“Nosso Deus e salvador Jesus Cristo”

Salvador

enquanto aguardamos a bendita esperança: a gloriosa manifestação de nosso grande Deus e Salvador, Jesus Cristo”, Tito 2:13.

SIMÃO Pedro, servo e apóstolo de Jesus Cristo, aos que conosco alcançaram fé igualmente preciosa pela justiça do nosso Deus e Salvador Jesus Cristo“, 2 Pedro 1:1

A composição do versículo (Tito 2:13) sai da linha escritural Paulina. Ou seja, Paulo nunca usou a terminologia “Nosso Deus e Salvador Jesus Cristo“. Quando ele citava a mesma sequência, em mais de 40 versículos, sempre disse da seguinte forma: “Nosso Deus e do Salvador Jesus Cristo“, ou mesmo “Nosso Deus e do Senhor Jesus Cristo”.

Vamos consultar algumas traduções alternativas para Tito 2:13:

“A própria versão católica (religião berço da formulação do trinitarismo cristão), conhecida como a Bíblia Pão Nosso, da Editora Vozes, em conjunto com a Editora Santuário, verteu assim o verso de Tt. 2.13: “Aguardando nossa esperança feliz e a vinda gloriosa do grande Deus e do Salvador nosso, Jesus Cristo.”, e não foi a única tradução a fazer a distinção, a Bíblia do Peregrino, também católica, verteu: “Esperando a promessa feliz e a manifestação da glória do nosso grande Deus e do nosso Salvador Jesus Cristo.” (1)

Paulo nunca chama Jesus de Deus, mas sempre contrasta como Senhor para com o Pai, que é o verdadeiro Deus, e isso é decisivo para a tradução correta. Além disso, a conexão (v. 11) sugere naturalmente que o resplendor é do Pai e do Filho. De fato, Paulo usa uma linguagem clara chamando o Pai de Deus mais de 500 vezes nas Escrituras, e nem uma vez ele aplica o título de Deus para Jesus, e isso deve governar quanto ao que é a tradução correta. Basta voltar dois capítulos em Tito para estabelecer a base correta sobre a tradução: “a Tito, meu verdadeiro filho de acordo com a fé comum: Graça, misericórdia e paz da parte de Deus, o Pai, e do Senhor, Jesus Cristo, nosso Salvador” (tradução Mundial Inglês da Bíblia). Aqui Paulo distingue claramente entre Deus Pai e do Senhor Jesus. “Deus”, em Tito 1:4, não significa três pessoas, isso significa que ele é uma pessoa, e Jesus não é incluído como “Deus”. Isso dá mais provas de que Tito 2:13 não reflete um Deus trino, ou que Jesus é o Deus de Abraão, Isaque e Jacó.

Várias versões em Inglês acompanharam o sentido das traduções em português:

Complete Jewish Bible (CJB)

“while continuing to expect the blessed fulfilment of our certain hope, which is the appearing of the Sh’khinah of our great God and the appearing of our Deliverer, Yeshua the Messiah”.

enquanto continuamos a esperar o cumprimento abençoado de nossa esperança certa, que é a aparição da Sh’khinah do nosso grande Deus e a aparição do nosso libertador, Yeshua, o Messias

1599 Geneva Bible (GNV)

“Looking for that blessed hope, and appearing of that glory of that mighty God, and of our Savior Jesus Christ”.

Aguardando/procurando por essa abençoada esperança, o aparecimento da glória daquele poderoso Deus e de nosso Salvador Jesus Cristo

New American Bible (Revised Edition) (NABRE)

“as we await the blessed hope, the appearance of the glory of the great God and of our savior Jesus Christ”.

enquanto aguardamos a bendita esperança, a aparição da glória do grande Deus e do nosso salvador Jesus Cristo

Porém, a Escritura diz claramente que tanto a glória do Filho e a glória do Pai aparecerá: “Porque, qualquer que de mim e das minhas palavras se envergonhar, dele se envergonhará o Filho do homem, quando vier na sua glória, e na do Pai e dos santos anjos”, Lucas 9:26. A Palavra de Deus também ensina que quando Cristo vier, ele virá com a glória de seu Pai: “Porque o Filho do Homem há de vir na glória de seu Pai” (Mateus 16:27).

E aqui está a solução para o enigma; se o verso lê, “A Glória do grande Deus e Salvador, Jesus Cristo” leva a citação para um significado curioso: “A manifestação da Glória do nosso grande Deus e Salvador, [que é] Jesus Cristo”, Ou seja, Cristo é a gloriosa manifestação de Deus no último dia, o dia da sua vinda.

A leitura mais natural de Tito 2:13 é ver que Jesus não está sendo descrito como “o grande Deus e Salvador”, mas como “a glória do grande Deus e Salvador”.

“A quem reivindique a ocorrência da palavra “ἐπιφάνεια” (epifaneia) em Tt. 2.13 como aquela que sempre aponta para Jesus e com isso pretendem considerar o ser de “Deus” e o ser de “Jesus” nesse versículo como sendo o mesmo, mas é de se observar que o verso de Tito, em estudo, não diz que Deus irá aparecer, nem fala da epifaneia de Deus, fala, na verdade, do “aparecimento da glória do grande Deus”, e, nesse sentido Jesus mesmo diz em Jo. 8.54 ”…quem me glorifica é meu Pai, o qual dizeis que é vosso Deus” e, ainda, Mt. 16.27 que mais explicitamente diz: “Porque o Filho do homem virá na glória de seu Pai, com os seus anjos; e então dará a cada um segundo as suas obras”, bem como lucas Lc. 9.26 “…o Filho do Homem, quando vier na sua glória, e na do Pai e dos santos anjos.”, Jesus Cristo virá na glória de Deus, seu Pai … ” (2)

Assim, a “aparição” (epifaneia) em vista é a aparição da glória divina em Jesus Cristo. Isso pode parecer um pequeno ponto, mas também pode significar que estamos de volta ao pensamento mais claramente expresso na Cristologia da Sabedoria Cristã mais antiga: que em Jesus deve ser vista a glória de Deus, a glória da presença divina; Jesus Cristo visto mais como a manifestação visível do Deus invisível, Deus se manifestando em e através de Jesus, do que Jesus como Deus ou um deus como tal.

E por fim, temos uma terceira opção de tradução, aquela que elimina Deus do texto e enfatiza apenas a pessoa do Senhor Jesus.

Aguardando a abençoada esperança e a aparição gloriosa do nosso Salvador Jesus Cristo“.

Se este for o caso, então não há necessidade de comentários. A composição textual e por demais clara.

A conclusão desse pequeno artigo é que o texto tem muitas visões alternativas possíveis, mas que não podem ser usadas como boas evidências ou prova da divindade de Jesus ou como uma boa referência para a alegada identificação de Jesus como divindade.

O texto não nomeia Jesus como “Deus” e não nos leva a um conceito trinitário que fala da divindade inata de Jesus que é igual para o Pai, mas pode simplesmente refletir a alta estima de Jesus na estima de Deus. No final, o texto não pode servir como uma defesa para a crença sobre a alegada natureza divina de Jesus que faz dele Deus e igual ao Pai.

Vamos agora para 2 Pedro 1:1: “SIMÃO Pedro, servo e apóstolo de Jesus Cristo, aos que conosco alcançaram fé igualmente preciosa pela justiça do nosso Deus e Salvador Jesus Cristo“.

Curiosamente no versículo imediato Pedro muda drasticamente a forma de escrever. Veja que ele separa Deus e Jesus: “Graça e paz vos sejam multiplicadas, pelo conhecimento de Deus, e de Jesus nosso Senhor

Pedro mostra de forma clara que ele não quis apresentar Jesus como Deus e Salvador ao mesmo tempo no v.1, pois o distingui na sequência imediata no v.2. Isso por si só lança suspeita sobre a reivindicação trinitária, especialmente porque Jesus é comumente chamado de “nosso Senhor” nas Escrituras. No entanto, a alegação trinitária nos faz crer que 2 Pedro 1: 1 é o único lugar em toda a Escritura onde Jesus é chamado “nosso Deus”. 2 Pedro 1: 2 faz uma clara distinção entre Deus e o Senhor Jesus. Esta seria uma linguagem muito confusa se “Deus” e o “Senhor” fossem dois títulos para uma pessoa no versículo 1, mas os mesmos dois títulos se referiam a duas pessoas diferentes no verso seguinte. Portanto, a alegação trinitária é uma proposta extremamente improvável.

A versão católica da Bíblia Sagrada da Editora Ave Maria traduziu: “Simão Pedro, servo e apóstolo de Jesus Cristo, àqueles que, pela justiça do nosso Deus e do Salvador Jesus Cristo, alcançaram por partilha uma fé tão preciosa como a nossa”. Reconhecendo Deus e o Salvador como seres distintos.

Mesmo a Bíblia de Jerusalém que é uma tradução feita por católicos e protestantes, ainda que vertendo o trecho de forma tradicional, informa como primeira nota de rodapé a versão alternativa de tradução: “Ou: ‘de nosso Deus e do Salvador Jesus Cristo”.

A American Standard Version também faz distinção entre Jesus e Deus: “Simon Peter, a servant and apostle of Jesus Christ, to them that have obtained a like precious faith with us in the righteousness of our God and the’saviour Jesus Christ”.

Simão Pedro, servo e apóstolo de Jesus Cristo, aos que obtiveram semelhante fé preciosa conosco na justiça de nosso Deus e do Salvador Jesus Cristo

A Weymouth New Testament segue a mesma regra: “Simon Peter, a bond servant and Apostle of Jesus Christ: To those to whom there has been allotted the same precious faith as that which is ours through the righteousness of our God and of our Saviour Jesus Christ”.

Simão Pedro, servo e Apóstolo de Jesus Cristo: Para aqueles a quem foi atribuída a mesma fé preciosa que a nossa pela justiça de nosso Deus e de nosso Salvador Jesus Cristo“.

A Aramaic Bible in Plain English, elimina Deus do texto, apresentando o verso da seguinte forma: “Shimeon Petraus, a Servant and an Apostle of Yeshua The Messiah to those who, equal in honor with us, were worthy for the faith by the righteousness of Our Lord and Our Savior Yeshua The Messiah”.

Simon Pedro, Servo e Apóstolo de Yeshua, o Messias para aqueles que, iguais em honra a nós, eram dignos da fé pela justiça de Nosso Senhor e Nosso Salvador Yeshua, o Messias”.

A NRSV e a NAB, trazem: “the righteousness of our God and Savior, Jesus Christ“.

a justiça de nosso Deus e salvador Jesus Cristo” (NAB).

O NAB acrescenta esta nota de rodapé: “As palavras traduzidas por nosso Deus e salvador Jesus Cristo também poderiam ser traduzidas como” nosso Deus e do salvador Jesus Cristo”. A NRSV também acrescenta na nota de rodapé: “Ou do nosso Deus e do Salvador Jesus Cristo“. Portanto, é bastante claro que os eruditos trinitários não estão de acordo, como os trinitaristas gostariam que todos acreditassem.

Codex Sinaiticus: evidência de manuscrito muito importante

“O Codex Sinaiticus é um documento muito importante. Este manuscrito foi feito entre 325 e 360 d.C. e é provavelmente o manuscrito mais antigo que temos da Bíblia. Este manuscrito não diz “a justiça do nosso Deus e Salvador Jesus Cristo”. Em vez disso, diz: “justiça do nosso Senhor e do Salvador Jesus Cristo”. Há também outros manuscritos que lêem “Senhor” em vez de “Deus”. As evidências do Codex Sinaiticus nos mostram que não podemos ter certeza de que Pedro escreveu “nosso Deus e Salvador”. Este fato por si só anula completamente a afirmação trinitária sobre este verso.

A seguir, a imagem real do manuscrito do Codex Sinaiticus em 2 Pedro 1: 1. As letras gregas circuladas que se parecem com “KY” são uma forma nomen sagum da palavra grega kyrios (“senhor”)

Evidência interna

A evidência interna também sugere fortemente que a tradução do Sinaiticus está correta. Em nenhum outro lugar nas Escrituras, Jesus é chamado de “nosso Deus e Salvador”, mas Pedro se refere regularmente a Jesus como “Senhor e Salvador” nesta mesma carta.

1:11: reino do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.

2:20: no conhecimento do Senhor e Salvador Jesus Cristo.

3: 2: mandamento do Senhor e Salvador.

3:18: no conhecimento do Senhor nosso e Salvador Jesus Cristo.

Os apologistas trinitários também gostariam que todos supusessem que “o Senhor” em todos os versículos acima é Jesus. No entanto, também não é totalmente claro se a palavra “Senhor” em 1:11 e 3:18 se refere a Deus o Pai ou a Jesus. Com relação a 2 Pedro 1:11, compare Efésios 5: 5 e Apocalipse 11:15. Concernente a 2 Pedro 3:18 compare Judas 1:25.

Com base nas evidências disponíveis, e com relação às anotações do manuscrito, creio que as evidências indicam que Pedro provavelmente escreveu “Senhor e Salvador” em vez de “Deus e Salvador”. No entanto, embora eu ache que isso é mais provável, concluo que a evidência para a tradução autêntica de 2 Pedro 1: 1 não pode ser determinada com base nos fatos disponíveis e uma avaliação imparcial desses fatos. Com base nas evidências disponíveis, simplesmente não se pode concluir decisivamente se a evidência do manuscrito originalmente dizia “Deus” ou “Senhor”.

Enfim, não há nenhuma razão para supor que haja alguma evidência confiável de que Pedro está aqui identificando Jesus como Deus. A evidência do manuscrito é extremamente significativa, lançando sérias dúvidas sobre a interpretação que os trinitaristas desejavam ser autêntica. E a evidência interna também não apóia a alegação trinitária. Simplesmente não há evidência confiável para concluir que Pedro identificou Jesus como “Deus”. A única coisa que encontramos aqui é a ilusão da parte dos trintários”. (3)

Leia também o artigo sobre 2 Pedro 1:1 redigido por Valdomiro Filho

(1) FILHO, Valdomiro – Tito 2:13

(2) Idem

(3) Angelfire – 2 Pedro 1:1

Nascido de Mulher

menino_jesus

Mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei“, Gálatas 4:4.

Em sendo Jesus, Deus, segundo a teologia cristológica convencional, temos aqui a revelação bombástica de como Deus veio parar nesse mundo: “Nascido de mulher, nascido sob a lei”.

Mas, como são os nascidos de mulher, são deuses ou são humanos? Obviamente os nascidos de mulher fazem parte da raça caída – assim são todos os que foram gerados depois da queda. Portanto, Jesus também está incluído dentre os que foram nascidos de mulher. Ele, como o último Adão, veio na qualidade de ser humano, sem nenhum vestígio de natureza celestial. É o que o versículo a seguir afirma. E por sinal, é uma afirmativa muito séria, um significado abandonado pelos adeptos da doutrina do Deus homem:

Rom 6:6 “Sabendo isto, que o nosso homem velho foi com ele crucificado, para que o corpo do pecado seja desfeito, para que não sirvamos mais ao pecado“.

O versículo sugere duas coisas importantíssimas: Que Jesus veio na qualidade de velho homem e que veio com o corpo do pecado. Se assim não foi, então ainda estamos em débito com Deus. Porém, a verdade explícita no contexto é que ele realmente se apresentou como nosso substituto; de outra forma ele não teria pago a dívida por nós. Nesse contexto não podemos atribuir a ele a natureza de Deus.

Portanto, o ultimo Adão, Jesus, acabou com a velha criatura por que representava a velha criatura. Ele não podia ter feito isso se viesse a esse mundo com a natureza dos céus. Assim, Jesus era só homem. Ou seja, ele foi totalmente humano. Em contrapartida, o efeito de todo o sacrifício e morte foi a criação do novo homem, criado em Deus e não por Mulher.

Efe 2:15 “Na sua carne desfez a inimizade, isto é, a lei dos mandamentos, que consistia em ordenanças, para criar em si mesmo dos dois um novo homem, fazendo a paz“.

Efe 4:24 “E vos revistais do novo homem, que segundo Deus é criado em verdadeira justiça e santidade“.

Na condição de representar o velho homem, Jesus adentrou neste mundo “…em semelhança da carne do pecado” (Rom 8:3), feito menor que os anjos, não possuindo a natureza de Deus. É exatamente isso que Paulo esclarece em I Coríntios 15:

40-43 E há corpos celestes e corpos terrestres, mas uma é a glória dos celestes e outra a dos terrestres… Assim também a ressurreição dentre os mortos. Semeia-se o corpo em corrupção; ressuscitará em incorrupção. Semeia-se em ignomínia, ressuscitará em glória. Semeia-se em fraqueza, ressuscitará com vigor.

Jesus não foi exceção, pois ele também está incluído nessa seleção. Observe os versículos e você descobrirá que o corpo incorrupto só é dado após a ressurreição. Portanto, é muito simples entender que Jesus veio a esse mundo com um corpo igual ao dos nascidos de mulher, mas, como diz o texto, que como “… Semeia-se o corpo em corrupção; ressuscitará em incorrupção” sabemos que ele “ressuscitou em glória”, e, somente a ele foi dado um nome que está acima de todo o nome.

45 Assim está também escrito: O primeiro homem, Adão, foi feito em alma vivente; o último Adão em espírito vivificante.

Jesus foi feito Espírito vivificante porque ele ressuscitou dos mortos, o que ainda não ocorreu com Adão. E observe que Paulo chama Jesus de o “último Adão”. O verso seguinte atesta sobre a ordem que foi estabelecida,

46 Mas não é primeiro o espiritual, senão o natural; depois o espiritual.

Aqui ele não está fazendo referência a Adão como o natural e a Jesus como o espiritual. O que o texto quer dizer é que, primeiro Jesus veio a esse mundo como o homem natural e depois foi revestido de um corpo espiritual.

O que tento explicar pode ser esclarecido melhor com dois versículos citados a seguir, que afirmam claramente que o homem natural, representado por Jesus, que também foi nascido de mulher, mudou toda a ordem das coisas nos dando livramento do pecado,

Portanto, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens por isso que todos pecaram”.

Observe agora abaixo que são citados indiretamente dois homens, Jesus e Adão. Um deles, Adão, foi responsável pela entrada do pecado ao mundo, e o outro, Jesus, tirou os pecados do mundo,

Porque, se pela ofensa de um morreram muitos, muito mais a graça de Deus, e o dom pela graça, que é de um só homem, Jesus Cristo, abundou sobre muitos”.

Evidente que Jesus foi o único que não cometeu pecado. E o versículo apresentado acima também revela que são citados dois seres humanos e não um humano e um homem-Deus. O que é visto no texto é uma outra comparação entre Jesus e Adão. Não seria realmente justo sendo Adão um homem simples e Jesus a encarnação da divindade.

A ordem da criação apresentada abaixo também atingiu Jesus, que veio a esse mundo trazendo as sequelas dos caídos em Adão – ele não tinha duas naturezas, a divina e a humana.

Ora, o segundo homem foi criado em Deus, como dito no verso anterior de Efésios 4:24.

Não há dúvida, Jesus como nascido de mulher também foi alcançado pelo contexto apresentado abaixo em 1 Corintios 15:

47 O primeiro homem, da terra, é terreno; o segundo homem, o Senhor, é do céu.

48 Qual o terreno, tais são também os terrestres; e, qual o celestial, tais também os celestiais.

49 E, assim como trouxemos a imagem do terreno, assim traremos também a imagem do celestial.

Aqui sabemos que Jesus, como todos nós, trouxemos para este mundo a imagem do homem terreno. Entretanto, como ele, nós também seremos revestidos do corpo celestial. Portanto, Jesus não veio a esse mundo trazendo a natureza de Deus, mas sim a natureza de Abraão (Heb 2:16). Como Jesus, que foi lembrado ser da semente de Abraão, outros também o foram:

Sal 105:6 Vós, semente de Abraão, seu servo, vós, filhos de Jacó, seus escolhidos. Não estamos tratando aqui de deuses, mas sim de seres humanos, nascidos de mulher.

Observe esse diálogo de quando o Senhor Jesus foi abordado por um jovem que lhe disse, “Bom mestre, que farei para herdar a vida eterna“, ele poderia muito bem ter acrescentado: “Por que me chamas bom, dos nascidos de mulher não há nada bom, bom só Deus”, Marcos 10:18. O que Jesus esclarece aqui para este jovem é simplesmente que ele não era [um] Deus.

O Jesus judeu, o homem e carpinteiro de Nazaré, que cumpriu toda a lei, morreu para sempre. Pertencemos a outro,

ROM 7:4 Assim, meus irmãos, também vós estais mortos para a lei pelo corpo de Cristo [ o ultimo Adão ], para que sejais de outro, daquele que ressuscitou dentre os mortos, a fim de que demos fruto para Deus.

“… ainda que tenhamos conhecido Cristo segundo a carne, contudo agora já não o conhecemos deste modo”. 2 Co 5:16

Assim, todo o contexto citado até aqui revela Jesus como homem, nascido como foram todos nós, participante de uma semente corruptível. E o que é corruptível [terreno e humano] tem que se revestir de incorruptibilidade,

1 Co 15:54 – E, quando isto que é corruptível se revestir da incorruptibilidade, e isto que é mortal se revestir da imortalidade, então cumprir-se-á a palavra que está escrita: Tragada foi a morte na vitória.

Esse foi o brado de Jesus, o qual Paulo bravamente diz que será dado pelos salvos. Jesus tragou a morte!

Resumo

Jesus nasceu aqui como o velho homem, e foi crucificado como o velho homem. Estas são afirmações que provocam diversas questões, entre elas uma extremamente curiosa e interessante: “Como o velho homem poderia ser divino?” Ora, se Jesus era da semente corruptível de Abraão, em que sentido era ele possuidor de divindade? Essa semente é a semente de todos os nascidos de Mulher:

Rom 1:23 “E mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível…”.

Heb 2:16 “Pois na verdade Ele [Jesus] não tomou sobre si a natureza de anjos, mas Ele tomou sobre si a semente de Abraão”

Como alguém poderia divinizar quem veio da semente de Abraão? Na verdade, nós fomos gerados de novo pelo Jesus incorruptível, e não do Jesus semente de Abraão,

1Pe 1:23 “Sendo de novo gerados, não de semente corruptível, mas da incorruptível, pela palavra de Deus, viva, e que permanece para sempre“.

Por isso Paulo diz que o Jesus ressurreto é outro:

ROM 7:4 “Assim, meus irmãos, também vós estais mortos para a lei pelo corpo de Cristo, para que sejais de outro, daquele que ressuscitou dentre os mortos, a fim de que demos fruto para Deus“.

Efe 4:24 “E vos revistais do novo homem, que segundo Deus é criado em verdadeira justiça e santidade“.

O Nascimento Virginal

A palavra grega usada para “homem” em João 8:40 e 1 Timóteo 2:5 é “anthropos”:

Mas agora procurais matar-me, a mim, homem que vos tem dito a verdade que de Deus tem ouvido; Abraão não fez isto”.

“Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem”.

Um dos significados da palavra é para distinguir o homem de seres de uma ordem diferente. Por isso, Jesus chama a si mesmo uma palavra que separa Deus do homem, que distingue Jesus de Deus. Em outras palavras, Deus não é homem e o homem não é Deus. Jesus não veio a esse mundo com a natureza de Deus, a natureza celestial divina, mas na natureza de Adão, 1Co 15:45; 1Co 15:40; Heb 2:16.

Observe agora Atos 2:22: “Homens israelitas, escutai estas palavras: A Jesus Nazareno, homem aprovado por Deus entre vós com maravilhas, prodígios e sinais, que Deus por ele fez no meio de vós, como vós mesmos bem sabeis”.

A palavra grega para “homem” aqui é “aner”, que basicamente se refere ao sexo masculino. Também pode se referir tanto ao masculino como ao feminino. Então, Jesus é descrito como um homem (referindo-se a um ser humano) como qualquer outro ser humano. Ele nasceu de uma virgem, por obra e graça do Espírito Santo, mas que ainda fez dele um ser mortal, um humano, razão pela qual ele é descrito como um homem, que é como nós descreveríamos as pessoas normais. Infelizmente essa visão foi ofuscada pela avidez católica romana em querer a qualquer custo colocar Maria numa posição de proeminência quase exclusiva dentro da fé cristã.

Isso tudo criou uma tradição chamada de nascimento virginal, o que foi aproveitada pelo catolicismo para que tenazmente defendessem a veneração a Maria, enfatizando a pessoa da virgem muito mais do que a pessoa de Jesus. Acreditam eles que o nascimento virginal, eventualmente, pode ser considerado como a encarnação do divino. E, portanto, a natureza miraculosa do nascimento virginal foi pensada para confirmar que Jesus era Deus. No entanto, se o nascimento virginal miraculoso indica que Jesus era o próprio Deus, ou mesmo divino, é surpreendente, pois nem Mateus e nem Lucas dizem nas narrativas sobre seu nascimento se Jesus era mesmo Deus.

Na verdade, o anjo anunciou no nascimento que Jesus “é o Filho de Deus” (Lc 1:32-35), não por causa de uma pré-existência ontológica, mas por causa da sua concepção sobrenatural. Este milagre apenas sinalizou que ele iria ter uma relação especial com Deus. Assim, com efeito, a concepção de Jesus sendo realizado pelo Espírito de Deus é a base para identificá-lo como Filho de Deus, O Filho do Altíssimo, por causa da salvação que ele realizaria na história, não por causa de sua natureza intrínseca.

Logicamente, o nascimento virginal não indica que Jesus é Deus, simplesmente por causa de sua natureza milagrosa. O Milagre só aponta para uma origem sobrenatural. Deus fez um milagre causando a concepção virginal, mas isso não indica que o milagre em si é Deus.

Considere o primeiro homem, Adão. Aceitando os dois relatos bíblicos de sua criação como literal (Gn 2-3), então, como Jesus, Adão tornou-se um ser humano, devido à criação direta de Deus. No entanto, ninguém gostaria de sugerir que a origem sobrenatural de Adão faz dele Deus. Eu fico imaginado o estrago no catolicismo se Deus fizesse com Jesus o que fez com Adão, que foi cria-lo já adulto. Ou seja, como os judeus que o rejeitaram desejariam: que ele aparecesse milagrosamente do nada:

Todavia bem sabemos de onde este [Jesus] é; mas, quando vier o Cristo, ninguém saberá de onde ele é”, João 7:27.

Muitos tradicionalistas ainda insistem que o nascimento virginal é um elemento essencial da crença cristã. Em outras palavras, eles têm insistido que uma pessoa tem que acreditar no nascimento virginal a fim de ser um cristão genuíno. No entanto, não existe tal ensino o NT. Este silêncio é significativo nas duas narrativas do nascimento gravadas, mas especialmente nos sermões evangelísticos registrado em Atos e nos escritos do apóstolo Paulo, que surpreendentemente nem muita ênfase da à pessoa de Maria, quando afirma:

Mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei”, Gal 4:4.

Nascido de mulher, nada mais que isso para tristeza dos católicos romanos. Acredito que alguns já se perguntaram por que Paulo não escreveu da seguinte forma,

Mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido da bem-aventurada, nossa digníssima mãe, Maria, nascido sob a lei”.

Além disso, o tema da concepção milagrosa de Jesus não indica que Jesus tinha uma natureza divina, tornando-o Deus.

Sua mãe e seus irmãos não sabiam que ele era Deus?

Jesus foi considerado “fora de Si” por sua mãe e seus irmãos, por quem também foi desacreditado; foi visto como enganador; foi abandonado por Seus seguidores e quase apedrejado certa ocasião; foi chamado de “beberrão” e de “endemoninhado”, além de “embusteiro”. Finalmente, foi crucificado como malfeitor.

A evidência por demais indigesta está em Marcos 3. O relato mostra Jesus dentro de uma casa enquanto lá fora chegam sua mãe e seus irmãos. Foram ali chamados, pois souberam que o Senhor fazia a maior algazarra expulsando demônios. Acreditavam que Deus (no caso aqui disfarçado de Jesus) estava fora de si, estava louco. Leia o relato:

Marcos 3

21 E, quando os seus ouviram isto, saíram para o prender; porque diziam: Está fora de si.

Sem contar os escribas e fariseus que ousaram dizer que Deus (aqui como Jesus) estava endemoninhado!

22 E os escribas, que tinham descido de Jerusalém, diziam: Tem Belzebu, e pelo príncipe dos demônios expulsa os demônios.

Por que ele foi tratado dessa forma por seus próprios familiares se estes o viam como o próprio Deus de Israel? E os escribas judeus que acreditavam piamente no Deus de Abraão, por que ousaram dizer tamanha blasfêmia de Jesus [Deus]?

Caro leitor, acredite, Jesus foi um homem e não um ser celestial, o homem que veio do espaço, um andróide disfarçado de ser humano ou mesmo o THOR! Isso mesmo, muitos confundem Jesus com um super herói vindo de outra galáxia, o Super Homem disfarçado de Clark Kent.

É lamentável…

Divino disfarçado de humano

Que divindade poderia ser atribuída a um homem? Como chamar de divino Deus aquele que veio a semelhança dos homens, sendo descendente de Davi, tendo as mesmas características do ser humano, sendo igual a eles? Como poderíamos falar de divindade em alguém que foi chamado de último Adão pelo Apóstolo Paulo em 1 Cor 15:54? Como um homem nascido de mulher ( Gal 4:4 ) poderia ser divino?

As pessoas que não acreditam que Jesus era  um homem,  estão erradas. É necessário acrescentar que Jesus não era um homem comum, ou seja, um pecador.  Ele era um homem único,  era o Filho de Deus. No entanto, em um sentido muito real, ele era um homem e não o Deus de Abraão, Isaque e Jacó em pessoa.

Os cristãos que definem Jesus como Deus quando aqui andou, discretamente insinuam ter sido ele um ser místico, um avatar ou um guru. Acreditem ou não, mas  podemos encontrar milhões de pessoas, seja nas fileiras do protestantismo, do catolicismo ou qualquer outro ismo, acreditando piamente que  Jesus foi um ser divino que baixou na criança gerada no ventre de Maria. Eles não confessam as intenções nestas palavras, mas a descrição que fazem de como Jesus veio parar neste mundo não esconde o misticismo em seus extensos discursos escritos.

A ortodoxia cristã não pode ser excluída da responsabilidade na deturpação do Jesus histórico. Munida de um imenso arsenal deixado pelos grandes concílios do passado, ela tem  insinuado de forma camuflada que Jesus,  quando aqui  andou, era um astro, um ser do outro mundo, Deus encarnado num corpo, o poderoso homem que veio do céu, o  Super Homem disfarçado de Clark Kent. Aqueles que conhecem bem o estudo da cristologia advindo da nossa velha ortodoxia, sabem  muito bem das  manobras que fazem para deturpar o sentido de divindade.

Infelizmente os  cristãos da nossa geração tem uma visão de Jesus como tinham àqueles que vieram de uma origem grega ou romana, que  acreditavam que o termo “filho de Deus” significava uma encarnação de um deus ou alguém nascido de uma união física entre os deuses masculinos e femininos. Isso pode ser visto em Atos 14: 11-13, onde lemos que, quando Paulo e Barnabé pregaram em uma cidade da Turquia, os pagãos afirmavam que eles foram a encarnação de deuses. A Barnabé chamavam o deus romano Zeus, e Paulo, o deus romano Hermes.

Para muitos cristãos, Deus teve de assumir a forma humana para compreender a tentação e o sofrimento humano, mas o conceito não se baseia em quaisquer palavras claras de Jesus. Em contraste, Deus não precisa ser tentado e sofrer, a fim de ser capaz de compreender e perdoar os pecados do homem, ou mesmo para ficar sabendo como sofrem ou o que sofrem, porque Ele é o Criador do homem e onisciente. Deus não enviou seu amado Filho por esse motivo, como se querendo saber que sentimento tem os humanos debaixo da servidão e opressão. Isso está expresso em Êxodo 3:7,

E disse o Senhor: Tenho visto atentamente a aflição do meu povo, que está no Egito, e tenho ouvido o seu clamor por causa dos seus exatores, porque conheci as suas dores“.

Muitos cristãos afirmam que no nascimento de Jesus ocorreu o milagre da encarnação de Deus na forma de um ser humano. Dizer que Deus se tornou verdadeiramente um ser humano convida a uma série de perguntas. Vamos perguntar o seguinte sobre o homem-Deus Jesus. O que aconteceu com seu prepúcio após sua circuncisão (Lucas 2:21)? Será que desapareceu quando ele tornou-se adulto se manifestando como [um] Deus?  Durante sua vida, o que aconteceu com seu cabelo, unhas e sangue derramado de feridas? As células de seu corpo morreriam como nos seres humanos comuns? Se o seu corpo não funcionou de uma forma verdadeiramente humana, ele não poderia ser verdadeiramente humano, mas verdadeiramente Deus, o que não foi o caso. Assim, se o seu corpo funcionou exatamente de um modo humano, isso anularia qualquer alegação de divindade. Seria impossível para qualquer parte de Deus, mesmo se encarnado, ser submetido ao que Jesus foi submetido  e ainda ser considerado Deus. A verdade é que,  Jesus no seu corpo sofreu as sequelas da decadência humana durante sua vida aqui, logo, ele não poderia ser Deus. Infelizmente muitos acreditam, mesmo com o testemunho das Escrituras apresentando Jesus como um ser humano normal, que  ele não foi submetido a essa ‘decadência’ concluindo que ele era  verdadeiramente [um] Deus. Por esse motivo, temos hoje o ensino mais difundido dentro da cristandade: Jesus foi o  Deus Todo-Poderoso em forma humana.

Compare isso com estas palavras do ex-bispo de Woolwich, Dr. Robinson, em seu livro, “Juro por Deus”, em uma passagem em que ele estava explicando como a  maioria dos cristãos vêem Jesus:

Jesus não era um homem nascido e criado, ele era Deus por um período limitado participando de uma farsa. Ele parecia um homem, mas por baixo era Deus vestido – como o Pai Noel

No entanto, como ensina as Escrituras, sabemos que Ele   nasceu com o mesmo tipo de identidade humana que Adão e Eva tinham quando foram criados.

1 João 4: 2 declara,  “Nisto conhecereis o Espírito de Deus: Todo o espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus”.

Jesus era o descendente biológico de Maria 

Maria não foi uma “incubadora” para gerar uma “carne divina” . Ela não se limitou a levar Cristo, mas ela concebeu Cristo em seu ventre (Lucas 1:31). O anjo não disse: “Maria, você vai produzir um corpo de carne para uma pessoa divina  vir e viver dentro dele“. Ele disse: “Você vai conceber… e terás um filho“. Estas palavras tiveram, obviamente, a intenção de ser entendidas  literalmente. Elas descrevem o começo de uma nova vida humana – não a vinda à Terra de uma pessoa divina para habitar dentro de um corpo humano.

As Escrituras identificam Maria como mãe de Jesus (Mateus 1:18, 2:11 e Lucas 2:34, 43, 48, 51). Os anjos especificamente  identificaram ela como a verdadeira mãe de Jesus (Mateus 2:13, 19-20).  A palavra  mãe  não pode ser aplicada a uma mera incubadora.  Exige uma relação biológica.  Jesus  foi “feito de uma mulher, nascido sob a lei” (Gálatas 4:4).

É necessário também lembrar que Maria foi gerada como foram todos os outros seres humanos. Ela veio a existência através de uma relação sexual entre seus pais biológicos. Portanto, a família do Senhor Jesus – que para muitos era o próprio Deus – não era pequena. Quem poderia conceber a ideia absurda de que Deus teve parentes? As Escrituras falam de seus primos. Deus também teve uma tia, pois a irmã de sua mãe é citada nas Escrituras. Assim, Deus era sobrinho da outra Maria. Ele, Deus, exercia uma profissão, era  carpinteiro nascido numa  pequena vila chamada Belém tendo sido  criado na cidade de NAZARÉ. E acreditem: Deus foi circuncidado ao oitavo dia de nascido (Lc 2:21), como também foi levado ao deserto para ser tentando pelo diabo (Mat 4:1). Estes são os absurdos que encontramos nas Escrituras quando substituímos o nome de Jesus pelo nome de Deus. Absurdos estes, que de tão escandalosos, não param por aqui. Observe o leitor quem são os incluídos na  família de Davi

Luc 2:4 E subiu também José da Galileia, da cidade de Nazaré, à Judéia, à cidade de Davi, chamada Belém (porque era da casa e família de Davi). A mesma procedência do Cristo nascido da mulher Maria: João 7:42, Não diz a Escritura que o Cristo vem da descendência de Davi, e de Belém, da aldeia de onde era Davi? Jesus era tão humano e descendente de humanos como era José.

E a você, caro amigo leitor, para que não fique distraído pelos erros que a ortodoxia cristã nos legou, e tente aceitá-los como genuínos, deixo aqui mais uma passagem que poderia gerar um absurdo escandaloso quando trocamos o nome de Jesus pelo nome de Deus. Observe,

LIVRO da geração de Deus, filho de Davi, filho de Abraão”, Mateus 1:1.

O que lhe parece?

Acredito que não há necessidade de  comentários.

Jesus era descendente Biológico de Abraão e Davi

Jesus era o Filho de Deus, e, como sua posição foi para ser o salvador dos homens, era necessário que ele fosse um homem, não um ser imortal, uma divindade cósmica. Ele foi a semente da mulher, a semente de   Abraão, a semente de Davi e “descendência” de Davi. (Ver Gênesis 3:15, João 7:42;  Atos 13:23, Romanos 1:3, Gálatas 3:16, 2 Timóteo 2:8, Hebreus 2:16, Apocalipse 22:16). Jesus  era um israelita natural da mesma forma como Paulo  (Ver Romanos 9:3-5), sendo também  fruto dos lombos de Davi segundo a carne (Atos 2:30).

Tanto no hebraico como no grego a palavra traduzida como   “Semente” na Bíblia se refere principalmente à prole biológica de homens e mulheres, e apenas  secundariamente podem ser aplicadas como uma metáfora para a prole espiritual.

O próprio Jesus identificou os judeus, mesmo  aqueles que tentaram matá-lo, como sendo descendentes de Abraão (João 8:37).  Maria compreendeu a descendência de Abraão para incluir “os pais”, a quem as promessas de Deus foram feitas (Lucas 1:55).   Pedro compreendeu que os homens de Israel “foram as sementes de convênio”  (Atos 3:12, 25).  Paulo escreveu sobre “todas as sementes”, demonstrando que a palavra se aplica a todos os crentes bem como todos os descendentes físicos de Abraão (Romanos 4:16, 9:29).  Paulo incluiu a muitas  nações que vieram da descendência de Abraão na semente da qual falou Deus (Romanos 4:18;  11:1; II Coríntios 11:22).  Além disso, Paulo ampliou o alcance da palavra “semente” para incluir todos os  que viriam a ser os crentes em Cristo como a descendência espiritual de Abraão e os filhos de  Deus (Romanos 9:7-8, Gálatas 3:29).

Assim, a Escritura ensina claramente que Jesus Cristo estava biologicamente e  geneticamente relacionado com Adão, Abraão, Isaac, Jacó, Judá e Davi, através de Eva e a  Virgem Maria, sua mãe.

Houve uma mudança no corpo de Cristo na Sua ressurreição

Antes de Sua ressurreição, Jesus  tinha um corpo capaz de sofrimento, morte e decadência, mas, na Sua ressurreição Seu  corpo foi alterado para ser incorruptível (incapaz de decadência) e imortal (incapaz de morte),

Sabendo que, tendo Cristo ressuscitado dentre os mortos, já não morre mais, a morte não mais tem domínio  sobre ele” (Romanos 6:9).

Davi profetizou de Cristo, “Tu não deixarás a minha alma no inferno:  nem tu permitirás que o teu Santo veja a corrupção” (Salmo 16:10). Pedro   explicou que esta profecia se cumpriu pela ressurreição de Cristo: “Nesta previsão, disse da ressurreição de Cristo, que a sua alma não foi deixada no inferno, nem a sua carne viu a corrupção” (Atos 2:31).  Da mesma forma, Paulo citou o mesmo versículo de Salmos, afirmando que Cristo  foi ressuscitado dentre os mortos para “agora não mais tornar à corrupção” (Atos 13:34-35).  Segundo  a esta profecia, aplicado por ambos, Pedro e Paulo, o corpo de Cristo teria deteriorado se não fosse o milagre da ressurreição.

Em Sua ressurreição, Cristo é “as primícias dos que dormem” (I Coríntios 15:20).  Através de Cristo veio “a ressurreição dos mortos” (I Coríntios 15:21).  I Coríntios 15:42-44  explica o que acontece na ressurreição dos mortos,

 “… Semeia-se o corpo em corrupção; ressuscitará em incorrupção. Semeia-se em ignomínia, ressuscitará em glória. Semeia-se em fraqueza, ressuscitará com vigor. Semeia-se corpo natural, ressuscitará corpo espiritual. Se há corpo natural, há também corpo espiritual“.

Nossa ressurreição será igual a dele e nos dará um corpo como o dele.  Em ambos os casos,  “ressurreição” refere-se ao mesmo processo, de modo que a ressurreição de Cristo fez-lhe “as primícias dos crentes”. Observe o que ele diz em I Coríntios  15:50-53,

E digo isto, irmãos, que carne e sangue não podem herdar o reino de Deus;  nem a corrupção herda a incorrupção.  Eis que lhes mostro um mistério: nem todos  dormiremos, mas todos seremos transformados, num momento, num abrir e fechar de olhos, ante a última trombeta, pois  a trombeta soará, e os mortos ressuscitarão incorruptíveis e nós seremos transformados.  Para que  isto que é corruptível se revista da incorruptibilidade, e isto que é mortal se revista da imortalidade“.  E João acrescenta,

Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não é manifestado o que havemos de ser,  mas sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele, pois o veremos como ele é “(I  João 3:2).

Em suma, a Bíblia revela que a humanidade de Cristo teve por se qualificar para a exaltação e  glorificação, que ocorreu por Sua morte, ressurreição e ascensão.  (Ver Sl 2:7 com Atos  13:32-24; Salmos 110:1-3 com Efésios 1:19-23, Salmo 110:4 com Hebreus 5:1-11; Isaías  28:16 com I Pedro 2:6-8, João 7:39, 17:1; Atos 2:33, 3:13, 4:10-12, 5:31, Romanos 1:3-4;  Filipenses 2:5-11.)

Se Jesus Cristo não fosse verdadeiramente humano, com potencial humano cheio de sofrimento,  experiência, a obediência, crescimento e transformação, estes textos não teriam sentido quando   eles falam dele como se tornou perfeito através do sofrimento e ser exaltado pela ressurreição.  Se o Seu corpo não tinha nenhum relacionamento biológico ou genético com outros seres humanos, se Ele fosse “divino na  carne “ou isento de fragilidade humana, tais qualificações não teriam sentido,  porque uma divindade não precisa se qualificar para a glorificação, exaltação, ou qualquer papel que Ele escolha  tomar  nos assuntos de sua criação. Somente quando reconhecemos Jesus como um verdadeiro ser humano, que descende através de humanos, é que  podemos entender estas declarações.

Para se ter uma ideia mais clara do que eu disse até o presente momento, basta observar como dois versículos do Livro de Hebreus denunciam de forma escancarada a visão errônea que milhões de cristãos tem do Senhor Jesus. São dois contextos importantíssimos que reforçam os argumentos aqui apresentados.

Ainda que era Filho, aprendeu a obediência, por aquilo que padeceu. E, sendo ele consumado, veio a ser a causa da eterna salvação para todos os que lhe obedecem” (Hebreus 5:8, 9).

Porque convinha que aquele, para quem são todas as coisas, e mediante quem tudo existe, trazendo muitos filhos à glória, consagrasse pelas aflições o príncipe da salvação deles” (Hebreus 2:10).

Mais uma vez, é claro que há algo muito errado com a ideia popular que Jesus era um ser divino vestido de um corpo humano. Você consegue imaginar alguém que aprende “obediência através daquilo que sofreu” ser cheio de divindade? Em outras palavras, você pode imaginar uma pessoa divina ser “aperfeiçoada através do sofrimento”?

Claro que não. Temos aqui a descrição de um homem de verdade construindo um personagem perfeito, camada sobre camada.

Não podemos aceitar qualquer  doutrina que defende uma divindade corruptível que divorcia Jesus Cristo de uma biológica  relação genética para a humanidade. Não podemos aceitar a ideia básica de que a humanidade e divindade estavam inseparavelmente unidas na pessoa de Cristo quando ele aqui andou. Assim, Cristo foi  uma pessoa  em todos os sentidos.  Jesus “foi  Deus” manifesto na carne, não de Deus por um residente ou encarnação, mas por identidade e representação.

As relações genéticas de Cristo com a humanidade foi herdado  de  sua mãe, Maria.  Ele é, assim, parte da raça humana, o descendente biológico de Adão e Eva,  Abraão e Davi, e qualificado para reconciliar humanos pecadores com Deus.   A doutrina da carne divina ou “carne celestial” de Cristo,  definido como a negação de que Jesus Cristo era biológica ou geneticamente relacionado à humanidade  através de Maria, sua mãe, é biblicamente falso.

Jesus Cristo não era um meio homem, sendo um semideus, uma segunda pessoa na  Trindade, uma pessoa divina temporariamente destituído de alguns atributos divinos, a transmutação do  Deus em carne, a manifestação de uma parte de Deus, a animação de um corpo humano por Deus. Não, Jesus era realmente um homem, um verdadeiro ser humano.

Jesus não foi uma entidade

Muitos acreditam que Jesus foi um homem com um corpo divino, o que seria dizer: homem com carne divina. Isto não está de acordo com a divindade de Cristo. A divindade de Jesus esta ligada a sua autoridade espiritual, que o envolve na missão para a qual, só Ele, foi o escolhido, salvar a humanidade, o que fez como homem, e não como um Deus, ou o próprio Deus, literalmente. A interpretação de divindade herdada da ortodoxia cristã sobre a pessoa de Jesus parece estar ligada a divindade da carne, o que não passa de heresia, pois transforma o cristão  numa pessoa que tem uma fé baseada em conhecimento místico e experimental do divino nos objetos e corpos mortos e pessoas vivas, o que é mais parecido com um gnosticismo misturado com misticismo do que o Cristianismo do Novo Testamento, e é uma característica de todas as religiões místicas.

A divindade que eles exigem esta ligada para além deste mundo, uma definição de divindade que ultrapassa as mais altas nuvens, cheia de espiritualismo, que acabou criando uma onda de misticismo envolvendo a pessoa de Jesus de Nazaré. Ou seja, diante da exigência espiritual temporal, que transformaram Jesus em um ser, que é uma herança da interpretação católica, descobre-se que o Jesus histórico  desapareceu por completo, dando lugar a figura de um fantasma que se manifestou entre os homens – transformaram Jesus numa entidade que baixou na terra entrando dentro do corpo de um bebe. Jesus foi confundido com uma coisa do outro mundo!

Isso tudo nos impulsiona inevitavelmente para os criadores de divindades, o catolicismo romano. O romanismo, quando menciona a divindade de Jesus, logo posiciona a mãe na frente do filho que ela gerou. Assim, transformaram Maria numa figura esplendidamente embelezada e revestida com roupagem doutrinaria católica; não a Maria bíblica, a judia  e mãe, mas sim a divindade que tomou impulso por causa da suposta virgindade, o que explicaria o título de santíssima, pois é esse o único motivo que reforça seu título: a sua virgindade que a transformou em divindade. Isso pode ser notado pela ênfase  dada a pessoa de Maria, considerando-a não humana, o que, provavelmente os levem a pensar que a natureza dos deuses tenha criado nela o desinteresse pelo o que é terreno e carnal, dando a Maria o poder da abstinência, da pureza sexual, que por fim fez dela a milagrosa,  divina, pura e imaculada.

O catolicismo visualiza Maria como alguém que não foi gerado como foram os outros seres humanos, o que supostamente criou nela uma blindagem que a protegia do lado impuro humano. Associaram a figura de Jesus à figura da mãe, transformando-o numa coisa, onde numa metade dele morava Deus mesmo e na outra metade um homem diferente dos humanos. Por isso uma não pequena parte de cristãos acredita  que Deus movia e animava o corpo de Jesus. Um engano, pois a  divindade de Jesus esta ligada a sua missão que gerou sua obediência, fazendo dele um homem casto não por exigência religiosa de deuses internos e externos, mas sim por amor a Deus, dedicação e posição – bem diferente da divindade exigida pelo catolicismo  e pela ortodoxia protestante. Ao contrário de que muitos pensam, Jesus e Maria não são duas criaturas de outro mundo disfarçadas de seres humanos.

Por fim, e resumindo em poucas palavras o que  registro até aqui, quero dizer que o catolicismo romano e a ortodoxia protestante geraram o suficiente para que suspeitemos de seu ensino sobre divindade de Jesus. Quando tentam definir o que é divindade, em se  tratando da pessoa de Jesus e sua mãe, estão simplesmente interpretando como se eles fossem duas entidades. Eles transformaram o Salvador e a virgem  em entidades que desceram a terra. Isso faz com que eles adentrem aos porões do diviníssimo misterioso oculto, o que é um perigo – isso é espiritismo. Jesus não foi um espírito que baixou na terra! E mesmo que Ele tenha sido gerado de uma maneira totalmente incrível, ele foi, sem duvida, 100% homem, um nascido de mulher (Gal 4:4).