Quem é o Príncipe do Exército do Senhor?

Depois que Josué e o povo de Israel cruzaram o Jordão, antes de atacarem Jericó, ele teve este estranho encontro:

E sucedeu que, estando Josué perto de Jericó, levantou os seus olhos e olhou; e eis que se pôs em pé diante dele um homem que tinha na mão uma espada desembainhada; e chegou-se Josué a ele, e disse-lhe: És tu dos nossos, ou dos nossos inimigos?

E disse ele: Não, mas venho agora como príncipe do exército do SENHOR. Então Josué se prostrou com o seu rosto em terra e o adorou, e disse-lhe: Que diz meu senhor ao seu servo?

Então disse o príncipe do exército do Senhor a Josué: Descalça os sapatos de teus pés, porque o lugar em que estás é santo. E fez Josué assim”? (Josué 5:13-15).

Este príncipe é um anjo; e os anjos foram criados por Deus: “Assim, os céus, e a terra, e todo o seu exército foram acabados” (Gn 2.1). Os anjos estão incluídos aqui como parte do exército celestial. Davi chama os anjos de ministros de Deus: “Bendizei ao SENHOR, todos os seus exércitos, vós, ministros seus, que executais o seu beneplácito” (Sl 103.21). Em Neemias é dito que Deus os criou: “Tu só és SENHOR, tu fizeste o céu, o céu dos céus e todo o seu exército, a terra e tudo quanto nela há, os mares e tudo quanto neles há; e tu os guardas em vida a todos, e o exército dos céus te adora” (Ne 9.6).

Por meio desta adoração feita pelos levitas nos dias de Esdras e Neemias, o Senhor nos revela que os anjos, isto é Seu exército, foram criados por Ele. Que o exército do Senhor deve significar os anjos fica claro em textos como Gênesis 32: 2 ; 1 Reis 22:19; 2 Reis 6:16-17; Salmo 103: 20, 21 ; Salmo 148: 2.

Veja as passagens

Jacó também seguiu o seu caminho; e encontraram-no os anjos de Deus. Quando Jacó os viu, disse: Este é o exército de Deus. E chamou àquele lugar Maanaim” (Gênesis 32:1-2).

Micaías prosseguiu: Ouve, pois, a palavra do Senhor! Vi o Senhor assentado no seu trono, e todo o exército celestial em pé junto a ele, à sua direita e à sua esquerda” (1 Reis 22:19).

Bendizei ao Senhor, vós anjos seus, poderosos em força, que cumpris as suas ordens, obedecendo à voz da sua palavra! Bendizei ao Senhor, vós todos os seus exércitos, vós ministros seus, que executais a sua vontade! (Salmos 103:20-21).

Louvai-o, todos os seus anjos; louvai-o, todos os seus exércitos” (Salmos 148:2).

O Príncipe do exército do Senhor, visto por Josué, é um anjo;  ele aparece no meio do acampamento sem avisar. Ele está com uma “espada desembainhada em sua mão”. Esta expressão ocorre apenas mais três vezes no AT e se refere apenas aos guerreiros angélicos: “A jumenta viu o anjo do Senhor parado no caminho, com a sua espada desembainhada na mão e, desviando-se do caminho, meteu-se pelo campo; pelo que Balaão espancou a jumenta para fazê-la tornar ao caminho”  (Números 22:23). Compare com 22:31: “Então o Senhor abriu os olhos a Balaão, e ele viu o anjo do Senhor, que estava no caminho e a sua espada desembainhada na mão; pelo que inclinou a cabeça, e prostrou-se sobre a sua face”. Como Josué, Balaão se curva ao chão ao identificar o homem misterioso.

Em 1 Crônicas 21 (referência cruzada de 2 Samuel 24 ), quando Davi e Israel são punidos com uma praga, Davi vê “o anjo do Senhor em pé entre o céu e a terra, com uma espada desembainhada na mão dirigida contra Jerusalém” (1 Cr 21:16). Como Balaão e Josué, Davi e os anciãos de Israel se prostram ao chão ao ver o anjo. Aqui ele eles o fazem para evitar mais punições: “E Davi, levantando os olhos, viu o anjo do Senhor, que estava entre a terra e o céu, tendo na mão uma espada desembainhada estendida sobre Jerusalém. Então Davi e os anciãos, cobertos de sacos, se prostraram sobre os seus rostos” (1 Crônicas 21:16).

Alguns teólogos especulam que este anjo que aparece para Josué é Jesus Cristo preencarnado. A reinvindicação é que, como não devemos adorar anjos (Colossenses 2:18; Apocalipse 19:10; 22: 8-9) ou homens (Atos 10:26; Mt 4:10), logo, esse capitão do exército do Senhor só pode ser Jesus antes da sua encarnação porque Josué o adorou. E se Josué o adorou, e só Deus poder ser adorado, então Jesus é Deus, concluem os trinitarianos.

Josué não adorou o anjo, como veremos adiante. Além disso, este anjo não pode ser o Cristo preencarnado, pois os anjos foram criados por Deus e isso vai contra o conceito primário trinitariano de que Jesus é um ser eterno, não criado.

A palavra “anjo” significa “mensageiro”. Jesus não pode ter sido usado por Deus como um mensageiro no VT (Hb 1:1,2). Ele é o mediador da Nova Aliança. O mediador da Nova Aliança nunca foi um anjo (Hb 1:4,5). Além disso, o ministério do Filho não havia se iniciado ainda (Compare com Gal 4:4 e Hebreus 1:1). De fato, a missão de Jesus como Aquele que o Pai enviou ao mundo só teve início um milênio e meio depois de Josué (João 8:18, João 3:17).

Este comandante é um apenas um anjo, embora não seja um anjo qualquer; ele é alguém que fala no lugar de Deus. Observe que o capitão do exército do Senhor usa a mesma linguagem usada em Êxodo 3: 5 (“Tira as sandálias dos pés, porque o lugar em que estás é santo” – Josué 5:15). Porém, não implica que essa pessoa seja necessariamente Deus. A linguagem é idêntica àquela usada na ocasião do Monte Sinal, na entrega das tábuas dos Mandamentos, mas quem falou com Moisés ali foi um anjo; “Moisés esteve na congregação no deserto, com o anjo que lhe falava no monte Sinai, e com os nossos antepassados, e recebeu palavras vivas, a fim de nos serem transmitidas” (Atos 7:38). Na ocasião da sarça ardente (Êxodo 3:2), quem também falou a Moisés foi um anjo: “E apareceu-lhe o anjo do Senhor em uma chama de fogo do meio duma sarça…”.

Ao longo do AT, Deus fala através de um anjo (Gênesis 16: 7-13; 48: 15-16; Êxodo 3: 2 -6). O anjo do Senhor é uma representação do próprio Deus. Portanto, o anjo que Josué viu era o Príncipe das “hostes” do Senhor que era uma hoste angélica: “Louvai-o, todos os seus anjos; louvai-o, todas as suas hostes!” (Salmos:148:2). O texto (Josué 5:14 ACF) identifica a figura como “o Príncipe do exército do Senhor”, não o próprio Senhor. O próprio título é uma forte evidência de que alguém além do Senhor é indicado. Este “capitão do exército do Senhor” faz parte de uma “hoste” angelical. Hoste  na Bíblia é um exército invisível, invisível ao olho humano que cerca o trono de Deus.

Leia os textos: “Orou Eliseu e disse: Senhor, peço-te que lhe abras os olhos para que veja. O Senhor abriu os olhos do moço, e ele viu que o monte estava cheio de cavalos e carros de fogo, em redor de Eliseu” (2 Reis 6:17).

Bendizei ao Senhor, todos os seus exércitos, vós, ministros seus, que fazeis a sua vontade” (Salmos 103:21).

Louvai-o, todos os seus anjos; louvai-o, todas as suas legiões celestes” (Salmos 148:2).

Lembre-se que Cristo disse que doze legiões de anjos estavam prontos para defendê-lo.

O exame das Escrituras revela que Deus frequentemente emprega anjos no desdobramento de Seu plano de redenção. Do anjo que guardava o caminho para a árvore da vida em Gênesis 3:24 ao anjo que Jesus enviou para dar a visão final da Palavra de Deus em Apocalipse 22:16. Os anjos são usados para dar ajuda física ao povo de Deus, liberar mensagens e até mesmo executar julgamento sobre o impenitente.

O aparecimento de uma figura que é descrita com os títulos ou características de Deus, mas também com os de um anjo, não é incomum no VT (Juízes 13:3 e 13:22). Outros exemplos podem ser encontrados fazendo uma pesquisa sobre o  “Anjo do Senhor”.

Na verdade, muitas vezes, quando essas figuras aparecem, são referidas como o Senhor e seu anjo indistintamente (por exemplo, “o Anjo de Deus disse Eu sou o Deus de Betel” (Gn 31:11-13). O próprio Deus diz sobre o anjo que seguia Israel pelo deserto: “meu nome está nele” (Êxodo 23:21). Acredito que isto destaca o fato de que sempre que o Deus infinito aparece ao homem, há necessariamente um aspecto mediador – nunca se pode vê-lo “como Ele é” (João 1:18), mas apenas como Ele se revela. Isso nos lembra de Sua glória inefável e majestade insondável.

Como todos os outros anjos, o capitão pode atuar como um mensageiro de Deus (Êxodo 23: 20-22). Quando ele e outros anjos funcionam dessa maneira, eles podem falar como Deus, agir como Deus, receber homenagem como Deus, etc., porque eles tem a autoridade de Deus, embora permaneçam distintos.

Acho que a chegada do capitão foi significativa para Josué porque foi o cumprimento da promessa de Deus de que Israel receberia a liderança de um anjo particularmente poderoso, que possui plena autoridade e identidade do Senhor, para derrotar os residentes de Canaã (Êxodo 23: 23-24). Ao resgatar Israel do Egito, o anjo trabalhou sozinho, não como um líder militar (Êxodo 14: 19-20). Mas quando chegou a hora de os israelitas começarem sua campanha em Canaã, o anjo tomou seu lugar como capitão do exército do Senhor para “expulsar os cananeus, os amorreus, os hititas, os perizeus, os heveus e os jebuseus”, como Deus prometeu (Êxodo 33: 2), então ele apareceu a Josué “com uma espada desembainhada na mão.

E novamente: Ele era um anjo! Essa teoria observa que o ser se identifica como o “comandante” do exército do Senhor, que ao mesmo tempo era o próprio Senhor, o Deus pai, é claro.  No versículo 6: 2, Josué afirma que o Senhor falou, sendo este o anjo no versículo 5: 14-15. Isso deve apenas  significar que o Senhor falou por meio deste homem (anjo).

Vemos situações semelhantes em outros textos. O “Anjo do Senhor” manifestado a Gideão (Juízes 6: 11-22). O “anjo do Senhor” (versículo 11) é equiparado ao “Senhor”. O verso  24 diz: “Gideão edificou ali um altar ao Senhor”.

Leia sobre o anjo  manifestado a Manoá (Juízes 13: 3-21); o verso 3 se refere a ele como o “anjo do Senhor” (versículo 3) que ela viu como “um homem de Deus” (versículo 6). Note esse detalhe; ela diz ao marido: “Veio a mim um HOMEM de Deus”. E Manoá disse que eles “viram a Deus” (versículo 22).

Josué adorou o Anjo?

O fato de que Josué adorou esse anjo não é uma indicação tão clara quanto se propõe.  A palavra hebraica shachah, que é traduzida aqui como adoração, às vezes é traduzida nas Escrituras como reverência, o tipo de reverência que um homem pode dar a um homem que é seu superior ou que um homem pode dar a um anjo com justiça.  Este é o tipo de reverência que os irmãos de José lhe ofereceram (Gênesis 43:28), que Moisés ofereceu a seu sogro (Êxodo 18: 7), o mesmo gesto foi oferecido ao Rei Salomão pela sua própria mãe (1 Reis 1:16). Como o gesto que Rute prestou a Boaz: “Então ela, inclinando-se e prostrando-se com o rosto em terra, perguntou-lhe: Por que achei eu graça aos teus olhos, para que faças caso de mim, sendo eu estrangeira?” (Rute 2:10).

Acompanhe situações semelhantes

E Mefibosete, filho de Jônatas, filho de Saul, veio a Davi e, prostrando-se com o rosto em terra, lhe fez reverência. E disse Davi: Mefibosete! Respondeu ele: Eis aqui teu servo” (2 Samuel 9:6).

A mulher tecoíta, pois, indo ter com o rei e prostrando-se com o rosto em terra, fez-lhe uma reverência e disse: Salva-me, o rei” (Samuel 14:4).

Então aquele servo, prostrando-se, o reverenciava, dizendo: Senhor, tem paciência comigo, que tudo te pagarei” (Mateus 18:26).

E veio Judá com seus irmãos à casa de José, pois ele ainda estava ali; e prostraram-se em terra diante dele” (Gênesis 44:14).

Compare com algumas traduções de Josué 5:14

Josué 5:14, NVI : “ … não, disse ele, mas como comandante do exército do SENHOR eu vim. Então Josué caiu com o rosto no chão em reverência e perguntou-lhe: Que mensagem meu Senhor tem para seu servo?”

Josué 5:14, NASB: “Ele disse: Não; antes, na verdade, venho agora como capitão do exército do Senhor.’ E Josué, prostrando-se com o rosto em terra, curvou-se e disse-lhe: ‘Que tem o meu senhor a dizer ao seu servo?”

Josué 5:14, NLT : “Nenhum dos dois, respondeu ele. sou o comandante do exército do Senhor. ‘ Com isso, Josué caiu com o rosto no chão em reverência. ‘Estou às suas ordens’, disse Josué. O que  queres que seu servo faça?”

Josué 5:14 (LEB) “E ele disse: Não. Eu vim agora como comandante do exército de Yahweh. E Josué prostrou-se com o rosto em terra, {inclinou-se} e disse-lhe: O que é que meu senhor está ordenando ao seu servo?”

Josué 5:14 (NAS) “Ele disse: não; antes, na verdade, venho agora como capitão do exército do Senhor.” E Josué, prostrando-se com o rosto em terra, curvou-se e disse-lhe: O que tem o meu senhor a dizer ao seu servo?”

Josué 5:14 (NCV) “O homem respondeu: não. Vim como comandante do exército do Senhor”. Então Josué se curvou com o rosto para baixo no chão e perguntou: Meu senhor tem uma ordem para mim, seu servo?”

Josué 5:14 (NIRV) “Não estou de nenhum lado”, respondeu ele. Eu vim como comandante do exército do Senhor. Então Josué caiu com o rosto no chão. Ele perguntou ao homem: Que mensagem meu Senhor tem para mim?”

Josué 5:14 (NLT) “Nenhum dos dois”, respondeu ele. Eu sou o comandante do exército do Senhor.” Com isso, Josué caiu com o rosto no chão em reverência. Estou às suas ordens, disse Joshua. O que você quer que seu servo faça?”

Bíblia Judaica Ortodoxa

Yehoshua 5:14 (OJB) “E ele disse: Lo (não); mas como Sar Tze’va Hashem sou, agora vim. E Yehoshua caiu com o rosto no chão, prostrou-se e disse-lhe: O que diz Adoni a seu eved?”

Versão contemporânea em inglês “Nenhum dos dois, respondeu ele. Estou aqui porque sou o comandante do exército do Senhor.” Josué caiu de joelhos e se curvou no chão. Eu sou seu servo, disse ele. “Me diga o que fazer”.

NET Bible, “Ele respondeu: “Na verdade, sou o comandante do exército do Senhor. Josué se curvou com o rosto para o chão e perguntou: “O que meu senhor quer dizer ao seu servo?”

JPS Tanakh 1917 “E ele disse: não, mas eu sou o chefe do exército do Senhor; Eu agora vim. E Josué, prostrando-se com o rosto em terra, curvou-se e disse-lhe: Que diz meu senhor a seu servo?”

New American Standard 1977 “E ele disse: “não, eu realmente venho agora como capitão do exército do Senhor”. E Josué, prostrando-se com o rosto em terra, disse-lhe: “Que tem o meu senhor a dizer ao seu servo?”

Tradução literal de Young “E ele disse: não, porque sou o Príncipe do exército de Jeová; agora eu vim; ‘ e Josué, prostrando-se com o rosto em terra, curvou-se e disse-lhe: ‘O que meu Senhor fala a Seu servo?

Isso é característico de um servo em submissão na presença do seu Rei e não pode ser classificado como adoração: Josué caiu com o rosto no chão e se curvou e disse a Ele: “O que meu senhor tem a dizer ao seu servo”? Isto é, que ordens o meu Senhor tem para mim – ele estava pronto para executá-las. Josué estava sinceramente disposto a sujeitar-se a ele como chefe-general das forças israelitas, a considerar-se e a comportar-se como um oficial subordinado a ele e a obedecer a todas as ordens que deveriam ser dadas.

A atitude  dos irmãos de José, que não o reconheceram no Egito, foi similar ao ato de Josué. Considerando José como o “Senhor da terra” (Gn 42:30,33), seus irmãos  “se prostraram diante dele” (Gn 43:28).

Em várias passagens das Escrituras podemos observar a mesma atitude de pessoas reverenciando reis de Israel e outros homens de posição elevada, sendo que o uso da palavra é a mesma de Josué 5:14.

Evidente que o homem visto por Josué não é um homem comum. Ele é o capitão do exército do Senhor, enviado para dar instruções e ajudar Josué e o povo na conquista de Jericó. Ao ver este homem, Josué se joga no chão e lhe presta  reverência respeitosamente. De acordo com a cultura de então, as pessoas reverenciavam aqueles com maior autoridade. Além disso, quando Josué se refere a este ser com a palavra “senhor”, ele usa a palavra hebraica “Adoni” (que é usada, também, para seres humanos) não Yahweh.

Em resposta à revelação do caráter do homem que viu, Josué “prostrou-se com o rosto em terra, e adorou/reverenciou, e disse-lhe: Que diz meu senhor ao seu servo”? O verbo “adorar” se refere tanto à adoração a Deus (Gn 24:26) quanto à prostração em reverência ou respeito perante os homens (Gn 23:12) ou anjos (Gn 19: 1). O verbo aparece como “curvar-se/abaixar” em Isaías 51:23, e em Provérbios 12:25, como “inclinar-se”.

O verbo é traduzido como “adorar” 99 vezes de suas 172 aparições nas Escrituras, e nas outras ocasiões aparece como “curvar-se” ou “inclinar-se”. E no caso de Josué, a palavra não prova conclusivamente que ele  se prostrou diante do anjo em adoração – não será necessário discursar aqui sobre a identidade desse homem, que é um anjo; se é um anjo, não pode ser Jesus. Além disso, o próprio Deus fez uma distinção clara entre Jesus e os anjos: “Pois a qual dos anjos disse jamais: Tu és meu Filho, eu hoje te gerei? E outra vez: Eu lhe serei Pai, e ele me será Filho? (Hebreus 1: 5). Deus está dizendo que aquele anjo que se manifestou a  Josué jamais foi seu filho!

O Príncipe do Exército do Senhor e Miguel

 Antes de responder se este Comandante do exército do Senhor é Miguel, eu vou mostrar quem Miguel não é; de acordo com as Testemunhas de Jeová, Jesus pode ser entendido “pelas escrituras como o arcanjo Miguel” (Torre de Vigia, 1979, p. 29). “O grande príncipe Miguel não é outro senão o próprio Jesus Cristo” (Torre de Vigia, 1984, p. 29). A edição de 15 de maio de 1969 da Torre de Vigia das Testemunhas de Jeová, sugeriu: “Há evidências bíblicas para concluir que Miguel era o nome de Jesus Cristo antes de deixar o céu e depois de seu retorno” (p. 307).

Um texto chave usado por eles é Daniel 12: 1 “E naquele tempo se levantará Miguel, o grande príncipe que representa os filhos do teu povo: e haverá um tempo de angústia, como nunca houve desde que houve uma nação [até] para o mesmo tempo: e naquele tempo o teu povo será entregue, todo aquele que for achado escrito no livro

Daniel fala de Miguel como príncipe em 10: 21: “Mas eu te declararei o que está expresso na escritura da verdade; e ninguém há que esteja ao meu lado contra aqueles, a não ser Miguel, vosso príncipe”.

Na visão do mundo hebraico antigo, e na realidade, Deus designa anjos para governar e influenciar governos humanos (por exemplo, 1 Reis 22). Esses anjos são chamados de “príncipes”. Em Daniel 10:13, aprendemos que o príncipe da nação pagã da Pérsia se opôs ao mensageiro angelical enviado a Daniel. Em outras palavras, o príncipe da Pérsia era um anjo caído.

Os problemas para os Testemunhas de Jeová e alguns grupos Adventistas do Sétimo dia, que continuam ensinando que o Anjo Miguel é Jesus, são gigantescos.

Miguel não é  Jesus

O “arcanjo” Miguel é citado em apenas três livros da Bíblia; em Daniel, Apocalipse e Judas. Vou focar aqui em Judas 1: 8,9, que diz: “Ora, estes, da mesma sorte, quais sonhadores alucinados, não só contaminam a carne, como também rejeitam governo e difamam autoridades superiores.

Contudo, o arcanjo Miguel, quando contendia com o diabo e disputava a respeito do corpo de Moisés, não se atreveu a proferir juízo infamatório contra ele; pelo contrário, disse: O Senhor te repreenda!”

Miguel, que nem mesmo achava apropriado condenar ou repreender o diabo em seu próprio nome, mas apenas em nome do Senhor, disse a ele: “O Senhor te repreenda”. Mas Jesus, o Filho de Deus, nunca foi de forma alguma subserviente ao diabo. Satanás nunca teve autoridade sobre o Filho de Deus. Quando Jesus se envolveu diretamente com Satanás, visto mais claramente em sua tentação, Ele apresentou uma atitude muito diferente daquela de Miguel; Jesus se mostra disposto a corrigir e repreender Satanás diretamente: “Levou-o ainda o diabo a um monte muito alto, mostrou-lhe todos os reinos do mundo e a glória deles e lhe disse: Tudo isto te darei se, prostrado, me adorares. Então, Jesus lhe ordenou: Retira-te, Satanás, porque está escrito: Ao Senhor, teu Deus, adorarás, e só a ele darás culto. Com isto, o deixou o diabo, e eis que vieram anjos e o serviram” (Mateus 4:8-11).

Percebeu  a diferença na autoridade? Miguel não ousou pronunciar nenhuma sentença de injúria contra o diabo (cf. 2 Pedro 2:11), mas Jesus o fez. Jesus uma vez declarou sobre Satanás: “Vós tendes por pai ao diabo, e quereis satisfazer os desejos de vosso pai. Ele foi homicida desde o princípio, e não se firmou na verdade, porque não há verdade nele. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso, e pai da mentira” (João 8:44).

Jesus não abordou o assunto de repreender Satanás com a mesma hesitação dos anjos piedosos como Miguel. Jesus, como Senhor do céu e da terra (Mateus 28: 18), ousadamente chamou o diabo de assassino e mentiroso, e chegou a declarar que “não há verdade nele”. O Filho de Deus obviamente não é o arcanjo Miguel.

O próprio fato de vermos que o Arcanjo Miguel disse: ‘O Senhor te repreende’, demonstra que ele não pode ser Jesus, em outras palavras, se Miguel era o Senhor Jesus, por que Ele se referiria a outra pessoa como Senhor?

Miguel é um deles

Daniel 10:13 diz: “Mas o príncipe do reino da Pérsia me resistiu por vinte e um dias; porém Miguel, um dos primeiros príncipes, veio para ajudar-me, e eu obtive vitória sobre os reis da Pérsia”.

Observe que  Miguel é “UM DOS primeiros príncipes chefes”, o que significa que há vários de categoria semelhante e, portanto, isso só pode se referir a vários seres criados de alta posição. Miguel é o príncipe-chefe dos anjos. Jesus nunca recebeu o título de “príncipe chefe” entre Seus muitos nomes, que incluem “Rei dos reis e Senhor dos senhores” ( Apocalipse 19:16 ). Miguel é um dos vários comandantes do exército angelical. Ele não é único. Jesus, no entanto, não pode ser descrito como um dos principais príncipes, simplesmente um entre muitos príncipes; Ele é o Rei dos reis e Senhor dos senhores, o Chefe de todos os governantes e autoridades:

Esta é a palavra que Deus enviou aos filhos de Israel, anunciando-lhes o evangelho da paz, por meio de Jesus Cristo. Este é o Senhor de todos… e nos mandou pregar ao povo e testificar que ele é quem foi constituído por Deus Juiz de vivos e de mortos” (Atos 10:36, 42 – compare com Romanos 10:12; 14: 9).

“… a suprema grandeza do seu poder para com os que cremos, segundo a eficácia da força do seu poder; o qual exerceu ele em Cristo, ressuscitando-o dentre os mortos e fazendo-o sentar à sua direita nos lugares celestiais, acima de todo principado, e potestade, e poder, e domínio, e de todo nome que se possa referir não só no presente século, mas também no vindouro. E pôs todas as coisas debaixo dos pés e, para ser o cabeça sobre todas as coisas, o deu à igreja, a qual é o seu corpo, a plenitude daquele que a tudo enche em todas” (Efésios 1: 19-23).

“… Jesus Cristo, o qual, depois de ir para o céu, está à destra de Deus, ficando-lhe subordinados anjos, e potestades, e poderes” (1 Pedro 3:22).

Eles farão guerra contra o Cordeiro, mas o Cordeiro os vencerá porque é o Senhor dos senhores e Rei dos reis – e com ele estarão seus seguidores chamados, escolhidos e fiéis” (Apocalipse 17:14 – cf. 19: 11-21; 1: 5; 3:21; 11:15; 12: 5, 10; 22: 1-3).

Assim, Miguel faz parte de um grupo de criaturas, e por mais graduado que seja,  não pode ser Jesus, que detém a autoridade suprema sobre eles. Não sabemos quão grande é esse  grupo do qual Miguel faz parte, mas ele não está sozinho nessa classe.

Mas os argumentos dos TJ não se encerram aqui; eles usam as palavras de Paulo sobre a Volta do Senhor para validar seu ensino; observe que quando Cristo retornar, Ele virá com a voz, ou grito de comando, do arcanjo: “Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro” (1 Tessalonicenses 4:16 ). Se Cristo vem com a voz de arcanjo, eles dizem que Ele deve ser esse arcanjo. Entendem que o único arcanjo citado nas Escrituras é Miguel.

O fato de Cristo vir com a voz, ou grito de comando do arcanjo, não significa que Ele seja esse arcanjo. Qual arcanjo está descendo do céu não está claro, pois há mais de um. Pode nem ser Miguel. Além disso, basta atentar para aparte b do texto quando diz que Ele vem “com o toque da trombeta de Deus”, o que apenas deve significar que outro soa a trombeta. logo, quando lemos que o “Senhor descerá do céu, com grande com a voz do arcanjo”, significa apenas que Sua vinda se seguirá ao brado de um dos anjos da hoste celestial. Sabemos que Jesus não está voltando sozinho, Ele está vindo COM seus anjos:  “E a vós, que sois atribulados, descanso conosco, quando se manifestar o Senhor Jesus desde o céu com os anjos do seu poder” (2 Tessalonicenses 1: 7).

O anjo Miguel não pode ser Jesus, pois a qual dos anjos Deus disse: “Sente-se à minha direita?” (Hebreus 1:13). Jesus não poderia, portanto, ser o arcanjo Miguel porque as Escrituras dizem que Jesus está assentado à destra de Deus Pai.

Em Hebreus 1–3 , o autor se propõe a demonstrar que Jesus é superior aos profetas, anjos e Moisés. Somos informados de que Jesus é a revelação final de Deus (1: 1-2). Depois de declarar explicitamente que Ele é “muito superior aos anjos”, o autor de Hebreus escreve: “Pois a qual dos anjos Deus disse: ‘Tu és meu Filho, hoje eu te gerei?” (Hb 1:5). A resposta óbvia a esta pergunta hipotética é que Deus nunca disse isso a nenhum anjo!

Miguel  lidera uma multidão de anjos em uma guerra vitoriosa contra Satanás e seus demônios em Apocalipse 12. Se o menino que sobe para Deus é Jesus, como entendem os católicos e uma multidão enorme de evangélicos, então Jesus não pode ser ao mesmo tempo o anjo Miguel do texto.

A mulher, que para os católicos é Maria, “deu à luz um filho, um varão que há de reger todas as nações com vara de ferro; e o seu filho foi arrebatado para Deus e para o seu trono. E a mulher fugiu para o deserto, onde já tinha lugar preparado por Deus, para que ali fosse alimentada durante mil duzentos e sessenta dias. Então houve guerra no céu: Miguel e os seus anjos batalhavam contra o dragão. E o dragão e os seus anjos batalhavam …” (Apocalipse 12:5-7).

Jesus (Apocalipse 12: 5) é distinto de Miguel (Apocalipse 12: 7). Como Jesus poderia ser Miguel se ambos são personagens separados na mesma história? Além disso, o livro de Apocalipse se refere a Jesus como “Jesus Cristo” sete vezes, “Jesus” seis vezes, “Cristo” quatro vezes, “Senhor Jesus” uma vez e “Senhor Jesus Cristo” uma vez. Por que o autor do livro do Apocalipse de repente chamaria Jesus Cristo pelo nome de Miguel? Não faz sentido – especialmente porque não há nada em nenhum outro lugar da Bíblia que apoie uma mudança repentina de nome como essa.

Depois de ascender ao céu, o Senhor e Salvador ainda é chamado de Jesus (Atos 9: 5; Apocalipse 22:16). Apocalipse 22:16 destrói ainda mais a distorção de Apocalipse 1: 1 para retratar erroneamente Jesus como um anjo, pois foi Jesus quem enviou seu anjo a João.

O Comandante do Exército do Senhor não é Miguel

Os primeiros cristãos identificaram o comandante do exército de Deus com Miguel. Em Josué, a palavra hebraica para “comandante” é śar. A palavra śar é traduzida em inglês como “príncipe, chefe, capitão, capitão-chefe”. Miguel aparece em Daniel 10:21 como “seu príncipe”. Em Daniel 10:13 ele aparece como “um dos príncipes-chefes” e em Daniel 12: 1 ele aparece como “o grande príncipe”. A referência em Daniel 8:11 é debatida. O “comandante do exército do céu” (Daniel 8:11 NLT) ou “príncipe das hostes” (Daniel 8:11- NRS) foi identificado com Jesus, o que não é verdade.

Veja os textos

Mas o príncipe do reino da Pérsia me resistiu por vinte e um dias; e eis que Miguel, um dos primeiros príncipes, veio para ajudar-me, e eu o deixei ali com os reis da Pérsia. Contudo eu te declararei o que está gravado na escritura da verdade; e ninguém há que se esforce comigo contra aqueles, senão Miguel, vosso príncipe” (Daniel:10:13,21).

Naquele tempo se levantará Miguel, o grande príncipe, que se levanta a favor dos filhos do teu povo; e haverá um tempo de tribulação, qual nunca houve, desde que existiu nação até aquele tempo; mas naquele tempo livrar-se-á o teu povo, todo aquele que for achado escrito no livro” (Daniel:12:1).

Ainda de um deles saiu um chifre pequeno, o qual cresceu muito para o sul, e para o oriente, e para a terra formosa; e se engrandeceu até o exército do céu; e lançou por terra algumas das estrelas desse exército, e as pisou. Sim, ele se engrandeceu até o príncipe do exército; e lhe tirou o holocausto contínuo, e o lugar do seu santuário foi deitado abaixo. E o exército lhe foi entregue, juntamente com o holocausto contínuo, por causa da transgressão; lançou a verdade por terra; e fez o que era do seu agrado, e prosperou” (Daniel 8:9-12).

Observe que no primeiro texto Miguel é chamado de “um dos primeiros príncipes”. No segundo texto ele é chamado de “o grande príncipe”, e no terceiro texto aparece alguém chamado de “o príncipe do exército”, mesma designação dada ao príncipe/comandante que apareceu para Josuéé, que como já vimos, era um anjo.

Seria este  principe do exército aqui em Daniel  o mesmo anjo/comandante/príncipe que apresentou-se diante de Josué como uma espada desembainhada? Esse último pode ser  o mesmo citado como o anjo do Senhor que apareceu para Balaão e Davi: “o anjo do Senhor … com a sua espada desembainhada” (Balaão, Num 22:23); “o anjo do Senhor …  a sua espada desembainhada na mão (Balaão, Num 22:31);o anjo do Senhor, que estava entre a terra e o céu, tendo na mão uma espada desembainhada(Davi, 1 Cro 21:16),  e Josué: “um homem que tinha na mão uma espada desembainhada(Josué 5;14) chamado de “príncipe do exército do Senhor”. Lembre-se que a mulher de Manoá chamou um anjo de homem.

Ao dizer para Josué, “… venho agora como príncipe do exército do Senhor…”, ele está simplesmente dizendo que veio enviado por Deus. Em algumas traduções está assim: “Eu venho como príncipe/comandante do exército”, mas em outras, o anjo diz que “é o príncipe/comandante do exército”, o que deve significar apenas que ele é um anjo de Deus representando o próprio Deus.

Não sabemos se o comandante do exército do Senhor, que apareceu para Josué, é Miguel. Porém, podemos afirmar com toda certeza que ele não é Jesus. Sendo Miguel um dos primeiros príncipes do exército do Senhor, podemos inferir que há outros, e não são poucos. Isso deve significar que este comandante visto por Josué é um deles; é um anjo, como vimos, pois todos eles são anjos; são guerreiros do exército celestial.

Quem é o Príncipe do Exército citado em Daniel 8:11?

E o bode se engrandeceu sobremaneira; mas, estando na sua maior força, aquele grande chifre foi quebrado; e no seu lugar subiram outros quatro também insignes, para os quatro ventos do céu.

E de um deles saiu um chifre muito pequeno, o qual cresceu muito para o sul, e para o oriente, e para a terra formosa.

E se engrandeceu até contra o exército do céu; e a alguns do exército, e das estrelas, lançou por terra, e os pisou.

E se engrandeceu até contra o príncipe do exército; e por ele foi tirado o sacrifício contínuo, e o lugar do seu santuário foi lançado por terra” (Daniel 8:8-11).

A referência mais comparável à frase de Josué 5:14 aparece em Daniel 8:11 , onde o “chifre pequeno (v. 9) … engrandeceu-se contra o príncipe do exército”. O “príncipe do exército” em Daniel 8:11 é debatido, mas ele não é Jesus. Ele pode ser o “Príncipe dos príncipes” citado no verso 25. Ele é o próprio Deus. E note: Daniel apenas menciona o príncipe do exército. Ou seja: O PRÍNCIPE NÃO ESTÁ NA CENA!

Atente para os detalhes; o texto fala do  santuário, ou lugar santo do “Príncipe do exército”, isto é, de Deus. A referência é ao templo, se entendermos literalmente. Essa interpretação é a mais provável; e a ideia na frase “príncipe das hostes” é que, como Deus é o governante das hostes do céu – liderando as constelações e comandando as estrelas, ele pode ser considerado o governante do exército sagrado, tanto do Céu como da Terra. Ou seja, as hostes no céu e na terra, estrelas, anjos e ministros terrenos.

A tradução da Easy-to-Read Version (ERV) apresenta o texto confirmando a ideia de que esse príncipe/governante é Deus, Veja em Inglês com a tradução para o Português:

“That little horn became very strong, and it turned against God, the Ruler of heaven’s army. It stopped the daily sacrifices that were offered to the Ruler. And the holy place where people worshiped the Ruler was pulled down”.

Esse chifre pequeno ficou muito forte e se voltou contra Deus, o Governante do exército do céu. Ele parou os sacrifícios diários que eram oferecidos ao Governante. E o lugar sagrado onde as pessoas adoravam o Governante foi demolido“.

A Evangelical Heritage Version (EHV)  também aponta para Deus:

“It exalted itself against the Prince of the Army. It deprived him of the continual sacrifice, and the place of his sanctuary was thrown down”.

Exaltou-se contra o Príncipe do Exército. Isso o privou do sacrifício contínuo, e o lugar de seu (do Príncipe do Exército) santuário foi derrubado”.

1599 Geneva Bible (GNV)

“And extolled himself against the prince of the host, from whom the daily sacrifice was taken away, and the place of his Sanctuary was cast down”.

E exaltou-se contra o príncipe do exército, de quem o sacrifício diário foi tirado, e o lugar do seu santuário foi derrubado”.

GOD’S WORD Translation (GW)

“Then it attacked the commander of the army so that it took the daily burnt offering from him and wrecked his holy place”.

Em seguida, atacou o comandante do exército para que tomasse o holocausto diário dele e destruísse seu lugar sagrado”.

Good News Translation (GNT)

“It even defied the Prince of the heavenly army, stopped the daily sacrifices offered to him, and ruined the Temple”.

Até desafiou o Príncipe do exército celestial, interrompeu os sacrifícios diários oferecidos a ele e arruinou o Templo”.

Veja tradução da ISV (International Standard Version)

Depois, opôs-se arrogantemente ao Príncipe do Exército Celestial, de quem o holocausto normal foi retirado, a fim de derrubar seu santuário”.

A Living Bible (TLB)

“He even challenged the Commander of the army of heaven by canceling the daily sacrifices offered to him and by defiling his Temple”.

Ele até desafiou o comandante do exército do céu cancelando os sacrifícios diários oferecidos a ele e profanando seu templo”.

Lexham English Bible (LEB)

“Even against the prince of the hosts it acted arrogantly and took away from him the regular burnt offering, and the place of his sanctuary was overthrown”.

“Mesmo contra o príncipe dos exércitos, agiu com arrogância e tirou dele (do Príncipe=Deus) o holocausto normal, e o lugar do seu (do Príncipe=Deus) santuário foi destruído”.

A International Children’s Bible (ICB) foi a mais clara de todas:

“That little horn became very strong against God, the commander of heaven’s armies. It stopped the daily sacrifices that were offered to the commander. The place where people worshiped the commander was pulled down”.

Esse chifre pequeno ficou muito forte contra Deus, o comandante dos exércitos do céu. Parou os sacrifícios diários que eram oferecidos ao comandante. O lugar onde as pessoas adoravam o comandante foi demolido”.

Agora veja desde o verso 9 pela The Message (MSG) translation:

“Then the billy goat swelled to an enormous size. At the height of its power its immense horn broke off and four other big horns sprouted in its place, pointing to the four points of the compass. And then from one of these big horns another horn sprouted. It started small, but then grew to an enormous size, facing south and east—toward lovely Palestine. The horn grew tall, reaching to the stars, the heavenly army, and threw some of the stars to the earth and stomped on them. It even dared to challenge the power of God, Prince of the Celestial Army! And then it threw out daily worship and desecrated the Sanctuary. As judgment against their sin, the holy people of God got the same treatment as the daily worship. The horn cast God’s Truth aside. High-handed, it took over everything and everyone.

Então o bode inchou e ficou enorme. No auge de seu poder, seu imenso chifre se quebrou e quatro outros grandes chifres brotaram em seu lugar, apontando para os quatro pontos cardeais. E então de um desses grandes chifres outro chifre brotou. Começou pequeno, mas depois cresceu para um tamanho enorme, voltado para o sul e o leste – em direção à adorável Palestina. O chifre cresceu alto, alcançando as estrelas, o exército celestial, e jogou algumas das estrelas para a terra e pisou nelas. Até ousou desafiar o poder de Deus, Príncipe do Exército Celestial! E então expulsou a adoração diária e profanou o Santuário. Como julgamento contra seus pecados, o povo santo de Deus recebeu o mesmo tratamento que a adoração diária. O chifre jogou a verdade de Deus de lado; arrogante, assumiu tudo e todos“.

E a New Century Version (NCV) fecha de forma brilhante:

“That little horn set itself up as equal to God, the Commander of heaven’s armies. It stopped the daily sacrifices that were offered to him, and the Temple, the place where people worshiped him, was pulled down”.

Esse chifre pequeno se apresenta como igual a Deus, o Comandante dos exércitos do céu. Isso parou os sacrifícios diários que eram oferecidos a ele, e o Templo, o lugar onde as pessoas o adoravam, foi demolido”.

Daniel 8:25 esclarece que “ele se levantará contra o Príncipe dos príncipes”; “Contra o Deus dos deuses” (Daniel 11:36; compare com Daniel 7: 8). Ele não apenas se opõe ao antigo povo de Deus, mas também ao próprio Deus.

Jesus está em Daniel 10?

E levantei os meus olhos, e olhei, e eis um homem vestido de linho, e os seus lombos cingidos com ouro fino de Ufaz; e o seu corpo era como berilo, e o seu rosto parecia um relâmpago, e os seus olhos como tochas de fogo, e os seus braços e os seus pés brilhavam como bronze polido; e a voz das suas palavras era como a voz de uma multidão” (Daniel 10:5,6).

Este homem vestido de linho diz no verso 13: “Mas o príncipe do reino da Pérsia me resistiu vinte e um dias, e eis que Miguel, um dos primeiros príncipes, veio para ajudar-me, e eu fiquei ali com os reis da Pérsia”.

O ser celestial que fala em Daniel 10:13 indica que ele foi resistido por outro ser e exigiu a ajuda do arcanjo Miguel para finalmente superar o problema. Corretamente, alguns argumentam que qualquer pessoa ou coisa nunca poderia resistir ao Senhor Jesus e Ele certamente não precisaria da ajuda de um arcanjo para superar um problema. Além disso, é desconcertante imaginar Jesus lutando com um anjo maligno por 21 um dias no seu tempo de Glória; e sendo Deus, como afirmam os trinitarianos.

Esta é a razão mais convincente para pensar que este não é Jesus. Se Jesus foi realmente um ser supremo reencarnado, parte da Trindade, fica difícil pensar que Ele precisava ou recebia ajuda angelical.

A Deus toda Glória

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A Sabedoria em Provérbios 8 é Jesus?

As Escrituras mostram que Deus (e somente Deus) sempre existiu (Salmos 90: 2). E Jesus, quem é Ele?

Faça esta pergunta a qualquer teólogo e sua resposta será comparável a esta declaração de um professor de teologia com vários diplomas universitários: “Jesus Cristo é a segunda pessoa eterna da Santíssima Trindade que se encarnou em Belém”, seguido em uníssono pela maioria dos clérigos de nosso tempo. Esta declaração estaria de acordo com os catecismos e ensinamentos da maior parte da cristandade. Que Cristo é eterno como o Pai e existiu com Ele desde o início é quase universalmente aceito. Outros, embora rejeitem o conceito trinitário como antibíblico e ilógico, ensinam que ele preexistiu. Assim, a controvérsia sem fim continua. A doutrina foi estabelecida há tanto tempo que para o leigo médio sua verdade está além de qualquer dúvida. Por motivos como este a fé cristã permanece ou cai com a verdade de que Jesus Cristo é realmente o Deus Filho. Esse é o alicerce da doutrina trinitariana.

Mas o que dizer de tudo isso? Este é o ensino da Bíblia? Irá resistir ao teste de “Provar todas as coisas”?

Jesus foi a “semente da mulher” prometida desde o início, para destruir a lei do pecado e da morte, que era o produto da influência desorientadora da serpente (Gênesis 3:15). Por isso Paulo diz adiante: “Chegada a plenitude dos tempos, Deus enviou Seu filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para resgatar os que estavam debaixo da lei” (Gálatas 4: 4).

Se Cristo preexistia, como ele poderia ser descrito como a “semente da mulher?”

E o sábio Salomão está nos dizendo que “Cristo existia antes da criação do mundo”?

Leiamos os versículos em questão.

O Senhor me criou como a primeira das suas obras, o princípio dos seus feitos mais antigos. Desde a eternidade fui constituída, desde o princípio, antes de existir a terra.

Antes de haver abismos, fui gerada, e antes ainda de haver fontes cheias d’água. Antes que os montes fossem firmados, antes dos outeiros eu nasci, quando ele ainda não tinha feito a terra com seus campos, nem sequer o princípio do pó do mundo.

Quando ele preparava os céus, aí estava eu; quando traçava um círculo sobre a face do abismo, quando estabelecia o firmamento em cima, quando se firmavam as fontes do abismo, quando ele fixava ao mar o seu termo, para que as águas não traspassassem o seu mando, quando traçava os fundamentos da terra, então eu estava ao seu lado como arquiteto; e era cada dia as suas delícias, alegrando-me perante ele em todo o tempo; folgando no seu mundo habitável, e achando as minhas delícias com os filhos dos homens” (Provérbios 8:22-31).

Antes de começarmos este modesto artigo, uma pergunta é necessária: Se Jesus é a Sabedoria quem é a Prudência?

Eu, a sabedoria, habito com a prudência, e acho o conhecimento dos conselhos” (Provérbios 8:12).

A sabedoria e a prudência aparecem novamente juntas no Novo Testamento como posse dos cristãos: “Que ele fez abundar para conosco em toda a sabedoria e prudência” (Efésios 1:8). Isso poderia ser suficiente para qualquer sábio entender.

E acredite caro leitor, o Catolicismo romano retirou Jesus de Provérbios 8:22-31. E por qual motivo? Pelo simples fato de Provérbios 8:22 dizer que a sabedoria foi criada. Se a Sabedoria é criada, então não é Jesus nem o Espírito Santo. E adivinhem quem foi colocada no lugar da sabedoria? Ela mesma: Maria!

Dos textos, Provérbios 8 … exaltam a Sabedoria de Deus e que na liturgia se aplicam a Maria, a mais bela obra da Sabedoria de Deus” (Novo Advento, Enciclopédia Católica, Imaculada Conceição de Maria)

Hoje, católicos e uma maioria considerável dentro do protestantismo declaram – como aquele Ortodoxo Trintário olhando para o chão – sobre a sabedoria em Provérbios: “está claro que Provérbios 8: 22-31 não se refere a Jesus Cristo, pois a noção de sabedoria sendo “criada” por um ser que sempre existiu parece um paradoxo“.

Quem, ou o que, é a sabedoria?

Antes de olhar especificamente para esta passagem, devemos nos familiarizar com o contexto. Este capítulo começa com a personificação da sabedoria como uma mulher gritando nas ruas. Uma personificação é uma figura de linguagem em que as qualidades humanas são atribuídas a coisas não humanas. Por exemplo, dizer a alguém que a oportunidade está batendo à sua porta é uma personificação da oportunidade. Seria tolice para a pessoa ir verificar a porta para ver se alguém está literalmente batendo. A oportunidade não é uma pessoa real. No caso de Provérbios 8 , qualidades pessoais são atribuídas à virtude da sabedoria para que soe como uma pessoa ( Pv 8:12 ), mas não é realmente uma pessoa.

A intenção principal de Salomão dos versículos 22-31 é comunicar que Deus usou sabedoria quando criou o mundo. Deus foi sábio desde o início. Davi ecoa essa ideia nos Salmos. Ele escreve: “Ó Senhor, quão variadas são as tuas obras! Todas as coisas fizeste com sabedoria; cheia está a terra das tuas riquezas”( Salmo 104: 24 ). Isso deve significar o que disse Salomão em dois versículos de Provérbios 8: “O Senhor me possuía [sabedoria] no início de sua obra” e “Eu [a sabedoria] estava ao lado dele, como um mestre de obras …” ( vv. 22,30 ). Essa linguagem incrivelmente poética do Sábio deu vida a sabedoria.

Obviamente Deus não poderia ter produzido sabedoria. Sabedoria é um dos atributos essenciais que Ele possui desde a eternidade. Se os trinitarianos estiverem corretos, então Deus carece de sabedoria até que a produza. Visto que Deus é eterno, isso significaria que Ele existiu eternamente sem a virtude da sabedoria até que a produziu há um tempo finito – isso não está correto. O Deus da Bíblia é onisciente, o que significa onisciente. Portanto, não pode haver um momento em que lhe faltou sabedoria. Assim, o que Salomão está expondo, é que Deus criou tudo com sabedoria. Salomão exalta a virtude da sabedoria de Deus, não a sabedoria fora de Deus como se fosse uma entidade desencarnada.

Provérbios 8 é a voz da “Sabedoria” falando, mas não há nada que indique que essa “sabedoria” seja Cristo. O primeiro versículo do capítulo diz: “Não clama a sabedoria e o entendimento levanta a voz?” A sabedoria é personificada, mas não há referência a um Filho de Deus preexistente.

Personificação era comum na literatura hebraica. Na Bíblia do Intérprete, aprendemos que o hebreu gostava de personificar as coisas que via a seu respeito. Por exemplo, o profeta diz que “… os montes e os outeiros romperão em cântico diante de vós, e todas as árvores do campo baterão palmas” (Isaías 55:12). Essa tendência de personificar levou o hebraico a personalizar ideias e princípios abstratos. O processo neste caso particular de sabedoria é bastante claro. O princípio unificador chamado sabedoria veio de Deus.

Todo o capítulo fala de sabedoria como se fosse uma pessoa, mas não há referência a Cristo. Isso conecta a obra da criação com a sabedoria de Deus, uma conexão semelhante a outras declarações nas Escrituras, mas isso não quer dizer que Cristo teve qualquer conexão com a Criação. A sabedoria não era Cristo, mas o próprio Deus que criou tudo com sua sabedoria: “O Senhor, com sabedoria fundou a terra; com entendimento preparou os céus. Pelo seu conhecimento se fenderam os abismos, e as nuvens destilam o orvalho” (Prov. 3: 19-20). Falarei sobre isso mais adiante.

Provérbios 8: 22-31 foi interpretado principalmente de duas maneiras diferentes. Alguns afirmam que a passagem se refere a Deus o Filho, mas a maioria dos estudiosos da Bíblia entendem a passagem como se referindo à sabedoria. Provérbios 8:22 foi um versículo altamente contestado durante a controvérsia ariana. Ário (250-330 dC) ensinou que o Filho de Deus não era divino, mas um ser criado. O Concílio de Nicéia em 325 dC rejeitou o ensino de Ário e no Credo Niceno afirmou que Jesus não foi criado.

Quem fala em Provérbios 8?

A primeira coisa que precisamos notar é que o orador diz: “O Senhor me possuiu”, “desde a eternidade fui estabelecida”, fui criada”, “quando Ele estabeleceu os céus, eu estava lá”, “então eu estava ao lado Dele ”e“ diariamente era o Seu deleite ”. Essas declarações não se referem ao Filho de Deus porque não está de acordo com a visão trinitariana de Colossenses 1: 16-17, onde parece dizer que Jesus Cristo criou todas as coisas e foi antes de todas as coisas: “Pois por ele todas as coisas foram criadas, tanto nos céus como na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, ou domínios, ou governantes, ou autoridades – todas as coisas foram criadas por ele e para ele. Ele é antes de todas as coisas, e Nele todas as coisas subsistem” (Colossenses 1: 16-17). Veja meu artigo “TUDO foi criado por Ele

Se os trinitarianos concordam que a Sabedoria de Provérbios 8 é mesmo Jesus, então que resolvam seu impasse, pois eles acreditam que Ele criou todas as coisas e foi antes de todas as coisas. A palavra Grega “todos” é pas, e inclui todas as coisas – inclui Ele.

Mais uma vez, o contexto nos ajuda a entender o significado de Provérbios 8:22. Visto que o falante em Provérbios 8:22 é chamado de “eu”, precisamos descobrir se o contexto revela a identidade do falante. A identidade de “eu” é dada em Provérbios 8:12: “Eu, a sabedoria, habito com a prudência, e possuo o conhecimento e a discrição

Então a sabedoria se refere a si mesma como “eu”, “mim” e “meu” em cada versículo (v 13-21) antes do versículo 22. No versículo 22, a sabedoria se refere a si mesma como “eu/me” e depois “eu” nos versículos 23, 24, 25, 27 e 30. Depois, após Provérbios 8: 22-31, a sabedoria se refere novamente a si mesma como “eu” nos versos 32, 34, 35 e 36. Então, em Provérbios 9: 1, a sabedoria chama a si mesma de “sabedoria”. Devemos lembrar que capítulos e versículos foram adicionados depois que o livro de Provérbios foi escrito. Isso significa que o capítulo 9 é uma continuação do capítulo 8. Então, qual é o ponto? Provérbios 8:22 é sobre sabedoria. Não é sobre o Filho de Deus. E mesmo que em Provérbios 8, a sabedoria fala na primeira pessoa, não significa que a sabedoria é uma pessoa separada de Deus. A sabedoria é apenas um dos atributos de Deus. Da mesma forma, a sabedoria e o entendimento em Provérbios 3: 19 não são pessoas separadas de Deus: “Deus pela sabedoria fundou a terra; pelo entendimento estabeleceu os céus ”.

Mas, lido poeticamente, Provérbios 8 não é um problema, e não foi um problema para os judeus. Os problemas foram criados posteriormente pelos cristãos, a partir de meados do século II, que aplicaram a Provérbios 8 o artifício poético de personificar a sabedoria (semelhante à personificação do amor em 1 Co 13: 4, “o amor não inveja nem se vangloria” ) – e então transformou a sabedoria em uma pessoa real.

Nem seria necessário dizer que quem fala e escreve é o rei Salomão em forma de poesia.

Jesus, a Sabedoria de Deus

1 Coríntios 1:24 registra: “Mas para os que são chamados, tanto judeus como gregos, Cristo, poder de Deus, e sabedoria de Deus“.

Isto deve significar apenas que Jesus tem sabedoria (Mt 13: 54; Mc 6: 2; Lc 2: 40,52); para transmitir sabedoria (Lc 21:15). Porém, alguns trinitarianos especulam que Jesus é chamado de “sabedoria de Deus” em 1 Coríntios 1:24 por causa da referência à “sabedoria” em Provérbios 8:22; o que provaria que Ele existia antes de seu nascimento, e que estava no início da Criação – um ponto fundamental na afirmação do Trinitariano de que Jesus é Deus.

Em 1 Coríntios 1:24, o apóstolo Paulo identificou Cristo como “a sabedoria de Deus” em reconhecimento de ser a personificação dessa sabedoria, mas ele não disse nada que indicasse que Cristo era a sabedoria das Escrituras do Antigo Testamento. Cristo possuía e vivia pela sabedoria de Deus tão completamente que poderia ser chamado de “a sabedoria de Deus”, pois falou apenas as palavras que recebeu de Deus (João 7:17; 12:50). Sabedoria não era algo que ele possuía antes de seu nascimento, mas algo que ele tinha que adquirir (“E crescia Jesus em sabedoria… “, Lucas 2:52). Era necessário que Ele aprendesse “obediência pelas coisas que sofreu e, tendo sido aperfeiçoado, tornou-se o autor da salvação eterna para todos os que lhe obedecem” (Heb 5: 8-9).

Provérbios 8 não ensina a pré-existência de Cristo. Tirar a conclusão de que Cristo é a “sabedoria” de Provérbios 8 porque Paulo O identificou como a “sabedoria de Deus” é ler nas Escrituras algo que não está lá. E não está completamente claro que Paulo pretendia identificar Jesus com a Sabedoria de Provérbios 8:1. Além disso, dizer que a “sabedoria” foi designada desde a eternidade, e que Cristo é essa “sabedoria de Deus” com base em 1 Coríntios 1:24) não encontra apoio mais nem mesmo entre os trinitários, e por boas razões.

Essa sabedoria em Provérbios foi “designada” (literalmente, “estabelecida”) por Deus e, portanto, está subordinada a Deus. A leitura cuidadosa do versículo e seu contexto mostra que a sabedoria foi “produzida como a primeira de suas obras” (v. 22). Se esta “sabedoria” fosse Cristo, então Cristo seria a primeira criação de Deus, que é uma crença herética para os trinitários ortodoxos. Portanto, muitos dos Padres da Igreja rejeitaram este versículo como um suporte da Trindade, entre eles “pesos pesados” como Atanásio, Basílio, Gregório, Epifânio e Cirilo. Também o rejeitamos, e por muitas razões.

Pegar um conceito e falar dele como se fosse uma pessoa é um erro imperdoável no estudo da Teologia. A personificação é apenas uma figura de linguagem. A personificação geralmente torna mais fácil nos relacionarmos com um conceito ou ideia porque, como humanos, estamos familiarizados com o relacionamento com outros humanos. A personificação era comum entre os judeus, e a sabedoria de Deus é personificada em Provérbios. Cristo é considerado a sabedoria de Deus em Coríntios por causa do que Deus realiza por meio dele.

Em 1 Coríntios 1:24, descobrimos que Jesus também é referido como “o poder de Deus”. Em Atos 8:10, Filipe, o evangelista, também é descrito como o “poder de Deus”, por Simão, o feiticeiro. Mas isso não significa que Simão pensava que Filipe era Jesus, ou vice-versa.

O próprio Evangelho é descrito como o “poder de Deus” (1 Coríntios 1:18), mas isso não significa que o Evangelho e Jesus são uma e a mesma coisa. Jesus é descrito como o “poder de Deus” em 1 Coríntios. 1:24, e ainda assim Jesus está sentado à direita do “poder de Deus” (ver Lucas 22:69). Mas como pode Jesus sentar-se à direita de si mesmo?

Em Efésios 3:10, descobrimos que há uma VARIEDADE na sabedoria de Deus: “… Para que agora, pela igreja, a multiforme sabedoria de Deus seja conhecida dos principados e potestades nos céus” .

Agora veja como encontramos em Provérbios 3:19 outra pessoa participando da criação além da sabedoria: “O Senhor pela sabedoria fundou a terra; pelo entendimento estabeleceu os céus“. Nesta passagem, descobrimos que não apenas havia a “sabedoria” com o Senhor no início, mas também outra pessoa chamada entendimento! Aliás, nós podemos ver a sabedoria acompanhada ainda de outra pessoa, a Senhora Prudência: “Eu, a sabedoria, habito com a prudência…” (Provérbios 8:12).

Para serem consistentes, os trinitarianos teriam que transformar o “Entendimento” e a “Prudência” em seres vivos!

A Sabedoria em Mateus e Lucas

Para os trinitarianos, provérbios 8: 22-31 é famoso por sua descrição da sabedoria de Deus como uma pessoa ou entidade – uma figura no nível da divindade que auxilia Deus de alguma forma na criação do mundo: Jesus, mais conhecido entre os trinitários como Deus Filho.

Vamos agora ler duas passagens que estes trinitários defendem com unhas e dentes para proteger seu argumento (Jesus é a Sabedoria de Provérbios 8) contra os “terríveis hereges” antitrinitários.

Lucas 11: 49-51 faz referência à Sabedoria de Deus: “Ele, porém, respondeu: Ai de vós também, doutores da lei! porque carregais os homens com fardos difíceis de suportar, e vós mesmos nem ainda com um dos vossos dedos tocais nesses fardos.

Ai de vós! porque edificais os túmulos dos profetas, e vossos pais os mataram. Assim sois testemunhas e aprovais as obras de vossos pais; porquanto eles os mataram, e vós lhes edificais os túmulos.

Por isso diz também a sabedoria de Deus: Profetas e apóstolos lhes mandarei; e eles matarão uns, e perseguirão outros; para que a esta geração se peçam contas do sangue de todos os profetas que, desde a fundação do mundo, foi derramado; desde o sangue de Abel, até o sangue de Zacarias, que foi morto entre o altar e o santuário; sim, eu vos digo, a esta geração se pedirão contas” (Lucas 11:46-51)

No contexto, Jesus é o orador e invoca a hipocrisia de seus detratores. Mas, no versículo 49, Jesus repentinamente interrompe outro orador, a Sabedoria de Deus. Lucas tem a Sabedoria falando na primeira pessoa. Jesus dá a impressão de que foi a Sabedoria quem enviou os profetas e apóstolos.

Para os trinitarianos, o incrível (?) impacto da declaração vem quando se compara Lucas 11:49 com a passagem paralela do mesmo incidente em Mateus 23. Observe a parte sublinhada, lembrando que quem fala, como em Lucas 11, é Jesus:

Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! porque edificais os sepulcros dos profetas e adornais os monumentos dos justos, e dizeis:

Se tivéssemos vivido nos dias de nossos pais, não teríamos sido cúmplices no derramar o sangue dos profetas.

Assim, vós testemunhais contra vós mesmos que sois filhos daqueles que mataram os profetas.

Enchei vós, pois, a medida de vossos pais. Serpentes, raça de víboras! como escapareis da condenação do inferno?

Portanto, eis que eu vos envio profetas, sábios e escribas: e a uns deles matareis e crucificareis; e a outros os perseguireis de cidade em cidade; para que sobre vós caia todo o sangue justo, que foi derramado sobre a terra, desde o sangue de Abel, o justo, até o sangue de Zacarias, filho de Baraquias, que mataste entre o santuário e o altar.

Em verdade vos digo que todas essas coisas hão de vir sobre esta geração
(Mateus 23:29-36).

Enquanto em Lucas, Jesus e Sabedoria são claramente distintos (Jesus se refere à Sabedoria), e a Sabedoria parece desempenhar o papel de Deus, Mateus coloca as palavras da Sabedoria na boca de Jesus. E já que Jesus disse isso, e Lucas diz que a Sabedoria quem disse, o trinitariano supõe que Jesus é essa Sabedoria de Provérbios 8. No entanto, essa afirmação é completamente cega para o fato de que Jesus foi o profeta que Deus prometeu levantar dizendo que colocaria Suas palavras em sua boca. As Escrituras do NT nos mostram muitas vezes que Deus colocou Suas palavras na boca de Jesus e as palavras de Jesus não eram suas, mas do Pai que o enviou. O próprio Jesus dá testemunho disso várias vezes (João 7:17; 8:28; 12:50). Jesus falava pela sabedoria de Deus em Lucas 11:49.

Observe as palavras do Profeta Isaías sobre Jesus: “Então brotará um rebento do toco de Jessé, e das suas raízes um renovo frutificará. E repousará sobre ele o Espírito do Senhor, o espírito de sabedoria e de entendimento, o espírito de conselho e de fortaleza, o espírito de conhecimento e de temor do Senhor” (Isaías 11:1,2).

Compare as palavras de Isaías acima com estas passagens a seguir:

Mateus 13:54: “E, chegando à sua pátria, ensinava-os na sinagoga deles, de sorte que se maravilhavam, e diziam: De onde veio a este a sabedoria, e estas maravilhas?”

Marcos 6:2: “E, chegando o sábado, começou a ensinar na sinagoga; e muitos, ouvindo-o, se admiravam, dizendo: De onde lhe vêm estas coisas? e que sabedoria é esta que lhe foi dada? e como se fazem tais maravilhas por suas mãos?”

Lucas 2:40: “E o menino crescia, e se fortalecia em espírito, cheio de sabedoria; e a graça de Deus estava sobre ele”.

Lucas 2:52: “E crescia Jesus em sabedoria, e em estatura, e em graça para com Deus e os homens”.

Lucas 11:31: “A rainha do sul se levantará no juízo com os homens desta geração, e os condenará; pois até dos confins da terra veio ouvir a sabedoria de Salomão; e eis aqui está quem é maior do que Salomão”.

Portanto, por meio de Jesus a sabedoria divina declara seu conselho, a sabedoria pessoal de Deus que apareceu em Cristo e emitiu a declaração, como em Lucas. É a pessoa de Cristo sendo a auto-revelação pessoal da sabedoria de Deus.

Deus encheu Jesus de sabedoria, que é uma virtude, e não Ele (Jesus) mesmo. Ele fez o mesmo com Salomão: “E todo o Israel ouviu o juízo que havia dado o rei, e temeu ao rei; porque viram que havia nele a sabedoria de Deus, para fazer justiça” 1 Reis 3:28.

E deu Deus a Salomão sabedoria, e muitíssimo entendimento, e largueza de coração, como a areia que está na praia do mar” 1 Reis 4:29

E toda a terra buscava a face de Salomão, para ouvir a sabedoria que Deus tinha posto no seu coração” 1 Reis 10:24

Sabedoria e Entendimento andam juntas (Pv 2:10; 3:13; 4:5; 4:7; 24:3), mas são virtudes e não espíritos desencarnados.

A sabedoria estava com Deus, mas não era Jesus: “Com ele está a sabedoria e a força; conselho e entendimento tem” (Jó 12:13), e, “Com ele está a força e a sabedoria; seu é o que erra e o que o faz errar” (Jó 12:16). E ainda: “Eis que Deus é mui grande, contudo a ninguém despreza; grande é em força e sabedoria” (Jó 36:5). “Os mesmos” que estavam na criação: entendimento e sabedoria: “Quem pôs a sabedoria no íntimo, ou quem deu à mente o entendimento?” (Jó 38:36).

Davi não falava de Jesus e de uma pessoa chamada conhecimento, mas falava de virtudes: “A minha boca falará de sabedoria, e a meditação do meu coração será de entendimento” (Salmos 49:3).

Deus criou tudo com sabedoria, não com Jesus: “Ó Senhor, quão variadas são as tuas obras! Todas as coisas fizeste com sabedoria; cheia está a terra das tuas riquezas” Salmos 104:24. Compare novamente com Provérbios 3:19: “O Senhor, com sabedoria fundou a terra; com entendimento preparou os céus“.

A sabedoria de Deus permeia todas as partes da criação. Nenhuma parte do mundo está intocada. Tudo é moldado por sua mão sábia. Sua sabedoria resplandece na criação, como diz o Salmista: “Quando vemos o mundo que Deus fez, exclamamos com o salmista: “Ó Senhor, quão multiformes são as tuas obras! Todas elas as fizeste com sabedoria; a terra está cheia das tuas riquezas” (Salmos 104:24). E Jeremias acrescenta: “Ele fez a terra com o seu poder; ele estabeleceu o mundo com a sua sabedoria, e com a sua inteligência estendeu os céus” (Jeremias 10:12). Ele repete em 51:15: “Ele fez a terra com o seu poder, e ordenou o mundo com a sua sabedoria, e estendeu os céus com o seu entendimento”. A sabedoria, portanto, foi trazida do próprio Deus na criação. Essa compreensão do verbo em Pv 8:22 nega a afirmação de que Jesus é eterno.

E por fim, Sabedoria, Prudência e Instrução não são pessoas, mas virtudes: “Para se conhecer a sabedoria e a instrução; para se entenderem, as palavras da prudência” (Provérbios 1:2). E de fato, pois Salomão fala aqui da mesma sabedoria de Provérbios 8: “Porque o Senhor dá a sabedoria; da sua boca é que vem o conhecimento e o entendimento” (Provérbios 2:6). E ele acrescenta: “A sabedoria fortalece ao sábio, mais do que dez poderosos que haja na cidade” (Eclesiastes 7:19). E mesmo que Salomão dissesse que procurava conhecer a sabedoria, ele sabia que essa sabedoria não era uma pessoa: “Aplicando eu o meu coração a conhecer a sabedoria e a ver o trabalho que há sobre a terra, que nem de dia nem de noite vê o homem sono nos seus olhos” (Eclesiastes 8:16).

Jesus não participou da Criação

Como visto, a sabedoria não é uma pessoa distinta de Deus. A sabedoria não era uma entidade separada que estava com Deus quando ele criou o mundo. A sabedoria é personificada para enfatizar a sabedoria de Deus na criação do mundo. Além disso, Salomão estava poetizando sobre a sabedoria, e não sobre o Jesus preexistente.

Não era Jesus na criação, mas o próprio Deus. Ele criou tudo sozinho: “Assim diz o SENHOR, que te redime, o mesmo que te formou desde o ventre materno: Eu sou o SENHOR, que faço todas as coisas, que sozinho estendi os céus e sozinho espraiei a terra”, Isaias 44:24.

A tradução da Almeida Corrigida e Fiel enfatiza mais ainda: “Assim diz o SENHOR, teu redentor, e que te formou desde o ventre: Eu sou o SENHOR que faço tudo, que sozinho estendo os céus, e espraio a terra por mim mesmo”.

É importante lembrar aqui que foi o próprio Cristo quem descreveu a criação original como sendo trabalho de Deus, não dele: “Porque naqueles dias haverá uma aflição tal, qual nunca houve desde o princípio da criação, que Deus criou, até agora, nem jamais haverá” (Marcos 13:19). Compare com Hebreus 4:4, onde Deus, não Jesus, descansou da obra da criação, “Porque em certo lugar disse assim do dia sétimo: E repousou Deus de todas as suas obras no sétimo dia”.

Devo deixar claro que não há nada no livro de Provérbios que prove que a “sabedoria” é uma referência a Jesus.

A Deus toda glória

Sangue de Deus? (Atos 20.28)

Para muitos cristãos, a humanidade de Cristo é como um parente indesejável. Evitam recebê-la em sua fé. Não gostam de perceber o lado humano de Jesus, ou mesmo emprestar para a figura de Cristo um perfil humano. É como se fosse um sacrilégio olhar Jesus apenas como um ser humano excluindo dele a divindade tão exigida que supostamente aparece nos relatos das Escrituras. É um pecado mortal, alegam os mais espirituais e piedosos.

Será muito justo se dissermos que todo esse desacerto doutrinário tem um único culpado: a nossa Ortodoxia Protestante, a qual está envolvida com o mundo sagrado católico romano até o pescoço. Ela recebeu tudo aquilo que diz respeito à divindade e deidade de Jesus, mas não percebeu (?) que todo esse material é oriundo dos velhos concílios do passado, e que a Trindade é um monopólio da Igreja Católica, e é um dos maiores embustes doutrinários de todos os tempos.

Essa Ortodoxia também parece não se importar de sofrer o ridículo quando alguém lhes questiona sobre Deus ter sangue, mesmo quando a menção aponta para o Senhor Jesus como sendo esse Deus. Eles não respondem, não querem entrar a fundo na discussão, e como desculpa soltam aquele velho jargão: “É um mistério!”

Realmente é um mistério. Acho que é por isso que está escrito na testa da Grande Meretriz em Apocalipse 17:5: “Mistério, a grande babilônia, a mãe das prostituições e abominações da terra”. O Senhor colocou na boca de cada um deles hoje a palavra MISTÉRIO quando é exigida uma resposta para o significado da Trindade. Está aí a identificação da Grande Babilônia, criadora da Trindade.

Vamos ao texto de atos 20:28; qual tradução seria a mais viável: “Pastorear a igreja do Senhor, que Ele comprou com o seu próprio sangue“, “Pastorear a igreja de Deus, que Ele comprou com o sangue do seu próprio Filho” ou “Pastorear a igreja de Deus, que Ele comprou com o seu próprio sangue?”

Evidente que para os trinitarianos a última opção é a verdadeira, sem dúvida. Os trinitarianos reivindicam que este versículo mostra que Jesus é Deus porque foi Jesus quem comprou a igreja com seu próprio sangue e a passagem diz que Deus comprou a igreja com seu próprio sangue. Logo, Jesus é Deus.

Veja a tradicional versão de Atos 20: 28; “Acautelai-vos, pois, por vós, e por todo o rebanho, sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos, para pastoreardes a igreja de Deus, que ele comprou com seu próprio sangue”.

Como outras traduções apresentam este verso

“…, por meio do sangue do seu próprio Filho” – Bíblia na Linguagem de Hoje – SBB.

“…, pelo sangue do seu próprio Filho” – Bíblia de Jerusalém.

“…, por meio do sangue do seu próprio Filho” – BMD (Bíblia Mensagem de Deus) 1983

“…, por meio do sangue do seu próprio Filho”- BF (Bíblia Fácil), Paulo Avelino de Assis, Centro Bíblico Católico

Note como a KJA traduziu todo o texto: “Concluindo, tende cuidado de vós mesmos e de todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos estabeleceu como epíscopos para pastoreardes a Igreja de Deus, que Ele comprou com o sangue do seu Filho Unigênito” – Atos 20, King James Atualizada

Bíblia de Jerusalém em Espanhol: “Tendes cuidado de vosotros y de toda la grey, en medio de la cual os ha puesto el Espíritu Santo como vigilantes para pastorear la Iglesia de Dios, que él se adquirió con la sangre de su propio hijo” – Atos dos Apóstolos, 20 – Bíblia Católica Online

Veja outras traduções em Inglês

“o sangue de seu próprio filho”.
(NET) Tradução Nova em Inglês – 2005

“o sangue de seu próprio filho”.
(NRSV) Nova Versão Padrão Revisada – 1989

“o sangue de seu próprio filho”.
(RSV) Versão Padrão Revisada – 1946

“a morte de seu próprio filho”.
Bíblia em Inglês Comum – 2011

“sangue do próprio filho”.
Bíblia Judaica Completa – 1998

“o sangue de seu próprio filho”.
(CEV) Versão Inglesa Contemporânea – 1995

“o sangue do seu filho”.
(GNT) Boas Novas Tradução – 1992

“o sangue de seu próprio filho”.
Bíblia Online Lexham – 2010

“a morte de seu próprio filho.”
(NCV) Versão do Novo Século – 2005

“o sangue de seu próprio filho”.
(VOZ) A Tradução da Bíblia – 2011

Muitos estudiosos do texto bíblico entendem que a frase “a igreja do Senhor” (encontrada em nenhum outro lugar do Novo Testamento) foi substituída pela mais familiar “a igreja de Deus” (encontrada onze vezes nos escritos de Paulo). Na verdade, isso não faria diferença, pois Senhor aqui é o próprio Deus. Quando os dois são abreviados, como costumava acontecer em alguns manuscritos, é por que há apenas uma diferença de uma letra entre eles. A leitura “a igreja do Senhor e Deus” é uma combinação das duas leituras, assim como “a igreja do Senhor Deus”, que é lida por muitos dos manuscritos bizantinos. As ocorrências nas quais aparece a expressão ‘Igreja de Deus’ estão em 1 Coríntios 1:2; 10:32; 11:22; 15:9; 2 Coríntios 1:1; Gálatas 1:13; 1 Timóteo 3:5, 15.

Tanto a Sociedade Bíblica Americana quanto o Instituto de Pesquisa do Novo Testamento da Alemanha (que produz o texto grego Nestlé-Aland) concordam que a evidência do manuscrito apoia a leitura “tou haimatios tou idiou”, literalmente traduzido como, “o sangue de Seu próprio (Filho)”, e não “idiou haimatios”, “seu próprio sangue”. Deus pagou por nossa salvação com o sangue de Seu próprio Filho, Jesus Cristo.

E de fato é o que temos nesse versículo: “Acautelai-vos, pois, por vós, e por todo o rebanho, sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos, para pastoreardes a igreja de Deus, que ele comprou com o sangue do seu próprio filho”.

Se fosse realmente o sangue de Deus, em vez de o sangue do homem Jesus Cristo, então não houve resgate – somente o sangue de um ser humano poderia realizar a substituição pelo pecado de Adão. Jesus, sendo o nosso sumo sacerdote designado por Deus, oferece seu próprio sangue diante do Pai, que recebe o sacrifício (Salmo 8:5; João 17:1, 3; Hebreus 2:9; 3:1, 2; 9:14). É claro que, na realidade, o Deus Todo Poderoso é um ser espiritual e não tem carne e sangue (João 3:24; 2 Coríntios 3:17)

A Escritura não poderia nunca reclamar que o sangue de Deus foi derramado, nem mesmo como figura apontando para Jesus. Acredito eu que este é o único versículo em todo o Novo testamento que jamais deveria ser traduzido como sendo Deus quem derramou seu sangue por causa do sacrifício pelo pecado, que deveria ser feito por um homem. A ênfase dada ao Pai no texto destrói todo o contexto do sacrifício quando se fala que um ser imortal (I Tm 6:15) derramou sangue.

Era o homem incorrupto Adão, que pecou, tornou-se corrompido, e foi condenado à morte, e sob a lei divina, poderia ser resgatado somente pelo sacrifício de um homem, sem pecado e incorrupto. A lei declara: “Olho por olho, dente por dente, e vida de um homem para a vida de um homem” (Êxodo 21:24). Assim, o sangue de touros e bodes jamais poderia fazer expiação pelo pecado de Adão, porque não corresponde a exigência (Hebreus 10:4). O homem pecador deveria ser resgatado por outro homem, mas sem pecado.

Portanto, a tradução de Deus (que derramou seu “próprio sangue”) para dentro do texto é espúria. Ela não permite que se faça uma comparação de Jesus como Deus, pois declara que Deus pode morrer. O Filho é o sujeito do texto, e apocalipse enfatiza isso quando afirma que foi ele quem nos comprou: “E cantavam um novo cântico, dizendo: Digno és de tomar o livro, e de abrir os seus selos; porque foste morto, e com o teu sangue compraste para Deus homens de toda a tribo, e língua, e povo, e nação”. Apo 5:9

I Coríntios 7: 22,23 também nos diz algo: “Porque o que é chamado pelo Senhor, sendo servo, é liberto do Senhor; e da mesma maneira também o que é chamado sendo livre, servo é de Cristo. Fostes comprados por bom preço; não vos façais servos dos homens”.

As palavras sangue de Deus chega a ser uma aberração no texto. Imagina o susto para um judeu monoteísta incrédulo ler o versículo dessa forma? Aliás, acho até que a composição do verso é uma agressão à inteligência das pessoas. A primeira vista a pergunta que surge é: DEUS TEM SANGUE? Na verdade, esse versículo é o único em toda a Bíblia que não devia ter Deus nessa função. Motivo disso é o contexto do sacrifício, que é exigido por alguém semelhante aos pecadores, segundo diz hebreus: “Por isso convinha que em tudo fosse semelhante aos irmãos, para ser misericordioso e fiel sumo sacerdote naquilo que é de Deus, para expiar os pecados do povo” (Heb 2:17).

E m João 4.24 a Bíblia diz que “Deus é Espírito”. Quem disse que Espírito tem sangue, carne e ossos? Jesus quando ressuscitou disse a Tomé em Lucas 24: 39 “Olhai as minhas mãos e os meus pés, que sou eu mesmo; apalpai-me e vede; porque um espírito não tem carne nem ossos, como percebeis que eu tenho”. É claro que, na realidade, Deus Todo-Poderoso é um ser espiritual e não tem carne e sangue.

“O que está em causa aqui é o final do verso, cuja leitura dá a entender que Deus tem (ou teve) sangue, e isso só poderia ser cogitado, se aplicado a Cristo, dizendo que a humanidade de Jesus é a própria Deidade.

Assim, aqui existem, pelo menos, duas questões:

1) A humanidade de Jesus é também deidade? Ou seja, Jesus é de única natureza, de tal modo que o sangue não é do homem Jesus, mas de Deus? Será que a deidade se transformou em carne também e vice-versa?

2) A expressão “seu próprio sangue” pode significar outra coisa que não uma relação de identidade direta?

A primeira é menos provável se tomarmos a Bíblia em seu sentido amplo, pois além de descaracterizar quem é Deus, anularia o sacrifício de Cristo: um humano resgatando a humanidade (o segundo Adão), assim como um humano fez cair a humanidade (o primeiro Adão). Rm. 5.14 mostra que foi o homem Jesus, enviado pela graça de Deus que verteu o seu sangue.

Em favor da segunda opção temos o resto da Bíblia, que nos informa que Deus é Espírito (Jo. 4.24) e que um espírito não tem carne e ossos, consequentemente não tem sangue (Lc. 24.39).

Assim, sangue é algo físico, inerente à matéria. Nesse sentido, o sangue de Deus, não pode significar que Deus tem sangue, mas que o sangue pertence a ele.

Além do mais, se o sangue em At. 20.28 é o sangue das “veias” de Deus, isto significaria inapelavelmente que Deus morreu, já que foi esse sangue que teria sido vertido na cruz, mas as Escrituras dizem: I Tm. 1.17 “Ora, ao Rei dos séculos, imortal, invisível, ao único Deus, seja honra e glória para todo o sempre. Amém.” O IMORTAL não morre. Se um dia o IMORTAL morreu não era, então, de fato, IMORTAL, pois pôde morrer, provando sua mortalidade. Deus não poderia ter dado “seu próprio sangue” e não ter sido considerado MORTO. Mas, isso tornaria falso I Tm. 1.17.

Mas, será que existe apoio linguístico para a acepção de que o sangue pertence a Deus, sem ser o sangue do próprio Deus em si? Sim, existe! A expressão “διὰ τοῦ ἰδίου αἵματος” pode ser entendida de duas formas: a) atributivamente, que é como a maioria dos trinitários entende; ou b) possessivamente, significando que o sangue é de alguém que pertence a Deus. Isso tem apoio do resto da Bíblia que apresenta Deus e Jesus como seres distintos, não apenas pessoas distintas!

As escrituras dizem: “Corpo me preparas-te” (Hb. 10.5). A epístola aos hebreus deixa claro que Deus preparou um corpo não para si próprio, mas para outro. O verso 7 dessa mesma epístola mostra, mais uma vez de forma clara, que quem adquiriu o corpo não foi Deus, mas alguém disposto a fazer a vontade de Deus.

O contexto onde esse verso de Atos está inserido fala, no mesmo capítulo, de Deus e de Jesus em distinção várias vezes: At. 20.21,24, 27. O fluxo do texto não leva os leitores a acreditarem que Jesus é o mesmo Deus de quem aparece em distinção recorrentemente.

Apoio de trinitaristas! O entendimento de não tratar-se do “sangue de Deus” não é exclusividade dos unitarianos. É uma constatação lógica do texto bíblico. Basta lembrarmos que a palavra “Deus” ocorre certa de 1.340 vezes. Note 1.340 vezes. Desta milhar e algumas centenas apenas raras, realmente raras vezes o termo é aplicado, em teoria, a Jesus (talvez umas 6). E todas essas escassas vezes o texto não está livre de apuração. E At. 20.28 é um caso típico!

O PhD Dr. Murray J. Harris que é professor emérito de exegese do Novo Testamento e teologia na Trinity Evangelical Divinity School, em Deerfield, Illinois, diz em seu livro “Jesus como Deus – O uso Theos no Novo Testamento, em referência a Jesus” (Grand Rapids: Baker Book House, 1992), 141: “nesta construção de ίδιος é mais provável que θεός é Deus, o Pai e o objeto não expresso de περιεποιήσατο é Jesus”. Ou seja, mesmo os que defendem Jesus como Deus reconhecem que o texto não pode se referir ao sangue do Deus que é Espírito, mas pertencer a ele, através do Filho que é dEle.

Há uma variante grega, usada na USB, que traz a parte final do verso assim: “διὰ τοῦ αἵματος τοῦ ἰδίου”. Literalmente se traduz: “com o sangue de seu próprio”. Há uma expressão similar em Rm. 8.32 onde encontramos “τοῦ ἰδίου υἱοῦ” (seu próprio Filho). Já vimos que a outra variante pode ser usada tanto atributivamente como possessivamente. Então se houvesse apenas ela a possessividade já era constatável. Mas, esta mostra diretamente a possessividade, o que permite concluir que o texto fala do sangue do Filho. Esse uso não é estranho. Matzger em “Um Comentário Textual em grego do Novo Testamento”, 2 ª ed. (Stuttgart: Sociedades Bíblicas Unidas, 1971.), 426, diz: “Este uso absoluto de ‘idios’ é encontrada em papiros gregos como um termo carinhoso referindo-se a parentes próximos”.

A Bíblia de Jerusalém, que é uma bíblia produzida por católicos e protestantes, assim verteu o verso: “nele o Espírito Santo vos constituiu guardiães, para apascentardes a Igreja de Deus, que ele adquiriu para si pelo sangue do seu próprio Filho”. Assim também entenderam os tradutores católicos e trinitários da versão da CNBB: “o Espírito Santo os constituiu como guardiães, para apascentarem a Igreja de Deus, que ele adquiriu para si com o sangue do seu próprio Filho”. Outra versão protestante, logo, feita por trinitarianos, NTLH apresenta o verbo com a redação: “o Espírito Santo entregou aos seus cuidados, como pastores da Igreja de Deus, que ele comprou por meio do sangue do seu próprio Filho.”.

Nota-se com isso que, seja católico, seja protestante ou, ainda, os dois juntos, os tradutores não têm dificuldades em perceber que ali não se trata do sangue de Deus em si.

Logo, o entendimento unitariano que vê em At. 20.28 a Bíblia falar do sangue que pertence a Deus porque o Filho pertence a ele, tem apoio não somente do ponto de vista bíblico (Rm 8:32 “Aquele que nem mesmo a seu próprio Filho poupou, antes o entregou por todos nós, como nos não dará também com ele todas as coisas?“), mas linguístico e exegético, refletido em reconhecidas traduções bíblicas e renomados exegetas trinitários. Claro, só a Bíblia já bastaria, mas essas informações extras são só para mostrar que esse entendimento não é exclusivo do unitarianismo” (1).

1 FILHO, Valdomiro – Atos 20:28

“Deus e Senhor nosso, Jesus Cristo”

A tradicional versão de Judas 1:4, tão aclamada  pela nossa envelhecida ortodoxia cristã, diz: “Porque se introduziram alguns, que já antes estavam escritos para este mesmo juízo, homens ímpios, que convertem em dissolução a graça de Deus, e negam a Deus, único dominador e Senhor nosso, Jesus Cristo“.

Nenhum trinitário contestaria “a verdade” transmitida por essa tradução, no entanto, essa construção pode não ter sido planejada no contexto de Judas.  Apenas alguns versículos anteriores, em Judas 1: 1, ele, Judas, além  de fazer distinção entre Jesus e Deus, não reservou o título divino para Cristo: “Judas, servo de Jesus Cristo e irmão de Tiago, aos que foram chamados, amados por Deus Pai e guardados por Jesus Cristo“. Ele citou duas vezes o nome de Jesus, mas uma vez o nome de Deus, não conectando o título a Cristo. Há também uma distinção de função para cada pessoa neste contexto. Judas 1: 4 pode muito bem ser uma continuação dessa distinção entre as duas pessoas consideradas da Trindade. Somente Deus é Deus, e Jesus é nosso Senhor, como veremos mais adiante.

Alguns textos acrescentam o nome  “Deus” em estreita proximidade com “Jesus Cristo”, e isso faz com que os trinitarianos acreditem que há aqui uma prova da Trindade. Na verdade, a ideia trinitariana foi querer transformar Jesus em Deus, um segundo Deus. Ou seja, Deus e Cristo como sendo a um só em divindade e essência. Na verdade, vamos descobrir que tudo isso foi construído por causa de corrupção textual. Nem tudo é tão simples como pode parecer, mas há um erro grave na tradução aqui. Por isso é muito importante não usar uma tradução incorreta.

Observem como as traduções da Igreja Católica, berço do Trinitarianismo, verteu o versículo de Judas. Créditos para Valdomiro Filho:

“A Bíblia do Peregrino verte assim: “… que traduzem o favor de Deus em dissolução e renegaram o único patrão, o Senhor nosso Jesus Cristo“.

Já a “Bíblia do Pão” (Editoras católicas Vozes e Santuário) assim verteu o texto: “… que transformam em libertinagem a graça de nosso Deus e negam nosso único Senhor, Jesus Cristo”.

A CNBB entendeu: “… pois abusam da graça de nosso Deus para a devassidão e negam o nosso único soberano e Senhor, Jesus Cristo.”

A BJ traduziu: “… que convertem a graça de nosso Deus num pretexto para licenciosidade e negam Jesus Cristo, nosso único mestre e Senhor”.

O padre Matos Soares, da vulgada latina, traduziu: “… os quais trocam a graça do nosso Deus em luxúria, e negam a Jesus Cristo, nosso único Dominador e Senhor.” (1)

Observem agora algumas traduções consideradas protestantes que seguem a mesma linha. Vamos começar com a ARA de 1993: “… homens ímpios, que transformam em libertinagem a graça de nosso Deus e negam o nosso único Soberano e Senhor, Jesus Cristo“.

A Almeida Atualizada, diz: “… homens ímpios, que convertem em dissolução a graça de nosso Deus, e negam o nosso único Soberano e Senhor, Jesus Cristo“.

Outra Almeida Atualizada, a de 1987, apresenta o verso dessa forma: “… homens ímpios, que transformam em libertinagem a graça de nosso Deus e negam o nosso único Soberano e Senhor, Jesus Cristo“.

A NTLH acrescenta: “…  Eles torcem a mensagem a respeito da graça do nosso Deus a fim de arranjar uma desculpa para a sua vida imoral. E também rejeitam Jesus Cristo, o nosso único Mestre e Senhor“.

Muitos críticos e tradutores textuais reconhecem que   as traduções modernas não podem ser lidas dessa maneira: “… negam a Deus, único dominador e Senhor nosso, Jesus Cristo”.

Na maioria das traduções temos o Senhor Deus (ho theos)  enquanto Jesus é chamado de “NOSSO Senhor Jesus” (Κύριον – Kyrion).  Como a Bíblia afirma claramente, Jesus foi feito nosso Senhor por Deus: “Saiba pois com certeza toda a casa de Israel que a esse mesmo Jesus, a quem vós crucificastes, Deus o fez Senhor e Cristo” (Atos 2:36).

Essa distinção é vital e é evidente ao longo do livro de Judas: “Mas o arcanjo Miguel, quando contendia com o diabo, e disputava a respeito do corpo de Moisés, não ousou pronunciar juízo de maldição contra ele; mas disse: O Senhor te repreenda” (1:9). O Senhor aqui é o próprio Deus.

Judas ainda se refere a Deus como o único Deus sábio: “Ao único Deus sábio, Salvador nosso, seja glória e majestade, domínio e poder, agora, e para todo o sempre. Amém” (1:25).

Novamente Judas se refere a Jesus como nosso Senhor nos versículos 17 e 21, e não como Deus:

Judas 1-17 “Mas, amados, lembrem-se das palavras que foram ditas pelos apóstolos de nosso Senhor Jesus Cristo“.

Judas 1-21 “Mantenha-se no amor de Deus, procurando a misericórdia de nosso Senhor Jesus Cristo para a vida eterna”.

Note a distinção nos títulos. Note também que quando Judas, no verso 25, ao dizer sobre Deus como “o único Deus sábio, nosso Salvador”, ele não acrescentou o nome Jesus em seguida. Observem que quando ele chama Jesus de Senhor nos dois versos citados acima ele não conecta Jesus ao nome Deus. Se você não observou, posso repetir os textos para que possa entender melhor. Veja que a versão trinitariana de Judas 1:4  diz que homens ímpios, que querem transformar em libertinagem a graça de Deus “… negam a Deus, único dominador e Senhor nosso, Jesus Cristo”. Porém, o texto do versículo 25 diz, “Ao único Deus sábio, Salvador nosso, seja glória e majestade, domínio e poder” que não é uma referência a Jesus, mas aponta para o Deus de Israel. De fato, Judas, um judeu monoteísta jamais poderia se referir a Jesus como o “único Deus sábio”. Único e dominador são títulos para o Pai, não para Jesus. As versões, tanto católicas como protestantes, erraram ao emprestar o título de Único Dominador para Jesus, apesar de não chama-lo de Deus fazendo distinção entre ele e o pai.

Há algo mais incomum em algumas traduções de Judas 4, que  é a aplicação de  “Soberano” traduzido do grego “Despotēn” para Jesus, aliás, isso é incomum no NT. “Despotēn” aqui deveria ser traduzido apenas como Mestre e Senhor (“Despotēn kai Kyrion”) . O único soberano é o Pai (I Tim 6;15).

Além disso, parece que esses escribas não queriam que o leitor (como alguns monarquistas antigos) confundissem/separassem Jesus e Deus, e tentaram esclarecer adicionando a palavra “Deus”. Por outro lado,  não há problema em chamar Deus e Jesus de “Mestre”, assim como não há problema em chamar cada um de “Senhor” – desde que deixemos claro qual é o significado!

Evidentemente, se fosse de  acordo com a lógica trinitariana, Sara era uma pessoa muito confusa e pensava que seu marido era Deus, pois Ela chamou Abraão de senhor, como mostrado em 1 Pedro 3: 6.  Suponho que uma maneira de explicar isso é alegar que ela estava bêbada.  Mas espere, a passagem está incentivando as mulheres cristãs a serem como Sara: “como Sara obedecia a Abraão, chamando-lhe senhor; da qual vós sois filhas, se fazeis o bem e não temeis nenhum espanto“.

Também devemos lembrar que Judas, o autor da passagem em questão, era  irmão de Jesus.  Eles cresceram juntos.  Se ele acreditava que Jesus era totalmente Deus, Judas deveria ter conhecido e defendido esse fato com grande clareza, mas não, ele chama o Pai no versículo 4 de “Θεοῦ” (“Theou”, ou “ho theos“), que quer dizer “Deus”, mas usa “nosso Senhor” para Jesus. Jesus é Senhor de Judas, não de Deus.

Por fim, para desfazer toda essa anomalia trinitariana, vou adicionar aqui a tradução que parece ser mais coerente com o contexto bíblico e a mais próxima dos originais,  a versão da “BJ”, que assim verteu a segunda parte do texto em discussão: “… que convertem a graça de nosso Deus num pretexto para licenciosidade e negam Jesus Cristo, nosso único mestre e Senhor”.

  1. FILHO, Valdomiro – Judas v 4

Deus seja louvado

Isaías viu sua Gloria e falou DELE

No ano em que morreu o rei Uzias, eu vi o Senhor assentado sobre um alto e sublime trono… ” (Isaías 6:1).

Isaías disse essas coisas porque viu Sua glória e falou dele” (João 12:41).

A tradução da NVI foi além: “Isaías disse essas coisas porque viu a glória de Jesus e falou sobre ele” (João 12:41).

Como você pode ver, a Nova Versão Internacional troca o pronome (αὐτοῦ) pelo nome pessoal “Jesus”. A NVI quer que você acredite que por volta de 750 aC, Isaías teve uma visão de Jesus (preencarnado) no céu como Deus. De onde partiu tanta ousadia? Os tradutores da NVI estão apenas sendo descuidados com o texto, ou eles deliberadamente se decidiram pela causa trinitariana? Existe alguma justificativa para essa alteração não tão sutil do texto pela NVI? Será que Isaías viu “o Senhor [Jesus] sentado em um trono com a orla de Suas vestes enchendo o templo” (Isaías 6: 1)? Os estimados trinitarianos crêem que sim; eles têm certeza de que João 12:40, 41 faz referência direta a Isaías 6:1-3, que diz: “No ano em que morreu o rei Uzias, eu vi o Senhor assentado sobre um alto e sublime trono, e as abas de seu manto enchiam o templo. Acima dele havia serafins; cada um tinha seis asas; com duas cobriam o rosto, com duas cobriam os pés e com duas voavam. E clamavam uns aos outros: Santo, santo, santo é o SENHOR dos Exércitos; toda a terra está cheia da sua glória”.

A tradução da NVI representa uma séria leitura errada deste “texto de prova” para a doutrina da deidade e preexistência de Cristo.

E não esqueça caro amigo leitor o que vou dizer-lhe aqui: Não importa em quantos outros textos a NVI é fiel aos originais, isso não faz dela uma tradução exclusiva – o mesmo acontece com outras traduções, enquanto inúmeros textos parecem ser exatos, outros são um desastre. O correto é consultar todas as traduções e usar aquilo que está de acordo com todo o contexto das Sagradas Escrituras.

Nesse caso aqui discutido, não devemos aceitar como verdadeira uma tradução textual tendenciosa assumindo as coisas sem uma investigação adequada dos fatos. E é isto que vamos fazer.

Isaías viu a Glória de JESUS

Não é difícil descobrir por que os trinitarianos creem que João 12:41 é uma referência positiva para Isaías 6: 1-3. Afinal, as palavras “viu” e “glória” são encontradas em João 12: 41 e Isaías 6: 1-3. Isaías “viu” o SENHOR e Sua “glória” enchendo o céu e toda a terra. E João diz que Isaías “viu sua glória” quando “falou dele”. Então, se João está dizendo que Isaías viu “a glória de Jesus” no céu e “falou dele” em Isaías capítulo 6, está resolvida a questão para os trinitarianos: Jesus é o Deus que está assentado num “alto e elevado trono” – para os trintaríamos Jesus está sendo adorado pessoalmente pelos serafins como Deus. Isso tornaria a visão de Isaías de um Jesus preexistente, visto pelo profeta 750 anos antes dele se tornar um ser humano.

Antes de determinar se João realmente está dizendo que Isaías viu Jesus como Deus no céu, é necessário examinar o contexto no qual João está escrevendo, o que é muito importante. Vamos analisar a amplitude de João, capítulo 12, antes de focar no versículo 41.

A primeira coisa que devemos ter em mente é: o contexto de João 12 fala da GLÓRIA DE JESUS ATRAVÉS DO SOFRIMENTO. Mesmo uma leitura superficial de todo o capítulo 12 de João mostra que o assunto diz respeito aos sofrimentos e a glória de Jesus por meio do seu sacrifício no calvário. João 12 não está falando sobre “ontologia”, ou seja, ele não está escrevendo sobre o “ser” de Deus ou a “natureza” de Deus.

Cena 1: O capítulo abre com o registro em Betânia, “seis dias antes da Páscoa”. É a última semana da vida de Jesus. Todo o clímax de seu ministério está sobre ele. Jesus logo será a Páscoa sacrificial, o “Cordeiro de Deus” (João 1: 29). Mas, por enquanto, Jesus está desfrutando de uma “ceia” com seus amigos, incluindo Lázaro, a quem ele ressuscitou dentre os mortos. Durante o jantar, Maria usa um “unguento genuíno e puro” para ungir os pés de Jesus” – e chora por ele. O próprio Jesus descreve esse ato de devoção como um retrato “para o dia do seu enterro” (v. 3, 7). A sombra do Calvário paira no ar – os principais sacerdotes se aconselhavam” sobre como eles poderiam não apenas matar Jesus, mas também Lázaro (v 10). O sofrimento do Calvário e a rejeição de Israel ao seu Messias são amplamente mostrados quando começamos a ler João capítulo 12.

Cena 2: Em seguida, Jesus faz a entrada triunfal em Jerusalém (vv 12-13). A multidão que se reuniu para a festa da Páscoa escolta Jesus montado em um jumento. Eles balançam os galhos das palmeiras e gritam: “Hosana! Bendito aquele que vem em nome do Senhor, o rei de Israel“. A caminho da cidade sabemos que Jesus chorou sobre Jerusalém porque ela não o reconheceu como seu rei. O registro de João acrescenta que “Seus discípulos não entenderam a princípio”, mas quando Jesus foi glorificado, eles lembraram que essas coisas haviam sido escritas e porque haviam feito essas coisas a ele” (v 16). João cita indiretamente o profeta Zacarias (9: 9) e o salmista (118: 25) quando lembra que “essas coisas foram escritas”. Somente após Jesus ter “sido glorificado”, depois de sua morte, sepultamento, ressurreição e ascensão ao céu, os discípulos viram a glória messiânica dele.

Cena 3: João nos apresenta a seguir “certos gregos” que querem “ver Jesus” (v 21). Depois de falarem com Felipe, este e André foram ter com Jesus, mas Jesus responde enigmaticamente: “chegou a hora de o Filho do Homem ser glorificado” (v 23). Jesus conta a eles uma pequena parábola sobre a necessidade de um grão de trigo cair no chão e morrer antes que possa dar muito fruto (v. 24). Jesus explica claramente que o caminho para a glória e a salvação de seus seguidores também será por meio de sacrifício e negação (v 25-26). Sim, eles “verão” a Jesus, mas não como anteciparam.

Essa perspectiva de sofrer e morrer parece perturbar profundamente o próprio Jesus. Porém, Ele não pedirá ao Pai para poupá-lo de um destino tão cruel (v 27). Ele ora: “Pai, glorifique o teu nome” (v. 28). Uma voz do céu responde: “Já o tenho glorificado, e outra vez o glorificarei“. Deus será glorificado pela morte de Jesus. Jesus então diz aos seus ouvintes que estará no processo de ser “levantado da terra” – referindo-se à sua morte humilhante e consequente ressurreição – e que os planos de Deus para o mundo serão consumados (vv 28, 32-33). Embora ele morra sozinho, a glória lhe é garantida.

Para muitos, com o benefício da retrospectiva, isso é facilmente entendido. Mas para os ouvintes da primeira audiência, tudo isso é sombrio e enigmático. O que é toda essa conversa sobre morrer? “E quem é o filho do homem?”, perguntam (v 34). Após esse diálogo Jesus “partiu e se escondeu deles” (v 36). Assim, o leitor cuidadoso observará que todo o contexto que antecede nosso “texto de prova” no versículo 41 de João 12, diz respeito a como Jesus seria glorificado, e que sua glória viria através de seu sofrimento e execução pública.

Com essa breve explanação em mente, vamos agora para a parte principal de João, os versículos 37-41:

E embora tivesse operado tantos sinais diante deles, não criam nele; para que se cumprisse a palavra do profeta Isaías: (aqui é Isaías 53:1) Senhor, quem creu em nossa pregação? e a quem foi revelado o braço do Senhor?

Por isso não podiam crer, porque, como disse ainda Isaías: (aqui é Isaías 6:10) cegou-lhes os olhos e endureceu-lhes o coração, para que não vejam com os olhos e entendam com o coração, e se convertam, e eu os cure.

Estas coisas disse Isaías, porque viu a sua glória, e dele falou“.

Quando João escreve que Isaías disse “essas coisas” – que “viu sua glória”, ele não está se referindo a quando Isaías viu a glória do Senhor em Isaías 6:1-3. Ele está dizendo que Isaías viu a glória futura quando o Messias seria exaltado através do sofrimento e da morte. Ou seja, “para que se cumprisse a palavra do profeta Isaías, que diz: Senhor, quem creu na nossa pregação? E a quem foi revelado o braço do Senhor?” (João 12:38) é a referência correta para identificar a glória que Isaías viu, e é um texto que está no capítulo 53 de Isaías (v 1).

O capítulo todo se refere ao ministério e sofrimento de Jesus aqui na terra. Mostra que a sua pregação não seria aceita e também apresenta como o Messias deveria sofrer em Sua missão. Se levarmos em consideração todo o pensamento desse capítulo e juntarmos com o contexto de João 12, confirmaremos que Jesus estava tratando de Seu ministério e o sofrimento que teria em Sua crucificação e a glória que deveria seguir. Ele fala isso pouco antes dos versículos aqui em discussão: “E Jesus lhes respondeu, dizendo: É chegada a hora em que o Filho do homem há de ser glorificado. Na verdade, na verdade vos digo que, se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas se morrer, dá muito fruto” (João 12: 23-24).

Fica evidente que Jesus estava falando a respeito de sua morte sacrificial, e que ele seria glorificado por isso. Porém, conforme podemos ler no verso 34 do mesmo capítulo, os judeus não estavam acreditando nessas palavras. Por este motivo, o Senhor os alerta dizendo: “Enquanto tendes luz, crede na luz, para que sejais filhos da luz”, mas mesmo assim João relatou que “ainda que tinha feito tantos sinais diante deles, não criam nele” (Jo 12:37). Por isso João cita o texto de Isaías 53:1, mostrando que ninguém daria crédito às palavras de Jesus, e em seguida João menciona o texto de Isaías 6:10 para mostrar que os corações daquelas pessoas ficaram endurecidos. No entanto, Jesus nunca desistiu de sua missão, mas continuou firme até o final, até o momento em que deveria ser “levantado da terra” para salvar a todos que nele cressem. Essa foi a glória que João menciona ter sido vista pelo profeta Isaías.

E para que você entenda melhor precisamos apenas ajuntar os dois textos de João: “Isaías disse estas coisas [“ Senhor quem creu na nossa pregação? E a quem foi revelado o braço do Senhor”] quando viu a sua glória e falou dele”. A glória que Isaías viu está em todo o capítulo 51. Portanto, se foi o Pai quem disse as palavras de Isaías 6, então devemos buscar a visão da glória de Jesus no outro texto. E de fato, ESTAS COISAS que revelam a glória dele – do filho, não do Pai – só podem ser a referência citada no verso 38 de João 12, que é exatamente a réplica de Isaías 53:1, que diz: “Senhor quem creu na nossa pregação? e a quem foi revelado o braço do Senhor?

Leia o restante do capítulo e observe atentamente como Isaías viu a glória de Jesus:

Pois foi crescendo como renovo perante ele, e como raiz que sai duma terra seca; não tinha formosura nem beleza; e quando olhávamos para ele, nenhuma beleza víamos, para que o desejássemos.

Era desprezado, e rejeitado dos homens; homem de dores, e experimentado nos sofrimentos; e, como um de quem os homens escondiam o rosto, era desprezado, e não fizemos dele caso algum.

Verdadeiramente ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus, e oprimido.

Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados.

Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo seu caminho; mas o SENHOR fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos.

Ele foi oprimido e afligido, mas não abriu a sua boca; como um cordeiro foi levado ao matadouro, e como a ovelha muda perante os seus tosquiadores, assim ele não abriu a sua boca.

Da opressão e do juízo foi tirado; e quem contará o tempo da sua vida? Porquanto foi cortado da terra dos viventes; pela transgressão do meu povo ele foi atingido.

E puseram a sua sepultura com os ímpios, e com o rico na sua morte; ainda que nunca cometeu injustiça, nem houve engano na sua boca.

Todavia, ao SENHOR agradou moê-lo, fazendo-o enfermar; quando a sua alma se puser por expiação do pecado, verá a sua posteridade, prolongará os seus dias; e o bom prazer do SENHOR prosperará na sua mão.

Ele verá o fruto do trabalho da sua alma, e ficará satisfeito; com o seu conhecimento o meu servo, o justo, justificará a muitos; porque as iniquidades deles levará sobre si.

Por isso lhe darei a parte de muitos, e com os poderosos repartirá ele o despojo; porquanto derramou a sua alma na morte, e foi contado com os transgressores; mas ele levou sobre si o pecado de muitos, e intercedeu pelos transgressores

Compare com essas passagens abaixo e observe que a glória que o profeta Isaías viu tem origem no sacrifício e morte de Cristo. De fato, Jesus não foi glorificado até que Deus o ressuscitou dentre os mortos:

E isto disse ele do Espírito, que aqueles que acreditavam Nele estavam para receber, porque o Espírito Santo ainda não fora dado, porque Jesus ainda não tinha sido glorificado” (João 7:39).

JESUS falou assim, e, levantando os seus olhos ao céu, disse: Pai, é chegada a hora; glorifica a teu Filho, para que também te glorifique a ti” (João 17:1).

Os seus discípulos, porém não entenderam isto no principio: mas, quando Jesus foi glorificado, então se lembraram de que isto estava escrito dele, e que isto lhe fizeram” (João 12:16).

Vemos, todavia, aquele que, por um pouco, tendo sido feito menor que os anjos, Jesus, POR CAUSA DO SEU SOFRIMENTO E MORTE, FOI COROADO DE GLÓRIA e de honra, para que, pela graça de Deus, provasse a morte por todo homem” (Hebreus 2:9).

O Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó, o Deus de nossos pais, glorificou a seu Servo Jesus, a quem vós traístes e negastes perante Pilatos, quando este havia decidido soltá-lo” (Atos 3:13).

Pedro diz novamente que Deus “ressuscitou [Jesus] dentre os mortos e lhe deu glória…” (1 Pedro 1:21).

O escritor do Quarto Evangelho não disse em momento algum que Jesus era Àquele que estava assentado sobre o trono na visão de Isaías, nem que Jesus fazia parte de uma trindade. Compreender dessa forma é ir além do que os textos bíblicos estão afirmando. O contexto deve sempre reinar, e qualquer leitura justa de João 12 prova que o assunto é a glória através do sofrimento por Jesus. Assim, “essas coisas” não são questões de ontologia, ou seja, a questão do “Ser” de Deus não está em discussão. E para Jesus, é uma glória em perspectiva, não porque ele é Deus, mas porque ele é fiel até a morte. De fato, “essas coisas” exigidas pelo versículo 41 de João 12 aponta para a citação em João 12: 38, que vem de Isaías capítulo 53, não de Isaías 6: 1. Isaías 53 é a grande profecia do Servo Sofredor, onde é previsto que o Messias seria “um homem de dores e familiarizado com a dor” e seria “desprezado” ”e afligido” e etc. Assim, João está dizendo que Isaías “viu” o ministério vindouro do sofrimento e a subsequente glória do Messias.

A segunda citação em João 12:40, relativa à cegueira e dureza de Israel, é tirada de Isaías 6 durante a visão de Isaías do Senhor dos exércitos no céu. Depois que Deus purificou e comissionou Isaías para seu ministério profético, o Senhor explica a rejeição que o próprio Isaías experimentaria em breve quando fosse pregar a Israel (Is 6: 10). O povo não vai ouvir Isaías por causa de sua dureza e incredulidade. Era o mesmo tipo de rejeição que Jesus estava encontrando em João 12. Embora Jesus tivesse realizado muitos “sinais”, o povo “não estava acreditando nele” como o Messias há muito prometido (Jo 12:37).

Não apenas o próprio Jesus na passagem de João conecta seus sofrimentos messiânicos como o meio de trazer “glória”, mas também foi assim que os outros apóstolos entenderam. Lembre-se, Jesus já nos indicou que, quando fosse “levantado” de sua morte, o Pai seria glorificado e também o recompensaria com GLÓRIA (João 12: 27).

Lembre-se também de que os discípulos não tiveram essa conexão entre os sofrimentos do Messias e sua glória (João 12:16). Porém, após a morte, sepultamento, ressurreição e ascensão de Jesus ao céu à mão direita de Deus, o Pai, os discípulos finalmente o entenderam: “Desta salvação inquiririam e indagaram diligentemente os profetas que profetizaram da graça que para vós era destinada, indagando qual o tempo ou qual a ocasião que o Espírito de Cristo que estava neles indicava, ao predizer os sofrimentos que a Cristo haviam de vir, e a glória que se lhes havia de seguir” (1 Pedro 1:10-11).

Certamente Isaías foi um dos profetas mencionados por Pedro que séculos antes havia visto “os sofrimentos do Messias” e “as glórias” que se seguiriam. Em harmonia com Pedro, seu companheiro e apóstolo, João, concorda que os profetas Zacarias, o salmista e Isaías viram os sofrimentos do Messias e a glória que se seguiria (João 12: 12-16; 37-41).

Paulo também sabia que “essas coisas” estavam escritas nos profetas, de como o servo sofredor do Senhor “suportaria nossas iniquidades” ao “derramar-se até a morte”. Mas Paulo também sabia que Isaías tinha visto a recompensa gloriosa do Messias e como o Senhor Deus “veria” a “angústia de sua alma e ficaria satisfeito” (Is 53: 10), e depois que ele se “esvaziou” até a morte, o Apóstolo diz que “Deus o exaltou soberanamente, e lhe deu o nome que é sobre todo nome; para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para glória de Deus Pai” (Filipenses 2:9-11).

E novamente: João disse que Isaías viu a glória de Jesus apontando para os registros proféticos do capítulo 53 e não do capítulo 6. O capítulo 53 de Isaías nos fornece uma fonte rica dos “sofrimentos previstos de Cristo e das glórias a seguir”. A glória de Deus é revelada no caminho de humildade do Messias. E através de seus sofrimentos, Jesus sabia que Seu Pai também seria glorificado. As multidões de Israel em João 12 não viram isso.

Esse ensinamento já foi mencionado anteriormente no evangelho de João. Por exemplo, prevendo seus sofrimentos e morte – e sabendo que Israel o matará, Jesus disse: “o Pai é quem me glorifica” (João 8: 54). Eles se recusaram a acreditar nas credenciais messiânicas de Jesus. Eles se recusaram a acreditar que o ensino de Jesus tem o poder de impedir alguém da “morte eterna” (João 8:51). Jesus retruca: “Abraão, vosso pai, se alegrou em ver o meu dia, ele o viu e alegrou-se” (João 8:56). Espero que você tenha entendido isso; Abraão “viu” o futuro dia da glória do Messias. Isto é o que Isaías e todos os profetas também viram, o futuro “dia” de glória do Messias.

Isaías viu o Deus de Abraão, Isaque e Jacó

Não há um pedaço de evidência textual testificando que Isaías viu a “glória de Jesus” nas visões registradas no capítulo 6. Isaías também não diz nada de um Deus que é uma Trindade na sua visão.

Na Bíblia Hebraica (comumente chamada de Antigo Testamento), existem quase sete mil ocorrências do nome divino de Deus (escrito em hebraico com quatro consoantes (YHWH). Por isso devemos nos ater ao fato de como é importante entender quem é o Deus da Bíblia. Em todas essas quase sete mil ocorrências do nome pessoal de Deus, os verbos e pronomes pessoais acompanhantes estão no singular. A linguagem não tem meios mais seguros de comunicar que o Senhor é uma pessoa e não duas ou até três.

Embora alguns tentem ler de forma tríplice, “Santo, Santo, Santo”, desejando ardentemente identificar uma ‘divindade’ trina, sabemos que o resto da adoração angélica é ao Deus monoteísta, o único Deus, pois eles dizem: “Santo, Santo Santo, é o Senhor dos exércitos, toda a terra está cheia da sua glória” (Is 6:3). Ou seja, sabemos que Deus é uma Deidade Individual por causa dos verbos singulares e pronome pessoal singular que os acompanha. De acordo com todos os profetas, Isaías faz uma distinção clara entre Deus Pai e o Messias.

Para Isaías, o Senhor é uma única pessoa e nunca é confundido como dois deuses ou duas pessoas que são Deus. Para Isaías, Yahweh é o Deus que “formará” Seu Servo Messiânico no ventre de sua mãe (Isaías 49:5). Para Isaías, o Messias é referido como “o ramo do Senhor”, aquele que “se deleitará no temor do Senhor”, aquele “escolhido por Deus”, aquele em quem o Senhor “se deleita”, aquele que será o sábio “servo” do Senhor, aquele que cresceria diante do Senhor como “um renovo” e aquele em quem o Senhor lançará “a iniquidade de todos nós” (Is 4: 2; 11: 2-3; 42: 1; 52:13; 53: 2, 6,10; 61: 1). Assim, ao longo de todo o livro de Isaías, o profeta nunca confunde o Messias vindouro com o Deus Pai. Para Isaías, o Messias não é o Senhor dos exércitos.

Além disso, dizer que Jesus é o Senhor é quebrar a regra trinitária inviolável de que as Pessoas da Divindade não devem ser confundidas. Lembre-se, Yahweh é um nome pessoal. Dizer que Deus o Pai é Yahweh e ao mesmo tempo dizer que Jesus é o Senhor Deus é confundir a “Primeira Pessoa” da Trindade – Deus o Pai – com a “Segunda Pessoa” da Trindade – “Deus o Filho”, como os Trinitarianos chamam Jesus.

Se dissermos que João está equiparando Jesus a Yahweh em João 12:41, estaremos defendendo não o Trinitarianismo, mas o Modalismo. Modalismo é o conceito de que Jesus é Deus Pai se expressando em um “modo” ou expressão diferente (é proposto hoje por grupos como os Pentecostais da Unidade), que Deus se manifestou como o filho. Ou seja, que são literalmente um só.

Jesus nunca se identificou como o Deus Pai, um conceito que nem os trinitarianos aceitam. Isaías afirmou que viu o Senhor em Isaías 6, e não Jesus, o Messias. Mas o que Isaías viu e falou (capítulo 51) é a visão profética da rejeição e subsequente glória que o Messias alcançaria 750 anos no futuro. “Essas coisas” que Isaías viu falam do cumprimento da profecia nos dias de João sobre os sofrimentos do Messias e a glória seguida à sua ressurreição.

Dizer que Isaías viu Jesus como Deus no céu é desconsiderar o contexto imediato de João 12:37-41, os quais falam dos sofrimentos de Jesus como o prelúdio necessário para sua glória messiânica; é ignorar a distinção consistente em todo o livro de Isaías e de todos os profetas do AT, que Deus é “uma pessoa” e que o Messias prometido nunca é Deus.

Provando que Isaías viu o Pai, não o Filho (Is 6:1-10)

No ano em que morreu o rei Uzias, eu vi o Senhor assentado sobre um alto e sublime trono, e as orlas do seu manto enchiam o templo. Ao seu redor havia serafins; cada um tinha seis asas; com duas cobria o rosto, e com duas cobria os pés e com duas voava.

E clamavam uns para os outros, dizendo: Santo, santo, santo é o Senhor dos exércitos; a terra toda está cheia da sua glória. E as bases dos limiares moveram-se à voz do que clamava, e a casa se enchia de fumaça. Então disse eu: Ai de mim, pois estou perdido; porque sou homem de lábios impuros, e habito no meio dum povo de impuros lábios; e os meus olhos viram o rei, o Senhor dos exércitos!

Então voou para mim um dos serafins, trazendo na mão uma brasa viva, que tirara do altar com uma tenaz; e com a brasa tocou-me a boca, e disse: Eis que isto tocou os teus lábios; e a tua iniquidade foi tirada, e perdoado o teu pecado. Depois disto ouvi a voz do Senhor, que dizia: A quem enviarei, e quem irá por nós?

Então disse eu: Eis-me aqui, envia-me a mim. Disse, pois, ele: Vai, e dize a este povo: Ouvis, de fato, e não entendeis, e vedes, em verdade, mas não percebeis. Engorda o coração deste povo, e endurece-lhe os ouvidos, e fecha-lhe os olhos; para que ele não veja com os olhos, e ouça com os ouvidos, e entenda com o coração, e se converta, e seja sarado“.

O mais impressionante é que o texto esclarece de forma cristalina, não deixando dúvida alguma, que Isaías viu o Deus de Abraão Isaque e Jacó, o Deus dos exércitos, uma designação exclusiva do Pai – Isaías viu um ser apenas, não dois. E mais impressionante ainda é ver como os trinitarianos destronam o Senhor dos exércitos na visão de Isaías e colocam Jesus no lugar. Jesus nunca esteve no trono do Pai até que ele foi exaltado à destra de Deus depois de sua ressurreição. O Senhor dos exércitos de Isaías 6 é o Pai. Ele é visto em Apocalipse como “O Todo- poderoso”, e está separado do cordeiro.

As mesmas designações (“Todo-poderoso e Senhor dos exércitos”) são aplicadas ao Pai no Velho Testamento.

Vejam os textos:

Jeremias 32: 18 “Tu usas de misericórdia até mil gerações, mas retribuis o pecado dos pais nos filhos. Tu és o grande e poderoso Deus, cujo nome é SENHOR dos Exércitos“.

Salmos 84: 12 “Ó SENHOR dos Exércitos, bem-aventurado o homem que confia em ti“.

Salmos 89: 8. “Ó SENHOR, Deus dos Exércitos, quem é poderoso como tu, SENHOR, com a tua fidelidade que te cerca?”

Gênesis 17: 1. “Quando Abrão tinha noventa e nove anos, o SENHOR lhe apareceu e disse: Eu sou o Deus Todo-poderoso; anda na minha presença e sê íntegro“.

O SENHOR (YHWH) do Velho Testamento sempre á uma referência ao Deus Todo-poderoso. “Todo-poderoso” e “Senhor dos exércitos” são títulos que Jesus nunca recebeu nas Escrituras.

Outro ponto importante a se notar é que o capítulo 4 e 5 do livro de Apocalipse deixam bem claro que os seres celestiais proclamam “Santo, Santo, Santo” para Aquele que está assentado sobre o trono, sendo esse o Deus Todo-poderoso, o Ser que difere da pessoa do Cordeiro: “Eu sou o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim, diz o Senhor, que é, e que era, e que há de vir, o Todo-Poderoso“, Ap 1:8.

Observe com atenção nos versículos citados a seguir que “Aquele que é, que era, e que há de vir” está separado de Jesus: “João, às sete igrejas que estão na Ásia: Graça e paz seja convosco da parte daquele que é e que era, e que há de vir, e da dos sete espíritos que estão diante do seu trono; E da parte de Jesus Cristo, que é a fiel testemunha, o primogênito dentre os mortos e o príncipe dos reis da terra. Àquele que nos amou, e em seu sangue nos lavou dos nossos pecados” (Apocalipse 1:4, 5).

O Todo-poderoso, O Senhor dos exércitos, aparece em mais passagens do Livro de Apocalipse – sempre separado de Jesus. O escritor, ao contemplar a nova Jerusalém que desce do céu, registra que “Nela não vi santuário, pois seu santuário é o Senhor Deus Todo-poderoso e o Cordeiro“, Ap 21:22.

O Senhor dos Exércitos visto por Isaías em glória é o mesmo citado como sendo o Deus de Jesus em Apocalipse 2:7; 3:2, 12, que se distingue do Cordeiro em Apocalipse 5:1-7; 5:13; 6:16; 7:10, 15.

Veja as passagens

Apocalipse 2:7, “Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: Ao que vencer, dar-lhe-ei a comer da árvore da vida, que está no meio do paraíso de Deus“.

Apocalipse 3:2, 12 “Sê vigilante, e confirma os restantes, que estavam para morrer; porque não achei as tuas obras perfeitas diante de Deus… A quem vencer, eu o farei coluna no templo do meu Deus, e dele nunca sairá; e escreverei sobre ele o nome do meu Deus, e o nome da cidade do meu Deus, a nova Jerusalém, que desce do céu, do meu Deus, e também o meu novo nome“.

Preste atenção nesses registros onde você também poderá constatar que Deus é distinto do Cordeiro:

Apocalipse 5:1-7,13 “E vi na destra do que estava assentado sobre o trono um livro escrito por dentro e por fora, selado com sete selos. E vi um anjo forte, bradando com grande voz: Quem é digno de abrir o livro e de desatar os seus selos?

E ninguém no céu, nem na terra, nem debaixo da terra, podia abrir o livro, nem olhar para ele. E eu chorava muito, porque ninguém fora achado digno de abrir o livro, nem de o ler, nem de olhar para ele. E disse-me um dos anciãos: Não chores; eis aqui o Leão da tribo de Judá, a raiz de Davi, que venceu, para abrir o livro e desatar os seus sete selos.

E olhei, e eis que estava no meio do trono e dos quatro animais viventes e entre os anciãos um Cordeiro, como havendo sido morto, e tinha sete pontas e sete olhos, que são os sete espíritos de Deus enviados a toda a terra.

E veio [o Cordeiro], e tomou o livro da destra [de Deus] daquele que estava assentado no trono.

E ouvi a toda a criatura que está no céu, e na terra, e debaixo da terra, e que está no mar, e a todas as coisas que neles há, dizer: Ao que está assentado sobre o trono, e ao Cordeiro, sejam dadas ações de graças, e honra, e glória, e poder para todo o sempre“.

Apocalipse 6:16, “E diziam aos montes e aos rochedos: Caí sobre nós, e escondei-nos do rosto daquele que está assentado sobre o trono, e da ira do Cordeiro“.

Apocalipse 7:10, “E clamavam com grande voz, dizendo: Salvação ao nosso Deus, que está assentado no trono, e ao Cordeiro“.

Agora leia Isaías 6:1, “No ano em que morreu o rei Uzias, eu vi o Senhor assentado sobre um alto e sublime trono…”.

O mesmo Deus e Senhor visto assentado no trono em Apocalipse, distinto do Cordeiro (Jesus), é aquele que Isaías viu assentado no trono em sua visão registrada no capítulo 6:1-10. Isaías viu a glória do Deus Todo-poderoso, que é o Pai. Isaías não viu Jesus. Jesus não falou com Isaias. O Messias não falava no Velho Testamento porque ele ainda não existia: “Havendo Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias a nós nos falou pelo Filho…”. (Hebreus 1:1-2).

O Filho de Deus jamais existiu antes de nascer em Belém. O Salmista sabia disso, como sabia também que Ele não estava no céu: “Quem, nos céus se compara ao SENHOR? Quem é igual ao SENHOR entre os seres celestiais? (Salmos 89:6).

O Espírito Santo falando

Vamos agora analisar Atos 28:25-28, que diz: “E, como ficaram entre si discordes, despediram-se, dizendo Paulo esta palavra: bem falou o Espírito Santo a nossos pais pelo profeta Isaías, dizendo: vai a este povo, e dize: de ouvido ouvireis, e de maneira nenhuma entendereis; e, vendo vereis, e de maneira nenhuma percebereis. Porquanto o coração deste povo está endurecido, e com os ouvidos ouviram pesadamente, e fecharam os olhos para que nunca com os olhos vejam, nem com os ouvidos ouçam, nem do coração entendam, e se convertam, e eu os cure. Seja-vos, pois, notório que esta salvação de Deus é enviada aos gentios, e eles a ouvirão“.

Os versos 26 e 27 são referências ao texto de Isaías 6: 9-10. É o mesmo texto citado por João no capítulo 12. Dessa vez é Lucas quem escreve, pois ele é o autor do livro de Atos dos Apóstolos. Em Isaías 6:8-9, o profeta diz que foi o Senhor quem falou com ele em visão, ou seja, o grande Rei que estava assentado sobre o trono, conforme podemos ver a seguir:

“Depois disto ouvi a voz do Senhor, que dizia: A quem enviarei, e quem há de ir por nós? Então disse eu: eis-me aqui, envia-me a mim. Então disse ele: vai, e dize a este povo: ouvis, de fato, e não entendeis, e vedes, em verdade, mas não percebeis” (Isaías 6:8-9).

Note novamente que no relato descrito por Lucas, o apóstolo Paulo refere-se ao “Espírito Santo” como aquele que falou com Isaías. Leia outra vez o verso de Atos: “E, como ficaram entre si discordes, despediram-se, dizendo Paulo esta palavra: bem falou o Espírito Santo a nossos pais pelo profeta Isaías…” (Atos 28:25).

Se a doutrina da trindade fosse verdadeira, isso seria uma contradição, pois os Trinitarianos compreendem que cada pessoa da Divindade são diferentes entre si e que existe uma distinção clara entre cada uma delas, conforme expliquei no início desse estudo. Ora, se o profeta Isaías diz ter sido o Senhor quem falou com ele em visão, logo não pode ter sido outra pessoa, mesmo que essa “suposta pessoa” faça parte do mesmo ser. Na mentalidade judaica, expressa nos relatos bíblicos, o “Espírito Santo” nada mais é do que a própria pessoa de Deus agindo de forma espiritual.

O mesmo acontece no relato de Atos 5:3-4, onde é intercalado o termo “Espírito Santo” e “Deus”, pois o primeiro é uma referência ao próprio Deus: “Disse então Pedro: Ananias, por que encheu Satanás o teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo, e retivesses parte do preço da herdade? Guardando-a não ficava para ti? E, vendida, não estava em teu poder? Por que formaste este desígnio em teu coração? Não mentiste aos homens, mas a Deus” (Atos 5:3-4).

Pedro afirma que Ananias mentiu ao Espírito Santo, e em seguida diz novamente que ele mentiu para Deus. Portanto, o termo “Espírito Santo” relatado na Bíblia pode muitas vezes estar se referindo a própria pessoa do Pai, e não a uma terceira pessoa da trindade.

A distância entre Jesus e a visão de Isaías é de sete séculos e meio. Jesus não estava lá. Isaías não viu a glória de Jesus em 6:1-3, pois era o Pai celestial falando.

O que podemos concluir é que os relatos de Isaías 6, João 12 e Atos 28 não são uma prova da doutrina trinitariana. Como visto, os textos foram analisados honestamente, o que nos possibilitou de forma cristalina encontrar interpretações contrárias ao que ensina a doutrina da trindade. O próprio conceito trinitariano acaba perdendo a sua credibilidade ao tentar provar uma trindade com base nessas passagens, pois na distinção das três pessoas, acabam confundindo cada uma delas nas próprias passagens, contradizendo o respectivo ensinamento que cada um é uma pessoa distinta da outra.

Deus seja louvado

“Existindo em forma de Deus” (Fp 2: 6,7)

Há profecias de que um ser celestial viria a terra em forma humana?

Milhões entre os cristãos têm em sua crença de que o próprio Deus se fez homem e veio a terra. Vocês conseguem imaginar um acontecimento mais fantástico do que esse, impossível não é? Pois, se tratando então de um evento desta envergadura, que tal acreditar que os profetas antigos teriam dito que isso aconteceria? Será que os profetas antigos falaram que isso aconteceria? Muitos dizem que sim, mas onde?

Em Filipenses 2:4-8, Paulo registra: “Não atente cada um para o que é propriamente seu, mas cada qual também para o que é dos outros. De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus, mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens; e, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz”.

A nossa envelhecida ortodoxia protestante entende que esse “esvaziou-se” implica dizer que Cristo trocou uma natureza pela outra, que ele saiu do céu [tendo a forma de Deus] e chegou a terra como homem [tomou a forma de homem]. Ou seja, os trinitarianos geralmente fazem a leitura desse versículo como se Paulo estivesse falando de um Jesus que viveu antes do seu nascimento em Belém e de sua decisão de se tornar um ser humano. Para eles, Paulo está se referindo à encarnação do Filho preexistente.

Neste contexto, a aparente possibilidade de Cristo estar esvaziando-se da natureza divina, e uma grande massa de linguística e evidência favorável a essa interpretação, parece tornar inviável qualquer alternativa contextual, o que deixou enraizado na Ortodoxia Cristã total credibilidade para essa visão tradicional.

Inevitável não haver questionamentos diante de um contexto tão controvertido. Por que o verso cinco diz que toda essa metamorfose de divindade para humanidade foi um sentimento que houve em Cristo Jesus, o nome que lhe foi dado depois de nascido? Ora, a passagem não diz nada sobre o céu ou uma vida passada para Jesus, mas sim se refere a “Cristo” – “o Filho de Deus”, um nome e título que ele adquiriu apenas a partir de seu nascimento (Sl 2:7; Lucas 1: 32,35 e Mat 1:18).

A noção de uma divindade que se despe de suas atribuições e prerrogativas é inerentemente problemática – os trinitarianos devem responder se isso significa que Jesus deixou de ser “Deus” quando se tornou humano. Ora, o conceito tradicional da preexistência significa que a concepção de Jesus foi o rompimento de uma existência como Deus e o começo de uma carreira terrestre como homem. Além disso, se Deus é eterno e não muda, como Ele pode livrar-se de qualquer parte da sua natureza? Será que essa idéia não contradiz passagens como Malaquias 3:6, que diz: “Eu sou o Senhor, não mudo”?

Como e quando ele readquiriu seus atributos divinos? O que é que tudo isto implica sobre a morte de Jesus, que Deus/Jesus realmente morreu ou se apenas uma parte dele morreu na cruz?

Jesus, numa existência anterior imortal, poderia “aniquilar” em si mesmo essa imortalidade para se tornar homem? Ou não foi a morte de Jesus uma morte real, que somente o homem Cristo morreu e sua parte deificada não morreu? Será que isso tudo é uma charada divina? Será que apenas o corpo humano de Jesus morreu? Se assim for, isso não significa que sua natureza humana é impessoal? Se apenas a parte humana de Jesus morreu, o que foi o ponto de “Deus, o Filho”, como os trinitarianos o chamam, “esvaziando-se de seus atributos divinos?”

Estamos preparados para aceitar a noção de que Deus pode se tornar um homem? E como pode o agir exclusivo de Cristo em “despojar-se” de seus privilégios divinos para se tornar humano, servir como um exemplo prático da humildade cristã? Um cristão pode “alienar-se” de seus atributos humanos e assumir uma natureza totalmente diferente?

Finalmente, se Jesus é humano e divino, isso não faz dele uma espécie de híbrido? Como ele pode, nesse caso, ainda ser classificado como verdadeiro ser humano? E se ele não é verdadeiramente humano, se ele possui poderes ou uma natureza que é mais do que humano, como ele pode servir como um exemplo de como os seres humanos devem viver?

Vemos que foi uma decisão de Jesus através do seu sentimento, no que diz respeito a se esvaziar. E de que maneira devemos usar em nós o mesmo sentimento? Deixe-me colocar da seguinte forma: Quando ele aceitou vir do céu – como muitos ensinam – parece sugerir que ele administrou todo o processo de transição até entrar no útero de Maria como uma célula reprodutora. Isso parece estranho como interpretação para a preexistência de Cristo, pois fala dele perdendo uma natureza que adquiriu num lugar, sendo transportado com uma natureza totalmente diferente para outro lugar. Isso implica dizer que o Senhor Jesus drenou a sua própria essência divina. E nós, como faríamos a mudança usando sentimentos?

E, se foi assim que aconteceu, por que muitos insistem dizer que ele era divino quando aqui andou se ao mesmo tempo dizem que ele despiu-se da sua glória? Assumir a natureza humana dessa forma parece absurdo, pois se acaba perdendo o significado real de escravo e servo inseridos no contexto de Filipenses. Ou seja, bastaria dizer que ele era divino e se transformou num ser humano. No entanto, o texto insiste dizendo que houve significativas mudanças que vieram dar real significado ao contexto, pois fala do sentimento que havia em Cristo Jesus, e não que ele passou de uma condição extraterrestre para uma de habitante deste planeta.

E há um ponto crucial ignorado por milhões dentro da nossa ortodoxia: Será que não passa pela mente trinitariana que foi o Espírito Santo – intitulado por eles mesmos como a terceira pessoa da Trindade – quem desceu até Maria e não o próprio Jesus? A decisão de enviar foi do Pai, não do Filho. Jesus não deixou sua glória para vir a terra em “sendo em forma de Deus … foi achado na forma de homem” porque ele não estava na eternidade passada. Ele nunca foi preexistente!

Toda essa confusão poderia ter sido evitada se não fosse pela má interpretação da palavra grega morphe. Esta palavra é comumente traduzida para o português como “forma”. A maioria tende interpretar morphe bem ao estilo convencional: natureza divina. Isso significa, para muitos, que a “forma de Deus” aponta para a “natureza” interior de Jesus, que o seu corpo era divino, transcendente esotérico atemporal. Porém, isso não está de acordo com Gênesis 3:15, quando garante categoricamente que ele foi semente de Mulher, como também não está de acordo com outras passagens que falam de Cristo como descendente de Davi e Abraão. Isso não significa simplesmente dizer que ele se esvaziou de sua glória, significa dizer que ele nasceu como todos os homens nascem. Na verdade, Paulo aqui apresenta o Senhor como o Filho do criador do universo, sendo sua [forma] imagem, exemplo deixado em vários discursos de Cristo quando afirmava que ele o Pai são um, quem o via também via o Pai e versos similares.

É importante para o novo convertido quando ele ouve sobre Jesus de Nazaré como um homem; um homem que o salvou e levou seus pecados, ao contrário dessa heresia nociva sugerindo que Jesus ultrapassou os limites da fraqueza vencendo o pecado porque ele era um ser especial, um homem-Deus, como insinuou um evangélico num dos muitos debates sobre a divindade de Cristo: “Seria totalmente impossível a “semente” de Gênesis 3:15 ter sido um ser somente 100% humano, não teria a menor possibilidade de tal vencer as obras do diabo. Jesus derrotou o diabo em harmonia com Deus e tal harmonia era especial. A relação de Jesus com Deus era especial e para que isso fosse possível se faz necessário algo transcendente em ambos”.

O texto de Filipenses jamais poderia dizer que Jesus era Deus tendo a natureza de Deus – ele foi um terráqueo, no grosso da palavra. Além disso, Paulo diz que o Senhor não julgou como usurpação o ser igual a Deus. Igualdade com Deus aqui não significa igualdade com a outra pessoa da Divindade, mas a igualdade como Filho direto de Deus. E essa igualdade aqui não é a igualdade na posse da essência divina, mas na sua expressão.

Vou apresentar aqui uma tradução diferente dos versículos em questão, que podem tornar o entendimento do contexto bem mais claro,

Embora existindo em igualdade com Deus, não considerou que o ser igual a Deus era algo a que devia apegar-se, mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens; E, sendo reconhecido em figura humana, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz“.

Há alguns detalhes aqui que precisam ser observados; “Embora existindo em igualdade com Deus, não considerou que o ser igual a Deus…“. Ora, evidente que isso deve significar que Deus era outro. Portanto, quando diz que ele “esvaziou-se a si mesmo” esta claramente separando ele (si mesmo) de Deus. Na verdade, o versículo poderia ficar dessa forma: “pois ele, sendo a expressão do próprio Deus, não quis se igualar a Deus; antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana”.

Quando o texto diz que Cristo não quiz se igualar a Deus deve significar que ele não era o próprio Deus. O que ele está dizendo é que Cristo em sua mente, ou atitude não egoísta, não “apoderou-se” ser igual a Deus, mas humilhou-se como servo por amor a nós. Ele não considerou agarrado em igualdade com Deus. O escritor aos Hebreus explica melhor: “embora fosse filho, aprendeu a obediência por aquilo que sofreu“. A ênfase em “embora fosse filho” nos revela um significado interessante; Jesus não é filho de qualquer um, mas do Criador do universo, o Rei. E mesmo assim ele não se concentrou em sua nobreza como filho, mas se humilhou para servir aos outros.

Jesus era da realeza; Deus escolheu para seu filho nascer na linhagem de Davi (Mateus 1: 1); Deus poderia declará-lo como herdeiro do trono de Davi (Lucas 1:32). Ele determinou que Jesus iria governar a casa de Israel para sempre (Lucas 1:33). E, enquanto ele nasceu e viveu como rei dos judeus (Mateus 2: 2), Paulo diz aos filipenses no verso 7a que ele “esvaziou-se …”. Uma série de outras traduções dizem: “Mas se fez de nenhuma reputação”. Esse é o caso. Por exemplo, quando Jesus, como o futuro rei de Israel, entrou na cidade de Jerusalém em “entrada triunfal” ele não veio em posição adequada para uma realeza. Ele veio montado num animal de carga – um jumento (Mateus 21: 7).

A nobreza de Jesus estava em sua relação com Deus como Filho do Rei e criador do universo. Por isso o Apóstolo Paulo em outro lugar diz que Jesus, sendo rico, se fez pobre por amor de nós (2 Cor 8:9). Sim, ele era o filho do Deus Todo-Poderoso, mas não se agarrou nessa realidade humilhando-se para servir a outros. Assim, a humildade do Senhor não estava no fato de que, como um filho preexistente, ele desceu de sua posição no céu, como muitos afirmam, humilhando-se em uma encarnação, sugerindo que Cristo não se fez realmente pobre por nós, mas manteve a riqueza de sua natureza divina nobre quando ele encarnou-se, e, enquanto desfilava disfarçado em um corpo humano, sua humildade foi ter que aturar a natureza humana comum em si mesmo ao mesmo tempo em que vivia em sua natureza divina.

O auto sacrifício de Jesus é contrastado com a história do Gênesis da arrogância de Adão querendo agarrar a divindade no convite de Satanás de que “seriam como Deus”(Gn 3:5) . Como Adão, Cristo foi a forma/imagem de Deus, mas em vez de escolher se agarrar em igualdade ou semelhança com Deus, Cristo esvaziou-se, recebendo livremente a forma de um escravo. Cristo se humilhou, não escolhendo abraçar a atitude de Adão, passando longe do destino que Adão sofreu como título de punição, sendo assim obediente até a morte. Adão cedeu quando eles estavam sendo tentados pelo pensamento de que poderiam “ser como Deus” (Gênesis 3: 5). Ele não foi um exemplo de humildade e obediência que Paulo poderia apontar para os filipenses. Jesus, por outro lado, não considerou “a igualdade com Deus algo a ser apreendido”. Jesus era o exemplo perfeito para os filipenses. Ele conseguiu vencer onde Adão falhou. E mesmo que Adão não seja mencionado no texto, a “forma de Deus” em Jesus pode fazer um paralelo para se referir a Adão como a “imagem de Deus”. Observe que Paulo também chama Jesus de Adão,

Assim está também escrito: O primeiro homem, Adão, foi feito em alma vivente; o último Adão em espírito vivificante”, 1 Co 15:45.

Observem o que aconteceu em Gênesis 3:5; o diabo disse para Adão e Eva: “Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se abrirão os vossos olhos, e sereis como Deus…”.

Volta para Filipenses e veja novamente o que os textos dizem sobre o último Adão, Jesus: “Que, sendo a imagem/forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus, Mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens; E, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz“.

Portanto, não há nada no contexto de Filipenses aqui em estudo indicando que Cristo possuía igualdade divina com Deus. E quando ele recusa-se ser igual a Deus, ele simplesmente escolhe o caminho oposto ao de Adão. Assim, esse contexto (“mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, tornando-se semelhante aos homens”) não deve ser interpretado como o Filho preexistente escolhendo se encarnar, tese que inevitavelmente gera algumas perguntas desconcertantes para os trinitarianos: Se Jesus era Deus no céu, por que Paulo não diz que ele não desejou ser igual a si mesmo se despindo de sua natureza celestial e tornando-se em forma de Homem? Ora, se o texto diz que ele não queria ser igual a Deus, e ele mesmo era Deus, então a confusão trinitariana está armada. De fato, observe a contradição: “o qual, subsistindo em forma de Deus, não considerou o ser igual a Deus coisa a que se devia aferrar“, Filipenses: 2:6.

Novamente: Se Ele era Deus no céu por que o texto não diz que ele “não considerou ser igual a ele mesmo quando estava no estado preexistente?”

Depois de dizer que Cristo estava na forma de Deus, Filipenses 2: 6 prossegue dizendo que Cristo “não considerou a igualdade com Deus algo a ser apreendido” (NIV). Esta frase é um poderoso argumento contra a Trindade. Se Jesus fosse Deus, então não faria nenhum sentido dizer que ele não “compreendia” a igualdade com Deus porque ninguém se agarra à igualdade consigo mesmo. Faz sentido apenas elogiar alguém por não buscar a igualdade quando ele não é igual. Alguns trinitaristas dizem: “Bem, ele não estava buscando a igualdade com o Pai”. Não é isso que o versículo diz. Diz que Cristo não pretendeu a igualdade com Deus, o que torna o versículo sem sentido se ele fosse Deus.

O que o texto está apresentando é uma antítese, um contraste: Jesus não foi e nem era Deus em tempo nenhum. Porém – aqui na terra, não no céu – devido à sua humildade, seu sentimento, rejeitou qualquer aspiração a ser igual a Deus, considerando isso uma usurpação, mas, ao contrário, ‘humilhou-se até à morte’.

Além disso, se Cristo é igual a Deus, como então Deus poderia enaltecer Jesus a uma posição superior, sendo que não há posição superior a de Deus? Ele só poderia ter recebido uma “posição superior” – considerando que ele tinha uma existência pré-humana – se ele não fosse “igual a Deus”. E mais, o verso nove diz que a ele foi dado um nome acima de todo o nome. Isso nos leva a um questionamento curioso: “qual nome ele tinha antes de descer a terra se o que ele recebeu aqui foi maior?”

E acima de todas essas dificuldades devemos considerar a principal delas. O texto grego diz, “ὃς ἐν μορφῇ θεοῦ ὑπάρχων”, que traduzido literalmente é “O qual em forma de Deus existindo“. A declaração está fora de ordem. Ou seja, é uma tradução literal do grego de Filipenses 2:6 que a maioria das nossas versões verteram por, “O qual sendo Deus”. Isto não é absolutamente uma tradução, mas uma enorme adulteração.

De fato, podemos analisar a declaração à luz da própria Bíblia fazendo comparação com outros textos onde a palavra “forma” ocorre. Em Fil. 2:7, no próximo versículo, observamos a palavra “forma” sendo empregada novamente. Paulo nos diz que Cristo literalmente “tomou a forma de escravo”, em uma equivalência dinâmica, e em matéria de tradução, podemos dizer que “assumiu a forma de escravo”. Como sabemos “escravo” se refere a uma classe de pessoas.

As comparações de “forma de Deus” e “forma de escravo” revelam todo o contexto. Atente para a expressão “assumiu a forma de escravo” no versículo sete. É preciso mistificar alguma coisa aqui? Logo, essa “forma de Deus” não trata da natureza de Jesus e sim de sua função, seu propósito.

A palavra usurpação já deixa claro que se trata de se colocar na posição (lugar, cargo) de outra pessoa, não fala de natureza e sim posição e também diz que ele tomou a forma de escravo, novamente se trata de posição (cargo) e não de natureza. Posição de escravo e não natureza de escravo. Escravo é uma posição (cargo) e não uma natureza. Este texto é claro em se referir ao propósito e não à natureza. Assim como “forma de escravo” é posição de escravo, “forma de Deus” é uma posição, e não natureza. E não importa o que dizem os inúmeros léxicos disponíveis, que na verdade não concordam entre si sobre o significado real de morphe. Diferentes léxicos têm pontos de vista opostos sobre a definição dessa palavra, a tal ponto que não podemos pensar em nenhuma outra palavra definida pelos léxicos de forma tão contraditória. Portanto, os léxicos não servem para referências conclusivas nesse contexto.

Por que Paulo faz uma conexão com a morphe de Deus com a morphe de um servo? Parece sem sentido se Paulo tivesse contrastando um “o que” (uma natureza divina) versus um “quem” (um servo). Além disso, um servo não é um servo devido a possuir uma natureza que o classifica como servo. Um servo é um servo devido à sua posição na vida e as atividades de servo que ele realiza. Isso fala de uma função, não de um ser. Não é a natureza ou essência particular que faz de você um servo. É uma posição na vida.

Paulo está falando de um comportamento visível. Tomar a forma de um servo significa necessariamente se comportar visivelmente como servo, fazendo as atividades humildes de um servo. Um servo não é um servo porque ele tem uma natureza particular. Um rei e um servo têm a mesma natureza humana. A categoria servidora refere-se à função não a inerência, e tomar a forma de um servo é uma coisa funcional. Devemos nos perguntar se morphe é uma referência para funcionar também.

Tentando anular a realidade da interpretação os trinitarianos apontam para o verso oito quando Paulo usa o mesmo termo (morphe) e diz que Jesus foi “achado na forma de homem”, o que, para eles, provaria que na eternidade ele era um espírito. Ora, imediatamente após dizer que Jesus foi “achado na forma de homem”, diz que ele “humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz”. Veja a passagem com o verso sete adicionado: “Mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens; e, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz”.

A semelhança aqui não é uma referência à transferência do céu para a substância física da humanidade, mas sim de “ter se tornado uma imagem da humanidade (pecadora)”, embora ele não tivesse em si mesmo pecado (1Pe 2:22). Observe que a frase, “foi feito (do grego genomenos) à semelhança dos homens” ocorre antes da sequência que diz que ele “se tornou obediente”. O sentido é que ele se mostrou à semelhança dos homens, mas com uma diferença enorme: Ele foi a pedra angular, o ungido, o Salvador dos pecadores, e mesmo sendo um homem, se mostrou obediente à vontade de seu pai. Ele era um homem, vivendo entre os homens, mas com um propósito a cumprir além do que qualquer outro homem foi chamado a alcançar. Por isso o verso oito, “E sendo achado na forma de homem”, foi traduzido por Weymouth como, “E sendo reconhecido como um verdadeiro ser humano”. Foi essa condição humana que deu a Cristo sua empatia com homens e mulheres. A tradução na linguagem de hoje melhora consideravelmente o sentido quando diz que Jesus “abriu mão de tudo o que era seu e tomou a natureza de servo, tornando se assim igual aos seres humanos. E, vivendo a vida comum de um ser humano”.

E mais uma vez: “achado da forma de homem”, não se refere a qualquer mudança de substância espiritual para carne e sangue. Antes, porque Jesus “tomou a forma de um escravo” significou assumir o status de escravo com a atitude mental (versículo cinco) ou disposição de um servo. Apesar de ser o Messias, ele assumiu o status de homem/humanidade caída para se tornar um servo da humanidade e não assumiu seus direitos e privilégios como filho do Rei. Não há pensamento aqui de mudar para a substância de um ser humano; nenhuma das alterações de localização é indicada, mas a simples aceitação de um status inferior por alguém que, por direito, tem um status elevado. Além disso, como mortal, é impossível que Jesus tenha existido anteriormente como um imortal, isto é, como um anjo ou ser celestial (Lucas 20:36). No entanto, Jesus era como os outros homens e não o mesmo que eles, porque eles precisavam se reconciliar com Deus, enquanto ele não. Novamente, a frase sobre Jesus “tendo sido achado na forma de homem” não tem significado metafísico. Semelhante ao esquema de morphe, deve significar:

1) O estado geralmente reconhecido ou forma em que algo aparece. Nesse caso, podemos ver morphe como sinônimo de caráter, aparência ou imagem de Deus.

2) O aspecto funcional de algo, modo de vida das coisas; compare com 1 Coríntios 7:31 “Este mundo em sua forma (morphe) atual está desaparecendo”.

No entanto, o mundo da humanidade não terá uma mudança da substância física da qual é feita, mas sim do seu caráter e modo de operação. No caso de Jesus deve ser interpretado como “estar em condição de homem”, ou “compartilhando com os humanos”. Cristo está sendo avaliado como Adão – como homem representativo, como se fosse um homem caído, apesar de não ter sido, mas se colocando no lugar deles para salvá-los. Então, Jesus “tendo se tornado à semelhança dos homens” significa que ele cresceu para ser um homem, assim como os pecadores fazem. A frase está efetivamente dizendo que ele cresceu e se tornou um homem como os outros homens são (Lucas 2:40). Não se tornando um homem de outra coisa (ninguém pode fazer isso), mas tornando-se completamente humano, o que poderia significar também que ele foi 100% homem sem divindade alguma. Deus o “fez” à semelhança dos homens. Na verdade, ele foi feito como nós “em todos os aspectos” (Hebreus 2:17).

Jesus esvaziou-se de tudo. Jesus já teria (“tendo”) sido humano quando se esvaziou ou se derramou. Assim, o céu não é o local onde ocorreu tal esvaziamento. Pelo contrário, esta frase mostra que Jesus negou-se a si mesmo ao longo de sua vida para, finalmente, ser sacrificado a nosso favor (Isaías 53:12). Neste caso, “ekenosen” (ele se esvaziou), não se refere a um único momento, entendido pelos trinitarianos como o momento da “encarnação”, mas a completude de uma série de atos repetidos; sua vida terrena, vista como um todo, era um processo infalível de auto esvaziamento.

Portanto, em seu curso de vida, Jesus [o Messias – o homem] pôs de lado essa legítima dignidade, prerrogativas e privilégios como filho do Rei, humilhando-se para viver uma vida de servidão que terminou com a sua morte. Os filipenses seriam convidados a copiar o exemplo impossível de se esvaziar de sua essência? Em vez disso, deviam “esvaziar-se” de sua natureza contenciosa, egoísta e imitar o exemplo vitalício de humildade e abnegação de Jesus. Paulo não nos adverte para não sermos como um arcanjo ou ser celestial. Ele nos adverte para sermos servos humildes como humanos. O contexto adicional é mostrado quando ele diz:

Eu (Paulo) estou sendo derramado como uma oferta de libação sobre o sacrifício e serviço público para o qual a fé o conduziu” (Fp 2:17). Certamente a essência de Paulo não foi derramada.

Assim, o tema desses versos não é sobre um arcanjo preexistente ou um ser celestial ou o “Deus Filho”, mas o Messias humano, o histórico Jesus – “Pois há um mediador… um homem, Cristo Jesus” (1 Tim. 2: 5 ) que veio a existir através de seu nascimento (Lucas 1:35, 2:11). É evidente que Paulo estava pensando em Cristo como homem quando redigiu essas linhas em Filipenses capítulo dois onde o contexto é: “mas na humildade da mente… que esta mente esteja em vocês, que também estava em Cristo Jesus” (versículos 3-5). Logo, o assunto não é sobre uma mudança na essência ou natureza de Jesus num tempo de pré-concepção, mas fala de um sentimento do homem Jesus quando aqui viveu.

E, por mais incrível que possa parecer, algumas palavras derivadas de morphe são usadas com relação aos crentes, o que não deve significar que eles foram seres divinos ou deuses: “Meus filhos, com quem estou novamente em trabalho de parto até que Cristo seja formado (morphoo) em vós“, Gl 4:19.

Paulo não está sugerindo que os gálatas desenvolvam a forma física de Cristo, ou a literal essência do Jesus ressuscitado, mas que os princípios de Cristo fossem adotados por eles.

Outra pista é encontrada em 2 Timóteo 3: 5 onde lemos que os “homens tinham uma forma de piedade” (morphōsin eusébeias), mas negavam o poder dela. A essência deles era piedade? Evidente que não, pois Paulo diz que eles a negavam. Paulo está se referindo aqui a atividades não intrínsecas. Mais ainda, devemos entender que essa forma de piedade não era autêntica. Esses homens tinham a aparência externa de piedade, mas não eram de todo piedosos. Em vez disso, eles praticavam o mal.

Agindo na forma de Deus

Havia uma “forma de Deus” em Jesus. Ele era “o unigênito do Pai” (João 1:14). Jesus declarou: “quem vê a mim vê o Pai” (João 14:9) e “Eu estou no Pai e o Pai em mim” (João 14: 7–15). Sua vida declarou Deus a Israel, porém, daquele alto status, ele estava preparado para adotar o status de servo para cumprir o propósito de seu Pai. Ou seja, de acordo com a forma de Deus “todas as coisas foram feitas por intermédio dele” (João 1:3). De acordo com a forma de um servo, “ele nasceu de mulher, nasceu sob a lei” (Gl 4:4). Conforme a forma de Deus, “ele e o Pai são um” (João 10: 30), de acordo com a forma de servo, “ele não veio para fazer a sua própria vontade, mas a vontade daquele que o enviou” (João 6:38). De acordo com a forma de Deus, “como o Pai tem a vida em si mesmo, ele também deu ao Filho ter vida em si mesmo” (João 5:26), de acordo com a forma de servo, “sua alma está triste até a morte, e: “Pai”, diz ele, “se é possível, passe de mim este cálice” (Mateus 26:38-9).

Podemos perguntar, então, como fez Jesus sua função do status/morphe de Deus durante seu ministério terreno? Será que os quatro Evangelhos retratam suas atividades de forma a sugerir que ele estava fazendo o que o próprio Pai teria feito, se Deus estivesse presente, visível e pessoalmente para realizar o ministério que seu filho de fato cumpriria? Será que Cristo estava exercendo as prerrogativas que realmente pertencem ao próprio Deus? Não precisamos ir muito longe para encontrar a resposta a estas perguntas. Muito cedo no ministério de Cristo surgiu a pergunta: “Quem pode perdoar pecados senão Deus?” (Marcos 2:7). Jesus tinha acabado de dizer a um paralítico: “Filho, os teus pecados estão perdoados”.

Os mestres da lei que o ouviram dizer estas palavras o acusaram de blasfêmia. Jesus respondeu: “Qual é mais fácil: dizer ao paralítico: ‘Os teus pecados estão perdoados’, ou dizer: ‘Levanta-te, toma o teu leito e anda?” Então, ele acrescentou as palavras cruciais: “Mas, para que saibais que o Filho do Homem tem na terra poder para perdoar pecados…” (2:10). Os escribas estavam corretos na compreensão de que a autoridade máxima para perdoar os pecados dos homens repousa sobre Deus. Mas eles precisavam entender ainda mais que Deus delegou ao seu Filho autoridade para agir no lugar dEle e em seu nome! Neste ato de perdão, então, Cristo estava funcionando no morphe o estado – de Deus, que o havia enviado.

Mais uma prova do status de Jesus como morphe de Deus na terra é visto em João 5:21: “Porque, assim como o Pai ressuscita os mortos e lhes dá vida, assim também o Filho dá vida a quem tem o prazer de dar-lhe”. O poder para ressuscitar os mortos está nas mãos do Pai, e ele manifesta esse poder gloriosamente quando ele levantou seu Filho da morte para a imortalidade (Atos 17:30, 31, Rm 6:9; 8:11). Mas enquanto Cristo estava na Terra, ele levantou vários da morte – o caso mais famoso é o de seu amigo Lázaro. Assim, mais uma vez, Cristo estava agindo no lugar de Deus, ressuscitando os mortos e mostrou-se no morphe de Deus.

Portanto, morphe não subentende acidentes externos ou crises de divindade, mas sim os atributos essenciais. Isso pode ser comparado com o trecho de II Cor. 4:4, onde Cristo figura como a «imagem» de Deus, o que é igualmente atestado em Col 1:15.

Cristo exibiu a «forma» de Deus no sentido de como sua vida se manifestou ao mundo. A frase não indica «ser igual a Deus», em qualquer sentido, mas antes, indica «existência em pé de igualdade com Deus», o que, presumivelmente, para muitos, significa uma forma idêntica de existência, embora não seja essa a visão de Paulo.

Jesus era filho de Deus, de modo que existia na própria expressão do Pai, mas como Deus não tem forma, Jesus existir na forma de Deus significa que ele revelava a deidade. Existir em forma de Deus não fazia dele a divindade assim como existir em forma de humano não fazia dele a humanidade, apenas especifica que ele existia na forma em que aquela natureza impõe. Se existir em forma de Deus, significasse que Jesus é a divindade, então existir em forma de humano, significaria que Jesus era a humanidade, mas sabemos que a humanidade é uma natureza partilhada.

Outro uso de morphe na Bíblia apoia a posição de que a palavra não se refere à literal essência/natureza divina. O Evangelho de Marcos faz uma breve referência à conhecida história em Lucas 24: 13-33 sobre Jesus aparecendo aos dois homens no caminho para Emaús. Marcos nos diz que Jesus apareceu “em uma forma (morphe) diferente” para esses dois homens, de modo que eles não o reconheceram (Marcos 16:12). Isso é muito claro. Jesus não teve uma “natureza essencial” diferente quando apareceu aos dois discípulos. Ele simplesmente tinha uma aparência externa diferente.

As bíblias de estudo podem até sugerir que a ideia de sentido da palavra “morphe” (forma) seja relativa “a natureza de”, mas isso apenas parece mais uma tática para “subliminar” o ensino de que Jesus seja Deus todo-poderoso. De fato, se ele era Deus, então ele certamente não foi feito em “todas as formas” como os seres humanos (Hebreus 2:14; 2:17), o que deve significar que ele era 100 % humano.

Ter o mesmo sentimento de Cristo

Interpretar a frase “estar na forma de Deus” tornou-se um romantismo teológico para a ala trinitariana. Significa para eles que Jesus era Deus, mas no seu nascimento ele se tornou um homem. O contexto dessa passagem deve ser cuidadosamente considerado. Por esse motivo estou insistindo em mais algumas linhas.

É significativo que esta seja quase a única passagem que pode ser apresentada para explicar o “elo perdido” no raciocínio trinitário – como Jesus se transferiu de ser Deus no Céu para ser um bebê no ventre de Maria. A análise a seguir procura demonstrar o que essa passagem realmente significa acompanhando o verso cinco, onde Paulo nos exorta a ter a mesma atitude de Cristo Jesus.

Paulo não apenas começa a falar sobre Jesus “do nada”. Ele se refere à mente de Jesus em Filipenses 2: 5. De volta a Filipenses 1: 27 Paulo começa a falar da importância do nosso estado de espírito. Isso é desenvolvido nos primeiros versos do capítulo 2: “que sintais o mesmo, tendo o mesmo amor, o mesmo ânimo, sentindo uma mesma coisa. Nada façais por contenda ou por vanglória, mas por humildade; cada um considere os outros superiores a si mesmo. Não atente cada um para o que é propriamente seu, mas cada qual também para o que é dos outros. De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus…”, Filipenses 2:2-5.

Paulo está, portanto, falando da importância de ter uma mente como a de Jesus, que é devotada ao humilde serviço dos outros. Os versículos que seguem comentam sobre a humildade da mente que Jesus demonstrou, ao invés de falar de qualquer mudança de natureza. Assim como Jesus era um servo, Paulo se apresentou com a mesma palavra (Filipenses 1:1, 2:7). A atitude de Jesus é estabelecida como nosso exemplo, e somos instados a nos unir a Paulo para compartilhá-la. Não nos pediram para mudar a natureza; somos convidados a ter a mente de Jesus – para “conhecê-lo, e à virtude da sua ressurreição, e à comunicação de suas aflições, sendo feito conforme a sua morte; Para ver se de alguma maneira posso [possamos] chegar à ressurreição dentre os mortos” (Fp 3:10, 11).

A nossa natureza não mudou, mas Paulo apenas pede que tenhamos o mesmo sentimento que houve em Cristo Jesus, que “sendo em forma de Deus…” – que exigência os trinitarianos pensam que está sendo feita aos cristãos filipenses? O contexto é claríssimo, pois o que Paulo mostra nos versos 3, 5, 7 e 8, ajuda a esclarecer o verso 6. O conselho é para que se considere os outros superiores e melhores do que a si mesmo. Paulo então usa Jesus como referencial para dar um exemplo do que está querendo dizer: “Tenham o mesmo modo de pensar, mesma mente que Jesus teve“. Mas que mente seria esta exigida dos cristãos? Achar que não seria uma usurpação querer ser igual a Deus? Certamente que não, pois é exatamente o contrário disso que Paulo está solicitando. Paulo mostra que Jesus considerou os humanos e os interesses deles mais importantes que os seus, e não que ele ao contrário, tentou alcançar mais poder, ao tentar reivindicar igualdade com Deus.

Ter o mesmo sentimento que houve em Cristo Jesus não significa dar um salto de um local mistico transcendental espacial para um ambiente secular. Além disso, se o ponto do versículo é dizer que Jesus é Deus, então por que não dizê-lo? É claro que Deus tem a “natureza essencial” de Deus, então por que alguém colocaria Jesus nesse ponto? Este verso não diz: “Jesus, sendo Deus”, mas sim, “estar na forma/igualdade de Deus”. O significado real do texto pode ser norteado pela versão da Nova Bíblia Americana, edição católica inglesa, que verteu o versículo imediato da seguinte forma: “Ele não julgou que a igualdade com Deus fosse algo de que se devia apoderar”, ou seja, como ele preferiu não humilhar as pessoas por ser Filho do Rei, não agindo com altivez e poder abusivo, ele obedeceu e se humilhou como servo de todos até a morte no calvário.

Assim, fica claro que a questão tratava de Autoridade: Superior/inferior [sentimento], pois o contexto nos pede algo similar, “tendes o mesmo sentimento que houve em Cristo Jesus“, o que não foi uma mudança de natureza, do céu a terra, mas uma atitude (“sentimento”), e por isso foi exigido dos filipenses que “com sinceridade, considerem os outros superiores a vocês” (v 3).

Está resolvido o problema. E veja como: “Nada façais por contenda ou por vanglória, mas por humildade; cada um considere os outros superiores a si mesmo. Não atente cada um para o que é propriamente seu, mas cada qual também para o que é dos outros. De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus“.

Observe o que Paulo está falando aqui em todo este contexto; ele está dizendo que devemos ter a mesma “atitude” ou “mente” de Cristo. O que ele esclarece é que Cristo em sua mente, ou atitude não egoísta, não “se apegou” ser igual a Deus, mas se humilhou como servo por amor a nós. Ele não considerou agarrar-se à igualdade com Deus. Em outras palavras, Jesus não era obstinado e não se concentrava em sua nobreza como filho, mas se humilhava e servia aos outros. Ele não veio para ser servido, mas para servir. Assim, Paulo diz aos filipenses que façam a mesma coisa: ter a mente do “ungido” (Cristo) Jesus.

São os homens na terra – não Deus ou super-seres no céu que são ungidos. O homem Jesus foi ungido “por Deus” para o seu ministério e obra (Atos 10:38). É sobre aquele Jesus ungido que Paulo está escrevendo para os filipenses. O céu é o lugar errado para o esvaziamento. Paulo não usa uma única vez a palavra “céu” em Filipenses 2: 5-8. Ele não diz nada da ideia de um Jesus pré-humano fazendo um sacrifício “no céu” deixando seu suposto esplendor e vindo para a terra. Essa é uma história que nunca é descrita na própria Bíblia. É uma imagem que foi pintada por poetas, compositores e expositores pós-bíblicos. A obediência e sacrifício de Cristo que Paulo está apontando para os filipenses ocorreram na terra – não no céu. É o Jesus humano que tomou sobre ele a posição de um servo. E vai aqui um alerta para você caro amigo leitor: não acredite que a concepção e nascimento de Jesus foi o momento da vinda do super-ser do céu.

Paulo não diz nada sobre seguir o exemplo de um Jesus não humano que vem à Terra. Como isso seria um exemplo para os filipenses? Os filipenses não são “super-seres” que poderiam procurar “se transformar” de um tipo de ser em outro. O verdadeiro Jesus, nascido o filho de Deus, o filho de Davi, o herdeiro de todas as coisas, que se humilhou e obedeceu a Deus até a entrega de sua vida em uma cruz, tornou-se o exemplo mais incrível que nós, como seres humanos, teremos.

Enfim, Jesus recebe uma recompensa por sua obediência e sacrifício. Contudo, a figura que Paulo apresenta aos filipenses nos versículos 9-11 não é de um Jesus que é “restaurado” para sua “suposta” antiga glória no céu. Antes, Paulo nos mostra um homem que, por causa de sua obediência e morte em uma cruz, foi glorificado e agora está assentado à destra de Deus no céu. Deus “deu a ele” o nome que está acima de todo nome.

A visão trinitariana é inconcebível quando interpreta o texto de Filipenses como significando que Jesus se humilhou em uma encarnação, que Cristo não se tornou pobre para nós, mas manteve a riqueza de sua nobre natureza divina quando ele encarnou enquanto desfilava disfarçado de humilde no seu pobre corpo humano, e em sua humildade estava tendo que suportar sua natureza humana comum enquanto também vivia em sua natureza divina.

Não caros amigos trinitarianos, foi tudo real; Jesus “se humilhou tornando-se obediente até a morte, e morte na cruz”; Jesus se humilhou para fazer a vontade de Deus até o ponto de morrer (Marcos 10:45). E não morrer apenas uma morte, mas uma morte terrível no madeiro. Ele estava disposto a morrer porque entendia que, por sua morte, os pecados de muitos seriam perdoados (Mateus 26:28). Jesus sabia que, como filho humano unigênito de Deus, ele era exclusivamente amado por Deus (Mateus 17: 5). Ele sabia que ele era de grande valor aos olhos de seu pai. Tanto assim, que Deus aceitou sua morte como um sacrifício para o resto de nós (Efésios 5: 2). Por esta razão – Deus exaltou Jesus. E de fato, “Deus o exaltou soberanamente, e concedeu a Ele um nome que está acima de todo nome”. Jesus era o único filho gerado de Deus. Ele era o filho “amado” de Deus (Mateus 12:18). Ele foi exaltado por Deus e recebeu uma altíssima posição. Deus o fez para ser “Senhor” e “Cristo” (Atos 2:36). Deus também o exaltou por causa de seu trabalho e missão: seu cuidado e amor por seus semelhantes. A disposição de Jesus para morrer, a fim de redimir o resto de nós para Deus foi incrível (Apocalipse 5: 9). Por todas estas razões, Deus determinou que Jesus fosse o herdeiro de todas as coisas e que aqueles que são o seu povo serão co-herdeiros com ele (Romanos 8:17). Esta é a maravilha do favor de Deus sobre o homem Jesus Cristo. É um favor que flui sobre aqueles que são seu povo.

A humildade de Cristo não era de um filho preexistente saindo de sua posição no céu. A humildade do homem Jesus era que ele não considerava agarrar-se à igualdade de estima com Deus, mas sabendo que ele era apenas um homem, ele humildemente serviu e desistiu de tudo inteiramente. Isso é o quanto ele nos amou. Jesus ensina que a menos que estejamos dispostos a negar a nós mesmos e deixar tudo não podemos ser seus discípulos. Quão hipócrita ele seria se não desistisse de tudo como os trinitarianos afirmam.

A Deus toda Glória

 

“Desci do Céu”

Deus é Onipresente – os teólogos trinitários celebram com júbilo quando falam em onipresença. Evidente que eu concordo que Deus é Onipresente. Uma maneira precisa de falar em onipresença é: “Deus não está limitado no que diz respeito à localização“. Localização, em relação ao que é infinito, apresenta problemas reais para o trinitário quando se fala de encarnação. A maioria dos trinitários acredita que o Deus Filho (Jesus) pode ser originalmente localizado no Céu, mas mudou-se para a terra por um tempo, e depois se mudou novamente para o céu. Como, então, é Deus, o Filho, infinito? Além disso, alguns notáveis trinitários têm promovido a ideia de que Deus, o Filho, permaneceu no céu mesmo enquanto ele “descia do céu” mudando-se para a terra. Problema resolvido? Dificilmente.

Em que sentido Cristo “esvaziou-se” se Ele permaneceu completamente Deus no céu? Em que sentido Cristo “se fez carne” se Ele permaneceu completamente Deus no céu? Como Cristo poderia ser tentado pelas glórias patéticas da terra se Ele permaneceu plenamente Deus no céu? Como poderia Cristo ter medo de ter sua alma deixada no inferno, se Ele permaneceu completamente Deus no céu? Como poderia Cristo, na cruz, se sentir separado do seu Pai, se Ele permaneceu totalmente Deus no céu, indivisível e inseparavelmente ligado a Tríade Divina? Como poderia Cristo verdadeiramente morrer se permanecesse completamente Deus no Céu, incapaz de morrer? Será que o Deus Filho observava do céu seu corpo morrendo na cruz?

Os que defendem a preexistência de Jesus usando João 6:31-56 parecem desatentos com um detalhe extremamente curioso. Vou apresentar aqui  dois versículos dessa  passagem citando-os  separadamente: “Porque o pão de Deus é aquele que desce do céu e dá vida ao mundo… Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém comer deste pão, viverá para sempre; e o pão que eu der é a minha carne [meu corpo], que eu darei pela vida do mundo” (João 6:51,63).

O corpo de Jesus não foi gerado nas dependências celestiais. Se o pão que desceu do céu é a carne/corpo de Jesus, então ele não veio do céu. Seu corpo é terreno; não pode ter vindo do céu. Porém, a interpretação convencional insiste: “mas a Bíblia diz, Porque eu desci do céu“. Eles não procuram dar uma olhadela no contexto que, como sempre digo, é o inimigo número um dos trinitarianos.

Cristo está falando metaforicamente quando declara: “Porque eu desci do céu”. Entendemos isto simplesmente observando o contexto, que fala do maná que descia do céu. Só a alma mais ingênua poderia acreditar que Deus tinha armazéns literais de maná no céu, e que esta substância viajou através das dimensões em rota para a terra; “desceu do céu”, é entendido no sentido de que a fonte do maná é Deus – que Deus forneceu. Da mesma forma Cristo. Ele foi “enviado do céu”. Ele desceu do céu, mas não como um ser preexistente.

Vamos aos textos

João 6:33, nas palavras de Jesus, registra: “Porque o pão de Deus é aquele que desce do céu.” João 6:38 acrescenta: “Eu desci do céu“.

Em João 6:51 o Senhor repete: “Eu sou o pão vivo que desceu do céu“. E finalmente em João 6:58; “Este é o pão que desceu do céu“.

Os trinitarianos e os defensores da preexistência de Jesus acreditam que aqui nos versículos expostos estão as provas de que Jesus existia no céu antes de vir a este mundo.

Desceu Jesus literalmente do céu? O capítulo 6, v. 38 do evangelho de João aparentemente responde a esta pergunta. Jesus disse: “Porque eu desci do céu, não para fazer a minha própria vontade, e sim a vontade daquele que me enviou”. Não devemos apressadamente chegar à conclusão trinitariana. O tema não é tão simples como parece à primeira vista. É preciso cavar mais fundo. Há boas razões para acreditarmos que a ação em descer do céu não seja literal, mas figurativa. No versículo 31 do mesmo capítulo, há menção do “maná” enviado do céu no Velho Testamento. Este era um tipo de pão que Deus proveu, por um milagre, para o seu povo enquanto eles estavam no deserto. As palavras do versículo 31 são: “Ele (Deus) lhes deu pão do céu para comer“.

Aqui, obviamente, o contexto está tratando de uma linguagem figurada. Este pão milagroso não foi cozido no céu e nem armazenado em gavetas até chegar a terra. A afirmação de que ele veio do céu nos informa que o Deus do céu foi o provedor direto. Estas palavras são tomadas em linha reta a partir do Novo Testamento em Tiago 1:17, que diz que toda boa dádiva vem “do alto, descendo do Pai”.

A Bíblia não diz que as “boas dádivas” descem literalmente do céu, a menos que você esteja procurando uma tradução trinitária distante. Jesus desceu do céu? Sim? Então todas as “coisas boas” também descem do céu e se encarnam!

O que o Senhor quis dizer com estas palavras difíceis, “Eu desci do Céu?” Uma compreensão da analogia com o maná fornece a chave para o correto entendimento desta passagem.

O maná é descrito como “pão do céu” (João 6:32), e o Senhor comparou-se ao maná anti-típico ou “pão do céu” (vv. 32-33). Será que esta descrição significa que o maná foi fabricado no céu, na morada de Deus, e flutuou em uma nuvem grossa todas as noites através dos espaços ilimitáveis acima para o deserto embaixo?

O pão “do céu” (v. 31) não significa que ele realmente foi fabricado no céu e desceu através da atmosfera, mas sim que ele foi produzido na terra pelo poder de Deus. “Do céu”, portanto, enfatiza a origem divina do pão. Esse é o sentido, portanto, no qual devemos entender as alusões do Senhor a si mesmo. Da mesma forma, Cristo desceu do céu, não literalmente, já que foi o Espírito Santo, que desceu sobre Maria, para efetuar a concepção. (Lucas 1:35). “Do céu”, enfatiza sua origem divina como uma pessoa (isto é, do seu pai, Deus) e a origem divina do seu ensinamento.

Devemos notar que as palavras deste capítulo 6 de João foram consideradas palavras duras: “duro é este discurso”, (v. 60). Esse discurso foi seguido por um ainda mais difícil: “E se vós virdes o Filho do Homem subir para onde ele estava antes?” Tão ridículo isso soou para alguns dos discípulos de Jesus que eles o deixaram (v. 66). E isso é prova conclusiva que eles não sabiam nada da teoria de um Cristo pré-existente. Veja: “Murmuravam, pois, dele os judeus, porque dissera: Eu sou o pão que desceu do céu. E diziam: Não é este Jesus, o filho de José, cujo pai e mãe nós conhecemos? Como, pois, diz ele: Desci do céu?”, vv. 41,42.

Além disso, considere o título que o Senhor usou. Ele se descreveu como “Filho do Homem”. Como um ser pré-existente pode ser Filho do Homem? E mais ainda: Como conciliar que um filho de homem poderia “subir para onde ele estava antes?” Como entender o real significado desse texto?

Alguns mestres das Escrituras atestam que aqui, Deus, pelo Seu Espírito, desceu a terra para prover uma raça humana capaz de vencer o pecado e, tendo feito isso, Ele o retirou (Jesus) para o céu, tendo mudado sua natureza de um corpo de carne para um corpo espiritual, o que poderia ser entendido que um ser espiritual é corpóreo (1 Coríntios 15: 44-45). Assim, Jesus, pelo Espírito, ascendeu onde (O Espírito) estava antes, embora em uma forma diferente: Desceu como o poder de Deus e ascendeu como um Filho do Homem tornado imortal. Outros acreditam que aqui Jesus falava de sua morte e ressurreição nas palavras “subir para onde estava antes”, que poderiam ser entendidas como subir da sepultura voltando para o meio deles outra vez, o que faz mais sentido com o contexto.

Este fato é claro a partir do estudo do contexto. Porque os tradutores optaram por traduzir o grego anabaino como “ascender”, as pessoas acreditam que é uma referência à ascensão de Cristo da terra como registrado em Atos 1: 9, mas Atos 1: 9 não usa esta palavra. Anabaino simplesmente significa “subir”. É usado para “subir” a uma elevação mais alta como subir uma montanha (Mateus 5: 1, 14:23); de Jesus “subindo” da agua no seu batismo (Mateus 3:16, Marcos 1:10). E como todos sabem, o batismo é um símbolo da morte e da RESSURREIÇÃO.

O contexto confirma que Jesus estava falando sobre ser o pão do céu, que ele daria a sua vida através de sua ressurreição. Versículos como o 39, 40 e 44 confirmam isso. Jesus repetidamente disse: “Eu o ressuscitarei [cada crente] no último dia“. Cristo estava surpreso porque alguns de seus discípulos ficaram ofendidos com seu ensinamento. Ele estava falando da ressurreição, e eles se escandalizaram, então ele perguntou se eles poderiam ficar ofendidos se o vissem ressuscitado, o que infelizmente foi traduzido como “ascender” no versículo 62. Jesus poderia ter feito uma pergunta retórica: “Se as pessoas tropeçam em mim agora, o que farão quando me virem levantar dos mortos?”

Quem “desceu” foi o Espírito, não Jesus

Se a nossa envelhecida Ortodoxia Protestante desejasse, pelo menos, literalizar as palavras, desci do céu, poderia ter um razoável sucesso se as interpretassem segundo as circunstâncias de seu nascimento. O anjo disse a sua mãe: “Descerá sobre ti o Espírito Santo, e o poder do Altíssimo te envolverá com a sua sombra; por isso, também o ente santo que há de nascer será chamado Filho de Deus”, Lucas 1:35. O que gerou Cristo (O Espírito) desceu do céu.

Porém, a revelação nos conduz para outro caminho: Jesus era “o Filho unigênito de Deus” e, portanto, de cima. Paulo ensinou que “Deus estava em Cristo, reconciliando consigo o mundo” (2 Coríntios 5:19).

Uma maneira melhor de entendermos as palavras de Jesus em João 6 seria compará-las com palavras semelhantes faladas em João 16: 28-30:

Saí do Pai, e vim ao mundo; outra vez deixo o mundo, e vou para o Pai. Disseram-lhe os seus discípulos: Eis que agora falas abertamente, e não dizes parábola alguma. Agora conhecemos que sabes tudo, e não precisas de que alguém te interrogue. Por isso cremos que saíste de Deus.”

Em João 16:28, Jesus afirmou que ele “saiu do Pai”. Em João 6:38, Jesus disse que “desceu do céu”. Estas duas frases significam a mesma coisa. Basta apenas observar o que os discípulos disseram no verso trinta. Quando eles ouviram Jesus dizer: “Saí do Pai”, entenderam que o ensinamento dele era de Deus. Os discípulos disseram: “Agora conhecemos que sabes tudo, e não precisas de que alguém te interrogue. Por isso cremos que saíste de Deus.” Este, “por isso cremos que saíste de Deus”, não foi um aviso de que eles entenderam que Jesus era preexistente, mas que ele foi enviado de Deus, ensinado por Deus e autorizado por Deus e, o mais importante: é Filho de Deus.

Os discípulos entenderam a declaração de Jesus de que ele “saiu do Pai” de forma diferente da ortodoxia tradicional. Os discípulos compreenderam que Jesus estava falando do seu conhecimento e sabedoria. Os discípulos não confundiram suas palavras para significar que Jesus havia preexistido no céu, ou que ele tinha descido do céu levando sua habitação para a pessoa de Maria como um embrião, que mais tarde teria sido habitado pelo ser celestial preexistente. Como sabemos disso? Porque Jesus confirmou que os discípulos tinham interpretado o significado de “que vem de Deus” corretamente, pois ele respondeu positivamente a sua confissão de fé, respondendo-lhes: “Credes agora?”

Os discípulos acreditaram com razão, que Jesus “vindo do céu” era nada mais do que uma referência a Jesus como aquele que “sabia todas as coisas”, que era o Messias prometido, a pedra, o salvador, e que Jesus não precisa ter alguém para dizer-lhe qualquer coisa. Em suma, “vindo de Deus” é uma abreviação para “sendo ensinados por Deus e Deus ensinando aos homens.”.

Nós encontramos essa figura de linguagem também em João 6:42, onde os judeus perguntam: “Não é este Jesus, o filho de José, cujo pai e mãe nós conhecemos? Como, pois, diz agora: Desci do céu?” Os judeus tropeçaram nas palavras de Jesus porque a tomaram literalmente. Na tentativa de explicar o que queria dizer, Jesus escolheu citar o Antigo Testamento:

Está escrito nos profetas: E serão todos ensinados por Deus” (João 6:45)

Ensinar através de Deus, portanto, é o equivalente a “vindo de Deus”, de acordo com Jesus. O último é uma figura de linguagem, e não deve ser tomada literalmente. Se continuarmos a ler mais em João 6, veremos que Jesus fala muitas vezes em sentido figurado. Por isso Jesus se compara ao maná do céu. João 6:51 diz: “Eu sou o pão vivo que desceu do céu“. Aqui Jesus está falando em sentido figurado – não literalmente – pois ele se compara ao pão celestial (o maná), que sustentou os israelitas no deserto por quarenta anos. Jesus, então, continua a dizer que devemos comer sua carne e beber seu sangue. Os protestantes tomam as palavras de Jesus aqui, literalmente? Não, não tomam. Então, por que eles ensinam que Jesus fala literalmente quando ele diz: “Eu desci do céu”?

Caro amigo leitor, lembre-se novamente que em João 6:31 o maná é referido como “pão do céu”. A tradução literal é “pão do céu”. Foi o maná cozido pelos anjos no céu, ou pelo próprio Deus, e depois atirou em direção a Terra à velocidade da luz, só para pousar no chão do deserto do Sinai? Não! Quando alguma coisa (ou outra) é descrito como tendo vindo de Deus, isso significa que a sua fonte pode ser atribuída a Deus. A fonte do maná pode ser atribuída a Deus, por isso o maná é descrito como “pão do céu”. Da mesma forma, a “fonte” de Jesus é Deus, e, portanto, Jesus poderia afirmar corretamente que ele veio do céu (isto é, de Deus), assim como o maná no deserto veio do céu. Mas tal afirmação não significa ter Jesus preexistido no céu antes do seu nascimento – não mais do que fez o “preexistente” maná no céu antes de aparecer no deserto do Sinai.

Deus enviou seu Filho

Deus é a fonte de Jesus Cristo. Cristo foi o plano de Deus, e então Deus gerou diretamente Jesus. Há também versículos que dizem que Jesus foi “enviado de Deus”, uma frase que mostra Deus como a fonte final do que é enviado. João Batista era um homem “enviado de Deus” (João 1: 6), e foi ele quem disse que Jesus “vem de cima” e “vem do céu” (João 3: 31).

Ainda outro exemplo é quando Cristo estava falando e disse: “O batismo de João – de onde ele veio? Foi do céu ou dos homens?” (Mateus 21: 25). Naturalmente, o modo como o batismo de João teria sido “do céu” era se Deus fosse a fonte da revelação. João não teve a ideia por si mesmo, ela veio “do céu”. O versículo torna o idioma claro: as coisas poderiam ser “do céu”, ou seja, de Deus, ou poderiam ser “dos homens”. Assim, quando os termos são usados em relação a Jesus: Jesus é “de Deus”, “do céu” ou “de cima”, o sentido é que Deus é seu Pai e, portanto, sua origem.

A ideia de vir de Deus ou de ser enviado por Deus também é esclarecida pelas palavras de Jesus em João 17. Ele disse: “Assim como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo” (João 17: 18). Nós entendemos perfeitamente o que Cristo quis dizer quando declarou: “Eu os enviei ao mundo“. Ele quis dizer que ele nos encomendou, ou nos nomeou. Ninguém pensa que estávamos no céu com Cristo e encarnados na carne. Cristo disse: “Como tu me enviaste, eu os enviei“. Tomamos a frase “Cristo nos enviou” para entender como Deus enviou Cristo.

O Filho foi enviado como um homem, e não como Deus: “Deus enviou seu Filho feito de uma mulher” (Gálatas 4: 4). Paulo se refere a um evento que teve lugar em um determinado ponto no tempo. A palavra enviou não deve significar que Deus enviou seu Filho do céu, mas que ele foi enviado a partir do seu nascimento. Isso significa que ele veio de Maria. A palavra “enviado” não significa pré-existência, mas sim sua origem, quando foi enviado através de uma Mulher: “Deus enviou seu filho, nascido de mulher”.

Deus seja louvado

Jesus não era o Pai

Eu costumava acreditar que Jesus era Deus quando aqui andou. Eu fazia uma mistura impressionante que me levava a não questionar quem na verdade morreu por mim, se foi o Pai ou se foi o Filho. Era uma espécie de mistura confusa, que eu segurava com unhas e dentes para manter a unidade doutrinária convencional e não tocar na trindade. Eu acreditava naquela velha fábula cristã que afirma ter sido Jesus 100% Deus e 100% homem.  Eu, como milhões de cristãos, não admitia a humanidade total de Jesus. Na verdade eu estava tão distraído com alguma coisa sobre escatologia e fim do mundo, que não questionava absolutamente nada que viesse contrário a ser Jesus o outro, ou seja, que ele e Deus eram dois. Eu nem mesmo percebia que os versos mostrando ser Jesus o Filho de Deus, superam em muito a pouca quantidade de versos que a multidão unida tenta usar para provar que Ele é Deus.

Depois de um monte de reconciliação e de comparação de Escrituras com Escrituras, descobri que Jesus foi chamado de Deus no sentido de um embaixador Salvador, pois esta é uma das definições de suporte para “theos” no léxico grego. Então, Ele é como um general ou comandante, mas que também tem um Comandante Geral sobre ele, que é o Pai, e que eles não são uma e a mesma coisa, mas que o Pai tem o título verdadeiro. Apocalipse 1:5-6, por exemplo,  diz,

“E da parte de Jesus Cristo, que é a fiel testemunha, o primogênito dentre os mortos e o príncipe dos reis da terra. Àquele que nos amou, e em seu sangue nos lavou dos nossos pecados, e nos fez reis e sacerdotes para Deus e seu Pai; a ele glória e poder para todo o sempre. Amém”.

É incrível como a maioria dos cristãos, após  2000 anos da revelação do “testamento final” de Deus,  ainda não estão conscientes de que Jesus e Deus não são a mesma pessoa. Para começar, observamos como Jesus e Deus estão aqui separados, e que, não foi Deus quem veio a esse mundo, mas sim seu Filho,

“E a vida eterna é esta: que te conheçam, a ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste”. João 17:3

Abaixo seleciono alguns versículos que claramente separam Jesus de Deus

2 Cor 1:3  Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai das misericórdias e o Deus de toda a consolação.

2 Cor 11:31 o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que é eternamente bendito, sabe que não minto.

Ef 1:3 Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo.

Ef 1:17 que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos dê o espírito de sabedoria e de revelação no pleno conhecimento dele.

A Bíblia diz que Jesus considerava a si próprio e Deus como dois

“… crede em Deus, crede também em mim”, (João 14:1).

Diante dos judeus Jesus mesmo diz que não era Deus, mas o Filho de Deus

João 8:24-28 “… Quem és tu? Jesus lhes disse: Isso mesmo que já desde o princípio vos disse. Muito tenho que dizer e julgar de vós, mas aquele que me enviou é verdadeiro; e o que dele tenho ouvido isso falo ao mundo. Mas não entenderam que ele lhes falava do Pai. Disse-lhes, pois, Jesus: Quando levantardes o Filho do homem, então conhecereis quem eu sou, e que nada faço por mim mesmo; mas falo como meu Pai me ensinou.

João 14:10 crês tu não que eu estou no Pai, e o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo, não as digo de mim mesmo, mas o Pai, que permanece em mim, é quem faz as obras.

João 10:36 Dizei a ele, a quem o Pai santificou, e enviou ao mundo, Blasfemas Tu, porque eu disse, eu sou o Filho de Deus?

Se Jesus nunca se identificou como Deus, como seus contemporâneos o identificaram?  Em mais de  40 vezes nos evangelhos o próprio Deus, homens, mulheres, anjos e demônios  proclamaram  que Jesus é “o Cristo” ou “o Filho de Deus.” Não vou detalhar  todos as passagens, mas apenas aquelas mais conhecidas. Estes são os  títulos mais importantes espalhados por todo o Novo testamento sobre Jesus:

• Gabriel – “Ele será grande e será chamado Filho do Altíssimo” (Lc 1,32).

• Deus – “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo” (Mt 3,17 ).

• João Batista – “Eu vi e testifico que este é o Filho de Deus” (Jo 1,34 NVI).

• Natanael – “Tu és o Filho de Deus, Tu és o Rei de Israel” (Jo 1,49).

• O diabo – “Se és o Filho de Deus” (Mt 4,3, 6 par.).

• demônios – “Tu és o Filho de Deus” (Lc 4,41, e “eles sabiam que Ele era o Cristo”).

• espíritos imundos – “Tu és o Filho de Deus” (Mc 3,11).

• Os discípulos no barco – “Você é certamente o Filho de Deus” (Mt 14,33).

• Pedro – “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo” (Mt 16,16).

• Marta – “Eu tenho crido que tu és o Cristo, o Filho de Deus” (Jo 11,27).

• O Centurião – “Verdadeiramente este era Filho de Deus” (Mt 27,54).

Em duas referências citadas acima, observamos a confissão de Satanás e dos espíritos imundos. Eles sabiam com quem estavam se envolvendo. Eles sabiam que ele não era o próprio Deus de Israel em pessoa. Eles estavam no céu com Deus e sabiam muito bem quem era o Pai e quem era o Filho,

Lucas 4:41 “E os demônios também de muitos saíam, clamando e dizendo: Tu és o Cristo, o Filho de Deus. E ele repreendendo-os não lhes permitiu falar, pois sabiam que ele era o [ Messias ] Cristo”.

Todos esses exemplos mostram que o Messias não pode ser o Senhor Deus de Israel. Vejamos um outro exemplo que o Judaísmo considera como  mais proeminente em suas Escrituras, que em verdade  está entre os mais  frequentemente citados do Antigo Testamento no Novo Testamento.  Um salmo composto pelo  rei Davi. Ele escreve no Salmo 2, “Os reis da terra se levantam e os governos consultam juntamente contra o Senhor e contra o seu ungido…” (v. 2;. cf At 4,26-27).

Assim, O Senhor e seu Messias são vistos separados como duas pessoas. Alguns versículos adiante, o Senhor chama esse ungido “Rei Meu” e “Meu Filho” (vv. 6-7).

Em suma, todos esses textos explicitamente separam  o Messias de Deus. Assim, de acordo com  os Evangelhos  Jesus sempre pensou e falou de um Deus, o Deus de Israel, como alguém diferente de si mesmo. Observe por exemplo no Evangelho de João; Jesus claramente pregava que as pessoas devem vir a Ele a fim de chegar a Deus. Ele disse: “Eu sou o caminho, … para o Pai” (Jo 14,6). Jesus também declara no mesmo Evangelho que Ele veio para mostrar às pessoas a Deus (Jo 14,6-10). Na verdade, a alegação principal de Jesus sobre si mesmo era que Deus estava  presente no seu ministério. Assim, de acordo com Jesus, Ele não era Deus, mas revelador do Deus que habitava nele através do Espírito Santo. Deus em Cristo não é o mesmo que Cristo é Deus.

Os debates são infindáveis, e aqueles que querem transformar Jesus no próprio Deus se embolam nos seus argumentos confusos; será que tentam dizer que Jesus era o Pai? Não seria coerente  aceitar a ideia de que quando um cristão mostra na Escritura que Jesus Cristo é o Senhor está tentando provar que Jesus é o Pai. Ora, as  Escrituras fazem distinção entre as duas pessoas, especialmente as que dizem que Jesus é o “Filho de Deus”.

A Bíblia diz que Jesus não se considerava igual a Deus e que Deus realizou milagres através de Jesus. E o contexto esclarece que Jesus foi mesmo um homem,

“Mas quando as multidões, vendo isso, eles ficaram impressionados, e glorificaram a Deus, que dera tal autoridade aos homens.” (Mateus 9:8).

“Um homem aprovado por Deus entre vós com milagres, prodígios e sinais que Deus realizou através dele no meio de vós.” (Atos 2:22).

“Ele passou fazendo o bem e curando todos os que eram oprimidos pelo diabo, porque Deus estava com ele.” (Atos 10:38).

Se Cristo era Deus, a Bíblia simplesmente diria que Jesus fez os milagres sem fazer referência a Deus. O fato de que foi Deus quem fornecia O PODER para os milagres mostra que Deus é maior do que Jesus. E não apenas isso, mas observem como um contexto pode ficar absurdo e sem sentido – supondo que Jesus era Deus quando aqui andou, vamos tentar fazer  um trocadilho de nomes neste versículo:

“E ali esteve no deserto quarenta dias, tentado por Satanás. E vivia entre as feras, e os anjos o serviam“, (Marcos 1:13).

A passagem todos conhecem. Fala da tentação de Jesus no deserto. Somente alguém destituído de cérebro  poderia concordar  que “DEUS FOI TENTADO PELO DIABO”. Ora, se Jesus era mesmo Deus quando aqui andou e foi tentando pelo diabo, então as Escrituras acabam em tremenda contradição, pois ela mesmo garante que “ Ninguém, sendo tentado, diga: De Deus sou tentado; porque Deus não pode ser tentado pelo mal, e a ninguém tenta”, Tiago 1:13.

Como poderia as Escrituras dizer que Deus foi tentado como nós?

“Tentado em todos os sentidos, assim como nós somos” (Hb 4:15).

“… Porque Deus não pode ser tentado pelo mal” (Tiago 1:13).

Uma vez que Deus não pode ser tentado, mas Jesus foi, portanto, Jesus não era Deus.

Se alguns estão tentando mostrar na Bíblia que Jesus Cristo é Deus, devem ser claros. Se não estão tentando provar que Jesus é Deus, o Pai, mas que Jesus realmente possuía a natureza de Deus enquanto aqui andou, que apresentem as evidências! Ora,  se Jesus não tinha a natureza de Deus, mas a de Adão, sendo homem como nós, e não divino, logo, Ele não era [um] Deus. E se Jesus e Deus são vistos separados, então nada pode ser feito.

A Bíblia diz que os ensinamentos de Jesus eram de Deus, não de si mesmo.

“Então Jesus respondeu-lhes e disse: “Minha doutrina não é minha, mas daquele que me enviou” (João 7:16). Jesus não poderia ter dito isso se ele fosse Deus, porque a doutrina teria sido sua.

Quem espalhou a velha heresia de que Jesus era o próprio Deus, com toda sua divindade, foi o “Modalismo”, refutado bravamente por alguns dos primeiros pais da igreja, especialmente Tertuliano. Modalismo é a crença de que Jesus e o Pai, literalmente, são a mesma pessoa e que não há distinção entre eles. No entanto, como explicado no artigo exposto, o Deus Todo-Poderoso (o Pai) e Jesus são claramente duas pessoas distintas.

Ele foi semelhante a nós

Observamos em todos os relatos sobre Jesus de Nazaré que Ele suportou todas as consequências da queda. Podemos ver semelhanças entre ele e Adão quando foi tentado, o que ensina que ele podia ter uma tendência irresistível para o pecado, embora saibamos que ele não os cometeu.

Também observamos em Cristo outras características inerentes aos seres humanos, que são: sofrimento e morte física. Assim, Cristo claramente exibiu características que pertencem à humanidade caída. Poderíamos, então, chamá-lo caído? Acredito que não, embora seja necessário fazer aqui algumas perguntas: Foi Ele inerentemente caído? Ou seja, eram: tentações, sofrimentos, corrupção e mortalidade enraizadas em sua natureza humana ou era ele livre dessas consequências da queda, mas voluntariamente Ele assumiu algumas dessas consequências, chamando-as de paixões inocentes? São tais paixões elementos essenciais da humanidade de  Cristo que teve que assumi-las, necessariamente, a fim de ser plenamente humano ou  Ele exerceu um controle oculto ( negado aos outros humanos )  divino sobre elas?

Obviamente a resposta é não, pois o Senhor Jesus foi plenamente humano, trazendo todas as características dos nascidos de parto normal, o que Paulo claramente declarou em Gálatas 4:4,

Mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei”.

Ou nós enfrentamos o significado real da humanidade de Cristo como “a semente de Abraão” (Heb 2:16) e “a semente de Davi” (Rom. 1:03), ou desistimos do debate deixando a tarefa para outros. Por quê? Pelo fato de haver questões importantes a serem respondidas, como por exemplo: Será que Jesus realmente nos entende? Ou, se colocamos de outra forma, poderia ele ter sido um ser celestial remoto que tinha uma vantagem sobre nós? Foi Ele realmente tentado em todos os pontos como nós somos? Ele pode realmente ser um sumo sacerdote perfeito? Se a discussão sobre a cristologia deve mesmo frutificar e construir nossa fé, então não podemos escapar a realidade das Escrituras.

Não é de admirar que hoje possamos encontrar uma multidão de cristãos protestantes, sem contar àqueles pertencentes ao catolicismo, crendo que a manifestação de Jesus ao mundo foi uma teofania de Deus habitando no Jesus que era meio homem e meio Deus, sendo que Deus ficava na outra metade, literalmente. Ou seja, Jesus tinha um corpo especial e divino por que Deus habitava nesse corpo. Com isso, sem que percebam, sugerem muito timidamente que Jesus não podia ter um corpo como o nosso, já que era Deus. Na verdade, o que muitos tentam dizer, mas não fazem de forma aberta,  é que Jesus era   um DEUS. Isso significa negar que ele veio em carne. O Apóstolo Paulo não conhecia Jesus dessa forma,

Hebreus 2:14 diz, “Portanto, visto como os filhos participam da carne e do sangue, também ele participou das mesmas coisas, para que por sua morte destruísse aquele que tinha o poder da morte, isto é, o diabo”.

Ele deve ser semelhante a nós em todos os sentidos, exceto para o pecado.

Hebreus 2:17 ensina: “Por isso, em todas as coisas que convinha que ele fosse feito semelhante a seus irmãos, que ele poderia ser um sumo sacerdote misericordioso e fiel nas coisas concernentes a Deus, para fazer reconciliação para os pecados do povo”. Se ele seria o nosso grande Sumo Sacerdote, ele foi tirado de entre nós e foi identificado com a gente, portanto, ele não tomou sobre si a natureza dos anjos, mas a natureza humana do homem. Hebreus 2:16 Porque em verdade ele não tomou sobre ele a natureza dos anjos, mas ele tomou sobre si a semente de Abraão.

O contrário dessa realidade é uma das maiores tragédias do pensamento cristão, que tira do Senhor Jesus Cristo respeito e exaltação, que eram devidos a ele por causa da sua vitória sobre o pecado, através do desenvolvimento de um caráter perfeito. A doutrina amplamente sustentada da “trindade” faz de Jesus o próprio Deus. Visto que Deus não pode ser tentado (Tiago 1:13) e não tem possibilidade de pecar, isto significa que Cristo realmente não teve que lutar contra o pecado. Assim, sua vida na terra teria sido uma simulação, experimentando a existência humana, mas sem um sentimento real do dilema espiritual e físico da raça humana, visto que pessoalmente ele não seria afetado por isto.

Há quem tenha sugerido que durante a sua vida, a natureza de Cristo foi como a de Adão antes da queda. À parte da falta de evidência bíblica para esta visão, ela falha em considerar que Adão foi criado por Deus do pó, enquanto Jesus foi “criado” através da geração de Deus no útero de Maria. Assim, embora Jesus não tivesse um pai humano, ele foi concebido e nasceu como nós em relação a tudo o mais. Muitas pessoas não podem aceitar que um homem com a nossa natureza pecadora pudesse ter um caráter perfeito. Este fato é um obstáculo a real fé em Cristo.

Não é fácil acreditar que Jesus era da nossa natureza, mas não tinha pecado no seu caráter e sempre venceu suas tentações. Para chegar a um entendimento e fé firmes no Cristo verdadeiro é preciso muita reflexão sobre os relatos do Evangelho acerca da sua vida perfeita, associada a muitas passagens bíblicas que negam que ele era Deus. É muito mais fácil supor que ele era o próprio Deus, e por isso, automaticamente perfeito, embora esta visão reduza a grandeza da vitória que Jesus conquistou contra o pecado e a natureza humana.

Paulo diz que ele foi feito “… à semelhança de homens…” em Filipenses 2:7. Ele era um homem e todos os homens são do mesmo tipo de carne. 1 Coríntios 15:39 Nem toda carne é a mesma carne: mas há um tipo de carne dos homens, outra a carne dos animais, outra de peixes, e outra de aves. João afirma que Jesus veio como um ser humano em I João 4:2, 3,

Nisto reconheceis o Espírito de Deus: todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus; e todo espírito que não confessa a Jesus não procede de Deus; pelo contrário, este é o espírito do anticristo, a respeito do qual tendes ouvido que vem e, presentemente, já está no mundo”.

Aqui a carne não deve ser tomada exclusivamente por uma parte do homem, mas para toda a natureza humana, incluindo a alma com a carne. A palavra carne neste versículo significa “natureza humana em sua totalidade, como consistindo em um verdadeiro corpo e uma alma racional”. Carne aqui descreve o homem como um todo, como ele é composto de corpo e alma, como um ser terreno, em oposição a Deus. Carne aqui não significa uma parte do corpo, nem todo o corpo apenas, mas toda a natureza humana, consistindo em um verdadeiro corpo e uma alma racional. Foi uma verdadeira natureza humana, e não um fantasma, ou a aparência. As palavras de João ficam melhor entendidas se vistas pela tradução da BLH, que atesta, 

É assim que vocês poderão saber se, de fato, o espírito é de Deus: quem afirma que Jesus Cristo veio como um ser humano tem o Espírito que vem de Deus. Mas quem nega isso a respeito de Jesus não tem o Espírito de Deus; o que ele tem é o espírito do Inimigo de Cristo. Vocês ouviram dizer que esse espírito viria, e agora ele já está no mundo”, 1 João 4:2, 3·.

Ele não trouxe qualquer elemento divino, transcendente – um corpo angelical endeusado quero dizer. A Ele foi dado a sua verdadeira natureza humana no ventre de Maria.

Ele é chamado o fruto do ventre. Lucas 1:42 E exclamou em alta voz, e disse: Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre.

Ele nasceu da mesma forma que todas as crianças nascem. Salmo 22:9-10 Mas tu és o que me tiraste do ventre; fizeste-me confiar, estando aos seios de minha mãe. Sobre ti fui lançado desde a madre; tu és o meu Deus desde o ventre de minha mãe. Ele se desenvolveu em estatura como qualquer outra criança e jovem. Lucas 2:52 E Jesus crescia em sabedoria, estatura e graça diante de Deus e do homem. Ele assumiu a semelhança de carne pecaminosa, mas não o pecado da natureza carnal. Romanos 8:3 “… Deus, enviando o seu Filho em semelhança da carne do pecado, pelo pecado condenou o pecado na carne”. Para ele assumir os nossos pecados, Deus tinha que fazê-lo com um corpo semelhante ao nosso: 2 Coríntios 5:21 Pois ele o fez pecado por nós, que não conheceu pecado, para que pudéssemos ser feitos justiça de Deus nele.

Ele tinha natureza humana, ele compartilhou cada uma das nossas tendências pecaminosas (Hb. 4:15), no entanto, ele as venceu pela sua obediência aos caminhos de Deus e busca da Sua ajuda para vencer o pecado. Isto Deus deu de boa-vontade, ao ponto de “Deus estar em Cristo, reconciliando consigo o mundo” (2 Co. 5:19).

Como as pessoas viam Jesus?

Jesus levou uma vida humana normal, tão humana e normal, que as pessoas de Nazaré que o conheciam melhor ficaram surpresas com o fato de conseguir ensinar com autoridade e realizar milagres. Eles o conheciam. Jesus era um deles. Jesus era “o filho do carpinteiro” (Mat 13:55), e ele próprio era “carpinteiro” (Mc 6.3), tão comum que perguntaram: “Donde lhe vem, pois tudo isso?” (Mat 13.55). E João nos diz que: “… nem mesmo seus irmãos criam nele” (Jo 7.5). Seus irmãos eram judeus, crentes no Deus de Abraão, Isaque e Jacó… Por que eram incrédulos em Jesus se ele era Deus?

Mateus registra um incidente curioso, e que pode nos trazer alguma luz para esse assunto. Ainda que Jesus tivesse ensinado por toda a Galileia, “curando toda sorte de doenças e enfermidades entre o povo”, de modo que “numerosas multidões o seguiam” (Mt 4.23-25), quando chegou à própria cidade de Nazaré, o povo que o conhecia havia muitos anos não o recebeu como Deus, pois ali ele nem conseguiu fazer muitos milagres..

Dizem as Escrituras que Jesus, chegando à sua terra, ensinava-os na sinagoga, de tal sorte que se maravilhavam e diziam: “Donde lhe vêm esta sabedoria e estes poderes miraculosos? Não é este o filho do carpinteiro? Não se chama sua mãe Maria, e seus irmãos, Tiago, José, Simão e Judas? Não vivem entre nós todas as suas irmãs? Donde lhe vem, pois, tudo isto? E escandalizavam-se nele. [ …] E não fez ali muitos milagres, por causa da incredulidade deles” (Mt 13.53-58).

Essa passagem indica que aqueles que mais conheciam Jesus, os vizinhos com quem vivera e trabalhara por trinta anos, consideravam-no não mais que homem – certamente não o viam como o próprio Deus encarnado. Os que viveram e trabalharam com ele por trinta anos, mesmo os irmãos que cresceram na casa dele, não percebiam que era um tanto superior a outros seres humanos muito bons. Ao que parece, também não perceberam que fosse Deus vindo em carne.

Afinal de contas, se Maria e os próprios irmãos do Senhor tivessem sido ensinados, e,  cressem piamente e teologicamente que Jesus era o próprio Deus em pessoa, por que então saíram para prendê-lo acreditando que estivesse fora de si? Quem trataria Deus dessa forma? Por favor, leiam Marcos 3:20-35.

Parece inacreditável, mas é verdade!

Um Judeu debaixo da Lei

O pacto da circuncisão era um complemento da lei de Moisés, e todos os homens judeus eram obrigados a ser circuncidados no oitavo dia. O parto contaminava a mãe judia, e certos rituais de purificação eram necessários para a limpeza. Divinos não estão sujeitos à circuncisão e nem aos rituais de purificação, mas Jesus e Maria estavam:

“Fala aos filhos de Israel, dizendo: Se uma mulher conceber e der à luz um menino, será imunda sete dias, assim como nos dias da separação da sua enfermidade, será imunda. E no dia oitavo se circuncidará ao menino a carne do seu prepúcio. Depois ficará ela trinta e três dias no sangue da sua purificação; nenhuma coisa santa tocará e não entrará no santuário até que se cumpram os dias da sua purificação. Mas, se der à luz uma menina será imunda duas semanas, como na sua separação; depois ficará sessenta e seis dias no sangue da sua purificação. E, quando forem cumpridos os dias da sua purificação por filho ou por filha, trará um cordeiro de um ano por holocausto, e um pombinho ou uma rola para expiação do pecado, diante da porta da tenda da congregação, ao sacerdote“, (Levítico 12:2-6).

Observem como Maria e Jesus são vistos no contexto da purificação e da circuncisão,

 “Completando-se os oito dias para a circuncisão do menino, foi-lhe posto o nome de Jesus, o qual lhe tinha sido dado pelo anjo antes de ele nascer. Completando-se o tempo da purificação deles, de acordo com a Lei de Moisés, José e Maria o levaram a Jerusalém para apresentá-lo ao Senhor”, (Lucas 2:21-22).

O texto apresenta um detalhe assombroso para os que defendem que Maria  e Jesus eram duas divindades:

 “… Completando-se o tempo da purificação deles…”.

Observe você que no ato da circuncisão houve um reconhecimento da existência de impurezas e a necessidade de sangue para removê-la. Se acreditamos no testemunho da Bíblia, vamos reconhecer um Jesus que nasceu após o curso normal do desenvolvimento do homem desde a concepção até o nascimento. Portanto, meu caro amigo leitor, a Bíblia ensina claramente que há um só Deus, que é Pai e Senhor supremo de todas as coisas, e que o Seu Filho que aqui veio, foi gerado como são todos os seres humanos, ou seja, Deus o trouxe adiante no processo do nascimento através de uma mulher mortal e não divina. Basta dizer que Gênesis 3:15 afirma que Jesus é semente de uma mulher. Uma mulher nascida em pecado.

Graças a ele é que hoje nós somos salvos da condenação, pois a condenação passou a todos os homens, como resultado da desobediência edênica. Todos os descendentes de Adão vieram sob esta sentença de morte apenas por ter nascido, e Jesus não era exceção (Rom 5:12, 18; Hebreus 2:14, 16-18).

 “Portanto, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens por isso que todos pecaram. Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação de vida”, Romanos 5:12 e 18

Necessário comentar algo aqui referente ao detalhe que diz “o pecado passou a todos os homens, por isso todos pecaram”. O texto quer dizer que a mancha do pecado original foi transmitida a todos, também a Maria e a Jesus. No entanto, a Bíblia AVISA que Jesus NÃO COMETEU PECADO NENHUM. Não haveria necessidade da ênfase se ele fosse mesmo DEUS e divino. Outro detalhe espantoso está nas palavras: “a morte passou a todos os homens”. Por isso Jesus morreu, ele era um homem e não um ser divino,

 “E, visto como os filhos participam da carne e do sangue, também ele participou das mesmas coisas, para que pela morte aniquilasse o que tinha o império da morte, isto é, o diabo; Porque, na verdade, ele não tomou os anjos, mas tomou a descendência de Abraão. Por isso convinha que em tudo fosse semelhante aos irmãos, para ser misericordioso e fiel sumo sacerdote naquilo que é de Deus, para expiar os pecados do povo. Porque naquilo que ele mesmo, sendo tentado, padeceu, pode socorrer aos que são tentados”, Hebreus 2:14-18

 “… Por isso convinha que em tudo fosse semelhante aos irmãos”. Isso significa que EM TUDO ele foi semelhante aos homens e nem um pouco semelhante aos deuses!

Por isso que Pedro diz que nós não fomos gerados pela semente corruptível, que é a dos homens, que está no sangue daqueles que são gerados de mulher, mas sim fomos gerados do Jesus ressurreto, a semente incorruptível,

1Pe 1:23 Sendo de novo gerados, não de semente corruptível, mas da incorruptível, pela palavra de Deus, viva, e que permanece para sempre.

Gerados de novo!

Por isso a Bíblia diz que Jesus veio a esse mundo no corpo do pecado, o natural,

1Co 15:46 “Mas não é primeiro o espiritual, senão o natural; depois o espiritual”.

Por isso também o versículo seguinte diz que o homem nascido de mulher é da terra, mas o ressuscitado é do céu,

O primeiro homem, da terra, é terreno; o segundo homem, o Senhor, é do céu.          Qual o terreno, tais são também os terrestres; e, qual o celestial, tais também os celestiais”, vv 47,48

A sequência seguinte revela que os homens da terra são criados em corrupção,

49 E, assim como trouxemos a imagem do terreno, assim traremos também a imagem do celestial.

50 E agora digo isto, irmãos: que a carne e o sangue não podem herdar o reino de Deus, nem a corrupção herdar a incorrupção.

Ele ficou divino depois,

1Co 15:44 – Semeia-se corpo natural, ressuscitará corpo espiritual. Se há corpo natural, há também corpo espiritual.

O novo homem foi criado em Deus, e não por Maria,

Efe 2:15 – Na sua carne desfez a inimizade, isto é, a lei dos mandamentos, que consistia em ordenanças, para criar em si mesmo dos dois um novo homem, fazendo a paz

Efe 4:24 – E vos revistais do novo homem, que segundo Deus é criado em verdadeira justiça e santidade.

Jesus de Nazaré não era uma divindade, mas sim totalmente humano!