A Divindade do Messias

É claro que sempre que o Messias aparece ele acaba por ser o agente do Deus de Israel. Isso deve ser claramente distinguido de qualquer sugestão de que ele foi em si mesmo uma figura transcendente, existindo de modo sobrenatural dominador do espaço e do tempo. Este Messias era esperado para vir da tribo de Judá e da linhagem real do rei Davi. As genealogias de Mateus e Lucas, de fato, inclui Jesus entre os descendentes de Davi (Mt 1.1, 6; Lc 3,31).

Jesus foi um homem como nós, sujeito ao ambiente humano tanto quanto qualquer um de nós. Certamente por não entenderem o que seja uma pré-existência no céu com o Pai ajude aos apologistas da cristologia tradicional desaparecer com sua experiência humana a um ponto de colocá-lo muito além da capacidade de se relacionar com qualquer um de nós. Como poderia então ser ele o descendente de Abraão em Hebreus 2:16-18 ou o “homem nascido de mulher” de Gálatas 4:4?

Se Jesus foi humano de uma maneira diferente de nós, onde estaria a validade das comparações entre ele e Adão? De acordo com  Romanos 5:12-21, por um homem entrou o pecado no mundo, e, portanto, para que houvesse justificação, a redenção teria que vir por outro homem, outro Adão.  O que é enfatizado repetidas vezes é que o Messias foi como um de nós, intimamente relacionado com aqueles a quem ele deve resgatar. Em parte alguma neste contexto deve ser exigida qualquer nuança de divindade.

Da mesma forma é 1 Coríntios 15:21 “Porque, assim como por um homem veio a morte, por um homem veio também a ressurreição dentre os mortos“. O que se segue é outra comparação entre Jesus e Adão. Não seria realmente justo sendo Adão um homem simples e Jesus a encarnação da divindade.

A propósito, como esse tipo de refutação e argumentos inevitavelmente geram perguntas, e perguntas extremamente complicadas, tenho aqui algumas. Por exemplo: Quando Deus aparentemente abandonou seu Filho na cruz, quem ele abandonou, um homem completo ou um corpo humano com o centro pessoal abarrotado de divindade? Será que foi apenas uma questão do “Deus Filho” entregando o corpo humano e retornando para a existência que gozava antes de ser ‘encarnado’ nele mesmo?

Vamos examinar um problema. Quem morreu na cruz? Se foi uma divindade, então não é o sacrifício perfeito. Ninguém em total divindade, sendo 100% Deus, poderia expiar os pecados de toda a humanidade ou atender às exigências do sacrifício. E se aquele que morreu na cruz era Deus, então Deus ficou morto por “três dias”? É consistente com o Antigo Testamento expressar algo desse tipo? E se o Doador da Vida foi mesmo morto, quem mais poderia trazer de volta à vida? Quem cuidou do universo antes da ressurreição de Jesus – Deus?

Infelizmente são perguntas geradas por causa do ensino herético que a cristologia tradicional desenvolveu.

A maioria dos estudantes da Bíblia diz que Jesus era divino quando aqui andou, mesmo considerando que ele era um mortal. Outros, geralmente limitam o termo “divino” como aplicado a Jesus só depois de sua ressurreição, pois eles misturam o significado de “divino” com a “imortalidade” no reino do espírito. Porém, eu acredito que as Escrituras indicam que um maior uso dos termos “divindade” e “divino” podem ser aplicados. Há um sentido bíblico em que Jesus como um ser humano poderia ser visto como divino por causa do domínio, de levar o nome de Deus e agir na autoridade de Deus.

Em alguns casos as palavras hebraicas EL e ELOHIM são usadas no sentido de ser divino exclusivamente para seres espirituais, como no Salmo 8:5. No entanto, os hebreus também usaram as palavras que designam divindade em um sentido de potência especial, mesmo dos seres humanos.  Moisés foi feito, não um ser divino, mas divino, poderoso para o Faraó do Egito, e também para Arão, quando o Senhor falou que Moisés lhe seria por Deus, ou porta-voz de Deus (Êxodo 4:16; 7:1). Assim Moisés pode ser referido como um ser humano divino.

O termo Ha Elohim é aplicado aos juízes de Israel como um corpo de homens, não como seres espirituais (Êxodo 21:6; 22:8, 9, 28 [Ver Atos 23:5], de modo que estes homens poderiam ser referidos como “divinos”, embora humanos. Além disso, no Salmo 82, os termos EL e ELOHIM estão sendo aplicadas para os filhos humanos de Deus. Assim eles poderiam ser referidos como divinos, mesmo sendo humanos. Em cada um desses casos, os seres humanos poderiam ser “divinos” por causa de poderes especiais, como também por causa da própria missão dadas a eles por Deus.

Da mesma forma, a Jesus, como ser humano, foi dado poderes especiais para realizar várias obras e milagres, e para falar no lugar do único Deus verdadeiro. Portanto, neste sentido, Jesus também pode ser referido como divino, poderoso, até mesmo como um ser humano.

É claro que, depois de sua exaltação (Atos 2:33; 5:31; Filipenses 2:9), ele agora é literalmente divino, (1 Coríntios 15:45) sendo maior do que os anjos (Hebreus 1:3, 4), que também são chamados elohim – seres divinos, Salmo 8:5; Hebreus 2:7.

Uma observação digna de nota é Hebreus afirmando categoricamente que o Senhor Jesus após sua ressurreição foi feito maior que os anjos,

O qual, sendo o resplendor da sua glória, e a expressa imagem da sua pessoa, e sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, havendo feito por si mesmo a purificação dos nossos pecados, assentou-se à destra da majestade nas alturas; feito tanto mais excelente do que os anjos, quanto herdou mais excelente nome do que eles”.  Hebreus 1:3, 4

Jesus tinha a natureza divina enquanto era um ser humano? Não! Jesus não poderia ter a divindade exigida por muitos, pois o mesmo livro de Hebreus também afirma que nessa condição ele foi feito menor que os anjos.

Vemos, porém, coroado de glória e de honra aquele Jesus que fora feito um pouco menor do que os anjos, por causa da paixão da morte, para que, pela graça de Deus, provasse a morte por todos”. Heb 2:9

O escritor, o apresentando em sua paixão e morte, declara sua condição humana lembrando em suas palavras do homem que aqui andou, quando enfatiza sobre “aquele Jesus”.

Necessário dizer aqui que Jesus não foi feito um pecador, como toda a humanidade tem sido através de Adão (Romanos 5:19), nem mesmo viu a corrupção a qual toda a humanidade participa através de Adão (Eclesiastes 1:15. Jesus nunca se corrompeu, mesmo que tenha sofrido sob o cativeiro da corrupção (Romanos 8:23), à semelhança da carne do pecado (Romanos 8:3). Ele morreu, o justo pelos injustos (1 Pedro 3:18). É digna de observação essa ênfase, o homem justo pelos homens injustos, o que não haveria necessidade de citar se ele fosse mesmo Deus. Assim, só Jesus, que permaneceu obediente até a morte, poderia oferecer ao Altíssimo um sacrifício pelo pecado. (Romanos 8:3 ; Efésios 5:2 ; Hebreus 9:14; 0:10 , 12 , 14 , 18). Jesus fez provar por si mesmo a incorruptibilidade pela sua perfeita obediência e, assim, ele trouxe vida e imortalidade através das boas novas. (2 Timóteo 1:10). Esta é a base para a crença em Jesus, e, portanto, a base para o verdadeiro cristianismo.

Se, por outro lado, Jesus foi o Altíssimo e divino na carne, como muitos afirmam, então nenhum resgate foi fornecido, pois ele é julgado por muitos como perfeito porque era Deus. Em outras palavras, isso significa dizer que Jesus venceu como Deus provando que só uma divindade poderia obedecer as leis de Deus para o homem. Isso gera problemas para Deus, pois implica afirmar que Ele  errou em dar ao homem uma lei de comando que não poderia ser obedecida, o que faria dele injusto em condenar toda a humanidade por não obedecer essa lei. Na verdade, essa teoria de que houve obediência porque Jesus era divino perfeito, falha, pois se fosse dessa forma Ele não teria “condenado o pecado na carne” (Romanos 8:3), a carne de Adão, que era a carne dele próprio.

Apesar de tudo, muitos ainda dizem que Jesus tinha uma natureza dual, que era 100% homem e 100% Deus. O problema é que ninguém explica o que aconteceu com a parte humana de Jesus se ele era 100% divino. Onde estava a natureza humana de Jesus se ele e Deus eram um?

Alguns complicam ainda mais quando garantem que Jesus era mesmo o logos eterno habitando seu corpo, o próprio Espírito de Deus, caso em que Jesus não teria sido “totalmente” humano – o que aconteceu ao espírito deste homem? A humanidade de Jesus não é contestada por ninguém.  Alguém pode explicar: Se Jesus é totalmente Deus, então Deus é totalmente homem? A teoria do Deus-homem total é impossível explicar com sinceridade.  Por outro lado, entendemos, literalmente, que divindade alguma pode habitar na carne,

Dan 2:11  “Porque o assunto que o rei requer é difícil; e ninguém há que o possa declarar diante do rei, senão os deuses, cuja morada não é com a carne”.

Nascido de Mulher

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Mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei“, Gálatas 4:4.

Em sendo Jesus, Deus, segundo a teologia cristológica convencional, temos aqui a revelação bombástica de como Deus veio parar nesse mundo: “Nascido de mulher, nascido sob a lei”.

Mas, como são os nascidos de mulher, são deuses ou são humanos? Obviamente os nascidos de mulher fazem parte da raça caída – assim são todos os que foram gerados depois da queda. Portanto, Jesus também está incluído dentre os que foram nascidos de mulher. Ele, como o último Adão, veio na qualidade de ser humano, sem nenhum vestígio de natureza celestial. É o que o versículo a seguir afirma. E por sinal, é uma afirmativa muito séria, um significado abandonado pelos adeptos da doutrina do Deus homem:

Rom 6:6 “Sabendo isto, que o nosso homem velho foi com ele crucificado, para que o corpo do pecado seja desfeito, para que não sirvamos mais ao pecado“.

O versículo sugere duas coisas importantíssimas: Que Jesus veio na qualidade de velho homem e que veio com o corpo do pecado. Se assim não foi, então ainda estamos em débito com Deus. Porém, a verdade explícita no contexto é que ele realmente se apresentou como nosso substituto; de outra forma ele não teria pago a dívida por nós. Nesse contexto não podemos atribuir a ele a natureza de Deus.

Portanto, o ultimo Adão, Jesus, acabou com a velha criatura por que representava a velha criatura. Ele não podia ter feito isso se viesse a esse mundo com a natureza dos céus. Assim, Jesus era só homem. Ou seja, ele foi totalmente humano. Em contrapartida, o efeito de todo o sacrifício e morte foi a criação do novo homem, criado em Deus e não por Mulher.

Efe 2:15 “Na sua carne desfez a inimizade, isto é, a lei dos mandamentos, que consistia em ordenanças, para criar em si mesmo dos dois um novo homem, fazendo a paz“.

Efe 4:24 “E vos revistais do novo homem, que segundo Deus é criado em verdadeira justiça e santidade“.

Na condição de representar o velho homem, Jesus adentrou neste mundo “…em semelhança da carne do pecado” (Rom 8:3), feito menor que os anjos, não possuindo a natureza de Deus. É exatamente isso que Paulo esclarece em I Coríntios 15:

40-43 E há corpos celestes e corpos terrestres, mas uma é a glória dos celestes e outra a dos terrestres… Assim também a ressurreição dentre os mortos. Semeia-se o corpo em corrupção; ressuscitará em incorrupção. Semeia-se em ignomínia, ressuscitará em glória. Semeia-se em fraqueza, ressuscitará com vigor.

Jesus não foi exceção, pois ele também está incluído nessa seleção. Observe os versículos e você descobrirá que o corpo incorrupto só é dado após a ressurreição. Portanto, é muito simples entender que Jesus veio a esse mundo com um corpo igual ao dos nascidos de mulher, mas, como diz o texto, que como “… Semeia-se o corpo em corrupção; ressuscitará em incorrupção” sabemos que ele “ressuscitou em glória”, e, somente a ele foi dado um nome que está acima de todo o nome.

45 Assim está também escrito: O primeiro homem, Adão, foi feito em alma vivente; o último Adão em espírito vivificante.

Jesus foi feito Espírito vivificante porque ele ressuscitou dos mortos, o que ainda não ocorreu com Adão. E observe que Paulo chama Jesus de o “último Adão”. O verso seguinte atesta sobre a ordem que foi estabelecida,

46 Mas não é primeiro o espiritual, senão o natural; depois o espiritual.

Aqui ele não está fazendo referência a Adão como o natural e a Jesus como o espiritual. O que o texto quer dizer é que, primeiro Jesus veio a esse mundo como o homem natural e depois foi revestido de um corpo espiritual.

O que tento explicar pode ser esclarecido melhor com dois versículos citados a seguir, que afirmam claramente que o homem natural, representado por Jesus, que também foi nascido de mulher, mudou toda a ordem das coisas nos dando livramento do pecado,

Portanto, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens por isso que todos pecaram”.

Observe agora abaixo que são citados indiretamente dois homens, Jesus e Adão. Um deles, Adão, foi responsável pela entrada do pecado ao mundo, e o outro, Jesus, tirou os pecados do mundo,

Porque, se pela ofensa de um morreram muitos, muito mais a graça de Deus, e o dom pela graça, que é de um só homem, Jesus Cristo, abundou sobre muitos”.

Evidente que Jesus foi o único que não cometeu pecado. E o versículo apresentado acima também revela que são citados dois seres humanos e não um humano e um homem-Deus. O que é visto no texto é uma outra comparação entre Jesus e Adão. Não seria realmente justo sendo Adão um homem simples e Jesus a encarnação da divindade.

A ordem da criação apresentada abaixo também atingiu Jesus, que veio a esse mundo trazendo as sequelas dos caídos em Adão – ele não tinha duas naturezas, a divina e a humana.

Ora, o segundo homem foi criado em Deus, como dito no verso anterior de Efésios 4:24.

Não há dúvida, Jesus como nascido de mulher também foi alcançado pelo contexto apresentado abaixo em 1 Corintios 15:

47 O primeiro homem, da terra, é terreno; o segundo homem, o Senhor, é do céu.

48 Qual o terreno, tais são também os terrestres; e, qual o celestial, tais também os celestiais.

49 E, assim como trouxemos a imagem do terreno, assim traremos também a imagem do celestial.

Aqui sabemos que Jesus, como todos nós, trouxemos para este mundo a imagem do homem terreno. Entretanto, como ele, nós também seremos revestidos do corpo celestial. Portanto, Jesus não veio a esse mundo trazendo a natureza de Deus, mas sim a natureza de Abraão (Heb 2:16). Como Jesus, que foi lembrado ser da semente de Abraão, outros também o foram:

Sal 105:6 Vós, semente de Abraão, seu servo, vós, filhos de Jacó, seus escolhidos. Não estamos tratando aqui de deuses, mas sim de seres humanos, nascidos de mulher.

Observe esse diálogo de quando o Senhor Jesus foi abordado por um jovem que lhe disse, “Bom mestre, que farei para herdar a vida eterna“, ele poderia muito bem ter acrescentado: “Por que me chamas bom, dos nascidos de mulher não há nada bom, bom só Deus”, Marcos 10:18. O que Jesus esclarece aqui para este jovem é simplesmente que ele não era [um] Deus.

O Jesus judeu, o homem e carpinteiro de Nazaré, que cumpriu toda a lei, morreu para sempre. Pertencemos a outro,

ROM 7:4 Assim, meus irmãos, também vós estais mortos para a lei pelo corpo de Cristo [ o ultimo Adão ], para que sejais de outro, daquele que ressuscitou dentre os mortos, a fim de que demos fruto para Deus.

“… ainda que tenhamos conhecido Cristo segundo a carne, contudo agora já não o conhecemos deste modo”. 2 Co 5:16

Assim, todo o contexto citado até aqui revela Jesus como homem, nascido como foram todos nós, participante de uma semente corruptível. E o que é corruptível [terreno e humano] tem que se revestir de incorruptibilidade,

1 Co 15:54 – E, quando isto que é corruptível se revestir da incorruptibilidade, e isto que é mortal se revestir da imortalidade, então cumprir-se-á a palavra que está escrita: Tragada foi a morte na vitória.

Esse foi o brado de Jesus, o qual Paulo bravamente diz que será dado pelos salvos. Jesus tragou a morte!

Resumo

Jesus nasceu aqui como o velho homem, e foi crucificado como o velho homem. Estas são afirmações que provocam diversas questões, entre elas uma extremamente curiosa e interessante: “Como o velho homem poderia ser divino?” Ora, se Jesus era da semente corruptível de Abraão, em que sentido era ele possuidor de divindade? Essa semente é a semente de todos os nascidos de Mulher:

Rom 1:23 “E mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível…”.

Heb 2:16 “Pois na verdade Ele [Jesus] não tomou sobre si a natureza de anjos, mas Ele tomou sobre si a semente de Abraão”

Como alguém poderia divinizar quem veio da semente de Abraão? Na verdade, nós fomos gerados de novo pelo Jesus incorruptível, e não do Jesus semente de Abraão,

1Pe 1:23 “Sendo de novo gerados, não de semente corruptível, mas da incorruptível, pela palavra de Deus, viva, e que permanece para sempre“.

Por isso Paulo diz que o Jesus ressurreto é outro:

ROM 7:4 “Assim, meus irmãos, também vós estais mortos para a lei pelo corpo de Cristo, para que sejais de outro, daquele que ressuscitou dentre os mortos, a fim de que demos fruto para Deus“.

Efe 4:24 “E vos revistais do novo homem, que segundo Deus é criado em verdadeira justiça e santidade“.

O Nascimento Virginal

A palavra grega usada para “homem” em João 8:40 e 1 Timóteo 2:5 é “anthropos”:

Mas agora procurais matar-me, a mim, homem que vos tem dito a verdade que de Deus tem ouvido; Abraão não fez isto”.

“Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem”.

Um dos significados da palavra é para distinguir o homem de seres de uma ordem diferente. Por isso, Jesus chama a si mesmo uma palavra que separa Deus do homem, que distingue Jesus de Deus. Em outras palavras, Deus não é homem e o homem não é Deus. Jesus não veio a esse mundo com a natureza de Deus, a natureza celestial divina, mas na natureza de Adão, 1Co 15:45; 1Co 15:40; Heb 2:16.

Observe agora Atos 2:22: “Homens israelitas, escutai estas palavras: A Jesus Nazareno, homem aprovado por Deus entre vós com maravilhas, prodígios e sinais, que Deus por ele fez no meio de vós, como vós mesmos bem sabeis”.

A palavra grega para “homem” aqui é “aner”, que basicamente se refere ao sexo masculino. Também pode se referir tanto ao masculino como ao feminino. Então, Jesus é descrito como um homem (referindo-se a um ser humano) como qualquer outro ser humano. Ele nasceu de uma virgem, por obra e graça do Espírito Santo, mas que ainda fez dele um ser mortal, um humano, razão pela qual ele é descrito como um homem, que é como nós descreveríamos as pessoas normais. Infelizmente essa visão foi ofuscada pela avidez católica romana em querer a qualquer custo colocar Maria numa posição de proeminência quase exclusiva dentro da fé cristã.

Isso tudo criou uma tradição chamada de nascimento virginal, o que foi aproveitada pelo catolicismo para que tenazmente defendessem a veneração a Maria, enfatizando a pessoa da virgem muito mais do que a pessoa de Jesus. Acreditam eles que o nascimento virginal, eventualmente, pode ser considerado como a encarnação do divino. E, portanto, a natureza miraculosa do nascimento virginal foi pensada para confirmar que Jesus era Deus. No entanto, se o nascimento virginal miraculoso indica que Jesus era o próprio Deus, ou mesmo divino, é surpreendente, pois nem Mateus e nem Lucas dizem nas narrativas sobre seu nascimento se Jesus era mesmo Deus.

Na verdade, o anjo anunciou no nascimento que Jesus “é o Filho de Deus” (Lc 1:32-35), não por causa de uma pré-existência ontológica, mas por causa da sua concepção sobrenatural. Este milagre apenas sinalizou que ele iria ter uma relação especial com Deus. Assim, com efeito, a concepção de Jesus sendo realizado pelo Espírito de Deus é a base para identificá-lo como Filho de Deus, O Filho do Altíssimo, por causa da salvação que ele realizaria na história, não por causa de sua natureza intrínseca.

Logicamente, o nascimento virginal não indica que Jesus é Deus, simplesmente por causa de sua natureza milagrosa. O Milagre só aponta para uma origem sobrenatural. Deus fez um milagre causando a concepção virginal, mas isso não indica que o milagre em si é Deus.

Considere o primeiro homem, Adão. Aceitando os dois relatos bíblicos de sua criação como literal (Gn 2-3), então, como Jesus, Adão tornou-se um ser humano, devido à criação direta de Deus. No entanto, ninguém gostaria de sugerir que a origem sobrenatural de Adão faz dele Deus. Eu fico imaginado o estrago no catolicismo se Deus fizesse com Jesus o que fez com Adão, que foi cria-lo já adulto. Ou seja, como os judeus que o rejeitaram desejariam: que ele aparecesse milagrosamente do nada:

Todavia bem sabemos de onde este [Jesus] é; mas, quando vier o Cristo, ninguém saberá de onde ele é”, João 7:27.

Muitos tradicionalistas ainda insistem que o nascimento virginal é um elemento essencial da crença cristã. Em outras palavras, eles têm insistido que uma pessoa tem que acreditar no nascimento virginal a fim de ser um cristão genuíno. No entanto, não existe tal ensino o NT. Este silêncio é significativo nas duas narrativas do nascimento gravadas, mas especialmente nos sermões evangelísticos registrado em Atos e nos escritos do apóstolo Paulo, que surpreendentemente nem muita ênfase da à pessoa de Maria, quando afirma:

Mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei”, Gal 4:4.

Nascido de mulher, nada mais que isso para tristeza dos católicos romanos. Acredito que alguns já se perguntaram por que Paulo não escreveu da seguinte forma,

Mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido da bem-aventurada, nossa digníssima mãe, Maria, nascido sob a lei”.

Além disso, o tema da concepção milagrosa de Jesus não indica que Jesus tinha uma natureza divina, tornando-o Deus.

Sua mãe e seus irmãos não sabiam que ele era Deus?

Jesus foi considerado “fora de Si” por sua mãe e seus irmãos, por quem também foi desacreditado; foi visto como enganador; foi abandonado por Seus seguidores e quase apedrejado certa ocasião; foi chamado de “beberrão” e de “endemoninhado”, além de “embusteiro”. Finalmente, foi crucificado como malfeitor.

A evidência por demais indigesta está em Marcos 3. O relato mostra Jesus dentro de uma casa enquanto lá fora chegam sua mãe e seus irmãos. Foram ali chamados, pois souberam que o Senhor fazia a maior algazarra expulsando demônios. Acreditavam que Deus (no caso aqui disfarçado de Jesus) estava fora de si, estava louco. Leia o relato:

Marcos 3

21 E, quando os seus ouviram isto, saíram para o prender; porque diziam: Está fora de si.

Sem contar os escribas e fariseus que ousaram dizer que Deus (aqui como Jesus) estava endemoninhado!

22 E os escribas, que tinham descido de Jerusalém, diziam: Tem Belzebu, e pelo príncipe dos demônios expulsa os demônios.

Por que ele foi tratado dessa forma por seus próprios familiares se estes o viam como o próprio Deus de Israel? E os escribas judeus que acreditavam piamente no Deus de Abraão, por que ousaram dizer tamanha blasfêmia de Jesus [Deus]?

Caro leitor, acredite, Jesus foi um homem e não um ser celestial, o homem que veio do espaço, um andróide disfarçado de ser humano ou mesmo o THOR! Isso mesmo, muitos confundem Jesus com um super herói vindo de outra galáxia, o Super Homem disfarçado de Clark Kent.

É lamentável…

Homem e Filho do Homem

É apenas uma mera coincidência que há exatamente três versos em todo o Antigo Testamento afirmando que Deus não é homem e nem filho do homem? Eu não acho que isso seja  uma mera coincidência. No entanto, eu acredito que seja uma enorme contradição estes   versículos negarem que Deus é homem ou filho de homem e ao mesmo tempo a teologia convencional cristológica afirmar que o Filho do homem seja denominado Deus.

O Novo Testamento  descreve Jesus como  homem e filho do homem em muitos lugares. Atos 2:22 deixa bem claro que Jesus era um homem,

Homens israelitas, escutai estas palavras: A Jesus Nazareno, homem aprovado por Deus entre vós com maravilhas, prodígios e sinais, que Deus por ele fez no meio de vós, como vós mesmos bem sabeis“.

Observe que Pedro aqui não usa o script evangelista que Jesus é Deus-homem ou homem-deus. Pedro apenas afirmou a nossa posição de que Jesus era um homem que Deus escolheu.

O termo  “Filho do Homem”,  ocorre exatamente 82 vezes nos quatro evangelhos e quatro vezes adicionais em outras partes do Novo Testamento – 30 vezes em Mateus, 14 vezes em Marcos, 25 vezes em Lucas, 13 vezes em João, 1 vez em Atos, 1 vez em Hebreus e 2 vezes em Apocalipse.

A frequência em que o termo é usado por Jesus nos Evangelhos é uma das razões que levaram os estudiosos da Bíblia considerá-lo como um  título específico para ele. Porém, muitos teólogos também entendem que o título filho do homem, quando aplicado aos vários personagens do Velho Testamento, deve significar apenas que são nascidos de mulheres, e que  essa visão interpretativa pode ser usada como referência para Jesus. Desta maneira, muitos acreditam que Jesus não deveria ser excluído de Números 23:19. O versículo diz,

Deus não é homem, para que minta; nem filho do homem, para que se arrependa; porventura diria ele, e não o faria? Ou falaria, e não o confirmaria?”

Logo, entendem que Jesus não pode ser Deus, sendo ele Filho do Homem, descendente de Abraão e Davi. A parte fundamental no versículo é, “lo’ ‘iysh ‘êl viykhazzêbh ubhen-‘âdhâm veyithnechâm”. A negação ocorre no início da frase, e  o que isto significa, literalmente, é “Não é verdade que Deus é um homem para mentir ou filho do homem para mudar de ideia“. A negação é distribuída a cada frase que então produz, “Deus não é homem, e Ele não mente, Ele não é o filho do homem e ele não se arrepende“. O texto não faz de Jesus um homem que mente e se arrepende, mas apenas mostra o contraste entre os seres humanos e Deus, sendo que Jesus está na categoria dos humanos.

Podemos observar em muitos versículos que  Jesus foi conhecido como  homem e o filho do homem. Em contraposição, o versículo 19 de Números 23 diz que Deus não é nem homem, nem o filho do homem, e pior, nos originais deveria ser traduzido da seguinte forma: “Deus não é nem homem, nem  filho de Adão”. Quando trazemos esses dois registros juntos  não chegamos à conclusão de que Jesus não é Deus? Aliás, o próprio Jesus  nega que ele fosse Deus,

Jesus falou a um homem que o havia chamado ‘bom’, pedindo-lhe: “Por que me chamas bom? Ninguém é bom senão Deus“(Lucas 18:19). Se Jesus tivesse dito às pessoas que ele era Deus, ele teria elogiado o homem. Em vez disso, Jesus o repreendeu, negando  que ele era Deus.

Jesus é chamado de um homem muitas vezes na Bíblia

Um homem que lhe disse a verdade” (João 8:40)

Ele julgará o mundo com justiça por meio de um homem a quem constituiu” (Atos 17:31)

Cristo Jesus, homem” (Tim. 2:5).

 A Bíblia muitas vezes chama a Jesus  “o filho do homem”.

“… o Filho do homem “(Mateus 12:40).

“… o filho do homem há de vir” (Mateus 16:27).

Mas, para que saibais que o Filho do Homem tem autoridade” (Marcos 2:10).

 “porque ele é o filho do homem “(João 5:27)

Alguns podem até resistir à interpretação exposta neste site, alegando que o contexto mostra que o versículo está falando sobre a condição limitada e inconstante do homem humano em que eles mentem e mudam as suas mentes ou exigem arrependimento por suas ações, e que Deus jamais agiria dessa forma. Sim, eu concordo  que o contexto mostra que ele está falando sobre a limitação humana e como Deus não tem essas limitações, ou seja, sujeito a se arrepender. No entanto, eu não consigo ver como alguém poderia negar o fato de que o verso diz “Deus não é um homem … nem o filho do homem“. Na verdade, eu acho que o contexto  apoia ainda mais minha posição, porque a mentira e se arrepender são inatas condições humanas. Assim,  porque a natureza do homem contém a facilidade de mentir e de se arrepender, o versículo permite o contraste, confirmando que Deus não é um homem – Isso é o que o verso significa. Como diz o ditado “errar é humano”. Porque Deus não erra demonstra que ele não é homem,  é porque ele não é o homem/humano que ele não erra! Alguns tentaram sugerir que Deus pode ser humano desde que ele se torna um ser humano perfeito que não mente, nem se arrepende, e chegaram a conclusão que foi nesse sentido que ele se tornou Jesus, que foi perfeito e sem pecado. Aqui é que entra o exemplo magnífico do Senhor para nós, nos possibilitando servi-lo como homem que somos, pois ele o foi. Ele foi perfeito sim, mas conseguiu isso obedecendo até a morte, se entregando a Deus com lágrimas. Podemos observar tudo isso começando pelas palavras de  Paulo aos Filipenses 2:8

E, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz”. E o versículo segue dizendo que através de sua submissão ele recebeu um nome que é exaltado acima de todo o nome,

Por isso, também Deus o exaltou soberanamente, e lhe deu um nome que é sobre todo o nome”.

Foi por isso que Deus o exaltou, e não porque Jesus era o próprio Deus. Fica por demais fora de contexto se admitimos que Deus deu a Deus um nome que é acima de todos os nomes. A propósito, se ele era mesmo Deus enquanto aqui viveu, por que recebeu um nome acima de todo nome? Qual outro nome poderia estar acima do nome do Deus Jesus? Caso a se pensar…

O escritor aos Hebreus nos leva para o mesmo contexto apresentado em Filipenses onde encontramos expressões que de maneira brilhante revela a humanidade do Senhor Jesus,

O qual, nos dias da sua carne, oferecendo, com grande clamor e lágrimas, orações e súplicas ao que o podia livrar da morte, foi ouvido quanto ao que temia. Ainda que era Filho, aprendeu a obediência, por aquilo que padeceu”. Hebreus 5:7,8

O que vos parece, será essa uma descrição de Deus?

O fato em questão é que o versículo diz claramente que Deus não é um homem e Jesus é um homem e isso significa que Jesus não era Deus. Ele também diz que Deus não é o filho do homem, e Jesus era o filho do homem, o que  é repetido 82 vezes nos evangelhos, o  que deve simplesmente significar  que Jesus não era [um] Deus. É um exercício muito simples e eu realmente acredito que qualquer pessoa razoável possa admitir isso.

Existem mais dois versículos que podem reforçar o argumento exposto até o presente momento. Observem a redação de  1 Samuel 15:29,

Também a Glória de Israel não mente, nem se arrepende, porquanto não é um homem (adam lo), para que se arrependa.”

Deus não é um homem porque Ele não mente, nem se arrepende, e ele não mente, nem se arrepende, porque Ele não é o homem. Em ambos os casos, a negação é feita entre o Deus referente e o homem referente, isto é, não são os mesmos. Deus não é um homem (lo ish e eis adam).

O outro  verso da série é ainda mais claro

Não executarei o furor da minha ira; não voltarei para destruir a Efraim, porque eu sou Deus e não homem, o Santo no meio de ti; eu não entrarei na cidade”. (Oséias 11: 9)

Jesus não é Deus porque todo o contexto dos versos citados estão de acordo de que Deus não é um homem e a natureza dos versos são as mesmas em que nega que ele é um homem.

Divino disfarçado de humano

Que divindade poderia ser atribuída a um homem? Como chamar de divino Deus aquele que veio a semelhança dos homens, sendo descendente de Davi, tendo as mesmas características do ser humano, sendo igual a eles? Como poderíamos falar de divindade em alguém que foi chamado de último Adão pelo Apóstolo Paulo em 1 Cor 15:54? Como um homem nascido de mulher ( Gal 4:4 ) poderia ser divino?

As pessoas que não acreditam que Jesus era  um homem,  estão erradas. É necessário acrescentar que Jesus não era um homem comum, ou seja, um pecador.  Ele era um homem único,  era o Filho de Deus. No entanto, em um sentido muito real, ele era um homem e não o Deus de Abraão, Isaque e Jacó em pessoa.

Os cristãos que definem Jesus como Deus quando aqui andou, discretamente insinuam ter sido ele um ser místico, um avatar ou um guru. Acreditem ou não, mas  podemos encontrar milhões de pessoas, seja nas fileiras do protestantismo, do catolicismo ou qualquer outro ismo, acreditando piamente que  Jesus foi um ser divino que baixou na criança gerada no ventre de Maria. Eles não confessam as intenções nestas palavras, mas a descrição que fazem de como Jesus veio parar neste mundo não esconde o misticismo em seus extensos discursos escritos.

A ortodoxia cristã não pode ser excluída da responsabilidade na deturpação do Jesus histórico. Munida de um imenso arsenal deixado pelos grandes concílios do passado, ela tem  insinuado de forma camuflada que Jesus,  quando aqui  andou, era um astro, um ser do outro mundo, Deus encarnado num corpo, o poderoso homem que veio do céu, o  Super Homem disfarçado de Clark Kent. Aqueles que conhecem bem o estudo da cristologia advindo da nossa velha ortodoxia, sabem  muito bem das  manobras que fazem para deturpar o sentido de divindade.

Infelizmente os  cristãos da nossa geração tem uma visão de Jesus como tinham àqueles que vieram de uma origem grega ou romana, que  acreditavam que o termo “filho de Deus” significava uma encarnação de um deus ou alguém nascido de uma união física entre os deuses masculinos e femininos. Isso pode ser visto em Atos 14: 11-13, onde lemos que, quando Paulo e Barnabé pregaram em uma cidade da Turquia, os pagãos afirmavam que eles foram a encarnação de deuses. A Barnabé chamavam o deus romano Zeus, e Paulo, o deus romano Hermes.

Para muitos cristãos, Deus teve de assumir a forma humana para compreender a tentação e o sofrimento humano, mas o conceito não se baseia em quaisquer palavras claras de Jesus. Em contraste, Deus não precisa ser tentado e sofrer, a fim de ser capaz de compreender e perdoar os pecados do homem, ou mesmo para ficar sabendo como sofrem ou o que sofrem, porque Ele é o Criador do homem e onisciente. Deus não enviou seu amado Filho por esse motivo, como se querendo saber que sentimento tem os humanos debaixo da servidão e opressão. Isso está expresso em Êxodo 3:7,

E disse o Senhor: Tenho visto atentamente a aflição do meu povo, que está no Egito, e tenho ouvido o seu clamor por causa dos seus exatores, porque conheci as suas dores“.

Muitos cristãos afirmam que no nascimento de Jesus ocorreu o milagre da encarnação de Deus na forma de um ser humano. Dizer que Deus se tornou verdadeiramente um ser humano convida a uma série de perguntas. Vamos perguntar o seguinte sobre o homem-Deus Jesus. O que aconteceu com seu prepúcio após sua circuncisão (Lucas 2:21)? Será que desapareceu quando ele tornou-se adulto se manifestando como [um] Deus?  Durante sua vida, o que aconteceu com seu cabelo, unhas e sangue derramado de feridas? As células de seu corpo morreriam como nos seres humanos comuns? Se o seu corpo não funcionou de uma forma verdadeiramente humana, ele não poderia ser verdadeiramente humano, mas verdadeiramente Deus, o que não foi o caso. Assim, se o seu corpo funcionou exatamente de um modo humano, isso anularia qualquer alegação de divindade. Seria impossível para qualquer parte de Deus, mesmo se encarnado, ser submetido ao que Jesus foi submetido  e ainda ser considerado Deus. A verdade é que,  Jesus no seu corpo sofreu as sequelas da decadência humana durante sua vida aqui, logo, ele não poderia ser Deus. Infelizmente muitos acreditam, mesmo com o testemunho das Escrituras apresentando Jesus como um ser humano normal, que  ele não foi submetido a essa ‘decadência’ concluindo que ele era  verdadeiramente [um] Deus. Por esse motivo, temos hoje o ensino mais difundido dentro da cristandade: Jesus foi o  Deus Todo-Poderoso em forma humana.

Compare isso com estas palavras do ex-bispo de Woolwich, Dr. Robinson, em seu livro, “Juro por Deus”, em uma passagem em que ele estava explicando como a  maioria dos cristãos vêem Jesus:

Jesus não era um homem nascido e criado, ele era Deus por um período limitado participando de uma farsa. Ele parecia um homem, mas por baixo era Deus vestido – como o Pai Noel

No entanto, como ensina as Escrituras, sabemos que Ele   nasceu com o mesmo tipo de identidade humana que Adão e Eva tinham quando foram criados.

1 João 4: 2 declara,  “Nisto conhecereis o Espírito de Deus: Todo o espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus”.

Jesus era o descendente biológico de Maria 

Maria não foi uma “incubadora” para gerar uma “carne divina” . Ela não se limitou a levar Cristo, mas ela concebeu Cristo em seu ventre (Lucas 1:31). O anjo não disse: “Maria, você vai produzir um corpo de carne para uma pessoa divina  vir e viver dentro dele“. Ele disse: “Você vai conceber… e terás um filho“. Estas palavras tiveram, obviamente, a intenção de ser entendidas  literalmente. Elas descrevem o começo de uma nova vida humana – não a vinda à Terra de uma pessoa divina para habitar dentro de um corpo humano.

As Escrituras identificam Maria como mãe de Jesus (Mateus 1:18, 2:11 e Lucas 2:34, 43, 48, 51). Os anjos especificamente  identificaram ela como a verdadeira mãe de Jesus (Mateus 2:13, 19-20).  A palavra  mãe  não pode ser aplicada a uma mera incubadora.  Exige uma relação biológica.  Jesus  foi “feito de uma mulher, nascido sob a lei” (Gálatas 4:4).

É necessário também lembrar que Maria foi gerada como foram todos os outros seres humanos. Ela veio a existência através de uma relação sexual entre seus pais biológicos. Portanto, a família do Senhor Jesus – que para muitos era o próprio Deus – não era pequena. Quem poderia conceber a ideia absurda de que Deus teve parentes? As Escrituras falam de seus primos. Deus também teve uma tia, pois a irmã de sua mãe é citada nas Escrituras. Assim, Deus era sobrinho da outra Maria. Ele, Deus, exercia uma profissão, era  carpinteiro nascido numa  pequena vila chamada Belém tendo sido  criado na cidade de NAZARÉ. E acreditem: Deus foi circuncidado ao oitavo dia de nascido (Lc 2:21), como também foi levado ao deserto para ser tentando pelo diabo (Mat 4:1). Estes são os absurdos que encontramos nas Escrituras quando substituímos o nome de Jesus pelo nome de Deus. Absurdos estes, que de tão escandalosos, não param por aqui. Observe o leitor quem são os incluídos na  família de Davi

Luc 2:4 E subiu também José da Galileia, da cidade de Nazaré, à Judéia, à cidade de Davi, chamada Belém (porque era da casa e família de Davi). A mesma procedência do Cristo nascido da mulher Maria: João 7:42, Não diz a Escritura que o Cristo vem da descendência de Davi, e de Belém, da aldeia de onde era Davi? Jesus era tão humano e descendente de humanos como era José.

E a você, caro amigo leitor, para que não fique distraído pelos erros que a ortodoxia cristã nos legou, e tente aceitá-los como genuínos, deixo aqui mais uma passagem que poderia gerar um absurdo escandaloso quando trocamos o nome de Jesus pelo nome de Deus. Observe,

LIVRO da geração de Deus, filho de Davi, filho de Abraão”, Mateus 1:1.

O que lhe parece?

Acredito que não há necessidade de  comentários.

Jesus era descendente Biológico de Abraão e Davi

Jesus era o Filho de Deus, e, como sua posição foi para ser o salvador dos homens, era necessário que ele fosse um homem, não um ser imortal, uma divindade cósmica. Ele foi a semente da mulher, a semente de   Abraão, a semente de Davi e “descendência” de Davi. (Ver Gênesis 3:15, João 7:42;  Atos 13:23, Romanos 1:3, Gálatas 3:16, 2 Timóteo 2:8, Hebreus 2:16, Apocalipse 22:16). Jesus  era um israelita natural da mesma forma como Paulo  (Ver Romanos 9:3-5), sendo também  fruto dos lombos de Davi segundo a carne (Atos 2:30).

Tanto no hebraico como no grego a palavra traduzida como   “Semente” na Bíblia se refere principalmente à prole biológica de homens e mulheres, e apenas  secundariamente podem ser aplicadas como uma metáfora para a prole espiritual.

O próprio Jesus identificou os judeus, mesmo  aqueles que tentaram matá-lo, como sendo descendentes de Abraão (João 8:37).  Maria compreendeu a descendência de Abraão para incluir “os pais”, a quem as promessas de Deus foram feitas (Lucas 1:55).   Pedro compreendeu que os homens de Israel “foram as sementes de convênio”  (Atos 3:12, 25).  Paulo escreveu sobre “todas as sementes”, demonstrando que a palavra se aplica a todos os crentes bem como todos os descendentes físicos de Abraão (Romanos 4:16, 9:29).  Paulo incluiu a muitas  nações que vieram da descendência de Abraão na semente da qual falou Deus (Romanos 4:18;  11:1; II Coríntios 11:22).  Além disso, Paulo ampliou o alcance da palavra “semente” para incluir todos os  que viriam a ser os crentes em Cristo como a descendência espiritual de Abraão e os filhos de  Deus (Romanos 9:7-8, Gálatas 3:29).

Assim, a Escritura ensina claramente que Jesus Cristo estava biologicamente e  geneticamente relacionado com Adão, Abraão, Isaac, Jacó, Judá e Davi, através de Eva e a  Virgem Maria, sua mãe.

Houve uma mudança no corpo de Cristo na Sua ressurreição

Antes de Sua ressurreição, Jesus  tinha um corpo capaz de sofrimento, morte e decadência, mas, na Sua ressurreição Seu  corpo foi alterado para ser incorruptível (incapaz de decadência) e imortal (incapaz de morte),

Sabendo que, tendo Cristo ressuscitado dentre os mortos, já não morre mais, a morte não mais tem domínio  sobre ele” (Romanos 6:9).

Davi profetizou de Cristo, “Tu não deixarás a minha alma no inferno:  nem tu permitirás que o teu Santo veja a corrupção” (Salmo 16:10). Pedro   explicou que esta profecia se cumpriu pela ressurreição de Cristo: “Nesta previsão, disse da ressurreição de Cristo, que a sua alma não foi deixada no inferno, nem a sua carne viu a corrupção” (Atos 2:31).  Da mesma forma, Paulo citou o mesmo versículo de Salmos, afirmando que Cristo  foi ressuscitado dentre os mortos para “agora não mais tornar à corrupção” (Atos 13:34-35).  Segundo  a esta profecia, aplicado por ambos, Pedro e Paulo, o corpo de Cristo teria deteriorado se não fosse o milagre da ressurreição.

Em Sua ressurreição, Cristo é “as primícias dos que dormem” (I Coríntios 15:20).  Através de Cristo veio “a ressurreição dos mortos” (I Coríntios 15:21).  I Coríntios 15:42-44  explica o que acontece na ressurreição dos mortos,

 “… Semeia-se o corpo em corrupção; ressuscitará em incorrupção. Semeia-se em ignomínia, ressuscitará em glória. Semeia-se em fraqueza, ressuscitará com vigor. Semeia-se corpo natural, ressuscitará corpo espiritual. Se há corpo natural, há também corpo espiritual“.

Nossa ressurreição será igual a dele e nos dará um corpo como o dele.  Em ambos os casos,  “ressurreição” refere-se ao mesmo processo, de modo que a ressurreição de Cristo fez-lhe “as primícias dos crentes”. Observe o que ele diz em I Coríntios  15:50-53,

E digo isto, irmãos, que carne e sangue não podem herdar o reino de Deus;  nem a corrupção herda a incorrupção.  Eis que lhes mostro um mistério: nem todos  dormiremos, mas todos seremos transformados, num momento, num abrir e fechar de olhos, ante a última trombeta, pois  a trombeta soará, e os mortos ressuscitarão incorruptíveis e nós seremos transformados.  Para que  isto que é corruptível se revista da incorruptibilidade, e isto que é mortal se revista da imortalidade“.  E João acrescenta,

Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não é manifestado o que havemos de ser,  mas sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele, pois o veremos como ele é “(I  João 3:2).

Em suma, a Bíblia revela que a humanidade de Cristo teve por se qualificar para a exaltação e  glorificação, que ocorreu por Sua morte, ressurreição e ascensão.  (Ver Sl 2:7 com Atos  13:32-24; Salmos 110:1-3 com Efésios 1:19-23, Salmo 110:4 com Hebreus 5:1-11; Isaías  28:16 com I Pedro 2:6-8, João 7:39, 17:1; Atos 2:33, 3:13, 4:10-12, 5:31, Romanos 1:3-4;  Filipenses 2:5-11.)

Se Jesus Cristo não fosse verdadeiramente humano, com potencial humano cheio de sofrimento,  experiência, a obediência, crescimento e transformação, estes textos não teriam sentido quando   eles falam dele como se tornou perfeito através do sofrimento e ser exaltado pela ressurreição.  Se o Seu corpo não tinha nenhum relacionamento biológico ou genético com outros seres humanos, se Ele fosse “divino na  carne “ou isento de fragilidade humana, tais qualificações não teriam sentido,  porque uma divindade não precisa se qualificar para a glorificação, exaltação, ou qualquer papel que Ele escolha  tomar  nos assuntos de sua criação. Somente quando reconhecemos Jesus como um verdadeiro ser humano, que descende através de humanos, é que  podemos entender estas declarações.

Para se ter uma ideia mais clara do que eu disse até o presente momento, basta observar como dois versículos do Livro de Hebreus denunciam de forma escancarada a visão errônea que milhões de cristãos tem do Senhor Jesus. São dois contextos importantíssimos que reforçam os argumentos aqui apresentados.

Ainda que era Filho, aprendeu a obediência, por aquilo que padeceu. E, sendo ele consumado, veio a ser a causa da eterna salvação para todos os que lhe obedecem” (Hebreus 5:8, 9).

Porque convinha que aquele, para quem são todas as coisas, e mediante quem tudo existe, trazendo muitos filhos à glória, consagrasse pelas aflições o príncipe da salvação deles” (Hebreus 2:10).

Mais uma vez, é claro que há algo muito errado com a ideia popular que Jesus era um ser divino vestido de um corpo humano. Você consegue imaginar alguém que aprende “obediência através daquilo que sofreu” ser cheio de divindade? Em outras palavras, você pode imaginar uma pessoa divina ser “aperfeiçoada através do sofrimento”?

Claro que não. Temos aqui a descrição de um homem de verdade construindo um personagem perfeito, camada sobre camada.

Não podemos aceitar qualquer  doutrina que defende uma divindade corruptível que divorcia Jesus Cristo de uma biológica  relação genética para a humanidade. Não podemos aceitar a ideia básica de que a humanidade e divindade estavam inseparavelmente unidas na pessoa de Cristo quando ele aqui andou. Assim, Cristo foi  uma pessoa  em todos os sentidos.  Jesus “foi  Deus” manifesto na carne, não de Deus por um residente ou encarnação, mas por identidade e representação.

As relações genéticas de Cristo com a humanidade foi herdado  de  sua mãe, Maria.  Ele é, assim, parte da raça humana, o descendente biológico de Adão e Eva,  Abraão e Davi, e qualificado para reconciliar humanos pecadores com Deus.   A doutrina da carne divina ou “carne celestial” de Cristo,  definido como a negação de que Jesus Cristo era biológica ou geneticamente relacionado à humanidade  através de Maria, sua mãe, é biblicamente falso.

Jesus Cristo não era um meio homem, sendo um semideus, uma segunda pessoa na  Trindade, uma pessoa divina temporariamente destituído de alguns atributos divinos, a transmutação do  Deus em carne, a manifestação de uma parte de Deus, a animação de um corpo humano por Deus. Não, Jesus era realmente um homem, um verdadeiro ser humano.

Jesus não foi uma entidade

Muitos acreditam que Jesus foi um homem com um corpo divino, o que seria dizer: homem com carne divina. Isto não está de acordo com a divindade de Cristo. A divindade de Jesus esta ligada a sua autoridade espiritual, que o envolve na missão para a qual, só Ele, foi o escolhido, salvar a humanidade, o que fez como homem, e não como um Deus, ou o próprio Deus, literalmente. A interpretação de divindade herdada da ortodoxia cristã sobre a pessoa de Jesus parece estar ligada a divindade da carne, o que não passa de heresia, pois transforma o cristão  numa pessoa que tem uma fé baseada em conhecimento místico e experimental do divino nos objetos e corpos mortos e pessoas vivas, o que é mais parecido com um gnosticismo misturado com misticismo do que o Cristianismo do Novo Testamento, e é uma característica de todas as religiões místicas.

A divindade que eles exigem esta ligada para além deste mundo, uma definição de divindade que ultrapassa as mais altas nuvens, cheia de espiritualismo, que acabou criando uma onda de misticismo envolvendo a pessoa de Jesus de Nazaré. Ou seja, diante da exigência espiritual temporal, que transformaram Jesus em um ser, que é uma herança da interpretação católica, descobre-se que o Jesus histórico  desapareceu por completo, dando lugar a figura de um fantasma que se manifestou entre os homens – transformaram Jesus numa entidade que baixou na terra entrando dentro do corpo de um bebe. Jesus foi confundido com uma coisa do outro mundo!

Isso tudo nos impulsiona inevitavelmente para os criadores de divindades, o catolicismo romano. O romanismo, quando menciona a divindade de Jesus, logo posiciona a mãe na frente do filho que ela gerou. Assim, transformaram Maria numa figura esplendidamente embelezada e revestida com roupagem doutrinaria católica; não a Maria bíblica, a judia  e mãe, mas sim a divindade que tomou impulso por causa da suposta virgindade, o que explicaria o título de santíssima, pois é esse o único motivo que reforça seu título: a sua virgindade que a transformou em divindade. Isso pode ser notado pela ênfase  dada a pessoa de Maria, considerando-a não humana, o que, provavelmente os levem a pensar que a natureza dos deuses tenha criado nela o desinteresse pelo o que é terreno e carnal, dando a Maria o poder da abstinência, da pureza sexual, que por fim fez dela a milagrosa,  divina, pura e imaculada.

O catolicismo visualiza Maria como alguém que não foi gerado como foram os outros seres humanos, o que supostamente criou nela uma blindagem que a protegia do lado impuro humano. Associaram a figura de Jesus à figura da mãe, transformando-o numa coisa, onde numa metade dele morava Deus mesmo e na outra metade um homem diferente dos humanos. Por isso uma não pequena parte de cristãos acredita  que Deus movia e animava o corpo de Jesus. Um engano, pois a  divindade de Jesus esta ligada a sua missão que gerou sua obediência, fazendo dele um homem casto não por exigência religiosa de deuses internos e externos, mas sim por amor a Deus, dedicação e posição – bem diferente da divindade exigida pelo catolicismo  e pela ortodoxia protestante. Ao contrário de que muitos pensam, Jesus e Maria não são duas criaturas de outro mundo disfarçadas de seres humanos.

Por fim, e resumindo em poucas palavras o que  registro até aqui, quero dizer que o catolicismo romano e a ortodoxia protestante geraram o suficiente para que suspeitemos de seu ensino sobre divindade de Jesus. Quando tentam definir o que é divindade, em se  tratando da pessoa de Jesus e sua mãe, estão simplesmente interpretando como se eles fossem duas entidades. Eles transformaram o Salvador e a virgem  em entidades que desceram a terra. Isso faz com que eles adentrem aos porões do diviníssimo misterioso oculto, o que é um perigo – isso é espiritismo. Jesus não foi um espírito que baixou na terra! E mesmo que Ele tenha sido gerado de uma maneira totalmente incrível, ele foi, sem duvida, 100% homem, um nascido de mulher (Gal 4:4).