“Deus conosco… Pai da eternidade”

O Anjo Gabriel declara para José: “José, filho de Davi, não temas receber Maria como tua esposa, pois a criança que nela foi gerada é do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho, e você lhe colocará o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos seus pecados “Tudo isto aconteceu para se cumprir o que fora dito pelo Senhor por intermédio do profeta: “Eis que a virgem conceberá, e dará à luz um filho, E chamá-lo-ão pelo nome de Emanuel, Que traduzido é: Deus conosco”, Mateus 1:20-25.

Interessante é que este menino jamais foi chamado de Emanuel, mas sim de Jesus. Observe o verso 21: “E dará à luz um filho e chamarás o seu nome JESUS; porque ele salvará o seu povo dos seus pecados”.

Mas, por que “Emanuel, Deus conosco” é um nome ligado de modo tão íntimo à pessoa de Jesus? Simplesmente porque são títulos, não nomes.

E, se considerarmos Isaías 9:6 como uma referência para Jesus de Nazaré, vamos descobrir que ele tem mais títulos: “Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu, e o principado está sobre os seus ombros, e se chamará o seu nome: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz”.

E, por misericórdia e compaixão dos trinitarianaos, eu vou ignorar a tradução do Complete Jewish Bible exposta no Chabad.org que trás o versículo nestes termos

For a child has been born to us, a son given to us, and the authority is upon his shoulder, and the wondrous adviser, the mighty God, the everlasting Father, called his name, the prince of peace“.

Traduzindo

Porque um menino nos nasceu, um filho nos foi dado, e a autoridade está sobre os seus ombros, e o maravilhoso conselheiro, o poderoso Deus, o eterno Pai, chamou seu nome, o príncipe da paz“.

Veja aqui – Isaías 9:5 https://www.chabad.org/library/bible_cdo/aid/15940/jewish/Chapter-9.htm

Vamos considerar que a tradução correta é a que temos em nossas versões: “Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; e o governo estará sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai Eterno, Príncipe da Paz“.

E mesmo que aceitemos como genuína essa tradução não poderíamos encontrar explicações do porque Mateus omitiu exatamente essa passagem, mas citou dois versículos anteriores do mesmo capítulo.

Vamos começar pelo verso 13 de Mateus 4:

E, deixando (Jesus) Nazaré, foi habitar em Cafarnaum, cidade marítima, nos confins de Zebulom e Naftali, para que se cumprisse o que foi dito pelo profeta Isaías:

A terra de Zebulom e a terra de Naftali, junto ao caminho do mar, além do Jordão, a Galileia das nações, o povo que estava assentado em trevas viu uma grande luz; e aos que estavam assentados na região e sombra da morte a luz raiou“.

É tudo. O versículo que é atribuído a Jesus pelos trinitarianos foi omitido por Mateus. Veja Isaías 9:1,2-6:

Mas a terra que foi angustiada não será entenebrecida. Ele envileceu, nos primeiros tempos, a terra de Zebulom e a terra de Naftali; mas, nos últimos, a enobreceu junto ao caminho do mar, além do Jordão, a Galileia dos gentios.

O povo que andava em trevas viu uma grande luz, e sobre os que habitavam na região da sombra de morte resplandeceu a luz…”

Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; e o principado está sobre os seus ombros; e o seu nome será Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz“.

Certamente uma multidão de teólogos podem tentar invalidar o argumento atestando em favor dos trinitarianaos que Mateus não poderia encaixar o versículo no ministério do Jesus adulto porque fala de uma criança. E porque Mateus não adicionou o verso seis no momento do nascimento de Jesus? Observe o estrondo em favor dos trinitarianos se conectarmos o versículo no contexto de Belém:

Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; e o principado está sobre os seus ombros; e o seu nome será Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz“.

Mateus lançou mão de Isaías 7:14 em 1:23: “Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, o qual será chamado EMANUEL, que traduzido é: Deus conosco“, mas por qual motivo ele não usou Isaías 9:6 que parece muito mais consistente?

Qual foi o motivo da omissão? Não seria por que a tradução correta é aquela apresentada pela Bíblia judaica, onde podemos ver claramente que a referência não foi direcionada ao Senhor Jesus?

Porque um menino nos nasceu, um filho nos foi dado, e a autoridade está sobre os seus ombros, e o maravilhoso conselheiro, o poderoso Deus, o eterno Pai, chamou seu nome, o príncipe da paz“.

Porém, como eu disse anteriormente, por misericórdia e compaixão dos trinitarianos, eu vou trabalhar com a nossa versão, atribuindo a Jesus o texto de Isaías 9:6 para mostrar que, mesmo assim, Jesus não pode ser considerado, literalmente, Deus.

Todos os nomes representam títulos. Seu nome de nascimento foi Jesus e não Deus Forte ou Deus Conosco e Pai da Eternidade. O “Deus” do título, se aplicado a Jesus, teria que ser harmonizado em termos de uma igualdade funcional, em oposição a uma identidade de substância. O que quero dizer aqui é que, Jesus agiu como o homem nos desígnios de Deus, não que ele era o próprio Deus, ou um Deus.

Os títulos encontrados dentro do nome (por exemplo, “Deus Forte”) destinam-se para seus devidos sentidos, aqui, tendo Jesus como subordinado responsável agindo nos desígnios de Deus.

Na verdade, esses títulos dentro do nome são feitos para louvar e exaltar a Deus, o Pai, e torná-lo presente entre os homens através de seu filho, o que faz com que as palavras de Hebreus 1:3 sejam entendidas perfeitamente: “[Jesus], sendo o resplendor da sua [de Deus] glória, e a expressa imagem da sua pessoa …”. Por isso Jesus disse: “Eu e o Pai somos um”, ou, “Quem vê a mim vê o Pai”.

Assim, as palavras (ou títulos) encontrados no sentido literal do nome se aplicam diretamente ao Messias em um sentido subordinado. A intenção de Isaías 9:6 é louvar o Deus do Messias que realiza grandes coisas por meio do Messias.

Jesus, como o Filho do Homem ocupou o titulo de Deus por causa do domínio, e o que distingue Jesus de outras pessoas é que ele foi escolhido para a missão. O Filho é a pedra angular do propósito do Pai e motivo de sua criação inteira. Como tal, sua vocação é única. Nos conselhos de Deus só Ele foi escolhido desde o início para ser a solução de Deus para o pecado, a expressão da sua misericórdia e soberano propósito da ordem criada. Além disso, sua obediência sem paralelo a este chamado ainda mais o distingue. A um custo imenso para si mesmo, ele deixou de lado sua posição privilegiada como Filho do rei, vontade própria e todo o direito que lhe é devido, abrindo espaço para o Pai executar seu trabalho através dele. E tudo ele fez como um homem, um homem que aqui nasceu e foi criado. Somente dessa forma ele é um modelo credível e sumo sacerdote misericordioso, que pode inteiramente se relacionar com os nossos sofrimentos e limitações. Apesar de Deus não poder ser tentado pelo pecado (Tiago 1:13 e Hebreus 4:15), ele fez isso tudo de seu Filho, que foi tentado e não pecou. Jesus passou por uma genuína experiência humana.

A função de Jesus para com a humanidade foi fazer até aquele momento o que só Deus pode fazer: a salvação dos pecadores. Jesus foi o agente de Deus através de quem ele interagiu com o homem. Ninguém jamais poderá negar que Jesus foi o mediador entre Deus e os homens. Quem nasceu em Belém de uma virgem foi o Messias e não um Deus. Por isso, se mantemos um conceito de Jesus quando ele aqui andou como sendo Deus, com a mesma substancia do Deus Pai, destruímos toda a obra de redenção.

Jesus foi o homem aprovado por Deus; em ninguém mais temos essa esperança. Atos dos Apóstolos, por exemplo, descreve Pedro proclamando aos líderes dos judeus: “Este Jesus é a pedra que foi rejeitada por vós, os construtores, que tornou-se a pedra angular. Não há salvação em nenhum outro, pois não há outro nome debaixo do céu dado entre os mortais, pelo qual devamos ser salvos“(Atos 4:11-12). Da mesma forma, no que pode ser o mais antigo de todos os escritos cristãos existentes, a primeira carta de Paulo aos Tessalonicenses, declara: “Porque Deus não nos destinou para a ira, mas para alcançarmos a salvação por nosso Senhor Jesus Cristo” (1 Tessalonicenses 5:8 ).

A boa notícia sobre o que Deus fez em Jesus é, de acordo com Paulo, “o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego” (Rm 1:16). A partir do fato de que a salvação de Deus veio através de Jesus, os primeiros cristãos passaram a ver Jesus como mais do que apenas um agente da salvação divina. Ele começou a ser considerado como o Salvador, aquele que realizou o que só Deus poderia fazer. Considere, por exemplo, as seguintes passagens do Novo Testamento:

Lucas 2:11: “. . . para vos nasceu hoje, na cidade de Davi, um Salvador, que é o Messias, o Senhor

Filipenses 3:20: “Mas a nossa pátria está nos céus, e é de lá que nós estamos esperando o Salvador, o Senhor Jesus Cristo“.

1 João 4:13-14 “Nisto conhecemos que permanecemos nele, e ele em nós, porque ele nos deu do seu Espírito. E nós vimos e testemunhamos que o Pai enviou o seu Filho como Salvador do mundo. “

Os cristãos que estão tão acostumados a respeito de Jesus como Salvador, e que jamais o perceberam como um homem, um ser humano que aqui viveu, podem facilmente perder o elemento “escandaloso” nesta confissão. Mas um olhar cuidadoso sobre o Antigo Testamento ressalta o escândalo: “Raramente as Escrituras hebraicas referem-se a seres humanos como agentes da salvação divina”. Na grande maioria dos textos, Deus, e só Deus, é o verdadeiro Salvador. Por exemplo, por meio de Isaías, Deus diz:

Quando passares pelas águas estarei contigo, e quando pelos rios, eles não te submergirão; quando passares pelo fogo, não te queimarás, nem a chama arderá em ti. Porque eu sou o Senhor teu Deus, o Santo de Israel, o teu Salvador; dei o Egito por teu resgate, a Etiópia e a Seba em teu lugar. (Is 43:2-3).

Ou considere a abertura do Salmo 62:

Eu espero em silêncio diante de Deus, pois a minha salvação vem dele. Só Ele é meu rochedo e minha salvação, minha fortaleza onde eu nunca serei abalado“. (Salmo 62:1-2, NTLH)

Assim, os primeiros cristãos, a maioria dos quais teriam sido familiarizados com estas e muitas outras passagens do Antigo Testamento que proclamam a Deus como o único Salvador, vieram a atribuir o título de Salvador para Jesus. No entanto, se Jesus era o Salvador, e só Deus é o Salvador, o que isso implica sobre o próprio Jesus?

Quem é o Salvador?

Então, dado o testemunho coerente do Antigo Testamento no sentido de que só Deus é o Salvador, o movimento de Jesus como Salvador para divino Senhor era óbvio, no entanto era novo.

Como foi citado anteriormente, José foi nomear o filho de Maria como “Jesus.” Por quê? Porque “ele salvará o seu povo dos seus pecados.” Há um jogo de palavras aqui que não pode ser perdido facilmente. O nome real de Jesus em aramaico era Yeshua , ou em hebraico, Josué . Este nome significa, em qualquer língua semítica, “O SENHOR é a salvação.” Então, o filho de Maria será chamado de “O Senhor é a salvação.” Dado o fato de que Yeshua/Joshua era um nome popular no tempo de Jesus, não podemos concluir que com relação a Jesus este nome possa ser identificado como divino. No entanto, o anjo disse a José que Jesus iria salvar Israel de seus pecados. Daí se pode produzir um silogismo, pois lembramos que o Anjo Gabriel ao anunciar o nascimento do Senhor adiciona uma linha de Isaías 7:14: ” Deus está conosco“. Deus veio na pessoa de Jesus, mas Jesus mesmo é seu filho, aquele que suportou seu nome, e não o próprio Deus. Agora está claro; “… a virgem conceberá e dará à luz um filho, a ele porás o nome de Emanuel”, que significa: Jesus vai cumprir a promessa de Isaías. Ele será, não só o Salvador, mas aquele que é Emanuel: Deus conosco. Isso não deve ser interpretado literalmente, que Jesus era o Deus Todo-Poderoso, mas que Deus agia através de Jesus pelo poder do Espírito Santo. Na verdade, a pessoa de Jesus, como Filho direto de Deus, nos possibilita entender a expressão principal que é DEUS CONOSCO. Deus não enviava mais profetas, mas ele mesmo veio nos resgatar através do seu Filho. Ou seja, Deus estar em Cristo, como atesta Paulo em II Cor 5:19, não deve significar que Cristo foi o próprio Deus em pessoa. Assim, e dentro desse contexto, a natureza de Jesus deve ser definida à luz de seu papel como Salvador. Se Jesus veio para nos regatar, então ele tinha que ser plenamente humano. Somente dessa maneira ele poderia levar a pena para o pecado humano.

Portanto, a mais alta expressão do amor de Deus para nós é a doação de seu Filho (João 3:16). O amor do Filho para o Pai é mostrado na sua oferta obediente de si mesmo (João 14:31). E para quem insiste na divindade mística, transcendental, celestial ao extremo, que exclui o Jesus descendente de Davi, e admite ter sido ele inteiramente o mesmo logos eterno na terra, digo: o sangue de Jesus ainda é o resgate exigido e fornecido por Deus pelos nossos pecados. Como que a supremacia do Filho poderia ser revelada em nós através de meios como estes se ele fosse o Deus Todo-Poderoso?

Deus, que nos ama perfeitamente, teve de suportar e assistir a agonia de seu Filho na cruz, o objeto mais digno de seu amor. Certamente não há dúvida de até que ponto Deus sofreu. O fato de que o Filho sofreu também, como alguém que não seja Deus, não diminui em nada o que ele era. A alegria e satisfação maior é saber que alguém que fez parte deste mundo, nasceu de mulher, Jesus o Messias prometido, foi capaz de expiar o pecado e encontrar a liberação de suas consequências.

Não foi o Pai quem foi crucificado, mas o Filho

Onde a Bíblia nos ensina que Deus mesmo, o Deus de Abraão, Isaque e Jacó iria morrer pelos nossos pecados? Deus é imortal e não pode morrer (1 Timóteo 1:17, Lucas 20:36). Em contraste, Jesus só foi feito imortal após a sua ressurreição.

Como ele deu a sua vida, Jesus clamou na cruz: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste“. Portanto, quem ficou na cruz a partir desse ponto não pode ter sido Deus. Se Jesus era de fato o centro pessoal “divino”, ou seja, o homem Deus todo poderoso, também com a mesma natureza que tinha antes de todas as coisas, sendo ali na cruz o Deus de Abraão, Isaque e Jacó, não sendo mesmo o último Adão, então este abandono não quer dizer nada.

Portanto, o pecado só poderia ser superado por Deus se alguém na forma de um homem viesse a ser o resgatador. E vale dizer aqui: nenhum de nós tem a vantagem de uma “existência” pessoal na eternidade antes do nosso nascimento, só Jesus. Ou seja, uma existência através da promessa. Por isso ninguém mais neste mundo tem a primazia como Salvador e intercessor.

Assim, a realização de Jesus e o sacrifício são ainda mais notáveis em virtude de suas limitações humanas. Ele é o homem unicamente normal, o exemplo vivo de uma humanidade espiritualmente madura, que nos brindou com a ressurreição, também nossa e futura, e a transformação do nosso corpo. E, longe de minimizar o problema do pecado, seu exemplo é mais inspirador, dado o seu sucesso; e com certeza, tudo isso com a ausência de qualquer vantagem oculta.

O Alfa e o Ômega

Alfa

A afirmação feita pela tradição teológica cristã é de que o livro de Apocalipse mostra, não o Senhor Deus como o Alfa e o Ômega, mas a pessoa de Jesus. Isso não é verdade, e um exame minucioso dos textos vai esclarecer que o título Alfa e Ômega é aplicado somente para a pessoa do Pai, o Todo Poderoso mencionado em Apocalipse, o qual sempre é visto distinto do Cordeiro.

Além disso, e devo mencionar aqui no princípio, temos uma adulteração clara foi feita pela versão King James em Apocalipse 1:10-13 com relação ao título Alfa e Ômega e primeiro e último aplicados a Jesus. Como vai ser atestado, revelado e comprovado, esta sequência não deveria estar ali – foi um acréscimo irresponsável!

Quem é o Alfa e o Ômega?

A doutrina da trindade caminhava a passos largos para seu estabelecimento em 323 d.C. no Concílio de Nicéia, que formalmente foi escrito em um corpo de texto conhecido como O Credo de Atanásio. Abraçado pelos reformadores, a doutrina da Trindade usurpou as Escrituras na definição de quem é Deus, e quem é Jesus.

A Trindade afirma que há uma pessoa chamada por Deus Pai, uma pessoa chamada Deus o Filho, e uma pessoa chamada Deus Espírito Santo. Na Trindade, Jesus é visto como um ser incriado assim como o Pai é incriado e o Espírito Santo é incriado.

No quarto século, o que viria a ser a Igreja Católica Oriental, produziu o Credo Niceno-Constantinopolitano, que afirma a plena divindade de Jesus Cristo. Este credo leva o conceito de divindade ao extremo, referindo-se a Jesus Cristo como “Deus verdadeiro”.

Vamos examinar um a um os registros de João em Apocalipse para descobrir se a exigência feita pela interpretação tradicional cristã é mesmo confiável.

Apocalipse 1:8 “Eu sou o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim, diz o Senhor, que é, e que era, e que há de vir, o Todo-Poderoso”.

Apocalipse 1:10-13, “Eu fui arrebatado no Espírito no dia do Senhor, e ouvi detrás de mim uma grande voz, como de trombeta, que dizia: Eu sou o Alfa e o Ômega, o primeiro e o último; e o que vês, escreve-o num livro, e envia-o às sete igrejas que estão na Ásia: a Éfeso, e a Esmirna, e a Bergamo, e a Tiatira, e a Sardes, e a Filadélfia, e a Laodicéia. E virei-me para ver quem falava comigo. E, virando-me, vi sete castiçais de ouro; E no meio dos sete castiçais um semelhante ao Filho do homem”.

Apocalipse 21: 5-7 “E o que estava assentado sobre o trono disse: Eis que faço novas todas as coisas. E disse-me: Escreve; porque estas palavras são verdadeiras e fiéis. E disse-me mais: Está cumprido. Eu sou o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim. A quem tiver sede, de graça lhe darei da fonte da água da vida. Quem vencer, herdará todas as coisas; e eu serei seu Deus, e ele será meu filho”.

Apocalipse 22: 12-14 “E, eis que cedo venho, e o meu galardão está comigo, para dar a cada um segundo a sua obra. Eu sou o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim, o primeiro e o derradeiro. Bem-aventurados aqueles que guardam os seus mandamentos, para que tenham direito à árvore da vida, e possam entrar na cidade pelas portas”.

As coisas nem sempre são o que parecem. Este artigo irá explicar o verdadeiro significado dos versos acima e mostrar como o erro entrou na versão King James das Escrituras, que inseriu os termos “Alfa e Ômega, o primeiro e o último” onde eles não deveriam estar, no contexto de Apocalipse 1:10-13.

Não é de admirar que milhares de cristãos interpretem o “Alfa e Ômega” no livro do Apocalipse como sendo Jesus Cristo o mesmo Deus todo poderoso. Porém, a leitura cuidadosa das passagens não só refuta a afirmação de que Jesus é “totalmente Deus”, mas declara a sua humanidade glorificada como absoluta, e faz uma distinção clara entre ele e o Senhor Deus. Além de acreditar que Jesus é o Alfa e o Ômega de Apocalipse, a maior parte da cristandade crê que Jesus é o criador. Entendem que Alfa é uma designação em grego para o começo. E por causa de sua percepção da palavra Ômega, que é uma designação em grego para o fim de algo, acreditam que Jesus é o Deus eterno.

Muitos argumentam também que as referências a Alfa e Ômega são declarações de Cristo como divindade. Isso não pode ser aplicado como estritamente literal, porque nem Deus nem Cristo são uma letra grega. É inútil procurar literatura judaica e pagã para a fonte de algo que se assemelha a este nome, Alfa e Ômega. Em nenhum outro lugar é uma pessoa, para não falar de uma pessoa divina, chamada Alfa e Ômega. Estudiosos confirmam que a frase é um hebraísmo de uso comum entre os antigos comentaristas judeus para designar o conjunto de qualquer coisa, desde o início até o fim. Não é de admirar que as sequelas do protestantismo católico dentro da teologia cristã pode ser capaz de santificar e divinizar até as letras do alfabeto grego.

O Alfa e o Ômega de Apocalipse 1:8

Eu sou o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim, diz o Senhor, que é, e que era, e que há de vir, o Todo-Poderoso”.

Uma observação importante deve ser ressaltada: “Aquele que é, que era, e que há de vir” está “separado” de Jesus,

Apocalipse 1:4, 5 “João, às sete igrejas que estão na Ásia: Graça e paz seja convosco da parte daquele que é e que era, e que há de vir, e da dos sete espíritos que estão diante do seu trono; E da parte de Jesus Cristo, que é a fiel testemunha, o primogênito dentre os mortos e o príncipe dos reis da terra. Àquele que nos amou, e em seu sangue nos lavou dos nossos pecados”.

Atente agora para os detalhes:

“… da parte daquele que é e que era, e que há de vir… E da parte de Jesus Cristo, que é a fiel testemunha, o primogênito dentre os mortos”.

A conjunção “e” é adicionada para fins de separação e distinção. Na frase, a leitura para “Aquele que é, que era e que há de vir”, é claramente feita separando o Senhor Deus da pessoa de “Jesus Cristo, a fiel testemunha, o primogênito dos mortos…”. Esta é a prova de que Jesus e Deus são duas pessoas distintas, mesmo no céu. Note que João descreve o Alfa e o Ômega como “Aquele que é, que era e que há de vir“.

Este ponto se torna mais enfático quando examinamos Apocalipse 1: 8, que é uma ligação direta para Apocalipse 1: 4.

Apocalipse 1: 8 “Eu sou o Alfa e o Ômega”, diz o Senhor Deus”, que é que era e que há de vir, o Todo-Poderoso“.

O parágrafo lê: “… Aquele que é, que era e que há de vir E de Jesus Cristo“. Isso revela claramente que o Alfa e Ômega não é Jesus, mas sim “aquele que é, que era e que há de vir”, ou seja, Deus. Portanto, como foi verificado, a primeira referência para Alfa e Ômega de Apocalipse, tantas vezes ensinada ter sido direcionada ao Senhor Jesus, na verdade, aponta para Deus, o Pai.

O ERRO nas versões da Bíblia King James

A doutrina que aplica as palavras Alfa e Ômega para o Senhor Jesus é um exemplo triste e infeliz de adulteração com a Palavra de Deus. A verdade mostra como a empreitada foi um contrato irresponsável armado por homens para justificar crenças falsas. A frase que diz: “Eu sou o Alfa e o Ômega, o primeiro e o último” de Apocalipse 1:11 não deveria estar ali, pois não se encontra nos textos gregos originais, também não é encontrada em praticamente todos os textos antigos, mas mencionada como uma nota negativa de rodapé em algumas traduções atualizadas.

Abaixo está a versão King James de Apocalipse 1:10-11, seguida por várias outras versões críveis tendo os mesmos dois versos citados nesta discussão. Vamos descobrir que as palavras Alfa e Ômega foram erroneamente adicionadas pela versão do Rei Tiago para fins teológicos, e não de tradução.

“I was in the Spirit on the Lord’s day, and heard behind me a great voice, as of a trumpet, Saying,I am Alpha and Omega, the first and the last: and, What thou seest, write in a book, and send it unto the seven churches which are in Asia; unto Ephesus, and unto Smyrna, and unto Pergamos, and unto Thyatira, and unto Sardis, and unto Philadelphia, and unto Laodicea”.

Uma versão na língua portuguesa baseada na King James cita o versículo nos mesmos termos,

Eu fui arrebatado em espírito no dia do Senhor, e ouvi por detrás de mim uma grande voz, como de trombeta, dizendo: “Eu sou o Alfa e o Ômega, o primeiro e o último: e, o que vês, escreve-o num livro, e envia-o às sete igrejas que estão na Ásia; a Éfeso, a Esmirna, a Pérgamo, e a Tiatira, a Sardes, Filadélfia e Laodicéia” (ACF).

É necessário lembrar que algumas versões anteriores da Almeida causaram confusão ao adicionar as palavras que não ocorrem nos mais antigos e respeitados manuscritos. De fato, a King James Version que provavelmente serviu de referência para algumas versões Almeida, adicionou tais palavras e contribuíram significativamente para aprofundar ainda mais a confusão. Diversas versões cometeram este erro, todavia, muitas admitem como é o caso de uma nota da Versão Literal de Young, que “os mais antigos mss omitem” tais palavras. É reconhecido pelos eruditos que textos Bizantinos posteriores adicionaram tais palavras quando alguns copistas em sua tentativa de identificar Jesus com Deus mudaram o texto original.

Eu vou adicionar aqui alguns comentários bíblicos para confirmar a adulteração vergonhosa da cláusula citada em Apocalipse 1 verso 11:

Eu sou o Alfa e o Ômega, o primeiro e o ultimoEsta cláusula inteira está ausente no ABC, em trinta e outros manuscritos; algumas edições, o siríaco, copta, etíope, armênio, eslavo, Vulgata, Arethas, Andreas, e Primasius. Griesbach deixou-a fora do texto”, Clarke’s Commentary on the Bible.

Eu Sou o Alfa e o Ômega, o primeiro e o ultimo Os mais antigos manuscritos omitem esta cláusula inteira”, Jamieson-Fausset-Brown, Bible Commentary 11.

“… Com uma ampla evidência, Eu sou o Alfa e Ômega, o primeiro e o ultimo, deve ser omitido”, Pulpit Commentary, verse 11.

Atentem agora para as versões citadas a seguir; todas omitem as expressões Alfa e Ômega:

New American Standard Bible

“I was in the Spirit on the Lord’s day, and I heard behind me a great voice, as of a trumpet, saying, What thou seest, write in a book and send [it] to the seven churches: unto Ephesus, and unto Smyrna, and unto Pergamum, and unto Thyatira, and unto Sardis, and unto Philadelphia, and unto Laodicea”.

English Bible Society

“I was in the Spirit on the Lord’s day, and a great voice at my back, as of a horn, came to my ears, Saying, What you see, put in a book, and send it to the seven churches; to Ephesus and to Smyrna and to Pergamos and to Thyatira and to Sardis and to Philadelphia and to Laodicea”.

Almeida Atualizada

“Eu fui arrebatado em espírito no dia do Senhor, e ouvi por detrás de mim uma grande voz, como de trombeta, dizendo: O que vês, escreve-o num livro, e envia-o às sete igrejas: a Éfeso, a Esmirna, e até Pérgamo, e a Tiatira, a Sardes, e até Filadélfia e Laodicéia”.

Revista e Atualizada

“Achei-me em espírito, no dia do Senhor, e ouvi, por detrás de mim, grande voz, como de trombeta, dizendo: O que vês escreve em livro e manda às sete igrejas: Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodicéia”.

Almeida Revisada da Imprensa Bíblica

“Eu fui arrebatado em espírito no dia do Senhor, e ouvi por detrás de mim uma grande voz, como de trombeta, que dizia: O que vês, escreve-o num livro, e envia-o às sete igrejas: a Éfeso, a Esmirna, a Pérgamo, a Tiatira, a Sardes, a Filadélfia e a Laodicéia”.

Nova Versão Internacional

“No dia do Senhor achei-me no Espírito e ouvi por trás de mim uma voz forte, como de trombeta, que dizia: “Escreva num livro o que você vê e envie a estas sete igrejas: Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodicéia”.

Versão Católica

“Num domingo, fui arrebatado em êxtase, e ouvi, por trás de mim, voz forte como de trombeta, que dizia: O que vês, escreve-o num livro e manda-o às sete igrejas: a Éfeso, a Esmirna, a Pérgamo, a Tiatira, a Sardes, a Filadélfia e a Laodicéia”.

Bíblia de Jerusalém versão em Espanhol

“Caí en éxtasis el día del Señor, y oí detrás de mí una gran voz, como de trompeta, que decía: Lo que veas escríbelo en un libro y envíalo a las siete Iglesias: a Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadelfia y Laodicea”.

Darby Bíblia, “… dizendo: O que vês, escreve-o num livro, e envia às sete igrejas”.

De Phillip New Testament, “… dizendo: “Anote em um livro que você vê, e envia às sete igrejas …”.

Douay Rheims Version, “… dizendo: “O que vês, escreve-o num livro, e envia às sete igrejas…”.

Weymouth Novo Testamento, “… disse: “Faça imediatamente em um rolo um relato do que você vê, e enviá-lo às sete igrejas …”

Murdoch Novo Testamento, “… e disse: “O que vês, escreve-o num livro, e envia às sete igrejas … “.

Bíblia de Rotherham, “… dizendo: “O que vês, escreve-o num livro, e envia-o às sete Assembléias …”.

Como vimos, todas as versões citadas omitem as palavras em Apocalipse 1:11, “Eu sou o Alfa e o Ômega, o primeiro e o último”. Os melhores manuscritos não têm essa frase, e, portanto, deve a mesma ser omitida de qualquer tradução credível. A KJV também acrescenta “o primeiro e o último” de Apocalipse 1:11 em algumas versões. Em ambos os casos, os tradutores da Bíblia King James estavam seguindo o Textus Receptus. Mais tarde descobertas de manuscritos demonstraram que a cláusula não é original aqui. Para ser justo com os tradutores da KJV talvez deveríamos assumir que estavam apenas cumprindo o Textus Receptus, ou Texto Recebido, que tem centenas, se não milhares de problemas.

Só podemos especular, mas parece que os tradutores da Bíblia King James queriam fazer uma ligação clara entre as frases “Alfa e Ômega” e “o primeiro e o último”. E, qualquer que seja a posição teológica individual dos tradutores no comitê desta versão inglesa, certamente tentaram reforçar a visão de que Cristo era “Deus”. Influências trinitárias sem dúvida desempenharam algum papel, uma vez que a Igreja da Inglaterra defende Jesus Cristo como “Deus Filho” (ou seja – a segunda pessoa da Trindade, um Deus co-igual, junto com a pessoa do Pai e do Espírito Santo). No entanto, há manuscritos suficientemente críveis e ferramentas de estudo disponíveis para uma pessoa encontrar a resposta correta.

Ao longo de seu passado obscuro e sórdido, a Igreja Católica Romana escondeu as Escrituras das massas, e poucas pessoas tinham a paixão, unidade e a coragem de desafiar preconceitos doutrinários. Porém, hoje em dia, as pessoas estão começando a fazer perguntas, pesquisando e encontrando respostas, que para muitos ficaram ocultas na escuridão das trevas por séculos.

Vamos agora examinar Apocalipse 21:5-7 em seu contexto:

E aquele que está assentado no trono disse: Eis que faço novas todas as coisas. E acrescentou: Escreve, porque estas palavras são fiéis e verdadeiras. E disse-me ainda: Tudo está feito. Eu sou o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim. Eu, a quem tem sede, darei de graça da fonte da água da vida. O vencedor herdará estas coisas, e eu lhe serei Deus, e ele me será filho”.

Observe quem disse ser o Alfa e o Ômega: “E aquele que está assentado no trono disse: Eu sou o Alfa e o Ômega“. Além disso, Ele também acrescenta: ” O vencedor herdará estas coisas, e eu lhe serei Deus, e ele me será filho”. Evidente que quem fala aqui não é Jesus.

É necessário observar atentamente quem está falando ser o Alfa e o Ômega neste contexto de Apocalipse. Preste atenção amigo leitor, naquele que está assentado no trono, pois este é o Alfa e o Ômega, o mesmo citado como sendo o Deus de Jesus em Apocalipse 2:7; 3:2,12, que se distingue do Cordeiro em Apocalipse 5:1-7; 5:13; 6:16; 7:10, 15.

Veja que em alguns textos apresentados Jesus chama o Pai de “Meu Deus”. E não esqueça, Ele fala estas palavras quando já estava no céu,

Apocalipse 2:7 “Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: Ao que vencer, dar-lhe-ei a comer da árvore da vida, que está no meio do paraíso de Deus”.

Apocalipse 3:2, 12 “Sê vigilante, e confirma os restantes, que estavam para morrer; porque não achei as tuas obras perfeitas diante de Deus… A quem vencer, eu o farei coluna no templo do meu Deus, e dele nunca sairá; e escreverei sobre ele o nome do meu Deus, e o nome da cidade do meu Deus, a nova Jerusalém, que desce do céu, do meu Deus, e também o meu novo nome”.

Eu acredito piamente que a cristandade não se deu conta do real significado destas passagens. Observe que Jesus está glorificado, mas continua chamando o Pai de MEU DEUS. Se Ele chama o Pai de meu Deus, Ele não pode ser Deus também. Não existe dois Deus. Veja o que Ele diz em João 17:3: “E a vida eterna é esta: que te conheçam, a ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste”.

Paulo reforça as palavras do Senhor Jesus quando declara haver apenas um Deus e não dois:

1 Coríntios 8:6 “Todavia para nós há um só Deus, o Pai, de quem é tudo e para quem nós vivemos; e um só Senhor, Jesus Cristo, pelo qual são todas as coisas, e nós por ele”.

Efésios 4:6 “Um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, e por todos e em todos vós”.

1 Timóteo 2:5 “Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem”.

Observe que Paulo continua chamando Jesus de homem. O Senhor subiu ao céu pela morte e ressurreição, não foi transformado em um Deus, mas sim em um homem glorificado, a pedra angular nos propósitos de Deus, o mediador e salvador da humanidade.

O apóstolo dos gentios foi enfático quando afirmou “que a morte veio por um homem, mas também por um homem veio a ressurreição dos mortos“, 1 Cor 15:21. A palavra “também” é significativa, pois faz uma comparação entre dois seres mortais, dois homens, Jesus e Adão.

A posição de Jesus em relação ao Pai não é aquela apresentada pelos trinitarianos e pela ortodoxia cristã, que ele é outro Deus, o Deus filho. Na verdade, Ele é o filho de Deus, o mediador e reconciliador dos pecadores, mas sujeito e submisso ao Pai. Veja o que declara Paulo na profecia do Salmo 110: “Depois virá o fim, quando [O Senhor Jesus] tiver entregado o reino a Deus, ao Pai, e quando houver aniquilado todo o império, e toda a potestade e força. Porque convém que reine até que haja posto a todos os inimigos debaixo de seus pés. Ora, o último inimigo que há de ser aniquilado é a morte. Porque todas as coisas sujeitou debaixo de seus pés. Mas, quando diz que todas as coisas lhe estão sujeitas, claro está que se excetua aquele que lhe sujeitou todas as coisas. E, quando todas as coisas lhe estiverem sujeitas, então também o mesmo Filho se sujeitará àquele que todas as coisas lhe sujeitou, para que Deus seja tudo em todos”, 1 Coríntios 15:24-28.

Por que Paulo disse que “é evidente” que o Filho tem tudo em sujeição, exceto Deus? Eis aqui mais um entendimento óbvio e implícito, que o salmista não mencionou, mas Paulo, para a nossa benção, explicou. Em seguida o Apóstolo afirma que o Filho, este sim, “também se sujeitará” a Deus, para que todos, inclusive o Filho, estejam sujeitos ao Criador do Universo. Não é muito claro que o Filho, embora superior a todos os demais, além de não ser Deus é subserviente a Ele?

Qual a explicação que os trinitarianos dariam para estas passagens? As mesmas explicações vagas de sempre, de que é uma questão de funções organizacionais celestes, e que muitas vezes o termo “Deus” se refere ao “Deus-Pai” na sua função de Pai – a função de quem comanda – extraindo de vários versículos coisas que eles não dizem. Ainda recheiam o “bolo de interpretações” com termos teológicos e filosóficos pouco usados, que impressionam facilmente os leitores desavisados, ou os candidatos a eruditos.

Vamos voltar ao Alfa e o Ômega do versículo em discussão. Foi dito anteriormente que quem está assentado no trono – o qual disse ser o Alfa e o Ômega – é visto separado de Jesus, o Cordeiro. Isso é confirmado com mais algumas passagens interessantes:

Apocalipse 5:7 E veio [Jesus], e tomou o livro da destra do que estava assentado no trono.

Apocalipse 5:13 E ouvi a toda a criatura que está no céu, e na terra, e debaixo da terra, e que está no mar, e a todas as coisas que neles há, dizer: Ao que está assentado sobre o trono, e ao Cordeiro, sejam dadas ações de graças, e honra e glória, e poder para todo o sempre.

Apocalipse 7:10 “E clamavam com grande voz, dizendo: Salvação ao nosso Deus, que está assentado no trono, e ao Cordeiro”.

Agora leia novamente parte do contexto em estudo e descubra quem é o Alfa e o Ômega. Veja o que diz aquele que está assentado no trono:

E aquele que está assentado no trono… disse-me ainda: Tudo está feito. Eu sou o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim”, Ap 21:5-7.

Não devemos esquecer que quem está assentado no trono é chamado de “Todo Poderoso”. No entanto, em duas ocorrências da palavra “Todo-Poderoso” em Apocalipse, Jesus é contextualmente – ontológicamente e gramaticalmente – excluído de ser o Todo-Poderoso mencionado. Veja:

Apocalipse 19:15 “E da sua boca [de Jesus] saía uma aguda espada, para ferir com ela as nações; e ele as regerá com vara de ferro; e ele mesmo é o que pisa o lagar do vinho do furor e da ira do Deus Todo-Poderoso”.

Apocalipse 21:22 “E nela não vi templo, porque o seu templo é o Senhor Deus Todo-Poderoso, e o Cordeiro”.

Além de tudo isso, Apocalipse 21: 6, 7 indica que os cristãos que são vencedores devem ser ‘filhos’ daquele conhecido como Alfa e Ômega. Isso nunca é dito sobre o relacionamento dos cristãos com Cristo. Jesus falou sobre os cristãos como seus ‘irmãos’ (Heb 2:11; Mat 12:50; 25:40). Esses ‘irmãos’ de Jesus são referidos como filhos de Deus Pai (Gálatas 3:26; 4: 6).

Portanto, foi mostrado que o segundo texto em Apocalipse apresentando o título de Alfa e Ômega, tantas vezes atribuído a Jesus, foi, na verdade, aplicado ao Pai por Ele mesmo.

Está faltando um, e é para ele que vamos agora…

O Alfa e Ômega em Apocalipse 22:13

Descobrimos, sem sombra de dúvidas – como visto nos argumentos anteriores – que o título Alfa e Ômega foi aplicado ao Pai, não ao filho. Porém, temos aqui em Apocalipse 22:13 novamente o título Alfa e Ômega que, para a Apologética convencional, é a principal prova para derrubar de vez o argumento de seus oponentes com relação à divindade e preexistência de Jesus. Para eles está claro aqui que Jesus é o Alfa e o Ômega.

Na verdade, nós temos duas opções: Os títulos (ou título!) só podem ser aplicados a Jesus com uma condição: se a composição textual for encurtada – e pode ser aplicado ao Pai de forma integral. Porém, há algo sumamente importante que foi ignorado por nossa Ortodoxia. Observe como a composição tradicional do texto está longa, em nada parecida com as outras duas mencionadas no mesmo Livro:

Eu sou o Alfa e Ômega, princípio e o fim, o primeiro e o último”.

Compare com Apocalipse 1:8: “Eu sou o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim, diz o Senhor…”. E Agora veja Apocalipse 21:6: “Eu sou o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim”.

Completamente desnecessário introduzir no texto de Apocalipse 22:13 os três títulos: “Alfa e Ômega, princípio e o fim, o primeiro e o último”. Certamente há algo errado, e nós vamos descobrir onde está esse erro.

Observe três traduções que poderiam mudar todo o curso das discussões. Veja como a Bible in Basic English, a Good News Translation e a Worldwide English apresentam o texto:

I am the First and the Last, the start and the end

Eu sou o primeiro e o último, o princípio e o fim

Confira aqui as três versões: Bible in Basic EnglishGood News TranslationWorldwide English

Certamente houve um acréscimo aqui; acréscimo feito por escribas que acreditaram que o texto poderia enfatizar a divindade de Jesus apresentando-o como Deus. E, muitíssimo provavelmente, eles acreditaram que os títulos faziam menção ao filho, o que não é verdade. A referência é ao Pai!

Os erros em Apocalipse 1:11, como visto anteriormente, e Apocalipse 22:13, devem-se à imprecisão do chamado Textus Receptus, o texto grego no qual o Novo Testamento da KJV se baseou. De acordo com Bruce Metzger (em The Text of the New Testament: Its Transmission, Corruption and Restoration, Second Edition, Oxford University Press, 1968), o Textus Receptus foi preparado às pressas e a esmo, e foi baseado principalmente em manuscritos não confiáveis do século XII. Foi obra de um holandês chamado Desiderius Erasmus e foi publicado pela primeira vez em 1516. Embora o que ficou conhecido como Textus Receptus tenha uma precisão inferior ao primeiro Novo Testamento Grego completo, o chamado Novo Testamento Complutense que foi Publicado apenas dois anos antes em 1514, o texto de Erasmus foi comercializado com muito mais eficácia e foi usado como base para todas as principais traduções protestantes nas línguas da Europa até 1881, quando a versão revisada em inglês [RV] foi publicada pela primeira vez.

A tradução do Textus Receptus de Apocalipse 22:13, na qual se baseou a KJ, e da qual foram construídas quase todas as nossas traduções, pode estar em ordem incorreta em relação a tradução grega e não representa exatamente o texto original. E com base nas edições citadas acima temos pelo menos evidências que nos faz suspeitar de que o texto original pode sim ter sido alterado.

Acredito, baseado nos argumentos anteriores em Apocalipse quando o título Alfa e Ômega é aplicado ao Pai, que aqui também podemos colher evidências para provar a mesma tese se considerarmos se as palavras Alfa e Ômega são parte do texto original ou não. Observe que o texto poderia ficar de duas formas: “Eu sou o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim”, que é similar as outras duas menções dadas ao Pai em Apocalipse, ou poderia ser, “Eu sou o princípio e o fim, o primeiro e o último”, que também pode ser aplicado a Deus, porém, a frase jamais foi usada em conjunto. Observe também que algo no texto maior parece estar fora de ordem, pois “primeiro e último” foi citado depois de “princípio e fim“: “Eu sou o Alfa e Ômega, princípio e o fim, o primeiro e o último”. Para o hermeneuta atento há uma discrepância aqui. Bastaria que a citação fosse, “Eu sou o Alfa e Ômega, princípio e o fim”.

E apesar de Jesus falar de forma semelhante em Apocalipse 1:18 e 2:8, “… Eu sou o primeiro e o último; E o que vivo e fui morto, mas eis aqui estou vivo para todo o sempre. Amém. E tenho as chaves da morte e do inferno”, e “E ao anjo da igreja em Esmirna, escreve: Isto diz o primeiro e o último, que foi morto, e reviveu”, não podemos atribuir a ele o título de Alfa e Ômega. Note que quando Jesus diz “eu sou o primeiro e o último” ele conecta as palavras com a frase, “que foi morto e reviveu”. Você vai descobrir também o significado de ser “primeiro e último” aplicado a Jesus na última seção desse artigo.

Vamos examinar Apocalipse 22:13

Apocalipse 22:12,13 “Eis que venho sem demora. O meu galardão está comigo, para retribuir a cada um segundo a sua obra. Eu sou o Alfa e o Ômega, o Primeiro e o Último, o Princípio e o Fim”.

Preste atenção em todo o contexto de Apocalipse 22:6-21 com alguns comentários adicionados entre colchetes:

Apocalipse 22: 6 “Ele [o anjo mencionado no Apocalipse 21: 9] me disse: “Estas palavras são fiéis e verdadeiras; e o Senhor, o Deus dos santos profetas, enviou o seu anjo, para mostrar aos seus servos as coisas que em breve hão de acontecer“.

Apocalipse 22: 7 [Observe a mudança abrupta; o anjo de repente fala como alguém que vem] “Eis que venho sem demora. Bem-aventurado aquele que guarda as palavras da profecia deste livro. [Muitos afirmam que o que vem é Jesus; no entanto, isso também poderia ser falado de Deus (1 Tess 3:13), o que é mais do que provável, uma vez que o anjo estava apenas se referindo ao Senhor].

Apocalipse 22:8 [Aqui João fala de si mesmo] Eu, João, sou aquele que vi e ouvi estas coisas. Quando eu ouvi e vi, caí em adoração diante dos pés do anjo que me tinha mostrado essas coisas.

Apocalipse 22:9 Ele [o anjo] me disse: Olha, não faças tal; porque eu sou conservo teu e de teus irmãos, os profetas, e dos que guardam as palavras deste livro. Adora a Deus.

Apocalipse 22:10 Ele [o anjo] disse-me: “Não seles as palavras da profecia deste livro, porque o tempo está próximo”.

Apocalipse 22:11 Quem é injusto, faça injustiça ainda; e quem está sujo, suje-se ainda; e quem é justo, faça justiça ainda; e quem é santo, seja santificado ainda.

Apocalipse 22:12 [Abruptamente o anjo começa a citar alguém novamente] Eis que venho sem demora. O meu galardão está comigo, para retribuir a cada um segundo a sua obra. [O Deus de Jesus julga o mundo através de Jesus, e cada um receberá de Deus o louvor – Atos 17:31; Romanos 2:16; 1 Coríntios 4: 5; 2 Timóteo 4: 1; Isaías 40:10].

Apocalipse 22:13 Eu sou o Alfa e o Ômega, o Primeiro e o Último, o Princípio e o fim.

Compare cuidadosamente o seguinte, especialmente os dois últimos versículos: “Eu caí para adorar aos pés do anjo que me mostrou essas coisas” (22: 8); “Eu, Jesus, enviei meu anjo para testemunhar estas coisas” (22:16); “Aquele que testifica estas coisas diz: Certamente cedo venho. Amém. Ora vem, Senhor Jesus” (22:20). Que o leitor seja lembrado de quem estava se comunicando com João no capítulo 1, e então pergunte-se quem testemunhou essas coisas a João.

Olhe novamente para Ap 22: 8-16. João é identificado como o orador em 22: 8. O anjo fala no verso 9. Aparentemente, o anjo continua falando no verso 10. O anjo ainda pode estar falando no versículo 11. O anjo continua falando no verso 12. O anjo fala pelo Pai no verso 13. A Bíblia de Jerusalém; a NJB e a tradução de J. Moffatt nos mostram que o anjo falou todas as palavras do versículo 9 até ao versículo 15.

Jesus começa a falar no versículo 16: “Eu, Jesus” – também introduz um novo orador. Isso significa que a declaração anterior (“Eu sou o Alfa e o Ômega”) foi feita por outra pessoa. No caso aqui é o anjo falando pelo Pai. Isso fica claro quando lemos o verso imediatamente anterior, o 12, que diz: “Eis que cedo venho e está comigo a minha recompensa, para retribuir a cada um segundo a sua obra“. É uma réplica exata do verso 6 de Romanos capítulo 2 quando fala do juízo de Deus. Veja: “Mas, segundo a tua dureza e teu coração impenitente, entesouras ira para ti no dia da ira e da revelação do justo juízo de Deus, que retribuirá a cada um segundo as suas obras“, Rm 2:5,6.

Aqueles que usam a expressão “Alfa e Ômega” para Jesus se apoiam na frase: “Eu venho em breve/Eis que cedo venho” em Apocalipse 22:20. Em seguida, eles apontam para as mesmas palavras em Apoc 22:12 (“certamente cedo venho”) e afirmam que quem fala que é o Alfa e o Ômega só pode ser o Senhor Jesus.

Porque Deus reina sobre todas as coisas, e é o Senhor da história, Israel viveu na esperança (como os profetas anunciaram) da ‘vinda’ de Deus – seus atos futuros pelos quais ele decisivamente lida com toda a maldade estabelecendo justiça na terra . Veja alguns textos que falam de Deus vindo; o Salmo 96:13 diz, “O Senhor está vindo”, que é uma expressão no VT descrevendo a intervenção do Senhor na história [compare com Sl 18: 9; 96:13; 144: 5; Isa 26:21; 31: 4; 64: 1-3 ].

Quando o anjo falou a Maria: “O Senhor está com você” (Lucas 1:28), ele obviamente não quer dizer que Deus tinha literalmente vindo à terra (compare Juízes 6:7-12). Quando o pai de João Batista disse: “Louvado seja o Senhor, o Deus de Israel, porque ele veio e redimiu o seu povo” (Lucas 1: 66-68) ele quis dizer que Deus estava operando do céu para ajudar a humanidade dos justos. Quando Moisés descreve Deus com ele (Josué 1: 5), significava que Deus, do céu, estava auxiliando-o. Quando Josué disse aos israelitas “Deus está entre vós” (Jos 3:10), ele estava novamente dizendo que Deus estava ajudando-os. E não podemos ignorar um grupo vasto de profecias para os tempos finais que fala de Deus “vindo”. Além disso, quando Deus “vem” a terra, ele vem para operar através de alguma outra pessoa. Quando Moisés voltou ao Egito para ajudar seu povo, Deus “veio” para ajudá-los (através de Moisés). Quando Jesus veio à terra para ajudar a humanidade, Deus “veio” (através de Jesus). E quando Jesus “retornar” do céu, Deus “vem!”

Assim, se Jesus “em breve” vem para fazer a vontade de Deus, então, pelo mesmo ato, Deus vai “vir” também (não literalmente, mas através de Jesus).

Leia agora novamente Apocalipse 1: 8 e Apocalipse 1: 4, 5 que vai ficar mais claro para você:

Eu sou o Alfa e o Ômega”, diz o Senhor Deus, que é, que era e que há de vir, o Todo-Poderoso

Sabemos que este é o Pai falando como vimos nos comentários na primeira parte desse estudo. Somente Ele é chamado Senhor Deus e Todo-Poderoso na Sagrada Escritura. Observe que o Pai neste versículo é descrito como alguém que está para vir:

Graça e paz da parte daquele que é, que era e que há de vir, e da dos sete espíritos que estão diante do seu trono, e de Jesus Cristo, a testemunha fiel …” (1: 4, 5).

Portanto, no sentido que Deus “vai vir”, deve ser como descrito acima: Deus “vir” através de seu filho, mas eles ainda são duas pessoas distintas!

Portanto, podemos ver facilmente que não há razão para dizer que o título Alfa e Ômega de Apocalipse 22:13 foi dirigido a pessoa de Jesus. E a maior evidência para tal é exatamente o versículo imediato. Leia Apocalipse 22:14 [Isto é o anjo falando] Bem-aventurados aqueles que guardam os seus mandamentos, para que tenham direito à árvore da vida, e possam entrar pelas portas na cidade. É uma terceira pessoa falando – Deus não diria: “Bem-aventurados aqueles que guardam os seus mandamentos“.

O capítulo segue dizendo:

Apocalipse 22:15 Ficarão de fora os cães, os feiticeiros, os adúlteros, os homicidas, os idólatras, e todo aquele que ama e pratica a mentira.

Apocalipse 22:16 [Agora entra Jesus:] Eu, Jesus, enviei o meu anjo para vos testificar estas coisas a favor das igrejas. Eu sou a raiz e a geração de Davi; a Resplandecente Estrela da Manhã“.

Apocalipse 22:17 Vem!’ O Espírito e a noiva dizem: Aquele que ouve, diga: Vem! E quem tem sede, venha. E quem quiser, receba de graça a água da vida.

Apocalipse 22:18 Eu testifico a todo aquele que ouve as palavras da profecia deste livro que, se alguém lhes acrescentar alguma coisa, Deus lhe acrescentará as pragas que estão escritas neste livro.

Apocalipse 22:19 Se alguém tirar quaisquer palavras do livro desta profecia, Deus tirará a sua parte da árvore da vida, e da cidade santa, que estão escritas neste livro.

Apocalipse 22:20 [João escreve] Ele [Jesus] que dá testemunho destas coisas diz: “Sim, eu venho“, Amém! [João responde] Vem, Senhor Jesus.

Apocalipse 22:21 A graça do Senhor Jesus esteja com todos os santos. Amém”.

Um detalhe importante a ser notado está registrado nos versículos oito e nove. Quando João cai aos pés do anjo para adorá-lo, este diz: “Não faças tal; porque eu sou conservo teu e de teus irmãos, os profetas, e dos que guardam as palavras deste livro. Adora a Deus“. João ficou tão maravilhado que se ajoelhou diante do poderoso anjo. É a segunda vez que ele comete o mesmo erro, e a segunda vez que lhe chamam a atenção (Ap 19:10). Esta é uma prova conclusiva de que realmente temos um anjo falando pelo Senhor Deus Todo Poderoso, alguem subserviente ao Senhor admoestando o apóstolo João a “adoração a Deus”, assim como ele faz. Veja: “Não faças tal… adora a Deus”.

Portanto, não há evidência alguma de que a frase “o Alfa e o Ômega” refere-se ao Messias – na verdade, o oposto é evidente quando examinamos cuidadosamente as ocorrências desta frase em todo o livro do Apocalipse.

O Primeiro e o Último

Em Isaías 41:4; 44:6; 48:12 encontramos as palavras “primeiro e último”, que expressam a soberania do Senhor apresentado-o como único Deus. No entanto, a ortodoxia cristã entende que primeiro e último neste contexto deve significar eternidade para trás e para frente no tempo. Na verdade, o profeta reforça nestas expressões o domínio do Deus Todo-Poderoso, o “primeiro e último” em força (Divindade), apresentando o Pai como a fonte de todo o poder, algo que os falsos deuses das nações não podem reclamar. Observe as palavras em 44:6, 8: “Eu sou o primeiro, e eu sou o último, e fora de mim não há Deus… Eu não conheço nenhum”.

Compare esta sentença com os textos a seguir: “Por isso hoje saberás, e refletirás no teu coração, que só o Senhor é Deus, em cima no céu e em baixo na terra; nenhum outro há”, Deuteronômio 4:39.

Portanto, grandioso és, ó Senhor Deus, porque não há semelhante a ti, e não há outro Deus senão tu só, segundo tudo o que temos ouvido com os nossos ouvidos”, 2 Samuel 7:22.

Vós sois as minhas testemunhas, diz o Senhor, e meu servo, a quem escolhi; para que o saibais, e me creiais, e entendais que eu sou o mesmo, e que antes de mim deus nenhum se formou, e depois de mim nenhum haverá”, Isaías 43:10.

No último livro da Bíblia descobrimos a expressão “primeiro e último”. Pelo menos duas vezes ela é aplicada a Jesus, em Apocalipse 1:17 e Apocalipse 2: 8. A frase aparece também em Apocalipse 22:13, onde o Senhor a aplica para si mesmo.

Erroneamente a ortodoxia popular prefere ler as expressões primeiro e ultimo de Isaías e Apocalipse, como “eterno”, embora não haja nada nas referências citadas para justificar este significado. Assim, e irresponsavelmente, surgiu uma reivindicação que foi transformada em constituição pela teologia cristã tradicional, de que o livro de Apocalipse mostra, não só o Pai, como o primeiro e ultimo e o alfa e Ômega – com conotação de eternidade, mas também o Filho, o Senhor Jesus. Além disso, de acordo com muitos, a frase “o primeiro e o último”, aplicados a Jesus em Apocalipse 1:17 e 2:8 oferece prova de que Jesus é o Senhor Deus, uma vez que o Pai fala de si mesmo como primeiro e último sugere que Jesus é o Senhor do Antigo Testamento e, portanto, pré-existente de acordo com o ensino da envelhecida ortodoxia cristã apoiada pelo trinitarismo e o catolicismo romano.

O primeiro e o último, que foi morto e reviveu

Apocalipse 1:17, 18 “E eu, quando vi, caí a seus pés como morto; e ele pôs sobre mim a sua destra, dizendo-me: Não temas; Eu sou o primeiro e o último; e o que vivo e fui morto, mas eis aqui estou vivo para todo o sempre. Amém. E tenho as chaves da morte e do inferno”.

Apocalipse 2:8 “E ao anjo da Igreja que está em Esmirna, escreve: Isto diz o primeiro e o último, que foi morto e reviveu”.

Observem que os termos primeiro e último estão associados às palavras “o que vivo e fui morto, mas estou vivo para sempre”, e, “que foi morto e reviveu”. Vamos saber depois porque.

O ponto que deve ser observado, insisto, é que a cristologia popular vê na frase “o primeiro e o último” de Apocalipse 1:18 e 2:8 um Jesus preexistente, como sendo ele o próprio Deus, dando-lhe o significado de eterno, sugerindo que Jesus existe fora de todos os tempos, ou que ele sempre existiu a partir da eternidade passada infinita com uma existência contínua ininterrupta para o futuro infinito. Esse ponto de vista sugere que Jesus, enquanto aqui viveu, era uma coisa do outro mundo, alguém que tinha um poder incomum, que flutuava pelo espaço infinito indo para trás e para frente no tempo, movendo-se entre o passado, presente e futuro: Um verdadeiro Deus! Está aí, presado leitor, uma extraordinária maneira de negar que ele não veio em carne. Isto é um perigo mortífero, pois insinua que o Messias jamais morreu.

A conclusão das Escrituras não seria de que Jesus é o Senhor Todo-Poderoso, mas que tanto Jesus como Deus são, de alguma forma, respectivamente, o primeiro e o último. No entanto, muitos têm afirmado que só pode haver um primeiro e último, e, assim, entendem que esta frase mostra que a pessoa que está falando em Apocalipse 2:8 é o Senhor, o Altíssimo. Seu raciocínio é que, quando o uso semelhante de palavras se aplica para Jesus e Deus, deve significar que Eles não tem começo e nem fim – são ambos eterno passado e futuro eterno. Assim, entendem que as palavras tem o mesmo sentido quando aplicadas a Jesus, e, portanto, eles concluem que Jesus é o Senhor Deus.

Quando questionados sobre como o Eterno, que é de eternidade a eternidade, morreu, a ortodoxia cristã fica em apuros. Como poderia um ser eterno morrer? E é aqui que começam os tropeços nos argumentos, dando a luz àquela velha fábula trinitariana: “quem morreu foi a natureza humana de Jesus e não a divina”. Isto se torna um desastre para aqueles que não separam Jesus de Deus, afirmando serem eles uma só pessoa, literalmente, insinuando ter sido o Messias um ser eterno, que mesmo estando na sepultura, continuava vivo.

Observe aqui a realidade dos contextos: “… Eu sou o primeiro e o ultimo; e o que vivo e fui morto, mas eis aqui estou vivo para todo o sempre”, Ap 1:18.

“… Isto diz o primeiro e o último, que foi morto, e reviveu”, Ap 2:8.

Obviamente, O Deus eterno, que é Espírito, nunca iria dizer: “Eu estava morto“. Deus é imortal e Ele não pode morrer; portanto, em Apocalipse 1:18 a referência aponta para o filho do homem glorificado: “Eu sou aquele que vive, e foi morto, e eis que estou vivo para sempre“.

A proposta da maioria na cristologia convencional é irritante, pois sugere que Jesus morreu, mas uma parte dele ficou viva em outro lugar. No entanto, deve-se observar que há um contraste entre o seu ser morto com estar vivo para todo o sempre, como atesta o verso acima, o que esclarece que ele morreu mesmo. Quando Jesus diz que ele estava “morto” é traduzida da palavra grega, “Nekros”, que significa “um cadáver”. A nossa palavra “necrotério” é derivado de Nekros. Jesus diz em Apocalipse: “Eu era um cadáver”. Ele não diz apenas que estava morto, mas acrescenta ênfase à morte. Deus é imortal, e, portanto, Jesus não pode ser chamado de Deus. As Escrituras que provam que Deus não pode morrer são as seguintes:

Ora, ao Rei dos séculos, imortal, invisível, ao único Deus sábio, seja honra e glória para todo o sempre. Amém”, 1 Timóteo 1:17.

Aquele que é o bendito e único Soberano, o Rei dos reis e Senhor dos senhores; o único que possui a imortalidade e habita em luz inacessível; a quem nenhum dos homens viu nem pode ver. A ele seja honra e poder eterno! Amém”, 1 Timóteo 6: 15-16.

Porém, lamentavelmente, a alegação de que Jesus foi 100% Deus Todo-Poderoso e ao mesmo tempo 100% ser humano, quando aqui andou, tornou-se uma constituição dentro da teologia protestante e católica romana. Muitos se referem a esta suposição como a “dupla natureza” ou “união hipostática” de Jesus. Ou seja, ele era humano, mas uma parte dele era eterna, a divina que nunca morreu. Assim, a fim de aplicar essa hipótese ao Apocalipse, o trinitário ou qualquer um que acredita nas alegadas “naturezas duais” de Cristo, tem de dividir a sentença em duas partes, de modo a aplicar a frase “o primeiro e o último” à ideia de Jesus como Deus. Em seguida, a última parte da frase, “que estava morto”, eles teriam que reclamar que se aplica apenas à “natureza” humana de Jesus, concluindo assim que somente esta natureza, a humana, foi que morreu. Isso tudo gera a tese absurda e cômica de que “o primeiro e o último” não morreu. Em outras palavras: Jesus morreu, mas uma parte dele, a divina, continuou viva em algum lugar entre o céu e a terra.

Está aí, amigo leitor, a proposta mais nociva e destruidora já apresentada contra o sacrifício do Senhor Jesus, que faz da sua morte no madeiro uma verdadeira farsa. E acreditem, pode até ser que a ortodoxia cristã, envenenada pelo trinitarismo e o catolicismo romano, nem tenha percebido o absurdo proposto. E repito: em Apocalipse 2:8, Jesus disse: “O primeiro e o último, que foi morto”. Ele declara que “o primeiro e o último” esteve morto. Ele não disse, como a ortodoxia cristã parece ter dito: “Eu sou o primeiro e o último que não morreu, mas que como um ser humano, fui morto”. Portanto, qualquer que tenha uma visão dualista para este versículo, na verdade, acaba negando o que Jesus disse, que o “primeiro e ultimo esteve morto”.

O Significado de primeiro e último para Cristo

E eu, quando vi, caí a seus pés como morto; e ele pôs sobre mim a sua destra, dizendo-me: Não temas; Eu sou o primeiro e o último”, Apoc 1:17.

Para os defensores da preexistência do Filho de Deus aqui está a principal evidência a favor de suas argumentações: “Jesus já existia desde tempos eternos”. Declaram que a palavra “primeiro” deve significar “princípio”. Portanto, para eles, Jesus existe desde o princípio. O problema é que essa linha de interpretação parece não ter entendido perfeitamente o verso 18, que declara,

“… E o que vivo e fui morto, mas eis aqui estou vivo para todo o sempre. Amém. E tenho as chaves da morte e do inferno”.

Qual seria, então, neste contexto, o sentido exato de ser o primeiro e o último? Perguntando de outra forma: Quem morreu na cruz? Isso parece escapar à atenção dos muitos dedicados a doutrina da “pré-existência”, que, se Jesus era o “filho eterno” ou “o Filho de Deus, Ele não poderia ter sido a semente prometida a Abraão, Isaque e Jacó, semente esta, como disse Paulo, que se tornou o mediador entre Deus e o homem (1 Tm. 2:5). Se, de fato, Jesus era o Filho de Deus, uma parte da “Divindade”, ou o “Filho eterno”, Ele não poderia ter se tornado um mediador entre Deus e o homem, como atesta as Escrituras.

O Senhor Jesus é descrito no Apocalipse como “o primogênito dentre os mortos” (Ap . 1:5), e isto é confirmado pelo próprio, quando ele instrui João a escrever, “Eu sou aquele que vive e fui morto” (Apoc 1: 18). A sentença continua, ou seja, o verso 18 completa o sentido do contexto, enfatizando de forma brilhante a vitória do Senhor sobre as hostes malignas, lhe dando o poderio sobre tudo e todos, “… E o que vivo e fui morto, mas eis aqui estou vivo para todo o sempre. Amém. E tenho as chaves da morte e do inferno”. Isso também significa ser o primeiro e o último, como veremos com mais detalhes nos comentários que se seguem. Aqui também temos uma revelação valiosa, pois se atentarmos para a palavra do verso 17, descobrimos que o Senhor tranquiliza João diante da visão deixando explícito ser dele o poder de abrir e fechar, e, portanto, demonstrando que ele tem a primazia. A nenhum outro homem será jamais dada tal autoridade, pois há apenas um mediador entre Deus e os homens: Jesus, o primeiro e o último, ninguém mais.

Há outra palavra interessante que o Senhor nos deixa de uma forma positiva neste contexto, e João a registrou como segue: “Eu sou a Raiz e a Geração de Davi”, Apoc 22:16. Poderia haver algo mais definitivo? As Escrituras provam que a pessoa a direita do Pai é de fato Jesus de Nazaré, que tinha morrido e que era um descendente do rei Davi, que ele não poderia ter sido pré-existente se sua raiz começava em Davi. E quando Miquéias 5: 2 diz do Messias: “Ó Belém …, de ti sairá [o Messias]”, só pode significar que, na sua existência única e terrena, ele se originou em Belém!

Detalhes importantes também encontramos nas palavras de Lucas em 1:32, e que podem causar danos irreparáveis para a doutrina da pré-existência do Messias como o “Filho eterno”, ou mesmo, “Deus Filho”. Observe que a pessoa a nascer de Maria era o Messias prometido, e era para ser chamado Filho do Altíssimo, e que Ele estava para reinar sobre o trono de seu pai, Davi: ”Ele será grande e será chamado Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi“. Esse versículo mostra que Jesus de Nazaré passaria a ser chamado Filho do Altíssimo. Se Jesus tivesse sido o “Filho eterno”, ou “Deus Filho”, a natureza profética desta passagem estaria totalmente destruída.

Na verdade, o contexto que fala de Jesus como o “primeiro e o último”, mostra ele sendo levantado para a vida eterna pelo Senhor Deus e Pai. Assim, ele é chamado de o “primogênito dos mortos” (Colossenses 1:18). De qualquer maneira, parece haver aqui uma conexão entre suas declarações que ele se tornou morto e agora está vivo para todo o sempre.

Um detalhe importantíssimo que deve ser observado é porque as palavras “Eu sou o primeiro e o último” são seguidas pela sentença “Que foi morto e reviveu”. A adição feita por Jesus completa o sentido da mensagem transmitida. Nos dois versículos inspirados Jesus declara ser ele o primeiro e o último, mas acrescenta porque: que foi morto e reviveu.

Jesus não está dizendo que ele é preexistente quando usa a sentença nas duas passagens, e muito menos declara ter sido ele o criador. Também não devemos entender o primeiro e o último aplicados a Jesus em Apocalipse da mesma maneira que foi contextualizado por Isaías, quando declara sobre Deus em em 44:6, 8: “Eu sou o primeiro, e eu sou o último, e fora de mim não há Deus… Eu não conheço nenhum”.

O profeta reforça nestas expressões o domínio do Deus Todo-Poderoso, o “primeiro e último” em força (divindade), apresentando o Pai como a fonte de todo o poder, algo que os falsos deuses das nações não podem reclamar.

Compare com os textos que seguem: “Por isso hoje saberás, e refletirás no teu coração, que só o Senhor é Deus, em cima no céu e em baixo na terra; nenhum outro há”, Deuteronômio 4:39.

Vós sois as minhas testemunhas, diz o Senhor, e meu servo, a quem escolhi; para que o saibais, e me creiais, e entendais que eu sou o mesmo, e que antes de mim deus nenhum se formou, e depois de mim nenhum haverá”, Isaías 43:10.

Em ambos os casos em que os termos “primeiro” e “último” são usados sobre Jesus, também sua morte e vida eterna são mencionados no contexto, Ap 1:17, 18 e 2:8. Jesus foi o primeiro a quem Deus deu à luz diretamente da morte por meio de seu Espírito Santo para nunca mais morrer de novo, Atos 2:24, 32, 26; 3:15; 4:10; 10:40; 13:30, 33, 37; 17:31; Romanos 4:24; 8:11; 10: 9; 1 Coríntios 6: 14; 15:15; Gálatas 1: 1; Colossenses 2:11, 12; 1 Tessalonicenses 1:9, 10; 1 Pedro 1:21; 3:18.

Todos os cristãos, que estiverem nos túmulos, Deus os trará a vida por meio de Jesus no ultimo dia: João 5:21, 22, 25, 27,28, 29; 6:39, 40, 44,54; 11:24; Atos 10:42; 17:31; Romanos 2:16, o que faz do Senhor Jesus o primeiro, ou seja, o primogênito de entre os mortos, sendo que nunca haverá outro que será o primogênito dentre os mortais, Col 1:18; Ap 1:5. Paulo diz em 1 Coríntios 15:20 que Cristo “foi feito as primícias dos que dormem”. Com efeito, uma vez que, no contexto, Jesus descreve a si mesmo como o primogênito dos mortos, podemos fazer aqui um paralelo como sendo ele “o primeiro e o último”, que após sua exaltação, reconciliou, justificou e salvou. Desta forma Jesus é designado como primeiro e ultimo, o que faz uma distinta aplicação nos termos para ele em relação ao Deus Todo-Poderoso. Ele é chamado de primeiro e ultimo, não porque ele é o Pai, mas, no contexto sempre tem a ver com sua morte e ressurreição, em oposição à nunca ter um começo e nem fim, sendo eterno passado e futuro eterno.

Deus não pode ser o primogênito dentre os mortos porque ele simplesmente não pode morrer, não pode ser trazido de volta à vida novamente depois da morte porque ele é imortal. Por outro lado o Senhor Jesus disse: “Eu estive morto”. Jesus não disse que apenas uma parte dele morreu. Apocalipse 1: 17,18 atesta: ”… Eu sou o primeiro e o último; E o que vivo e fui morto”, o que pode ser extremamente embaraçoso para a ortodoxia tradicional a qual propõe que Jesus sempre esteve na condição de eterno enquanto estava no túmulo. Se Jesus não morreu realmente na cruz então seu sacrifício foi uma farsa e nós permanecemos no nosso pecado, o que faz do Espírito Santo um mentiroso, pois ele inspirou Paulo a registrar que nosso velho homem foi com Cristo crucificado e morto (Romanos 6:6-8). O corpo de Cristo é aquele em que nos é dado a vida, ele é o início e o fim da nova criação nos decretos de Deus.

E aqui temos a principal evidência de que a adulteração de Apocalipse 1:10-13 na King James, acrescentando as palavras “Eu sou o Alfa e o Ômega, o primeiro e o último”, não é ilusão ou engano, mas um fato.

Como foi visto anteriormente, os dois textos inspirados em discussão neste tópico, imediatamente após a expressão “primeiro e último”, são acompanhados das palavras “e o que vivo e fui morto, mas eis aqui estou vivo para todo o sempre” (Ap 1:18) e, “que foi morto, e reviveu” (Ap 2:8). Essa composição contextual nos deixa um tesouro de valor inestimável, que é a revelação do porque o Senhor Jesus foi chamado de primeiro e último.Primeiro e último neste contexto está ligado a sua morte, ressurreição e exaltação

Vamos observar que a passagem adulterada não nos possibilita visualizar a intenção de todo o contexto circundante, mas tenta transformar Jesus no Deus Todo Poderoso apenas para satisfazer interesses trinitários e ortodoxos, furtando o real significado de sua conquista sobre a morte que culmina na sua ressurreição, exaltação e glorificação. Assim, o contexto inspirado nos permite aplicar os termos primeiro e último em referência à vida incessante que ele recebeu depois de ter sido o primeiro ressuscitado, obtendo exclusividade como herdeiro e salvador do mundo. Por isso quando o Senhor Jesus foi levantado da morte para a glória, Ele foi o início de uma nova criação – Apocalipse 3:14, “E ao anjo da igreja que está em Laodicéia escreve: Isto diz o Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de Deus”. Colossenses 1:15 diz que ele “é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação“ (Veja o artigo sobre Colossenses 1:16-19 clicando aqui: TUDO foi criado por Ele).

Cristo é o primeiro e o último, porque ele é o Autor e Consumador da fé, A Pedra angular, o homem por quem Deus julgará o mundo, e criador das novas eras vindouras (ver Heb. 1:10). Nele consiste Colossenses 1:17, “Ele é antes(superior a) de todas as coisas, e nele tudo subsiste”. Então, ele é o começo e o fim da nova criação de Deus, pois ele consumou a obra de redenção tendo completado tudo a nosso favor, nos fazendo assentar nos lugares celestiais, transferindo-nos do reino das trevas para o reino da luz (Ef 2:6; Col 1:13). A ele foi concedida uma imortalidade interminável e o poder de dar vida à humanidade pelo próprio doador da vida e sustentador, que é o Pai. Seu corpo foi levantado do túmulo para sempre, e, literalmente, o seu “outro” corpo, que é o de cristãos, também se levantará (1 Cor. 12:27 compare com Ef 2:6).

A Deus toda Glória

Façamos o homem

Homem

Deus [Elohim] disse [verbo no singular], Façamos [plural] o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança: e domine sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todos os répteis que rastejam sobre a terra“, Gên 1:26, 27.

Muitos alegam que a passagem acima apresenta Deus falando com outra pessoa no momento da criação. No entanto, não há certamente nada aqui que nos dê nenhum vislumbre de uma pessoa do Senhor estar aqui falando com outra pessoa do Senhor.

Os trinitarianos insistem que o uso do plural em Gênesis 1:26, 27 dá prova de sua doutrina da trindade. Afirmam que quando Deus falou de “nós” na criação indica que Ele falava com Jesus. Por isso concluem que o significado da passagem mostra mais de uma pessoa no Criador, que o uso da palavra hebraica elohim, traduzida como “Deus” neste versículo, também é oferecido como prova da Trindade. Afirmam que elohim é plural, não singular. Entretanto, Nenhuma prova pode ser fornecida para demonstrar que “façamos” e “nossa” neste versículo queira precisamente mostrar um número de três pessoas. Nem há qualquer evidência fornecida para demonstrar que as expressões identificam um ser uno e trino. A doutrina da Trindade é simplesmente imposta ao texto como um fato aceito e utilizado como base para tentar justificar algo extra bíblico.

Outro detalhe importante que não deve ser esquecido aqui, é que a palavra hebraica para Deus em Gênesis 1:1 é muitas vezes transliterado como “Elohim [elohym]”. Esta palavra é plural na forma, por isso alguns alegam isso como prova de que Deus é mais do que uma pessoa. Naturalmente, a forma plural não significa “pessoas”, mas sim “deuses”. E, no entanto, o Senhor não é Deuses; ele é Deus único, um só. Obviamente, Deus aqui está falando com alguém em Gênesis 1:26, 27. Normalmente, se uma pessoa diz ao seu amigo: “Vamos fazer isso ou aquilo de acordo com nossos planos”, não pensamos que a pessoa que está falando está falando com outra pessoa de si mesmo. Da mesma forma, nos casos em que Deus diz “façamos”, “vamos”, “nós”, etc., Deus não está falando com outra pessoa de si mesmo, mas ele está falando com alguém que não é ele mesmo. De fato, o raciocínio padrão deve ser o que o Senhor está falando com alguém que não é ele mesmo. A verdade é que a ideia de que Deus está aqui falando para si mesmo (supostamente como duas ou três pessoas diferentes, de ele mesmo) tem que ser feito por uma imaginação envenenada e viciada pela tradição trinitária, que assume e adiciona de maneira irresponsável nas Escrituras o que ela jamais disse.

Não encontramos nada neste contexto indicando que Deus está falando com Jesus, ou que há mais de uma pessoa no Senhor. Porém, ficamos sabendo por Jó 38:4-7 que Deus poderia muito bem estar falando com os anjos aqui. Os anjos certamente estavam presentes na criação do homem; são os filhos de Deus que se alegraram com a criação da Terra. Observe, “Onde estavas tu, quando eu fundava a terra? Faze-mo saber se tens inteligência. Quem lhe pôs as medidas, se é que o sabes? Ou quem estendeu sobre ela o cordel? Sobre que estão fundadas as suas bases, ou quem assentou a sua pedra de esquina, quando as estrelas da alva juntas alegremente cantavam, e todos os filhos de Deus jubilavam?” Jó 38:4-7.

O exemplo do médico que trabalha atentamente com um cadáver diante de sua plateia de alunos pode muito bem nos dirigir a um melhor entendimento do que aqui se diz. Ele sozinho manuseia seu instrumento de corte, mas pode dirigir-se no plural aos seus espectadores, da seguinte forma: “Façamos um corte aqui, e depois façamos outro corte ali…”. É muito simples de entender.

Na verdade, não há nada na palavra elohim de Gênesis 1:26 que significa uma pluralidade de indivíduos, ou que havia ali naquele momento mais de um participando diretamente da criação, no caso aqui: Deus pai, Jesus e o Espírito Santo, como se fossem três pessoas separados num espaço externo. O uso de elohim neste contexto não deve significar algo diferente do uso feito da mesma palavra em Êxodo 7:1 , onde Deus declara sobre Moisés: “Eis que te tenho posto por deus [elohim] sobre Faraó“. Moisés não é, certamente, uma pluralidade de indivíduos. Assim, não há definitivamente nada nessa palavra que identifica uma pluralidade de pessoas. Assim, quando a Escritura diz que o Senhor fez de Moisés um deus [elohim] para Faraó, não significa que o Senhor fez de Moisés “deuses”, nem significa que o Senhor fez de Moisés mais de uma pessoa ao faraó.

Se Moisés não é mais de uma pessoa, então por que o uso do plural aqui? É plural usado em um ambiente singular para denotar supremacia (plural intensivo), ou seja, para denotar a supremacia do poder dado a Moisés por Deus sobre o poder do faraó e os seus deuses.

As Escrituras Hebraicas frequentemente usam a palavra plural Elohim em ambientes singulares, geralmente com o artigo singular ou verbos singulares. Isso tem sido chamado de “plural intensivo” – em que o plural é usado em um contexto singular e não tem nada a ver com a doutrina da trindade. Observe que neste contexto, antes da palavra façamos, podemos ler o singular em “Deus [elohim] disse”, e não “Deuses disseram”. Observe, “Deus disse, Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança. Deve-se notar também no que tange à questão teológica vemos a afirmação que o Elohim que fez o céu e a terra é Yahweh, isto pode ser visto em Gn. 2.4 בְּיֹום עֲשֹׂות יְהוָה אֱלֹהִים אֶרֶץ וְשָׁמָיִם “no dia em que Yahweh Elohim fez a terra e os céus”, mas uma vez aplicado o verbo singular “FEZ” confirmando o entendimento que Yahweh é um e não mais que isto. Tal constatação é sustentada também pelo texto áureo do monoteísmo bíblico. Dt. 6.4 “Ouve, Israel, Yahweh nosso Elohim, Yahweh é UM”. Aqui não lemos que Yahweh é “um dos nossos Elohim”, mas o “nosso Elohim”. Algumas Bíblias traduzem por “único Senhor”, mas no original está simplesmente “יְהוָה אֶחָד” (Yahweh echad). אֶחָד (echad) é a palavra hebraica para o cardinal UM. Que a palavra Elohim aplicada ao Deus Eterno tem sentido singular é também confirmada em Gn. 35.11 וַיֹּאמֶר לֹו אֱלֹהִים אֲנִי אֵל שַׁדַּי (vayyo’mer lo ‘elohiym ‘aniy ‘êl shadday) “E disse Elohim: Eu sou El Todo-Poderoso”. Este verso mostra que Elohim (um plural) tem significado de EL (um singular) quando se refere ao Altíssimo. A palavra no seu sentido contém o atributo de potência, mas este é um atributo, não atributos (plural). Assim, a alegação de que elohim está na forma plural porque deve significar a ideia de “Deus” em três pessoas, e que a pluralidade de “façamos” significa que uma pessoa de Deus está falando com outra pessoa de Deus, usando a forma plural “nós”, é falsa.

Na realidade, como várias outras palavras em hebraico, as formas plurais de EL podem ser usadas em contextos singulares para denotar o que em nossa língua poderia chamar-se de grau superior ou de superlativo. Em relação a este uso em hebraico bíblico (assim como algumas outras línguas antigas), os estudiosos costumam chamar isso de “plural intensivo” de uso, onde uma forma plural de uma palavra é usada em um contexto singular e, portanto, a forma plural é visto como singular, mas é intensificada em significado (similar ao grau superior ou de superlativo em nossas línguas, principalmente em inglês). Em outras palavras, a forma plural de uma palavra é tratada como se fosse singular, mas só se intensificou no significado. Em nossa língua, especialmente em suas formas arcaicas, o plural é frequentemente empregado como um intensivo para abordar majestade.

Devemos notar, no entanto, o Elohim que também é usado no versículo 2, na frase “Espírito de Deus [Elohim]”. É o Espírito Santo, o espírito de três pessoas, ou é o espírito de uma pessoa? Obviamente, em Gênesis 1:1, Elohim se refere a uma pessoa, e não mais de uma pessoa. Outro problema sério é o contexto do Salmo 45:7, onde encontramos uma declaração profética como voltada para o Messias (o Ungido):

Amaste a justiça e odiaste a iniquidade. Por isso Deus, o teu Deus, te ungiu com o óleo da alegria acima de seus companheiros”. É o Deus do Messias uma pessoa, ou é mais do que uma pessoa?

Esse versículo é citado em Hebreus 1:9, onde é aplicado ao Pai (Hebreus 1:1, 2,6 ). Assim, o Deus de Jesus no Salmo 45:7 é apenas uma pessoa, e não mais de uma pessoa. E, deve-se notar que a palavra “Deus” é traduzida da palavra ELOHIM no Salmo 45:7 . Isso mostra que Elohim está se referindo a uma só pessoa, e não mais de uma pessoa. Em outras palavras, Hebreus 1:8 mostra a palavra Elohim ser usada separada do filho de Deus. E logo em seguida – verso 9 – é usada novamente (duas vezes) no mesmo fôlego para se referir ao Pai exclusivamente.

Amaste a justiça e odiaste a iniquidade; Portanto Deus (Elohim), o seu Deus (Elohim), te ungiu com o óleo da alegria acima de seus companheiros”. (Salmo 45:6-7). Nota-se no versículo nove quem foi ungido, no caso Jesus, e Elohim, aquele que o ungiu, que é o Pai. Uma outa passagem com o mesmo detalhe: “Então disse: Eis aqui venho (No princípio do livro está escrito de mim), Para fazer, ó Deus (Elohim) a tua vontade…” (Hebreus 10:7). Também vemos novamente o filho separado de elohim. Portanto, mesmo que Elohim seja plural, não deve significar uma alusão ao Pai, Filho e Espírito Santo.

Outro exemplo temos aqui, “Então eu disse: Eis que venho, No rolo do livro está escrito de mim agrada-me fazer a tua vontade, ó meu Deus (Elohim)” (Salmo 40:7-8).

A ideia de que haja alguma pluralidade em Elohim só nasceu depois da tentativa de deificação do Filho de Deus, nos primeiros séculos da era cristã. Tal conceito na palavra Elohim não é expresso dentro da Bíblia. Se houvesse algum caráter plural nela, quando aplicada ao único e supremo ser, então, os escritores sagrados não aplicariam a mesma palavra para outros deuses (I Sm. 5.7b), a anjos (Sl. 8.4,5 com Hb. 2.6,7), demônios (Dt. 32.17) e até mesmo homens (Ex.4.16; I Sm. 2.25), que sabemos não serem seres pluralizados ou coletivos.

Outro detalhe muitíssimo importante sobre como devemos entender a palavra אֱלֹהִים “elohim” dentro da Bíblia nos é dada pelos tradutores da Septuaginta e os Escritores Sagrados do Novo Testamento, pois ambos traduziram a palavra “elohim”, que é uma palavra plural, não pelo seu equivalente imediato, o plural grego θεοὶ (theoi), mas pelo singular θεός (theos), mostrando que o caráter da palavra quando é associado a um único ser ou ente não é plural ou de pluralidade, mas singular.

Embora já se tenha mostrado aqui que a palavra “elohim” não é usada como termo exclusivo designativo do Eterno e Verdadeiro, o que por si só já eliminaria o requerimento de insinuação de composição plural na palavra quando aplicada a um único ente ou ser, alguns buscam em Gn. 1.26, Gn. 3.22, Gn. 11.7 e Is. 6.8, provas de que Elohim quer realmente denotar uma pluralidade de pessoas na Deidade pelo fato de nesses versos constar o verbo ou pronome também no plural. Mas, vale a pena lembrar que apenas 4 (quatro) ocorrências em mais de 2000 (duas mil) aparições dessa palavra surgem esses raros plurais, há quem ache 10 (dez) plurais, mas destes 6 (seis) não teriam sido vertidos para nossa língua. Nesse ponto as opções são; verificar se existe ocorrências similares aplicadas a outras pessoas e se buscar entender contextualmente essas ocorrências ou achar que a exceção dita à regra e passarmos a admitir que esses raros plurais devem ser estendidos para todas as outras 2000 ocorrências da palavra sem plural.

Atentemos, então, para os versículos requeridos e comparamos com outros onde expressões semelhantes aparecem e busquemos perceber, de forma contextual, o que eles significam.

Is 6.8 “Depois disto ouvi a voz do Senhor, que dizia: A quem enviarei, e quem há de ir por nós?…”, compare a Ed. 4.18 “A carta que nos enviastes foi explicitamente lida diante de mim”. Veja que se aquela construção de Is. 6.8 indicar que Adonai é mais de UM Elohim, por causa do “nós”, então, Artaxerxes é, também, por trato de uniformidade, mais de UM homem.

Ainda temos, por exemplo, Gn. 3.22, 24 “Então disse Deus: Eis que o homem é como um de nós, sabendo o bem e o mal; ora, para que não estenda a sua mão, e tome também da árvore da vida, e coma e viva eternamente… E havendo lançado fora o homem, pôs querubins ao oriente do jardim do Éden, e uma espada inflamada que andava ao redor, para guardar o caminho da árvore da vida”. Compare com Ed. 7.21, 24 “E por mim mesmo, o rei Artaxerxes, se decreta a todos os tesoureiros que estão dalém do rio que tudo quanto vos pedir o sacerdote Esdras, escriba da lei do Deus dos céus, prontamente se faça… Também vos fazemos saber acerca de todos os sacerdotes e levitas, cantores, porteiros, servidores do templo e ministros desta casa de Deus, que não será lícito impor-lhes, nem tributo, nem contribuição, nem renda”. Veja que mesmo dizendo “um de nós” em Gn. 3, mais à frente, na mesma narrativa, encontramos “pôs”, dizendo que Deus “pôs querubins” ao invés de “puseram”, analogamente em Esdras há expressão semelhante, mostrando que essa não é uma construção de indicativo de pluralidade em um único ser, como se costuma requerer. O rei Artaxerxes disse “E por mim mesmo… vos fazemos”, no entanto, ele não era mais de UM homem.

A próxima é o bem citado Gn. 1.26 “E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo o réptil que se move sobre a terra. E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou”. E vejamos como Daniel se expressa em Dn. 2.36 “Este é o sonho; também a sua interpretação diremos na presença do rei”. Veja que o uso do verbo “diremos” por parte de Daniel não implica, nem indica que Daniel fosse mais de UM homem ou que fosse dizer o sonho ao rei como em um dueto, trio ou coral com alguém. Assim tanto Gn. 1.26 como Dn. 2.36 não mostram qualquer pluralidade do ente falante quando usou o plural em suas expressões.

Quando falamos de nós mesmos, podemos usar intercambialmente o “eu” e o “nós”, e essa forma de expressão não é estranha à Bíblia. Quando uma pessoa fala de alguém que usou esse tipo de interlocução não dirá “vocês disseram algo”, mas “você disse algo”, nem pensará que esse alguém é uma pluralidade, pois não haverá dúvida de se tratar de apenas de UM ser ou ente; seja Deus ou homem. Isto se vê provado nessas passagens listadas. E a Bíblia está repleta de, literalmente, milhares de ocorrências com reconhecimento de que o uso de Elohim, aplicado ao Eterno e Verdadeiro indica sempre Um, Único e Um Só e não um ser plural e nos sugere a necessidade de colocarmos esse verso de Gn. 1.26 sob perspectiva.

Apenas para complementar o que está sendo dito leiamos ainda I Sm. 4.5-8 “E sucedeu que, vindo a arca da aliança de Yahweh ao arraial, todo o Israel gritou com grande júbilo, até que a terra estremeceu. E os filisteus, ouvindo a voz de júbilo, disseram: Que voz de grande júbilo é esta no arraial dos hebreus? Então souberam que a arca do Yahweh era vinda ao arraial. Por isso os filisteus se atemorizaram, porque diziam: Deus veio ao arraial. E diziam mais: Ai de nós! Tal nunca jamais sucedeu antes. Ai de nós! Quem nos livrará da mão desses grandiosos deuses? Estes são os deuses que feriram aos egípcios com todas as pragas junto ao deserto”. Note-se aqui que quem via pluralidade no Elohim de Israel eram os pagãos politeístas filisteus: “Estes são os deuses que feriram aos egípcios”, e nunca, em nenhum momento, o próprio povo de Elohim O entendia como um ser plural.

O doutor William Smith da Universidade de Londres, um século atrás, foi descrito como o ‘mais eminente lexicógrafo do mundo de língua Inglesa’. A seguinte afirmação encontra-se no Dicionário Bíblico que o doutor Smith editou: “A forma plural Elohim tem dado origem a muita discussão. A ideia fantasiosa de que se refere à trindade de pessoas na Divindade, dificilmente encontra agora algum partidário entre eruditos. Ou é o que os gramáticos chamam “plural de majestade” ou então denota a plenitude da força divina, a soma de poderes revelados por Deus”.

Lembremos ainda que a Bíblia diz em I Jo. 4.24 “Deus é Espírito”. Se a palavra “Deus” abarcasse uma pluralidade de pessoas em Deus, então o Pai é Espírito; o Filho é Espírito Vivificante e o Espírito Santo também é Espírito, desse modo precisaríamos esperar que a Bíblia nos dissesse “Deus ‘é’ Espíritos” ou “Deus são Espíritos”.

Não faz sentido algum…

Ele foi semelhante a nós

Observamos em todos os relatos sobre Jesus de Nazaré que Ele suportou todas as consequências da queda. Podemos ver semelhanças entre ele e Adão quando foi tentado, o que ensina que ele podia ter uma tendência irresistível para o pecado, embora saibamos que ele não os cometeu.

Também observamos em Cristo outras características inerentes aos seres humanos, que são: sofrimento e morte física. Assim, Cristo claramente exibiu características que pertencem à humanidade caída. Poderíamos, então, chamá-lo caído? Acredito que não, embora seja necessário fazer aqui algumas perguntas: Foi Ele inerentemente caído? Ou seja, eram: tentações, sofrimentos, corrupção e mortalidade enraizadas em sua natureza humana ou era ele livre dessas consequências da queda, mas voluntariamente Ele assumiu algumas dessas consequências, chamando-as de paixões inocentes? São tais paixões elementos essenciais da humanidade de  Cristo que teve que assumi-las, necessariamente, a fim de ser plenamente humano ou  Ele exerceu um controle oculto ( negado aos outros humanos )  divino sobre elas?

Obviamente a resposta é não, pois o Senhor Jesus foi plenamente humano, trazendo todas as características dos nascidos de parto normal, o que Paulo claramente declarou em Gálatas 4:4,

Mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei”.

Ou nós enfrentamos o significado real da humanidade de Cristo como “a semente de Abraão” (Heb 2:16) e “a semente de Davi” (Rom. 1:03), ou desistimos do debate deixando a tarefa para outros. Por quê? Pelo fato de haver questões importantes a serem respondidas, como por exemplo: Será que Jesus realmente nos entende? Ou, se colocamos de outra forma, poderia ele ter sido um ser celestial remoto que tinha uma vantagem sobre nós? Foi Ele realmente tentado em todos os pontos como nós somos? Ele pode realmente ser um sumo sacerdote perfeito? Se a discussão sobre a cristologia deve mesmo frutificar e construir nossa fé, então não podemos escapar a realidade das Escrituras.

Não é de admirar que hoje possamos encontrar uma multidão de cristãos protestantes, sem contar àqueles pertencentes ao catolicismo, crendo que a manifestação de Jesus ao mundo foi uma teofania de Deus habitando no Jesus que era meio homem e meio Deus, sendo que Deus ficava na outra metade, literalmente. Ou seja, Jesus tinha um corpo especial e divino por que Deus habitava nesse corpo. Com isso, sem que percebam, sugerem muito timidamente que Jesus não podia ter um corpo como o nosso, já que era Deus. Na verdade, o que muitos tentam dizer, mas não fazem de forma aberta,  é que Jesus era   um DEUS. Isso significa negar que ele veio em carne. O Apóstolo Paulo não conhecia Jesus dessa forma,

Hebreus 2:14 diz, “Portanto, visto como os filhos participam da carne e do sangue, também ele participou das mesmas coisas, para que por sua morte destruísse aquele que tinha o poder da morte, isto é, o diabo”.

Ele deve ser semelhante a nós em todos os sentidos, exceto para o pecado.

Hebreus 2:17 ensina: “Por isso, em todas as coisas que convinha que ele fosse feito semelhante a seus irmãos, que ele poderia ser um sumo sacerdote misericordioso e fiel nas coisas concernentes a Deus, para fazer reconciliação para os pecados do povo”. Se ele seria o nosso grande Sumo Sacerdote, ele foi tirado de entre nós e foi identificado com a gente, portanto, ele não tomou sobre si a natureza dos anjos, mas a natureza humana do homem. Hebreus 2:16 Porque em verdade ele não tomou sobre ele a natureza dos anjos, mas ele tomou sobre si a semente de Abraão.

O contrário dessa realidade é uma das maiores tragédias do pensamento cristão, que tira do Senhor Jesus Cristo respeito e exaltação, que eram devidos a ele por causa da sua vitória sobre o pecado, através do desenvolvimento de um caráter perfeito. A doutrina amplamente sustentada da “trindade” faz de Jesus o próprio Deus. Visto que Deus não pode ser tentado (Tiago 1:13) e não tem possibilidade de pecar, isto significa que Cristo realmente não teve que lutar contra o pecado. Assim, sua vida na terra teria sido uma simulação, experimentando a existência humana, mas sem um sentimento real do dilema espiritual e físico da raça humana, visto que pessoalmente ele não seria afetado por isto.

Há quem tenha sugerido que durante a sua vida, a natureza de Cristo foi como a de Adão antes da queda. À parte da falta de evidência bíblica para esta visão, ela falha em considerar que Adão foi criado por Deus do pó, enquanto Jesus foi “criado” através da geração de Deus no útero de Maria. Assim, embora Jesus não tivesse um pai humano, ele foi concebido e nasceu como nós em relação a tudo o mais. Muitas pessoas não podem aceitar que um homem com a nossa natureza pecadora pudesse ter um caráter perfeito. Este fato é um obstáculo a real fé em Cristo.

Não é fácil acreditar que Jesus era da nossa natureza, mas não tinha pecado no seu caráter e sempre venceu suas tentações. Para chegar a um entendimento e fé firmes no Cristo verdadeiro é preciso muita reflexão sobre os relatos do Evangelho acerca da sua vida perfeita, associada a muitas passagens bíblicas que negam que ele era Deus. É muito mais fácil supor que ele era o próprio Deus, e por isso, automaticamente perfeito, embora esta visão reduza a grandeza da vitória que Jesus conquistou contra o pecado e a natureza humana.

Paulo diz que ele foi feito “… à semelhança de homens…” em Filipenses 2:7. Ele era um homem e todos os homens são do mesmo tipo de carne. 1 Coríntios 15:39 Nem toda carne é a mesma carne: mas há um tipo de carne dos homens, outra a carne dos animais, outra de peixes, e outra de aves. João afirma que Jesus veio como um ser humano em I João 4:2, 3,

Nisto reconheceis o Espírito de Deus: todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus; e todo espírito que não confessa a Jesus não procede de Deus; pelo contrário, este é o espírito do anticristo, a respeito do qual tendes ouvido que vem e, presentemente, já está no mundo”.

Aqui a carne não deve ser tomada exclusivamente por uma parte do homem, mas para toda a natureza humana, incluindo a alma com a carne. A palavra carne neste versículo significa “natureza humana em sua totalidade, como consistindo em um verdadeiro corpo e uma alma racional”. Carne aqui descreve o homem como um todo, como ele é composto de corpo e alma, como um ser terreno, em oposição a Deus. Carne aqui não significa uma parte do corpo, nem todo o corpo apenas, mas toda a natureza humana, consistindo em um verdadeiro corpo e uma alma racional. Foi uma verdadeira natureza humana, e não um fantasma, ou a aparência. As palavras de João ficam melhor entendidas se vistas pela tradução da BLH, que atesta, 

É assim que vocês poderão saber se, de fato, o espírito é de Deus: quem afirma que Jesus Cristo veio como um ser humano tem o Espírito que vem de Deus. Mas quem nega isso a respeito de Jesus não tem o Espírito de Deus; o que ele tem é o espírito do Inimigo de Cristo. Vocês ouviram dizer que esse espírito viria, e agora ele já está no mundo”, 1 João 4:2, 3·.

Ele não trouxe qualquer elemento divino, transcendente – um corpo angelical endeusado quero dizer. A Ele foi dado a sua verdadeira natureza humana no ventre de Maria.

Ele é chamado o fruto do ventre. Lucas 1:42 E exclamou em alta voz, e disse: Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre.

Ele nasceu da mesma forma que todas as crianças nascem. Salmo 22:9-10 Mas tu és o que me tiraste do ventre; fizeste-me confiar, estando aos seios de minha mãe. Sobre ti fui lançado desde a madre; tu és o meu Deus desde o ventre de minha mãe. Ele se desenvolveu em estatura como qualquer outra criança e jovem. Lucas 2:52 E Jesus crescia em sabedoria, estatura e graça diante de Deus e do homem. Ele assumiu a semelhança de carne pecaminosa, mas não o pecado da natureza carnal. Romanos 8:3 “… Deus, enviando o seu Filho em semelhança da carne do pecado, pelo pecado condenou o pecado na carne”. Para ele assumir os nossos pecados, Deus tinha que fazê-lo com um corpo semelhante ao nosso: 2 Coríntios 5:21 Pois ele o fez pecado por nós, que não conheceu pecado, para que pudéssemos ser feitos justiça de Deus nele.

Ele tinha natureza humana, ele compartilhou cada uma das nossas tendências pecaminosas (Hb. 4:15), no entanto, ele as venceu pela sua obediência aos caminhos de Deus e busca da Sua ajuda para vencer o pecado. Isto Deus deu de boa-vontade, ao ponto de “Deus estar em Cristo, reconciliando consigo o mundo” (2 Co. 5:19).

Como as pessoas viam Jesus?

Jesus levou uma vida humana normal, tão humana e normal, que as pessoas de Nazaré que o conheciam melhor ficaram surpresas com o fato de conseguir ensinar com autoridade e realizar milagres. Eles o conheciam. Jesus era um deles. Jesus era “o filho do carpinteiro” (Mat 13:55), e ele próprio era “carpinteiro” (Mc 6.3), tão comum que perguntaram: “Donde lhe vem, pois tudo isso?” (Mat 13.55). E João nos diz que: “… nem mesmo seus irmãos criam nele” (Jo 7.5). Seus irmãos eram judeus, crentes no Deus de Abraão, Isaque e Jacó… Por que eram incrédulos em Jesus se ele era Deus?

Mateus registra um incidente curioso, e que pode nos trazer alguma luz para esse assunto. Ainda que Jesus tivesse ensinado por toda a Galileia, “curando toda sorte de doenças e enfermidades entre o povo”, de modo que “numerosas multidões o seguiam” (Mt 4.23-25), quando chegou à própria cidade de Nazaré, o povo que o conhecia havia muitos anos não o recebeu como Deus, pois ali ele nem conseguiu fazer muitos milagres..

Dizem as Escrituras que Jesus, chegando à sua terra, ensinava-os na sinagoga, de tal sorte que se maravilhavam e diziam: “Donde lhe vêm esta sabedoria e estes poderes miraculosos? Não é este o filho do carpinteiro? Não se chama sua mãe Maria, e seus irmãos, Tiago, José, Simão e Judas? Não vivem entre nós todas as suas irmãs? Donde lhe vem, pois, tudo isto? E escandalizavam-se nele. [ …] E não fez ali muitos milagres, por causa da incredulidade deles” (Mt 13.53-58).

Essa passagem indica que aqueles que mais conheciam Jesus, os vizinhos com quem vivera e trabalhara por trinta anos, consideravam-no não mais que homem – certamente não o viam como o próprio Deus encarnado. Os que viveram e trabalharam com ele por trinta anos, mesmo os irmãos que cresceram na casa dele, não percebiam que era um tanto superior a outros seres humanos muito bons. Ao que parece, também não perceberam que fosse Deus vindo em carne.

Afinal de contas, se Maria e os próprios irmãos do Senhor tivessem sido ensinados, e,  cressem piamente e teologicamente que Jesus era o próprio Deus em pessoa, por que então saíram para prendê-lo acreditando que estivesse fora de si? Quem trataria Deus dessa forma? Por favor, leiam Marcos 3:20-35.

Parece inacreditável, mas é verdade!

Meu Senhor e meu Deus!

Quando o Senhor Jesus ressuscitou e apareceu aos seus discípulos pela primeira vez Tomé não estava entre eles (João 20,19-24). Alguns dias depois os discípulos lhe disseram que tinham visto o mestre. Tomé falou que não acreditaria  a menos que ele também o visse   (v. 25).

Uma semana depois Jesus lhes apareceu novamente, Tomé estava presente. Jesus, então, mostrou as marcas dos cravos para Tomé, conversou com ele sobre a sua incredulidade e Tomé respondeu: “Meu Senhor e meu Deus” (João 20.28).

Os cristãos acreditam que, fazendo esta confissão, Tomé chamou Jesus de “Deus”. E quase todos estudiosos do  Novo Testamento concordam  que esta é a mais forte evidência bíblica de que Jesus era, e é, o próprio Deus em pessoa. No entanto, ao examinarmos as interpretações da cristologia ortodoxa com relação a confissão de Tomé, descobriremos que a maior parte delas não suporta o peso contextual de toda Escritura, principalmente o contexto principal, aquele que é apresentado por João em todo seu Evangelho.

Não vou citar aqui as muitas  críticas oriundas de renomados escritores cristãos que apresentam duvidas sobre a autenticidade das palavras de Tome. Acreditem ou não, mas os que afirmam que estas palavras foram um acréscimo posterior não são poucos.

Se aceitamos que o monoteísta Tomé realmente disse que Jesus era o Deus todo poderoso, o que ele quis dizer? Nenhum outro personagem no Novo Testamento chama Jesus de “Deus”.  Além disso, João registra duas outras ocasiões em que os antagonistas de Jesus acusaram-no de fazer-se Deus, mas  em  ambas as vezes ele negou-o (João 5:18-47; 10:30-37).

Uma multidão de cristãos tem interpretado muito mau a passagem em questão. A alegação de que Tomé chamou Jesus de “Meu Deus” ignora todo o contexto desse Evangelho, os quais desbloqueiam o verdadeiro significado da confissão do discípulo. Por exemplo, João registra que Jesus apareceu ressuscitado a Maria Madalena uma semana antes deste incidente com Tomé. Ele lhe disse: “vai para meus irmãos, e dize-lhes: ‘Subo para meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus” (João 20.17). Então, Jesus ressuscitado chamou o Pai “meu Deus”. Mas como pode Jesus ser Deus se ele tem um Deus?

Jesus enfatiza na crença de Tomé “que o Cristo estava realmente vivo” (e, portanto, o Cristo ressuscitado, o Filho de Deus),  e ainda assim nada diz  sobre a declaração anterior do discípulo, quando lhe responde: “Porque você me viu, você creu. Bem-aventurados os que não viram e creram “( João 20:29 ). Jesus  confirma quem é,  que ele estava definitivamente vivo, sendo, portanto, o Cristo ressuscitado, o Filho de Deus. E qual a crença de Tomé  que Jesus considerou importante? João responde apenas a alguns versículos depois,

Jesus, pois, operou também em presença de seus discípulos muitos outros sinais, que não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus…” (João 20,30-31 ). Esta declaração seria anti-clímax  seguida à confissão de Tomé se ele aí chamou Jesus de “meu Deus” porque Jesus era realmente e literalmente o Deus de Abraão. João quebrou a sequência? O que houve depois de tão grande declaração? Ou seja, seria de muito maior relevância se João mantivesse a proclamação majestática encerrando seu Evangelho em uníssono à declaração de Tomé do que continuar com a sentença  de que Ele é o Filho de Deus.

Os críticos argumentam que se existe um só um Deus, que era um legado do monoteísmo judaico, sendo que os judeus disso sabiam muito bem, e por varias ocasiões Jesus e Paulo alegaram que há um só  Deus (Mat 19:17; Mar 12:30-32; Rom 3:30; 1Co 8:4; 1Co 8:4 e 6; 1Co 8:6; Gal 3:20; Efe 4:6; 1Ti 2:5; Tiago 2:19), então temos que nos perguntar porque  Tomé  chamou Jesus de Deus.

No evangelho de Mateus, Jesus perguntou aos seus discípulos o que o povo dizia sobre si. Ele obteve diversas respostas: Uns diziam que ele era Elias, Jeremias, João Batista e etc. Em seguida Jesus pergunta aos seus discípulos – obviamente Tomé também ali estava – quem eles diziam ser o Cristo. Somente Pedro antecipou-se, e todos sabemos o que ele disse, e certamente ele não chamou Jesus de Deus. Nem mesmo Tomé disse algo parecido. Portanto, por que agora este discípulo diz que Jesus era Deus? Certamente há uma resposta convincente, e ela  pode ser encontrada numa conversa registrada por João entre  Jesus e seus discípulos…

João registra  em  14:1-3, que dez dias antes do episódio  com Tomé,  durante a Última Ceia, Jesus divulgou aos onze  que Ele estava prestes a partir deste mundo e ascender ao Pai no céu. Curiosamente, ele começa esse discurso trocando “Deus” por  “Meu Pai” nos  vv. 1-2; cf. João  13:3. Observe aqui  no contexto que Jesus  no meio do discurso é interrompido por Tomé, seguindo adiante respondendo sua pergunta,

4  Mesmo vós sabeis para onde vou, e conheceis o caminho.

5  Disse-lhe Tomé: Senhor, nós não sabemos para onde vais; e como podemos saber o caminho?

6  Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim.

7  Se vós me conhecêsseis a mim, também conheceríeis a meu Pai; e já desde agora o conheceis, e o tendes visto.

8  Disse-lhe Filipe: Senhor, mostra-nos o Pai, o que nos basta.

9 Disse-lhe Jesus: Estou há tanto tempo convosco, e não me tendes conhecido, Filipe? Quem me vê a mim vê o Pai; e como dizes tu: Mostra-nos o Pai?

10 Não crês tu que eu estou no Pai, e que o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo não as digo de mim mesmo, mas o Pai, que está em mim, é quem faz as obras.

11  Crede-me que estou no Pai, e o Pai em mim; crede-me, ao menos, por causa das mesmas obras. 

Neste diálogo  em João 14, as palavras críticas para  a cristologia estão  nos vv. 7 – 11. Aqui está a chave  para desvendar a verdadeira compreensão das palavras de Tomé  “meu Deus” em João 20:28. Ali nós encontramos o que  Jesus disse mais cedo para Tomé (v.7) “Se vós me conhecêsseis a mim, também conheceríeis a meu Pai; e já desde agora o conheceis, e o tendes visto“.

E Jesus reafirma mais precisamente no versículo 9: “Quem me vê a mim, vê o Pai“. O que Jesus primeiro aborda em João 14.7, sobre ver o Pai, Ele declara mais explicitamente no versículo 9. Mas Ele explica claramente nos vv. 10-11: “o Pai está em Mim“, e, novamente, “Eu estou no Pai e o Pai está em mim” . Assim, Jesus não quer dizer em João 14:7 e o v. 9 que, literalmente, ver Ele é, literalmente, ver o pai. Ainda que, aparentemente, é o que Filipe  pensou que Jesus queria dizer. Por isso Tomé  pediu logo: “mostra-nos o Pai” (v. 8). Ele não estava entendendo…

Os que lêem João,  não devem  cometer este erro. Para  João “Nenhum homem tem visto a Deus a qualquer momento“(João 1:18). E o Jesus joanino  disse: “Não que algum homem tenha visto o Pai “(João  6:4).

Estas declarações afirmam o contexto fundamental visto no Velho Testamento, quando ensina que  Deus é invisível para os seres humanos mortais. Se,  literalmente,  eles vissem  Deus teriam morte instantânea. Então, Jesus deve ter tido a intenção de que as suas palavras no v. 7 e v. 9, acerca de ver o Pai, pudessem ser entendidas de forma mística. Ou seja, para ver e conhecer Jesus relacionalmente era espiritualmente ver e conhecer o Pai, que é Deus, porque Deus estava em Cristo.

O que Jesus disse a seguir para Tomé e Felipe  é bastante esclarecedor. Ele disse: ” Crede-me que estou no Pai, e o Pai em mim; crede-me, ao menos, por causa das mesmas obras “(v. 11). O que Jesus quer dizer aqui pode ser parafraseado: “Acreditem no que digo, as obras que faço testemunham que o que estou dizendo é verdade, que eu estou  no Pai e o Pai está em mim”.

Este ensinamento de Jesus em João 14,7-11, de ver o Pai em Jesus deve ter causado  em Tomé  uma  forte impressão. Ele certamente recordou  de tudo o que tinha ouvido aqui dez dias depois, quando  viu Jesus ressuscitado. A confissão de Tomé,  portanto, indica  mais do que um mero reconhecimento de que Deus ressuscitou Jesus de entre os mortos. Em vez disso, as palavras de Tomé, “meu Deus”, também indicam que este apóstolo, o qual  anteriormente duvidava,  agora entende o que Jesus havia ensinado  dez dias antes,  que Deus o Pai habita  em Jesus, e, portanto, completamente permeia a vida do Filho. Assim, o Pai é visto espiritualmente, isto é, compreendido  em Jesus Cristo. Então, as palavras de Tomé, “meu Deus”, enquanto dirigidas a Jesus, representam uma resposta de fé à  Deus que se revelou a Tomé  em Jesus ressuscitado. Tomé,  acreditando agora novamente, recorda estas palavras em sua própria mente, que realmente o Pai, o Deus de Tomé, está em Cristo. Por isso ele grita de alegria, ho Kurios mou kai ho theos mou [meu Senhor e meu Deus].  As palavras de Tomé,  “meu Deus”,  significam  que ele agora espiritualmente vê e reconhece Deus, o Pai, como habitando em Jesus, que é uma interpretação espiritual. Em contraste, a visão tradicional das palavras de Tomé  é uma interpretação literal, que repete o erro comum de não compreender “o evangelho espiritual” e o Jesus joanino.

O mérito desta interpretação, “Deus-em-Cristo”,  mediante a confissão de Tomé,  é baseado em um outro princípio hermenêutico importante e simples: deixar a Escritura interpretar a Escritura. Mais precisamente, esta interpretação tem a ver com o que  em  Deus é dado a conhecer,  pode ser visto em Cristo. Deus estar plenamente em Cristo, não Cristo sendo literalmente  Deus, é o que dá significado a Jesus Cristo. Assim, quando o filho é conhecido por estar atuando como agente do pai, é como  o pai está realmente presente CONOSCO, por isso é Deus conosco.

Este, sem dúvida, foi um momento muito emocionante  para Tomé, e certamente não foi uma tentativa de sua parte para oferecer  uma teologia avançada. O fato de que ele diz “Meu Senhor e Meu Deus” parece adequado ao seu estado emocional em que ele aceita Jesus como quem ressuscitou, sendo ele  “o Senhor” e “Deus”. Seu  monoteísmo judaico o  proíbe de concluir o pensamento de ser Jesus o Senhor Todo-Poderoso em pessoa, é óbvio. Ele não poderia ter fundido Jesus, o filho do Altíssimo e o Altíssimo em um ser. Jesus tinha sido o Mestre para Tomé o tempo todo, mas agora,  acreditando em  sua ressurreição, ele exulta diante da cena  maravilhosamente assustadora e clama cheio de emoção, “Meu Senhor e meu Deus”, entendendo que Deus estava em Cristo, não que Cristo era o Deus todo poderoso.

Jesus havia falado  a mesma coisa algum  tempo  antes. Ele disse: “Eu e o Pai somos um” (João 10.30). Seus oponentes judeus entenderam mal e estavam prestes a apedrejá-lo por dizer isso. Acusaram-no de “blasfêmia”, dizendo: “Você, sendo um homem, te fazes Deus a ti mesmo.” (v. 33).  A afirmação é falsa, e Jesus negou que ele era Deus, afirmando repetidamente que ele foi enviado por Deus, não podia fazer nada de si mesmo, tudo o que tinha foi dado a ele por Deus, e que ele era o Filho, não o Pai. É isso que ele afirma no fim da conversa dentro de uma pergunta aos judeus sobre a ameaça de apedrejamento no verso 36. Os judeus lhe disseram  que ele blasfemava se fazendo Deus, mas Jesus refuta-os transferindo a suposta blasfêmia por outro motivo. Acompanhe a leitura,

31 Eu e o Pai somos um.

31 Os judeus pegaram então outra vez em pedras para o apedrejar.

32 Respondeu-lhes Jesus: Tenho-vos mostrado muitas obras boas procedentes de meu Pai; por qual destas obras me apedrejais?

33 Os judeus responderam, dizendo-lhe: Não te apedrejamos por alguma obra boa, mas pela blasfêmia; porque, sendo tu homem, te fazes Deus a ti mesmo.

34 Respondeu-lhes Jesus: Não está escrito na vossa lei: Eu disse: Sois deuses?

35 Pois, se a lei chamou deuses àqueles a quem a palavra de Deus foi dirigida (e a Escritura não pode ser anulada),

36 «quele a quem o Pai santificou, e enviou ao mundo, vós dizeis: Blasfemas, porque disse: Sou Filho de Deus?

O que Jesus esta tentando explicar aos judeus é que quando fez a afirmação de “ser um com o Pai”, ele apenas queria que eles entendessem ser ele o  Messias prometido. Jesus claramente diz  que ele foi enviado por Deus, seu Pai, Senhor, e que ele era o Filho de Deus – não Deus Todo-Poderoso. Em seguida,  Jesus  explica o porque das palavras “eu e o Pai somos um”.  Ele esclarece esta unidade como “o Pai está em mim e eu no Pai” (v. 38).

Portanto, o conceito cristão de que nas palavras de Jesus em João 14.9 “Quem me vê a mim, vê o Pai“, ele está afirmando que é literalmente Deus,  é falso.  Basta observar o que ele também disse em outra ocasião para que possamos entender exatamente o contexto em estudo. Quando ele participou de uma festa em Jerusalém, “Jesus clamou, e disse: Quem crê em mim, crê, não em mim, mas naquele que me enviou. E quem me vê a mim, vê aquele que me enviou”, João 12,44-45. Mais uma vez, Jesus estava falando de Deus Pai. Na verdade, o Pai enviando o Filho é o tema mais importante no Evangelho de João, que ocorre 40 vezes.

Esta morada de Deus em Cristo, e Deus enviar Cristo reflete um conceito interessante. Na antiguidade, especialmente no mundo dos negócios e entre os judeus, o  principal seria escolher alguém para representá-lo como seu agente. Era de conhecimento geral que o filho de um homem geralmente prova ser o melhor candidato como seu agente. Assim, com o filho como agente, lidar com o filho de um homem era semelhante a lidar com o próprio homem, como se o pai estivesse  em seu filho.

Jesus ensinou esse conceito de agência de várias maneiras sobre ele e Deus seu Pai. Jesus disse muitas vezes que o Pai lhe havia dado suas palavras e obras (João 12:49; 14:10, 24; 17:8). E ele disse sobre o Pai: “A minha doutrina não é minha, mas daquele que me enviou. Se alguém está disposto a fazer a sua vontade, ele vai saber se o que eu falo é de Deus ou se eu falo de mim mesmo “(7:16-17). Note que ele distingue-se de Deus, isto é, o Pai. Em outra ocasião Jesus disse: “Eu vim em nome de meu Pai“, e ele, em seguida, chamou o Pai “o único Deus” (João 5:43-44). Isto é semelhante ao que o Jesus  orou ao Pai, dizendo: “Esta é a vida eterna: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste” (João 17:3).

O Evangelho de João é o único que mais enfatiza Jesus como o agente de Deus para seus negócios entre os homens, e é suficiente para evitar o que a ortodoxia cristã tem feito: interpretar equivocadamente vários textos joaninos em que Jesus é erroneamente identificado como Deus,  ou que  dizia ser Deus. Uma lástima que muitos ainda não perceberam que como agente supremo de Deus, o Jesus joanino funcionava como Deus sem realmente ser Deus.

O apóstolo Tomé era um judeu que provavelmente jamais abandonou  seu ensino de que há somente um “único Deus verdadeiro”.  Argumentar que ele deixou a sua formação religiosa judaica no momento em questão, e recebeu Jesus como  Deus literalmente é um cenário improvável. João,  envelhecido e sereno ao escrever seu Evangelho, resume todo este capítulo dizendo: “Jesus é o Cristo, o filho de Deus.” Isso é uma declaração clara do  que ele queria que nós acreditássemos e é isso que Tomé acreditava também.

Esta interpretação de Deus-em-Cristo dentro do contexto de Tomé ,  se encaixa muito bem com o propósito declarado de João, pois  a ideia de que Deus habita em Jesus coincide com Jesus é o Cristo,  o Filho de Deus. Na verdade, a filiação de Jesus serve como uma explicação das palavras de Tomé, “meu Deus.” Isto é, Deus habita plenamente em Jesus porque Jesus é o agente sem precedentes de Deus, sendo o Seu Filho.

Conclusão

Em conclusão, a interpretação tradicional da Confissão de Tomé  em João 20:28 é incompatível com os seguintes elementos contextuais,

(1) Descrição de Jesus quanto ao Pai como “o único Deus verdadeiro” (Jo 17:3),

(2) Jesus dizendo a Maria Madalena que o Pai é “Meu Deus e vosso Deus” (Jo 20:17).

(3) O propósito que João declarou para escrever seu evangelho (João  20,30-31).

(4) Quando Tomé expressou suas palavras, “meu Deus“, ele reconheceu o que Jesus havia ensinado antes, em João 14:10-11, que o Pai está n’Ele.

Esta interpretação de Deus-em-Cristo   é superior à interpretação tradicional, porque realiza cinco  coisas importantes:

1. Ele liga-se com a compreensão correta de João  1:1 no prólogo, que a palavra veio em carne, o que reflete perfeitamente o caráter de Deus.

2. Afirma Jesus  como o Revelador de Deus.

3. Isto coincide bem com dois outros temas joaninos importantes, isto é, a subordinação e dependência de Cristo a Deus, ao passo que a interpretação tradicional não faz e  cria um paradoxo problemático com esses temas.

4. É uma interpretação espiritual, o que está de acordo com o evangelho como o “evangelho espiritual”.

5. Talvez o mais importante de tudo, não vai além de quaisquer reivindicações sinópticas sobre a identidade de Jesus, especialmente as  reivindicações de Jesus sobre si mesmo. Está de acordo com tudo o que é dito aqui sobre textos pertinentes cristológicas neste evangelho.

A Deus toda Glória

Este é o Deus Verdadeiro

Temos aqui três traduções que diferenciam entre si no contexto de João 5:20. Vamos a  elas:

E sabemos que já o Filho de Deus é vindo, e nos deu entendimento para que conheçamos ao Verdadeiro; e no que é verdadeiro estamos, isto é, em seu Filho Jesus Cristo. Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna”. ACF

Sabemos também que o Filho de Deus veio e nos deu entendimento, para que conheçamos aquele que é o Verdadeiro. E nós estamos naquele que é o Verdadeiro, em seu Filho Jesus Cristo. Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna”. NVI

Sabemos que o Filho de Deus veio e nos deu entendimento para conhecermos o Verdadeiro. E estamos no Verdadeiro, nós que estamos em seu Filho Jesus Cristo. Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna”. Edição Católica

Por incrível que possa parecer, a única versão que mais se aproxima  dos originais das Escrituras é a versão católica. Porém,  todas elas esclarecem que “O Verdadeiro” citado no texto, tem um Filho.

Sabemos que o Filho de Deus veio e nos deu entendimento para conhecermos o Verdadeiro. E estamos no Verdadeiro, nós que estamos em seu Filho Jesus Cristo. Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna”, I João 5:20

Possivelmente os trinitarianos e ortodoxos não perceberam o detalhe e nem esperavam por essa mudança drástica, que destrói completamente o argumento de que o Deus Verdadeiro mencionado seja o Senhor Jesus. O fato de que o verdadeiro Deus  acaba de ser identificado como o Pai de Jesus faz com que seja altamente provável que “este é o verdadeiro Deus” refere-se ao Pai, e não ao filho.

A palavra traduzida como “Este” é a palavra grega houtos. A palavra “Este” exige um antecedente. Refere-se a algo que já foi mencionado, ou será imediatamente mencionado.  Os trinitarianos afirmam que este versículo identifica Jesus como “o verdadeiro Deus”. Eles fazem isso por insistir que o antecedente para a palavra “Este” faz uma volta ao princípio do texto, apresentando Jesus como o Deus verdadeiro da frase anterior.

Agora observe cuidadosamente o que aconteceria se nós usássemos o raciocínio trinitário nestes dois versos de João:

“Quem é o mentiroso, senão aquele que nega que Jesus é o CristoEste (houtos) é o anticristo, o que nega o Pai e o Filho. 1 João 2:22.

“Porque muitos enganadores têm saído pelo mundo, os que não reconhecem Jesus Cristo veio em carne.  Este (houtos) é o enganador e o anticristo”, 2 João 1:7.

Obviamente não podemos de forma alguma apontar o antecedente mais próximo da palavra “Este”, pois se trata do Senhor Jesus. O “Este”  do primeiro versículo aponta para o “mentiroso” citado no inicio do versículo. Da mesma maneira o “Este” aludido no verso seguinte faz referência aos “enganadores” mencionados no inicio da frase.

Devemos, portanto, seguir a mesma linha de interpretação para o versículo de João aqui em discussão, onde a referência ao Deus verdadeiro no fim da sentença aponte para aquele que é citado no inicio do versículo, o qual sobre quem Jesus nos deu entendimento, que é, sem duvida, o Pai. A palavra “Verdadeiro” está se referindo a Deus e não a Jesus. Não se deve esquecer que João confirma em 1:18 de seu evangelho que o Filho nos deu a conhecer o Pai:

Deus nunca foi visto por alguém. O Filho unigênito, que está no seio do Pai, esse o revelou”, João 1:18.

E para piorar bastante a situação da interpretação tradicional, vemos Jesus mesmo declarando que o verdadeiro Deus é o Pai e não ele. Observem como os dois estão separados no texto,

E a vida eterna é esta: que te conheçam, a ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste”,  João 17:3. O mesmo acontece no contexto de João 5:20, aqui em discussão. A parte “a” do verso diz “E sabemos que já o Filho de Deus é vindo, e nos deu entendimento para conhecermos o que é verdadeiro; e no que é verdadeiro estamos…”. Jesus está separado do verdadeiro, que é o Pai. Perceba que até aqui não há como achar que João esteja chamando Jesus de “verdadeiro” para concluir que ele seja o “verdadeiro Deus”, embora ele seja o verdadeiro Filho, pois o foco recai sobre a ação do Filho de Deus em nos dar entendimento. Não parece razoável presumir que o “verdadeiro” acerca do qual o Filho nos veio dar conhecimento seja ele mesmo já que o próprio Jesus disse não testificar de si, logo ele é o instrumento para chegarmos ao conhecimento de Deus. Dessa elucidação decorre o entendimento da parte seguinte do verso: “e no que é verdadeiro estamos”.

Observe novamente que Aquele que é verdadeiro  é também identificado como quem tem um filho, e é ele  o sujeito da frase. Aqui há aparentemente duas dificuldades. A primeira é quando se diz que “estamos no verdadeiro, isto é, em seu Filho Jesus Cristo” e a segunda é “Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna”. A preposição colocada aqui é “ἐν” (en), significa “por” e não “em”. Nesse ponto, vale lembrar que a expressão “isto é” constante da Almeida Corrigida Fiel, e que seria a primeira dificuldade, não está presente nos originais gregos, e foi acrescentada como um indutor de conclusão, o que mostra que todos os tradutores, inclusive os das nossas Bíblias, acrescentam ou modificam textos bíblicos para favorecer determinada crença.

Deve-se registrar que as expressões “e no que é verdadeiro estamos” e “em seu Filho Jesus Cristo”, apresentam a mesma forma grega em uma construção ligeiramente diferente por conta do verbo na primeira delas. O uso do verbo “estar” influi nesse julgamento, pois quando se diz “estamos no verdadeiro” temos a ideia locativa. Já o trecho “em seu Filho Jesus Cristo”, pode ser traduzido “por seu Filho Jesus Cristo” ou “com seu Filho Jesus Cristo”. E fica a interrogação: Qual a melhor forma de entender a expressão? Bem, basta observar o que o verso, como um todo, quer dizer. O versículo principia informando que Jesus veio para nos dar a conhecer o Verdadeiro, então, indubitavelmente ele é o instrumento para esse fim (Mt 11.27; Lc 10.22; Jo 1.18), logo, é natural entendermos “e nós estamos no Verdadeiro, por seu Filho”.

Em I Jo. 4.15,16 lemos: “Qualquer que confessar que Jesus é o Filho de Deus, Deus está nele, e ele em Deus. E nós conhecemos,… e quem está em amor está em Deus, e Deus nele”; note, aqui mais uma vez é feita a distinção de Jesus como Filho e de estarmos em Deus (Deus um outro ente) por causa da nossa aceitação ao Filho. Então, até esse ponto temos a compreensão natural de que o “Verdadeiro” no versículo em discussão, acerca de quem Jesus nos deu entendimento para o conhecermos, não é ele próprio, mas aquele de quem ele é Filho.

O verso de I João 5.20 segue dizendo: “… em seu Filho Jesus Cristo.” (exclui o “isto é” inexistente do original grego), aqui o português e a tradição trinitária prejudica a naturalidade do entendimento do verso, porque a expressão “em seu Filho” pode ter, pelo menos, duas acepções, mas só é vista de uma forma: que o Verdadeiro referenciado por João é o Filho. Essa é a forma que quebra a sequência do que vimos até agora, e ignora um detalhe bem importante da frase, pois ao dizer “Em seu Filho”, esse pronome “SEU” está se referindo a alguém! Quem? Façamos uma releitura do trecho: “e no que é verdadeiro estamos, em seu Filho Jesus Cristo”, ora é natural percebermos que existe um personagem no verso além do Filho, que é a causa do verso e através do Filho estamos NELE. Ora, se esse “SEU” não se refere ao “verdadeiro”, em quem estamos da frase anterior, a quem, então, se refere? É provável que todos concordem que Jesus não pode ser Filho dele mesmo! Logo ao dizer “em seu Filho” esse “EM” não tem intenção de relacionar “e no que é” para se concluir que “O Verdadeiro” e o Filho do “Verdadeiro” sejam uma coisa só, mas mostrar que pelo Filho, ou no Filho, se obtém o entendimento para conhecermos o “Verdadeiro Deus e a vida eterna”, por isso Jesus disse, orando ao Pai: “E a vida eterna é esta: que te conheçam, a ti só, por único Deus verdadeiro”.

Apresento aqui ao leitor três traduções das Escrituras que nos deixam um sentido bem aproximado dos originais,

NTLH

Sabemos também que o Filho de Deus já veio e nos deu entendimento para conhecermos o Deus verdadeiro. A nossa vida está unida com o Deus verdadeiro, unida com o seu Filho, Jesus Cristo. Este é o Deus verdadeiro, e esta é a vida eterna”.

Bíblia Ave Maria

Sabemos que o Filho de Deus veio e nos deu entendimento para conhecermos o Verdadeiro. E estamos no Verdadeiro, nós que estamos em seu Filho Jesus Cristo. Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna”.

CNBB

Sabemos que o Filho de Deus veio e nos deu inteligência para conhecermos o Deus verdadeiro. E nós estamos com o Verdadeiro, graças a seu Filho Jesus Cristo. Este é o Deus verdadeiro e a Vida eterna”.

Fonte consultada

http://www.unitarismobiblico.com – FILHO, Valdomiro – I Jo. 5.20, “Este é o Deus verdadeiro”

Adulteração em Mateus 28:19

Esta é a segunda versão, e sofrerá constantes atualizações.

O Cardeal Ratzinger, em seu Livro “Introdução ao Cristianismo”, fez algumas declarações que se espalharam pela Internet de forma avassaladora. Essas declarações revelam nas entrelinhas algo interessante sobre a forma batismal em nome do Pai, Filho e Espírito Santo, mesmo estando o Cardeal fazendo referência ao Credo Apostólico, que de Apostólico nada tem, pois ele é bem explicito quando afirma onde e quando foi elaborado esse Credo.

Toda essa discussão gira em torno da trindade, crida e aceita pela maioria cristã hoje, sejam eles católicos ou protestantes. Porém, a discussão e crença não se limita apena aos religiosos convencionais, mas vai além; milhões creem na trindade até fora das Igrejas, dentro de outras religiões, entre incrédulos e até pessoas afastadas da Igreja temem blasfemar contra aquela doutrina que entendem ser um mistério divino, um enigma do outro mundo, o sagrado segredo que pode exterminar quem duvidar de sua existência.

Depois da eliminação de 1 João 5:7-8 das Escrituras, toda responsabilidade para provar a doutrina trinitariana está agora sobre Mateus 28:19, que diz: “Ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a guardar todas as coisas que lhes tenho ordenado, e eis que estarei convosco todos os dias até a consumação dos séculos”.

Uma pergunta apenas deve ser feita aqui: Para quem Mateus escreveu seu Evangelho? Todos sabem que ele escreveu para os judeus. No entanto, a sugestão da existência de uma trindade não se coaduna com a crença do público alvo do livro. O objetivo de Mateus era alcançar os judeus convencendo-os de que Jesus Cristo era o Messias descrito pelos profetas do Antigo Testamento. Desta forma, causa-nos no mínimo alguma estranheza a menção de uma fórmula batismal que sugira a existência de uma trindade jamais aceita pelos judeus. Isto porque a crença dos judeus se baseia totalmente no Velho Testamento, onde não há qualquer sugestão da existência de uma trindade. Baseados no Velho Testamento, os judeus aceitam um único Deus e a proposta de uma trindade soaria absurda. Ademais, o objetivo de Mateus não era convencê-los da existência de uma trindade, mas mostrar Jesus como o Messias.

Isso lhe parece estranho? Não se preocupe com suas dúvidas; apenas continue a leitura para descobrir um dos maiores embustes inseridos na Palavra de Deus depois da interpretação equivocada de João 1:1-3.

O texto do Cardeal Ratzinger diz:

Talvez seja útil fornecer alguns dados sobre a origem e estrutura do símbolo, que contribuirão para esclarecer o “por quê” do nosso proceder. A forma básica do nosso símbolo apostólico cristalizou-se no correr do segundo e terceiro século, em CONEXÃO com o rito batismal. Trata-se originariamente de uma fórmula nascida na cidade de Roma. Contudo, seu lugar interno de origem é a liturgia, ou mais exatamente, o batismo. O rito batismal fundamentalmente orientava-se pelas palavras de Cristo: “Ide, fazei discípulos a todos os povos e batizai-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo” (Mt 28, 19). De acordo com esta ordem, o batizando ouvia três perguntas: “Crês em Deus, Pai todo-poderoso…? Crês em Jesus Cristo, Filho de Deus…? Crês no Espírito Santo…?” 2. A cada uma das perguntas o batizando respondia: “Creio”, sendo, de cada vez, mergulhado na água. Portanto, a fórmula mais antiga do símbolo realiza-se em tríplice diálogo e está enquadrada no rito batismal.

Provavelmente ainda no correr do século II, mas sobretudo no século III, a fórmula tríplice, tão simples, e reproduzindo apenas o texto de Mt 28, sofreu um desdobramento em sua parte média, ou seja, na pergunta sobre Cristo. Por tratar-se do que é tipicamente cristão, aproveitou-se a ocasião para fornecer um resumo a respeito da importância de Cristo para o cristão, dentro dos limites daquela pergunta. Igualmente a terceira pergunta, a profissão da fé no Espírito Santo, foi explicitada e desenvolvida como declaração da fé a respeito do presente e do futuro do cristão. No século IV estamos diante de um texto contínuo, libertado do esquema de perguntas e respostas” (Introdução ao Cristiansmo, pág. 31).

O que está explícito no texto é que o batismo trinitário deu origem ao credo: “… seu lugar interno de origem é a liturgia, ou mais exatamente, o batismo”. No entanto, como vai ficar provado, o batismo em nome da trindade não é bíblico, e Mateus 28:19 em sua forma alongada, a forma trinitariana, não faz parte do texto original, mas foi uma adulteração inserida em um manuscrito supostamente de Mateus que circulava entre o terceiro e quarto século.

Mateus 28:19 é realmente um texto muito suspeito. Uma das razões pelas quais esse é o caso é que há um intervalo muito grande desde o momento em que Mateus escreveu seu Evangelho e os primeiros manuscritos gregos que temos contendo as palavras encontradas em Mateus 28:19 – existem quase trezentos anos entre os dois.

Infelizmente, a “Igreja” durante esse período também estava rapidamente se transformando em escuridão. O que viria a ser a Igreja Católica desenvolveu grande parte de sua teologia durante esse período e foi obstinadamente zelosa na aplicação dessas doutrinas. Se você ousasse desafiá-los, seria rotulado de herege e poderia enfrentar evasão, censura e até morte. Ter apenas manuscritos datados dessa época (séculos III e IV – durante os quais a Igreja Católica estava surgindo com suas crenças como autoridade das Escrituras) era um problema real e muito grande.

Em outro lugar Ratzinger diz:: “Nas considerações introdutórias tivemos ocasião de ver que o Credo se originou do tríplice interrogatório batismal sobre a fé no Pai, Filho e Espírito, que, por sua vez, se baseia na fórmula do batismo, testemunhada e transmitida em Mateus (28,19). Neste sentido, a forma mais antiga de nossa fé, com a sua tríplice divisão, apresenta até uma das mais decisivas raízes da imagem trinitária de Deus. Somente o alargamento paulatino do questionário batismal, até formar um texto desenvolvido do símbolo, encobriu um tanto a sua estrutura trinitária” (Introdução ao Cristianismo, pág. 160).

Ratzinger fez uma exegese em cima de um texto falsificado. Ele está sendo enganado, como estão sendo todos os católicos. Ele é católico, e como tal defende também outras mentiras, como o purgatório, a assunção de Maria e o pontificado de Pedro em Roma.

Os textos do Cardeal serão examinados com mais detalhes no decorrer desse artigo.

O Batismo

A Bíblia afirma claramente que somos batizados em Jesus Cristo (não no Pai ou no Espírito Santo). O Espírito vem como dom quando o fiel é batizado em Cristo (Atos Atos 2:38; 19: 1-6). Além disso Romanos 6: 3,4, diz: “Ou, porventura, ignorais que todos quantos fomos batizados em Cristo Jesus fomos batizados na sua morte? Fomos, pois, sepultados com ele pelo batismo na morte, para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida“.

É sepultado com Cristo no batismo, e não com o Pai e o Espírito Santo. O símbolo do batismo é a morte de Cristo. Esse é o ponto principal.

O novo Cristão, ao ser submergido totalmente pelas águas, está sepultando a velha criatura junto com todos os seus pecados: “tendo sido sepultados com ele no batismo, no qual também fostes ressuscitados pela fé no poder de Deus, que o ressuscitou dentre os mortos” (Cl 2:12). Portanto, não é lícito batizar em nome do Pai. Ele não é parte da velha criatura. Além disso, ele não morre – veremos isso com mais detalhes adiante.

Os verdadeiros Pais da Igreja

O que precisamos considerar de mais importante na discussão sobre Mateus 28:19 é que os Pais da Igreja são os Apóstolos originais. Portanto, nós devemos ter como fidedignos seus escritos e não os escritos daqueles considerados pais que apareceram pós século primeiro, pois muitos deles não passam de lobos devoradores:

Eu sei que DEPOIS da minha partida entrarão no meio de vós lobos cruéis que não pouparão o rebanho” (Atos 20:29).

Depois desses tantos chamados Pais da Igreja se manifestarem foi que a própria Igreja entrou em confusão. Acreditar em todos eles e usar seus escritos como prova de autenticidade doutrinária é muito perigoso. Na verdade, a doutrina deve ser obtida somente da pura Palavra de Deus e não de outras fontes duvidosas. Esses autoproclamados “pais” viveram em uma era de heresia desenfreada. O testemunho de alguns deles pode ser valioso apenas porque eles fornecem uma verificação incidental e independente dos textos das Escrituras muito mais antigos do que nossas cópias completas atuais.

No entanto, ignorando o contexto das Escrituras, muitos tem como preciosos os escritos de alguns desses chamados pais quando se levantam em defesa do batismo trinitariano. Podemos encontrar pelo menos uma dúzia de citações dos pais patrísticos “autenticando” o batismo em nome do Pai, Filho e Espírito Santo” antes do estabelecimento oficial da trindade – as discussões tiveram início com o Concílio de Niceia, tendo a aceitação do dogma sido concluído mais tarde. Há um ponto importante a ser lembrado aqui: a trindade, apesar de existir na crença eclesiástica e da Igreja, não foi codificada até o ano de 381 (o Concílio de Niceia em 325 d.C. simplesmente decidiu que Jesus era Deus enquanto deixava o Espírito Santo fora da equação).

Também é necessário dizer que o cristianismo do século IV era uma bagunça organizacional, razão pela qual o século estava repleto de controvérsias e conselhos. E no meio dessa desordem abundante podia-se encontrar documentos considerados fidedignos, que foram atestados e escritos por pais de renome já falecidos, como Tertuliano, Justino Mártir, Origenes e Cipriano de Cartago que viveram entre fins do primeiro e segundo séculos, e, acrescentando os vivos por volta do quarto século, haviam Jerônimo e Agostinho. Todos eles deixaram documentado que o batismo era em “nome do Pai, Filho e Espírito Santo”. Não vou considerar aqui qual deles teve seus escritos adulterados, embora tenhamos certeza de que isso ocorreu. É relativamente fácil identificar uma adulteração trinitariana feita no século 16 (exemplo I João 5:7), mas o mesmo não pode se afirmar com relação a adulterações mais antigas, principalmente as adulterações anteriores ao quarto século.

No entanto, é preciso entender que a corrupção da fórmula batismal teve inicio realmente no segundo século. De acordo com a Enciclopédia de Religião de Canney, a igreja primitiva batizou em nome de Jesus até o segundo século.

A Enciclopédia Britânica (11ª ed., Vol. 3, p. 365) concorda, afirmando que o batismo foi mudado do nome de Jesus para as palavras Pai, Filho e Espírito Santo no século II.

No Volume 2 da Enciclopédia de Religião e Ética, p.389, é observado que o batismo sempre foi realizado em nome de Jesus até a época de Justino Mártir.

No Pastor de Hermas – datado de aproximadamente 120 dC, portanto, antes dos mais antigos Pais citados, está registrado: “Antes que o homem levasse o nome do Filho de Deus, ele estava morto, mas quando recebeu o selo [pelo batismo], ele deixou de lado a mortalidade e recebe a vida”. Também declara: “Eles são aqueles que ouviram a palavra e estavam dispostos a ser batizados em nome do Senhor”.

A apologética trinitariana invoca o testemunho desses escritores patrísticos em defesa dos seus argumentos, mas, sem dar explicações coerentes, ignoram o testemunho maior e mais excelente que é o do Novo Testamento, o escrito dos verdadeiros Pais da Igreja, que circulavam entre os cristãos um século e meio antes dos escritos chamados patristicos. Nestes documentos está registrado que o batismo era feito em nome de Jesus. Preste atenção nesses registros ao modelo da patrística:

“… Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados” (São Lucas – Livro de Atos dos Apóstolos, capítulo ii verso 38).

Mandou, pois [Pedro], que fossem batizados em nome do Senhor Jesus” (São Lucas – Livro de Atos dos Apóstolos, capítulo x, v 48).

“… foram batizados em nome do Senhor Jesus” (São Lucas – Livro de Atos dos Apóstolos, capítulo xix, v 5).

fomos batizados em Cristo Jesus” (São Paulo – Carta aos Romanos, capítulo vi, v 3).

Porque todos quantos fostes batizados em Cristo, de Cristo vos revestistes” (São Paulo – carta à Igreja da Galácia, capitão iii, v 28).

Estão aí, de forma magnífica e explícita, os registros dos originais Pais da Igreja.

A Grande Comissão

Um dos maiores problemas para a formato textual batismal trinitariano apresentado em Mateus 28:19 são as passagens paralelas que tratam do mesmo evento (Marcos 16:15,16; Lucas 24:46-51 e Atos 1:5,8).

Marcos 16:15,16: “E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo”. Marcos omitiu o batismo trinitariano, além de omitir os nomes dos três componentes da chamada trindade.

Lucas 24:46-51 “E disse-lhes: Assim está escrito, e assim convinha que o Cristo padecesse, e ao terceiro dia ressuscitasse dentre os mortos, e em seu nome se pregasse o arrependimento e a remissão dos pecados, em todas as nações, começando por Jerusalém”. E eis que sobre vós envio a promessa de meu Pai; ficai, porém, na cidade de Jerusalém, até que do alto sejais revestidos de poder. E levou-os fora, até Betânia; e, levantando as suas mãos, os abençoou. E aconteceu que, abençoando-os ele, se apartou deles e foi elevado ao céu”. Outra omissão aqui do batismo e da trindade, embora fale do mesmo evento.

Atos 1:4,5-8,9 “E, estando com eles, determinou-lhes que não se ausentassem de Jerusalém, mas que esperassem a promessa do Pai, que (disse ele) de mim ouvistes. Porque, na verdade, João batizou com água, mas vós sereis batizados com o Espírito Santo, não muito depois destes dias… Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra… E, quando dizia isto, vendo-o eles, foi elevado às alturas, e uma nuvem o recebeu, ocultando-o a seus olhos”.

Note que no contexto de Atos, momentos antes de subir ao céus, está registrado que eles seriam batizados no Espírito Santo, mas omite “em nome do Pai e do Filho”. Observe que em Lucas 24:46-52, ele omite totalmente o nome do Espírito Santo e do Pai, mas insinua o batismo em Jesus quando fala que eles receberiam o revestimento de poder prometido, que só é obtido quando o arrependido é batizado em nome de Jesus, não no nome do Espírito Santo. O Espírito Santo vem como dádiva sobre aqueles que se arrependem e são batizados em Cristo, como diz Pedro falando do cumprimento dessa promessa do Senhor Jesus: “Arrependei-vos, e seja cada um de vós BATIZADO EM NOME DE JESUS e recebereis o dom do Espírito Santo” (Atos 2:38). Observe que Pedro não usa o termo batizados no Espírito Santo, mas diz: “recebereis o dom do Espírito Santo”. Pedro não chamou de batismo, mas de dom. Quando usou a palavra batismo ele inseriu apenas um nome, o de Jesus, mais ninguém. Compare com Atos 19:1-6.

Jesus não poderia ter dito a Seus discípulos para batizar pessoas no Espírito Santo simplesmente porque este não era um batismo que os discípulos deveriam realizar. Além disso, se Jesus não pudesse ter dito a seus discípulos que batizassem homens no Espírito Santo, é altamente improvável que Ele teria dito a eles que batizassem os homens no Pai também.

Jesus é quem nos batiza com o Espírito Santo; este é o batismo de Jesus, João Batista nos disse: “Eu vos batizo com água, Ele [Cristo] vos batizará com o Espírito Santo” (Marcos 1: 8, cf. Mat 3:11 e Lc 3:16). “… este [Jesus] é o que batiza no Espírito Santo” (João 1:33). Como este é obviamente um batismo separado – um batismo no qual somos imersos [batizados] com [ou no] Espírito Santo – um batismo que Cristo deve realizar -, Jesus não poderia ter dito aos discípulos que batizassem as pessoas em nome do Espírito Santo. Portanto, o Espírito vem como dádiva para aqueles que recebem Jesus e são batrizados EM SEU NOME. Isso é o que significa que Jesus é quem batiza com o Espírito Santo. Não é uma mera profissão de fé quando manipulada por pessoas que jogam água na cabeça de um iniciante – ou mesmo a mergulhe em qualquer lugar que seja – que vai fazer com que o Espírito Santo seja recebido. Não é, “Eu te batizo em nome do Pai, Filho e Espírito Santo”; a ordem prescrita foi: receber Cristo e como dádiva o cristão recebe o Espírito Santo.

Mateus e Lucas – onde está a corrupção textual?

Logo após a ressurreição de Jesus a Escritura diz que Ele se mostrou vivo depois de sua paixão por muitas provas infalíveis, sendo visto pelos discípulos e outros seguidores quarenta dias, e falando das coisas pertencentes ao reino de Deus (Atos 1:3). Durante esses encontros, obviamente Jesus fez questão de lembrá-los das coisas que havia ensinado enquanto ainda estava com eles e, no fim, antes de ser assunto ao céu, ordenou que pregassem em seu nome (singular), salvação, arrependimento e remissão dos pecados. Leia Lucas 24: 45-47 novamente, texto que está de acordo com o modelo batismal praticado na Igreja primitiva: “E disse-lhes: Assim está escrito, e assim convinha que o Cristo padecesse, e ao terceiro dia ressuscitasse dentre os mortos, e em seu nome se pregasse o arrependimento e a remissão dos pecados, em todas as nações, começando por Jerusalém”. E eis que sobre vós envio a promessa de meu Pai; ficai, porém, na cidade de Jerusalém, até que do alto sejais revestidos de poder. E levou-os fora, até Betânia; e, levantando as suas mãos, os abençoou. E aconteceu que, abençoando-os ele, se apartou deles e foi elevado ao céu”. Também é o que está de acordo com as palavras de Pedro proferidos 50 dias depois da ascensão do Senhor: “Arrependei-vos e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para remissão dos pecados” (Atos 2: 37-38). Como pode ser visto, não há lugar no contexto para a redação trinitariana de Mateus 28:19.

Há uma evidência por demais interessante que pode nos revelar de uma vez por todas se as palavras originais de Jesus estão na forma trinitariana de Mateus 28:19 ou em Lucas 24:47. Está em Paulo; vemos o Apóstolo batizando em nome de Jesus (Atos 19:1-5). Esse contexto de Atos nos leva para o encontro entre Paulo e alguns discípulos de João Batista em Éfeso. Eles não haviam recebido ainda o Espírito Santo. Alí é dito que eles são batizados por Paulo; o verso 5 esclarece que todos eles: “… foram batizados em nome do Senhor Jesus“.

Em outro lugar, Paulo esclarece que o batismo é feito em nome de Jesus: “Porque todos quantos fostes batizados em Cristo vos revestistes de Cristo” (Gal 3:27).

Ficamos com uma pergunta: Quem instruiu Paulo e lhe concedeu essa revelação? Basta lembrar que o Evangelho que Paulo recebeu não era de homem, mas de várias revelações dadas a ele diretamente por Jesus de acordo com Gálatas 1:11 e 12 e II Corintios 12:1.

Ele diz claramente que o Evangelho que lhe foi confiado ele “não recebeu de homem algum, e conclui, “mas o recebi por revelação de Jesus Cristo”.

A esse apóstolo Deus revelou o “mistério da Igreja” (ver Ef 3: 5). Com toda essa autoridade, ele também nos exorta em 1 Coríntios 14:37 “Se alguém se considera profeta ou espiritual, reconheça que as coisas que eu escrevo são os mandamentos do Senhor“. Ele também nos diz: “E o que quer que você faça com palavras ou ações faça tudo em nome do SENHOR JESUS … ” (Col. 3:17). O contexto fala por si só.

A leitura correta de Mateus 28:19 parece estar em Lucas 24:47 – o arrependimento pelo perdão dos pecados seria proclamado em seu nome a todas as nações, começando em Jerusalém. Mas Lucas 24:47 não diz nada de batismo! Isso é verdade. Eles se referem apenas a “fazer discípulos de todas as nações” e “arrependimento e remissão de pecados”. No entanto, uma vez que estabelecemos que o texto original de Mateus 28:19 simplesmente diz “em meu nome”, eliminamos essencialmente todo o apoio para o batismo “em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo!” Por causa dessa implicação de longo alcance, somos obrigados a examinar as evidências internas sobre o batismo, a fim de encontrar qualquer outro suporte possível para a leitura tradicional, isso porque o conceito doutrinal trinitário que foi adicionado a Mateus 28:19 está relacionado com o batismo. Embora o batismo não seja especificamente mencionado em Mateus 28:19 ou Lucas 24:47, é inferido pelos argumentos apresentados a seguir.

Em Mateus, o comando é “fazer discípulos em meu nome”. Para “fazer um discípulo”, a necessidade inclui o batismo no processo de conversão (Marcos 16: 15-16; João 3: 3-5) e todo o processo está sob a vigilância da especificação para fazê-lo “em seu nome”. Em Lucas, “arrependimento e remissão de pecados” seria pregado “em Seu nome”. Pelo testemunho de outras Escrituras (Lucas 3: 3; Atos 2:38), é claro que a remissão dos pecados vem pelo batismo, precedido pelo arrependimento. Ambos devem ser pregados “em Seu nome”.

Considerando a evidência dos manuscritos, das versões e agora dos primeiros escritos, você deve chegar à conclusão de que, nos primeiros séculos, algumas cópias de Mateus não continham a moderna redação trinitária. Independentemente das opiniões ou posições tomadas pelos nossos adversários, devemos, pelo menos, admitir esse fato. Na prática legal em que as cópias de um documento perdido, e original, variam, a “Evidência Interna” é usada para resolver a discrepância. Ou seja, uma comparação de outros textos com o texto em questão, a fim de determinar qual das versões variáveis é mais provável que seja o original. Com ambas as variantes em mente, nos voltaremos para as próprias Escrituras para a nossa evidência interna.

No caso que acabamos de examinar (Mateus 28:19), deve-se notar que nem um único manuscrito ou versão antiga nos preservou a verdadeira leitura. Mas isso não é surpreendente, pois, como o Dr. C.R. Gregory, um dos maiores críticos textuais, nos lembra: “Os manuscritos gregos do texto do Novo Testamento foram freqüentemente alterados por escribas, que colocaram nelas as leituras que eram familiar para eles, e que eles consideraram ser as leituras certas” (Canon e Texto do NT 1907, pág. 424).

Outro acrescenta:

Estes fatos falam por si mesmos. Nossos textos gregos, não apenas dos Evangelhos, mas também das Epístolas, foram revisados e interpolados por copistas ortodoxos. Podemos rastrear suas perversões do texto em alguns casos, com a ajuda de citações patrísticas e versões antigas. Mas deve haver muitas passagens que foram corrigidas, mas onde hoje não podemos expor a fraude” (Peter Watkins, in an excellent article ‘Bridging the Gap’ in The Christadelphian, January, 1962, pp. 4-8).

E ainda:

O Codex B. (Vaticanus) seria o melhor de todos os manuscritos existentes … se fosse completamente preservado, menos danificado, (menos) corrigido, mais facilmente legível e não alterado por uma mão posterior em mais de dois mil lugares. Eusébio, portanto, tem razão para acusar os adeptos de Atanásio e da doutrina da Trindade de falsificar a Bíblia mais de uma vez” (Fraternal Visitor 1924, p. 148, tradução de Christadelphian Monatshefte).

Ao bispo de Londres, este escreveu:

Nós certamente conhecemos uma maior quantidade de interpolações e corrupções trazidas para as Escrituras … pelos Atanásios e relacionadas à Doutrina da Trindade, do que em qualquer outro caso” (Whiston – Segunda Carta ao Bispo de Londres, 1719, p. 15)

F.C. Conybeare, um dos mais renomados mestres do Novo Testamento do século passado, disse: “Nos únicos códices que seriam mesmo susceptíveis de preservar uma leitura mais antiga, a saber, o Syriac sinaitico e o Manuscrito latino mais antigo, as páginas que continham o fim de Mateus desapareceram” (Hibbert Journal, 1902, Fred C.Conybeare).

Então, apesar de todas as versões anteriores conterem o nome Trino tradicional em Mateus 28:19, as primeiras versões não contiam o verso. E, curiosamente, não devido a omissão, mas devido à remoção!

Precisamos nos perguntar: a frase “em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo” aparece em outras partes da Escritura? Na verdade não aparece. Jesus usou a frase “em meu nome” em outras ocasiões? Sim, 17 vezes para ser exato – exemplos são encontrados em Mateus 18:20; Marcos 9: 37,39 e 41; Marcos 16:17; João 14:14 e 26; João 15:16 e 16:23.

Há alguma afirmação nas Escrituras baseada no fato do batismo em nome de Jesus? Sim! Isto é esclarecido em 1 Coríntios 1:13: “Vocês foram batizados em nome de Paulo?” Essas palavras, quando cuidadosamente analisadas, sugerem que os crentes devem ser batizados em nome daquele que foi crucificado por eles.

De fato, o raciocínio oferecido por Paulo é claro quando ele dispara: “Vocês foram batizados em nome de Paulo?” Por qual motivo Paulo mencionou o batismo em seu próprio nome? Por que o batismo deve ser feito em nome de Jesus! Observe todo versículo 13: “Cristo está dividido? Paulo foi crucificado por você? Ou você foi batizado em nome de Paulo?” Ele conclui lembrando aos membros da igreja de Corinto que eles foram “lavados, santificados e justificados quando foram batizados em nome de Jesus” (1 Coríntios 6:11). Com base apenas no entendimento acima, podemos verificar o texto genuíno de Mateus 28:19 confirmando o uso da frase “em meu nome”.

Outra coisa que precisamos destacar é como Mateus 28:19, na forma trinitariana, contradiz o versículo anterior. Vamos ler o versículo 18 agora e veja o que diz: “Então Jesus veio a eles e disse: “Toda autoridade no céu e na terra me foi dada”.

Jesus diz: “Toda autoridade no céu e na terra foi dada a mim“. E ele continua no verso 19 dando ênfase ao seu nome: “Portanto, Ide e fazei discípulos de todas as nações em meu nome”. O contexto (verso 18) diz que a autoridade foi dada a Cristo o que sugeriria, naturalmente, uma ação posterior em nome de quem tem e delega a autoridade, no caso, em nome de Cristo Jesus apenas.

Se Mateus 28:19 é exato, tal como está em versões modernas, então não há nenhuma explicação para a aparente desobediência dos apóstolos, uma vez que não há uma única ocorrência deles batizando alguém de acordo com essa fórmula.Todos os registros no Novo Testamento mostram que as pessoas foram batizados em nome do Senhor Jesus. Em outras palavras, o “nome de Jesus Cristo”, ou seja , tudo o que ele representa, é o elemento ou substância, em que as pessoas eram figurativamente “batizadas”. “Pedro respondeu aos ouvintes: “Arrependei-vos e sede batizados, cada um de vocês, em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados” (Atos 2:38).

O Batismo era somente praticado em nome de Jesus. Batizar “em nome de Jesus” quer dizer batizar “pela autoridade de” ou “pelo poder de”. Os discípulos ministravam o batismo não pela autoridade humana, mas pela autoridade e pelo poder do próprio Cristo. “Em nome de Jesus”, partindo do uso hebraico-aramaico, significa “com respeito a” ou “por causa de”. “Em nome de” era uma locução hebraico-aramaica naqueles dias dos apóstolos. A sociedade daquela época era familiarizada com tal expressão. No próprio livro de Atos, a locução “em nome de” tem o significado de “pela autoridade de” ou “pelo poder de”. Compare isso com o comportamento das autoridades judaicas quando desafiaram Pedro e João pelo fato deles estarem pregando no Templo: “E, pondo-os no meio, perguntaram: Com que poder ou em nome de quem fizestes isto?” (At 4.7).

Os apóstolos faziam tudo em nome de Jesus (Cl 3.17): pregavam (Lc 24.47), curavam (At 3.6,16), expulsavam demônios, falavam em línguas, eram livrados (Mc 16.17,18) e disciplinavam na igreja (2Ts 3.6). Assim, quando batizavam, faziam isso também “em nome de Jesus”. Efetuavam o batismo sob a “autoridade” e sob o “poder” de Cristo! No Livro de Atos os apóstolos são vistos batizando em nome de Jesus. Eles batizavam “em nome de Jesus”, ou seja, “com respeito a”, o mesmo que “relativamente”, “no tocante ao”, que foi o preceito entregue por Jesus à Igreja. Por isso que o original de Mateus não pode conter a fórmula trinitariana – o que temos é uma falsificação tardia. Alguém escreveu com muita propriedade: “Nõs não temos manuscritos conhecidos que estavam escritos nos séculos primeiro e segundo. Há uma lacuna de quase 300 anos entre o momento em que Mateus escreveu sua epístola e nossas primeiras cópias manuscritas. É sabido também que os manuscritos gregos do texto do Novo Testamento foram muitas vezes alterados pelos escribas, que colocaram neles as leituras que lhes eram familiares, que eles entendiam ser a leitura correta… Não é de surpreender que algumas dessas corrupções textuais ocorreram simultaneamente com as respectivas mudanças doutrinárias que foram introduzidas na Igreja”.

Ratzinger deixa rastros visíveis dessa verdade em seus escritos. Evidente que os trinitrianos, principalmente oriundos do catolicismo, não concordam. Vejam novamente: “… Nas considerações introdutórias tivemos ocasião de ver que o Credo se originou do tríplice interrogatório batismal sobre a fé no Pai, Filho e Espírito, que, por sua vez, se baseia na fórmula do batismo, testemunhada e transmitida em Mateus (28:19)“. “Introdução ao Cristianismo”, pág 34 – Versão online, PDF.

O credo foi criado em Roma, como ele mesmo atesta, e isso entre o segundo e terceiro séculos, baseado em Mateus 28:19 na forma trinitária da versão de Mateus adulterada que também apareceu entre o segundo e tercero século. A alegação dele não pode ficar oculta: “… A forma básica do nosso símbolo apostólico cristalizou-se no correr do segundo e terceiro século, EM CONEXÃO com o rito batismal. Trata-se originariamente de uma fórmula nascida na cidade de Roma“, pág. 31.

Surpreendendmente ele acaba revelando que o credo não tem origem nos Apóstolos: “… já do século IV, surge a lenda da origem apostólica desse formulário que muito cedo (provavelmente ainda no correr do século 5) se concretizou na suposição de que cada um dos doze artigos, em que fora dividido, representava a contribuição de um dos doze apóstolos”.

A tríplice confissão não saiu dos lábios de Jesus! Não está coerente com a verdade admitir que o credo nasceu três séculos depois tendo por base as supostas palavras do Senhor ditas quase três séculos antes. E além disso, suas palavras acabam revelando que o credo teve como base o texto adulterado de Mateus: “O rito batismal fundamentalmente orientava-se pelas palavras de Cristo: “Ide, fazei discípulos a todos os povos e batizai-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo” (Mt 28, 19). DE ACORDO COM ESTA ORDEM, o batizando ouvia três perguntas: “Crês em Deus, Pai todo-poderoso…? Crês em Jesus Cristo, Filho de Deus…? Crês no Espírito Santo…?”

Ele alega que as palavras “batizai-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo” são de Cristo, mas não são. Jesus jamais disse tais palavras, o que foi garantido por Marcos e Lucas: “E disse-lhes: Assim está escrito, e assim convinha que o Cristo padecesse, e ao terceiro dia ressuscitasse dentre os mortos, E em seu nome se pregasse o arrependimento e a remissão dos pecados, em todas as nações, começando por Jerusalém“, Lucas 24:47.

Foi exatamente o que Pedro fez quase dois meses depois no dia de Pentecostes, cumprindo as instruções de Jesus. Ele apelou aos novos conversos para que se arrependessem e fossem batizados “em nome de Jesus Cristo”, para remissão de pecados” (Atos 2:38). Atos é uma réplica exata de Lucas!

A Trindade e o batismo de João

É de admirar que o Livro de Mateus tenha sido o escolhido para ser alterado; ele foi escrito para a comunidade judáica, ao contrário de Lucas e Marcos. Um livro endereçado à Igreja Primitiva seria o pior alvo para adulterações. Além disso, ao lermos o livro de Mateus notamos que não há nenhuma apresentação da doutrina da trindade. É duvidoso que os apóstolos tenham introduzido a doutrina trinitária antes do derramamento do Espírito. E ainda, seria realmente estranho para Cristo introduzir a doutrina da trindade aqui no último versículo do livro sem que seja mencionada anteriormente.

Ninguém era batizado em nome da trindade. Nem mesmo Jesus poderia ser batizado em seu próprio nome – o batismo é feito por causa da sua morte: “Ou não sabeis que todos quantos fomos batizados em Jesus Cristo fomos batizados na sua morte?” Rom 6:3.

Não se pode batizar em nome de Deus. Fosse assim, então João Batista deveria ter batizado as pessoas em nome do Pai, pelo menos. Mas nem isso. No batismo de João o iniciante era batizado “com o batismo de arrependimento, dizendo ao povo que cresse no que após ele havia de vir, isto é, em Jesus Cristo“(Atos 19:4). Atente para alguns detalhes interessantes nesse incidente; aqui nesse diálogo com alguns discípulos de João em Éfeso, Paulo descobriu que eles nunca ouviram falar do Espírito Santo: “E sucedeu que, enquanto Apolo estava em Corinto, Paulo, tendo passado por todas as regiões superiores, chegou a Éfeso; e achando ali alguns discípulos, disse-lhes: Recebestes vós já o Espírito Santo quando crestes? E eles disseram-lhe: Nós nem ainda ouvimos que haja Espírito Santo.

Perguntou-lhes, então: Em que sois batizados então? E eles disseram: No batismo de João. Mas Paulo disse: Certamente João batizou com o batismo de arrependimento, dizendo ao povo que cresse no que após ele havia de vir, isto é, em Jesus Cristo. E os que ouviram foram batizados em nome do Senhor Jesus. E, impondo-lhes Paulo as mãos, veio sobre eles o Espírito Santo; e falavam línguas, e profetizavam. E estes eram, ao todo, uns doze homens” (Atos 19:1-7).

Aqueles que receberam o batismo de João nem sequer ouviram falar que existia o Espírito Santo! Como não sabiam? Não dizem os Trinitarianos que as pessoas eram batizadas “em nome do Pai, do Filho e do Espirito Santo?

Se João Batista, ou qualquer discípulo após ele, batizassem em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo ao modelo litúrgico católico romano, com a frase batismal no melhor estilo romanista (“Eu vos batizo em nome do pai, do Filho e do Espirito Santo”), logicamente estes discípulos de João teriam ouvido falar de tão sagrado ato e jamais diriam: “Nós nem ainda ouvimos que haja Espírito Santo“.

Na verdade, ninguém na Igreja considerava esse tipo de “fórmula batismal” – palavras litúrgicas prescritas requeridas a serem ditas no batismo. Por outro lado a frase está com um terrível peso trinitáriano litúrgico. É um típico modelo católico romano.

João Batista e outros discípulos de Jesus fizeram constantes batismos. Porém, não há evidência alguma de que essa litúrgia baseada na frase (“em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”) era conhecida na Igreja.

João Batista dizia no batismo: “Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus”(João 3:2). Certamente João não usava a fórmula trinitariana no batismo; ele não podia fazer o batismo em nome de Jesus por que esse batismo é o que concede o Espírito Santo, que seria derramado de forma poderosa somente depois de sua ascenção ao céus – Jesus é quem batiza. Notem isso: Jesus é quem batiza com o Espírito Santo. Por esse motivo ele nunca batizou ninguém em água (João 3:22; 4:1,2).

Agora, pare e pense apenas no batismo de infantes supostamente praticado por João Batista; imagine vocês a possibilidade de se dizer para um bebê de um ano que ele estava sendo batizado “para que cresse naquele que após João Batista havia de vir?”

O Batismo na Igreja Primitiva

O batismo na Igreja Primitiva nunca foi feito em nome de uma trindade. Vejam os textos:

Atos 2:38 “Cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo“.

Atos 10:48 “E mandou que fossem batizados em nome do Senhor. Então rogaram-lhe que ficasse com eles por alguns dias“.

Atos 19:5 “E os que ouviram foram batizados em nome do Senhor Jesus“.

Romanos 6:3 “Ou não sabeis que todos quantos fomos batizados EM JESUS CRISTO fomos batizados na sua morte?”

Gálatas 3:27 “Porque todos quantos fostes batizados EM CRISTO já vos revestistes de Cristo“.

Perceba caro amigo leitor, se o batismo é figura do sepultamento na morte de Cristo como poderíamos envolver o Pai e o Espírito Santo – que não podem morrer – neste batismo?

Romanos:6:4 “Fomos, pois, sepultados com ele pelo batismo na morte, para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida

Colossenses:2:12 “tendo sido sepultados com ele no batismo, no qual também fostes ressuscitados pela fé no poder de Deus, que o ressuscitou dentre os mortos”.

Romanos:6:3 “Ou, porventura, ignorais que todos quantos fomos batizados em Cristo Jesus fomos batizados na sua morte?”

Não existe batismo em nome do Pai e do Espírito Santo, pois os batizados são batizados na morte de Jesus. Nem mesmo Jesus poderia ter sido batizado em seu próprio nome, pois o batismo é feito em (por causa de) sua morte. Ninguém podia ser batizado em Jesus antes de sua morte. Não havia batismo na trindade e muito menos havia trindade. O batismo trinitariano destrói todo o significado salvífico e redentor de Cristo.

Além desses registros, ainda temos a experiência de Paulo com relação ao seu próprio batismo. Foi dito a Ananias sobre Paulo: “Vai, porque este é para Mim um vaso escolhido, para levar o Meu nome perante os gentios, e os reis, e os filhos de Israel” (Atos 9:15). Após o seu chamado, ele foi batizado (Atos 9:18).

Em um de seus discursos, ao defender-se dos ataques de seus opositores, ele relata um detalhe muito importante sobre o seu batismo: “Um certo Ananias, varão piedoso conforme a lei, que tinha bom testemunho de todos os judeus que ali moravam, indo ter comigo, de pé ao meu lado, disse-me: … O Deus de nossos pais de antemão te designou para conhecer a Sua vontade, ver o Justo, e ouvir a voz da sua boca. Porque hás de ser Sua testemunha para com todos os homens do que tens visto e ouvido. Agora por que te demoras? Levanta-te, batiza-te e lava os teus pecados, invocando O SEU NOME” Atos 22:12-16.

Foi dito ao apóstolo Paulo que, ao ser batizado, fosse invocado o nome de Jesus. A razão disto é porque o batismo em nome de Jesus tem um significado único. O batismo por imersão aponta para a graça redentora. Representa a morte, o sepultamento e a ressurreição de Jesus (Romanos 6:3-6).

Em Romanos 6:3 Paulo afirma que “fomos batizados em Cristo Jesus”. Ele nunca afirmou que fomos batizados na trindade. A importância que Paulo deu a esse detalhe pode-se deduzir pelo que ele escreveu aos gálatas: “Porque todos quantos fostes batizados em Cristo Jesus vos revestistes de Cristo” (Gálatas 3:27).

A Escritura ensina que o batismo em nome de Jesus é um ato de arrependimento que leva ao perdão dos pecados (Atos 2:38). O batismo em Seu nome está associado à promessa do Espírito Santo (Atos 2:38, 19: 1-5). O batismo em nome de Jesus é comparado à nossa vontade pessoal de ser sacrifício vivo ou mesmo morrer com Cristo (Romanos 6: 1-4 e Colossenses 2:12). Ser batizado em Cristo é nos revestir de Cristo (Gálatas 3:27). O batismo em seu nome é chamado de “circuncisão de Cristo”, e reflete a redenção do velho homem, tornando-nos assim uma “nova criatura em Jesus” (Colossenses 2: 11-12, 2 Coríntios 5: 17). O batismo em nome de Jesus expressa fé na vida de Jesus, o sacrifício pelos nossos pecados e a remissão dos pecados através do Seu nome. O batismo trinitário só pode expressar fé na própria teologia católica. Assim, Mateus 28:18, no mais antigo códice, o original, só pode estar dessa forma: “Portanto, ide, fazei discípulos de todas as nações em meu nome“.

A Bíblia de Jerusalém foi uma tradução composta por católicos e protestantes. Vejam o que ela diz: “É possível que, em sua forma precisa, essa fórmula (Pai, Filho e Espírito Santo) reflita influência do uso litúrgico POSTERIORMENTE fixado na comunidade primitiva. Sabe-se que o livro dos Atos fala em batizar `no nome de Jesus`… MAIS TARDE deve ter-se estabelecido a associação do batizado às três pessoas da Trindade” “Comentário no rodapé da Bíblia de Jerusalém”.

E mais uma vez: O batismo é símbolo da morte e ressurreição de Jesus. A Igreja primitiva somente batizava em nome de Jesus. Mateus 28:19, em sua forma trinitariana É UMA ADULTERAÇÃO, pois a Escritura diz que “todos quantos fomos batizados em Jesus Cristo fomos batizados na sua morte“, Rom 6:3. Paulo não está dizendo que “todos quantos fomos batizados em nome do Pai, Filho e Espírito Santo fomos batizados na sua morte“. Isso não existe! Não é biblíco!

O verso cinco do mesmo capítulo diz que o batismo em Cristo mostra que se “fomos plantados juntamente com ele na semelhança da sua morte, também o seremos na da sua ressurreição“. Não existe batismo em nome do Pai, Filho e Espírito Santo, mas somente em nome do Filho. Apenas do Filho. E observe que nem mesmo no Velho Testamento as pessoas eram batizadas em nome de Deus, mas sim naquele que era um tipo de Cristo, Moisés: “E na nuvem e no mar, todos foram batizados em Moisés” (1 Cor 10:2).

A Igreja primitiva não batizava em nome do Pai, Filho e Espírito Santo. Essa foi uma fórmula inventada depois do segundo século quando começaram a circular cópias do Evangelho de Mateus com o acréscimo trinitariano. Mateus 28:19 com sua fórmula trinitariana é uma falsificação posterior absurda que não passa no teste bíblico.

Com isso tudo em mente, vamos ler outra vez a fala completa de Ratzinger como está no livro e veja que ele envolve de forma explicita Mateus 28 verso 19 no tempo em que nasceu o credo: “A forma básica do nosso símbolo apostólico cristalizou-se no correr do segundo e terceiro século, em conexão com o rito batismal. Trata-se originariamente de uma fórmula nascida na cidade de Roma. Contudo, seu lugar interno de origem é a liturgia, ou mais exatamente, o batismo. O rito batismal fundamentalmente orientava-se pelas palavras de Cristo: “Ide, fazei discípulos a todos os povos e batizai-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo” (Mt 28, 19). De acordo com esta ordem, o batizando ouvia três perguntas: “Crês em Deus, Pai todo-poderoso…? Crês em Jesus Cristo, Filho de Deus…? Crês no Espírito Santo…?” A cada uma das perguntas o batizando respondia: “Creio”, sendo, de cada vez, mergulhado na água. Portanto, a fórmula mais antiga do símbolo realiza-se em tríplice diálogo e está enquadrada no rito batismal”.

“DE ACORDO COM ESTA ORDEM”. Qual? A do batismo em nome do Pai, Filho e Espírito Santo. Isso denuncia que o tempo do texto de Mateus 28:19, como reclamado pelos trinitarianos, começou a aparecer na mesma época do credo, isto é, no terceiro século. Se o original de Mateus fosse mesmo composto de Pai, Filho e Espirito Santo, então por quê a distância exorbitante entre a formula trinitariana de Mateus e a fórmula trinitariana do credo? Elas são idênticas!

Podemos perceber claramente através das declarações do Ex Papa que o texto, no modelo trinitário, foi mesmo uma interpolação. Os registros de Ratzinger deixam algumas pistas confirmando a inautenticidade da frase “em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”.

A confissão tríplice do credo está associada ao batismo de Mateus nas palavras de Ratzinger: “a forma básica do nosso símbolo apostólico cristalizou-se no correr do segundo e terceiro século, em conexão com o batismo… seu lugar interno de origem é a liturgia, ou mais exatamente, o batismo…”.

O texto de Mateus 28:19 defendido por muitos, e por mim, como sendo o original de Mateus está sem a forma trinitária. Ele não serviria de forma alguma para o credo. O acréscimo tem que ter sido feito muito tempo depois. A data da criação do credo denuncia isso, pois o mesmo nasceu no terceiro século em Roma – tendo por base um texto totalmente adulterado de Mateus 28:19.

O Evangelho de Mateus em grego

Até hoje, quase que no geral é crido e ensinado que Mateus escreveu seu livro em grego. Nada se discute a esse respeito e nada se faz para abordar esse tópico para explorar até onde essa crença pode ser verdadeira. Diz-se que seu escrito apareceu pela metade do primeiro século, mas sempre se evita explicar o porquê de havendo sido escrito para os judeus ele utilizou uma língua estranha ao invés da língua dos judeus, o hebraico.

Irineu (185 EC.) Contra os hereges, livro III. Capítulo 1. 1 diz que: “Mateus publicou um livro escrito para os Hebreus em seu próprio dialeto”.

Eusébio (325 EC.) Historia Eclesiástica livro III. Capítulo 24. 6 diz: “Efetivamente, Mateus, primeiramente havia pregado aos judeus, quando estava a ponto de sair para pregar aos judeus em diáspora entre os gentios, entregou por escrito o seu Livro, em sua língua materna, suprindo assim por meio da escrita o que faltava para aqueles que estavam longe”.

Jerônimo (347-420 EC.). Em Vida de homens ilustres, Capitulo III diz: “Mateus que também é conhecido como Levi, emissário, ex-publicano, escreveu seu Livro em letras e palavras hebreias… Quem depois o traduziu para o grego é incerto. Mas, Mateus em hebreu, temos hoje na biblioteca de Cesárea, a qual Panfilo, o mártir, organizou. Eu também tive a oportunidade de copiar dos Nazarenos, que utilizam um volume em Boreia, uma cidade da Síria”.

Bastam estas provas para confirmar positivamente que o Livro de Mateus foi escrito originalmente em hebreu e não em grego como popularmente é sugerido. Observa-se que entre todas as fontes transcritas aqui, Jerônimo é bastante amplo e específico, detalhando suficientemente a existência desse valioso Evangelho em língua original. Ele menciona duas coisas interessantes que merecem muita atenção:

A – Diz que ele viu esse manuscrito (ou pelo menos uma cópia dele) na biblioteca de Cesáreia, que havia sido compilada por Panfilo. Ou seja, não somente comenta a sua existência, mas que a viu, dando com isso inteira confiabilidade de que suas palavras são certíssimas. Isso claramente significa que entre os séculos III e IV EC., esse documento em sua língua original existia e era ele que circulava, se não universalmente, mas nas mãos de muitos.

B – Acrescenta que não somente viu uma cópia desse manuscrito, mas também contatou a seita dos Nazarenos e fez cópia do volume que possuíam. Isso significa que ele menciona duas cópias, e se levarmos em conta que a seita dos Nazarenos não era um grupo solitário, mas sim um grupo de congregações, percebemos que cada congregação possuía, pelo menos, uma cópia no hebreu e não no grego.

Fica então estabelecido que mesmo no século IV EC o evangelho de Mateus, escrito na língua hebreia, continuava existindo, e que possivelmente Eusébio, sendo um historiador sério, e dispondo de uma cópia (a herdada de Panfilo), pode constatar que a fórmula batismal estava ausente, e com certeza deve ter sido essa a razão de que em todas as vezes que cita Mateus 28: 19, nunca a menciona. Certamente Eusébio tinha diante de si um autêntico manuscrito de Mateus quando escreveu essas palavras em seu livro III de sua famosa História eclesiástica, no Capítulo 5 e na Seção 2: “Mas o resto dos apóstolos… foram expulsos da terra da Judéia, foram a todas as nações para pregar o Evangelho, confiando no poder de Cristo, que lhes disse: “Ide e fazei discípulos de todas as nações em meu nome“.

Portanto, parece que a fórmula batismal trinitariana vem do livro de Mateus na versão grega, a qual o próprio Jerônimo se encarrega de dizer que não se sabe quem a escreveu. Ele atestou: “quem depois o traduziu para o grego é incerto”. O autor da versão grega do livro de Mateus é desconhecido, isso sem dúvida significa que o discípulo de Jesus, ao qual se atribui haver escrito seu registro em grego, não é o seu autor. Mateus não era de origem pagã, suas raízes judias desconheciam totalmente a existência, nas escrituras hebreias do Velho Pacto, a existência da trindade. Para a igreja apostólica o misterioso deus trino não existia como veio a existir por volta do IV-V século EC. Aliás, por que essa misteriosa fórmula batismal aparece somente em Mateus 28: 18? Se Jesus a ordenou, por que não a mencionaram Marcos, João e Lucas?

Que melhor e mais claro testemunho para mostrar a origem da inserção longa de Mateus 28: 19, que está relatada pelo papa Benedicto XVI? Ele declara que a fórmula tríplice do credo apostólico está associada como sequência daquilo que posteriormente veio a ser tido como um alongamento da declaração de Mateus. O Cardeal está dizendo que esse alongamento em Mateus 28: 19 foi realizado por volta do século III EC., quando o “ Credo Apostólico” foi elaborado. E por incrível que possa parecer, ele declara que a trindade apareceu no século III. Veja com seus próprios olhos: “… se a fé exprime a trindade de Deus na fórmula “uma natureza – três pessoas” desde o século III, uma tal disposição dos conceitos é, em primeiro lugar, mera “disciplinação terminológica” (Introdução ao Cristianismo, pág. 80).

Nas palavras de Ratzinger o batismo trinitário deu origem ao credo: “… seu lugar interno de origem é a liturgia, ou mais exatamente, o batismo”. No entanto, como vemos, o batismo em nome da trindade não é bíblico, e Mateus 28:19 em sua forma alongada, a forma trinitariana, não faz parte do texto original.

Em outro lugar Ratzinger diz:: “Nas considerações introdutórias tivemos ocasião de ver que o Credo se originou do tríplice interrogatório batismal sobre a fé no Pai, Filho e Espírito, que, por sua vez, se baseia na fórmula do batismo, testemunhada e transmitida em Mateus (28,19). Neste sentido, a forma mais antiga de nossa fé, com a sua tríplice divisão, apresenta até uma das mais decisivas raízes da imagem trinitária de Deus. Somente o alargamento paulatino do questionário batismal, até formar um texto desenvolvido do símbolo, encobriu um tanto a sua estrutura trinitária”, pág. 160.

O Cardeal disse que o credo apostólico constitui a forma concreta da fé cristã simplesmente porque ali são mencionados o Pai, o Filho e o Espírito Santo. É claro, que quando alguém diz, credo apostólico (é melhor explicar para aqueles que não estão familiarizados com a história desse assunto), de nenhuma maneira significa que tenha sido redigido pelos apóstolos. O credo apostólico é anônimo, já que não se sabe a data em que apareceu, geralmente se diz que provavelmente próximo do final do II século dC.

O cardeal Ratzinger, em seu escrito aqui considerado, declara que esse credo tem relação com o batismo, e apareceu entre os séculos II e III. Os pagãos do século II em diante foram compelidos pelos bispos a aceitar a Deus Pai, a Seu Filho e ao Espírito Santo como requisito prévio para serem batizados. Não se admira que vários padres da igreja (entre eles os bem conhecidos Atanásio e Orígenes), naqueles tempos, enviaram cartas a respeito do batismo do pagão. Sendo que os pagãos estavam acostumados com as diferentes trindades pagãs, aceitaram ser batizados em nome de uma trindade, Pai, Filho e Espírito Santo. Disso nasceu o credo apostólico em Roma e a adição a Mateus 28:19.

A grande maioria dos bispos daquele tempo não sabiam que rumo tomar, se favoreciam o ponto de vista de Ario ou o de Atanásio; devido a isso Constantino se viu na necessidade de intervir ordenando aos bispos comparecer em concílio para tratar do assunto. Foi no ano de 325 que foi redigido o credo Niceno, O qual diz: “Cremos em um só Deus Pai Todo Poderoso, Criador do céu e da terra, de tudo visível e invisível. Cremos em um só Senhor, Jesus Cristo o Messias, Filho unigênito de Deus, nascido do Pai antes de todos os séculos: Deus de Deus, Luz de Luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado, não criado, da mesma natureza do Pai, por quem tudo foi feito, que por nós e por nossa salvação desceu do céu, por obra do espírito santo nasceu de Maria, a virgem e se fez homem. Por nossa causa foi crucificado nos tempos de Pôncio Pilatos. Padeceu e foi sepultado. Ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras, subiu ao céu e está sentado à direita do Pai. De novo virá com glória para julgar os vivos e os mortos, e seu reino não terá fim. Cremos no espírito santo, Senhor e doador da vida, que procede do Pai e do Filho, que com o Pai e o Filho recebe uma mesma adoração e glória, e que falou pelos profetas. Cremos na igreja, que é una, santa, católica e apostólica. Reconhecemos um só batismo para o perdão dos pecados. Esperamos a ressurreição dos mortos e vida no mundo futuro. Amém”.

Foi o credo Apostólico que abriu as portas para a formulação da trindade. Ele foi utilizado para colocar nos lábios do Messias palavras que ele nunca pronunciou. Por isso é impossível estabelecer o credo com sua tríplice confissão desconectado de Mateus 28:19 na sua composição trinitária. Das palavras, Pai, Filho e Espírito Santo nasceu o credo acompanhado da liturgia batismal. O problema, insisto, é que o credo apareceu no terceiro século. Seria muito tempo para criar um dogma tão importante para a ala trinitariana com o texto de Mateus 28:19 trinitário supostamente disponível desde o anos 60 dC.

Uma palavra final

O antitrinitariano não crê no que foi estabelecido em 325 no Concílio de Nicéia, principalmente na descrição que fizeram do Senhor Jesus colocando-o como a segunda pessoa, o Deus Filho, preexistente e em igualdade com o Pai em essência, sempre eterno, o que é altamente perigoso, pois destrói sua missão como nosso substituto, mascarando seu sacrifício por nossos pecados, sem contar nas trapalhadas geradas contra o nascimento virginal. No entanto, o antitrinitariano, obviamente crê no Deus de Abraão, Isaque e Jacó, e em seu Filho, o Cristo, e no Consolador, que é o Espírito Santo

Se Jesus é preexistente então nunca foi humano enquanto viveu aqui, e isso é um desastre para seu sacrifício como nosso substituto. E por incrível que possa parecer, milhares de cristãos acreditam que Jesus tinha poder por que ele participou de uma existência anterior com o Pai; que havia entre os dois um contrato secreto preparado de antemão, o qual delegava a Jesus um poder celestial oculto, somente conhecido entre os dois, Pai e Filho, sendo que a partir dele, seu pai, Jesus herdou tendências espirituais espaciais latentes que o fortaleceram para conquistar a carne e manifestar qualidades divinas superiores aos humanos. Assim, para muitos, Jesus passou a ser outro Deus, alguém gerado de forma diferente dos humanos mesmo que tenha sido concebido por mulher.

E novamente: os antitrinitários creem no Deus de Abraão, Isaque e Jacó, Criador dos céus e da terra, creem em seu filho Jesus Cristo, nascido de uma virgem, que padeceu e morreu, ressuscitando três dias depois, mas que jamais existiu antes do seu nascimento em Belém da Judeia. Isso é uma aberração. Não é possível a ser humano algum, nascido de mulher (Gal 4:4), ter existido antes do seu nascimento. Entenda: “Jesus é fruto do ventre de uma mulher e não da eternidade”. O tempo e o local da origem do Filho de Deus são feitas de forma transparente. Lucas também diz que o Filho de Deus veio à existência no ventre de sua mãe (Lucas 1:32, 35). Não é de admirar, pois se retornamos até Gênesis lembramos que Jesus foi prometido como a semente da mulher: “E porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua semente e a sua semente; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar”, Gên 3:15. Ele foi aquele que veio a existir após a existência do seu ancestral. Além disso, a inimizade não existia entre o Messias e a semente da serpente, mas era para ser uma hostilidade futura.

No evangelho de Mateus, a genealogia de Jesus volta até Davi chegando a Abraão. O registro genealógico dado por Lucas leva as coisas ainda mais para trás, até Adão. Veja Lucas 3:38:

“… E Cainã de Enos, e Enos de Sete, e Sete de Adão, e Adão de Deus”. Isso é Genealogia! Jesus é citado bem antes. Ele não está invisível entre cada nome; é uma pessoa depois da outra até chegar a Deus. Seres preexistentes não podem possuir genealogia. Jesus era humano e hoje é um homem glorificado. Ele é as primícias dos que dormem, foi o primeiro a ressuscitar. Só se fala assim de seres humanos. E mais: Deus é o pai, não o filho. Para ser filho de Deus tem que ser alguém que não seja ele mesmo. Jesus muitas vezes chamou o pai de Meu Deus, mas Deus jamais chamou o filho de Meu Deus.

Os antitrinitarianos também creem no Espírito Santo, mas não como um terceiro Deus. Observem que o Espírito Santo, o terceiro Deus, ou terceira PESSOA da trindade, segundo os trinitarianos, foi excluído das palavras de Cristo quando ele afirma que só o Pai é o Deus verdadeiro em João 17:5: “E a vida eterna é esta: que te conheçam, a ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste”.

É doloroso ver alguns trinitarianos dizerem que Jesus se exclui como Deus desse contexto porque estava encarnado. E o Espírito Santo, o terceiro Deus – Por que Jesus não disse então que só existia dois Deus verdadeiros, O Pai e o Espírito Santo se o Espírito não estava encarnado?

Vejam o que diz o cardeal Ratzinger em sua obra “Introdução ao Cristianismo” sobre o homem Jesus divino: “… O conceito de homem divino ou seja de homem-Deus (theios aner) não se encontra em parte alguma no Novo Testamento… Nem a Bíblia conhece o homem divino, nem a Antiguidade, na esfera do homem divino, conhece a idéia de filiação divina”. Citando outro escritor, ele conclui: “… o conceito de “homem divino” dificilmente encontra cobertura na era pré-cristã, tendo surgido apenas mais tarde”, págs 98,99.

E não importa se Ratzinger parece dizer algo divergente em outras páginas, pois o que é revelado muitas vezes por escritores como ele é muito curioso: eles deixam escapar a verdade. Ele faz parte da grande liderança da Igreja Católica que conhece a verdade, deixando, às vezes, escapar textos nos revelando que eles sabem mais do que se possa imaginar – eles omitem as verdades do fiel católico. Está aí um bom exemplo do que digo: ele fala da divindade de Jesus em algumas páginas declarando ser ele a terceira pessoa da trindade, mas aqui ele chuta o pau da barraca!

A “Salvação vem dos judeus” (João 4:22), não vem dos gregos e muito menos dos romanos. A trindade veio de Roma, não de Jerusalém. Os Judeus jamais acreditaram em três deuses. Até hoje não acreditam em trindade alguma. Nenhum judeu, de Abraão até o último apóstolo teve o Messias prometido como Deus. Jamais acreditaram em um Messias preexistente.

Mas, vigiemos, pois é bem provável que os trinitarianos tentem falsificar o registro que temos de Êxodo para ficar a cara do trinitarianismo. Veja como ficaria o mandamento na língua trinitariana:

Êxodo 20: 3 “Não terás outros Deuses diante de nós

A Deus toda Glória

Um Judeu debaixo da Lei

O pacto da circuncisão era um complemento da lei de Moisés, e todos os homens judeus eram obrigados a ser circuncidados no oitavo dia. O parto contaminava a mãe judia, e certos rituais de purificação eram necessários para a limpeza. Divinos não estão sujeitos à circuncisão e nem aos rituais de purificação, mas Jesus e Maria estavam:

“Fala aos filhos de Israel, dizendo: Se uma mulher conceber e der à luz um menino, será imunda sete dias, assim como nos dias da separação da sua enfermidade, será imunda. E no dia oitavo se circuncidará ao menino a carne do seu prepúcio. Depois ficará ela trinta e três dias no sangue da sua purificação; nenhuma coisa santa tocará e não entrará no santuário até que se cumpram os dias da sua purificação. Mas, se der à luz uma menina será imunda duas semanas, como na sua separação; depois ficará sessenta e seis dias no sangue da sua purificação. E, quando forem cumpridos os dias da sua purificação por filho ou por filha, trará um cordeiro de um ano por holocausto, e um pombinho ou uma rola para expiação do pecado, diante da porta da tenda da congregação, ao sacerdote“, (Levítico 12:2-6).

Observem como Maria e Jesus são vistos no contexto da purificação e da circuncisão,

 “Completando-se os oito dias para a circuncisão do menino, foi-lhe posto o nome de Jesus, o qual lhe tinha sido dado pelo anjo antes de ele nascer. Completando-se o tempo da purificação deles, de acordo com a Lei de Moisés, José e Maria o levaram a Jerusalém para apresentá-lo ao Senhor”, (Lucas 2:21-22).

O texto apresenta um detalhe assombroso para os que defendem que Maria  e Jesus eram duas divindades:

 “… Completando-se o tempo da purificação deles…”.

Observe você que no ato da circuncisão houve um reconhecimento da existência de impurezas e a necessidade de sangue para removê-la. Se acreditamos no testemunho da Bíblia, vamos reconhecer um Jesus que nasceu após o curso normal do desenvolvimento do homem desde a concepção até o nascimento. Portanto, meu caro amigo leitor, a Bíblia ensina claramente que há um só Deus, que é Pai e Senhor supremo de todas as coisas, e que o Seu Filho que aqui veio, foi gerado como são todos os seres humanos, ou seja, Deus o trouxe adiante no processo do nascimento através de uma mulher mortal e não divina. Basta dizer que Gênesis 3:15 afirma que Jesus é semente de uma mulher. Uma mulher nascida em pecado.

Graças a ele é que hoje nós somos salvos da condenação, pois a condenação passou a todos os homens, como resultado da desobediência edênica. Todos os descendentes de Adão vieram sob esta sentença de morte apenas por ter nascido, e Jesus não era exceção (Rom 5:12, 18; Hebreus 2:14, 16-18).

 “Portanto, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens por isso que todos pecaram. Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação de vida”, Romanos 5:12 e 18

Necessário comentar algo aqui referente ao detalhe que diz “o pecado passou a todos os homens, por isso todos pecaram”. O texto quer dizer que a mancha do pecado original foi transmitida a todos, também a Maria e a Jesus. No entanto, a Bíblia AVISA que Jesus NÃO COMETEU PECADO NENHUM. Não haveria necessidade da ênfase se ele fosse mesmo DEUS e divino. Outro detalhe espantoso está nas palavras: “a morte passou a todos os homens”. Por isso Jesus morreu, ele era um homem e não um ser divino,

 “E, visto como os filhos participam da carne e do sangue, também ele participou das mesmas coisas, para que pela morte aniquilasse o que tinha o império da morte, isto é, o diabo; Porque, na verdade, ele não tomou os anjos, mas tomou a descendência de Abraão. Por isso convinha que em tudo fosse semelhante aos irmãos, para ser misericordioso e fiel sumo sacerdote naquilo que é de Deus, para expiar os pecados do povo. Porque naquilo que ele mesmo, sendo tentado, padeceu, pode socorrer aos que são tentados”, Hebreus 2:14-18

 “… Por isso convinha que em tudo fosse semelhante aos irmãos”. Isso significa que EM TUDO ele foi semelhante aos homens e nem um pouco semelhante aos deuses!

Por isso que Pedro diz que nós não fomos gerados pela semente corruptível, que é a dos homens, que está no sangue daqueles que são gerados de mulher, mas sim fomos gerados do Jesus ressurreto, a semente incorruptível,

1Pe 1:23 Sendo de novo gerados, não de semente corruptível, mas da incorruptível, pela palavra de Deus, viva, e que permanece para sempre.

Gerados de novo!

Por isso a Bíblia diz que Jesus veio a esse mundo no corpo do pecado, o natural,

1Co 15:46 “Mas não é primeiro o espiritual, senão o natural; depois o espiritual”.

Por isso também o versículo seguinte diz que o homem nascido de mulher é da terra, mas o ressuscitado é do céu,

O primeiro homem, da terra, é terreno; o segundo homem, o Senhor, é do céu.          Qual o terreno, tais são também os terrestres; e, qual o celestial, tais também os celestiais”, vv 47,48

A sequência seguinte revela que os homens da terra são criados em corrupção,

49 E, assim como trouxemos a imagem do terreno, assim traremos também a imagem do celestial.

50 E agora digo isto, irmãos: que a carne e o sangue não podem herdar o reino de Deus, nem a corrupção herdar a incorrupção.

Ele ficou divino depois,

1Co 15:44 – Semeia-se corpo natural, ressuscitará corpo espiritual. Se há corpo natural, há também corpo espiritual.

O novo homem foi criado em Deus, e não por Maria,

Efe 2:15 – Na sua carne desfez a inimizade, isto é, a lei dos mandamentos, que consistia em ordenanças, para criar em si mesmo dos dois um novo homem, fazendo a paz

Efe 4:24 – E vos revistais do novo homem, que segundo Deus é criado em verdadeira justiça e santidade.

Jesus de Nazaré não era uma divindade, mas sim totalmente humano!

TUDO foi criado por Ele

criacao

O Apóstolo Paulo atesta sobre o Senhor Jesus: “O qual é imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação; Porque nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra”, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades. Tudo foi criado por ele e para ele. E ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele”, Col 1:15-17

Tradução da NVI: “O qual é a imagem do Deus invisível, o primogênito sobre toda criatura, pois nele foram criadas todas as coisas nos céus e na terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos ou soberanias, poderes ou autoridades; todas as coisas foram criadas por ele e para ele. Ele é antes de todas as coisas, e nele tudo subsiste”.

A passagem parece dizer que Jesus é o primogênito de toda criatura humana, como também diz que ele criou os céus e a terra e tudo quanto neles há, sendo, portanto, pré-existente, o que é reforçado pela sentença: “Ele é antes de todas as coisas”.

É bastante comum para a ortodoxia cristã convencional ler Colossenses 1:16 como referência ao ato da criação do Gênesis. Acredita-se que aqui nesse contexto Paulo está discursando sobre Jesus presente na criação, que Jesus foi o meio pelo qual Deus criou todas as coisas. Mas, será que o Apóstolo dos gentios está discursando sobre a preexistência de Jesus e o apresentando como o criador de todo o universo?

Porque nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra… Tudo foi criado por ele e para ele”.

A maioria cristã aprendeu com essa passagem que o uso desta palavra indica que Deus, o Pai, estava com o Filho como parceiros iguais na criação.

Este é um exemplo clássico de como é importante considerar todo o contexto quando estudamos a Bíblia sobre qualquer assunto importante. Além disso, o maior erro das pessoas que lêem versículos isolados é não considerar quem está falando, e quais são as circunstâncias. Aqui, Paulo escreve aos santos na igreja dos colossenses lembrando-lhes quão abençoados eles são de estar em Cristo Jesus e “participar da herança dos santos na luz.” (versículo 12)

Para entender o que ele quis dizer quando escreveu de Cristo como o primogênito de toda a criação, e que nEle foram criadas todas as coisas, é preciso ler todo o texto circundante. Em particular, devemos olhar para os versículos 17 e 18 neste primeiro capítulo.

E ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele. E ele é a cabeça do corpo da igreja; é o princípio e o primogênito dentre os mortos, para que em tudo tenha a preeminência.“

Perceberam alguma mudança? Observe que o texto acrescenta que ele é o princípio e o primogênito dentre os mortos. Além do mais, como mostro mais adiante, a palavra sobre Jesus, atestando que ele é antes de todas as coisas, significa que ele é superior a todas as coisas, que ele tem autoridade e primazia, e não que ele é “antes de todas as coisas” criadas no Gênesis. O contexto aqui não trata da criação original dos céus e da terra.

Parafraseando o texto: “Ele é superior a todas as coisas… ele é o cabeça… para que em tudo tenha a preeminência“.

As próprias palavras dos versículos 17 e 18 expostas mais acima falam por si só, elas são auto-explicativas e são consistentes com outros versos, como a profecia do Salmo 89:27. Este fala sobre um evento que ainda era futuro quando os Salmos foram registrados, “Também por isso lhe darei o lugar de primogênito; fá-lo-ei mais elevado do que os reis da terra“.

Os fatos bíblicos nos mostram que Paulo não está se referindo ao ato da criação do Gênesis em Colossenses 1:16. Ele está falando sobre a nova criação, a criação da estrutura de autoridade no reino de Cristo, a nova criação que é a reconciliação do velho. Paulo tinha em mente o que pode ser chamado de “nova criação” que teve início com a vitória de Cristo. Paulo passa a definir esta criação como compreendendo todas as coisas “no céu e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias, poderes ou autoridades; todas as coisas foram criadas por ele e para ele“. Assim, Jesus é o primogênito e as primícias de uma nova criação – chamado de um “novo e vivo caminho” em Hebreus 10:20. Tudo foi feito por ele e por meio dele, e sem ele nada do que foi feito se fez (Comparar com João 1:3).

Quando vemos a palavra “criar” ou “criação” não podemos simplesmente assumir que se refere ao relato da criação de Gênesis. Deus está criando de novo através de, e em Cristo. Em Efésios 2:10, Paulo diz que somos criação de Deus realizada em Cristo Jesus. Nós morremos para a velha criação e nascemos de novo para a nova criação de Deus. Em 2 Coríntios 5:16-19, aprendemos que Deus estava em Cristo reconciliando o mundo consigo mesmo e se estamos em Cristo ressuscitado fomos reconciliados com Deus e participamos de uma nova criação.

“Pois o amor de Cristo nos constrange, porque julgamos assim: se um morreu por todos, logo todos morreram; e ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou. Por isso daqui por diante a ninguém conhecemos segundo a carne; e, ainda que tenhamos conhecido Cristo segundo a carne, contudo agora já não o conhecemos desse modo. Pelo que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo. Mas todas as coisas provêm de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por Cristo, e nos confiou o ministério da reconciliação; pois que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões; e nos encarregou da palavra da reconciliação. 2 Cor 5:14-19. Se alguém está em Cristo pelo batismo, ele é uma nova criação. Observe o verso chave: “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo”, v 17.

Coisas velhas incluem o pecado de Adão e a velha criação. Tudo se fez novo. Acabou. Isso é que significa ESTÁ CONSUMADO! Somos perdoados em Cristo e na sua morte fomos batizados como novas criaturas. Ou seja, batizados quando Cristo é sepultado, e quando Cristo se levantou na ressurreição, significa que ressuscitamos com ele. Isso é o que significa ter Cristo morrido por nós, como também significa nascer de novo. Compare com Romanos 6:4, que diz, “Fomos, pois, sepultados com ele pelo batismo na morte, para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida“.

Assim uma pessoa “em Cristo” é descrito como uma “nova criatura”, ou “nova criação” (Gl 6:15), e que as “coisas” que em Cristo é dito terem sido criadas e estão “nele”, são, obviamente, esta “nova criação” citada pelo apóstolo Paulo. Cristo é o começo desta nova criação de Deus (Ap 3:14), abrindo o caminho para que seus seguidores possam atingir o mesmo objetivo (Filipenses 3:21, 1 João 3:1-2).

Estas novas criaturas não podem viver conforme a velha criação. O planeta literal não pode ser creditado por estar em Cristo. A criação anterior permanece existindo paralela à missão completa de Jesus, estando ainda subjugada ao príncipe deste mundo. Portanto, a nova criatura participa da nova criação apresentada por Paulo em Colossenses, o qual insiste: “nEle foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra”, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades. Tudo foi criado por ele e para ele”.

No verso 18, Paulo fala de Jesus como “o primogênito dentre os mortos”, o que é uma referência a ser ele o “primogênito de toda a criação”. Ou seja, o primogênito da nova criação de Deus. Primogênito por que foi o primeiro a ressuscitar e não morrer mais, o que também nos deu o direito de participarmos da ressurreição sendo novas criaturas de uma nova criação. Devemos aceitar isso pela fé, pois o Apóstolo afirma categoricamente que nós fomos ressuscitados por Deus juntamente com Jesus e estamos assentados nas regiões celestiais ( Efésios 2:6), o que tornar-se-a realidade plena no Seu reino vindouro.

Jesus tornou-se “o Filho de Deus com poder” por sua ressurreição dentre os mortos: “… com poder foi declarado Filho de Deus segundo o espírito de santidade, pela ressurreição dentre os mortos, Jesus Cristo nosso Senhor” (Romanos 1:4).

Deus “ressuscitou Jesus, como também está escrito no salmo segundo: Tu és meu Filho, hoje te gerei” (Atos 13:32,33). Isso tudo significa que pela sua ressurreição, Jesus tornou-se o primogênito de uma nova criação. Sua ressurreição foi o selo de aprovação do Pai, no Filho (Rm 1, 1-4). Isto constituiu o Primogênito.

Paulo escreveu: “Ele é … o primogênito dentre os mortos, para que em todas as coisas ele tenha a preeminência” (Cl 1:18). Ele é o “primogênito entre muitos irmãos” (Rm 8:29), o que deve ser associado ao contexto de Jesus como ”o primogênito de toda criatura”, ou a NOVA criação, que é o sentido em Apocalipse quando fala do “primogênito dentre os mortos … o princípio da [nova] criação de Deus” (Ap 1:5; 3:14).

Jesus foi o primeiro a ser ressuscitado para a imortalidade (Lázaro e outros ressuscitados nas Escrituras morreram posteriormente). Uma vez que Jesus é o primeiro homem a ser ressuscitado para a imortalidade, fez dele o “primogênito dentre os mortos”, o primeiro e o último descrito em Apocalipse 2:18, chamado por Paulo o novo homem,

Na sua carne desfez a inimizade, isto é, a lei dos mandamentos, que consistia em ordenanças, para criar em si mesmo dos dois um novo homem, fazendo a paz (Ef 2:15).

E vos renoveis no espírito da vossa mente; E vos revistais do novo homem, que segundo Deus é criado em verdadeira justiça e santidade (Ef 4:23,24).

O novo homem, a nova criatura, não mais se ajusta ao mundo presente, mas para ele também foi antecipado viver sob uma nova criação – esta é a mesma ideia que vemos aqui em Colossenses. Jesus foi a primeira pessoa a ressuscitar dentre os mortos e ter a imortalidade, sendo o primeiro da nova criação, e os verdadeiros crentes seguirão o padrão em seu retorno.

Cristo é a “cabeça do corpo, da igreja”. Consequentemente também pode ser dito que ele é o criador deste novo e vivo caminho. Foi a sua vida de obediência à vontade do Pai e do seu sacrifício fiel que lançou a pedra fundamental do seu templo espiritual, o corpo de crentes. Ele também é considerado o “autor e consumador da nossa fé” em Hebreus 1:2. Todos estes termos de louvor e exaltação são apropriados para Jesus Cristo, nosso Senhor e Mestre na nova criação. Jesus é o autor, o Senhor, o criador desta nova ordem de coisas, como diz Paulo em Colossenses 1:16: “Porque nele foram criadas todas as coisas que estão no céu, e que estão na terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades: tudo foi criado por ele e para ele”.

Certamente Paulo não está aqui nos dando uma aula de teologia sistemática relacionado à criação original dos céus e da terra. Observe que o contexto não revela que Cristo criou todas as coisas. Um exame atento da passagem irá revelar algo estranho e curioso, pois afirma que ele criou todas as coisas “no céu”. Isso incluiria o próprio Deus, para não falar dos anjos!

Isso está, obviamente, fora de ordem. Certamente, a criação falada neste contexto de Colossenses, refere-se à nova criação através do trabalho de Jesus, quando foram criadas todas as coisas: tronos, domínios, salvação, perdão, reconciliação, novo homem e tudo que diz respeito a antecipação do reino de Deus na terra. Paulo não diz que Jesus criou todas as coisas e, em seguida, nos mostra exemplos de rios, montanhas, pássaros, etc. O sentido em dizer que “nEle foram criadas todas as coisas nos céus e na terra” diz respeito ao seu domínio nas eras que se seguiram a sua ressurreição e ascensão e a sua vitória sobre a desordem causada pela queda do homem. Assim, podemos também ler em Efésios 2:6, como a ordem das coisas mudaram no céu, pois aqui é dito que os crentes estão em Cristo como assentados em “lugares celestiais”.

O contexto de Colossenses não diz que Jesus é o primogênito da velha criação, pois se ele adentrou a este mundo em semelhança da carne do pecado (Rom 8:3) crucificando com ele nosso velho homem, levando-o a sepultura (Rom 6:6-8), vantagem alguma haveria neste louvor Paulino de Colossenses capítulo um. O Novo homem não nasceu da antiga criação. Toda criação humana está ainda torta, sujeita à vaidade, na servidão da corrupção, gemendo e labutando na dor como resultado do pecado de Adão (Romanos 8:19-22). A velha criação humana está agora sob a servidão da corrupção, e não pode libertar-se (Romanos 5:12; 1 Pedro 4:1-4)

Colossenses ensina que houve uma mudança enorme feita na posição espiritual de muitas criaturas, as quais agora podem experimentar os efeitos da missão do nosso Salvador, que é aquilo que apenas se transforma em realidade para àqueles que crêem em Cristo e estão nEle. O mundo não pode experimentar essa realidade presente: “Porque Ele nos libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do seu Filho amado” (Cl 1:13).

É importante lembrar aqui que foi o próprio Cristo quem descreveu a criação original como sendo trabalho de Deus, e não dele: “Porque naqueles dias haverá uma aflição tal, qual nunca houve desde o princípio da criação, que Deus criou, até agora, nem jamais haverá” (Marcos 13:19). Compare com Hebreus 4:4, onde Deus, não Jesus, descansou da obra da criação: “Porque em certo lugar disse assim do dia sétimo: E repousou Deus de todas as suas obras no sétimo dia”.

Parece que muitos não consideram Isaías quando testifica que Deus criou tudo sozinho.

A João Ferreira de Almeida Revista Atualizada, diz: “Assim diz o SENHOR, que te redime, o mesmo que te formou desde o ventre materno: Eu sou o SENHOR, que faço todas as coisas, que sozinho estendi os céus e sozinho espraiei a terra” (Isaías 44:24).

João Ferreira de Almeida Atualizada: “Assim diz o Senhor, teu Redentor, e que te formou desde o ventre: Eu sou o Senhor que faço todas as coisas, que sozinho estendi os céus, e espraiei a terra, quem estava comigo?”

A NTLH piora bastante a situação dos Trinitarianos: “O SENHOR, o Salvador de Israel, diz: “Meu povo, eu sou o seu Criador; antes que você tivesse nascido, eu já o havia criado. Sozinho, eu criei todas as coisas; estendi os céus e firmei a terra sem a ajuda de ninguém”.

Paulo, na verdade, parece dar uma descrição exata do que ele quer dizer com “todas as coisas” criadas – “tronos, poderes, governantes, autoridades”. Isto é, Cristo está sendo chamado de criador porque está nos dando uma antevisão do seu reino na terra. Em outras palavras, “todas as coisas” – neste caso, “tronos, dominações, principados e potestades” – foram criados em Jesus, através” dele e “para” ele. Paulo não está dizendo aqui que Jesus foi o criador no versículo de abertura de Gênesis , mas que ele era o centro da hierarquia cósmica de Deus. Todas as autoridades deveriam ser submetidas ao Filho, que iria finalmente entregar tudo de volta para o Pai, o Senhor a quem devia fidelidade, para que “Deus possa ser tudo em todos” (1 Cor. 15:28). E é exatamente isso que nos esclarece o contexto da passagem em discussão. Observe: “… havendo por ele feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, tanto as que estão na terra, como as que estão nos céus” (Colossenses 1:20).

Paulo diz que quando Cristo foi ressuscitado dentre os mortos, e foi colocado à mão direita de Deus nos “lugares celestiais”, sua nova posição o levou a um estado “muito acima de todo governo e autoridade, poder e domínio, e de todo nome que pode ser dado , não só no presente século, mas também no vindouro” (Efésios 1:21). Não só isso, mas “Deus colocou todas as coisas debaixo de seus pés” (v. 22). Colossenses 1:17 ecoa, ao dizer que “nele tudo subsiste”; Colossenses 2:10 descreve-o como “a cabeça de todo poder e autoridade“.

Deus recompensou a “obediência até a morte” de Jesus e muito o exaltou dando-lhe o nome que está acima de todo nome, o que Paulo confirma: “Ao nome de Jesus todo joelho deve se curvar, no céu, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para glória de Deus Pai” (Filipenses 2:8-11) .

Estas atribuições de autoridade suprema a Cristo, sob Deus, sugerem que, quando Cristo veio para ser assentado à destra de Deus, ele – por sua vez – criou um novo sistema de regências entre os seres angelicais, bem como preparou um lugar de honra diante do Pai para todos os seus fiéis, tanto no presente como na idade vindoura (João 14:2,3). Tudo isso é, então, parte da “nova criação.” É esta a nova criação o tema de Colossenses 1:15-17.

O impacto da ressurreição de Jesus foi tão grande que, mesmo agora, um seguidor do Senhor é elevado a uma posição de privilégio em relação a Deus e Seu Filho, descrito como “os céus em Cristo” (Ef 1: 3). Esses “céus” foram trazidos à existência por meio de Cristo, e eles são os precursores dos políticos “céus” para se manifestar na idade para vir quando ele governará na terra. Neles são encontrados graduações de autoridade, descrito como tronos, dominações e assim por diante, alguns dos quais são visíveis e alguns dos quais ainda estão para se manifestar, e, portanto, ainda são invisíveis. A ordem das novas coisas, incluindo céus e terra, mundo por vir, ressurreição dos santos, redenção e etc, foram criadas por ele e para ele, sendo que tudo será revelado após a volta do Senhor Jesus.

Para resumir, Colossenses 1:16 não ensina a criação literal dos céus e da terra por Jesus, porque:

  1. Entra em conflito com o testemunho do Antigo Testamento, que ensina que foi Deus que criou.
  2. Os céus, e tudo criado por ele, em questão aqui em Colossensses, só podem ser entendidos quando aplicados para as coisas espirituais.
  3. Outras expressões do Apóstolo alinham os “céus” para posições de privilégio em Cristo.

Antes de Todas as Coisas

O versículo 17 diz que Cristo é “antes de tudo” – pró panton, no grego. Esta frase foi tomada como prova de sua preexistência pessoal. Mas é preciso ter cuidado, pois o verbo aqui está no tempo presente – “é”, e não “era”. Paulo não nos diz que Cristo “foi” antes de todas as coisas, como evidência de preexistência. Portanto, esse “antes” deve ter outro significado.

A palavra grega usada – pro – tem três usos comuns: antes, no sentido de lugar – na frente; antes, no sentido de tempo = “antes”, e antes, no sentido de preeminência, rank , ou vantagem . O último uso é visto em 1 Pedro 4:8 – pró panton, “antes de todas as coisas“, ou seja, “acima de todas as coisas” = “mais importante de todas“. Aqui em Colossenses, pro, não tem nada a ver com tempo ou lugar, mas sublinha como o amor cristão é preeminente acima de todas as outras virtudes. Tiago 5:12 é um outro exemplo do mesmo uso da frase pro panton .

Dizer, portanto, que Cristo é pró panton é dizer que a ele é dado o primeiro lugar no universo todo de Deus. Isto lembra o episódio em que Faraó exalta José para o “primeiro lugar” no Egito. Ele lhe disse: “Você deve estar no comando do meu palácio, e todo o meu povo se sujeitará às suas ordens. Somente em relação ao trono eu serei maior do que você. . . Tenho a honra de colocar você no comando de toda a terra do Egito. . . Eu sou o faraó, mas sem a sua palavra ninguém levantará a mão ou o pé em todo o Egito” (Gn 41:40, 41, 44). Este é o tipo de preeminência e regência que Deus concedeu ao seu filho – para ser mais do que todos os outros seres – tipificado apenas vagamente pela história da própria exaltação de José!

E não esqueçamos da liderança de Cristo sobre a igreja, que é um tema frequente nos escritos de Paulo. O versículo 18 declara sua chefia, e passa a chamá-lo de arche, “princípio”. Esta palavra também significa “governante, autoridade”. Ele dá mais ênfase ao tema de Paulo da preeminência de Cristo e a autoridade suprema em Deus, sendo que a autoridade conferida agora faz com que todas as coisas começem e terminem em Cristo.

Como o início da nova criação, ele é o “primogênito dentre os mortos“, o primeiro ser humano a subir imortal da sepultura e tornar-se assim um “participante da natureza divina” (2 Pedro 1:4). Como Senhor e também sendo “o primeiro a ser ressurreto” dentre os mortos, porque ele, por sua vez é o Doador da vida, o Príncipe da Vida – sua voz irá despertar os mortos de seus túmulos (João 5:21-29; Atos 3:15 ). E é pela ressurreição dos mortos que ele alcança sua posição suprema (v. 18: “para que”). Isto significa que ele não tinha essa posição antes.

Como sempre, o contexto (inimigo público dos trinitarianos) é um fator importante na interpretação. O foco de Paulo nesta passagem é sobre a “herança” (futuro) “reino”, e “autoridades” (Cl 1:12, 13, 16). Isto sugere fortemente que ele tem em mente a nova criação em Cristo que é o rei messiânico da nova ordem de Deus.

A Deus toda Glória

“Eu sou de cima”

“Eu sou de cima” (João 8:23).

Esta afirmação é muitas vezes usada para ensinar que Jesus estava no céu antes de vir para a terra. O contexto do verso, no entanto, mostra que essa interpretação é incorreta. Jesus declarou aos judeus: “Vós sois de baixo: eu sou de cima“, então, na explicação, ele continuou: “. Vós sois deste mundo, eu não sou deste mundo” Cristo era “de cima” e “não é deste mundo”, porque Deus era seu Pai, e ele se manifestou em sabedoria e características que eram celestiais, isto é, vindas de Deus.

Se Jesus realmente quer dizer que  em sua encarnação Ele literalmente desceu “de cima” porque preexistia no céu, então, para que tratemos desta  antítese de forma consistente, que em sendo esses judeus incrédulos, “de baixo“, deve significar que eles literalmente preexistiam no inferno (localizado “abaixo”, dentro da terra), o que é um absurdo.

Nas palavras, “Vós sois de baixo, eu sou de cima; vós sois deste mundo, eu não sou deste mundo”, Jesus está querendo dizer o seguinte aos judeus: “Vocês pertencem ao que está embaixo, eu pertenço ao que está acima”. Assim, Jesus está afirmando que seus adversários estão abaixo em um sentido espiritual, ou seja, seus valores refletem  que eles são do mundo e, portanto, sem Deus na sua vida. Em contraste, Jesus é espiritualmente “de cima” no sentido de que seus valores têm origem em Deus e, portanto, vem do céu.  Jesus não ser deste mundo, significa que Ele não pertence a este mundo, porque Ele não vive de acordo com os seus padrões. Assim, Jesus não se refere aqui que Ele literalmente veio do céu no momento de uma encarnação, mas que, eticamente, ele é das coisas do céu.

É o mesmo com os onze apóstolos. Jesus orou ao Pai sobre eles, dizendo: “Como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo” (Jo 17,18; cf 1,6). Se Deus enviar Jesus ao mundo significa que  Jesus literalmente vivia antes disso no céu, confirmando assim a clássica encarnação, então, para ser consistente, o envio por  Jesus de Seus discípulos ao mundo, deve implicar a  preexistência e encarnação dos mesmos. Ora,  se Jesus “não é deste mundo“, e como um ser preexistia no céu, então, para que sejamos justos e coerentes, devemos entender que na oração pelos discípulos, “Eles não são do mundo, assim como eu não sou do mundo” (Jo 17,16), que eles também são seres pré-existentes que encarnaram. Esse não é o sentido em que as palavras de Cristo devem ser entendidas. Ele “não era deste mundo” no mesmo sentido que João exortou os crentes a ser “não deste mundo” (1 João 2:15). O seguidor de Cristo deve olhar para além das coisas da terra – deste mundo. Ele deve olhar  para a glória ainda a ser revelada, e tornar-se mentalmente e moralmente alterado pela influência que é “de cima”.

Um homem que “ama o mundo” é “de baixo”, ou da “terra”, mas alguém que tem “o amor do Pai” habitando nele é “de cima” (1 João 2:15). Jesus disse a Nicodemos que uma pessoa deve “nascer do alto” (João 3:3) se ele quer herdar o reino de Deus. Esse tal é gerado pela palavra de Deus (I Pedro 1:23 e 1 João 3:9-10), por uma “sabedoria que vem do alto” (Tiago 3:15-18). O personagem que ele vai desenvolver é  moldado pela Palavra que habita nele (João 17:17), para que ele possa reivindicar ser “de cima”, embora ele nunca foi, literalmente, do céu.

Outra característica única do Evangelho de João é quando freqüentemente contrasta metáforas e antíteses. Por exemplo, João (geralmente citando Jesus) contrasta a luz com as trevas (Jo 1,5-9; 3,19-21; 8,12; 9,4-5; 12,35-36, 46), a vida com a morte (Jo 1,4; 5,21-26,54; 8,51-52; 11,25), a liberdade com a escravidão (Jo 8,32-38), que tem a ver com a cegueira (Jo 9,39-41). O mesmo é  verdade das expressões que envolvem Jesus e os judeus incrédulos neste contexto, como “os debaixo e os de cima”. Os termos não estão falando de origens literais,  mas como indicador de uma realidade espiritual.

Esta interpretação metafórica de Jo 8:23 serve como uma explicação de Jo 3:31 e Jo 6:25-65. Ou seja, todas as três passagens significam que o ministério de Jesus é espiritualmente, não literalmente, “de cima”, ou seja, do céu, tem origem em Deus. Portanto, assim se conclui a  linguagem de subida/descida em João 3:31, para interpretar a obra salvadora de Deus em Jesus. Certamente a Bíblia não fala do modelo da descida de uma Segunda Pessoa da Trindade ao mundo, o que só serviu para confundir a cristandade eliminando o conceito real, que é a presença interior de Deus em Cristo através do Espírito Santo. Isso tudo pode ser chamado de “Deus em Cristo reconciliando consigo o mundo”, como atesta o apóstolo Paulo em II Cor 5:19.