsenal deixado pelos grandes concílios do passado, ela tem  insinuado de forma camuflada que Jesus,  quando aqui  andou, era um astro, um ser do outro mundo, Deus encarnado num corpo, o poderoso homem que veio do céu, o  Super Homem disfarçado de Clark Kent. Aqueles que conhecem bem o estudo da cristologia advindo da nossa velha ortodoxia, sabem  muito bem das  manobras que fazem para deturpar o sentido de divindade.

Infelizmente os  cristãos da nossa geração tem uma visão de Jesus como tinham àqueles que vieram de uma origem grega ou romana, que  acreditavam que o termo “filho de Deus” significava uma encarnação de um deus ou alguém nascido de uma união física entre os deuses masculinos e femininos. Isso pode ser visto em Atos 14: 11-13, onde lemos que, quando Paulo e Barnabé pregaram em uma cidade da Turquia, os pagãos afirmavam que eles foram a encarnação de deuses. A Barnabé chamavam o deus romano Zeus, e Paulo, o deus romano Hermes.

Para muitos cristãos, Deus teve de assumir a forma humana para compreender a tentação e o sofrimento humano, mas o conceito não se baseia em quaisquer palavras claras de Jesus. Em contraste, Deus não precisa ser tentado e sofrer, a fim de ser capaz de compreender e perdoar os pecados do homem, ou mesmo para ficar sabendo como sofrem ou o que sofrem, porque Ele é o Criador do homem e onisciente. Deus não enviou seu amado Filho por esse motivo, como se querendo saber que sentimento tem os humanos debaixo da servidão e opressão. Isso está expresso em Êxodo 3:7,

E disse o Senhor: Tenho visto atentamente a aflição do meu povo, que está no Egito, e tenho ouvido o seu clamor por causa dos seus exatores, porque conheci as suas dores“.

Muitos cristãos afirmam que no nascimento de Jesus ocorreu o milagre da encarnação de Deus na forma de um ser humano. Dizer que Deus se tornou verdadeiramente um ser humano convida a uma série de perguntas. Vamos perguntar o seguinte sobre o homem-Deus Jesus. O que aconteceu com seu prepúcio após sua circuncisão (Lucas 2:21)? Será que desapareceu quando ele tornou-se adulto se manifestando como [um] Deus?  Durante sua vida, o que aconteceu com seu cabelo, unhas e sangue derramado de feridas? As células de seu corpo morreriam como nos seres humanos comuns? Se o seu corpo não funcionou de uma forma verdadeiramente humana, ele não poderia ser verdadeiramente humano, mas verdadeiramente Deus, o que não foi o caso. Assim, se o seu corpo funcionou exatamente de um modo humano, isso anularia qualquer alegação de divindade. Seria impossível para qualquer parte de Deus, mesmo se encarnado, ser submetido ao que Jesus foi submetido  e ainda ser considerado Deus. A verdade é que,  Jesus no seu corpo sofreu as sequelas da decadência humana durante sua vida aqui, logo, ele não poderia ser Deus. Infelizmente muitos acreditam, mesmo com o testemunho das Escrituras apresentando Jesus como um ser humano normal, que  ele não foi submetido a essa ‘decadência’ concluindo que ele era  verdadeiramente [um] Deus. Por esse motivo, temos hoje o ensino mais difundido dentro da cristandade: Jesus foi o  Deus Todo-Poderoso em forma humana.

Compare isso com estas palavras do ex-bispo de Woolwich, Dr. Robinson, em seu livro, “Juro por Deus”, em uma passagem em que ele estava explicando como a  maioria dos cristãos vêem Jesus:

Jesus não era um homem nascido e criado, ele era Deus por um período limitado participando de uma farsa. Ele parecia um homem, mas por baixo era Deus vestido – como o Pai Noel

No entanto, como ensina as Escrituras, sabemos que Ele   nasceu com o mesmo tipo de identidade humana que Adão e Eva tinham quando foram criados.

1 João 4: 2 declara,  “Nisto conhecereis o Espírito de Deus: Todo o espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus”.

Jesus era o descendente biológico de Maria 

Maria não foi uma “incubadora” para gerar uma “carne divina” . Ela não se limitou a levar Cristo, mas ela concebeu Cristo em seu ventre (Lucas 1:31). O anjo não disse: “Maria, você vai produzir um corpo de carne para uma pessoa divina  vir e viver dentro dele“. Ele disse: “Você vai conceber… e terás um filho“. Estas palavras tiveram, obviamente, a intenção de ser entendidas  literalmente. Elas descrevem o começo de uma nova vida humana – não a vinda à Terra de uma pessoa divina para habitar dentro de um corpo humano.

As Escrituras identificam Maria como mãe de Jesus (Mateus 1:18, 2:11 e Lucas 2:34, 43, 48, 51). Os anjos especificamente  identificaram ela como a verdadeira mãe de Jesus (Mateus 2:13, 19-20).  A palavra  mãe  não pode ser aplicada a uma mera incubadora.  Exige uma relação biológica.  Jesus  foi “feito de uma mulher, nascido sob a lei” (Gálatas 4:4).

É necessário também lembrar que Maria foi gerada como foram todos os outros seres humanos. Ela veio a existência através de uma relação sexual entre seus pais biológicos. Portanto, a família do Senhor Jesus – que para muitos era o próprio Deus – não era pequena. Quem poderia conceber a ideia absurda de que Deus teve parentes? As Escrituras falam de seus primos. Deus também teve uma tia, pois a irmã de sua mãe é citada nas Escrituras. Assim, Deus era sobrinho da outra Maria. Ele, Deus, exercia uma profissão, era  carpinteiro nascido numa  pequena vila chamada Belém tendo sido  criado na cidade de NAZARÉ. E acreditem: Deus foi circuncidado ao oitavo dia de nascido (Lc 2:21), como também foi levado ao deserto para ser tentando pelo diabo (Mat 4:1). Estes são os absurdos que encontramos nas Escrituras quando substituímos o nome de Jesus pelo nome de Deus. Absurdos estes, que de tão escandalosos, não param por aqui. Observe o leitor quem são os incluídos na  família de Davi

Luc 2:4 E subiu também José da Galileia, da cidade de Nazaré, à Judéia, à cidade de Davi, chamada Belém (porque era da casa e família de Davi). A mesma procedência do Cristo nascido da mulher Maria: João 7:42, Não diz a Escritura que o Cristo vem da descendência de Davi, e de Belém, da aldeia de onde era Davi? Jesus era tão humano e descendente de humanos como era José.

E a você, caro amigo leitor, para que não fique distraído pelos erros que a ortodoxia cristã nos legou, e tente aceitá-los como genuínos, deixo aqui mais uma passagem que poderia gerar um absurdo escandaloso quando trocamos o nome de Jesus pelo nome de Deus. Observe,

LIVRO da geração de Deus, filho de Davi, filho de Abraão”, Mateus 1:1.

O que lhe parece?

Acredito que não há necessidade de  comentários.

Jesus era descendente Biológico de Abraão e Davi

Jesus era o Filho de Deus, e, como sua posição foi para ser o salvador dos homens, era necessário que ele fosse um homem, não um ser imortal, uma divindade cósmica. Ele foi a semente da mulher, a semente de   Abraão, a semente de Davi e “descendência” de Davi. (Ver Gênesis 3:15, João 7:42;  Atos 13:23, Romanos 1:3, Gálatas 3:16, 2 Timóteo 2:8, Hebreus 2:16, Apocalipse 22:16). Jesus  era um israelita natural da mesma forma como Paulo  (Ver Romanos 9:3-5), sendo também  fruto dos lombos de Davi segundo a carne (Atos 2:30).

Tanto no hebraico como no grego a palavra traduzida como   “Semente” na Bíblia se refere principalmente à prole biológica de homens e mulheres, e apenas  secundariamente podem ser aplicadas como uma metáfora para a prole espiritual.

O próprio Jesus identificou os judeus, mesmo  aqueles que tentaram matá-lo, como sendo descendentes de Abraão (João 8:37).  Maria compreendeu a descendência de Abraão para incluir “os pais”, a quem as promessas de Deus foram feitas (Lucas 1:55).   Pedro compreendeu que os homens de Israel “foram as sementes de convênio”  (Atos 3:12, 25).  Paulo escreveu sobre “todas as sementes”, demonstrando que a palavra se aplica a todos os crentes bem como todos os descendentes físicos de Abraão (Romanos 4:16, 9:29).  Paulo incluiu a muitas  nações que vieram da descendência de Abraão na semente da qual falou Deus (Romanos 4:18;  11:1; II Coríntios 11:22).  Além disso, Paulo ampliou o alcance da palavra “semente” para incluir todos os  que viriam a ser os crentes em Cristo como a descendência espiritual de Abraão e os filhos de  Deus (Romanos 9:7-8, Gálatas 3:29).

Assim, a Escritura ensina claramente que Jesus Cristo estava biologicamente e  geneticamente relacionado com Adão, Abraão, Isaac, Jacó, Judá e Davi, através de Eva e a  Virgem Maria, sua mãe.

Houve uma mudança no corpo de Cristo na Sua ressurreição

Antes de Sua ressurreição, Jesus  tinha um corpo capaz de sofrimento, morte e decadência, mas, na Sua ressurreição Seu  corpo foi alterado para ser incorruptível (incapaz de decadência) e imortal (incapaz de morte),

Sabendo que, tendo Cristo ressuscitado dentre os mortos, já não morre mais, a morte não mais tem domínio  sobre ele” (Romanos 6:9).

Davi profetizou de Cristo, “Tu não deixarás a minha alma no inferno:  nem tu permitirás que o teu Santo veja a corrupção” (Salmo 16:10). Pedro   explicou que esta profecia se cumpriu pela ressurreição de Cristo: “Nesta previsão, disse da ressurreição de Cristo, que a sua alma não foi deixada no inferno, nem a sua carne viu a corrupção” (Atos 2:31).  Da mesma forma, Paulo citou o mesmo versículo de Salmos, afirmando que Cristo  foi ressuscitado dentre os mortos para “agora não mais tornar à corrupção” (Atos 13:34-35).  Segundo  a esta profecia, aplicado por ambos, Pedro e Paulo, o corpo de Cristo teria deteriorado se não fosse o milagre da ressurreição.

Em Sua ressurreição, Cristo é “as primícias dos que dormem” (I Coríntios 15:20).  Através de Cristo veio “a ressurreição dos mortos” (I Coríntios 15:21).  I Coríntios 15:42-44  explica o que acontece na ressurreição dos mortos,

 “… Semeia-se o corpo em corrupção; ressuscitará em incorrupção. Semeia-se em ignomínia, ressuscitará em glória. Semeia-se em fraqueza, ressuscitará com vigor. Semeia-se corpo natural, ressuscitará corpo espiritual. Se há corpo natural, há também corpo espiritual“.

Nossa ressurreição será igual a dele e nos dará um corpo como o dele.  Em ambos os casos,  “ressurreição” refere-se ao mesmo processo, de modo que a ressurreição de Cristo fez-lhe “as primícias dos crentes”. Observe o que ele diz em I Coríntios  15:50-53,

E digo isto, irmãos, que carne e sangue não podem herdar o reino de Deus;  nem a corrupção herda a incorrupção.  Eis que lhes mostro um mistério: nem todos  dormiremos, mas todos seremos transformados, num momento, num abrir e fechar de olhos, ante a última trombeta, pois  a trombeta soará, e os mortos ressuscitarão incorruptíveis e nós seremos transformados.  Para que  isto que é corruptível se revista da incorruptibilidade, e isto que é mortal se revista da imortalidade“.  E João acrescenta,

Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não é manifestado o que havemos de ser,  mas sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele, pois o veremos como ele é “(I  João 3:2).

Em suma, a Bíblia revela que a humanidade de Cristo teve por se qualificar para a exaltação e  glorificação, que ocorreu por Sua morte, ressurreição e ascensão.  (Ver Sl 2:7 com Atos  13:32-24; Salmos 110:1-3 com Efésios 1:19-23, Salmo 110:4 com Hebreus 5:1-11; Isaías  28:16 com I Pedro 2:6-8, João 7:39, 17:1; Atos 2:33, 3:13, 4:10-12, 5:31, Romanos 1:3-4;  Filipenses 2:5-11.)

Se Jesus Cristo não fosse verdadeiramente humano, com potencial humano cheio de sofrimento,  experiência, a obediência, crescimento e transformação, estes textos não teriam sentido quando   eles falam dele como se tornou perfeito através do sofrimento e ser exaltado pela ressurreição.  Se o Seu corpo não tinha nenhum relacionamento biológico ou genético com outros seres humanos, se Ele fosse “divino na  carne “ou isento de fragilidade humana, tais qualificações não teriam sentido,  porque uma divindade não precisa se qualificar para a glorificação, exaltação, ou qualquer papel que Ele escolha  tomar  nos assuntos de sua criação. Somente quando reconhecemos Jesus como um verdadeiro ser humano, que descende através de humanos, é que  podemos entender estas declarações.

Para se ter uma ideia mais clara do que eu disse até o presente momento, basta observar como dois versículos do Livro de Hebreus denunciam de forma escancarada a visão errônea que milhões de cristãos tem do Senhor Jesus. São dois contextos importantíssimos que reforçam os argumentos aqui apresentados.

Ainda que era Filho, aprendeu a obediência, por aquilo que padeceu. E, sendo ele consumado, veio a ser a causa da eterna salvação para todos os que lhe obedecem” (Hebreus 5:8, 9).

Porque convinha que aquele, para quem são todas as coisas, e mediante quem tudo existe, trazendo muitos filhos à glória, consagrasse pelas aflições o príncipe da salvação deles” (Hebreus 2:10).

Mais uma vez, é claro que há algo muito errado com a ideia popular que Jesus era um ser divino vestido de um corpo humano. Você consegue imaginar alguém que aprende “obediência através daquilo que sofreu” ser cheio de divindade? Em outras palavras, você pode imaginar uma pessoa divina ser “aperfeiçoada através do sofrimento”?

Claro que não. Temos aqui a descrição de um homem de verdade construindo um personagem perfeito, camada sobre camada.

Não podemos aceitar qualquer  doutrina que defende uma divindade corruptível que divorcia Jesus Cristo de uma biológica  relação genética para a humanidade. Não podemos aceitar a ideia básica de que a humanidade e divindade estavam inseparavelmente unidas na pessoa de Cristo quando ele aqui andou. Assim, Cristo foi  uma pessoa  em todos os sentidos.  Jesus “foi  Deus” manifesto na carne, não de Deus por um residente ou encarnação, mas por identidade e representação.

As relações genéticas de Cristo com a humanidade foi herdado  de  sua mãe, Maria.  Ele é, assim, parte da raça humana, o descendente biológico de Adão e Eva,  Abraão e Davi, e qualificado para reconciliar humanos pecadores com Deus.   A doutrina da carne divina ou “carne celestial” de Cristo,  definido como a negação de que Jesus Cristo era biológica ou geneticamente relacionado à humanidade  através de Maria, sua mãe, é biblicamente falso.

Jesus Cristo não era um meio homem, sendo um semideus, uma segunda pessoa na  Trindade, uma pessoa divina temporariamente destituído de alguns atributos divinos, a transmutação do  Deus em carne, a manifestação de uma parte de Deus, a animação de um corpo humano por Deus. Não, Jesus era realmente um homem, um verdadeiro ser humano.

Jesus não foi uma entidade

Muitos acreditam que Jesus foi um homem com um corpo divino, o que seria dizer: homem com carne divina. Isto não está de acordo com a divindade de Cristo. A divindade de Jesus esta ligada a sua autoridade espiritual, que o envolve na missão para a qual, só Ele, foi o escolhido, salvar a humanidade, o que fez como homem, e não como um Deus, ou o próprio Deus, literalmente. A interpretação de divindade herdada da ortodoxia cristã sobre a pessoa de Jesus parece estar ligada a divindade da carne, o que não passa de heresia, pois transforma o cristão  numa pessoa que tem uma fé baseada em conhecimento místico e experimental do divino nos objetos e corpos mortos e pessoas vivas, o que é mais parecido com um gnosticismo misturado com misticismo do que o Cristianismo do Novo Testamento, e é uma característica de todas as religiões místicas.

A divindade que eles exigem esta ligada para além deste mundo, uma definição de divindade que ultrapassa as mais altas nuvens, cheia de espiritualismo, que acabou criando uma onda de misticismo envolvendo a pessoa de Jesus de Nazaré. Ou seja, diante da exigência espiritual temporal, que transformaram Jesus em um ser, que é uma herança da interpretação católica, descobre-se que o Jesus histórico  desapareceu por completo, dando lugar a figura de um fantasma que se manifestou entre os homens – transformaram Jesus numa entidade que baixou na terra entrando dentro do corpo de um bebe. Jesus foi confundido com uma coisa do outro mundo!

Isso tudo nos impulsiona inevitavelmente para os criadores de divindades, o catolicismo romano. O romanismo, quando menciona a divindade de Jesus, logo posiciona a mãe na frente do filho que ela gerou. Assim, transformaram Maria numa figura esplendidamente embelezada e revestida com roupagem doutrinaria católica; não a Maria bíblica, a judia  e mãe, mas sim a divindade que tomou impulso por causa da suposta virgindade, o que explicaria o título de santíssima, pois é esse o único motivo que reforça seu título: a sua virgindade que a transformou em divindade. Isso pode ser notado pela ênfase  dada a pessoa de Maria, considerando-a não humana, o que, provavelmente os levem a pensar que a natureza dos deuses tenha criado nela o desinteresse pelo o que é terreno e carnal, dando a Maria o poder da abstinência, da pureza sexual, que por fim fez dela a milagrosa,  divina, pura e imaculada.

O catolicismo visualiza Maria como alguém que não foi gerado como foram os outros seres humanos, o que supostamente criou nela uma blindagem que a protegia do lado impuro humano. Associaram a figura de Jesus à figura da mãe, transformando-o numa coisa, onde numa metade dele morava Deus mesmo e na outra metade um homem diferente dos humanos. Por isso uma não pequena parte de cristãos acredita  que Deus movia e animava o corpo de Jesus. Um engano, pois a  divindade de Jesus esta ligada a sua missão que gerou sua obediência, fazendo dele um homem casto não por exigência religiosa de deuses internos e externos, mas sim por amor a Deus, dedicação e posição – bem diferente da divindade exigida pelo catolicismo  e pela ortodoxia protestante. Ao contrário de que muitos pensam, Jesus e Maria não são duas criaturas de outro mundo disfarçadas de seres humanos.

Por fim, e resumindo em poucas palavras o que  registro até aqui, quero dizer que o catolicismo romano e a ortodoxia protestante geraram o suficiente para que suspeitemos de seu ensino sobre divindade de Jesus. Quando tentam definir o que é divindade, em se  tratando da pessoa de Jesus e sua mãe, estão simplesmente interpretando como se eles fossem duas entidades. Eles transformaram o Salvador e a virgem  em entidades que desceram a terra. Isso faz com que eles adentrem aos porões do diviníssimo misterioso oculto, o que é um perigo – isso é espiritismo. Jesus não foi um espírito que baixou na terra! E mesmo que Ele tenha sido gerado de uma maneira totalmente incrível, ele foi, sem duvida, 100% homem, um nascido de mulher (Gal 4:4).