Sangue de Deus? (Atos 20.28)

Para muitos cristãos, a humanidade de Cristo é como um parente indesejável. Evitam recebê-la em sua fé. Não gostam de perceber o lado humano de Jesus, ou mesmo emprestar para a figura de Cristo um perfil humano. É como se fosse um sacrilégio olhar Jesus apenas como um ser humano excluindo dele a divindade tão exigida que supostamente aparece nos relatos das Escrituras. É um pecado mortal, alegam os mais espirituais e piedosos.

Será muito justo se dissermos que todo esse desacerto doutrinário tem um único culpado: a nossa Ortodoxia Protestante, a qual está envolvida com o mundo sagrado católico romano até o pescoço. Ela recebeu tudo aquilo que diz respeito à divindade e deidade de Jesus, mas não percebeu (?) que todo esse material é oriundo dos velhos concílios do passado, e que a Trindade é um monopólio da Igreja Católica, e é um dos maiores embustes doutrinários de todos os tempos.

Essa Ortodoxia também parece não se importar de sofrer o ridículo quando alguém lhes questiona sobre Deus ter sangue, mesmo quando a menção aponta para o Senhor Jesus como sendo esse Deus. Eles não respondem, não querem entrar a fundo na discussão, e como desculpa soltam aquele velho jargão: “É um mistério!”

Realmente é um mistério. Acho que é por isso que está escrito na testa da Grande Meretriz em Apocalipse 17:5: “Mistério, a grande babilônia, a mãe das prostituições e abominações da terra”. O Senhor colocou na boca de cada um deles hoje a palavra MISTÉRIO quando é exigida uma resposta para o significado da Trindade. Está aí a identificação da Grande Babilônia, criadora da Trindade.

Vamos ao texto de atos 20:28; qual tradução seria a mais viável: “Pastorear a igreja do Senhor, que Ele comprou com o seu próprio sangue“, “Pastorear a igreja de Deus, que Ele comprou com o sangue do seu próprio Filho” ou “Pastorear a igreja de Deus, que Ele comprou com o seu próprio sangue?”

Evidente que para os trinitarianos a última opção é a verdadeira, sem dúvida. Os trinitarianos reivindicam que este versículo mostra que Jesus é Deus porque foi Jesus quem comprou a igreja com seu próprio sangue e a passagem diz que Deus comprou a igreja com seu próprio sangue. Logo, Jesus é Deus.

Veja a tradicional versão de Atos 20: 28; “Acautelai-vos, pois, por vós, e por todo o rebanho, sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos, para pastoreardes a igreja de Deus, que ele comprou com seu próprio sangue”.

Como outras traduções apresentam este verso

“…, por meio do sangue do seu próprio Filho” – Bíblia na Linguagem de Hoje – SBB.

“…, pelo sangue do seu próprio Filho” – Bíblia de Jerusalém.

“…, por meio do sangue do seu próprio Filho” – BMD (Bíblia Mensagem de Deus) 1983

“…, por meio do sangue do seu próprio Filho”- BF (Bíblia Fácil), Paulo Avelino de Assis, Centro Bíblico Católico

Note como a KJA traduziu todo o texto: “Concluindo, tende cuidado de vós mesmos e de todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos estabeleceu como epíscopos para pastoreardes a Igreja de Deus, que Ele comprou com o sangue do seu Filho Unigênito” – Atos 20, King James Atualizada

Bíblia de Jerusalém em Espanhol: “Tendes cuidado de vosotros y de toda la grey, en medio de la cual os ha puesto el Espíritu Santo como vigilantes para pastorear la Iglesia de Dios, que él se adquirió con la sangre de su propio hijo” – Atos dos Apóstolos, 20 – Bíblia Católica Online

Veja outras traduções em Inglês

“o sangue de seu próprio filho”.
(NET) Tradução Nova em Inglês – 2005

“o sangue de seu próprio filho”.
(NRSV) Nova Versão Padrão Revisada – 1989

“o sangue de seu próprio filho”.
(RSV) Versão Padrão Revisada – 1946

“a morte de seu próprio filho”.
Bíblia em Inglês Comum – 2011

“sangue do próprio filho”.
Bíblia Judaica Completa – 1998

“o sangue de seu próprio filho”.
(CEV) Versão Inglesa Contemporânea – 1995

“o sangue do seu filho”.
(GNT) Boas Novas Tradução – 1992

“o sangue de seu próprio filho”.
Bíblia Online Lexham – 2010

“a morte de seu próprio filho.”
(NCV) Versão do Novo Século – 2005

“o sangue de seu próprio filho”.
(VOZ) A Tradução da Bíblia – 2011

Muitos estudiosos do texto bíblico entendem que a frase “a igreja do Senhor” (encontrada em nenhum outro lugar do Novo Testamento) foi substituída pela mais familiar “a igreja de Deus” (encontrada onze vezes nos escritos de Paulo). Na verdade, isso não faria diferença, pois Senhor aqui é o próprio Deus. Quando os dois são abreviados, como costumava acontecer em alguns manuscritos, é por que há apenas uma diferença de uma letra entre eles. A leitura “a igreja do Senhor e Deus” é uma combinação das duas leituras, assim como “a igreja do Senhor Deus”, que é lida por muitos dos manuscritos bizantinos. As ocorrências nas quais aparece a expressão ‘Igreja de Deus’ estão em 1 Coríntios 1:2; 10:32; 11:22; 15:9; 2 Coríntios 1:1; Gálatas 1:13; 1 Timóteo 3:5, 15.

Tanto a Sociedade Bíblica Americana quanto o Instituto de Pesquisa do Novo Testamento da Alemanha (que produz o texto grego Nestlé-Aland) concordam que a evidência do manuscrito apoia a leitura “tou haimatios tou idiou”, literalmente traduzido como, “o sangue de Seu próprio (Filho)”, e não “idiou haimatios”, “seu próprio sangue”. Deus pagou por nossa salvação com o sangue de Seu próprio Filho, Jesus Cristo.

E de fato é o que temos nesse versículo: “Acautelai-vos, pois, por vós, e por todo o rebanho, sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos, para pastoreardes a igreja de Deus, que ele comprou com o sangue do seu próprio filho”.

Se fosse realmente o sangue de Deus, em vez de o sangue do homem Jesus Cristo, então não houve resgate – somente o sangue de um ser humano poderia realizar a substituição pelo pecado de Adão. Jesus, sendo o nosso sumo sacerdote designado por Deus, oferece seu próprio sangue diante do Pai, que recebe o sacrifício (Salmo 8:5; João 17:1, 3; Hebreus 2:9; 3:1, 2; 9:14). É claro que, na realidade, o Deus Todo Poderoso é um ser espiritual e não tem carne e sangue (João 3:24; 2 Coríntios 3:17)

A Escritura não poderia nunca reclamar que o sangue de Deus foi derramado, nem mesmo como figura apontando para Jesus. Acredito eu que este é o único versículo em todo o Novo testamento que jamais deveria ser traduzido como sendo Deus quem derramou seu sangue por causa do sacrifício pelo pecado, que deveria ser feito por um homem. A ênfase dada ao Pai no texto destrói todo o contexto do sacrifício quando se fala que um ser imortal (I Tm 6:15) derramou sangue.

Era o homem incorrupto Adão, que pecou, tornou-se corrompido, e foi condenado à morte, e sob a lei divina, poderia ser resgatado somente pelo sacrifício de um homem, sem pecado e incorrupto. A lei declara: “Olho por olho, dente por dente, e vida de um homem para a vida de um homem” (Êxodo 21:24). Assim, o sangue de touros e bodes jamais poderia fazer expiação pelo pecado de Adão, porque não corresponde a exigência (Hebreus 10:4). O homem pecador deveria ser resgatado por outro homem, mas sem pecado.

Portanto, a tradução de Deus (que derramou seu “próprio sangue”) para dentro do texto é espúria. Ela não permite que se faça uma comparação de Jesus como Deus, pois declara que Deus pode morrer. O Filho é o sujeito do texto, e apocalipse enfatiza isso quando afirma que foi ele quem nos comprou: “E cantavam um novo cântico, dizendo: Digno és de tomar o livro, e de abrir os seus selos; porque foste morto, e com o teu sangue compraste para Deus homens de toda a tribo, e língua, e povo, e nação”. Apo 5:9

I Coríntios 7: 22,23 também nos diz algo: “Porque o que é chamado pelo Senhor, sendo servo, é liberto do Senhor; e da mesma maneira também o que é chamado sendo livre, servo é de Cristo. Fostes comprados por bom preço; não vos façais servos dos homens”.

As palavras sangue de Deus chega a ser uma aberração no texto. Imagina o susto para um judeu monoteísta incrédulo ler o versículo dessa forma? Aliás, acho até que a composição do verso é uma agressão à inteligência das pessoas. A primeira vista a pergunta que surge é: DEUS TEM SANGUE? Na verdade, esse versículo é o único em toda a Bíblia que não devia ter Deus nessa função. Motivo disso é o contexto do sacrifício, que é exigido por alguém semelhante aos pecadores, segundo diz hebreus: “Por isso convinha que em tudo fosse semelhante aos irmãos, para ser misericordioso e fiel sumo sacerdote naquilo que é de Deus, para expiar os pecados do povo” (Heb 2:17).

E m João 4.24 a Bíblia diz que “Deus é Espírito”. Quem disse que Espírito tem sangue, carne e ossos? Jesus quando ressuscitou disse a Tomé em Lucas 24: 39 “Olhai as minhas mãos e os meus pés, que sou eu mesmo; apalpai-me e vede; porque um espírito não tem carne nem ossos, como percebeis que eu tenho”. É claro que, na realidade, Deus Todo-Poderoso é um ser espiritual e não tem carne e sangue.

“O que está em causa aqui é o final do verso, cuja leitura dá a entender que Deus tem (ou teve) sangue, e isso só poderia ser cogitado, se aplicado a Cristo, dizendo que a humanidade de Jesus é a própria Deidade.

Assim, aqui existem, pelo menos, duas questões:

1) A humanidade de Jesus é também deidade? Ou seja, Jesus é de única natureza, de tal modo que o sangue não é do homem Jesus, mas de Deus? Será que a deidade se transformou em carne também e vice-versa?

2) A expressão “seu próprio sangue” pode significar outra coisa que não uma relação de identidade direta?

A primeira é menos provável se tomarmos a Bíblia em seu sentido amplo, pois além de descaracterizar quem é Deus, anularia o sacrifício de Cristo: um humano resgatando a humanidade (o segundo Adão), assim como um humano fez cair a humanidade (o primeiro Adão). Rm. 5.14 mostra que foi o homem Jesus, enviado pela graça de Deus que verteu o seu sangue.

Em favor da segunda opção temos o resto da Bíblia, que nos informa que Deus é Espírito (Jo. 4.24) e que um espírito não tem carne e ossos, consequentemente não tem sangue (Lc. 24.39).

Assim, sangue é algo físico, inerente à matéria. Nesse sentido, o sangue de Deus, não pode significar que Deus tem sangue, mas que o sangue pertence a ele.

Além do mais, se o sangue em At. 20.28 é o sangue das “veias” de Deus, isto significaria inapelavelmente que Deus morreu, já que foi esse sangue que teria sido vertido na cruz, mas as Escrituras dizem: I Tm. 1.17 “Ora, ao Rei dos séculos, imortal, invisível, ao único Deus, seja honra e glória para todo o sempre. Amém.” O IMORTAL não morre. Se um dia o IMORTAL morreu não era, então, de fato, IMORTAL, pois pôde morrer, provando sua mortalidade. Deus não poderia ter dado “seu próprio sangue” e não ter sido considerado MORTO. Mas, isso tornaria falso I Tm. 1.17.

Mas, será que existe apoio linguístico para a acepção de que o sangue pertence a Deus, sem ser o sangue do próprio Deus em si? Sim, existe! A expressão “διὰ τοῦ ἰδίου αἵματος” pode ser entendida de duas formas: a) atributivamente, que é como a maioria dos trinitários entende; ou b) possessivamente, significando que o sangue é de alguém que pertence a Deus. Isso tem apoio do resto da Bíblia que apresenta Deus e Jesus como seres distintos, não apenas pessoas distintas!

As escrituras dizem: “Corpo me preparas-te” (Hb. 10.5). A epístola aos hebreus deixa claro que Deus preparou um corpo não para si próprio, mas para outro. O verso 7 dessa mesma epístola mostra, mais uma vez de forma clara, que quem adquiriu o corpo não foi Deus, mas alguém disposto a fazer a vontade de Deus.

O contexto onde esse verso de Atos está inserido fala, no mesmo capítulo, de Deus e de Jesus em distinção várias vezes: At. 20.21,24, 27. O fluxo do texto não leva os leitores a acreditarem que Jesus é o mesmo Deus de quem aparece em distinção recorrentemente.

Apoio de trinitaristas! O entendimento de não tratar-se do “sangue de Deus” não é exclusividade dos unitarianos. É uma constatação lógica do texto bíblico. Basta lembrarmos que a palavra “Deus” ocorre certa de 1.340 vezes. Note 1.340 vezes. Desta milhar e algumas centenas apenas raras, realmente raras vezes o termo é aplicado, em teoria, a Jesus (talvez umas 6). E todas essas escassas vezes o texto não está livre de apuração. E At. 20.28 é um caso típico!

O PhD Dr. Murray J. Harris que é professor emérito de exegese do Novo Testamento e teologia na Trinity Evangelical Divinity School, em Deerfield, Illinois, diz em seu livro “Jesus como Deus – O uso Theos no Novo Testamento, em referência a Jesus” (Grand Rapids: Baker Book House, 1992), 141: “nesta construção de ίδιος é mais provável que θεός é Deus, o Pai e o objeto não expresso de περιεποιήσατο é Jesus”. Ou seja, mesmo os que defendem Jesus como Deus reconhecem que o texto não pode se referir ao sangue do Deus que é Espírito, mas pertencer a ele, através do Filho que é dEle.

Há uma variante grega, usada na USB, que traz a parte final do verso assim: “διὰ τοῦ αἵματος τοῦ ἰδίου”. Literalmente se traduz: “com o sangue de seu próprio”. Há uma expressão similar em Rm. 8.32 onde encontramos “τοῦ ἰδίου υἱοῦ” (seu próprio Filho). Já vimos que a outra variante pode ser usada tanto atributivamente como possessivamente. Então se houvesse apenas ela a possessividade já era constatável. Mas, esta mostra diretamente a possessividade, o que permite concluir que o texto fala do sangue do Filho. Esse uso não é estranho. Matzger em “Um Comentário Textual em grego do Novo Testamento”, 2 ª ed. (Stuttgart: Sociedades Bíblicas Unidas, 1971.), 426, diz: “Este uso absoluto de ‘idios’ é encontrada em papiros gregos como um termo carinhoso referindo-se a parentes próximos”.

A Bíblia de Jerusalém, que é uma bíblia produzida por católicos e protestantes, assim verteu o verso: “nele o Espírito Santo vos constituiu guardiães, para apascentardes a Igreja de Deus, que ele adquiriu para si pelo sangue do seu próprio Filho”. Assim também entenderam os tradutores católicos e trinitários da versão da CNBB: “o Espírito Santo os constituiu como guardiães, para apascentarem a Igreja de Deus, que ele adquiriu para si com o sangue do seu próprio Filho”. Outra versão protestante, logo, feita por trinitarianos, NTLH apresenta o verbo com a redação: “o Espírito Santo entregou aos seus cuidados, como pastores da Igreja de Deus, que ele comprou por meio do sangue do seu próprio Filho.”.

Nota-se com isso que, seja católico, seja protestante ou, ainda, os dois juntos, os tradutores não têm dificuldades em perceber que ali não se trata do sangue de Deus em si.

Logo, o entendimento unitariano que vê em At. 20.28 a Bíblia falar do sangue que pertence a Deus porque o Filho pertence a ele, tem apoio não somente do ponto de vista bíblico (Rm 8:32 “Aquele que nem mesmo a seu próprio Filho poupou, antes o entregou por todos nós, como nos não dará também com ele todas as coisas?“), mas linguístico e exegético, refletido em reconhecidas traduções bíblicas e renomados exegetas trinitários. Claro, só a Bíblia já bastaria, mas essas informações extras são só para mostrar que esse entendimento não é exclusivo do unitarianismo” (1).

1 FILHO, Valdomiro – Atos 20:28

“Deus e Senhor nosso, Jesus Cristo”

A tradicional versão de Judas 1:4, tão aclamada  pela nossa envelhecida ortodoxia cristã, diz: “Porque se introduziram alguns, que já antes estavam escritos para este mesmo juízo, homens ímpios, que convertem em dissolução a graça de Deus, e negam a Deus, único dominador e Senhor nosso, Jesus Cristo“.

Nenhum trinitário contestaria “a verdade” transmitida por essa tradução, no entanto, essa construção pode não ter sido planejada no contexto de Judas.  Apenas alguns versículos anteriores, em Judas 1: 1, ele, Judas, além  de fazer distinção entre Jesus e Deus, não reservou o título divino para Cristo: “Judas, servo de Jesus Cristo e irmão de Tiago, aos que foram chamados, amados por Deus Pai e guardados por Jesus Cristo“. Ele citou duas vezes o nome de Jesus, mas uma vez o nome de Deus, não conectando o título a Cristo. Há também uma distinção de função para cada pessoa neste contexto. Judas 1: 4 pode muito bem ser uma continuação dessa distinção entre as duas pessoas consideradas da Trindade. Somente Deus é Deus, e Jesus é nosso Senhor, como veremos mais adiante.

Alguns textos acrescentam o nome  “Deus” em estreita proximidade com “Jesus Cristo”, e isso faz com que os trinitarianos acreditem que há aqui uma prova da Trindade. Na verdade, a ideia trinitariana foi querer transformar Jesus em Deus, um segundo Deus. Ou seja, Deus e Cristo como sendo a um só em divindade e essência. Na verdade, vamos descobrir que tudo isso foi construído por causa de corrupção textual. Nem tudo é tão simples como pode parecer, mas há um erro grave na tradução aqui. Por isso é muito importante não usar uma tradução incorreta.

Observem como as traduções da Igreja Católica, berço do Trinitarianismo, verteu o versículo de Judas. Créditos para Valdomiro Filho:

“A Bíblia do Peregrino verte assim: “… que traduzem o favor de Deus em dissolução e renegaram o único patrão, o Senhor nosso Jesus Cristo“.

Já a “Bíblia do Pão” (Editoras católicas Vozes e Santuário) assim verteu o texto: “… que transformam em libertinagem a graça de nosso Deus e negam nosso único Senhor, Jesus Cristo”.

A CNBB entendeu: “… pois abusam da graça de nosso Deus para a devassidão e negam o nosso único soberano e Senhor, Jesus Cristo.”

A BJ traduziu: “… que convertem a graça de nosso Deus num pretexto para licenciosidade e negam Jesus Cristo, nosso único mestre e Senhor”.

O padre Matos Soares, da vulgada latina, traduziu: “… os quais trocam a graça do nosso Deus em luxúria, e negam a Jesus Cristo, nosso único Dominador e Senhor.” (1)

Observem agora algumas traduções consideradas protestantes que seguem a mesma linha. Vamos começar com a ARA de 1993: “… homens ímpios, que transformam em libertinagem a graça de nosso Deus e negam o nosso único Soberano e Senhor, Jesus Cristo“.

A Almeida Atualizada, diz: “… homens ímpios, que convertem em dissolução a graça de nosso Deus, e negam o nosso único Soberano e Senhor, Jesus Cristo“.

Outra Almeida Atualizada, a de 1987, apresenta o verso dessa forma: “… homens ímpios, que transformam em libertinagem a graça de nosso Deus e negam o nosso único Soberano e Senhor, Jesus Cristo“.

A NTLH acrescenta: “…  Eles torcem a mensagem a respeito da graça do nosso Deus a fim de arranjar uma desculpa para a sua vida imoral. E também rejeitam Jesus Cristo, o nosso único Mestre e Senhor“.

Muitos críticos e tradutores textuais reconhecem que   as traduções modernas não podem ser lidas dessa maneira: “… negam a Deus, único dominador e Senhor nosso, Jesus Cristo”.

Na maioria das traduções temos o Senhor Deus (ho theos)  enquanto Jesus é chamado de “NOSSO Senhor Jesus” (Κύριον – Kyrion).  Como a Bíblia afirma claramente, Jesus foi feito nosso Senhor por Deus: “Saiba pois com certeza toda a casa de Israel que a esse mesmo Jesus, a quem vós crucificastes, Deus o fez Senhor e Cristo” (Atos 2:36).

Essa distinção é vital e é evidente ao longo do livro de Judas: “Mas o arcanjo Miguel, quando contendia com o diabo, e disputava a respeito do corpo de Moisés, não ousou pronunciar juízo de maldição contra ele; mas disse: O Senhor te repreenda” (1:9). O Senhor aqui é o próprio Deus.

Judas ainda se refere a Deus como o único Deus sábio: “Ao único Deus sábio, Salvador nosso, seja glória e majestade, domínio e poder, agora, e para todo o sempre. Amém” (1:25).

Novamente Judas se refere a Jesus como nosso Senhor nos versículos 17 e 21, e não como Deus:

Judas 1-17 “Mas, amados, lembrem-se das palavras que foram ditas pelos apóstolos de nosso Senhor Jesus Cristo“.

Judas 1-21 “Mantenha-se no amor de Deus, procurando a misericórdia de nosso Senhor Jesus Cristo para a vida eterna”.

Note a distinção nos títulos. Note também que quando Judas, no verso 25, ao dizer sobre Deus como “o único Deus sábio, nosso Salvador”, ele não acrescentou o nome Jesus em seguida. Observem que quando ele chama Jesus de Senhor nos dois versos citados acima ele não conecta Jesus ao nome Deus. Se você não observou, posso repetir os textos para que possa entender melhor. Veja que a versão trinitariana de Judas 1:4  diz que homens ímpios, que querem transformar em libertinagem a graça de Deus “… negam a Deus, único dominador e Senhor nosso, Jesus Cristo”. Porém, o texto do versículo 25 diz, “Ao único Deus sábio, Salvador nosso, seja glória e majestade, domínio e poder” que não é uma referência a Jesus, mas aponta para o Deus de Israel. De fato, Judas, um judeu monoteísta jamais poderia se referir a Jesus como o “único Deus sábio”. Único e dominador são títulos para o Pai, não para Jesus. As versões, tanto católicas como protestantes, erraram ao emprestar o título de Único Dominador para Jesus, apesar de não chama-lo de Deus fazendo distinção entre ele e o pai.

Há algo mais incomum em algumas traduções de Judas 4, que  é a aplicação de  “Soberano” traduzido do grego “Despotēn” para Jesus, aliás, isso é incomum no NT. “Despotēn” aqui deveria ser traduzido apenas como Mestre e Senhor (“Despotēn kai Kyrion”) . O único soberano é o Pai (I Tim 6;15).

Além disso, parece que esses escribas não queriam que o leitor (como alguns monarquistas antigos) confundissem/separassem Jesus e Deus, e tentaram esclarecer adicionando a palavra “Deus”. Por outro lado,  não há problema em chamar Deus e Jesus de “Mestre”, assim como não há problema em chamar cada um de “Senhor” – desde que deixemos claro qual é o significado!

Evidentemente, se fosse de  acordo com a lógica trinitariana, Sara era uma pessoa muito confusa e pensava que seu marido era Deus, pois Ela chamou Abraão de senhor, como mostrado em 1 Pedro 3: 6.  Suponho que uma maneira de explicar isso é alegar que ela estava bêbada.  Mas espere, a passagem está incentivando as mulheres cristãs a serem como Sara: “como Sara obedecia a Abraão, chamando-lhe senhor; da qual vós sois filhas, se fazeis o bem e não temeis nenhum espanto“.

Também devemos lembrar que Judas, o autor da passagem em questão, era  irmão de Jesus.  Eles cresceram juntos.  Se ele acreditava que Jesus era totalmente Deus, Judas deveria ter conhecido e defendido esse fato com grande clareza, mas não, ele chama o Pai no versículo 4 de “Θεοῦ” (“Theou”, ou “ho theos“), que quer dizer “Deus”, mas usa “nosso Senhor” para Jesus. Jesus é Senhor de Judas, não de Deus.

Por fim, para desfazer toda essa anomalia trinitariana, vou adicionar aqui a tradução que parece ser mais coerente com o contexto bíblico e a mais próxima dos originais,  a versão da “BJ”, que assim verteu a segunda parte do texto em discussão: “… que convertem a graça de nosso Deus num pretexto para licenciosidade e negam Jesus Cristo, nosso único mestre e Senhor”.

  1. FILHO, Valdomiro – Judas v 4

Deus seja louvado

Cristo estava nos Profetas?

Da qual salvação inquiriram e trataram diligentemente os profetas que profetizaram da graça que vos foi dada, Indagando que tempo ou que ocasião de tempo o Espírito de Cristo, que estava neles, indicava, anteriormente testificando os sofrimentos que a Cristo haviam de vir, e a glória que se lhes havia de seguir”, 1 Pedro 1:10, 11.

No versículo 10, Pedro nos revela que os profetas do Antigo Testamento que escreveram sobre a salvação vindoura pela graça de Deus não a compreenderam completamente. Eles pesquisaram e fizeram perguntas sobre isso.

Ele continua a frase no versículo 11: Os profetas queriam conhecer a “quem” e “quando” o Espírito de Cristo se referia à medida que eles eram direcionados para escrever as palavras de suas profecias. Quem seria a pessoa que traria essa salvação, o Cristo que sofreria e depois seria glorificado? E quando isso aconteceria? Os capítulos 11 e 53 de Isaías são exemplos dessas profecias.

No versículo 12, Pedro nos dá a resposta que receberam, mas o versículo 11 é importante. É uma declaração clara de que os profetas do Antigo Testamento não estavam escrevendo suas próprias ideias – O Espírito Santo os dirigia enquanto escreveram as próprias palavras de Deus. É uma verdade que Pedro indicará ainda mais claramente em 1 Pedro 1: 21: “Porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo”.

Pedro não faz menção à preexistência de Cristo.  Os fatos contextuais nos mostram também que o Espírito de Cristo “neles” se refere ao que esperavam, o Messias prometido e profetizado desde  Gênesis 3:15.   Ou seja, o “Espírito de Cristo que neles estava” não era Cristo neles de forma literal como um ser preexistente.  Não significava o espírito de Cristo como nova criatura ou um Jesus que existia antes de descer a terra.

Necessário aqui lembrar que o Espírito Santo, que foi dado a Jesus pela primeira vez no Jordão, nunca foi dado a ninguém antes da sua glorificação, isto é, não antes do Pentecostes (João 7: 39). Aqui em 1 Pedro 1: 11 a expressão deve significar, evidentemente, outra coisa, ou seja, o poder de revelação profética concedido aos profetas pelo próprio Deus sobre o Messias. Neste caso, Pedro aplicaria o termo “espírito de Cristo” de maneira retrospectiva a esses profetas.

Esses profetas estavam investigando o que, ou o tempo em que o Messias apareceria, e ao mesmo tempo estavam testemunhando de antemão os sofrimentos de Cristo e as glórias a seguir. Parafraseando isso de forma diferente, enquanto esses profetas procuraram conhecer muitas coisas sobre o Messias, o que realmente lhes foi revelado era o sofrimento que o Messias devia suportar e as glórias a seguir.

Também não devemos pensar que Pedro estava dizendo que os profetas entendiam plenamente o que estava sendo falado através deles. Todos profetizaram sobre o Messias vindouro, mas a manifestação não era para eles, mas para os apóstolos a quem o espírito da verdade havia sido dado, pelo qual foram conduzidos a toda verdade. Veja o verso 12: “Aos quais (aos profetas) foi revelado que, não para si mesmos, mas para nós, eles ministravam estas coisas que agora vos foram anunciadas por aqueles que, pelo Espírito Santo enviado do céu, vos pregaram o evangelho; para as quais coisas os anjos desejam bem atentar”.

Uma leitura mais atenta do versículo 11, e uma breve revisão do contexto imediato revela a verdade do assunto: “Indagando que tempo ou que ocasião de tempo o Espírito de Cristo, que estava neles, indicava, anteriormente testificando os sofrimentos que a Cristo haviam de vir, e a glória que se lhes havia de seguir”. Pedro descreve como os profetas profetizaram o futuro Cristo. Basta observar como ele se refere aos sofrimentos de Cristo e as glórias que se seguiram, uma referência a um futuro ser humano (Isaías 53). E neste contexto, o termo “Espírito de Cristo” refere-se a como o Espírito Santo revelou Cristo a eles, isto é, o que aconteceria no futuro em relação a Cristo. Na verdade, nas antigas profecias, Deus prometeu um Salvador que sofreria e depois seria glorificado. A vida, a morte e a ressurreição de Jesus realizaram as profecias.

Por outro lado, a expressão “espírito de Cristo” nunca aparece no Antigo Testamento. O “espírito do Senhor” ou “o espírito de Deus” aparece uma multidão de vezes, mas nunca o “espírito de Cristo”.

O espírito que Deus coloca sobre as pessoas assume nomes diferentes, pois se refere a diferentes funções. Isso pode ser comprovado. No entanto, o espírito é o mesmo. Deus sempre dá o Seu espírito, e então ele é nomeado como funciona. Quando está associada à sabedoria, é chamado de “espírito de sabedoria” (Ex 28: 3; Deut 34: 9; Efésios 1:17). Quando é associada à graça, é chamado de “espírito de graça” (Zac 12: 10; Heb 10:29). Quando está relacionado à glória, é chamado de “espírito de glória” (1 Pedro 4:14).

É chamado de “espírito de adoção” quando está associado à nossa vida eterna (Romanos 8:15, que é traduzido como “espírito de filiação” em algumas versões). É chamado “o espírito da verdade” quando está associado com a verdade que aprendemos pela revelação (João 14:17; 16:13). Estes não são espíritos diferentes. Efésios 4: 4 afirma claramente que há “um espírito” e esse espírito vinha com poder sobre alguns profetas no VT, revelando através de profecias que tomavam a forma escrita ou vinha através de poder dando autoridade para eles em ocasiões oportunas, e em nós hoje é concedido como dom permanente segundo a necessidade de cada um.

É errado ver 1 Pedro 1:11 como prova de que Jesus era aquele a quem Deus usava no Antigo Testamento para falar com os profetas; a Escritura não diz isso. Quem assim ensina deve antes considerar Hebreus 1: 1,2.

Quando Pedro menciona que “o espírito de Cristo” era sobre os profetas, porque “previam os sofrimentos de Cristo e a glória que seguiria”, não devemos entender que Cristo realmente existia como um ser divino durante o Antigo Testamento.

 

 

 

Jesus não era o Pai

Eu costumava acreditar que Jesus era Deus quando aqui andou. Eu fazia uma mistura impressionante que me levava a não questionar quem na verdade morreu por mim, se foi o Pai ou se foi o Filho. Era uma espécie de mistura confusa, que eu segurava com unhas e dentes para manter a unidade doutrinária convencional e não tocar na trindade. Eu acreditava naquela velha fábula cristã que afirma ter sido Jesus 100% Deus e 100% homem.  Eu, como milhões de cristãos, não admitia a humanidade total de Jesus. Na verdade eu estava tão distraído com alguma coisa sobre escatologia e fim do mundo, que não questionava absolutamente nada que viesse contrário a ser Jesus o outro, ou seja, que ele e Deus eram dois. Eu nem mesmo percebia que os versos mostrando ser Jesus o Filho de Deus, superam em muito a pouca quantidade de versos que a multidão unida tenta usar para provar que Ele é Deus.

Depois de um monte de reconciliação e de comparação de Escrituras com Escrituras, descobri que Jesus foi chamado de Deus no sentido de um embaixador Salvador, pois esta é uma das definições de suporte para “theos” no léxico grego. Então, Ele é como um general ou comandante, mas que também tem um Comandante Geral sobre ele, que é o Pai, e que eles não são uma e a mesma coisa, mas que o Pai tem o título verdadeiro. Apocalipse 1:5-6, por exemplo,  diz,

“E da parte de Jesus Cristo, que é a fiel testemunha, o primogênito dentre os mortos e o príncipe dos reis da terra. Àquele que nos amou, e em seu sangue nos lavou dos nossos pecados, e nos fez reis e sacerdotes para Deus e seu Pai; a ele glória e poder para todo o sempre. Amém”.

É incrível como a maioria dos cristãos, após  2000 anos da revelação do “testamento final” de Deus,  ainda não estão conscientes de que Jesus e Deus não são a mesma pessoa. Para começar, observamos como Jesus e Deus estão aqui separados, e que, não foi Deus quem veio a esse mundo, mas sim seu Filho,

“E a vida eterna é esta: que te conheçam, a ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste”. João 17:3

Abaixo seleciono alguns versículos que claramente separam Jesus de Deus

2 Cor 1:3  Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai das misericórdias e o Deus de toda a consolação.

2 Cor 11:31 o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que é eternamente bendito, sabe que não minto.

Ef 1:3 Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo.

Ef 1:17 que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos dê o espírito de sabedoria e de revelação no pleno conhecimento dele.

A Bíblia diz que Jesus considerava a si próprio e Deus como dois

“… crede em Deus, crede também em mim”, (João 14:1).

Diante dos judeus Jesus mesmo diz que não era Deus, mas o Filho de Deus

João 8:24-28 “… Quem és tu? Jesus lhes disse: Isso mesmo que já desde o princípio vos disse. Muito tenho que dizer e julgar de vós, mas aquele que me enviou é verdadeiro; e o que dele tenho ouvido isso falo ao mundo. Mas não entenderam que ele lhes falava do Pai. Disse-lhes, pois, Jesus: Quando levantardes o Filho do homem, então conhecereis quem eu sou, e que nada faço por mim mesmo; mas falo como meu Pai me ensinou.

João 14:10 crês tu não que eu estou no Pai, e o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo, não as digo de mim mesmo, mas o Pai, que permanece em mim, é quem faz as obras.

João 10:36 Dizei a ele, a quem o Pai santificou, e enviou ao mundo, Blasfemas Tu, porque eu disse, eu sou o Filho de Deus?

Se Jesus nunca se identificou como Deus, como seus contemporâneos o identificaram?  Em mais de  40 vezes nos evangelhos o próprio Deus, homens, mulheres, anjos e demônios  proclamaram  que Jesus é “o Cristo” ou “o Filho de Deus.” Não vou detalhar  todos as passagens, mas apenas aquelas mais conhecidas. Estes são os  títulos mais importantes espalhados por todo o Novo testamento sobre Jesus:

• Gabriel – “Ele será grande e será chamado Filho do Altíssimo” (Lc 1,32).

• Deus – “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo” (Mt 3,17 ).

• João Batista – “Eu vi e testifico que este é o Filho de Deus” (Jo 1,34 NVI).

• Natanael – “Tu és o Filho de Deus, Tu és o Rei de Israel” (Jo 1,49).

• O diabo – “Se és o Filho de Deus” (Mt 4,3, 6 par.).

• demônios – “Tu és o Filho de Deus” (Lc 4,41, e “eles sabiam que Ele era o Cristo”).

• espíritos imundos – “Tu és o Filho de Deus” (Mc 3,11).

• Os discípulos no barco – “Você é certamente o Filho de Deus” (Mt 14,33).

• Pedro – “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo” (Mt 16,16).

• Marta – “Eu tenho crido que tu és o Cristo, o Filho de Deus” (Jo 11,27).

• O Centurião – “Verdadeiramente este era Filho de Deus” (Mt 27,54).

Em duas referências citadas acima, observamos a confissão de Satanás e dos espíritos imundos. Eles sabiam com quem estavam se envolvendo. Eles sabiam que ele não era o próprio Deus de Israel em pessoa. Eles estavam no céu com Deus e sabiam muito bem quem era o Pai e quem era o Filho,

Lucas 4:41 “E os demônios também de muitos saíam, clamando e dizendo: Tu és o Cristo, o Filho de Deus. E ele repreendendo-os não lhes permitiu falar, pois sabiam que ele era o [ Messias ] Cristo”.

Todos esses exemplos mostram que o Messias não pode ser o Senhor Deus de Israel. Vejamos um outro exemplo que o Judaísmo considera como  mais proeminente em suas Escrituras, que em verdade  está entre os mais  frequentemente citados do Antigo Testamento no Novo Testamento.  Um salmo composto pelo  rei Davi. Ele escreve no Salmo 2, “Os reis da terra se levantam e os governos consultam juntamente contra o Senhor e contra o seu ungido…” (v. 2;. cf At 4,26-27).

Assim, O Senhor e seu Messias são vistos separados como duas pessoas. Alguns versículos adiante, o Senhor chama esse ungido “Rei Meu” e “Meu Filho” (vv. 6-7).

Em suma, todos esses textos explicitamente separam  o Messias de Deus. Assim, de acordo com  os Evangelhos  Jesus sempre pensou e falou de um Deus, o Deus de Israel, como alguém diferente de si mesmo. Observe por exemplo no Evangelho de João; Jesus claramente pregava que as pessoas devem vir a Ele a fim de chegar a Deus. Ele disse: “Eu sou o caminho, … para o Pai” (Jo 14,6). Jesus também declara no mesmo Evangelho que Ele veio para mostrar às pessoas a Deus (Jo 14,6-10). Na verdade, a alegação principal de Jesus sobre si mesmo era que Deus estava  presente no seu ministério. Assim, de acordo com Jesus, Ele não era Deus, mas revelador do Deus que habitava nele através do Espírito Santo. Deus em Cristo não é o mesmo que Cristo é Deus.

Os debates são infindáveis, e aqueles que querem transformar Jesus no próprio Deus se embolam nos seus argumentos confusos; será que tentam dizer que Jesus era o Pai? Não seria coerente  aceitar a ideia de que quando um cristão mostra na Escritura que Jesus Cristo é o Senhor está tentando provar que Jesus é o Pai. Ora, as  Escrituras fazem distinção entre as duas pessoas, especialmente as que dizem que Jesus é o “Filho de Deus”.

A Bíblia diz que Jesus não se considerava igual a Deus e que Deus realizou milagres através de Jesus. E o contexto esclarece que Jesus foi mesmo um homem,

“Mas quando as multidões, vendo isso, eles ficaram impressionados, e glorificaram a Deus, que dera tal autoridade aos homens.” (Mateus 9:8).

“Um homem aprovado por Deus entre vós com milagres, prodígios e sinais que Deus realizou através dele no meio de vós.” (Atos 2:22).

“Ele passou fazendo o bem e curando todos os que eram oprimidos pelo diabo, porque Deus estava com ele.” (Atos 10:38).

Se Cristo era Deus, a Bíblia simplesmente diria que Jesus fez os milagres sem fazer referência a Deus. O fato de que foi Deus quem fornecia O PODER para os milagres mostra que Deus é maior do que Jesus. E não apenas isso, mas observem como um contexto pode ficar absurdo e sem sentido – supondo que Jesus era Deus quando aqui andou, vamos tentar fazer  um trocadilho de nomes neste versículo:

“E ali esteve no deserto quarenta dias, tentado por Satanás. E vivia entre as feras, e os anjos o serviam“, (Marcos 1:13).

A passagem todos conhecem. Fala da tentação de Jesus no deserto. Somente alguém destituído de cérebro  poderia concordar  que “DEUS FOI TENTADO PELO DIABO”. Ora, se Jesus era mesmo Deus quando aqui andou e foi tentando pelo diabo, então as Escrituras acabam em tremenda contradição, pois ela mesmo garante que “ Ninguém, sendo tentado, diga: De Deus sou tentado; porque Deus não pode ser tentado pelo mal, e a ninguém tenta”, Tiago 1:13.

Como poderia as Escrituras dizer que Deus foi tentado como nós?

“Tentado em todos os sentidos, assim como nós somos” (Hb 4:15).

“… Porque Deus não pode ser tentado pelo mal” (Tiago 1:13).

Uma vez que Deus não pode ser tentado, mas Jesus foi, portanto, Jesus não era Deus.

Se alguns estão tentando mostrar na Bíblia que Jesus Cristo é Deus, devem ser claros. Se não estão tentando provar que Jesus é Deus, o Pai, mas que Jesus realmente possuía a natureza de Deus enquanto aqui andou, que apresentem as evidências! Ora,  se Jesus não tinha a natureza de Deus, mas a de Adão, sendo homem como nós, e não divino, logo, Ele não era [um] Deus. E se Jesus e Deus são vistos separados, então nada pode ser feito.

A Bíblia diz que os ensinamentos de Jesus eram de Deus, não de si mesmo.

“Então Jesus respondeu-lhes e disse: “Minha doutrina não é minha, mas daquele que me enviou” (João 7:16). Jesus não poderia ter dito isso se ele fosse Deus, porque a doutrina teria sido sua.

Quem espalhou a velha heresia de que Jesus era o próprio Deus, com toda sua divindade, foi o “Modalismo”, refutado bravamente por alguns dos primeiros pais da igreja, especialmente Tertuliano. Modalismo é a crença de que Jesus e o Pai, literalmente, são a mesma pessoa e que não há distinção entre eles. No entanto, como explicado no artigo exposto, o Deus Todo-Poderoso (o Pai) e Jesus são claramente duas pessoas distintas.

“Sem princípio… nem fim de Vida”

PORQUE este Melquisedeque, que era rei de Salém, sacerdote do Deus Altíssimo… Sem pai, sem mãe, sem genealogia, não tendo princípio de dias nem fim de vida, mas sendo feito semelhante ao Filho de Deus, permanece sacerdote para sempre” Hebreus 7:1-3.

Melquisedeque era “sem mãe, sem pai, sem descendência”, ou como a tradução de Phillips diz: “Ele não tinha pai nem mãe nem árvore genealógica?”

Ele não nasceu como os outros seres humanos? Ele realmente não teve pai e nem mãe? Isso significa que os registros de nascimento de Melquisedeque foram perdidos? Sem tais registros, os sacerdotes humanos não poderiam servir (Esdras 2:62). Então, como ele serviu? Mas, se Melquisedeque não tivesse genealogia, ele não deveria ter sido um mortal comum. Se ele não tinha descendência então era auto-existente? Note o que o escritor de Hebreus diz: “Não tendo princípio de dias nem fim de vida” (Hebreus 7: 3). O que há de errado?

No entanto, Melquisedeque não pode ser Deus o Pai, pois ele era o “sacerdote do Deus Altíssimo” (Gn 14:18). E mais, diz que os Sumos Sacerdotes são “tomados dentre os homens” (Hb 5:1). Além disso, as Escrituras dizem que nenhum homem jamais viu a Deus (João 1:18, 5:37), mas Abraão viu Melquisedeque. Ele não pode ser Deus o Pai, mas sim “feito semelhante ao Filho de Deus; permanece sacerdote continuamente” (Hebreus 7: 3).

E ai está! Nos dias de Abraão, Melquisedeque não podia de forma alguma ser o Filho de Deus, pois Jesus ainda não havia nascido da virgem Maria. E, se alguém entende que a manifestação de Melquisedeque era uma teofonia do Senhor Jesus (Uma teofania é um ensinamento ou uma TEORIA de que um Deus “pré-encarnado”, o Filho, desceu do céu durante os tempos do Antigo Testamento e apareceu em diferentes formas) então deve admitir que o Verbo se fez carne várias vezes nos tempos do Velho Pacto.

O escritor de Hebreus usa este incidente de Melquisedeque (junto com uma profecia do Salmo 110), para demonstrar a superioridade do sacerdócio de Cristo à do sistema levítico (Hb 7: 4-10). Além disso, havia algumas semelhanças entre Melquisedeque e Cristo, de modo que se pode dizer que o primeiro era um “tipo” (uma imagem ou pré-visualização simbólica) de Jesus. Isso não significa, no entanto, que eles eram a mesma pessoa. De fato, o texto sagrado indica o contrário. Foi dito que Cristo era um sacerdote “da ordem de Melquisedeque” (Hb 5: 6,10; 6:20; 7:11). O termo grego para a palavra “ordem” sugere um “arranjo” similar. Por exemplo, assim como Melquisedeque era tanto um rei quanto um sacerdote simultaneamente, assim também Cristo é (cf Zc 6: 12-13; Hb 1: 3).

Melquisedeque foi “sem pai, sem mãe” (Hb 7: 3a). O significado é o seguinte: seu papel divino não foi derivado genealogicamente, nem transmitido de seus pais. Assim, nem o sacerdócio de Jesus foi determinado por uma linhagem física, como no caso dos sacerdotes levitas. De fato, no texto, Melquisedeque difere dos sacerdotes levíticos, pois nada é dito sobre seu nascimento, ascendência ou vida subsequente. Não devemos concluir que o escritor pensava que Melquisedeque era literalmente uma figura eterna – e certamente não que ele fosse algum tipo de pré-encarnação de Jesus. Melquisedeque é comparado ao Filho de Deus, no sentido específico de que ele “permanece um sacerdote para sempre”. Sabemos sobre os pais de Jesus, conhecemos as genealogias, sabemos que ele era descendente de Davi segundo a carne (cf. Rm 1: 3). No que diz respeito ao seu passado, ele não é como Melquisedeque.

Jesus foi “designado” sumo sacerdote por Deus porque “aprendeu a obediência pelo que sofreu” e foi “aperfeiçoado” (Hb 5: 8-10). Isso não faz sentido algum se Jesus, como algum tipo de sumo sacerdote eterno, já era Deus. Jesus se torna um sacerdote através do poder da ressurreição, pelo poder de uma “vida sem fim” (Hb 7:16). Ele foi apontado como sumo sacerdote (Hb 5: 5). Ele não era um sumo sacerdote antes de sua morte e ressurreição, portanto, nenhuma alegação pode ser feita com base nessa analogia a respeito de sua preexistência. Que Jesus viveria para sempre não é parte do argumento de que ele já vivia para sempre antes de sua existência terrena. Como um sacerdote humano segundo a ordem de Melquisedeque, ressuscitado dentre os mortos, Jesus foi adiante como um “precursor” em favor daqueles que também sofrerão e serão justificados por ele (6: 19-20).

Melquisedeque é um “tipo” de Jesus aqui apenas em um aspecto: ele continua como um sacerdote para sempre, que é um elemento na convergência dos temas sacerdotal e real. As outras declarações feitas não fazem parte da tipologia ou analogia – claramente não, já que Jesus tinha uma mãe e uma genealogia, de fato, duas genealogias. Você não pode ter uma genealogia e ser eterno. Então o escritor não está dizendo aqui que Jesus também não teve começo de dias. Isso não pode ser usado como argumento para a divindade ou preexistência de Jesus.

E, ao dizer que Melquisedeque foi sem “princípio de dias” e “fim da vida” (Hb 7: 3b) deve apenas significar que seu sacerdócio não era para um termo fixo (como no caso dos sacerdotes levíticos). Sob o regime do Antigo Testamento, os sacerdotes iniciavam seu serviço aos 30 anos e os levitas serviam de 30 a 50 anos (cf. Nm 4: 3 ss; 8: 24-25).

Aparentemente, no entanto, não havia limitação cronológica com referência a este “sacerdote do Deus Altíssimo” que reinou em Salém, alguns podem reclamar. Mais uma vez, a esse respeito, ele prefigurou Cristo, que serve continuamente como nosso sacerdote durante toda a era cristã. Que Melquisedeque não era a mesma pessoa que Jesus é evidente quando se diz que ele é “semelhante ao” Filho de Deus (Hb 7: 3c). A ênfase se tornaria irrelevante se as duas pessoas fossem iguais em identidade.

Leia com atenção o artigo a seguir para que você tenha uma ampla visão do assunto. Os créditos são para o apologista Valdomiro Filho.

PORQUE este Melquisedeque, que era rei de Salém, sacerdote do Deus Altíssimo… Sem pai, sem mãe, sem genealogia, não tendo princípio de dias nem fim de vida, mas sendo feito semelhante ao Filho de Deus, permanece sacerdote para sempre” Hebreus 7:1-3.

Será que Hb. 7.3 está ensinado sobre a eternidade de Jesus?

Para responder a essa pergunta precisamos entender o que o contexto quer dizer.

A Bíblia está textualmente dizendo que Melquisedeque não tinha pai, mãe ou genealogia, sem início de dias ou fim de dias, sendo semelhante ao Filho de Deus.

Se querem ver eternidade plena de Jesus nessa passagem precisarão considerar PRIMEIRO que Melquisedeque seria eterno também, pois note que é dele (Melquisedeque) que se fala não ter pai, mãe ou genealogia, princípio ou fim de dias. Ali também se diz “permanece sacerdote para sempre”, mas não é de Jesus que se diz isso, é de Melquisedeque que se diz “permanece sacerdote para sempre”. Não poderão alegar que Melquisedeque é Jesus preexistente, porque dele se diz ser semelhante ao Filho de Deus, ou seja, são dois seres distintos postos em paralelo. Um para mostrar legítimo o sacerdócio do outro. Assim, algumas perguntas, de cara, fazem-se necessárias:

  1. Melquisedeque realmente não tinha pai, mãe ou genealogia?
  2. Ele não tinha início ou fim de dias?
  3. Ele permanece sacerdote para sempre?

Ao que parece, querendo afirmar que Jesus é eterno, usam a passagem referente a Melquisedeque, mas esquecem que o que foi dito, foi dito do próprio Melquisedeque e depois houve comparação de, ou com Jesus.

Então, em que Jesus é semelhante a Melquisedeque? Será na eternidade de Melquisedeque?

A explicação começa a ser delineada na sequência do texto bíblico.

Hb 7:4 “Considerai, pois, quão grande era este, a quem até o patriarca Abraão deu os dízimos dos despojos”. Se falou de Melquisedeque nesses termos para mostrar que apesar de desconhecido, ele era, pelo ato de Abraão, evidentemente, grande em dignidade.

Em seguida lemos Hb 7:6 “Mas aquele, cuja genealogia não é contada entre eles, tomou dízimos de Abraão, e abençoou o que tinha as promessas. ” Aqui temos uma informação importantíssima: Melquisedeque é aquele cuja “GENEALOGIA NÃO É CONTADA ENTRE ELES”. Ou seja, o que se quis dizer antes foi que Melquisedeque não tinha genealogia entre os Levitas e não que ele fosse eterno. O destaque é que não existe o registro de seu nascimento e de sua morte: “sem início ou fim de dias”. O que se quer dizer é que nada se sabe sobre ele que o tornasse merecedor do sacerdócio. Ou seja, é alguém que apesar de não ser contado entre os levitas (não existia registro algum de sua vida) era tão importante que recebeu dízimo dos levitas que estavam, em semente, nos lombos de Abraão que efetivou a dádiva. É esse sacerdócio não preso às amarras da lei (a lei determinava uma outra base para o sacerdócio), que faz de Melquisedeque, por direito, sacerdote para sempre, o que não quer dizer que o próprio Melquisedeque tenha vivido pela eternidade. O que em está causa é o mérito.

A semelhança falada ali não é com a suposta ETERNIDADE de Melquisedeque, mas com o fato de ele não ser contado entre os que cabiam o sacerdócio e mesmo assim ser legitimamente sacerdote.

O foco de todo o contexto é a legitimidade e superioridade do sacerdócio de Cristo sobre o sacerdócio levítico a partir da comparação do sacerdócio de Melquisedeque que não era descente da tribo de Levi.

No contexto não se trata da eternidade; nem a de Melquisedeque, nem a de Jesus. E nem a eternidade de Jesus é ventilada, mesmo que indiretamente, pois se o fosse, então, estaria estabelecida também a eternidade de Melquisedeque.

É um verso que é fácil de descontextualizar quando se tem o propósito de por Jesus como ente eterno. Mas se esquecem que ali se falasse de eternidade, o que não é o caso, estaria falando primeiramente da eternidade de Melquisedeque, como reiteradas vezes falei. Mas, como vimos o objetivo foi falar da ausência genealógica ou registro de nascimento e morte daquele sacerdote, o que o tornaria um estranho e indigno da função aos olhos dos judeus, que só surgiriam posteriormente. Mas quando Abraão, o maior dos patriarcas, dá o dízimo a ele, revela e legitima sua grandeza e dignidade. É nesse comparativo de grandeza e dignidade, sem estar no rol dos levitas, que ele é posto em paralelo ao Filho de Deus.

Ver ali um ensino sobre a eternidade de Jesus decorre de uma leitura apressada do verso bíblico.

Autor: FILHO, Valdomiro

Postado originalmente em Unitarismo Bíblico: Hb. 7.3 e a eternidade de Jesus (?)

“Mas, do Filho, diz: Ó Deus”

nova

Mas, do Filho, diz: Ó Deus, o teu trono subsiste pelos séculos dos séculos; Cetro de eqüidade é o cetro do teu reino. Amaste a justiça e odiaste a iniqüidade; por isso Deus, o teu Deus, te ungiu Com óleo de alegria mais do que a teus companheiros”, Hebreus 1:8,9.

Está aí uma das principais passagens usadas pelos trinitarianos como evidência para a deidade de Cristo – que Jesus era, e é Deus. Visto pela superfície, a prova parece clara, direta e definitiva. Porém, os problemas começam a aparecer quando examinamos o contexto bem de perto, o que muitos não fazem por entender que essa Escritura é uma resposta conclusiva para os que ensinam o contrário. O versículo oito parece bem convincente: “Mas, do Filho, diz: Ó Deus, o teu trono subsiste pelos séculos dos séculos; Cetro de eqüidade é o cetro do teu reino”.

O escritor aos Hebreus está citando o Salmo 45:6. Observe como esta tradução apresenta o verso seis no Salmo: “O teu trono, ó Deus, é eterno e perpétuo; o cetro do teu reino é um cetro de eqüidade”.

Vemos uma discrepância terrível aqui. O Salmo faz alusão a um rei israelita – Salomão ou Davi – e seu casamento com uma princesa, mas em Hebreus a citação foi aplicada ao filho de Deus. Porém, as duas referências os tratam como Deus. Quanto ao rei se diz, “O teu trono, ó Deus”. E a Jesus, “do Filho, diz: Ó Deus, o teu trono”. Obviamente há algo errado em algum lugar, não apenas um erro pequeno, mas enorme, e este é um erro de tradução. O verso seis não poderia jamais ter sido traduzido como “O teu trono, ó Deus” para referência a um rei humano. Isso é um absurdo com consequências desastrosas.

O Salmo 45 é uma canção de amor para o casamento do rei Davi – alguns estudiosos acham que é Salomão – com uma princesa estrangeira de Tiro, na Fenícia. Observe o que é dito desse rei:

2 Tu és mais formoso do que os filhos dos homens; a graça se derramou em teus lábios; por isso Deus te abençoou para sempre.

3 Cinge a tua espada à coxa, ó valente, com a tua glória e a tua majestade.

4 E neste teu esplendor cavalga prosperamente, por causa da verdade, da mansidão e da justiça; e a tua destra te ensinará coisas terríveis.

5 As tuas flechas são agudas no coração dos inimigos do rei, e por elas os povos caíram debaixo de ti.

6 O teu trono, ó Deus, é eterno e perpétuo; o cetro do teu reino é um cetro de eqüidade.

7 Tu amas a justiça e odeias a impiedade; por isso Deus, o teu Deus, te ungiu com óleo de alegria mais do que a teus companheiros.

É evidente que o rei não está sendo chamado de Deus. Qualquer pessoa é capaz de ver um problema muito sério aqui. A coisa foi tão séria que as autoridades rabínicas divergem sobre o texto. O contexto só faz sentido se aplicamos a tradução correta, que é: “o seu trono é [o trono de] Deus“.

Certamente o salmista não quis dizer que o rei fosse Deus. Talvez quisesse dizer que o poder régio e governamental do rei, provinha de Deus e para isso precisamos descobrir qual foi a correta tradução, que certamente leva o mesmo sentido para Hebreus 1:8 aplicando-o profeticamente ao reinado messiânico de Jesus que é o Rei do reino de Deus, e também tem seu poder governamental fornecido por Deus.

A trinitáriana Bíblia New American Standard explica em uma nota de rodapé sobre o Salmo 45: 1: “Provavelmente se refere a Salomão como um tipo de Cristo”. Então, de acordo com esta Bíblia, as palavras do Salmo 45: 6, embora em sentido figurado referindo-se a Jesus, foram literalmente aplicadas a um antigo rei israelita (provavelmente o rei Salomão).

Então, se o Salmo 45: 6 está devidamente traduzido, “o seu trono, ó Deus…”, em seguida, aquele antigo rei israelita (Salomão?), também foi literalmente chamado de Deus em “Ó Deus” (ou “O Deus”?).

Outra versão, altamente trinitária, a New American Bible, St. Joseph Edição, 1970, explica em uma nota de rodapé para este verso: “O rei hebreu foi chamado… ‘Deus’, não no sentido politeísta comum entre os antigos pagãos, mas no sentido de “divino” ou “aquele que toma o lugar de Deus”.

Ainda outra Bíblia trinitáriana, a Easy-to-read-Version, também diz em uma nota de rodapé para esta passagem: “Deus… aqui o escritor pode estar usando a palavra ‘Deus’ como um título para o rei “(Cf. Estudo da Bíblia NIV para o Salmo 45: 6 e 82:1, 6).

A edição revista da NAB de 1991 traduz o Salmo 45: 6,7 como “Seu trono, ó Deus…”. Porem, a St. Joseph edição da NBA de 1970 já traduziu este verso como: “Seu trono é o trono de Deus“, o que nos remete a 1 Crônicas 29:23 “onde o trono de Salomão é referido como o trono do Senhor”.

Agora estamos chegando perto da intenção mais provável de Hebreus 1: 8. Há boas evidências de que a tradução adequada (bem como o Salmo 45: 6.) deve ser “o seu trono é de Deus para sempre“.

Apresento aqui algumas traduções do verso 6 no Salmo 45:

A NSB, diz: Deus está no seu trono.

A Revised Standard Version, “Seu trono divino dura para sempre e sempre. O seu cetro real é um cetro de eqüidade”.

A Mensagem tradução, “Seu trono é o trono de Deus, sempre e sempre”.

Nova Bíblia em Inglês tradução, “Seu trono é como o trono de Deus”.

A Good News Bible (GNB), uma paráfrase da Bíblia trinitária, diz: “O reino que Deus lhe deu vai durar para sempre e sempre”.

A RSV torna-o como “Seu trono divino“. E uma nota de rodapé oferece esta leitura alternativa: “teu trono é o trono de Deus”.

NEB diz: “Seu trono é como o trono de Deus”.

The Holy Sc riptures (versão JPS), afirma: “O teu trono dado por Deus“.

A tradução espanhola da Bíblia de Jerusalém de 1976 foi mais justa com o contexto. Veja como trouxe mais luz: “Tu trono es de Dios para siempre jamás; un cetro de equidad, el cetro de tu reino; tú amas la justicia y odias la impiedad. Por eso Dios, tu Dios, te ha ungido con óleo de alegría más que a tus compañeros”.

Observe agora essa tradução, a Catholic Public Domain Version. O versículo 7 do Salmo 45 ficou assim: “You have loved justice and hated iniquity. Because of this, God, your God, has anointed you, before your co-heirs, with the oil of gladness”. Aqui fala do rei, e o rei não é Deus: “Because of this, God, your God, has anointed you”. Tradução: “Por causa disso, Deus, seu Deus, te ungiu”.

A Sociedade Bíblica Britânica também norteou o mesmo sentido: “Amaste a justiça, e odiaste a iniqüidade; Portanto Deus, o teu Deus, te ungiu Com o óleo de alegria acima dos teus companheiros”. Inadmissível que se transfira daqui o que os trinitarianos desejam para Hebreus 1:9, que seria exatamente isso: “Portanto [eu te digo] Deus [Jesus], o teu Deus [o Pai] te ungiu com óleo de alegria acima dos seus companheiros”.

Outra tradução espanhola foi brilhante no Salmo 45:7: “Amaste la justicia y aborreciste la maldad; por tanto te ungió Dios, el Dios tuyo, con óleo de gozo más que a tus compañeros”.

A NTLH foi a que mais se aproximou do real significado da passagem: “Ama o bem e odeia o mal. Foi por isso que Deus, o seu Deus, o escolheu e deu mais felicidade ao senhor do que a qualquer outro rei”.

Como também visto acima, muitos têm interpretado ‘teu trono é (o) de Deus’ (cf. I Cr 29.23), ou então ‘teu trono é (como o de) Deus’. Até mesmo comentaristas trinitários reconhecem que o pensamento de atribuição desse verso ao Deus Eterno se dá nas versões, ou seja, não é o texto ou o contexto hebraico, por si só, que força esse entendimento, pelo contrário, se formos ler o texto só olhando para o hebraico o entendimento natural seria “Teu trono é de Deus”.

A Bíblia de Jerusalém traduz o Salmo a partir do hebraico assim: “Teu trono é de Deus, para sempre e eternamente! O cetro do teu reino é cetro de retidão”.

Esse é o sentido universal do texto. No entanto, se a interpretação Trinitária estiver correta para o verso chave, Hebreus 1:9, então Deus tem um Deus e Deus é ungido por outro Deus, porque o verso diz: “Por isso Deus, o teu Deus, te ungiu…”. Porém, o que vai ficar em evidencia após examinarmos todo o contexto é que nada disso tem fundamento algum.

O que o Salmo 45:6 e Hebreus 1:8 querem dizer é, literalmente, que o trono do ungido é o trono de Deus. O que teríamos, portanto, na primeira parte do versículo 8 em Hebreus, não fosse a desonestidade de muitos tradutores seria o seguinte: “O teu trono é o trono de Deus, que dura para sempre”.

O contexto no Salmo honra ao rei Davi (ou Salomão); o versículo em Hebreus faz a mesma coisa: honra ao filho. O Salmo é semelhante, pois não é o rei que é chamado de Deus logo após as palavras “O teu trono”. O versículo seguinte nos Salmos diz desse rei que, por ele amar a justiça e odiar a iniquidade, o Deus dele o ungiu: “Tu amas a justiça e odeias a impiedade; por isso Deus, o teu Deus, te ungiu com óleo de alegria mais do que a teus companheiros”.

Uma tradução apropriada seria: “Por esse motivo, Deus, que é o teu Deus te ungiu mais do que aos teus companheiros”. O mesmo sentido deve ser aplicado para Jesus em Hebreus 1:8: “Amaste a justiça e odiaste a iniqüidade; por [causa] disso, Deus, [que é] o teu Deus, te ungiu com óleo de alegria mais do que a teus companheiros”. Apesar disso, a desordem trinitariana alega que o texto deve ser lido da seguinte forma: “Amaste a justiça e odiaste a iniqüidade; por isso Deus [Jesus], o teu Deus [o Pai], te ungiu Com óleo de alegria mais do que a teus companheiros”. Exatamente isso caro amigo leitor: Deus de Deus! Um Deus tem outro Deus! O salmista e o Salmo desapareceram, segundo os trinitarianos, agora restam apenas Pai e Filho, sendo que o Pai fala com Filho na carta aos Hebreus. Algo está fora de lugar aqui: Deus Pai está falando a Deus Filho, “Ó Deus”, e então Deus o Pai diz ao Deus filho que ele é Deus e depois o Pai diz: “Deus, o teu Deus”. O que é isso? Certamente uma aberração sem precedentes!

Pare e pense sobre isso com muito cuidado. Em Hebreus 1:8 Deus, o Pai, trata outra pessoa, ou ser, como “Ó Deus”. Como podemos entender algo assim? Se acompanharmos a interpretação que os trinitarianos aplicam no texto, então isso implica dizer que Deus Pai tem um Deus. Insisto caro amigo leitor, os trinitarianos querem convencer a massa ignorante que o Deus de Abraão, Isaque e Jacó – O Deus único – se dirige a outro ser e o chama “Ó Deus”. O que lhe parece? Deus o Pai não tem Deus para tratar como “ó Deus”. Se aceitarmos esse terrível engano, então o texto fica desse jeito: “Mas, do Filho [Deus Pai] diz: Ó Deus, o seu trono é para todo o sempre“. Totalmente inaceitável!

Por que alguém iria querer interpretar as palavras gregas “ho theos”, como “Ó Deus” no versículo 8, mas as mesmas palavras como “Deus” (duas vezes) no versículo 9? Os resultados trinitários de tradução deixam implicações absurdas. Isso resulta em Deus ungir outro Deus para que Deus pudesse fazer de Deus acima de Deus. Se o texto diz que Deus, o Deus de “Deus”, o ungiu, não só teríamos um subordinacionismo ontológico, que é rejeitado pelos trinitarianos por negar a co-igualdade entre as hipóstases, como também “Deus” fora de Deus, cuja possibilidade é negada em Is 44:6. Ou seja, um Deus ungindo outro co-igual é algo não permitido e nem ensinado na Bíblia. Os versos não dizem que Deus está se auto-ungindo (?). Portanto se o texto se referir a primeira ocorrência da palavra Deus como Deidade absoluta, temos por via de consequência dois “Deus (es)”; o ungido e o que unge. Agora, se o entendemos como um texto que foi dirigido, como o próprio nome da epístola diz, aos HEBREUS, e nos lembrarmos que eles estavam familiarizados com o uso do termo “Deus” (Elohim) nas escrituras Hebraicas e o lê agora em grego, então, tudo se harmoniza, pois como regente da casa de Davi, Jesus, o Filho de Deus, se assenta no trono eterno de Deus.

Além disso, o Salmo 45 fala profeticamente do Ungido e o Deus do Ungido. Aquele que faz a unção é Deus que, claramente está separado de quem está sendo ungido. Assim, o único a fazer a unção é o Pai. Um unge o outro com o óleo da alegria. Assim, como fica claro que o antigo rei israelita não era Deus, mas foi ungido por Deus, seu Deus, para uma posição acima de seus companheiros, o mesmo acontece com Hebreus 1:9, como figurativamente aplicado a Jesus para mostrar que ele não é Deus, mas foi ungido por seu Deus para uma posição elevada acima de todos, exceto o próprio Deus.

Como é comum em vários salmos, muitos acreditam que há uma aplicação menor, original, típica, bem como uma aplicação importante antitípica no Salmo 45. Alguns estudiosos dizem que a aplicação original deste Salmo aponta para Salomão. Nós lemos que Salomão “sentou-se no trono do Senhor” (2 Crônicas 29:23, ver também: 1 Reis 1:13). Da mesma forma, o trono de Jesus também é o trono de Deus (Apocalipse 3:21), que ele recebe do seu Pai, o único Deus verdadeiro, Salmo 2:4-6; Daniel 7:13, 14; Atos 2:29-31; João 17:1, 3.

Na verdade, o autor de Hebreus está simplesmente dizendo que Jesus é exaltado ao trono de Deus no céu e, como tal, ele não está tentando demonstrar que “Jesus é Deus”, mas que Jesus subiu ao trono de Deus e está, portanto, acima dos anjos com toda a autoridade.

Deus fez este Jesus, que vós crucificastes, Senhor e Cristo”, Atos 2:36.

Toda a autoridade no céu e na terra foi dada a mim“, Mateus 28:18.

Ao que vencer lhe concederei que se assente comigo no meu trono; assim como eu venci, e me assentei com meu Pai no seu trono”, Apoc 3:21.

Porque o Cordeiro que está no meio do trono os apascentará, e lhes servirá de guia para as fontes das águas da vida; e Deus limpará de seus olhos toda a lágrima”, Apoc 7:17.

Deus está sobre o ungido. Evidente que Deus não pode ungir outro Deus. Não há dois Deus, mas um só. Ele é superior a quem está sendo ungido no Salmo 45:7, como também é superior ao Ungido de Hebreus 1:9. Observe que em Isaías 61:1 encontramos uma palavra profética do Messias, onde se lê: “o Senhor me ungiu“. Veja também Lucas 4:18; Atos 10:38; Mateus 27:46; Marcos 15:34; João 17:1, 3; 20:17; 2 Coríntios 1:3; 11:31; Efésios 1:3, 17; 5:20; Colossenses 1:3; Hebreus 1:9; 1 Pedro 1:3 Apocalipse 2:7; 3:2, 13. Assim, quem recebe a unção não é Deus.

O escritor aos Hebreus identifica uma pessoa que fala de seu Filho. Assim, o Filho a quem “Deus” fala não pode ser “Deus”. Portanto, podemos ver a partir de uma revisão da passagem original que Deus não está chamando o Rei de “Deus”, mas está se referindo ao fato de que ele se senta em um trono estabelecido por Deus. Podemos ver que o trono de Deus é divinamente estabelecido através de sua aliança com Davi que é citada em 2 Samuel 7:14-16, “Eu serei para ele um pai e ele será um filho para mim… A sua casa e o teu reino serão firmados antes de mim para sempre, o seu trono será estabelecido para sempre“. Veja que a carta aos Hebreus usa as mesmas palavras originais quando a referência passa para o Senhor Jesus: “Eu serei para ele um pai e ele será como um filho para mim” (1:5). E ainda a respeito de Jesus, o Messias, somos lembrados desta promessa de aliança por Lucas, “Ele será grande e será chamado Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi” (1:35). Em harmonia com o fato de que Deus é o “trono”, ou a origem e Sustentador da realeza de Cristo, mostram que Deus confere tal autoridade sobre ele em Hebreus 1:8, 9 quando é citado o Salmo 45:6, 7.

A força do contexto do livro de Hebreus é poderosa e indica que a interpretação correta de Hebreus 1:8 é entender que o homem Jesus, que foi feito menor que os anjos, agora ascendeu ao trono de Deus e sentou-se à sua direita: “Seu trono é o trono de Deus”.

Qualquer outra interpretação faz violência ao contexto imediato. Todo o tema da passagem é que o Jesus humano, que foi feito menor que os anjos, e sofreu por nossos pecados, ascendeu à mão direita do trono de Deus e por isso tornou-se posicionalmente acima dos anjos na autoridade tendo sentado no trono do Deus de Israel. Não há absolutamente nenhuma razão para supor que Hebreus 1:8 está sugerindo que Jesus é Deus. Nenhuma!

Apenas cinco versos antes do versículo 8 e cinco versos depois do versículo 8, o escritor diz a mesma coisa com palavras ligeiramente diferentes:

Tendo feito a purificação dos nossos pecados, assentou-se à direita da Majestade no alto” (1:3).

Para qual dos anjos disse jamais: Senta-te à minha direita até que eu ponha os teus inimigos por escabelo de teus pés” (1:13).

Outra evidência para a tradução adequada de Heb. 1: 8 é encontrado nas conclusões do Comité de Texto (UBS) da Bíblia, o United Bible Societies trinitáriana. As Sociedades Bíblicas Unidas, composta da Sociedade Americana da Bíblia, A Sociedade Bíblica Nacional da Escócia, Sociedade Bíblica da Holanda e da Sociedade Bíblica Wurttemberg nomeou uma comissão internacional e interdenominacional (mas trinitária, é claro) de estudiosos textuais para determinar o mais preciso texto possível do Novo Testamento grego.

Para isso, eles examinaram centenas de variações nos muitos milhares de manuscritos antigos do Novo Testamento e comparados outros textos existentes por Westcott e Hort, Nestlé, Bover, e Vogels.

Em 1971, o UBS publicou um comentário A Prova sobre o grego do Novo Testamento, que explicou por que a comissão havia escolhido certas leituras como sendo corretas e rejeitou outras. Ao escolher o texto que eles acreditavam ser o mais próximo do manuscrito original do livro de Hebreus, o comitê UBS olhou para os manuscritos muito mais antigos e melhores ainda em existência hoje. Vários métodos ajudaram a decidir o que é a redação original. Um deles, é claro, é a forma como muitos dos antigos e melhores manuscritos concordam.

Outro método consiste em determinar qual das variações tinham maior probabilidade de ter sido alteradas por copistas posteriores. Por exemplo, quando um escritor do NT está se referindo a uma citação do AT, muitas vezes ele tem que redigir de forma ligeiramente diferente a partir da exata citação encontrada se pretende alterar o sentido do texto.

Uma outra consideração da comissão foi observar que muitos copistas posteriores mudaram o texto de uma escritura que parecia contradizer os ensinamentos do Catolicismo Romano. Portanto, se a formulação de um antigo manuscrito parece contradizer os dogmas da Igreja de Roma, é mais propenso a ter a redação original do que um outro manuscrito antigo que (no mesmo verso) parece concordar com o ensinamento da Igreja. (Perecebe-se claramente aqui a tendência romanista manejando as penas desses copistas. Certamente muitas foram as adulterações, principalmente aquelas sobre a divindade e deidade de Jesus amparadas pelo recente estabelecimento da trindade).

Usando estes critérios, a Comissão de UBS concordou por unanimidade que a redação original da Heb. 1: 8 deve ler literalmente (no grego NT): “para com o filho, diz, o seu trono é o trono de Deus para sempre…”.

Portanto, está evidenciado que a adulteração trinitariana em Hebreus 1:8 é outro exemplo de parcialidade extrema de tradução. Eles escandalosamente tentam alegar que Deus está se dirigindo a Jesus como “Deus”. Sua tradução não é a leitura mais natural do texto original grego e grosseiramente viola o contexto a fim de promover a doutrina trinitária.

A Deus toda Glória

“Nosso Deus e salvador Jesus Cristo”

Salvador

enquanto aguardamos a bendita esperança: a gloriosa manifestação de nosso grande Deus e Salvador, Jesus Cristo”, Tito 2:13.

SIMÃO Pedro, servo e apóstolo de Jesus Cristo, aos que conosco alcançaram fé igualmente preciosa pela justiça do nosso Deus e Salvador Jesus Cristo“, 2 Pedro 1:1

A composição do versículo (Tito 2:13) sai da linha escritural Paulina. Ou seja, Paulo nunca usou a terminologia “Nosso Deus e Salvador Jesus Cristo“. Quando ele citava a mesma sequência, em mais de 40 versículos, sempre disse da seguinte forma: “Nosso Deus e do Salvador Jesus Cristo“, ou mesmo “Nosso Deus e do Senhor Jesus Cristo”.

Vamos consultar algumas traduções alternativas para Tito 2:13:

“A própria versão católica (religião berço da formulação do trinitarismo cristão), conhecida como a Bíblia Pão Nosso, da Editora Vozes, em conjunto com a Editora Santuário, verteu assim o verso de Tt. 2.13: “Aguardando nossa esperança feliz e a vinda gloriosa do grande Deus e do Salvador nosso, Jesus Cristo.”, e não foi a única tradução a fazer a distinção, a Bíblia do Peregrino, também católica, verteu: “Esperando a promessa feliz e a manifestação da glória do nosso grande Deus e do nosso Salvador Jesus Cristo.” (1)

Paulo nunca chama Jesus de Deus, mas sempre contrasta como Senhor para com o Pai, que é o verdadeiro Deus, e isso é decisivo para a tradução correta. Além disso, a conexão (v. 11) sugere naturalmente que o resplendor é do Pai e do Filho. De fato, Paulo usa uma linguagem clara chamando o Pai de Deus mais de 500 vezes nas Escrituras, e nem uma vez ele aplica o título de Deus para Jesus, e isso deve governar quanto ao que é a tradução correta. Basta voltar dois capítulos em Tito para estabelecer a base correta sobre a tradução: “a Tito, meu verdadeiro filho de acordo com a fé comum: Graça, misericórdia e paz da parte de Deus, o Pai, e do Senhor, Jesus Cristo, nosso Salvador” (tradução Mundial Inglês da Bíblia). Aqui Paulo distingue claramente entre Deus Pai e do Senhor Jesus. “Deus”, em Tito 1:4, não significa três pessoas, isso significa que ele é uma pessoa, e Jesus não é incluído como “Deus”. Isso dá mais provas de que Tito 2:13 não reflete um Deus trino, ou que Jesus é o Deus de Abraão, Isaque e Jacó.

Várias versões em Inglês acompanharam o sentido das traduções em português:

Complete Jewish Bible (CJB)

“while continuing to expect the blessed fulfilment of our certain hope, which is the appearing of the Sh’khinah of our great God and the appearing of our Deliverer, Yeshua the Messiah”.

enquanto continuamos a esperar o cumprimento abençoado de nossa esperança certa, que é a aparição da Sh’khinah do nosso grande Deus e a aparição do nosso libertador, Yeshua, o Messias

1599 Geneva Bible (GNV)

“Looking for that blessed hope, and appearing of that glory of that mighty God, and of our Savior Jesus Christ”.

Aguardando/procurando por essa abençoada esperança, o aparecimento da glória daquele poderoso Deus e de nosso Salvador Jesus Cristo

New American Bible (Revised Edition) (NABRE)

“as we await the blessed hope, the appearance of the glory of the great God and of our savior Jesus Christ”.

enquanto aguardamos a bendita esperança, a aparição da glória do grande Deus e do nosso salvador Jesus Cristo

Porém, a Escritura diz claramente que tanto a glória do Filho e a glória do Pai aparecerá: “Porque, qualquer que de mim e das minhas palavras se envergonhar, dele se envergonhará o Filho do homem, quando vier na sua glória, e na do Pai e dos santos anjos”, Lucas 9:26. A Palavra de Deus também ensina que quando Cristo vier, ele virá com a glória de seu Pai: “Porque o Filho do Homem há de vir na glória de seu Pai” (Mateus 16:27).

E aqui está a solução para o enigma; se o verso lê, “A Glória do grande Deus e Salvador, Jesus Cristo” leva a citação para um significado curioso: “A manifestação da Glória do nosso grande Deus e Salvador, [que é] Jesus Cristo”, Ou seja, Cristo é a gloriosa manifestação de Deus no último dia, o dia da sua vinda.

A leitura mais natural de Tito 2:13 é ver que Jesus não está sendo descrito como “o grande Deus e Salvador”, mas como “a glória do grande Deus e Salvador”.

“A quem reivindique a ocorrência da palavra “ἐπιφάνεια” (epifaneia) em Tt. 2.13 como aquela que sempre aponta para Jesus e com isso pretendem considerar o ser de “Deus” e o ser de “Jesus” nesse versículo como sendo o mesmo, mas é de se observar que o verso de Tito, em estudo, não diz que Deus irá aparecer, nem fala da epifaneia de Deus, fala, na verdade, do “aparecimento da glória do grande Deus”, e, nesse sentido Jesus mesmo diz em Jo. 8.54 ”…quem me glorifica é meu Pai, o qual dizeis que é vosso Deus” e, ainda, Mt. 16.27 que mais explicitamente diz: “Porque o Filho do homem virá na glória de seu Pai, com os seus anjos; e então dará a cada um segundo as suas obras”, bem como lucas Lc. 9.26 “…o Filho do Homem, quando vier na sua glória, e na do Pai e dos santos anjos.”, Jesus Cristo virá na glória de Deus, seu Pai … ” (2)

Assim, a “aparição” (epifaneia) em vista é a aparição da glória divina em Jesus Cristo. Isso pode parecer um pequeno ponto, mas também pode significar que estamos de volta ao pensamento mais claramente expresso na Cristologia da Sabedoria Cristã mais antiga: que em Jesus deve ser vista a glória de Deus, a glória da presença divina; Jesus Cristo visto mais como a manifestação visível do Deus invisível, Deus se manifestando em e através de Jesus, do que Jesus como Deus ou um deus como tal.

E por fim, temos uma terceira opção de tradução, aquela que elimina Deus do texto e enfatiza apenas a pessoa do Senhor Jesus.

Aguardando a abençoada esperança e a aparição gloriosa do nosso Salvador Jesus Cristo“.

Se este for o caso, então não há necessidade de comentários. A composição textual e por demais clara.

A conclusão desse pequeno artigo é que o texto tem muitas visões alternativas possíveis, mas que não podem ser usadas como boas evidências ou prova da divindade de Jesus ou como uma boa referência para a alegada identificação de Jesus como divindade.

O texto não nomeia Jesus como “Deus” e não nos leva a um conceito trinitário que fala da divindade inata de Jesus que é igual para o Pai, mas pode simplesmente refletir a alta estima de Jesus na estima de Deus. No final, o texto não pode servir como uma defesa para a crença sobre a alegada natureza divina de Jesus que faz dele Deus e igual ao Pai.

Vamos agora para 2 Pedro 1:1: “SIMÃO Pedro, servo e apóstolo de Jesus Cristo, aos que conosco alcançaram fé igualmente preciosa pela justiça do nosso Deus e Salvador Jesus Cristo“.

Curiosamente no versículo imediato Pedro muda drasticamente a forma de escrever. Veja que ele separa Deus e Jesus: “Graça e paz vos sejam multiplicadas, pelo conhecimento de Deus, e de Jesus nosso Senhor

Pedro mostra de forma clara que ele não quis apresentar Jesus como Deus e Salvador ao mesmo tempo no v.1, pois o distingui na sequência imediata no v.2. Isso por si só lança suspeita sobre a reivindicação trinitária, especialmente porque Jesus é comumente chamado de “nosso Senhor” nas Escrituras. No entanto, a alegação trinitária nos faz crer que 2 Pedro 1: 1 é o único lugar em toda a Escritura onde Jesus é chamado “nosso Deus”. 2 Pedro 1: 2 faz uma clara distinção entre Deus e o Senhor Jesus. Esta seria uma linguagem muito confusa se “Deus” e o “Senhor” fossem dois títulos para uma pessoa no versículo 1, mas os mesmos dois títulos se referiam a duas pessoas diferentes no verso seguinte. Portanto, a alegação trinitária é uma proposta extremamente improvável.

A versão católica da Bíblia Sagrada da Editora Ave Maria traduziu: “Simão Pedro, servo e apóstolo de Jesus Cristo, àqueles que, pela justiça do nosso Deus e do Salvador Jesus Cristo, alcançaram por partilha uma fé tão preciosa como a nossa”. Reconhecendo Deus e o Salvador como seres distintos.

Mesmo a Bíblia de Jerusalém que é uma tradução feita por católicos e protestantes, ainda que vertendo o trecho de forma tradicional, informa como primeira nota de rodapé a versão alternativa de tradução: “Ou: ‘de nosso Deus e do Salvador Jesus Cristo”.

A American Standard Version também faz distinção entre Jesus e Deus: “Simon Peter, a servant and apostle of Jesus Christ, to them that have obtained a like precious faith with us in the righteousness of our God and the’saviour Jesus Christ”.

Simão Pedro, servo e apóstolo de Jesus Cristo, aos que obtiveram semelhante fé preciosa conosco na justiça de nosso Deus e do Salvador Jesus Cristo

A Weymouth New Testament segue a mesma regra: “Simon Peter, a bond servant and Apostle of Jesus Christ: To those to whom there has been allotted the same precious faith as that which is ours through the righteousness of our God and of our Saviour Jesus Christ”.

Simão Pedro, servo e Apóstolo de Jesus Cristo: Para aqueles a quem foi atribuída a mesma fé preciosa que a nossa pela justiça de nosso Deus e de nosso Salvador Jesus Cristo“.

A Aramaic Bible in Plain English, elimina Deus do texto, apresentando o verso da seguinte forma: “Shimeon Petraus, a Servant and an Apostle of Yeshua The Messiah to those who, equal in honor with us, were worthy for the faith by the righteousness of Our Lord and Our Savior Yeshua The Messiah”.

Simon Pedro, Servo e Apóstolo de Yeshua, o Messias para aqueles que, iguais em honra a nós, eram dignos da fé pela justiça de Nosso Senhor e Nosso Salvador Yeshua, o Messias”.

A NRSV e a NAB, trazem: “the righteousness of our God and Savior, Jesus Christ“.

a justiça de nosso Deus e salvador Jesus Cristo” (NAB).

O NAB acrescenta esta nota de rodapé: “As palavras traduzidas por nosso Deus e salvador Jesus Cristo também poderiam ser traduzidas como” nosso Deus e do salvador Jesus Cristo”. A NRSV também acrescenta na nota de rodapé: “Ou do nosso Deus e do Salvador Jesus Cristo“. Portanto, é bastante claro que os eruditos trinitários não estão de acordo, como os trinitaristas gostariam que todos acreditassem.

Codex Sinaiticus: evidência de manuscrito muito importante

“O Codex Sinaiticus é um documento muito importante. Este manuscrito foi feito entre 325 e 360 d.C. e é provavelmente o manuscrito mais antigo que temos da Bíblia. Este manuscrito não diz “a justiça do nosso Deus e Salvador Jesus Cristo”. Em vez disso, diz: “justiça do nosso Senhor e do Salvador Jesus Cristo”. Há também outros manuscritos que lêem “Senhor” em vez de “Deus”. As evidências do Codex Sinaiticus nos mostram que não podemos ter certeza de que Pedro escreveu “nosso Deus e Salvador”. Este fato por si só anula completamente a afirmação trinitária sobre este verso.

A seguir, a imagem real do manuscrito do Codex Sinaiticus em 2 Pedro 1: 1. As letras gregas circuladas que se parecem com “KY” são uma forma nomen sagum da palavra grega kyrios (“senhor”)

Evidência interna

A evidência interna também sugere fortemente que a tradução do Sinaiticus está correta. Em nenhum outro lugar nas Escrituras, Jesus é chamado de “nosso Deus e Salvador”, mas Pedro se refere regularmente a Jesus como “Senhor e Salvador” nesta mesma carta.

1:11: reino do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.

2:20: no conhecimento do Senhor e Salvador Jesus Cristo.

3: 2: mandamento do Senhor e Salvador.

3:18: no conhecimento do Senhor nosso e Salvador Jesus Cristo.

Os apologistas trinitários também gostariam que todos supusessem que “o Senhor” em todos os versículos acima é Jesus. No entanto, também não é totalmente claro se a palavra “Senhor” em 1:11 e 3:18 se refere a Deus o Pai ou a Jesus. Com relação a 2 Pedro 1:11, compare Efésios 5: 5 e Apocalipse 11:15. Concernente a 2 Pedro 3:18 compare Judas 1:25.

Com base nas evidências disponíveis, e com relação às anotações do manuscrito, creio que as evidências indicam que Pedro provavelmente escreveu “Senhor e Salvador” em vez de “Deus e Salvador”. No entanto, embora eu ache que isso é mais provável, concluo que a evidência para a tradução autêntica de 2 Pedro 1: 1 não pode ser determinada com base nos fatos disponíveis e uma avaliação imparcial desses fatos. Com base nas evidências disponíveis, simplesmente não se pode concluir decisivamente se a evidência do manuscrito originalmente dizia “Deus” ou “Senhor”.

Enfim, não há nenhuma razão para supor que haja alguma evidência confiável de que Pedro está aqui identificando Jesus como Deus. A evidência do manuscrito é extremamente significativa, lançando sérias dúvidas sobre a interpretação que os trinitaristas desejavam ser autêntica. E a evidência interna também não apóia a alegação trinitária. Simplesmente não há evidência confiável para concluir que Pedro identificou Jesus como “Deus”. A única coisa que encontramos aqui é a ilusão da parte dos trintários”. (3)

Leia também o artigo sobre 2 Pedro 1:1 redigido por Valdomiro Filho

(1) FILHO, Valdomiro – Tito 2:13

(2) Idem

(3) Angelfire – 2 Pedro 1:1

“Deus bendito eternamente”

DeusA tradução da NVI verte a passagem como segue,

“… o povo de Israel. Deles é a adoção de filhos; deles é a glória divina, as alianças, a concessão da lei, a adoração no templo e as promessas. Deles são os patriarcas, e a partir deles se traça a linhagem humana de Cristo, que é Deus acima de tudo, bendito para sempre! Amém”, Romanos 9:4, 5.

Isso é tudo que a Ortodoxia Cristã Convencional amparada pelo Catolicismo Romano e os Trinitarianos desejam ardentemente: Essa tradução totalmente comprometida e suspeita. Eu jamais vi, de todas as adulterações das Escrituras, uma mais horrível do que a apresentada nessa tradução da NVI. Atente para esta versão mais próxima do original: “de quem são os patriarcas; e de quem descende o Cristo segundo a carne, o qual é sobre todas as coisas, Deus bendito eternamente. Amém”.

O contexto das Escrituras exige que tratemos estas palavras como uma doxologia independente [louvor a Deus]. Ou seja, o entendimento da passagem aqui em discussão pode ser norteado pelas palavras do mesmo Apóstolo em Romanos 1:25, que diz: “Pois mudaram a verdade de Deus em mentira, e honraram e serviram mais a criatura do que o Criador, que é bendito eternamente. Amém”. Observem que a terminologia é bem semelhante e invoca um louvor a Deus no final da sentença. Podemos ver construção similar em 2 Coríntios 11:31, “O Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que é eternamente bendito, sabe que não minto”.

Assim, Cristo não seria equiparado absolutamente com Deus em Romanos 9:5. Na verdade, o que o texto quer mostrar – no final da frase – é uma atribuição de majestade ao próprio Deus, um louvor, uma doxologia [elogios] dirigidos ao Pai. Portanto, a redação correta do texto pode ficar dessa forma:Dos quais são os pais, e dos quais é Cristo segundo a carne, o qual é sobre todos, [seja] Deus bendito eternamente. Amém”.

Romanos 9: 5 deve ser interpretado como tendo duas declarações diferentes sobre dois assuntos diferentes (1 – Jesus veio à terra como um israelita, e, 2 – Bendito seja Deus que está acima de tudo), que é certamente o significado pretendido por Paulo.

Agora, compare o tipo de construção textual visto em Romanos 9:5 com as seguintes passagens:

“Pois mudaram a verdade de Deus em mentira, e honraram e serviram mais a criatura do que o Criador, que é bendito eternamente. Amém”, Rom 1:25.

“Ao único Deus, sábio, seja dada glória por Jesus Cristo para todo o sempre. Amém”, Rom 16:27.

Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai das misericórdias e o Deus de toda a consolação”, 2 Cor 1:3.

“O Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que é eternamente bendito, sabe que não minto” 2 Cor 11:31.

“Graça e paz da parte de Deus Pai e do nosso Senhor Jesus Cristo, o qual se deu a si mesmo por nossos pecados, para nos livrar do presente século mau, segundo a vontade de Deus nosso Pai, ao qual seja dada glória para todo o sempre. Amém”, Gal 1:3-5.

Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo”, Ef 1:3.

“Mas por isso alcancei misericórdia, para que em mim, que sou o principal, Jesus Cristo mostrasse toda a sua longanimidade, para exemplo dos que haviam de crer nele para a vida eterna. Ora, ao Rei dos séculos, imortal, invisível, ao único Deus sábio, seja honra e glória para todo o sempre. Amém”, 1 Timóteo 1:16, 17.

Observe como a tradução de Romanos 9: 5 se harmoniza perfeitamente com o restante dos versículos bíblicos citados acima, enquanto a tradução trinitária não. Cada ocorrência da palavra grega eulogetes (“bendito seja”) no Novo Testamento é uma referência direta a Deus Pai. Os apologistas trinitárianos querem nos fazer crer que Romanos 9: 5 deve ser uma exceção.

A frase parece ser uma alusão ao Salmo 41:13: “Bendito seja o SENHOR, Deus de Israel, de eternidade a eternidade. Amém e amém“.

O Contexto

Paulo recorda as honras espirituais dadas a Israel: a filiação, o [Shekinah] glória, as alianças, a legislação, o culto do templo, as promessas, os patriarcas e o próprio Messias saiu deles na carne. Ele, então, termina com uma atribuição grata de louvor a Deus por tudo que Ele tem feito por Israel e uma dessas coisas foi a semente prometida do Messias através de Israel segundo a carne.

Observem que Paulo está aqui descrevendo Israel “segundo a carne” antes de Cristo morrer na carne para eles e subir em Espírito. E esta é a razão pela qual ele enfatiza a descida do Messias a partir de Israel segundo a carne (ver também 1: 3-4). Jesus é a semente prometida de Abraão e Davi, e Paulo está prestes a discutir a semente prometida nos versos que se seguem. Em Gálatas ele afirma explicitamente que a semente era Cristo. E Paulo conclui expressando louvor em direção a Deus pelo que ele tem feito por eles e por meio deles. O Cristo veio deles na carne e Deus seja louvado por dar a Israel esse privilégio.

Um estudioso trinitáriano, John L. McKenzie, também admite:

“O uso normal de Paulo é para restringir o substantivo [‘Deus’] e designar o Pai (cf. 1 Co 8: 6), e em Rm 9: 5 é muito provável que as palavras finais são uma doxologia, Bendito seja o Deus que está acima de tudo.”- p. 318, Dicionário da Bíblia de 1979 impressão de Bíblias, Macmillan Publ.

A New American Bible (NAB), edição de 1991, diz – “A partir dos israelitas, segundo a carne, é o Messias de Deus, que está acima de tudo e seja abençoado para sempre, Amém“.

New Inglês Bible (NEB), 1961 Ed. “… A partir deles surgiu o Messias, Que Deus, supremo, acima de tudo, seja bendito para sempre.”

Revised Inglês Bible (REB), 1989 ed. – “… A partir deles por descendência natural, veio o Messias, Que Deus, supremo, acima de tudo, seja bendito para sempre.”

American Translation (AT), 1975 impressão – “… deles fisicamente Cristo veio, Deus, que está acima de tudo seja bendito para sempre!”

Today Inglês Version (TEV), 1976 ed. – “Cristo, como um ser humano, pertence à sua raça, Que Deus, que governa todas as coisas, seja louvado para sempre.”

A Bíblia Viva (LB) – “… Cristo foi um de vocês… um que agora governa sobre todas as coisas, Deus seja louvado para sempre.” – Tyndale House Publishers, 1971.

A Bíblia, uma nova tradução, (Mo) pelo Dr. James Moffatt, 1954 – “A partir dos israelitas, em descendência natural veio o Cristo, eternamente bendito seja o Deus que é sobre todos. Amém”.

New Life Version (NLV) – “o próprio Cristo nasceu da carne desta família, e Ele é sobre todas as coisas, Deus seja honrado e agradecido para sempre”.  Victor Books, 1993.

Alonso Schökel, católico romano, assim verte os versos: “São israelitas, adotados como filhos de Deus, têm sua presença, as alianças, as leis, o culto, as promessas, os patriarcas; de sua linhagem segunda a carne descende o Messias. Seja para sempre bendito o Deus que está acima de Tudo. Amém”.

A Deus toda Glória

Fontes

Trinity Delusion, Romans 9:5 commentary

Examining the Trinity in Romans 9:5

A Quem Traspassaram

Mas sobre a casa de Davi, e sobre os habitantes de Jerusalém, derramarei o Espírito de graça e de súplicas; e olharão para mim, a quem traspassaram; e pranteá-lo-ão sobre ele, como quem pranteia pelo filho unigênito; e chorarão amargamente por ele, como se chora amargamente pelo primogênito”.

Já que Deus diz que ele é o único que “traspassaram” em Zacarias 12: 1, e como Jesus foi traspassado no Calvário, deve significar, para os trinitarianos, que Jesus é Deus.

Zacarias 12:10 na versão trinitariana é uma falsificação pobre e deficiente. Imagino que os trinitarianos esperavam que o erro não fosse percebido. Não faz sentido algum ver o Senhor se referir a si mesmo na primeira pessoa e logo em seguida novamente se referir a si mesmo na terceira pessoa no mesmo fôlego: “olharão para mim, a quem traspassaram; e pranteá-lo-ão sobre ele… e chorarão amargamente por ele”.

A tradução trinitariana – ACF – remete o leitor para Deus (mim), mas podemos observar a seguir algo contraditório. Porquê a sentença não continuou em “mim”, no caso, Deus, mas passou para “ele”? O fluxo da frase continua com a palavra “ele”. Leia o detalhe novamente: “eles se lamentam por ele “e” chorarão amargamente por ele”. Está escrito, “por ele”, e não por mim.

A tradução que os trinitarianos desejam não existe, que é esta: “E derramarei sobre a família de Davi e sobre os habitantes de Jerusalém um espírito de ação de graças e de súplicas. Olharão para mim, aquele a quem traspassaram, e chorarão por mim como quem chora a perda de um filho único e se lamentarão amargamente por mim como quem lamenta a perda do filho mais velho”.

Por outro lado, o texto de João mostra de forma cristalina o que está em Zacarias 12:10. João 19:37, diz: “E outra vez diz a Escritura: Verão aquele que traspassaram”. Portanto, “verão aquele… e prantearão por Ele”. A leitura de Zacarias 12:10 que João conhecia não é “eles olharão para mim”, mas “olharão para ele”. (ou mais literalmente, “a quem traspassaram”).

Se alguém toma a posição de que o Espírito Santo inspirou cada palavra que João escreveu, então também deve insistir que o Espírito Santo está confirmando para nós que a leitura de Zacarias (12:10) repetida por João é a correta.

Valdomiro Filho, comentando sobre Zacarias 12:10, acrescenta: “Costumam usar Zacarias 12.10 “e olharão para mim, a quem traspassaram”, cujos versos anteriores falam de Deus, e comparam com Ap. 1.7 “Eis que vem com as nuvens, e todo o olho o verá, até os mesmos que o traspassaram; e todas as tribos da terra se lamentarão sobre ele. Sim. Amém”. A partir dai concluem que Jesus é Deus que foi traspassado.

Aqui é interessante observar que há discordância entre a ARA e a ACF para o texto de Zacarias. Esta última seguiu uma tradução literal do texto Massorético, ao passo que a ARA contextualizou a tradução e colocou “olharão para aquele”. Esse fato tornou-se mais um ponto de disputa entre os defensores de cada um dessas versões. Uma tradução como a ARC, embora literal, cria uma desconexão com o restante do texto que diz: “e pranteá-lo-ão sobre ele” quando era de se esperar “prantear-me-ão sobre mim”, pois como podem olhar para “MIM, o traspassado e pratearem por ELE?”

A ARA entendeu contextualmente a passagem de Zacarias 12.10 como “e olharão para aquele a quem traspassaram, e o prantearão”; o que parece ser, de fato, a melhor leitura desse verso. O próprio texto de Apocalipse onde procuram buscar a identidade comum entre Deus e Jesus confirma uma leitura na terceira pessoa. Ali se constata que os versos que citam o evento descrito em Zacarias 12.10 não o fazem na primeira pessoa. Isso indica que no contexto amplo Deus está falando daquele que seria traspassado e não dele mesmo, como querem os trinitaristas. De qualquer forma uma coisa contrapõe a outra, pois se aquele que foi traspassado foi visto, no caso Jesus, não pode ser Deus, pois Deus nunca foi visto (I Tm. 6.16), e se Deus foi traspassado o sentido não pode ser material, pois Deus é Espírito, o que levaria o “traspassar” para esfera espiritual desassociando o dito pelo profeta do ato de perfuração do corpo, embora explicitando a dor da morte do Filho pelo Pai.

Vale destacar (se a requisição de identidade recair na equivalência literal da tradução do texto hebraico) que nem sempre o NT segue a leitura do texto Massorético, sugerindo uma fonte diferente e, na verdade, por vezes, difere, de fato, do texto hebraico geralmente utilizado, basta lermos a citação do cumprimento profético dessa passagem em João 19.37 “E outra vez diz a Escritura: Verão aquele que traspassaram.”, perceba “aquele” e não “a mim”. Tal leitura se harmoniza com o contexto amplo das Escrituras que dizem que Jesus foi visto, mas Deus nunca foi visto: I Tm. 6.16 “Aquele que tem, ele só, a imortalidade, e habita na luz inacessível; a quem nenhum dos homens viu nem pode ver, ao qual seja honra e poder sempiterno. Amém.” Ora, se Zacarias for entendido como literal, então, estará falando do Corpo de Jesus, portanto o que é perceptível ao olho humano. No entanto versos como I Tm. 6.16, dentre outros, nega que tenha ocorrido a possibilidade de tal contemplação de Deus no evento da crucificação. Aquele que foi traspassado, nosso Senhor, estava morto e reviveu, mas há UM que não pode ser visto pelos mortais e nunca morreu, o nosso Deus” (1).

FILHO, Valdomiro – Zacarias 12:10, http://www.unitarismobiblico.com/w/2011/06/13/zc-12-10/

Deus seja louvado

“Deus conosco… Pai da eternidade”

O Anjo Gabriel declara para José: “José, filho de Davi, não temas receber Maria como tua esposa, pois a criança que nela foi gerada é do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho, e você lhe colocará o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos seus pecados “Tudo isto aconteceu para se cumprir o que fora dito pelo Senhor por intermédio do profeta: “Eis que a virgem conceberá, e dará à luz um filho, E chamá-lo-ão pelo nome de Emanuel, Que traduzido é: Deus conosco”, Mateus 1:20-25.

Interessante é que este menino jamais foi chamado de Emanuel, mas sim de Jesus. Observe o verso 21: “E dará à luz um filho e chamarás o seu nome JESUS; porque ele salvará o seu povo dos seus pecados”.

“Emanuel/Deus conosco” é um nome ligado de modo tão íntimo à pessoa de Jesus porque são títulos, não nomes.

Se considerarmos Isaías 9:6 como uma referência para Jesus de Nazaré vamos descobrir que ele tem mais títulos: “Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu, e o principado está sobre os seus ombros, e se chamará o seu nome: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz”.

Por misericórdia e compaixão dos trinitarianaos, eu vou ignorar a tradução do Complete Jewish Bible exposta no Chabad.org que trás o versículo nestes termos: “For a child has been born to us, a son given to us, and the authority is upon his shoulder, and the wondrous adviser, the mighty God, the everlasting Father, called his name, the prince of peace“.

Traduzindo

Porque um menino nos nasceu, um filho nos foi dado, e a autoridade está sobre os seus ombros, e o maravilhoso conselheiro, o poderoso Deus, o eterno Pai, chamou seu nome, o príncipe da paz“.

Veja aqui – Isaías 9:5

Vamos considerar que a tradução correta é a que temos em nossas versões: “Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; e o governo estará sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai Eterno, Príncipe da Paz“.

Se aceitarmos como genuína essa tradução, não podemos encontrar explicações do porque Mateus a omitiu, mesmo citando dois versículos anteriores do mesmo capítulo.

Vamos começar pelo verso 13 de Mateus 4: “E, deixando (Jesus) Nazaré, foi habitar em Cafarnaum, cidade marítima, nos confins de Zebulom e Naftali, para que se cumprisse o que foi dito pelo profeta Isaías:

A terra de Zebulom e a terra de Naftali, junto ao caminho do mar, além do Jordão, a Galileia das nações, o povo que estava assentado em trevas viu uma grande luz; e aos que estavam assentados na região e sombra da morte a luz raiou“.

É tudo. O versículo que é atribuído a Jesus pelos trinitarianos foi omitido por Mateus. Veja Isaías 9:1,2-6:

Mas a terra que foi angustiada não será entenebrecida. Ele envileceu, nos primeiros tempos, a terra de Zebulom e a terra de Naftali; mas, nos últimos, a enobreceu junto ao caminho do mar, além do Jordão, a Galileia dos gentios.

O povo que andava em trevas viu uma grande luz, e sobre os que habitavam na região da sombra de morte resplandeceu a luz…”

Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; e o principado está sobre os seus ombros; e o seu nome será Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz“.

Certamente uma multidão de teólogos podem tentar invalidar o argumento atestando em favor dos trinitarianaos que Mateus não poderia encaixar o versículo no ministério do Jesus adulto porque fala de uma criança. E porque Mateus não adicionou o verso seis no momento do nascimento de Jesus? Observe o estrondo em favor dos trinitarianos se conectarmos o versículo no contexto de Belém:

Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; e o principado está sobre os seus ombros; e o seu nome será Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz“.

Mateus lançou mão de Isaías 7:14 em 1:23: “Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, o qual será chamado EMANUEL, que traduzido é: Deus conosco“, mas por qual motivo ele não usou Isaías 9:6 que parece muito mais consistente?

Qual foi o motivo da omissão? Não seria por que a tradução correta é aquela apresentada pela Bíblia judaica? Aqui podemos ver claramente que a referência não foi direcionada ao Senhor Jesus: “Porque um menino nos nasceu, um filho nos foi dado, e a autoridade está sobre os seus ombros, e o maravilhoso conselheiro, o poderoso Deus, o eterno Pai, chamou seu nome, o príncipe da paz“.

Porém, como eu disse anteriormente, por misericórdia e compaixão dos trinitarianos eu vou trabalhar com a nossa versão, atribuindo a Jesus o texto de Isaías 9:6 para mostrar que, mesmo assim, Jesus não pode ser considerado, literalmente, Deus.

Todos os nomes representam títulos. Seu nome de nascimento foi Jesus e não Deus Forte ou Deus Conosco e Pai da Eternidade. O “Deus” do título, se aplicado a Jesus, teria que ser harmonizado em termos de uma igualdade funcional, em oposição a uma identidade de substância. O que quero dizer aqui é que, Jesus agiu como o homem nos desígnios de Deus, não que ele era o próprio Deus, ou um Deus.

Os títulos encontrados dentro do nome (por exemplo, “Deus Forte”) destinam-se para seus devidos sentidos, aqui, tendo Jesus como subordinado responsável agindo nos desígnios de Deus.

Na verdade, esses títulos dentro do nome são feitos para louvar e exaltar a Deus, o Pai, e torná-lo presente entre os homens através de seu filho, o que faz com que as palavras de Hebreus 1:3 sejam entendidas perfeitamente: “[Jesus], sendo o resplendor da sua [de Deus] glória, e a expressa imagem da sua pessoa …”. Por isso Jesus disse: “Eu e o Pai somos um”, ou, “Quem vê a mim vê o Pai”.

Assim, as palavras (ou títulos) encontrados no sentido literal do nome se aplicam diretamente ao Messias em um sentido subordinado. A intenção de Isaías 9:6 é louvar o Deus do Messias que realiza grandes coisas por meio do Messias.

Jesus, como o Filho do Homem ocupou o titulo de Deus por causa do domínio; e o que distingue Jesus de outras pessoas é que ele foi escolhido para a missão. O Filho é a pedra angular no propósito do Pai e motivo de sua criação inteira. Como tal, sua vocação é única. Nos conselhos de Deus só Ele foi escolhido desde o início para ser a solução de Deus para o pecado, a expressão da sua misericórdia e soberano propósito da ordem criada. Além disso, sua obediência sem paralelo a este chamado ainda mais o distingue. A um custo imenso para si mesmo, ele deixou de lado sua posição privilegiada como Filho do rei, vontade própria e todo o direito que lhe é devido, abrindo espaço para o Pai executar seu trabalho através dele. E tudo ele fez como um homem, um homem que aqui nasceu e foi criado. Somente dessa forma ele é um modelo credível e sumo sacerdote misericordioso, que pode inteiramente se relacionar com os nossos sofrimentos e limitações. Apesar de Deus não poder ser tentado pelo pecado (Tiago 1:13 e Hebreus 4:15), ele fez isso tudo de seu Filho, que foi tentado e não pecou. Jesus passou por uma genuína experiência humana.

A função de Jesus para com a humanidade foi fazer até aquele momento o que só Deus pode fazer: a salvação dos pecadores. Jesus foi o agente de Deus através de quem ele interagiu com o homem. Ninguém jamais poderá negar que Jesus foi o mediador entre Deus e os homens. Quem nasceu em Belém de uma virgem foi o Messias e não um Deus. Por isso, se mantemos um conceito de Jesus quando ele aqui andou como sendo Deus, com a mesma substancia do Deus Pai, destruímos toda a obra de redenção.

Jesus foi o homem aprovado por Deus; em ninguém mais temos essa esperança. Atos dos Apóstolos, por exemplo, descreve Pedro proclamando aos líderes dos judeus: “Este Jesus é a pedra que foi rejeitada por vós, os construtores, que tornou-se a pedra angular. Não há salvação em nenhum outro, pois não há outro nome debaixo do céu dado entre os mortais, pelo qual devamos ser salvos“(Atos 4:11-12). Da mesma forma, no que pode ser o mais antigo de todos os escritos cristãos existentes, a primeira carta de Paulo aos Tessalonicenses, declara: “Porque Deus não nos destinou para a ira, mas para alcançarmos a salvação por nosso Senhor Jesus Cristo” (1 Tessalonicenses 5:8 ).

A boa notícia sobre o que Deus fez em Jesus é, de acordo com Paulo, “o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego” (Rm 1:16). A partir do fato de que a salvação de Deus veio através de Jesus, os primeiros cristãos passaram a ver Jesus como mais do que apenas um agente da salvação divina. Ele começou a ser considerado como o Salvador, aquele que realizou o que só Deus poderia fazer. Considere, por exemplo, as seguintes passagens do Novo Testamento:

Lucas 2:11: “. . . para vos nasceu hoje, na cidade de Davi, um Salvador, que é o Messias, o Senhor

Filipenses 3:20: “Mas a nossa pátria está nos céus, e é de lá que nós estamos esperando o Salvador, o Senhor Jesus Cristo“.

1 João 4:13-14 “Nisto conhecemos que permanecemos nele, e ele em nós, porque ele nos deu do seu Espírito. E nós vimos e testemunhamos que o Pai enviou o seu Filho como Salvador do mundo. “

Os cristãos que estão tão acostumados a respeito de Jesus como Salvador, e que jamais o perceberam como um homem, um ser humano que aqui viveu, podem facilmente perder o elemento “escandaloso” nesta confissão. Mas um olhar cuidadoso sobre o Antigo Testamento ressalta o escândalo: “Raramente as Escrituras hebraicas referem-se a seres humanos como agentes da salvação divina”. Na grande maioria dos textos, Deus, e só Deus, é o verdadeiro Salvador. Por exemplo, por meio de Isaías, Deus diz:

Quando passares pelas águas estarei contigo, e quando pelos rios, eles não te submergirão; quando passares pelo fogo, não te queimarás, nem a chama arderá em ti. Porque eu sou o Senhor teu Deus, o Santo de Israel, o teu Salvador; dei o Egito por teu resgate, a Etiópia e a Seba em teu lugar. (Is 43:2-3).

Ou considere a abertura do Salmo 62:

Eu espero em silêncio diante de Deus, pois a minha salvação vem dele. Só Ele é meu rochedo e minha salvação, minha fortaleza onde eu nunca serei abalado“. (Salmo 62:1-2, NTLH)

Assim, os primeiros cristãos, a maioria dos quais teriam sido familiarizados com estas e muitas outras passagens do Antigo Testamento que proclamam a Deus como o único Salvador, vieram a atribuir o título de Salvador para Jesus. No entanto, se Jesus era o Salvador, e só Deus é o Salvador, o que isso implica sobre o próprio Jesus?

Quem é o Salvador?

Então, dado o testemunho coerente do Antigo Testamento no sentido de que só Deus é o Salvador, o movimento de Jesus como Salvador para divino Senhor era óbvio, no entanto era novo.

Como foi citado anteriormente, José foi nomear o filho de Maria como “Jesus.” Por quê? Porque “ele salvará o seu povo dos seus pecados.” Há um jogo de palavras aqui que não pode ser perdido facilmente. O nome real de Jesus em aramaico era Yeshua , ou em hebraico, Josué . Este nome significa, em qualquer língua semítica, “O SENHOR é a salvação.” Então, o filho de Maria será chamado de “O Senhor é a salvação.” Dado o fato de que Yeshua/Joshua era um nome popular no tempo de Jesus, não podemos concluir que com relação a Jesus este nome possa ser identificado como divino. No entanto, o anjo disse a José que Jesus iria salvar Israel de seus pecados. Daí se pode produzir um silogismo, pois lembramos que o Anjo Gabriel ao anunciar o nascimento do Senhor adiciona uma linha de Isaías 7:14: ” Deus está conosco“. Deus veio na pessoa de Jesus, mas Jesus mesmo é seu filho, aquele que suportou seu nome, e não o próprio Deus. Agora está claro; “… a virgem conceberá e dará à luz um filho, a ele porás o nome de Emanuel”, que significa: Jesus vai cumprir a promessa de Isaías. Ele será, não só o Salvador, mas aquele que é Emanuel: Deus conosco. Isso não deve ser interpretado literalmente, que Jesus era o Deus Todo-Poderoso, mas que Deus agia através de Jesus pelo poder do Espírito Santo. Na verdade, a pessoa de Jesus, como Filho direto de Deus, nos possibilita entender a expressão principal que é DEUS CONOSCO. Deus não enviava mais profetas, mas ele mesmo veio nos resgatar através do seu Filho. Ou seja, Deus estar em Cristo, como atesta Paulo em II Cor 5:19, não deve significar que Cristo foi o próprio Deus em pessoa. Assim, e dentro desse contexto, a natureza de Jesus deve ser definida à luz de seu papel como Salvador. Se Jesus veio para nos regatar, então ele tinha que ser plenamente humano. Somente dessa maneira ele poderia levar a pena para o pecado humano.

Portanto, a mais alta expressão do amor de Deus para nós é a doação de seu Filho (João 3:16). O amor do Filho para o Pai é mostrado na sua oferta obediente de si mesmo (João 14:31). E para quem insiste na divindade mística, transcendental, celestial ao extremo, que exclui o Jesus descendente de Davi, e admite ter sido ele inteiramente o mesmo logos eterno na terra, digo: o sangue de Jesus ainda é o resgate exigido e fornecido por Deus pelos nossos pecados. Como que a supremacia do Filho poderia ser revelada em nós através de meios como estes se ele fosse o Deus Todo-Poderoso?

Deus, que nos ama perfeitamente, teve de suportar e assistir a agonia de seu Filho na cruz, o objeto mais digno de seu amor. Certamente não há dúvida de até que ponto Deus sofreu. O fato de que o Filho sofreu também, como alguém que não seja Deus, não diminui em nada o que ele era. A alegria e satisfação maior é saber que alguém que fez parte deste mundo, nasceu de mulher, Jesus o Messias prometido, foi capaz de expiar o pecado e encontrar a liberação de suas consequências.

Não foi o Pai quem foi crucificado, mas o Filho

Onde a Bíblia nos ensina que Deus mesmo, o Deus de Abraão, Isaque e Jacó iria morrer pelos nossos pecados? Deus é imortal e não pode morrer (1 Timóteo 1:17, Lucas 20:36). Em contraste, Jesus só foi feito imortal após a sua ressurreição.

Como ele deu a sua vida, Jesus clamou na cruz: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste“. Portanto, quem ficou na cruz a partir desse ponto não pode ter sido Deus. Se Jesus era de fato o centro pessoal “divino”, ou seja, o homem Deus todo poderoso, também com a mesma natureza que tinha antes de todas as coisas, sendo ali na cruz o Deus de Abraão, Isaque e Jacó, não sendo mesmo o último Adão, então este abandono não quer dizer nada.

Portanto, o pecado só poderia ser superado por Deus se alguém na forma de um homem viesse a ser o resgatador. E vale dizer aqui: nenhum de nós tem a vantagem de uma “existência” pessoal na eternidade antes do nosso nascimento, só Jesus. Ou seja, uma existência através da promessa. Por isso ninguém mais neste mundo tem a primazia como Salvador e intercessor.

Assim, a realização de Jesus e o sacrifício são ainda mais notáveis em virtude de suas limitações humanas. Ele é o homem unicamente normal, o exemplo vivo de uma humanidade espiritualmente madura, que nos brindou com a ressurreição, também nossa e futura, e a transformação do nosso corpo. E, longe de minimizar o problema do pecado, seu exemplo é mais inspirador, dado o seu sucesso; e com certeza, tudo isso com a ausência de qualquer vantagem oculta.