Jesus não era o Pai

Eu costumava acreditar que Jesus era Deus quando aqui andou. Eu fazia uma mistura impressionante que me levava a não questionar quem na verdade morreu por mim, se foi o Pai ou se foi o Filho. Era uma espécie de mistura confusa, que eu segurava com unhas e dentes para manter a unidade doutrinária convencional e não tocar na trindade. Eu acreditava naquela velha fábula cristã que afirma ter sido Jesus 100% Deus e 100% homem.  Eu, como milhões de cristãos, não admitia a humanidade total de Jesus. Na verdade eu estava tão distraído com alguma coisa sobre escatologia e fim do mundo, que não questionava absolutamente nada que viesse contrário a ser Jesus o outro, ou seja, que ele e Deus eram dois. Eu nem mesmo percebia que os versos mostrando ser Jesus o Filho de Deus, superam em muito a pouca quantidade de versos que a multidão unida tenta usar para provar que Ele é Deus.

Depois de um monte de reconciliação e de comparação de Escrituras com Escrituras, descobri que Jesus foi chamado de Deus no sentido de um embaixador Salvador, pois esta é uma das definições de suporte para “theos” no léxico grego. Então, Ele é como um general ou comandante, mas que também tem um Comandante Geral sobre ele, que é o Pai, e que eles não são uma e a mesma coisa, mas que o Pai tem o título verdadeiro. Apocalipse 1:5-6, por exemplo,  diz,

“E da parte de Jesus Cristo, que é a fiel testemunha, o primogênito dentre os mortos e o príncipe dos reis da terra. Àquele que nos amou, e em seu sangue nos lavou dos nossos pecados, e nos fez reis e sacerdotes para Deus e seu Pai; a ele glória e poder para todo o sempre. Amém”.

É incrível como a maioria dos cristãos, após  2000 anos da revelação do “testamento final” de Deus,  ainda não estão conscientes de que Jesus e Deus não são a mesma pessoa. Para começar, observamos como Jesus e Deus estão aqui separados, e que, não foi Deus quem veio a esse mundo, mas sim seu Filho,

“E a vida eterna é esta: que te conheçam, a ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste”. João 17:3

Abaixo seleciono alguns versículos que claramente separam Jesus de Deus

2 Cor 1:3  Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai das misericórdias e o Deus de toda a consolação.

2 Cor 11:31 o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que é eternamente bendito, sabe que não minto.

Ef 1:3 Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo.

Ef 1:17 que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos dê o espírito de sabedoria e de revelação no pleno conhecimento dele.

A Bíblia diz que Jesus considerava a si próprio e Deus como dois

“… crede em Deus, crede também em mim”, (João 14:1).

Diante dos judeus Jesus mesmo diz que não era Deus, mas o Filho de Deus

João 8:24-28 “… Quem és tu? Jesus lhes disse: Isso mesmo que já desde o princípio vos disse. Muito tenho que dizer e julgar de vós, mas aquele que me enviou é verdadeiro; e o que dele tenho ouvido isso falo ao mundo. Mas não entenderam que ele lhes falava do Pai. Disse-lhes, pois, Jesus: Quando levantardes o Filho do homem, então conhecereis quem eu sou, e que nada faço por mim mesmo; mas falo como meu Pai me ensinou.

João 14:10 crês tu não que eu estou no Pai, e o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo, não as digo de mim mesmo, mas o Pai, que permanece em mim, é quem faz as obras.

João 10:36 Dizei a ele, a quem o Pai santificou, e enviou ao mundo, Blasfemas Tu, porque eu disse, eu sou o Filho de Deus?

Se Jesus nunca se identificou como Deus, como seus contemporâneos o identificaram?  Em mais de  40 vezes nos evangelhos o próprio Deus, homens, mulheres, anjos e demônios  proclamaram  que Jesus é “o Cristo” ou “o Filho de Deus.” Não vou detalhar  todos as passagens, mas apenas aquelas mais conhecidas. Estes são os  títulos mais importantes espalhados por todo o Novo testamento sobre Jesus:

• Gabriel – “Ele será grande e será chamado Filho do Altíssimo” (Lc 1,32).

• Deus – “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo” (Mt 3,17 ).

• João Batista – “Eu vi e testifico que este é o Filho de Deus” (Jo 1,34 NVI).

• Natanael – “Tu és o Filho de Deus, Tu és o Rei de Israel” (Jo 1,49).

• O diabo – “Se és o Filho de Deus” (Mt 4,3, 6 par.).

• demônios – “Tu és o Filho de Deus” (Lc 4,41, e “eles sabiam que Ele era o Cristo”).

• espíritos imundos – “Tu és o Filho de Deus” (Mc 3,11).

• Os discípulos no barco – “Você é certamente o Filho de Deus” (Mt 14,33).

• Pedro – “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo” (Mt 16,16).

• Marta – “Eu tenho crido que tu és o Cristo, o Filho de Deus” (Jo 11,27).

• O Centurião – “Verdadeiramente este era Filho de Deus” (Mt 27,54).

Em duas referências citadas acima, observamos a confissão de Satanás e dos espíritos imundos. Eles sabiam com quem estavam se envolvendo. Eles sabiam que ele não era o próprio Deus de Israel em pessoa. Eles estavam no céu com Deus e sabiam muito bem quem era o Pai e quem era o Filho,

Lucas 4:41 “E os demônios também de muitos saíam, clamando e dizendo: Tu és o Cristo, o Filho de Deus. E ele repreendendo-os não lhes permitiu falar, pois sabiam que ele era o [ Messias ] Cristo”.

Todos esses exemplos mostram que o Messias não pode ser o Senhor Deus de Israel. Vejamos um outro exemplo que o Judaísmo considera como  mais proeminente em suas Escrituras, que em verdade  está entre os mais  frequentemente citados do Antigo Testamento no Novo Testamento.  Um salmo composto pelo  rei Davi. Ele escreve no Salmo 2, “Os reis da terra se levantam e os governos consultam juntamente contra o Senhor e contra o seu ungido…” (v. 2;. cf At 4,26-27).

Assim, O Senhor e seu Messias são vistos separados como duas pessoas. Alguns versículos adiante, o Senhor chama esse ungido “Rei Meu” e “Meu Filho” (vv. 6-7).

Em suma, todos esses textos explicitamente separam  o Messias de Deus. Assim, de acordo com  os Evangelhos  Jesus sempre pensou e falou de um Deus, o Deus de Israel, como alguém diferente de si mesmo. Observe por exemplo no Evangelho de João; Jesus claramente pregava que as pessoas devem vir a Ele a fim de chegar a Deus. Ele disse: “Eu sou o caminho, … para o Pai” (Jo 14,6). Jesus também declara no mesmo Evangelho que Ele veio para mostrar às pessoas a Deus (Jo 14,6-10). Na verdade, a alegação principal de Jesus sobre si mesmo era que Deus estava  presente no seu ministério. Assim, de acordo com Jesus, Ele não era Deus, mas revelador do Deus que habitava nele através do Espírito Santo. Deus em Cristo não é o mesmo que Cristo é Deus.

Os debates são infindáveis, e aqueles que querem transformar Jesus no próprio Deus se embolam nos seus argumentos confusos; será que tentam dizer que Jesus era o Pai? Não seria coerente  aceitar a ideia de que quando um cristão mostra na Escritura que Jesus Cristo é o Senhor está tentando provar que Jesus é o Pai. Ora, as  Escrituras fazem distinção entre as duas pessoas, especialmente as que dizem que Jesus é o “Filho de Deus”.

A Bíblia diz que Jesus não se considerava igual a Deus e que Deus realizou milagres através de Jesus. E o contexto esclarece que Jesus foi mesmo um homem,

“Mas quando as multidões, vendo isso, eles ficaram impressionados, e glorificaram a Deus, que dera tal autoridade aos homens.” (Mateus 9:8).

“Um homem aprovado por Deus entre vós com milagres, prodígios e sinais que Deus realizou através dele no meio de vós.” (Atos 2:22).

“Ele passou fazendo o bem e curando todos os que eram oprimidos pelo diabo, porque Deus estava com ele.” (Atos 10:38).

Se Cristo era Deus, a Bíblia simplesmente diria que Jesus fez os milagres sem fazer referência a Deus. O fato de que foi Deus quem fornecia O PODER para os milagres mostra que Deus é maior do que Jesus. E não apenas isso, mas observem como um contexto pode ficar absurdo e sem sentido – supondo que Jesus era Deus quando aqui andou, vamos tentar fazer  um trocadilho de nomes neste versículo:

“E ali esteve no deserto quarenta dias, tentado por Satanás. E vivia entre as feras, e os anjos o serviam“, (Marcos 1:13).

A passagem todos conhecem. Fala da tentação de Jesus no deserto. Somente alguém destituído de cérebro  poderia concordar  que “DEUS FOI TENTADO PELO DIABO”. Ora, se Jesus era mesmo Deus quando aqui andou e foi tentando pelo diabo, então as Escrituras acabam em tremenda contradição, pois ela mesmo garante que “ Ninguém, sendo tentado, diga: De Deus sou tentado; porque Deus não pode ser tentado pelo mal, e a ninguém tenta”, Tiago 1:13.

Como poderia as Escrituras dizer que Deus foi tentado como nós?

“Tentado em todos os sentidos, assim como nós somos” (Hb 4:15).

“… Porque Deus não pode ser tentado pelo mal” (Tiago 1:13).

Uma vez que Deus não pode ser tentado, mas Jesus foi, portanto, Jesus não era Deus.

Se alguns estão tentando mostrar na Bíblia que Jesus Cristo é Deus, devem ser claros. Se não estão tentando provar que Jesus é Deus, o Pai, mas que Jesus realmente possuía a natureza de Deus enquanto aqui andou, que apresentem as evidências! Ora,  se Jesus não tinha a natureza de Deus, mas a de Adão, sendo homem como nós, e não divino, logo, Ele não era [um] Deus. E se Jesus e Deus são vistos separados, então nada pode ser feito.

A Bíblia diz que os ensinamentos de Jesus eram de Deus, não de si mesmo.

“Então Jesus respondeu-lhes e disse: “Minha doutrina não é minha, mas daquele que me enviou” (João 7:16). Jesus não poderia ter dito isso se ele fosse Deus, porque a doutrina teria sido sua.

Quem espalhou a velha heresia de que Jesus era o próprio Deus, com toda sua divindade, foi o “Modalismo”, refutado bravamente por alguns dos primeiros pais da igreja, especialmente Tertuliano. Modalismo é a crença de que Jesus e o Pai, literalmente, são a mesma pessoa e que não há distinção entre eles. No entanto, como explicado no artigo exposto, o Deus Todo-Poderoso (o Pai) e Jesus são claramente duas pessoas distintas.

“Sem princípio… nem fim de Vida”

PORQUE este Melquisedeque, que era rei de Salém, sacerdote do Deus Altíssimo… Sem pai, sem mãe, sem genealogia, não tendo princípio de dias nem fim de vida, mas sendo feito semelhante ao Filho de Deus, permanece sacerdote para sempre” Hebreus 7:1-3.

Melquisedeque era “sem mãe, sem pai, sem descendência”, ou como a tradução de Phillips diz: “Ele não tinha pai nem mãe nem árvore genealógica?”

Ele não nasceu como os outros seres humanos? Ele realmente não teve pai e nem mãe? Isso significa que os registros de nascimento de Melquisedeque foram perdidos? Sem tais registros, os sacerdotes humanos não poderiam servir (Esdras 2:62). Então, como ele serviu? Mas, se Melquisedeque não tivesse genealogia, ele não deveria ter sido um mortal comum. Se ele não tinha descendência então era auto-existente? Note o que o escritor de Hebreus diz: “Não tendo princípio de dias nem fim de vida” (Hebreus 7: 3). O que há de errado?

No entanto, Melquisedeque não pode ser Deus o Pai, pois ele era o “sacerdote do Deus Altíssimo” (Gn 14:18). E mais, diz que os Sumos Sacerdotes são “tomados dentre os homens” (Hb 5:1). Além disso, as Escrituras dizem que nenhum homem jamais viu a Deus (João 1:18, 5:37), mas Abraão viu Melquisedeque. Ele não pode ser Deus o Pai, mas sim “feito semelhante ao Filho de Deus; permanece sacerdote continuamente” (Hebreus 7: 3).

E ai está! Nos dias de Abraão, Melquisedeque não podia de forma alguma ser o Filho de Deus, pois Jesus ainda não havia nascido da virgem Maria. E, se alguém entende que a manifestação de Melquisedeque era uma teofonia do Senhor Jesus (Uma teofania é um ensinamento ou uma TEORIA de que um Deus “pré-encarnado”, o Filho, desceu do céu durante os tempos do Antigo Testamento e apareceu em diferentes formas) então deve admitir que o Verbo se fez carne várias vezes nos tempos do Velho Pacto.

O escritor de Hebreus usa este incidente de Melquisedeque (junto com uma profecia do Salmo 110), para demonstrar a superioridade do sacerdócio de Cristo à do sistema levítico (Hb 7: 4-10). Além disso, havia algumas semelhanças entre Melquisedeque e Cristo, de modo que se pode dizer que o primeiro era um “tipo” (uma imagem ou pré-visualização simbólica) de Jesus. Isso não significa, no entanto, que eles eram a mesma pessoa. De fato, o texto sagrado indica o contrário. Foi dito que Cristo era um sacerdote “da ordem de Melquisedeque” (Hb 5: 6,10; 6:20; 7:11). O termo grego para a palavra “ordem” sugere um “arranjo” similar. Por exemplo, assim como Melquisedeque era tanto um rei quanto um sacerdote simultaneamente, assim também Cristo é (cf Zc 6: 12-13; Hb 1: 3).

Melquisedeque foi “sem pai, sem mãe” (Hb 7: 3a). O significado é o seguinte: seu papel divino não foi derivado genealogicamente, nem transmitido de seus pais. Assim, nem o sacerdócio de Jesus foi determinado por uma linhagem física, como no caso dos sacerdotes levitas. De fato, no texto, Melquisedeque difere dos sacerdotes levíticos, pois nada é dito sobre seu nascimento, ascendência ou vida subsequente. Não devemos concluir que o escritor pensava que Melquisedeque era literalmente uma figura eterna – e certamente não que ele fosse algum tipo de pré-encarnação de Jesus. Melquisedeque é comparado ao Filho de Deus, no sentido específico de que ele “permanece um sacerdote para sempre”. Sabemos sobre os pais de Jesus, conhecemos as genealogias, sabemos que ele era descendente de Davi segundo a carne (cf. Rm 1: 3). No que diz respeito ao seu passado, ele não é como Melquisedeque.

Jesus foi “designado” sumo sacerdote por Deus porque “aprendeu a obediência pelo que sofreu” e foi “aperfeiçoado” (Hb 5: 8-10). Isso não faz sentido algum se Jesus, como algum tipo de sumo sacerdote eterno, já era Deus. Jesus se torna um sacerdote através do poder da ressurreição, pelo poder de uma “vida sem fim” (Hb 7:16). Ele foi apontado como sumo sacerdote (Hb 5: 5). Ele não era um sumo sacerdote antes de sua morte e ressurreição, portanto, nenhuma alegação pode ser feita com base nessa analogia a respeito de sua preexistência. Que Jesus viveria para sempre não é parte do argumento de que ele já vivia para sempre antes de sua existência terrena. Como um sacerdote humano segundo a ordem de Melquisedeque, ressuscitado dentre os mortos, Jesus foi adiante como um “precursor” em favor daqueles que também sofrerão e serão justificados por ele (6: 19-20).

Melquisedeque é um “tipo” de Jesus aqui apenas em um aspecto: ele continua como um sacerdote para sempre, que é um elemento na convergência dos temas sacerdotal e real. As outras declarações feitas não fazem parte da tipologia ou analogia – claramente não, já que Jesus tinha uma mãe e uma genealogia, de fato, duas genealogias. Você não pode ter uma genealogia e ser eterno. Então o escritor não está dizendo aqui que Jesus também não teve começo de dias. Isso não pode ser usado como argumento para a divindade ou preexistência de Jesus.

E, ao dizer que Melquisedeque foi sem “princípio de dias” e “fim da vida” (Hb 7: 3b) deve apenas significar que seu sacerdócio não era para um termo fixo (como no caso dos sacerdotes levíticos). Sob o regime do Antigo Testamento, os sacerdotes iniciavam seu serviço aos 30 anos e os levitas serviam de 30 a 50 anos (cf. Nm 4: 3 ss; 8: 24-25).

Aparentemente, no entanto, não havia limitação cronológica com referência a este “sacerdote do Deus Altíssimo” que reinou em Salém, alguns podem reclamar. Mais uma vez, a esse respeito, ele prefigurou Cristo, que serve continuamente como nosso sacerdote durante toda a era cristã. Que Melquisedeque não era a mesma pessoa que Jesus é evidente quando se diz que ele é “semelhante ao” Filho de Deus (Hb 7: 3c). A ênfase se tornaria irrelevante se as duas pessoas fossem iguais em identidade.

Leia com atenção o artigo a seguir para que você tenha uma ampla visão do assunto. Os créditos são para o apologista Valdomiro Filho.

PORQUE este Melquisedeque, que era rei de Salém, sacerdote do Deus Altíssimo… Sem pai, sem mãe, sem genealogia, não tendo princípio de dias nem fim de vida, mas sendo feito semelhante ao Filho de Deus, permanece sacerdote para sempre” Hebreus 7:1-3.

Será que Hb. 7.3 está ensinado sobre a eternidade de Jesus?

Para responder a essa pergunta precisamos entender o que o contexto quer dizer.

A Bíblia está textualmente dizendo que Melquisedeque não tinha pai, mãe ou genealogia, sem início de dias ou fim de dias, sendo semelhante ao Filho de Deus.

Se querem ver eternidade plena de Jesus nessa passagem precisarão considerar PRIMEIRO que Melquisedeque seria eterno também, pois note que é dele (Melquisedeque) que se fala não ter pai, mãe ou genealogia, princípio ou fim de dias. Ali também se diz “permanece sacerdote para sempre”, mas não é de Jesus que se diz isso, é de Melquisedeque que se diz “permanece sacerdote para sempre”. Não poderão alegar que Melquisedeque é Jesus preexistente, porque dele se diz ser semelhante ao Filho de Deus, ou seja, são dois seres distintos postos em paralelo. Um para mostrar legítimo o sacerdócio do outro. Assim, algumas perguntas, de cara, fazem-se necessárias:

  1. Melquisedeque realmente não tinha pai, mãe ou genealogia?
  2. Ele não tinha início ou fim de dias?
  3. Ele permanece sacerdote para sempre?

Ao que parece, querendo afirmar que Jesus é eterno, usam a passagem referente a Melquisedeque, mas esquecem que o que foi dito, foi dito do próprio Melquisedeque e depois houve comparação de, ou com Jesus.

Então, em que Jesus é semelhante a Melquisedeque? Será na eternidade de Melquisedeque?

A explicação começa a ser delineada na sequência do texto bíblico.

Hb 7:4 “Considerai, pois, quão grande era este, a quem até o patriarca Abraão deu os dízimos dos despojos”. Se falou de Melquisedeque nesses termos para mostrar que apesar de desconhecido, ele era, pelo ato de Abraão, evidentemente, grande em dignidade.

Em seguida lemos Hb 7:6 “Mas aquele, cuja genealogia não é contada entre eles, tomou dízimos de Abraão, e abençoou o que tinha as promessas. ” Aqui temos uma informação importantíssima: Melquisedeque é aquele cuja “GENEALOGIA NÃO É CONTADA ENTRE ELES”. Ou seja, o que se quis dizer antes foi que Melquisedeque não tinha genealogia entre os Levitas e não que ele fosse eterno. O destaque é que não existe o registro de seu nascimento e de sua morte: “sem início ou fim de dias”. O que se quer dizer é que nada se sabe sobre ele que o tornasse merecedor do sacerdócio. Ou seja, é alguém que apesar de não ser contado entre os levitas (não existia registro algum de sua vida) era tão importante que recebeu dízimo dos levitas que estavam, em semente, nos lombos de Abraão que efetivou a dádiva. É esse sacerdócio não preso às amarras da lei (a lei determinava uma outra base para o sacerdócio), que faz de Melquisedeque, por direito, sacerdote para sempre, o que não quer dizer que o próprio Melquisedeque tenha vivido pela eternidade. O que em está causa é o mérito.

A semelhança falada ali não é com a suposta ETERNIDADE de Melquisedeque, mas com o fato de ele não ser contado entre os que cabiam o sacerdócio e mesmo assim ser legitimamente sacerdote.

O foco de todo o contexto é a legitimidade e superioridade do sacerdócio de Cristo sobre o sacerdócio levítico a partir da comparação do sacerdócio de Melquisedeque que não era descente da tribo de Levi.

No contexto não se trata da eternidade; nem a de Melquisedeque, nem a de Jesus. E nem a eternidade de Jesus é ventilada, mesmo que indiretamente, pois se o fosse, então, estaria estabelecida também a eternidade de Melquisedeque.

É um verso que é fácil de descontextualizar quando se tem o propósito de por Jesus como ente eterno. Mas se esquecem que ali se falasse de eternidade, o que não é o caso, estaria falando primeiramente da eternidade de Melquisedeque, como reiteradas vezes falei. Mas, como vimos o objetivo foi falar da ausência genealógica ou registro de nascimento e morte daquele sacerdote, o que o tornaria um estranho e indigno da função aos olhos dos judeus, que só surgiriam posteriormente. Mas quando Abraão, o maior dos patriarcas, dá o dízimo a ele, revela e legitima sua grandeza e dignidade. É nesse comparativo de grandeza e dignidade, sem estar no rol dos levitas, que ele é posto em paralelo ao Filho de Deus.

Ver ali um ensino sobre a eternidade de Jesus decorre de uma leitura apressada do verso bíblico.

Autor: FILHO, Valdomiro

Postado originalmente em Unitarismo Bíblico: Hb. 7.3 e a eternidade de Jesus (?)

“Mas, do Filho, diz: Ó Deus”

nova

Mas, do Filho, diz: Ó Deus, o teu trono subsiste pelos séculos dos séculos; Cetro de eqüidade é o cetro do teu reino. Amaste a justiça e odiaste a iniqüidade; por isso Deus, o teu Deus, te ungiu Com óleo de alegria mais do que a teus companheiros”, Hebreus 1:8,9.

Está aí uma das principais passagens usadas pelos trinitarianos como evidência para a deidade de Cristo – que Jesus era, e é Deus. Visto pela superfície, a prova parece clara, direta e definitiva. Porém, os problemas começam a aparecer quando examinamos o contexto bem de perto, o que muitos não fazem por entender que essa Escritura é uma resposta conclusiva para os que ensinam o contrário. O versículo oito parece bem convincente: “Mas, do Filho, diz: Ó Deus, o teu trono subsiste pelos séculos dos séculos; Cetro de eqüidade é o cetro do teu reino”.

O escritor aos Hebreus está citando o Salmo 45:6. Observe como esta tradução apresenta o verso seis no Salmo: “O teu trono, ó Deus, é eterno e perpétuo; o cetro do teu reino é um cetro de eqüidade”.

Vemos uma discrepância terrível aqui. O Salmo faz alusão a um rei israelita – Salomão ou Davi – e seu casamento com uma princesa, mas em Hebreus a citação foi aplicada ao filho de Deus. Porém, as duas referências os tratam como Deus. Quanto ao rei se diz, “O teu trono, ó Deus”. E a Jesus, “do Filho, diz: Ó Deus, o teu trono”. Obviamente há algo errado em algum lugar, não apenas um erro pequeno, mas enorme, e este é um erro de tradução. O verso seis não poderia jamais ter sido traduzido como “O teu trono, ó Deus” para referência a um rei humano. Isso é um absurdo com consequências desastrosas.

O Salmo 45 é uma canção de amor para o casamento do rei Davi – alguns estudiosos acham que é Salomão – com uma princesa estrangeira de Tiro, na Fenícia. Observe o que é dito desse rei:

2 Tu és mais formoso do que os filhos dos homens; a graça se derramou em teus lábios; por isso Deus te abençoou para sempre.

3 Cinge a tua espada à coxa, ó valente, com a tua glória e a tua majestade.

4 E neste teu esplendor cavalga prosperamente, por causa da verdade, da mansidão e da justiça; e a tua destra te ensinará coisas terríveis.

5 As tuas flechas são agudas no coração dos inimigos do rei, e por elas os povos caíram debaixo de ti.

6 O teu trono, ó Deus, é eterno e perpétuo; o cetro do teu reino é um cetro de eqüidade.

7 Tu amas a justiça e odeias a impiedade; por isso Deus, o teu Deus, te ungiu com óleo de alegria mais do que a teus companheiros.

É evidente que o rei não está sendo chamado de Deus. Qualquer pessoa é capaz de ver um problema muito sério aqui. A coisa foi tão séria que as autoridades rabínicas divergem sobre o texto. O contexto só faz sentido se aplicamos a tradução correta, que é: “o seu trono é [o trono de] Deus“.

Certamente o salmista não quis dizer que o rei fosse Deus. Talvez quisesse dizer que o poder régio e governamental do rei, provinha de Deus e para isso precisamos descobrir qual foi a correta tradução, que certamente leva o mesmo sentido para Hebreus 1:8 aplicando-o profeticamente ao reinado messiânico de Jesus que é o Rei do reino de Deus, e também tem seu poder governamental fornecido por Deus.

A trinitáriana Bíblia New American Standard explica em uma nota de rodapé sobre o Salmo 45: 1: “Provavelmente se refere a Salomão como um tipo de Cristo”. Então, de acordo com esta Bíblia, as palavras do Salmo 45: 6, embora em sentido figurado referindo-se a Jesus, foram literalmente aplicadas a um antigo rei israelita (provavelmente o rei Salomão).

Então, se o Salmo 45: 6 está devidamente traduzido, “o seu trono, ó Deus…”, em seguida, aquele antigo rei israelita (Salomão?), também foi literalmente chamado de Deus em “Ó Deus” (ou “O Deus”?).

Outra versão, altamente trinitária, a New American Bible, St. Joseph Edição, 1970, explica em uma nota de rodapé para este verso: “O rei hebreu foi chamado… ‘Deus’, não no sentido politeísta comum entre os antigos pagãos, mas no sentido de “divino” ou “aquele que toma o lugar de Deus”.

Ainda outra Bíblia trinitáriana, a Easy-to-read-Version, também diz em uma nota de rodapé para esta passagem: “Deus… aqui o escritor pode estar usando a palavra ‘Deus’ como um título para o rei “(Cf. Estudo da Bíblia NIV para o Salmo 45: 6 e 82:1, 6).

A edição revista da NAB de 1991 traduz o Salmo 45: 6,7 como “Seu trono, ó Deus…”. Porem, a St. Joseph edição da NBA de 1970 já traduziu este verso como: “Seu trono é o trono de Deus“, o que nos remete a 1 Crônicas 29:23 “onde o trono de Salomão é referido como o trono do Senhor”.

Agora estamos chegando perto da intenção mais provável de Hebreus 1: 8. Há boas evidências de que a tradução adequada (bem como o Salmo 45: 6.) deve ser “o seu trono é de Deus para sempre“.

Apresento aqui algumas traduções do verso 6 no Salmo 45:

A NSB, diz: Deus está no seu trono.

A Revised Standard Version, “Seu trono divino dura para sempre e sempre. O seu cetro real é um cetro de eqüidade”.

A Mensagem tradução, “Seu trono é o trono de Deus, sempre e sempre”.

Nova Bíblia em Inglês tradução, “Seu trono é como o trono de Deus”.

A Good News Bible (GNB), uma paráfrase da Bíblia trinitária, diz: “O reino que Deus lhe deu vai durar para sempre e sempre”.

A RSV torna-o como “Seu trono divino“. E uma nota de rodapé oferece esta leitura alternativa: “teu trono é o trono de Deus”.

NEB diz: “Seu trono é como o trono de Deus”.

The Holy Sc riptures (versão JPS), afirma: “O teu trono dado por Deus“.

A tradução espanhola da Bíblia de Jerusalém de 1976 foi mais justa com o contexto. Veja como trouxe mais luz: “Tu trono es de Dios para siempre jamás; un cetro de equidad, el cetro de tu reino; tú amas la justicia y odias la impiedad. Por eso Dios, tu Dios, te ha ungido con óleo de alegría más que a tus compañeros”.

Observe agora essa tradução, a Catholic Public Domain Version. O versículo 7 do Salmo 45 ficou assim: “You have loved justice and hated iniquity. Because of this, God, your God, has anointed you, before your co-heirs, with the oil of gladness”. Aqui fala do rei, e o rei não é Deus: “Because of this, God, your God, has anointed you”. Tradução: “Por causa disso, Deus, seu Deus, te ungiu”.

A Sociedade Bíblica Britânica também norteou o mesmo sentido: “Amaste a justiça, e odiaste a iniqüidade; Portanto Deus, o teu Deus, te ungiu Com o óleo de alegria acima dos teus companheiros”. Inadmissível que se transfira daqui o que os trinitarianos desejam para Hebreus 1:9, que seria exatamente isso: “Portanto [eu te digo] Deus [Jesus], o teu Deus [o Pai] te ungiu com óleo de alegria acima dos seus companheiros”.

Outra tradução espanhola foi brilhante no Salmo 45:7: “Amaste la justicia y aborreciste la maldad; por tanto te ungió Dios, el Dios tuyo, con óleo de gozo más que a tus compañeros”.

A NTLH foi a que mais se aproximou do real significado da passagem: “Ama o bem e odeia o mal. Foi por isso que Deus, o seu Deus, o escolheu e deu mais felicidade ao senhor do que a qualquer outro rei”.

Como também visto acima, muitos têm interpretado ‘teu trono é (o) de Deus’ (cf. I Cr 29.23), ou então ‘teu trono é (como o de) Deus’. Até mesmo comentaristas trinitários reconhecem que o pensamento de atribuição desse verso ao Deus Eterno se dá nas versões, ou seja, não é o texto ou o contexto hebraico, por si só, que força esse entendimento, pelo contrário, se formos ler o texto só olhando para o hebraico o entendimento natural seria “Teu trono é de Deus”.

A Bíblia de Jerusalém traduz o Salmo a partir do hebraico assim: “Teu trono é de Deus, para sempre e eternamente! O cetro do teu reino é cetro de retidão”.

Esse é o sentido universal do texto. No entanto, se a interpretação Trinitária estiver correta para o verso chave, Hebreus 1:9, então Deus tem um Deus e Deus é ungido por outro Deus, porque o verso diz: “Por isso Deus, o teu Deus, te ungiu…”. Porém, o que vai ficar em evidencia após examinarmos todo o contexto é que nada disso tem fundamento algum.

O que o Salmo 45:6 e Hebreus 1:8 querem dizer é, literalmente, que o trono do ungido é o trono de Deus. O que teríamos, portanto, na primeira parte do versículo 8 em Hebreus, não fosse a desonestidade de muitos tradutores seria o seguinte: “O teu trono é o trono de Deus, que dura para sempre”.

O contexto no Salmo honra ao rei Davi (ou Salomão); o versículo em Hebreus faz a mesma coisa: honra ao filho. O Salmo é semelhante, pois não é o rei que é chamado de Deus logo após as palavras “O teu trono”. O versículo seguinte nos Salmos diz desse rei que, por ele amar a justiça e odiar a iniquidade, o Deus dele o ungiu: “Tu amas a justiça e odeias a impiedade; por isso Deus, o teu Deus, te ungiu com óleo de alegria mais do que a teus companheiros”.

Uma tradução apropriada seria: “Por esse motivo, Deus, que é o teu Deus te ungiu mais do que aos teus companheiros”. O mesmo sentido deve ser aplicado para Jesus em Hebreus 1:8: “Amaste a justiça e odiaste a iniqüidade; por [causa] disso, Deus, [que é] o teu Deus, te ungiu com óleo de alegria mais do que a teus companheiros”. Apesar disso, a desordem trinitariana alega que o texto deve ser lido da seguinte forma: “Amaste a justiça e odiaste a iniqüidade; por isso Deus [Jesus], o teu Deus [o Pai], te ungiu Com óleo de alegria mais do que a teus companheiros”. Exatamente isso caro amigo leitor: Deus de Deus! Um Deus tem outro Deus! O salmista e o Salmo desapareceram, segundo os trinitarianos, agora restam apenas Pai e Filho, sendo que o Pai fala com Filho na carta aos Hebreus. Algo está fora de lugar aqui: Deus Pai está falando a Deus Filho, “Ó Deus”, e então Deus o Pai diz ao Deus filho que ele é Deus e depois o Pai diz: “Deus, o teu Deus”. O que é isso? Certamente uma aberração sem precedentes!

Pare e pense sobre isso com muito cuidado. Em Hebreus 1:8 Deus, o Pai, trata outra pessoa, ou ser, como “Ó Deus”. Como podemos entender algo assim? Se acompanharmos a interpretação que os trinitarianos aplicam no texto, então isso implica dizer que Deus Pai tem um Deus. Insisto caro amigo leitor, os trinitarianos querem convencer a massa ignorante que o Deus de Abraão, Isaque e Jacó – O Deus único – se dirige a outro ser e o chama “Ó Deus”. O que lhe parece? Deus o Pai não tem Deus para tratar como “ó Deus”. Se aceitarmos esse terrível engano, então o texto fica desse jeito: “Mas, do Filho [Deus Pai] diz: Ó Deus, o seu trono é para todo o sempre“. Totalmente inaceitável!

Por que alguém iria querer interpretar as palavras gregas “ho theos”, como “Ó Deus” no versículo 8, mas as mesmas palavras como “Deus” (duas vezes) no versículo 9? Os resultados trinitários de tradução deixam implicações absurdas. Isso resulta em Deus ungir outro Deus para que Deus pudesse fazer de Deus acima de Deus. Se o texto diz que Deus, o Deus de “Deus”, o ungiu, não só teríamos um subordinacionismo ontológico, que é rejeitado pelos trinitarianos por negar a co-igualdade entre as hipóstases, como também “Deus” fora de Deus, cuja possibilidade é negada em Is 44:6. Ou seja, um Deus ungindo outro co-igual é algo não permitido e nem ensinado na Bíblia. Os versos não dizem que Deus está se auto-ungindo (?). Portanto se o texto se referir a primeira ocorrência da palavra Deus como Deidade absoluta, temos por via de consequência dois “Deus (es)”; o ungido e o que unge. Agora, se o entendemos como um texto que foi dirigido, como o próprio nome da epístola diz, aos HEBREUS, e nos lembrarmos que eles estavam familiarizados com o uso do termo “Deus” (Elohim) nas escrituras Hebraicas e o lê agora em grego, então, tudo se harmoniza, pois como regente da casa de Davi, Jesus, o Filho de Deus, se assenta no trono eterno de Deus.

Além disso, o Salmo 45 fala profeticamente do Ungido e o Deus do Ungido. Aquele que faz a unção é Deus que, claramente está separado de quem está sendo ungido. Assim, o único a fazer a unção é o Pai. Um unge o outro com o óleo da alegria. Assim, como fica claro que o antigo rei israelita não era Deus, mas foi ungido por Deus, seu Deus, para uma posição acima de seus companheiros, o mesmo acontece com Hebreus 1:9, como figurativamente aplicado a Jesus para mostrar que ele não é Deus, mas foi ungido por seu Deus para uma posição elevada acima de todos, exceto o próprio Deus.

Como é comum em vários salmos, muitos acreditam que há uma aplicação menor, original, típica, bem como uma aplicação importante antitípica no Salmo 45. Alguns estudiosos dizem que a aplicação original deste Salmo aponta para Salomão. Nós lemos que Salomão “sentou-se no trono do Senhor” (2 Crônicas 29:23, ver também: 1 Reis 1:13). Da mesma forma, o trono de Jesus também é o trono de Deus (Apocalipse 3:21), que ele recebe do seu Pai, o único Deus verdadeiro, Salmo 2:4-6; Daniel 7:13, 14; Atos 2:29-31; João 17:1, 3.

Na verdade, o autor de Hebreus está simplesmente dizendo que Jesus é exaltado ao trono de Deus no céu e, como tal, ele não está tentando demonstrar que “Jesus é Deus”, mas que Jesus subiu ao trono de Deus e está, portanto, acima dos anjos com toda a autoridade.

Deus fez este Jesus, que vós crucificastes, Senhor e Cristo”, Atos 2:36.

Toda a autoridade no céu e na terra foi dada a mim“, Mateus 28:18.

Ao que vencer lhe concederei que se assente comigo no meu trono; assim como eu venci, e me assentei com meu Pai no seu trono”, Apoc 3:21.

Porque o Cordeiro que está no meio do trono os apascentará, e lhes servirá de guia para as fontes das águas da vida; e Deus limpará de seus olhos toda a lágrima”, Apoc 7:17.

Deus está sobre o ungido. Evidente que Deus não pode ungir outro Deus. Não há dois Deus, mas um só. Ele é superior a quem está sendo ungido no Salmo 45:7, como também é superior ao Ungido de Hebreus 1:9. Observe que em Isaías 61:1 encontramos uma palavra profética do Messias, onde se lê: “o Senhor me ungiu“. Veja também Lucas 4:18; Atos 10:38; Mateus 27:46; Marcos 15:34; João 17:1, 3; 20:17; 2 Coríntios 1:3; 11:31; Efésios 1:3, 17; 5:20; Colossenses 1:3; Hebreus 1:9; 1 Pedro 1:3 Apocalipse 2:7; 3:2, 13. Assim, quem recebe a unção não é Deus.

O escritor aos Hebreus identifica uma pessoa que fala de seu Filho. Assim, o Filho a quem “Deus” fala não pode ser “Deus”. Portanto, podemos ver a partir de uma revisão da passagem original que Deus não está chamando o Rei de “Deus”, mas está se referindo ao fato de que ele se senta em um trono estabelecido por Deus. Podemos ver que o trono de Deus é divinamente estabelecido através de sua aliança com Davi que é citada em 2 Samuel 7:14-16, “Eu serei para ele um pai e ele será um filho para mim… A sua casa e o teu reino serão firmados antes de mim para sempre, o seu trono será estabelecido para sempre“. Veja que a carta aos Hebreus usa as mesmas palavras originais quando a referência passa para o Senhor Jesus: “Eu serei para ele um pai e ele será como um filho para mim” (1:5). E ainda a respeito de Jesus, o Messias, somos lembrados desta promessa de aliança por Lucas, “Ele será grande e será chamado Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi” (1:35). Em harmonia com o fato de que Deus é o “trono”, ou a origem e Sustentador da realeza de Cristo, mostram que Deus confere tal autoridade sobre ele em Hebreus 1:8, 9 quando é citado o Salmo 45:6, 7.

A força do contexto do livro de Hebreus é poderosa e indica que a interpretação correta de Hebreus 1:8 é entender que o homem Jesus, que foi feito menor que os anjos, agora ascendeu ao trono de Deus e sentou-se à sua direita: “Seu trono é o trono de Deus”.

Qualquer outra interpretação faz violência ao contexto imediato. Todo o tema da passagem é que o Jesus humano, que foi feito menor que os anjos, e sofreu por nossos pecados, ascendeu à mão direita do trono de Deus e por isso tornou-se posicionalmente acima dos anjos na autoridade tendo sentado no trono do Deus de Israel. Não há absolutamente nenhuma razão para supor que Hebreus 1:8 está sugerindo que Jesus é Deus. Nenhuma!

Apenas cinco versos antes do versículo 8 e cinco versos depois do versículo 8, o escritor diz a mesma coisa com palavras ligeiramente diferentes:

Tendo feito a purificação dos nossos pecados, assentou-se à direita da Majestade no alto” (1:3).

Para qual dos anjos disse jamais: Senta-te à minha direita até que eu ponha os teus inimigos por escabelo de teus pés” (1:13).

Outra evidência para a tradução adequada de Heb. 1: 8 é encontrado nas conclusões do Comité de Texto (UBS) da Bíblia, o United Bible Societies trinitáriana. As Sociedades Bíblicas Unidas, composta da Sociedade Americana da Bíblia, A Sociedade Bíblica Nacional da Escócia, Sociedade Bíblica da Holanda e da Sociedade Bíblica Wurttemberg nomeou uma comissão internacional e interdenominacional (mas trinitária, é claro) de estudiosos textuais para determinar o mais preciso texto possível do Novo Testamento grego.

Para isso, eles examinaram centenas de variações nos muitos milhares de manuscritos antigos do Novo Testamento e comparados outros textos existentes por Westcott e Hort, Nestlé, Bover, e Vogels.

Em 1971, o UBS publicou um comentário A Prova sobre o grego do Novo Testamento, que explicou por que a comissão havia escolhido certas leituras como sendo corretas e rejeitou outras. Ao escolher o texto que eles acreditavam ser o mais próximo do manuscrito original do livro de Hebreus, o comitê UBS olhou para os manuscritos muito mais antigos e melhores ainda em existência hoje. Vários métodos ajudaram a decidir o que é a redação original. Um deles, é claro, é a forma como muitos dos antigos e melhores manuscritos concordam.

Outro método consiste em determinar qual das variações tinham maior probabilidade de ter sido alteradas por copistas posteriores. Por exemplo, quando um escritor do NT está se referindo a uma citação do AT, muitas vezes ele tem que redigir de forma ligeiramente diferente a partir da exata citação encontrada se pretende alterar o sentido do texto.

Uma outra consideração da comissão foi observar que muitos copistas posteriores mudaram o texto de uma escritura que parecia contradizer os ensinamentos do Catolicismo Romano. Portanto, se a formulação de um antigo manuscrito parece contradizer os dogmas da Igreja de Roma, é mais propenso a ter a redação original do que um outro manuscrito antigo que (no mesmo verso) parece concordar com o ensinamento da Igreja. (Perecebe-se claramente aqui a tendência romanista manejando as penas desses copistas. Certamente muitas foram as adulterações, principalmente aquelas sobre a divindade e deidade de Jesus amparadas pelo recente estabelecimento da trindade).

Usando estes critérios, a Comissão de UBS concordou por unanimidade que a redação original da Heb. 1: 8 deve ler literalmente (no grego NT): “para com o filho, diz, o seu trono é o trono de Deus para sempre…”.

Portanto, está evidenciado que a adulteração trinitariana em Hebreus 1:8 é outro exemplo de parcialidade extrema de tradução. Eles escandalosamente tentam alegar que Deus está se dirigindo a Jesus como “Deus”. Sua tradução não é a leitura mais natural do texto original grego e grosseiramente viola o contexto a fim de promover a doutrina trinitária.

A Deus toda Glória

“Nosso Deus e salvador Jesus Cristo”

Salvador

enquanto aguardamos a bendita esperança: a gloriosa manifestação de nosso grande Deus e Salvador, Jesus Cristo”, Tito 2:13.

SIMÃO Pedro, servo e apóstolo de Jesus Cristo, aos que conosco alcançaram fé igualmente preciosa pela justiça do nosso Deus e Salvador Jesus Cristo“, 2 Pedro 1:1

A composição do versículo (Tito 2:13) sai da linha escritural Paulina. Ou seja, Paulo nunca usou a terminologia “Nosso Deus e Salvador Jesus Cristo“. Quando ele citava a mesma sequência, em mais de 40 versículos, sempre disse da seguinte forma: “Nosso Deus e do Salvador Jesus Cristo“, ou mesmo “Nosso Deus e do Senhor Jesus Cristo”.

Vamos consultar algumas traduções alternativas para Tito 2:13:

“A própria versão católica (religião berço da formulação do trinitarismo cristão), conhecida como a Bíblia Pão Nosso, da Editora Vozes, em conjunto com a Editora Santuário, verteu assim o verso de Tt. 2.13: “Aguardando nossa esperança feliz e a vinda gloriosa do grande Deus e do Salvador nosso, Jesus Cristo.”, e não foi a única tradução a fazer a distinção, a Bíblia do Peregrino, também católica, verteu: “Esperando a promessa feliz e a manifestação da glória do nosso grande Deus e do nosso Salvador Jesus Cristo.” (1)

Paulo nunca chama Jesus de Deus, mas sempre contrasta como Senhor para com o Pai, que é o verdadeiro Deus, e isso é decisivo para a tradução correta. Além disso, a conexão (v. 11) sugere naturalmente que o resplendor é do Pai e do Filho. De fato, Paulo usa uma linguagem clara chamando o Pai de Deus mais de 500 vezes nas Escrituras, e nem uma vez ele aplica o título de Deus para Jesus, e isso deve governar quanto ao que é a tradução correta. Basta voltar dois capítulos em Tito para estabelecer a base correta sobre a tradução: “a Tito, meu verdadeiro filho de acordo com a fé comum: Graça, misericórdia e paz da parte de Deus, o Pai, e do Senhor, Jesus Cristo, nosso Salvador” (tradução Mundial Inglês da Bíblia). Aqui Paulo distingue claramente entre Deus Pai e do Senhor Jesus. “Deus”, em Tito 1:4, não significa três pessoas, isso significa que ele é uma pessoa, e Jesus não é incluído como “Deus”. Isso dá mais provas de que Tito 2:13 não reflete um Deus trino, ou que Jesus é o Deus de Abraão, Isaque e Jacó.

Várias versões em Inglês acompanharam o sentido das traduções em português:

Complete Jewish Bible (CJB)

“while continuing to expect the blessed fulfilment of our certain hope, which is the appearing of the Sh’khinah of our great God and the appearing of our Deliverer, Yeshua the Messiah”.

enquanto continuamos a esperar o cumprimento abençoado de nossa esperança certa, que é a aparição da Sh’khinah do nosso grande Deus e a aparição do nosso libertador, Yeshua, o Messias

1599 Geneva Bible (GNV)

“Looking for that blessed hope, and appearing of that glory of that mighty God, and of our Savior Jesus Christ”.

Aguardando/procurando por essa abençoada esperança, o aparecimento da glória daquele poderoso Deus e de nosso Salvador Jesus Cristo

New American Bible (Revised Edition) (NABRE)

“as we await the blessed hope, the appearance of the glory of the great God and of our savior Jesus Christ”.

enquanto aguardamos a bendita esperança, a aparição da glória do grande Deus e do nosso salvador Jesus Cristo

Porém, a Escritura diz claramente que tanto a glória do Filho e a glória do Pai aparecerá: “Porque, qualquer que de mim e das minhas palavras se envergonhar, dele se envergonhará o Filho do homem, quando vier na sua glória, e na do Pai e dos santos anjos”, Lucas 9:26. A Palavra de Deus também ensina que quando Cristo vier, ele virá com a glória de seu Pai: “Porque o Filho do Homem há de vir na glória de seu Pai” (Mateus 16:27).

E aqui está a solução para o enigma; se o verso lê, “A Glória do grande Deus e Salvador, Jesus Cristo” leva a citação para um significado curioso: “A manifestação da Glória do nosso grande Deus e Salvador, [que é] Jesus Cristo”, Ou seja, Cristo é a gloriosa manifestação de Deus no último dia, o dia da sua vinda.

A leitura mais natural de Tito 2:13 é ver que Jesus não está sendo descrito como “o grande Deus e Salvador”, mas como “a glória do grande Deus e Salvador”.

“A quem reivindique a ocorrência da palavra “ἐπιφάνεια” (epifaneia) em Tt. 2.13 como aquela que sempre aponta para Jesus e com isso pretendem considerar o ser de “Deus” e o ser de “Jesus” nesse versículo como sendo o mesmo, mas é de se observar que o verso de Tito, em estudo, não diz que Deus irá aparecer, nem fala da epifaneia de Deus, fala, na verdade, do “aparecimento da glória do grande Deus”, e, nesse sentido Jesus mesmo diz em Jo. 8.54 ”…quem me glorifica é meu Pai, o qual dizeis que é vosso Deus” e, ainda, Mt. 16.27 que mais explicitamente diz: “Porque o Filho do homem virá na glória de seu Pai, com os seus anjos; e então dará a cada um segundo as suas obras”, bem como lucas Lc. 9.26 “…o Filho do Homem, quando vier na sua glória, e na do Pai e dos santos anjos.”, Jesus Cristo virá na glória de Deus, seu Pai … ” (2)

Assim, a “aparição” (epifaneia) em vista é a aparição da glória divina em Jesus Cristo. Isso pode parecer um pequeno ponto, mas também pode significar que estamos de volta ao pensamento mais claramente expresso na Cristologia da Sabedoria Cristã mais antiga: que em Jesus deve ser vista a glória de Deus, a glória da presença divina; Jesus Cristo visto mais como a manifestação visível do Deus invisível, Deus se manifestando em e através de Jesus, do que Jesus como Deus ou um deus como tal.

E por fim, temos uma terceira opção de tradução, aquela que elimina Deus do texto e enfatiza apenas a pessoa do Senhor Jesus.

Aguardando a abençoada esperança e a aparição gloriosa do nosso Salvador Jesus Cristo“.

Se este for o caso, então não há necessidade de comentários. A composição textual e por demais clara.

A conclusão desse pequeno artigo é que o texto tem muitas visões alternativas possíveis, mas que não podem ser usadas como boas evidências ou prova da divindade de Jesus ou como uma boa referência para a alegada identificação de Jesus como divindade.

O texto não nomeia Jesus como “Deus” e não nos leva a um conceito trinitário que fala da divindade inata de Jesus que é igual para o Pai, mas pode simplesmente refletir a alta estima de Jesus na estima de Deus. No final, o texto não pode servir como uma defesa para a crença sobre a alegada natureza divina de Jesus que faz dele Deus e igual ao Pai.

Vamos agora para 2 Pedro 1:1: “SIMÃO Pedro, servo e apóstolo de Jesus Cristo, aos que conosco alcançaram fé igualmente preciosa pela justiça do nosso Deus e Salvador Jesus Cristo“.

Curiosamente no versículo imediato Pedro muda drasticamente a forma de escrever. Veja que ele separa Deus e Jesus: “Graça e paz vos sejam multiplicadas, pelo conhecimento de Deus, e de Jesus nosso Senhor

Pedro mostra de forma clara que ele não quis apresentar Jesus como Deus e Salvador ao mesmo tempo no v.1, pois o distingui na sequência imediata no v.2. Isso por si só lança suspeita sobre a reivindicação trinitária, especialmente porque Jesus é comumente chamado de “nosso Senhor” nas Escrituras. No entanto, a alegação trinitária nos faz crer que 2 Pedro 1: 1 é o único lugar em toda a Escritura onde Jesus é chamado “nosso Deus”. 2 Pedro 1: 2 faz uma clara distinção entre Deus e o Senhor Jesus. Esta seria uma linguagem muito confusa se “Deus” e o “Senhor” fossem dois títulos para uma pessoa no versículo 1, mas os mesmos dois títulos se referiam a duas pessoas diferentes no verso seguinte. Portanto, a alegação trinitária é uma proposta extremamente improvável.

A versão católica da Bíblia Sagrada da Editora Ave Maria traduziu: “Simão Pedro, servo e apóstolo de Jesus Cristo, àqueles que, pela justiça do nosso Deus e do Salvador Jesus Cristo, alcançaram por partilha uma fé tão preciosa como a nossa”. Reconhecendo Deus e o Salvador como seres distintos.

Mesmo a Bíblia de Jerusalém que é uma tradução feita por católicos e protestantes, ainda que vertendo o trecho de forma tradicional, informa como primeira nota de rodapé a versão alternativa de tradução: “Ou: ‘de nosso Deus e do Salvador Jesus Cristo”.

A American Standard Version também faz distinção entre Jesus e Deus: “Simon Peter, a servant and apostle of Jesus Christ, to them that have obtained a like precious faith with us in the righteousness of our God and the’saviour Jesus Christ”.

Simão Pedro, servo e apóstolo de Jesus Cristo, aos que obtiveram semelhante fé preciosa conosco na justiça de nosso Deus e do Salvador Jesus Cristo

A Weymouth New Testament segue a mesma regra: “Simon Peter, a bond servant and Apostle of Jesus Christ: To those to whom there has been allotted the same precious faith as that which is ours through the righteousness of our God and of our Saviour Jesus Christ”.

Simão Pedro, servo e Apóstolo de Jesus Cristo: Para aqueles a quem foi atribuída a mesma fé preciosa que a nossa pela justiça de nosso Deus e de nosso Salvador Jesus Cristo“.

A Aramaic Bible in Plain English, elimina Deus do texto, apresentando o verso da seguinte forma: “Shimeon Petraus, a Servant and an Apostle of Yeshua The Messiah to those who, equal in honor with us, were worthy for the faith by the righteousness of Our Lord and Our Savior Yeshua The Messiah”.

Simon Pedro, Servo e Apóstolo de Yeshua, o Messias para aqueles que, iguais em honra a nós, eram dignos da fé pela justiça de Nosso Senhor e Nosso Salvador Yeshua, o Messias”.

A NRSV e a NAB, trazem: “the righteousness of our God and Savior, Jesus Christ“.

a justiça de nosso Deus e salvador Jesus Cristo” (NAB).

O NAB acrescenta esta nota de rodapé: “As palavras traduzidas por nosso Deus e salvador Jesus Cristo também poderiam ser traduzidas como” nosso Deus e do salvador Jesus Cristo”. A NRSV também acrescenta na nota de rodapé: “Ou do nosso Deus e do Salvador Jesus Cristo“. Portanto, é bastante claro que os eruditos trinitários não estão de acordo, como os trinitaristas gostariam que todos acreditassem.

Codex Sinaiticus: evidência de manuscrito muito importante

“O Codex Sinaiticus é um documento muito importante. Este manuscrito foi feito entre 325 e 360 d.C. e é provavelmente o manuscrito mais antigo que temos da Bíblia. Este manuscrito não diz “a justiça do nosso Deus e Salvador Jesus Cristo”. Em vez disso, diz: “justiça do nosso Senhor e do Salvador Jesus Cristo”. Há também outros manuscritos que lêem “Senhor” em vez de “Deus”. As evidências do Codex Sinaiticus nos mostram que não podemos ter certeza de que Pedro escreveu “nosso Deus e Salvador”. Este fato por si só anula completamente a afirmação trinitária sobre este verso.

A seguir, a imagem real do manuscrito do Codex Sinaiticus em 2 Pedro 1: 1. As letras gregas circuladas que se parecem com “KY” são uma forma nomen sagum da palavra grega kyrios (“senhor”)

Evidência interna

A evidência interna também sugere fortemente que a tradução do Sinaiticus está correta. Em nenhum outro lugar nas Escrituras, Jesus é chamado de “nosso Deus e Salvador”, mas Pedro se refere regularmente a Jesus como “Senhor e Salvador” nesta mesma carta.

1:11: reino do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.

2:20: no conhecimento do Senhor e Salvador Jesus Cristo.

3: 2: mandamento do Senhor e Salvador.

3:18: no conhecimento do Senhor nosso e Salvador Jesus Cristo.

Os apologistas trinitários também gostariam que todos supusessem que “o Senhor” em todos os versículos acima é Jesus. No entanto, também não é totalmente claro se a palavra “Senhor” em 1:11 e 3:18 se refere a Deus o Pai ou a Jesus. Com relação a 2 Pedro 1:11, compare Efésios 5: 5 e Apocalipse 11:15. Concernente a 2 Pedro 3:18 compare Judas 1:25.

Com base nas evidências disponíveis, e com relação às anotações do manuscrito, creio que as evidências indicam que Pedro provavelmente escreveu “Senhor e Salvador” em vez de “Deus e Salvador”. No entanto, embora eu ache que isso é mais provável, concluo que a evidência para a tradução autêntica de 2 Pedro 1: 1 não pode ser determinada com base nos fatos disponíveis e uma avaliação imparcial desses fatos. Com base nas evidências disponíveis, simplesmente não se pode concluir decisivamente se a evidência do manuscrito originalmente dizia “Deus” ou “Senhor”.

Enfim, não há nenhuma razão para supor que haja alguma evidência confiável de que Pedro está aqui identificando Jesus como Deus. A evidência do manuscrito é extremamente significativa, lançando sérias dúvidas sobre a interpretação que os trinitaristas desejavam ser autêntica. E a evidência interna também não apóia a alegação trinitária. Simplesmente não há evidência confiável para concluir que Pedro identificou Jesus como “Deus”. A única coisa que encontramos aqui é a ilusão da parte dos trintários”. (3)

Leia também o artigo sobre 2 Pedro 1:1 redigido por Valdomiro Filho

(1) FILHO, Valdomiro – Tito 2:13

(2) Idem

(3) Angelfire – 2 Pedro 1:1

“Deus bendito eternamente”

DeusA tradução da NVI verte a passagem como segue,

“… o povo de Israel. Deles é a adoção de filhos; deles é a glória divina, as alianças, a concessão da lei, a adoração no templo e as promessas. Deles são os patriarcas, e a partir deles se traça a linhagem humana de Cristo, que é Deus acima de tudo, bendito para sempre! Amém”, Romanos 9:4, 5.

Isso é tudo que a Ortodoxia Cristã Convencional amparada pelo Catolicismo Romano e os Trinitarianos desejam ardentemente: Essa tradução totalmente comprometida e suspeita. Eu jamais vi, de todas as adulterações das Escrituras, uma mais horrível do que a apresentada nessa tradução da NVI. Atente para esta versão mais próxima do original: “de quem são os patriarcas; e de quem descende o Cristo segundo a carne, o qual é sobre todas as coisas, Deus bendito eternamente. Amém”.

O contexto das Escrituras exige que tratemos estas palavras como uma doxologia independente [louvor a Deus]. Ou seja, o entendimento da passagem aqui em discussão pode ser norteado pelas palavras do mesmo Apóstolo em Romanos 1:25, que diz: “Pois mudaram a verdade de Deus em mentira, e honraram e serviram mais a criatura do que o Criador, que é bendito eternamente. Amém”. Observem que a terminologia é bem semelhante e invoca um louvor a Deus no final da sentença. Podemos ver construção similar em 2 Coríntios 11:31, “O Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que é eternamente bendito, sabe que não minto”.

Assim, Cristo não seria equiparado absolutamente com Deus em Romanos 9:5. Na verdade, o que o texto quer mostrar – no final da frase – é uma atribuição de majestade ao próprio Deus, um louvor, uma doxologia [elogios] dirigidos ao Pai. Portanto, a redação correta do texto pode ficar dessa forma:Dos quais são os pais, e dos quais é Cristo segundo a carne, o qual é sobre todos, [seja] Deus bendito eternamente. Amém”.

Romanos 9: 5 deve ser interpretado como tendo duas declarações diferentes sobre dois assuntos diferentes (1 – Jesus veio à terra como um israelita, e, 2 – Bendito seja Deus que está acima de tudo), que é certamente o significado pretendido por Paulo.

Agora, compare o tipo de construção textual visto em Romanos 9:5 com as seguintes passagens:

“Pois mudaram a verdade de Deus em mentira, e honraram e serviram mais a criatura do que o Criador, que é bendito eternamente. Amém”, Rom 1:25.

“Ao único Deus, sábio, seja dada glória por Jesus Cristo para todo o sempre. Amém”, Rom 16:27.

Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai das misericórdias e o Deus de toda a consolação”, 2 Cor 1:3.

“O Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que é eternamente bendito, sabe que não minto” 2 Cor 11:31.

“Graça e paz da parte de Deus Pai e do nosso Senhor Jesus Cristo, o qual se deu a si mesmo por nossos pecados, para nos livrar do presente século mau, segundo a vontade de Deus nosso Pai, ao qual seja dada glória para todo o sempre. Amém”, Gal 1:3-5.

Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo”, Ef 1:3.

“Mas por isso alcancei misericórdia, para que em mim, que sou o principal, Jesus Cristo mostrasse toda a sua longanimidade, para exemplo dos que haviam de crer nele para a vida eterna. Ora, ao Rei dos séculos, imortal, invisível, ao único Deus sábio, seja honra e glória para todo o sempre. Amém”, 1 Timóteo 1:16, 17.

Observe como a tradução de Romanos 9: 5 se harmoniza perfeitamente com o restante dos versículos bíblicos citados acima, enquanto a tradução trinitária não. Cada ocorrência da palavra grega eulogetes (“bendito seja”) no Novo Testamento é uma referência direta a Deus Pai. Os apologistas trinitárianos querem nos fazer crer que Romanos 9: 5 deve ser uma exceção.

A frase parece ser uma alusão ao Salmo 41:13: “Bendito seja o SENHOR, Deus de Israel, de eternidade a eternidade. Amém e amém“.

O Contexto

Paulo recorda as honras espirituais dadas a Israel: a filiação, o [Shekinah] glória, as alianças, a legislação, o culto do templo, as promessas, os patriarcas e o próprio Messias saiu deles na carne. Ele, então, termina com uma atribuição grata de louvor a Deus por tudo que Ele tem feito por Israel e uma dessas coisas foi a semente prometida do Messias através de Israel segundo a carne.

Observem que Paulo está aqui descrevendo Israel “segundo a carne” antes de Cristo morrer na carne para eles e subir em Espírito. E esta é a razão pela qual ele enfatiza a descida do Messias a partir de Israel segundo a carne (ver também 1: 3-4). Jesus é a semente prometida de Abraão e Davi, e Paulo está prestes a discutir a semente prometida nos versos que se seguem. Em Gálatas ele afirma explicitamente que a semente era Cristo. E Paulo conclui expressando louvor em direção a Deus pelo que ele tem feito por eles e por meio deles. O Cristo veio deles na carne e Deus seja louvado por dar a Israel esse privilégio.

Um estudioso trinitáriano, John L. McKenzie, também admite:

“O uso normal de Paulo é para restringir o substantivo [‘Deus’] e designar o Pai (cf. 1 Co 8: 6), e em Rm 9: 5 é muito provável que as palavras finais são uma doxologia, Bendito seja o Deus que está acima de tudo.”- p. 318, Dicionário da Bíblia de 1979 impressão de Bíblias, Macmillan Publ.

A New American Bible (NAB), edição de 1991, diz – “A partir dos israelitas, segundo a carne, é o Messias de Deus, que está acima de tudo e seja abençoado para sempre, Amém“.

New Inglês Bible (NEB), 1961 Ed. “… A partir deles surgiu o Messias, Que Deus, supremo, acima de tudo, seja bendito para sempre.”

Revised Inglês Bible (REB), 1989 ed. – “… A partir deles por descendência natural, veio o Messias, Que Deus, supremo, acima de tudo, seja bendito para sempre.”

American Translation (AT), 1975 impressão – “… deles fisicamente Cristo veio, Deus, que está acima de tudo seja bendito para sempre!”

Today Inglês Version (TEV), 1976 ed. – “Cristo, como um ser humano, pertence à sua raça, Que Deus, que governa todas as coisas, seja louvado para sempre.”

A Bíblia Viva (LB) – “… Cristo foi um de vocês… um que agora governa sobre todas as coisas, Deus seja louvado para sempre.” – Tyndale House Publishers, 1971.

A Bíblia, uma nova tradução, (Mo) pelo Dr. James Moffatt, 1954 – “A partir dos israelitas, em descendência natural veio o Cristo, eternamente bendito seja o Deus que é sobre todos. Amém”.

New Life Version (NLV) – “o próprio Cristo nasceu da carne desta família, e Ele é sobre todas as coisas, Deus seja honrado e agradecido para sempre”.  Victor Books, 1993.

Alonso Schökel, católico romano, assim verte os versos: “São israelitas, adotados como filhos de Deus, têm sua presença, as alianças, as leis, o culto, as promessas, os patriarcas; de sua linhagem segunda a carne descende o Messias. Seja para sempre bendito o Deus que está acima de Tudo. Amém”.

A Deus toda Glória

Fontes

Trinity Delusion, Romans 9:5 commentary

Examining the Trinity in Romans 9:5

A Quem Traspassaram

Mas sobre a casa de Davi, e sobre os habitantes de Jerusalém, derramarei o Espírito de graça e de súplicas; e olharão para mim, a quem traspassaram; e pranteá-lo-ão sobre ele, como quem pranteia pelo filho unigênito; e chorarão amargamente por ele, como se chora amargamente pelo primogênito”.

Já que Deus diz que ele é o único que “traspassaram” em Zacarias 12: 1, e como Jesus foi traspassado no Calvário, deve significar, para os trinitarianos, que Jesus é Deus.

Zacarias 12:10 na versão trinitariana é uma falsificação pobre e deficiente. Imagino que os trinitarianos esperavam que o erro não fosse percebido. Não faz sentido algum ver o Senhor se referir a si mesmo na primeira pessoa e logo em seguida novamente se referir a si mesmo na terceira pessoa no mesmo fôlego: “olharão para mim, a quem traspassaram; e pranteá-lo-ão sobre ele… e chorarão amargamente por ele”.

A tradução trinitariana – ACF – remete o leitor para Deus (mim), mas podemos observar a seguir algo contraditório. Porquê a sentença não continuou em “mim”, no caso, Deus, mas passou para “ele”? O fluxo da frase continua com a palavra “ele”. Leia o detalhe novamente: “eles se lamentam por ele “e” chorarão amargamente por ele”. Está escrito, “por ele”, e não por mim.

A tradução que os trinitarianos desejam não existe, que é esta: “E derramarei sobre a família de Davi e sobre os habitantes de Jerusalém um espírito de ação de graças e de súplicas. Olharão para mim, aquele a quem traspassaram, e chorarão por mim como quem chora a perda de um filho único e se lamentarão amargamente por mim como quem lamenta a perda do filho mais velho”.

Por outro lado, o texto de João mostra de forma cristalina o que está em Zacarias 12:10. João 19:37, diz: “E outra vez diz a Escritura: Verão aquele que traspassaram”. Portanto, “verão aquele… e prantearão por Ele”. A leitura de Zacarias 12:10 que João conhecia não é “eles olharão para mim”, mas “olharão para ele”. (ou mais literalmente, “a quem traspassaram”).

Se alguém toma a posição de que o Espírito Santo inspirou cada palavra que João escreveu, então também deve insistir que o Espírito Santo está confirmando para nós que a leitura de Zacarias (12:10) repetida por João é a correta.

Valdomiro Filho, comentando sobre Zacarias 12:10, acrescenta: “Costumam usar Zacarias 12.10 “e olharão para mim, a quem traspassaram”, cujos versos anteriores falam de Deus, e comparam com Ap. 1.7 “Eis que vem com as nuvens, e todo o olho o verá, até os mesmos que o traspassaram; e todas as tribos da terra se lamentarão sobre ele. Sim. Amém”. A partir dai concluem que Jesus é Deus que foi traspassado.

Aqui é interessante observar que há discordância entre a ARA e a ACF para o texto de Zacarias. Esta última seguiu uma tradução literal do texto Massorético, ao passo que a ARA contextualizou a tradução e colocou “olharão para aquele”. Esse fato tornou-se mais um ponto de disputa entre os defensores de cada um dessas versões. Uma tradução como a ARC, embora literal, cria uma desconexão com o restante do texto que diz: “e pranteá-lo-ão sobre ele” quando era de se esperar “prantear-me-ão sobre mim”, pois como podem olhar para “MIM, o traspassado e pratearem por ELE?”

A ARA entendeu contextualmente a passagem de Zacarias 12.10 como “e olharão para aquele a quem traspassaram, e o prantearão”; o que parece ser, de fato, a melhor leitura desse verso. O próprio texto de Apocalipse onde procuram buscar a identidade comum entre Deus e Jesus confirma uma leitura na terceira pessoa. Ali se constata que os versos que citam o evento descrito em Zacarias 12.10 não o fazem na primeira pessoa. Isso indica que no contexto amplo Deus está falando daquele que seria traspassado e não dele mesmo, como querem os trinitaristas. De qualquer forma uma coisa contrapõe a outra, pois se aquele que foi traspassado foi visto, no caso Jesus, não pode ser Deus, pois Deus nunca foi visto (I Tm. 6.16), e se Deus foi traspassado o sentido não pode ser material, pois Deus é Espírito, o que levaria o “traspassar” para esfera espiritual desassociando o dito pelo profeta do ato de perfuração do corpo, embora explicitando a dor da morte do Filho pelo Pai.

Vale destacar (se a requisição de identidade recair na equivalência literal da tradução do texto hebraico) que nem sempre o NT segue a leitura do texto Massorético, sugerindo uma fonte diferente e, na verdade, por vezes, difere, de fato, do texto hebraico geralmente utilizado, basta lermos a citação do cumprimento profético dessa passagem em João 19.37 “E outra vez diz a Escritura: Verão aquele que traspassaram.”, perceba “aquele” e não “a mim”. Tal leitura se harmoniza com o contexto amplo das Escrituras que dizem que Jesus foi visto, mas Deus nunca foi visto: I Tm. 6.16 “Aquele que tem, ele só, a imortalidade, e habita na luz inacessível; a quem nenhum dos homens viu nem pode ver, ao qual seja honra e poder sempiterno. Amém.” Ora, se Zacarias for entendido como literal, então, estará falando do Corpo de Jesus, portanto o que é perceptível ao olho humano. No entanto versos como I Tm. 6.16, dentre outros, nega que tenha ocorrido a possibilidade de tal contemplação de Deus no evento da crucificação. Aquele que foi traspassado, nosso Senhor, estava morto e reviveu, mas há UM que não pode ser visto pelos mortais e nunca morreu, o nosso Deus” (1).

FILHO, Valdomiro – Zacarias 12:10, http://www.unitarismobiblico.com/w/2011/06/13/zc-12-10/

Deus seja louvado

“Deus conosco… Pai da eternidade”

O Anjo Gabriel declara para José: “José, filho de Davi, não temas receber Maria como tua esposa, pois a criança que nela foi gerada é do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho, e você lhe colocará o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos seus pecados “Tudo isto aconteceu para se cumprir o que fora dito pelo Senhor por intermédio do profeta: “Eis que a virgem conceberá, e dará à luz um filho, E chamá-lo-ão pelo nome de Emanuel, Que traduzido é: Deus conosco”, Mateus 1:20-25.

Interessante é que este menino jamais foi chamado de Emanuel, mas sim de Jesus. Observe o verso 21: “E dará à luz um filho e chamarás o seu nome JESUS; porque ele salvará o seu povo dos seus pecados”.

“Emanuel/Deus conosco” é um nome ligado de modo tão íntimo à pessoa de Jesus porque são títulos, não nomes.

Se considerarmos Isaías 9:6 como uma referência para Jesus de Nazaré vamos descobrir que ele tem mais títulos: “Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu, e o principado está sobre os seus ombros, e se chamará o seu nome: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz”.

Por misericórdia e compaixão dos trinitarianaos, eu vou ignorar a tradução do Complete Jewish Bible exposta no Chabad.org que trás o versículo nestes termos: “For a child has been born to us, a son given to us, and the authority is upon his shoulder, and the wondrous adviser, the mighty God, the everlasting Father, called his name, the prince of peace“.

Traduzindo

Porque um menino nos nasceu, um filho nos foi dado, e a autoridade está sobre os seus ombros, e o maravilhoso conselheiro, o poderoso Deus, o eterno Pai, chamou seu nome, o príncipe da paz“.

Veja aqui – Isaías 9:5

Vamos considerar que a tradução correta é a que temos em nossas versões: “Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; e o governo estará sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai Eterno, Príncipe da Paz“.

Se aceitarmos como genuína essa tradução, não podemos encontrar explicações do porque Mateus a omitiu, mesmo citando dois versículos anteriores do mesmo capítulo.

Vamos começar pelo verso 13 de Mateus 4: “E, deixando (Jesus) Nazaré, foi habitar em Cafarnaum, cidade marítima, nos confins de Zebulom e Naftali, para que se cumprisse o que foi dito pelo profeta Isaías:

A terra de Zebulom e a terra de Naftali, junto ao caminho do mar, além do Jordão, a Galileia das nações, o povo que estava assentado em trevas viu uma grande luz; e aos que estavam assentados na região e sombra da morte a luz raiou“.

É tudo. O versículo que é atribuído a Jesus pelos trinitarianos foi omitido por Mateus. Veja Isaías 9:1,2-6:

Mas a terra que foi angustiada não será entenebrecida. Ele envileceu, nos primeiros tempos, a terra de Zebulom e a terra de Naftali; mas, nos últimos, a enobreceu junto ao caminho do mar, além do Jordão, a Galileia dos gentios.

O povo que andava em trevas viu uma grande luz, e sobre os que habitavam na região da sombra de morte resplandeceu a luz…”

Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; e o principado está sobre os seus ombros; e o seu nome será Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz“.

Certamente uma multidão de teólogos podem tentar invalidar o argumento atestando em favor dos trinitarianaos que Mateus não poderia encaixar o versículo no ministério do Jesus adulto porque fala de uma criança. E porque Mateus não adicionou o verso seis no momento do nascimento de Jesus? Observe o estrondo em favor dos trinitarianos se conectarmos o versículo no contexto de Belém:

Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; e o principado está sobre os seus ombros; e o seu nome será Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz“.

Mateus lançou mão de Isaías 7:14 em 1:23: “Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, o qual será chamado EMANUEL, que traduzido é: Deus conosco“, mas por qual motivo ele não usou Isaías 9:6 que parece muito mais consistente?

Qual foi o motivo da omissão? Não seria por que a tradução correta é aquela apresentada pela Bíblia judaica? Aqui podemos ver claramente que a referência não foi direcionada ao Senhor Jesus: “Porque um menino nos nasceu, um filho nos foi dado, e a autoridade está sobre os seus ombros, e o maravilhoso conselheiro, o poderoso Deus, o eterno Pai, chamou seu nome, o príncipe da paz“.

Porém, como eu disse anteriormente, por misericórdia e compaixão dos trinitarianos eu vou trabalhar com a nossa versão, atribuindo a Jesus o texto de Isaías 9:6 para mostrar que, mesmo assim, Jesus não pode ser considerado, literalmente, Deus.

Todos os nomes representam títulos. Seu nome de nascimento foi Jesus e não Deus Forte ou Deus Conosco e Pai da Eternidade. O “Deus” do título, se aplicado a Jesus, teria que ser harmonizado em termos de uma igualdade funcional, em oposição a uma identidade de substância. O que quero dizer aqui é que, Jesus agiu como o homem nos desígnios de Deus, não que ele era o próprio Deus, ou um Deus.

Os títulos encontrados dentro do nome (por exemplo, “Deus Forte”) destinam-se para seus devidos sentidos, aqui, tendo Jesus como subordinado responsável agindo nos desígnios de Deus.

Na verdade, esses títulos dentro do nome são feitos para louvar e exaltar a Deus, o Pai, e torná-lo presente entre os homens através de seu filho, o que faz com que as palavras de Hebreus 1:3 sejam entendidas perfeitamente: “[Jesus], sendo o resplendor da sua [de Deus] glória, e a expressa imagem da sua pessoa …”. Por isso Jesus disse: “Eu e o Pai somos um”, ou, “Quem vê a mim vê o Pai”.

Assim, as palavras (ou títulos) encontrados no sentido literal do nome se aplicam diretamente ao Messias em um sentido subordinado. A intenção de Isaías 9:6 é louvar o Deus do Messias que realiza grandes coisas por meio do Messias.

Jesus, como o Filho do Homem ocupou o titulo de Deus por causa do domínio; e o que distingue Jesus de outras pessoas é que ele foi escolhido para a missão. O Filho é a pedra angular no propósito do Pai e motivo de sua criação inteira. Como tal, sua vocação é única. Nos conselhos de Deus só Ele foi escolhido desde o início para ser a solução de Deus para o pecado, a expressão da sua misericórdia e soberano propósito da ordem criada. Além disso, sua obediência sem paralelo a este chamado ainda mais o distingue. A um custo imenso para si mesmo, ele deixou de lado sua posição privilegiada como Filho do rei, vontade própria e todo o direito que lhe é devido, abrindo espaço para o Pai executar seu trabalho através dele. E tudo ele fez como um homem, um homem que aqui nasceu e foi criado. Somente dessa forma ele é um modelo credível e sumo sacerdote misericordioso, que pode inteiramente se relacionar com os nossos sofrimentos e limitações. Apesar de Deus não poder ser tentado pelo pecado (Tiago 1:13 e Hebreus 4:15), ele fez isso tudo de seu Filho, que foi tentado e não pecou. Jesus passou por uma genuína experiência humana.

A função de Jesus para com a humanidade foi fazer até aquele momento o que só Deus pode fazer: a salvação dos pecadores. Jesus foi o agente de Deus através de quem ele interagiu com o homem. Ninguém jamais poderá negar que Jesus foi o mediador entre Deus e os homens. Quem nasceu em Belém de uma virgem foi o Messias e não um Deus. Por isso, se mantemos um conceito de Jesus quando ele aqui andou como sendo Deus, com a mesma substancia do Deus Pai, destruímos toda a obra de redenção.

Jesus foi o homem aprovado por Deus; em ninguém mais temos essa esperança. Atos dos Apóstolos, por exemplo, descreve Pedro proclamando aos líderes dos judeus: “Este Jesus é a pedra que foi rejeitada por vós, os construtores, que tornou-se a pedra angular. Não há salvação em nenhum outro, pois não há outro nome debaixo do céu dado entre os mortais, pelo qual devamos ser salvos“(Atos 4:11-12). Da mesma forma, no que pode ser o mais antigo de todos os escritos cristãos existentes, a primeira carta de Paulo aos Tessalonicenses, declara: “Porque Deus não nos destinou para a ira, mas para alcançarmos a salvação por nosso Senhor Jesus Cristo” (1 Tessalonicenses 5:8 ).

A boa notícia sobre o que Deus fez em Jesus é, de acordo com Paulo, “o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego” (Rm 1:16). A partir do fato de que a salvação de Deus veio através de Jesus, os primeiros cristãos passaram a ver Jesus como mais do que apenas um agente da salvação divina. Ele começou a ser considerado como o Salvador, aquele que realizou o que só Deus poderia fazer. Considere, por exemplo, as seguintes passagens do Novo Testamento:

Lucas 2:11: “. . . para vos nasceu hoje, na cidade de Davi, um Salvador, que é o Messias, o Senhor

Filipenses 3:20: “Mas a nossa pátria está nos céus, e é de lá que nós estamos esperando o Salvador, o Senhor Jesus Cristo“.

1 João 4:13-14 “Nisto conhecemos que permanecemos nele, e ele em nós, porque ele nos deu do seu Espírito. E nós vimos e testemunhamos que o Pai enviou o seu Filho como Salvador do mundo. “

Os cristãos que estão tão acostumados a respeito de Jesus como Salvador, e que jamais o perceberam como um homem, um ser humano que aqui viveu, podem facilmente perder o elemento “escandaloso” nesta confissão. Mas um olhar cuidadoso sobre o Antigo Testamento ressalta o escândalo: “Raramente as Escrituras hebraicas referem-se a seres humanos como agentes da salvação divina”. Na grande maioria dos textos, Deus, e só Deus, é o verdadeiro Salvador. Por exemplo, por meio de Isaías, Deus diz:

Quando passares pelas águas estarei contigo, e quando pelos rios, eles não te submergirão; quando passares pelo fogo, não te queimarás, nem a chama arderá em ti. Porque eu sou o Senhor teu Deus, o Santo de Israel, o teu Salvador; dei o Egito por teu resgate, a Etiópia e a Seba em teu lugar. (Is 43:2-3).

Ou considere a abertura do Salmo 62:

Eu espero em silêncio diante de Deus, pois a minha salvação vem dele. Só Ele é meu rochedo e minha salvação, minha fortaleza onde eu nunca serei abalado“. (Salmo 62:1-2, NTLH)

Assim, os primeiros cristãos, a maioria dos quais teriam sido familiarizados com estas e muitas outras passagens do Antigo Testamento que proclamam a Deus como o único Salvador, vieram a atribuir o título de Salvador para Jesus. No entanto, se Jesus era o Salvador, e só Deus é o Salvador, o que isso implica sobre o próprio Jesus?

Quem é o Salvador?

Então, dado o testemunho coerente do Antigo Testamento no sentido de que só Deus é o Salvador, o movimento de Jesus como Salvador para divino Senhor era óbvio, no entanto era novo.

Como foi citado anteriormente, José foi nomear o filho de Maria como “Jesus.” Por quê? Porque “ele salvará o seu povo dos seus pecados.” Há um jogo de palavras aqui que não pode ser perdido facilmente. O nome real de Jesus em aramaico era Yeshua , ou em hebraico, Josué . Este nome significa, em qualquer língua semítica, “O SENHOR é a salvação.” Então, o filho de Maria será chamado de “O Senhor é a salvação.” Dado o fato de que Yeshua/Joshua era um nome popular no tempo de Jesus, não podemos concluir que com relação a Jesus este nome possa ser identificado como divino. No entanto, o anjo disse a José que Jesus iria salvar Israel de seus pecados. Daí se pode produzir um silogismo, pois lembramos que o Anjo Gabriel ao anunciar o nascimento do Senhor adiciona uma linha de Isaías 7:14: ” Deus está conosco“. Deus veio na pessoa de Jesus, mas Jesus mesmo é seu filho, aquele que suportou seu nome, e não o próprio Deus. Agora está claro; “… a virgem conceberá e dará à luz um filho, a ele porás o nome de Emanuel”, que significa: Jesus vai cumprir a promessa de Isaías. Ele será, não só o Salvador, mas aquele que é Emanuel: Deus conosco. Isso não deve ser interpretado literalmente, que Jesus era o Deus Todo-Poderoso, mas que Deus agia através de Jesus pelo poder do Espírito Santo. Na verdade, a pessoa de Jesus, como Filho direto de Deus, nos possibilita entender a expressão principal que é DEUS CONOSCO. Deus não enviava mais profetas, mas ele mesmo veio nos resgatar através do seu Filho. Ou seja, Deus estar em Cristo, como atesta Paulo em II Cor 5:19, não deve significar que Cristo foi o próprio Deus em pessoa. Assim, e dentro desse contexto, a natureza de Jesus deve ser definida à luz de seu papel como Salvador. Se Jesus veio para nos regatar, então ele tinha que ser plenamente humano. Somente dessa maneira ele poderia levar a pena para o pecado humano.

Portanto, a mais alta expressão do amor de Deus para nós é a doação de seu Filho (João 3:16). O amor do Filho para o Pai é mostrado na sua oferta obediente de si mesmo (João 14:31). E para quem insiste na divindade mística, transcendental, celestial ao extremo, que exclui o Jesus descendente de Davi, e admite ter sido ele inteiramente o mesmo logos eterno na terra, digo: o sangue de Jesus ainda é o resgate exigido e fornecido por Deus pelos nossos pecados. Como que a supremacia do Filho poderia ser revelada em nós através de meios como estes se ele fosse o Deus Todo-Poderoso?

Deus, que nos ama perfeitamente, teve de suportar e assistir a agonia de seu Filho na cruz, o objeto mais digno de seu amor. Certamente não há dúvida de até que ponto Deus sofreu. O fato de que o Filho sofreu também, como alguém que não seja Deus, não diminui em nada o que ele era. A alegria e satisfação maior é saber que alguém que fez parte deste mundo, nasceu de mulher, Jesus o Messias prometido, foi capaz de expiar o pecado e encontrar a liberação de suas consequências.

Não foi o Pai quem foi crucificado, mas o Filho

Onde a Bíblia nos ensina que Deus mesmo, o Deus de Abraão, Isaque e Jacó iria morrer pelos nossos pecados? Deus é imortal e não pode morrer (1 Timóteo 1:17, Lucas 20:36). Em contraste, Jesus só foi feito imortal após a sua ressurreição.

Como ele deu a sua vida, Jesus clamou na cruz: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste“. Portanto, quem ficou na cruz a partir desse ponto não pode ter sido Deus. Se Jesus era de fato o centro pessoal “divino”, ou seja, o homem Deus todo poderoso, também com a mesma natureza que tinha antes de todas as coisas, sendo ali na cruz o Deus de Abraão, Isaque e Jacó, não sendo mesmo o último Adão, então este abandono não quer dizer nada.

Portanto, o pecado só poderia ser superado por Deus se alguém na forma de um homem viesse a ser o resgatador. E vale dizer aqui: nenhum de nós tem a vantagem de uma “existência” pessoal na eternidade antes do nosso nascimento, só Jesus. Ou seja, uma existência através da promessa. Por isso ninguém mais neste mundo tem a primazia como Salvador e intercessor.

Assim, a realização de Jesus e o sacrifício são ainda mais notáveis em virtude de suas limitações humanas. Ele é o homem unicamente normal, o exemplo vivo de uma humanidade espiritualmente madura, que nos brindou com a ressurreição, também nossa e futura, e a transformação do nosso corpo. E, longe de minimizar o problema do pecado, seu exemplo é mais inspirador, dado o seu sucesso; e com certeza, tudo isso com a ausência de qualquer vantagem oculta.

O Alfa e o Ômega

Alfa

A afirmação feita pela tradição teológica cristã é de que o livro de Apocalipse mostra, não o Senhor Deus como o Alfa e o Ômega, mas a pessoa de Jesus. Isso não é verdade, e um exame minucioso dos textos vai esclarecer que o título Alfa e Ômega é aplicado somente para a pessoa do Pai, o Todo Poderoso mencionado em Apocalipse, o qual sempre é visto distinto do Cordeiro.

Além disso, e devo mencionar aqui no princípio, temos uma adulteração clara foi feita pela versão King James em Apocalipse 1:10-13 com relação ao título Alfa e Ômega e primeiro e último aplicados a Jesus. Como vai ser atestado, revelado e comprovado, esta sequência não deveria estar ali – foi um acréscimo irresponsável!

Quem é o Alfa e o Ômega?

A doutrina da trindade caminhava a passos largos para seu estabelecimento em 323 d.C. no Concílio de Nicéia, que formalmente foi escrito em um corpo de texto conhecido como O Credo de Atanásio. Abraçado pelos reformadores, a doutrina da Trindade usurpou as Escrituras na definição de quem é Deus, e quem é Jesus.

A Trindade afirma que há uma pessoa chamada por Deus Pai, uma pessoa chamada Deus o Filho, e uma pessoa chamada Deus Espírito Santo. Na Trindade, Jesus é visto como um ser incriado assim como o Pai é incriado e o Espírito Santo é incriado.

No quarto século, o que viria a ser a Igreja Católica Oriental, produziu o Credo Niceno-Constantinopolitano, que afirma a plena divindade de Jesus Cristo. Este credo leva o conceito de divindade ao extremo, referindo-se a Jesus Cristo como “Deus verdadeiro”.

Vamos examinar um a um os registros de João em Apocalipse para descobrir se a exigência feita pela interpretação tradicional cristã é mesmo confiável.

Apocalipse 1:8 “Eu sou o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim, diz o Senhor, que é, e que era, e que há de vir, o Todo-Poderoso”.

Apocalipse 1:10-13, “Eu fui arrebatado no Espírito no dia do Senhor, e ouvi detrás de mim uma grande voz, como de trombeta, que dizia: Eu sou o Alfa e o Ômega, o primeiro e o último; e o que vês, escreve-o num livro, e envia-o às sete igrejas que estão na Ásia: a Éfeso, e a Esmirna, e a Bergamo, e a Tiatira, e a Sardes, e a Filadélfia, e a Laodicéia. E virei-me para ver quem falava comigo. E, virando-me, vi sete castiçais de ouro; E no meio dos sete castiçais um semelhante ao Filho do homem”.

Apocalipse 21: 5-7 “E o que estava assentado sobre o trono disse: Eis que faço novas todas as coisas. E disse-me: Escreve; porque estas palavras são verdadeiras e fiéis. E disse-me mais: Está cumprido. Eu sou o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim. A quem tiver sede, de graça lhe darei da fonte da água da vida. Quem vencer, herdará todas as coisas; e eu serei seu Deus, e ele será meu filho”.

Apocalipse 22: 12-14 “E, eis que cedo venho, e o meu galardão está comigo, para dar a cada um segundo a sua obra. Eu sou o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim, o primeiro e o derradeiro. Bem-aventurados aqueles que guardam os seus mandamentos, para que tenham direito à árvore da vida, e possam entrar na cidade pelas portas”.

As coisas nem sempre são o que parecem. Este artigo irá explicar o verdadeiro significado dos versos acima e mostrar como o erro entrou na versão King James das Escrituras, que inseriu os termos “Alfa e Ômega, o primeiro e o último” onde eles não deveriam estar, no contexto de Apocalipse 1:10-13.

Não é de admirar que milhares de cristãos interpretem o “Alfa e Ômega” no livro do Apocalipse como sendo Jesus Cristo o mesmo Deus todo poderoso. Porém, a leitura cuidadosa das passagens não só refuta a afirmação de que Jesus é “totalmente Deus”, mas declara a sua humanidade glorificada como absoluta, e faz uma distinção clara entre ele e o Senhor Deus. Além de acreditar que Jesus é o Alfa e o Ômega de Apocalipse, a maior parte da cristandade crê que Jesus é o criador. Entendem que Alfa é uma designação em grego para o começo. E por causa de sua percepção da palavra Ômega, que é uma designação em grego para o fim de algo, acreditam que Jesus é o Deus eterno.

Muitos argumentam também que as referências a Alfa e Ômega são declarações de Cristo como divindade. Isso não pode ser aplicado como estritamente literal, porque nem Deus nem Cristo são uma letra grega. É inútil procurar literatura judaica e pagã para a fonte de algo que se assemelha a este nome, Alfa e Ômega. Em nenhum outro lugar é uma pessoa, para não falar de uma pessoa divina, chamada Alfa e Ômega. Estudiosos confirmam que a frase é um hebraísmo de uso comum entre os antigos comentaristas judeus para designar o conjunto de qualquer coisa, desde o início até o fim. Não é de admirar que as sequelas do protestantismo católico dentro da teologia cristã pode ser capaz de santificar e divinizar até as letras do alfabeto grego.

O Alfa e o Ômega de Apocalipse 1:8

Eu sou o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim, diz o Senhor, que é, e que era, e que há de vir, o Todo-Poderoso”.

Uma observação importante deve ser ressaltada: “Aquele que é, que era, e que há de vir” está “separado” de Jesus,

Apocalipse 1:4, 5 “João, às sete igrejas que estão na Ásia: Graça e paz seja convosco da parte daquele que é e que era, e que há de vir, e da dos sete espíritos que estão diante do seu trono; E da parte de Jesus Cristo, que é a fiel testemunha, o primogênito dentre os mortos e o príncipe dos reis da terra. Àquele que nos amou, e em seu sangue nos lavou dos nossos pecados”.

Atente agora para os detalhes:

“… da parte daquele que é e que era, e que há de vir… E da parte de Jesus Cristo, que é a fiel testemunha, o primogênito dentre os mortos”.

A conjunção “e” é adicionada para fins de separação e distinção. Na frase, a leitura para “Aquele que é, que era e que há de vir”, é claramente feita separando o Senhor Deus da pessoa de “Jesus Cristo, a fiel testemunha, o primogênito dos mortos…”. Esta é a prova de que Jesus e Deus são duas pessoas distintas, mesmo no céu. Note que João descreve o Alfa e o Ômega como “Aquele que é, que era e que há de vir“.

Este ponto se torna mais enfático quando examinamos Apocalipse 1: 8, que é uma ligação direta para Apocalipse 1: 4.

Apocalipse 1: 8 “Eu sou o Alfa e o Ômega”, diz o Senhor Deus”, que é que era e que há de vir, o Todo-Poderoso“.

O parágrafo lê: “… Aquele que é, que era e que há de vir E de Jesus Cristo“. Isso revela claramente que o Alfa e Ômega não é Jesus, mas sim “aquele que é, que era e que há de vir”, ou seja, Deus. Portanto, como foi verificado, a primeira referência para Alfa e Ômega de Apocalipse, tantas vezes ensinada ter sido direcionada ao Senhor Jesus, na verdade, aponta para Deus, o Pai.

O ERRO nas versões da Bíblia King James

A doutrina que aplica as palavras Alfa e Ômega para o Senhor Jesus é um exemplo triste e infeliz de adulteração com a Palavra de Deus. A verdade mostra como a empreitada foi um contrato irresponsável armado por homens para justificar crenças falsas. A frase que diz: “Eu sou o Alfa e o Ômega, o primeiro e o último” de Apocalipse 1:11 não deveria estar ali, pois não se encontra nos textos gregos originais, também não é encontrada em praticamente todos os textos antigos, mas mencionada como uma nota negativa de rodapé em algumas traduções atualizadas.

Abaixo está a versão King James de Apocalipse 1:10-11, seguida por várias outras versões críveis tendo os mesmos dois versos citados nesta discussão. Vamos descobrir que as palavras Alfa e Ômega foram erroneamente adicionadas pela versão do Rei Tiago para fins teológicos, e não de tradução.

“I was in the Spirit on the Lord’s day, and heard behind me a great voice, as of a trumpet, Saying,I am Alpha and Omega, the first and the last: and, What thou seest, write in a book, and send it unto the seven churches which are in Asia; unto Ephesus, and unto Smyrna, and unto Pergamos, and unto Thyatira, and unto Sardis, and unto Philadelphia, and unto Laodicea”.

Uma versão na língua portuguesa baseada na King James cita o versículo nos mesmos termos,

Eu fui arrebatado em espírito no dia do Senhor, e ouvi por detrás de mim uma grande voz, como de trombeta, dizendo: “Eu sou o Alfa e o Ômega, o primeiro e o último: e, o que vês, escreve-o num livro, e envia-o às sete igrejas que estão na Ásia; a Éfeso, a Esmirna, a Pérgamo, e a Tiatira, a Sardes, Filadélfia e Laodicéia” (ACF).

É necessário lembrar que algumas versões anteriores da Almeida causaram confusão ao adicionar as palavras que não ocorrem nos mais antigos e respeitados manuscritos. De fato, a King James Version que provavelmente serviu de referência para algumas versões Almeida, adicionou tais palavras e contribuíram significativamente para aprofundar ainda mais a confusão. Diversas versões cometeram este erro, todavia, muitas admitem como é o caso de uma nota da Versão Literal de Young, que “os mais antigos mss omitem” tais palavras. É reconhecido pelos eruditos que textos Bizantinos posteriores adicionaram tais palavras quando alguns copistas em sua tentativa de identificar Jesus com Deus mudaram o texto original.

Eu vou adicionar aqui alguns comentários bíblicos para confirmar a adulteração vergonhosa da cláusula citada em Apocalipse 1 verso 11:

Eu sou o Alfa e o Ômega, o primeiro e o ultimoEsta cláusula inteira está ausente no ABC, em trinta e outros manuscritos; algumas edições, o siríaco, copta, etíope, armênio, eslavo, Vulgata, Arethas, Andreas, e Primasius. Griesbach deixou-a fora do texto”, Clarke’s Commentary on the Bible.

Eu Sou o Alfa e o Ômega, o primeiro e o ultimo Os mais antigos manuscritos omitem esta cláusula inteira”, Jamieson-Fausset-Brown, Bible Commentary 11.

“… Com uma ampla evidência, Eu sou o Alfa e Ômega, o primeiro e o ultimo, deve ser omitido”, Pulpit Commentary, verse 11.

Atentem agora para as versões citadas a seguir; todas omitem as expressões Alfa e Ômega:

New American Standard Bible

“I was in the Spirit on the Lord’s day, and I heard behind me a great voice, as of a trumpet, saying, What thou seest, write in a book and send [it] to the seven churches: unto Ephesus, and unto Smyrna, and unto Pergamum, and unto Thyatira, and unto Sardis, and unto Philadelphia, and unto Laodicea”.

English Bible Society

“I was in the Spirit on the Lord’s day, and a great voice at my back, as of a horn, came to my ears, Saying, What you see, put in a book, and send it to the seven churches; to Ephesus and to Smyrna and to Pergamos and to Thyatira and to Sardis and to Philadelphia and to Laodicea”.

Almeida Atualizada

“Eu fui arrebatado em espírito no dia do Senhor, e ouvi por detrás de mim uma grande voz, como de trombeta, dizendo: O que vês, escreve-o num livro, e envia-o às sete igrejas: a Éfeso, a Esmirna, e até Pérgamo, e a Tiatira, a Sardes, e até Filadélfia e Laodicéia”.

Revista e Atualizada

“Achei-me em espírito, no dia do Senhor, e ouvi, por detrás de mim, grande voz, como de trombeta, dizendo: O que vês escreve em livro e manda às sete igrejas: Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodicéia”.

Almeida Revisada da Imprensa Bíblica

“Eu fui arrebatado em espírito no dia do Senhor, e ouvi por detrás de mim uma grande voz, como de trombeta, que dizia: O que vês, escreve-o num livro, e envia-o às sete igrejas: a Éfeso, a Esmirna, a Pérgamo, a Tiatira, a Sardes, a Filadélfia e a Laodicéia”.

Nova Versão Internacional

“No dia do Senhor achei-me no Espírito e ouvi por trás de mim uma voz forte, como de trombeta, que dizia: “Escreva num livro o que você vê e envie a estas sete igrejas: Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodicéia”.

Versão Católica

“Num domingo, fui arrebatado em êxtase, e ouvi, por trás de mim, voz forte como de trombeta, que dizia: O que vês, escreve-o num livro e manda-o às sete igrejas: a Éfeso, a Esmirna, a Pérgamo, a Tiatira, a Sardes, a Filadélfia e a Laodicéia”.

Bíblia de Jerusalém versão em Espanhol

“Caí en éxtasis el día del Señor, y oí detrás de mí una gran voz, como de trompeta, que decía: Lo que veas escríbelo en un libro y envíalo a las siete Iglesias: a Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadelfia y Laodicea”.

Darby Bíblia, “… dizendo: O que vês, escreve-o num livro, e envia às sete igrejas”.

De Phillip New Testament, “… dizendo: “Anote em um livro que você vê, e envia às sete igrejas …”.

Douay Rheims Version, “… dizendo: “O que vês, escreve-o num livro, e envia às sete igrejas…”.

Weymouth Novo Testamento, “… disse: “Faça imediatamente em um rolo um relato do que você vê, e enviá-lo às sete igrejas …”

Murdoch Novo Testamento, “… e disse: “O que vês, escreve-o num livro, e envia às sete igrejas … “.

Bíblia de Rotherham, “… dizendo: “O que vês, escreve-o num livro, e envia-o às sete Assembléias …”.

Como vimos, todas as versões citadas omitem as palavras em Apocalipse 1:11, “Eu sou o Alfa e o Ômega, o primeiro e o último”. Os melhores manuscritos não têm essa frase, e, portanto, deve a mesma ser omitida de qualquer tradução credível. A KJV também acrescenta “o primeiro e o último” de Apocalipse 1:11 em algumas versões. Em ambos os casos, os tradutores da Bíblia King James estavam seguindo o Textus Receptus. Mais tarde descobertas de manuscritos demonstraram que a cláusula não é original aqui. Para ser justo com os tradutores da KJV talvez deveríamos assumir que estavam apenas cumprindo o Textus Receptus, ou Texto Recebido, que tem centenas, se não milhares de problemas.

Só podemos especular, mas parece que os tradutores da Bíblia King James queriam fazer uma ligação clara entre as frases “Alfa e Ômega” e “o primeiro e o último”. E, qualquer que seja a posição teológica individual dos tradutores no comitê desta versão inglesa, certamente tentaram reforçar a visão de que Cristo era “Deus”. Influências trinitárias sem dúvida desempenharam algum papel, uma vez que a Igreja da Inglaterra defende Jesus Cristo como “Deus Filho” (ou seja – a segunda pessoa da Trindade, um Deus co-igual, junto com a pessoa do Pai e do Espírito Santo). No entanto, há manuscritos suficientemente críveis e ferramentas de estudo disponíveis para uma pessoa encontrar a resposta correta.

Ao longo de seu passado obscuro e sórdido, a Igreja Católica Romana escondeu as Escrituras das massas, e poucas pessoas tinham a paixão, unidade e a coragem de desafiar preconceitos doutrinários. Porém, hoje em dia, as pessoas estão começando a fazer perguntas, pesquisando e encontrando respostas, que para muitos ficaram ocultas na escuridão das trevas por séculos.

Vamos agora examinar Apocalipse 21:5-7 em seu contexto:

E aquele que está assentado no trono disse: Eis que faço novas todas as coisas. E acrescentou: Escreve, porque estas palavras são fiéis e verdadeiras. E disse-me ainda: Tudo está feito. Eu sou o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim. Eu, a quem tem sede, darei de graça da fonte da água da vida. O vencedor herdará estas coisas, e eu lhe serei Deus, e ele me será filho”.

Observe quem disse ser o Alfa e o Ômega: “E aquele que está assentado no trono disse: Eu sou o Alfa e o Ômega“. Além disso, Ele também acrescenta: ” O vencedor herdará estas coisas, e eu lhe serei Deus, e ele me será filho”. Evidente que quem fala aqui não é Jesus.

É necessário observar atentamente quem está falando ser o Alfa e o Ômega neste contexto de Apocalipse. Preste atenção amigo leitor, naquele que está assentado no trono, pois este é o Alfa e o Ômega, o mesmo citado como sendo o Deus de Jesus em Apocalipse 2:7; 3:2,12, que se distingue do Cordeiro em Apocalipse 5:1-7; 5:13; 6:16; 7:10, 15.

Veja que em alguns textos apresentados Jesus chama o Pai de “Meu Deus”. E não esqueça, Ele fala estas palavras quando já estava no céu,

Apocalipse 2:7 “Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: Ao que vencer, dar-lhe-ei a comer da árvore da vida, que está no meio do paraíso de Deus”.

Apocalipse 3:2, 12 “Sê vigilante, e confirma os restantes, que estavam para morrer; porque não achei as tuas obras perfeitas diante de Deus… A quem vencer, eu o farei coluna no templo do meu Deus, e dele nunca sairá; e escreverei sobre ele o nome do meu Deus, e o nome da cidade do meu Deus, a nova Jerusalém, que desce do céu, do meu Deus, e também o meu novo nome”.

Eu acredito piamente que a cristandade não se deu conta do real significado destas passagens. Observe que Jesus está glorificado, mas continua chamando o Pai de MEU DEUS. Se Ele chama o Pai de meu Deus, Ele não pode ser Deus também. Não existe dois Deus. Veja o que Ele diz em João 17:3: “E a vida eterna é esta: que te conheçam, a ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste”.

Paulo reforça as palavras do Senhor Jesus quando declara haver apenas um Deus e não dois:

1 Coríntios 8:6 “Todavia para nós há um só Deus, o Pai, de quem é tudo e para quem nós vivemos; e um só Senhor, Jesus Cristo, pelo qual são todas as coisas, e nós por ele”.

Efésios 4:6 “Um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, e por todos e em todos vós”.

1 Timóteo 2:5 “Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem”.

Observe que Paulo continua chamando Jesus de homem. O Senhor subiu ao céu pela morte e ressurreição, não foi transformado em um Deus, mas sim em um homem glorificado, a pedra angular nos propósitos de Deus, o mediador e salvador da humanidade.

O apóstolo dos gentios foi enfático quando afirmou “que a morte veio por um homem, mas também por um homem veio a ressurreição dos mortos“, 1 Cor 15:21. A palavra “também” é significativa, pois faz uma comparação entre dois seres mortais, dois homens, Jesus e Adão.

A posição de Jesus em relação ao Pai não é aquela apresentada pelos trinitarianos e pela ortodoxia cristã, que ele é outro Deus, o Deus filho. Na verdade, Ele é o filho de Deus, o mediador e reconciliador dos pecadores, mas sujeito e submisso ao Pai. Veja o que declara Paulo na profecia do Salmo 110: “Depois virá o fim, quando [O Senhor Jesus] tiver entregado o reino a Deus, ao Pai, e quando houver aniquilado todo o império, e toda a potestade e força. Porque convém que reine até que haja posto a todos os inimigos debaixo de seus pés. Ora, o último inimigo que há de ser aniquilado é a morte. Porque todas as coisas sujeitou debaixo de seus pés. Mas, quando diz que todas as coisas lhe estão sujeitas, claro está que se excetua aquele que lhe sujeitou todas as coisas. E, quando todas as coisas lhe estiverem sujeitas, então também o mesmo Filho se sujeitará àquele que todas as coisas lhe sujeitou, para que Deus seja tudo em todos”, 1 Coríntios 15:24-28.

Por que Paulo disse que “é evidente” que o Filho tem tudo em sujeição, exceto Deus? Eis aqui mais um entendimento óbvio e implícito, que o salmista não mencionou, mas Paulo, para a nossa benção, explicou. Em seguida o Apóstolo afirma que o Filho, este sim, “também se sujeitará” a Deus, para que todos, inclusive o Filho, estejam sujeitos ao Criador do Universo. Não é muito claro que o Filho, embora superior a todos os demais, além de não ser Deus é subserviente a Ele?

Qual a explicação que os trinitarianos dariam para estas passagens? As mesmas explicações vagas de sempre, de que é uma questão de funções organizacionais celestes, e que muitas vezes o termo “Deus” se refere ao “Deus-Pai” na sua função de Pai – a função de quem comanda – extraindo de vários versículos coisas que eles não dizem. Ainda recheiam o “bolo de interpretações” com termos teológicos e filosóficos pouco usados, que impressionam facilmente os leitores desavisados, ou os candidatos a eruditos.

Vamos voltar ao Alfa e o Ômega do versículo em discussão. Foi dito anteriormente que quem está assentado no trono – o qual disse ser o Alfa e o Ômega – é visto separado de Jesus, o Cordeiro. Isso é confirmado com mais algumas passagens interessantes:

Apocalipse 5:7 E veio [Jesus], e tomou o livro da destra do que estava assentado no trono.

Apocalipse 5:13 E ouvi a toda a criatura que está no céu, e na terra, e debaixo da terra, e que está no mar, e a todas as coisas que neles há, dizer: Ao que está assentado sobre o trono, e ao Cordeiro, sejam dadas ações de graças, e honra e glória, e poder para todo o sempre.

Apocalipse 7:10 “E clamavam com grande voz, dizendo: Salvação ao nosso Deus, que está assentado no trono, e ao Cordeiro”.

Agora leia novamente parte do contexto em estudo e descubra quem é o Alfa e o Ômega. Veja o que diz aquele que está assentado no trono:

E aquele que está assentado no trono… disse-me ainda: Tudo está feito. Eu sou o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim”, Ap 21:5-7.

Não devemos esquecer que quem está assentado no trono é chamado de “Todo Poderoso”. No entanto, em duas ocorrências da palavra “Todo-Poderoso” em Apocalipse, Jesus é contextualmente – ontológicamente e gramaticalmente – excluído de ser o Todo-Poderoso mencionado. Veja:

Apocalipse 19:15 “E da sua boca [de Jesus] saía uma aguda espada, para ferir com ela as nações; e ele as regerá com vara de ferro; e ele mesmo é o que pisa o lagar do vinho do furor e da ira do Deus Todo-Poderoso”.

Apocalipse 21:22 “E nela não vi templo, porque o seu templo é o Senhor Deus Todo-Poderoso, e o Cordeiro”.

Além de tudo isso, Apocalipse 21: 6, 7 indica que os cristãos que são vencedores devem ser ‘filhos’ daquele conhecido como Alfa e Ômega. Isso nunca é dito sobre o relacionamento dos cristãos com Cristo. Jesus falou sobre os cristãos como seus ‘irmãos’ (Heb 2:11; Mat 12:50; 25:40). Esses ‘irmãos’ de Jesus são referidos como filhos de Deus Pai (Gálatas 3:26; 4: 6).

Portanto, foi mostrado que o segundo texto em Apocalipse apresentando o título de Alfa e Ômega, tantas vezes atribuído a Jesus, foi, na verdade, aplicado ao Pai por Ele mesmo.

Está faltando um, e é para ele que vamos agora…

O Alfa e Ômega em Apocalipse 22:13

Descobrimos, sem sombra de dúvidas – como visto nos argumentos anteriores – que o título Alfa e Ômega foi aplicado ao Pai, não ao filho. Porém, temos aqui em Apocalipse 22:13 novamente o título Alfa e Ômega que, para a Apologética convencional, é a principal prova para derrubar de vez o argumento de seus oponentes com relação à divindade e preexistência de Jesus. Para eles está claro aqui que Jesus é o Alfa e o Ômega.

Na verdade, nós temos duas opções: Os títulos (ou título!) só podem ser aplicados a Jesus com uma condição: se a composição textual for encurtada – e pode ser aplicado ao Pai de forma integral. Porém, há algo sumamente importante que foi ignorado por nossa Ortodoxia. Observe como a composição tradicional do texto está longa, em nada parecida com as outras duas mencionadas no mesmo Livro:

Eu sou o Alfa e Ômega, princípio e o fim, o primeiro e o último”.

Compare com Apocalipse 1:8: “Eu sou o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim, diz o Senhor…”. E Agora veja Apocalipse 21:6: “Eu sou o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim”.

Completamente desnecessário introduzir no texto de Apocalipse 22:13 os três títulos: “Alfa e Ômega, princípio e o fim, o primeiro e o último”. Certamente há algo errado, e nós vamos descobrir onde está esse erro.

Observe três traduções que poderiam mudar todo o curso das discussões. Veja como a Bible in Basic English, a Good News Translation e a Worldwide English apresentam o texto:

I am the First and the Last, the start and the end

Eu sou o primeiro e o último, o princípio e o fim

Confira aqui as três versões: Bible in Basic EnglishGood News TranslationWorldwide English

Certamente houve um acréscimo aqui; acréscimo feito por escribas que acreditaram que o texto poderia enfatizar a divindade de Jesus apresentando-o como Deus. E, muitíssimo provavelmente, eles acreditaram que os títulos faziam menção ao filho, o que não é verdade. A referência é ao Pai!

Os erros em Apocalipse 1:11, como visto anteriormente, e Apocalipse 22:13, devem-se à imprecisão do chamado Textus Receptus, o texto grego no qual o Novo Testamento da KJV se baseou. De acordo com Bruce Metzger (em The Text of the New Testament: Its Transmission, Corruption and Restoration, Second Edition, Oxford University Press, 1968), o Textus Receptus foi preparado às pressas e a esmo, e foi baseado principalmente em manuscritos não confiáveis do século XII. Foi obra de um holandês chamado Desiderius Erasmus e foi publicado pela primeira vez em 1516. Embora o que ficou conhecido como Textus Receptus tenha uma precisão inferior ao primeiro Novo Testamento Grego completo, o chamado Novo Testamento Complutense que foi Publicado apenas dois anos antes em 1514, o texto de Erasmus foi comercializado com muito mais eficácia e foi usado como base para todas as principais traduções protestantes nas línguas da Europa até 1881, quando a versão revisada em inglês [RV] foi publicada pela primeira vez.

A tradução do Textus Receptus de Apocalipse 22:13, na qual se baseou a KJ, e da qual foram construídas quase todas as nossas traduções, pode estar em ordem incorreta em relação a tradução grega e não representa exatamente o texto original. E com base nas edições citadas acima temos pelo menos evidências que nos faz suspeitar de que o texto original pode sim ter sido alterado.

Acredito, baseado nos argumentos anteriores em Apocalipse quando o título Alfa e Ômega é aplicado ao Pai, que aqui também podemos colher evidências para provar a mesma tese se considerarmos se as palavras Alfa e Ômega são parte do texto original ou não. Observe que o texto poderia ficar de duas formas: “Eu sou o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim”, que é similar as outras duas menções dadas ao Pai em Apocalipse, ou poderia ser, “Eu sou o princípio e o fim, o primeiro e o último”, que também pode ser aplicado a Deus, porém, a frase jamais foi usada em conjunto. Observe também que algo no texto maior parece estar fora de ordem, pois “primeiro e último” foi citado depois de “princípio e fim“: “Eu sou o Alfa e Ômega, princípio e o fim, o primeiro e o último”. Para o hermeneuta atento há uma discrepância aqui. Bastaria que a citação fosse, “Eu sou o Alfa e Ômega, princípio e o fim”.

E apesar de Jesus falar de forma semelhante em Apocalipse 1:18 e 2:8, “… Eu sou o primeiro e o último; E o que vivo e fui morto, mas eis aqui estou vivo para todo o sempre. Amém. E tenho as chaves da morte e do inferno”, e “E ao anjo da igreja em Esmirna, escreve: Isto diz o primeiro e o último, que foi morto, e reviveu”, não podemos atribuir a ele o título de Alfa e Ômega. Note que quando Jesus diz “eu sou o primeiro e o último” ele conecta as palavras com a frase, “que foi morto e reviveu”. Você vai descobrir também o significado de ser “primeiro e último” aplicado a Jesus na última seção desse artigo.

Vamos examinar Apocalipse 22:13

Apocalipse 22:12,13 “Eis que venho sem demora. O meu galardão está comigo, para retribuir a cada um segundo a sua obra. Eu sou o Alfa e o Ômega, o Primeiro e o Último, o Princípio e o Fim”.

Preste atenção em todo o contexto de Apocalipse 22:6-21 com alguns comentários adicionados entre colchetes:

Apocalipse 22: 6 “Ele [o anjo mencionado no Apocalipse 21: 9] me disse: “Estas palavras são fiéis e verdadeiras; e o Senhor, o Deus dos santos profetas, enviou o seu anjo, para mostrar aos seus servos as coisas que em breve hão de acontecer“.

Apocalipse 22: 7 [Observe a mudança abrupta; o anjo de repente fala como alguém que vem] “Eis que venho sem demora. Bem-aventurado aquele que guarda as palavras da profecia deste livro. [Muitos afirmam que o que vem é Jesus; no entanto, isso também poderia ser falado de Deus (1 Tess 3:13), o que é mais do que provável, uma vez que o anjo estava apenas se referindo ao Senhor].

Apocalipse 22:8 [Aqui João fala de si mesmo] Eu, João, sou aquele que vi e ouvi estas coisas. Quando eu ouvi e vi, caí em adoração diante dos pés do anjo que me tinha mostrado essas coisas.

Apocalipse 22:9 Ele [o anjo] me disse: Olha, não faças tal; porque eu sou conservo teu e de teus irmãos, os profetas, e dos que guardam as palavras deste livro. Adora a Deus.

Apocalipse 22:10 Ele [o anjo] disse-me: “Não seles as palavras da profecia deste livro, porque o tempo está próximo”.

Apocalipse 22:11 Quem é injusto, faça injustiça ainda; e quem está sujo, suje-se ainda; e quem é justo, faça justiça ainda; e quem é santo, seja santificado ainda.

Apocalipse 22:12 [Abruptamente o anjo começa a citar alguém novamente] Eis que venho sem demora. O meu galardão está comigo, para retribuir a cada um segundo a sua obra. [O Deus de Jesus julga o mundo através de Jesus, e cada um receberá de Deus o louvor – Atos 17:31; Romanos 2:16; 1 Coríntios 4: 5; 2 Timóteo 4: 1; Isaías 40:10].

Apocalipse 22:13 Eu sou o Alfa e o Ômega, o Primeiro e o Último, o Princípio e o fim.

Compare cuidadosamente o seguinte, especialmente os dois últimos versículos: “Eu caí para adorar aos pés do anjo que me mostrou essas coisas” (22: 8); “Eu, Jesus, enviei meu anjo para testemunhar estas coisas” (22:16); “Aquele que testifica estas coisas diz: Certamente cedo venho. Amém. Ora vem, Senhor Jesus” (22:20). Que o leitor seja lembrado de quem estava se comunicando com João no capítulo 1, e então pergunte-se quem testemunhou essas coisas a João.

Olhe novamente para Ap 22: 8-16. João é identificado como o orador em 22: 8. O anjo fala no verso 9. Aparentemente, o anjo continua falando no verso 10. O anjo ainda pode estar falando no versículo 11. O anjo continua falando no verso 12. O anjo fala pelo Pai no verso 13. A Bíblia de Jerusalém; a NJB e a tradução de J. Moffatt nos mostram que o anjo falou todas as palavras do versículo 9 até ao versículo 15.

Jesus começa a falar no versículo 16: “Eu, Jesus” – também introduz um novo orador. Isso significa que a declaração anterior (“Eu sou o Alfa e o Ômega”) foi feita por outra pessoa. No caso aqui é o anjo falando pelo Pai. Isso fica claro quando lemos o verso imediatamente anterior, o 12, que diz: “Eis que cedo venho e está comigo a minha recompensa, para retribuir a cada um segundo a sua obra“. É uma réplica exata do verso 6 de Romanos capítulo 2 quando fala do juízo de Deus. Veja: “Mas, segundo a tua dureza e teu coração impenitente, entesouras ira para ti no dia da ira e da revelação do justo juízo de Deus, que retribuirá a cada um segundo as suas obras“, Rm 2:5,6.

Aqueles que usam a expressão “Alfa e Ômega” para Jesus se apoiam na frase: “Eu venho em breve/Eis que cedo venho” em Apocalipse 22:20. Em seguida, eles apontam para as mesmas palavras em Apoc 22:12 (“certamente cedo venho”) e afirmam que quem fala que é o Alfa e o Ômega só pode ser o Senhor Jesus.

Porque Deus reina sobre todas as coisas, e é o Senhor da história, Israel viveu na esperança (como os profetas anunciaram) da ‘vinda’ de Deus – seus atos futuros pelos quais ele decisivamente lida com toda a maldade estabelecendo justiça na terra . Veja alguns textos que falam de Deus vindo; o Salmo 96:13 diz, “O Senhor está vindo”, que é uma expressão no VT descrevendo a intervenção do Senhor na história [compare com Sl 18: 9; 96:13; 144: 5; Isa 26:21; 31: 4; 64: 1-3 ].

Quando o anjo falou a Maria: “O Senhor está com você” (Lucas 1:28), ele obviamente não quer dizer que Deus tinha literalmente vindo à terra (compare Juízes 6:7-12). Quando o pai de João Batista disse: “Louvado seja o Senhor, o Deus de Israel, porque ele veio e redimiu o seu povo” (Lucas 1: 66-68) ele quis dizer que Deus estava operando do céu para ajudar a humanidade dos justos. Quando Moisés descreve Deus com ele (Josué 1: 5), significava que Deus, do céu, estava auxiliando-o. Quando Josué disse aos israelitas “Deus está entre vós” (Jos 3:10), ele estava novamente dizendo que Deus estava ajudando-os. E não podemos ignorar um grupo vasto de profecias para os tempos finais que fala de Deus “vindo”. Além disso, quando Deus “vem” a terra, ele vem para operar através de alguma outra pessoa. Quando Moisés voltou ao Egito para ajudar seu povo, Deus “veio” para ajudá-los (através de Moisés). Quando Jesus veio à terra para ajudar a humanidade, Deus “veio” (através de Jesus). E quando Jesus “retornar” do céu, Deus “vem!”

Assim, se Jesus “em breve” vem para fazer a vontade de Deus, então, pelo mesmo ato, Deus vai “vir” também (não literalmente, mas através de Jesus).

Leia agora novamente Apocalipse 1: 8 e Apocalipse 1: 4, 5 que vai ficar mais claro para você:

Eu sou o Alfa e o Ômega”, diz o Senhor Deus, que é, que era e que há de vir, o Todo-Poderoso

Sabemos que este é o Pai falando como vimos nos comentários na primeira parte desse estudo. Somente Ele é chamado Senhor Deus e Todo-Poderoso na Sagrada Escritura. Observe que o Pai neste versículo é descrito como alguém que está para vir:

Graça e paz da parte daquele que é, que era e que há de vir, e da dos sete espíritos que estão diante do seu trono, e de Jesus Cristo, a testemunha fiel …” (1: 4, 5).

Portanto, no sentido que Deus “vai vir”, deve ser como descrito acima: Deus “vir” através de seu filho, mas eles ainda são duas pessoas distintas!

Portanto, podemos ver facilmente que não há razão para dizer que o título Alfa e Ômega de Apocalipse 22:13 foi dirigido a pessoa de Jesus. E a maior evidência para tal é exatamente o versículo imediato. Leia Apocalipse 22:14 [Isto é o anjo falando] Bem-aventurados aqueles que guardam os seus mandamentos, para que tenham direito à árvore da vida, e possam entrar pelas portas na cidade. É uma terceira pessoa falando – Deus não diria: “Bem-aventurados aqueles que guardam os seus mandamentos“.

O capítulo segue dizendo:

Apocalipse 22:15 Ficarão de fora os cães, os feiticeiros, os adúlteros, os homicidas, os idólatras, e todo aquele que ama e pratica a mentira.

Apocalipse 22:16 [Agora entra Jesus:] Eu, Jesus, enviei o meu anjo para vos testificar estas coisas a favor das igrejas. Eu sou a raiz e a geração de Davi; a Resplandecente Estrela da Manhã“.

Apocalipse 22:17 Vem!’ O Espírito e a noiva dizem: Aquele que ouve, diga: Vem! E quem tem sede, venha. E quem quiser, receba de graça a água da vida.

Apocalipse 22:18 Eu testifico a todo aquele que ouve as palavras da profecia deste livro que, se alguém lhes acrescentar alguma coisa, Deus lhe acrescentará as pragas que estão escritas neste livro.

Apocalipse 22:19 Se alguém tirar quaisquer palavras do livro desta profecia, Deus tirará a sua parte da árvore da vida, e da cidade santa, que estão escritas neste livro.

Apocalipse 22:20 [João escreve] Ele [Jesus] que dá testemunho destas coisas diz: “Sim, eu venho“, Amém! [João responde] Vem, Senhor Jesus.

Apocalipse 22:21 A graça do Senhor Jesus esteja com todos os santos. Amém”.

Um detalhe importante a ser notado está registrado nos versículos oito e nove. Quando João cai aos pés do anjo para adorá-lo, este diz: “Não faças tal; porque eu sou conservo teu e de teus irmãos, os profetas, e dos que guardam as palavras deste livro. Adora a Deus“. João ficou tão maravilhado que se ajoelhou diante do poderoso anjo. É a segunda vez que ele comete o mesmo erro, e a segunda vez que lhe chamam a atenção (Ap 19:10). Esta é uma prova conclusiva de que realmente temos um anjo falando pelo Senhor Deus Todo Poderoso, alguem subserviente ao Senhor admoestando o apóstolo João a “adoração a Deus”, assim como ele faz. Veja: “Não faças tal… adora a Deus”.

Portanto, não há evidência alguma de que a frase “o Alfa e o Ômega” refere-se ao Messias – na verdade, o oposto é evidente quando examinamos cuidadosamente as ocorrências desta frase em todo o livro do Apocalipse.

O Primeiro e o Último

Em Isaías 41:4; 44:6; 48:12 encontramos as palavras “primeiro e último”, que expressam a soberania do Senhor apresentado-o como único Deus. No entanto, a ortodoxia cristã entende que primeiro e último neste contexto deve significar eternidade para trás e para frente no tempo. Na verdade, o profeta reforça nestas expressões o domínio do Deus Todo-Poderoso, o “primeiro e último” em força (Divindade), apresentando o Pai como a fonte de todo o poder, algo que os falsos deuses das nações não podem reclamar. Observe as palavras em 44:6, 8: “Eu sou o primeiro, e eu sou o último, e fora de mim não há Deus… Eu não conheço nenhum”.

Compare esta sentença com os textos a seguir: “Por isso hoje saberás, e refletirás no teu coração, que só o Senhor é Deus, em cima no céu e em baixo na terra; nenhum outro há”, Deuteronômio 4:39.

Portanto, grandioso és, ó Senhor Deus, porque não há semelhante a ti, e não há outro Deus senão tu só, segundo tudo o que temos ouvido com os nossos ouvidos”, 2 Samuel 7:22.

Vós sois as minhas testemunhas, diz o Senhor, e meu servo, a quem escolhi; para que o saibais, e me creiais, e entendais que eu sou o mesmo, e que antes de mim deus nenhum se formou, e depois de mim nenhum haverá”, Isaías 43:10.

No último livro da Bíblia descobrimos a expressão “primeiro e último”. Pelo menos duas vezes ela é aplicada a Jesus, em Apocalipse 1:17 e Apocalipse 2: 8. A frase aparece também em Apocalipse 22:13, onde o Senhor a aplica para si mesmo.

Erroneamente a ortodoxia popular prefere ler as expressões primeiro e ultimo de Isaías e Apocalipse, como “eterno”, embora não haja nada nas referências citadas para justificar este significado. Assim, e irresponsavelmente, surgiu uma reivindicação que foi transformada em constituição pela teologia cristã tradicional, de que o livro de Apocalipse mostra, não só o Pai, como o primeiro e ultimo e o alfa e Ômega – com conotação de eternidade, mas também o Filho, o Senhor Jesus. Além disso, de acordo com muitos, a frase “o primeiro e o último”, aplicados a Jesus em Apocalipse 1:17 e 2:8 oferece prova de que Jesus é o Senhor Deus, uma vez que o Pai fala de si mesmo como primeiro e último sugere que Jesus é o Senhor do Antigo Testamento e, portanto, pré-existente de acordo com o ensino da envelhecida ortodoxia cristã apoiada pelo trinitarismo e o catolicismo romano.

O primeiro e o último, que foi morto e reviveu

Apocalipse 1:17, 18 “E eu, quando vi, caí a seus pés como morto; e ele pôs sobre mim a sua destra, dizendo-me: Não temas; Eu sou o primeiro e o último; e o que vivo e fui morto, mas eis aqui estou vivo para todo o sempre. Amém. E tenho as chaves da morte e do inferno”.

Apocalipse 2:8 “E ao anjo da Igreja que está em Esmirna, escreve: Isto diz o primeiro e o último, que foi morto e reviveu”.

Observem que os termos primeiro e último estão associados às palavras “o que vivo e fui morto, mas estou vivo para sempre”, e, “que foi morto e reviveu”. Vamos saber depois porque.

O ponto que deve ser observado, insisto, é que a cristologia popular vê na frase “o primeiro e o último” de Apocalipse 1:18 e 2:8 um Jesus preexistente, como sendo ele o próprio Deus, dando-lhe o significado de eterno, sugerindo que Jesus existe fora de todos os tempos, ou que ele sempre existiu a partir da eternidade passada infinita com uma existência contínua ininterrupta para o futuro infinito. Esse ponto de vista sugere que Jesus, enquanto aqui viveu, era uma coisa do outro mundo, alguém que tinha um poder incomum, que flutuava pelo espaço infinito indo para trás e para frente no tempo, movendo-se entre o passado, presente e futuro: Um verdadeiro Deus! Está aí, presado leitor, uma extraordinária maneira de negar que ele não veio em carne. Isto é um perigo mortífero, pois insinua que o Messias jamais morreu.

A conclusão das Escrituras não seria de que Jesus é o Senhor Todo-Poderoso, mas que tanto Jesus como Deus são, de alguma forma, respectivamente, o primeiro e o último. No entanto, muitos têm afirmado que só pode haver um primeiro e último, e, assim, entendem que esta frase mostra que a pessoa que está falando em Apocalipse 2:8 é o Senhor, o Altíssimo. Seu raciocínio é que, quando o uso semelhante de palavras se aplica para Jesus e Deus, deve significar que Eles não tem começo e nem fim – são ambos eterno passado e futuro eterno. Assim, entendem que as palavras tem o mesmo sentido quando aplicadas a Jesus, e, portanto, eles concluem que Jesus é o Senhor Deus.

Quando questionados sobre como o Eterno, que é de eternidade a eternidade, morreu, a ortodoxia cristã fica em apuros. Como poderia um ser eterno morrer? E é aqui que começam os tropeços nos argumentos, dando a luz àquela velha fábula trinitariana: “quem morreu foi a natureza humana de Jesus e não a divina”. Isto se torna um desastre para aqueles que não separam Jesus de Deus, afirmando serem eles uma só pessoa, literalmente, insinuando ter sido o Messias um ser eterno, que mesmo estando na sepultura, continuava vivo.

Observe aqui a realidade dos contextos: “… Eu sou o primeiro e o ultimo; e o que vivo e fui morto, mas eis aqui estou vivo para todo o sempre”, Ap 1:18.

“… Isto diz o primeiro e o último, que foi morto, e reviveu”, Ap 2:8.

Obviamente, O Deus eterno, que é Espírito, nunca iria dizer: “Eu estava morto“. Deus é imortal e Ele não pode morrer; portanto, em Apocalipse 1:18 a referência aponta para o filho do homem glorificado: “Eu sou aquele que vive, e foi morto, e eis que estou vivo para sempre“.

A proposta da maioria na cristologia convencional é irritante, pois sugere que Jesus morreu, mas uma parte dele ficou viva em outro lugar. No entanto, deve-se observar que há um contraste entre o seu ser morto com estar vivo para todo o sempre, como atesta o verso acima, o que esclarece que ele morreu mesmo. Quando Jesus diz que ele estava “morto” é traduzida da palavra grega, “Nekros”, que significa “um cadáver”. A nossa palavra “necrotério” é derivado de Nekros. Jesus diz em Apocalipse: “Eu era um cadáver”. Ele não diz apenas que estava morto, mas acrescenta ênfase à morte. Deus é imortal, e, portanto, Jesus não pode ser chamado de Deus. As Escrituras que provam que Deus não pode morrer são as seguintes:

Ora, ao Rei dos séculos, imortal, invisível, ao único Deus sábio, seja honra e glória para todo o sempre. Amém”, 1 Timóteo 1:17.

Aquele que é o bendito e único Soberano, o Rei dos reis e Senhor dos senhores; o único que possui a imortalidade e habita em luz inacessível; a quem nenhum dos homens viu nem pode ver. A ele seja honra e poder eterno! Amém”, 1 Timóteo 6: 15-16.

Porém, lamentavelmente, a alegação de que Jesus foi 100% Deus Todo-Poderoso e ao mesmo tempo 100% ser humano, quando aqui andou, tornou-se uma constituição dentro da teologia protestante e católica romana. Muitos se referem a esta suposição como a “dupla natureza” ou “união hipostática” de Jesus. Ou seja, ele era humano, mas uma parte dele era eterna, a divina que nunca morreu. Assim, a fim de aplicar essa hipótese ao Apocalipse, o trinitário ou qualquer um que acredita nas alegadas “naturezas duais” de Cristo, tem de dividir a sentença em duas partes, de modo a aplicar a frase “o primeiro e o último” à ideia de Jesus como Deus. Em seguida, a última parte da frase, “que estava morto”, eles teriam que reclamar que se aplica apenas à “natureza” humana de Jesus, concluindo assim que somente esta natureza, a humana, foi que morreu. Isso tudo gera a tese absurda e cômica de que “o primeiro e o último” não morreu. Em outras palavras: Jesus morreu, mas uma parte dele, a divina, continuou viva em algum lugar entre o céu e a terra.

Está aí, amigo leitor, a proposta mais nociva e destruidora já apresentada contra o sacrifício do Senhor Jesus, que faz da sua morte no madeiro uma verdadeira farsa. E acreditem, pode até ser que a ortodoxia cristã, envenenada pelo trinitarismo e o catolicismo romano, nem tenha percebido o absurdo proposto. E repito: em Apocalipse 2:8, Jesus disse: “O primeiro e o último, que foi morto”. Ele declara que “o primeiro e o último” esteve morto. Ele não disse, como a ortodoxia cristã parece ter dito: “Eu sou o primeiro e o último que não morreu, mas que como um ser humano, fui morto”. Portanto, qualquer que tenha uma visão dualista para este versículo, na verdade, acaba negando o que Jesus disse, que o “primeiro e ultimo esteve morto”.

O Significado de primeiro e último para Cristo

E eu, quando vi, caí a seus pés como morto; e ele pôs sobre mim a sua destra, dizendo-me: Não temas; Eu sou o primeiro e o último”, Apoc 1:17.

Para os defensores da preexistência do Filho de Deus aqui está a principal evidência a favor de suas argumentações: “Jesus já existia desde tempos eternos”. Declaram que a palavra “primeiro” deve significar “princípio”. Portanto, para eles, Jesus existe desde o princípio. O problema é que essa linha de interpretação parece não ter entendido perfeitamente o verso 18, que declara,

“… E o que vivo e fui morto, mas eis aqui estou vivo para todo o sempre. Amém. E tenho as chaves da morte e do inferno”.

Qual seria, então, neste contexto, o sentido exato de ser o primeiro e o último? Perguntando de outra forma: Quem morreu na cruz? Isso parece escapar à atenção dos muitos dedicados a doutrina da “pré-existência”, que, se Jesus era o “filho eterno” ou “o Filho de Deus, Ele não poderia ter sido a semente prometida a Abraão, Isaque e Jacó, semente esta, como disse Paulo, que se tornou o mediador entre Deus e o homem (1 Tm. 2:5). Se, de fato, Jesus era o Filho de Deus, uma parte da “Divindade”, ou o “Filho eterno”, Ele não poderia ter se tornado um mediador entre Deus e o homem, como atesta as Escrituras.

O Senhor Jesus é descrito no Apocalipse como “o primogênito dentre os mortos” (Ap . 1:5), e isto é confirmado pelo próprio, quando ele instrui João a escrever, “Eu sou aquele que vive e fui morto” (Apoc 1: 18). A sentença continua, ou seja, o verso 18 completa o sentido do contexto, enfatizando de forma brilhante a vitória do Senhor sobre as hostes malignas, lhe dando o poderio sobre tudo e todos, “… E o que vivo e fui morto, mas eis aqui estou vivo para todo o sempre. Amém. E tenho as chaves da morte e do inferno”. Isso também significa ser o primeiro e o último, como veremos com mais detalhes nos comentários que se seguem. Aqui também temos uma revelação valiosa, pois se atentarmos para a palavra do verso 17, descobrimos que o Senhor tranquiliza João diante da visão deixando explícito ser dele o poder de abrir e fechar, e, portanto, demonstrando que ele tem a primazia. A nenhum outro homem será jamais dada tal autoridade, pois há apenas um mediador entre Deus e os homens: Jesus, o primeiro e o último, ninguém mais.

Há outra palavra interessante que o Senhor nos deixa de uma forma positiva neste contexto, e João a registrou como segue: “Eu sou a Raiz e a Geração de Davi”, Apoc 22:16. Poderia haver algo mais definitivo? As Escrituras provam que a pessoa a direita do Pai é de fato Jesus de Nazaré, que tinha morrido e que era um descendente do rei Davi, que ele não poderia ter sido pré-existente se sua raiz começava em Davi. E quando Miquéias 5: 2 diz do Messias: “Ó Belém …, de ti sairá [o Messias]”, só pode significar que, na sua existência única e terrena, ele se originou em Belém!

Detalhes importantes também encontramos nas palavras de Lucas em 1:32, e que podem causar danos irreparáveis para a doutrina da pré-existência do Messias como o “Filho eterno”, ou mesmo, “Deus Filho”. Observe que a pessoa a nascer de Maria era o Messias prometido, e era para ser chamado Filho do Altíssimo, e que Ele estava para reinar sobre o trono de seu pai, Davi: ”Ele será grande e será chamado Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi“. Esse versículo mostra que Jesus de Nazaré passaria a ser chamado Filho do Altíssimo. Se Jesus tivesse sido o “Filho eterno”, ou “Deus Filho”, a natureza profética desta passagem estaria totalmente destruída.

Na verdade, o contexto que fala de Jesus como o “primeiro e o último”, mostra ele sendo levantado para a vida eterna pelo Senhor Deus e Pai. Assim, ele é chamado de o “primogênito dos mortos” (Colossenses 1:18). De qualquer maneira, parece haver aqui uma conexão entre suas declarações que ele se tornou morto e agora está vivo para todo o sempre.

Um detalhe importantíssimo que deve ser observado é porque as palavras “Eu sou o primeiro e o último” são seguidas pela sentença “Que foi morto e reviveu”. A adição feita por Jesus completa o sentido da mensagem transmitida. Nos dois versículos inspirados Jesus declara ser ele o primeiro e o último, mas acrescenta porque: que foi morto e reviveu.

Jesus não está dizendo que ele é preexistente quando usa a sentença nas duas passagens, e muito menos declara ter sido ele o criador. Também não devemos entender o primeiro e o último aplicados a Jesus em Apocalipse da mesma maneira que foi contextualizado por Isaías, quando declara sobre Deus em em 44:6, 8: “Eu sou o primeiro, e eu sou o último, e fora de mim não há Deus… Eu não conheço nenhum”.

O profeta reforça nestas expressões o domínio do Deus Todo-Poderoso, o “primeiro e último” em força (divindade), apresentando o Pai como a fonte de todo o poder, algo que os falsos deuses das nações não podem reclamar.

Compare com os textos que seguem: “Por isso hoje saberás, e refletirás no teu coração, que só o Senhor é Deus, em cima no céu e em baixo na terra; nenhum outro há”, Deuteronômio 4:39.

Vós sois as minhas testemunhas, diz o Senhor, e meu servo, a quem escolhi; para que o saibais, e me creiais, e entendais que eu sou o mesmo, e que antes de mim deus nenhum se formou, e depois de mim nenhum haverá”, Isaías 43:10.

Em ambos os casos em que os termos “primeiro” e “último” são usados sobre Jesus, também sua morte e vida eterna são mencionados no contexto, Ap 1:17, 18 e 2:8. Jesus foi o primeiro a quem Deus deu à luz diretamente da morte por meio de seu Espírito Santo para nunca mais morrer de novo, Atos 2:24, 32, 26; 3:15; 4:10; 10:40; 13:30, 33, 37; 17:31; Romanos 4:24; 8:11; 10: 9; 1 Coríntios 6: 14; 15:15; Gálatas 1: 1; Colossenses 2:11, 12; 1 Tessalonicenses 1:9, 10; 1 Pedro 1:21; 3:18.

Todos os cristãos, que estiverem nos túmulos, Deus os trará a vida por meio de Jesus no ultimo dia: João 5:21, 22, 25, 27,28, 29; 6:39, 40, 44,54; 11:24; Atos 10:42; 17:31; Romanos 2:16, o que faz do Senhor Jesus o primeiro, ou seja, o primogênito de entre os mortos, sendo que nunca haverá outro que será o primogênito dentre os mortais, Col 1:18; Ap 1:5. Paulo diz em 1 Coríntios 15:20 que Cristo “foi feito as primícias dos que dormem”. Com efeito, uma vez que, no contexto, Jesus descreve a si mesmo como o primogênito dos mortos, podemos fazer aqui um paralelo como sendo ele “o primeiro e o último”, que após sua exaltação, reconciliou, justificou e salvou. Desta forma Jesus é designado como primeiro e ultimo, o que faz uma distinta aplicação nos termos para ele em relação ao Deus Todo-Poderoso. Ele é chamado de primeiro e ultimo, não porque ele é o Pai, mas, no contexto sempre tem a ver com sua morte e ressurreição, em oposição à nunca ter um começo e nem fim, sendo eterno passado e futuro eterno.

Deus não pode ser o primogênito dentre os mortos porque ele simplesmente não pode morrer, não pode ser trazido de volta à vida novamente depois da morte porque ele é imortal. Por outro lado o Senhor Jesus disse: “Eu estive morto”. Jesus não disse que apenas uma parte dele morreu. Apocalipse 1: 17,18 atesta: ”… Eu sou o primeiro e o último; E o que vivo e fui morto”, o que pode ser extremamente embaraçoso para a ortodoxia tradicional a qual propõe que Jesus sempre esteve na condição de eterno enquanto estava no túmulo. Se Jesus não morreu realmente na cruz então seu sacrifício foi uma farsa e nós permanecemos no nosso pecado, o que faz do Espírito Santo um mentiroso, pois ele inspirou Paulo a registrar que nosso velho homem foi com Cristo crucificado e morto (Romanos 6:6-8). O corpo de Cristo é aquele em que nos é dado a vida, ele é o início e o fim da nova criação nos decretos de Deus.

E aqui temos a principal evidência de que a adulteração de Apocalipse 1:10-13 na King James, acrescentando as palavras “Eu sou o Alfa e o Ômega, o primeiro e o último”, não é ilusão ou engano, mas um fato.

Como foi visto anteriormente, os dois textos inspirados em discussão neste tópico, imediatamente após a expressão “primeiro e último”, são acompanhados das palavras “e o que vivo e fui morto, mas eis aqui estou vivo para todo o sempre” (Ap 1:18) e, “que foi morto, e reviveu” (Ap 2:8). Essa composição contextual nos deixa um tesouro de valor inestimável, que é a revelação do porque o Senhor Jesus foi chamado de primeiro e último.Primeiro e último neste contexto está ligado a sua morte, ressurreição e exaltação

Vamos observar que a passagem adulterada não nos possibilita visualizar a intenção de todo o contexto circundante, mas tenta transformar Jesus no Deus Todo Poderoso apenas para satisfazer interesses trinitários e ortodoxos, furtando o real significado de sua conquista sobre a morte que culmina na sua ressurreição, exaltação e glorificação. Assim, o contexto inspirado nos permite aplicar os termos primeiro e último em referência à vida incessante que ele recebeu depois de ter sido o primeiro ressuscitado, obtendo exclusividade como herdeiro e salvador do mundo. Por isso quando o Senhor Jesus foi levantado da morte para a glória, Ele foi o início de uma nova criação – Apocalipse 3:14, “E ao anjo da igreja que está em Laodicéia escreve: Isto diz o Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de Deus”. Colossenses 1:15 diz que ele “é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação“ (Veja o artigo sobre Colossenses 1:16-19 clicando aqui: TUDO foi criado por Ele).

Cristo é o primeiro e o último, porque ele é o Autor e Consumador da fé, A Pedra angular, o homem por quem Deus julgará o mundo, e criador das novas eras vindouras (ver Heb. 1:10). Nele consiste Colossenses 1:17, “Ele é antes(superior a) de todas as coisas, e nele tudo subsiste”. Então, ele é o começo e o fim da nova criação de Deus, pois ele consumou a obra de redenção tendo completado tudo a nosso favor, nos fazendo assentar nos lugares celestiais, transferindo-nos do reino das trevas para o reino da luz (Ef 2:6; Col 1:13). A ele foi concedida uma imortalidade interminável e o poder de dar vida à humanidade pelo próprio doador da vida e sustentador, que é o Pai. Seu corpo foi levantado do túmulo para sempre, e, literalmente, o seu “outro” corpo, que é o de cristãos, também se levantará (1 Cor. 12:27 compare com Ef 2:6).

A Deus toda Glória

Ele foi semelhante a nós

Observamos em todos os relatos sobre Jesus de Nazaré que Ele suportou todas as consequências da queda. Podemos ver semelhanças entre ele e Adão quando foi tentado, o que ensina que ele podia ter uma tendência irresistível para o pecado, embora saibamos que ele não os cometeu.

Também observamos em Cristo outras características inerentes aos seres humanos, que são: sofrimento e morte física. Assim, Cristo claramente exibiu características que pertencem à humanidade caída. Poderíamos, então, chamá-lo caído? Acredito que não, embora seja necessário fazer aqui algumas perguntas: Foi Ele inerentemente caído? Ou seja, eram: tentações, sofrimentos, corrupção e mortalidade enraizadas em sua natureza humana ou era ele livre dessas consequências da queda, mas voluntariamente Ele assumiu algumas dessas consequências, chamando-as de paixões inocentes? São tais paixões elementos essenciais da humanidade de  Cristo que teve que assumi-las, necessariamente, a fim de ser plenamente humano ou  Ele exerceu um controle oculto ( negado aos outros humanos )  divino sobre elas?

Obviamente a resposta é não, pois o Senhor Jesus foi plenamente humano, trazendo todas as características dos nascidos de parto normal, o que Paulo claramente declarou em Gálatas 4:4,

Mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei”.

Ou nós enfrentamos o significado real da humanidade de Cristo como “a semente de Abraão” (Heb 2:16) e “a semente de Davi” (Rom. 1:03), ou desistimos do debate deixando a tarefa para outros. Por quê? Pelo fato de haver questões importantes a serem respondidas, como por exemplo: Será que Jesus realmente nos entende? Ou, se colocamos de outra forma, poderia ele ter sido um ser celestial remoto que tinha uma vantagem sobre nós? Foi Ele realmente tentado em todos os pontos como nós somos? Ele pode realmente ser um sumo sacerdote perfeito? Se a discussão sobre a cristologia deve mesmo frutificar e construir nossa fé, então não podemos escapar a realidade das Escrituras.

Não é de admirar que hoje possamos encontrar uma multidão de cristãos protestantes, sem contar àqueles pertencentes ao catolicismo, crendo que a manifestação de Jesus ao mundo foi uma teofania de Deus habitando no Jesus que era meio homem e meio Deus, sendo que Deus ficava na outra metade, literalmente. Ou seja, Jesus tinha um corpo especial e divino por que Deus habitava nesse corpo. Com isso, sem que percebam, sugerem muito timidamente que Jesus não podia ter um corpo como o nosso, já que era Deus. Na verdade, o que muitos tentam dizer, mas não fazem de forma aberta,  é que Jesus era   um DEUS. Isso significa negar que ele veio em carne. O Apóstolo Paulo não conhecia Jesus dessa forma,

Hebreus 2:14 diz, “Portanto, visto como os filhos participam da carne e do sangue, também ele participou das mesmas coisas, para que por sua morte destruísse aquele que tinha o poder da morte, isto é, o diabo”.

Ele deve ser semelhante a nós em todos os sentidos, exceto para o pecado.

Hebreus 2:17 ensina: “Por isso, em todas as coisas que convinha que ele fosse feito semelhante a seus irmãos, que ele poderia ser um sumo sacerdote misericordioso e fiel nas coisas concernentes a Deus, para fazer reconciliação para os pecados do povo”. Se ele seria o nosso grande Sumo Sacerdote, ele foi tirado de entre nós e foi identificado com a gente, portanto, ele não tomou sobre si a natureza dos anjos, mas a natureza humana do homem. Hebreus 2:16 Porque em verdade ele não tomou sobre ele a natureza dos anjos, mas ele tomou sobre si a semente de Abraão.

O contrário dessa realidade é uma das maiores tragédias do pensamento cristão, que tira do Senhor Jesus Cristo respeito e exaltação, que eram devidos a ele por causa da sua vitória sobre o pecado, através do desenvolvimento de um caráter perfeito. A doutrina amplamente sustentada da “trindade” faz de Jesus o próprio Deus. Visto que Deus não pode ser tentado (Tiago 1:13) e não tem possibilidade de pecar, isto significa que Cristo realmente não teve que lutar contra o pecado. Assim, sua vida na terra teria sido uma simulação, experimentando a existência humana, mas sem um sentimento real do dilema espiritual e físico da raça humana, visto que pessoalmente ele não seria afetado por isto.

Há quem tenha sugerido que durante a sua vida, a natureza de Cristo foi como a de Adão antes da queda. À parte da falta de evidência bíblica para esta visão, ela falha em considerar que Adão foi criado por Deus do pó, enquanto Jesus foi “criado” através da geração de Deus no útero de Maria. Assim, embora Jesus não tivesse um pai humano, ele foi concebido e nasceu como nós em relação a tudo o mais. Muitas pessoas não podem aceitar que um homem com a nossa natureza pecadora pudesse ter um caráter perfeito. Este fato é um obstáculo a real fé em Cristo.

Não é fácil acreditar que Jesus era da nossa natureza, mas não tinha pecado no seu caráter e sempre venceu suas tentações. Para chegar a um entendimento e fé firmes no Cristo verdadeiro é preciso muita reflexão sobre os relatos do Evangelho acerca da sua vida perfeita, associada a muitas passagens bíblicas que negam que ele era Deus. É muito mais fácil supor que ele era o próprio Deus, e por isso, automaticamente perfeito, embora esta visão reduza a grandeza da vitória que Jesus conquistou contra o pecado e a natureza humana.

Paulo diz que ele foi feito “… à semelhança de homens…” em Filipenses 2:7. Ele era um homem e todos os homens são do mesmo tipo de carne. 1 Coríntios 15:39 Nem toda carne é a mesma carne: mas há um tipo de carne dos homens, outra a carne dos animais, outra de peixes, e outra de aves. João afirma que Jesus veio como um ser humano em I João 4:2, 3,

Nisto reconheceis o Espírito de Deus: todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus; e todo espírito que não confessa a Jesus não procede de Deus; pelo contrário, este é o espírito do anticristo, a respeito do qual tendes ouvido que vem e, presentemente, já está no mundo”.

Aqui a carne não deve ser tomada exclusivamente por uma parte do homem, mas para toda a natureza humana, incluindo a alma com a carne. A palavra carne neste versículo significa “natureza humana em sua totalidade, como consistindo em um verdadeiro corpo e uma alma racional”. Carne aqui descreve o homem como um todo, como ele é composto de corpo e alma, como um ser terreno, em oposição a Deus. Carne aqui não significa uma parte do corpo, nem todo o corpo apenas, mas toda a natureza humana, consistindo em um verdadeiro corpo e uma alma racional. Foi uma verdadeira natureza humana, e não um fantasma, ou a aparência. As palavras de João ficam melhor entendidas se vistas pela tradução da BLH, que atesta, 

É assim que vocês poderão saber se, de fato, o espírito é de Deus: quem afirma que Jesus Cristo veio como um ser humano tem o Espírito que vem de Deus. Mas quem nega isso a respeito de Jesus não tem o Espírito de Deus; o que ele tem é o espírito do Inimigo de Cristo. Vocês ouviram dizer que esse espírito viria, e agora ele já está no mundo”, 1 João 4:2, 3·.

Ele não trouxe qualquer elemento divino, transcendente – um corpo angelical endeusado quero dizer. A Ele foi dado a sua verdadeira natureza humana no ventre de Maria.

Ele é chamado o fruto do ventre. Lucas 1:42 E exclamou em alta voz, e disse: Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre.

Ele nasceu da mesma forma que todas as crianças nascem. Salmo 22:9-10 Mas tu és o que me tiraste do ventre; fizeste-me confiar, estando aos seios de minha mãe. Sobre ti fui lançado desde a madre; tu és o meu Deus desde o ventre de minha mãe. Ele se desenvolveu em estatura como qualquer outra criança e jovem. Lucas 2:52 E Jesus crescia em sabedoria, estatura e graça diante de Deus e do homem. Ele assumiu a semelhança de carne pecaminosa, mas não o pecado da natureza carnal. Romanos 8:3 “… Deus, enviando o seu Filho em semelhança da carne do pecado, pelo pecado condenou o pecado na carne”. Para ele assumir os nossos pecados, Deus tinha que fazê-lo com um corpo semelhante ao nosso: 2 Coríntios 5:21 Pois ele o fez pecado por nós, que não conheceu pecado, para que pudéssemos ser feitos justiça de Deus nele.

Ele tinha natureza humana, ele compartilhou cada uma das nossas tendências pecaminosas (Hb. 4:15), no entanto, ele as venceu pela sua obediência aos caminhos de Deus e busca da Sua ajuda para vencer o pecado. Isto Deus deu de boa-vontade, ao ponto de “Deus estar em Cristo, reconciliando consigo o mundo” (2 Co. 5:19).

Como as pessoas viam Jesus?

Jesus levou uma vida humana normal, tão humana e normal, que as pessoas de Nazaré que o conheciam melhor ficaram surpresas com o fato de conseguir ensinar com autoridade e realizar milagres. Eles o conheciam. Jesus era um deles. Jesus era “o filho do carpinteiro” (Mat 13:55), e ele próprio era “carpinteiro” (Mc 6.3), tão comum que perguntaram: “Donde lhe vem, pois tudo isso?” (Mat 13.55). E João nos diz que: “… nem mesmo seus irmãos criam nele” (Jo 7.5). Seus irmãos eram judeus, crentes no Deus de Abraão, Isaque e Jacó… Por que eram incrédulos em Jesus se ele era Deus?

Mateus registra um incidente curioso, e que pode nos trazer alguma luz para esse assunto. Ainda que Jesus tivesse ensinado por toda a Galileia, “curando toda sorte de doenças e enfermidades entre o povo”, de modo que “numerosas multidões o seguiam” (Mt 4.23-25), quando chegou à própria cidade de Nazaré, o povo que o conhecia havia muitos anos não o recebeu como Deus, pois ali ele nem conseguiu fazer muitos milagres..

Dizem as Escrituras que Jesus, chegando à sua terra, ensinava-os na sinagoga, de tal sorte que se maravilhavam e diziam: “Donde lhe vêm esta sabedoria e estes poderes miraculosos? Não é este o filho do carpinteiro? Não se chama sua mãe Maria, e seus irmãos, Tiago, José, Simão e Judas? Não vivem entre nós todas as suas irmãs? Donde lhe vem, pois, tudo isto? E escandalizavam-se nele. [ …] E não fez ali muitos milagres, por causa da incredulidade deles” (Mt 13.53-58).

Essa passagem indica que aqueles que mais conheciam Jesus, os vizinhos com quem vivera e trabalhara por trinta anos, consideravam-no não mais que homem – certamente não o viam como o próprio Deus encarnado. Os que viveram e trabalharam com ele por trinta anos, mesmo os irmãos que cresceram na casa dele, não percebiam que era um tanto superior a outros seres humanos muito bons. Ao que parece, também não perceberam que fosse Deus vindo em carne.

Afinal de contas, se Maria e os próprios irmãos do Senhor tivessem sido ensinados, e,  cressem piamente e teologicamente que Jesus era o próprio Deus em pessoa, por que então saíram para prendê-lo acreditando que estivesse fora de si? Quem trataria Deus dessa forma? Por favor, leiam Marcos 3:20-35.

Parece inacreditável, mas é verdade!

Meu Senhor e meu Deus!

Quando o Senhor Jesus ressuscitou e apareceu aos seus discípulos pela primeira vez Tomé não estava entre eles (João 20,19-24). Alguns dias depois os discípulos lhe disseram que tinham visto o mestre. Tomé falou que não acreditaria  a menos que ele também o visse   (v. 25).

Uma semana depois Jesus lhes apareceu novamente, Tomé estava presente. Jesus, então, mostrou as marcas dos cravos para Tomé, conversou com ele sobre a sua incredulidade e Tomé respondeu: “Meu Senhor e meu Deus” (João 20.28).

Os cristãos acreditam que, fazendo esta confissão, Tomé chamou Jesus de “Deus”. E quase todos estudiosos do  Novo Testamento concordam  que esta é a mais forte evidência bíblica de que Jesus era, e é, o próprio Deus em pessoa. No entanto, ao examinarmos as interpretações da cristologia ortodoxa com relação a confissão de Tomé, descobriremos que a maior parte delas não suporta o peso contextual de toda Escritura, principalmente o contexto principal, aquele que é apresentado por João em todo seu Evangelho.

Não vou citar aqui as muitas  críticas oriundas de renomados escritores cristãos que apresentam duvidas sobre a autenticidade das palavras de Tome. Acreditem ou não, mas os que afirmam que estas palavras foram um acréscimo posterior não são poucos.

Se aceitamos que o monoteísta Tomé realmente disse que Jesus era o Deus todo poderoso, o que ele quis dizer? Nenhum outro personagem no Novo Testamento chama Jesus de “Deus”.  Além disso, João registra duas outras ocasiões em que os antagonistas de Jesus acusaram-no de fazer-se Deus, mas  em  ambas as vezes ele negou-o (João 5:18-47; 10:30-37).

Uma multidão de cristãos tem interpretado muito mau a passagem em questão. A alegação de que Tomé chamou Jesus de “Meu Deus” ignora todo o contexto desse Evangelho, os quais desbloqueiam o verdadeiro significado da confissão do discípulo. Por exemplo, João registra que Jesus apareceu ressuscitado a Maria Madalena uma semana antes deste incidente com Tomé. Ele lhe disse: “vai para meus irmãos, e dize-lhes: ‘Subo para meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus” (João 20.17). Então, Jesus ressuscitado chamou o Pai “meu Deus”. Mas como pode Jesus ser Deus se ele tem um Deus?

Jesus enfatiza na crença de Tomé “que o Cristo estava realmente vivo” (e, portanto, o Cristo ressuscitado, o Filho de Deus),  e ainda assim nada diz  sobre a declaração anterior do discípulo, quando lhe responde: “Porque você me viu, você creu. Bem-aventurados os que não viram e creram “( João 20:29 ). Jesus  confirma quem é,  que ele estava definitivamente vivo, sendo, portanto, o Cristo ressuscitado, o Filho de Deus. E qual a crença de Tomé  que Jesus considerou importante? João responde apenas a alguns versículos depois,

Jesus, pois, operou também em presença de seus discípulos muitos outros sinais, que não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus…” (João 20,30-31 ). Esta declaração seria anti-clímax  seguida à confissão de Tomé se ele aí chamou Jesus de “meu Deus” porque Jesus era realmente e literalmente o Deus de Abraão. João quebrou a sequência? O que houve depois de tão grande declaração? Ou seja, seria de muito maior relevância se João mantivesse a proclamação majestática encerrando seu Evangelho em uníssono à declaração de Tomé do que continuar com a sentença  de que Ele é o Filho de Deus.

Os críticos argumentam que se existe um só um Deus, que era um legado do monoteísmo judaico, sendo que os judeus disso sabiam muito bem, e por varias ocasiões Jesus e Paulo alegaram que há um só  Deus (Mat 19:17; Mar 12:30-32; Rom 3:30; 1Co 8:4; 1Co 8:4 e 6; 1Co 8:6; Gal 3:20; Efe 4:6; 1Ti 2:5; Tiago 2:19), então temos que nos perguntar porque  Tomé  chamou Jesus de Deus.

No evangelho de Mateus, Jesus perguntou aos seus discípulos o que o povo dizia sobre si. Ele obteve diversas respostas: Uns diziam que ele era Elias, Jeremias, João Batista e etc. Em seguida Jesus pergunta aos seus discípulos – obviamente Tomé também ali estava – quem eles diziam ser o Cristo. Somente Pedro antecipou-se, e todos sabemos o que ele disse, e certamente ele não chamou Jesus de Deus. Nem mesmo Tomé disse algo parecido. Portanto, por que agora este discípulo diz que Jesus era Deus? Certamente há uma resposta convincente, e ela  pode ser encontrada numa conversa registrada por João entre  Jesus e seus discípulos…

João registra  em  14:1-3, que dez dias antes do episódio  com Tomé,  durante a Última Ceia, Jesus divulgou aos onze  que Ele estava prestes a partir deste mundo e ascender ao Pai no céu. Curiosamente, ele começa esse discurso trocando “Deus” por  “Meu Pai” nos  vv. 1-2; cf. João  13:3. Observe aqui  no contexto que Jesus  no meio do discurso é interrompido por Tomé, seguindo adiante respondendo sua pergunta,

4  Mesmo vós sabeis para onde vou, e conheceis o caminho.

5  Disse-lhe Tomé: Senhor, nós não sabemos para onde vais; e como podemos saber o caminho?

6  Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim.

7  Se vós me conhecêsseis a mim, também conheceríeis a meu Pai; e já desde agora o conheceis, e o tendes visto.

8  Disse-lhe Filipe: Senhor, mostra-nos o Pai, o que nos basta.

9 Disse-lhe Jesus: Estou há tanto tempo convosco, e não me tendes conhecido, Filipe? Quem me vê a mim vê o Pai; e como dizes tu: Mostra-nos o Pai?

10 Não crês tu que eu estou no Pai, e que o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo não as digo de mim mesmo, mas o Pai, que está em mim, é quem faz as obras.

11  Crede-me que estou no Pai, e o Pai em mim; crede-me, ao menos, por causa das mesmas obras. 

Neste diálogo  em João 14, as palavras críticas para  a cristologia estão  nos vv. 7 – 11. Aqui está a chave  para desvendar a verdadeira compreensão das palavras de Tomé  “meu Deus” em João 20:28. Ali nós encontramos o que  Jesus disse mais cedo para Tomé (v.7) “Se vós me conhecêsseis a mim, também conheceríeis a meu Pai; e já desde agora o conheceis, e o tendes visto“.

E Jesus reafirma mais precisamente no versículo 9: “Quem me vê a mim, vê o Pai“. O que Jesus primeiro aborda em João 14.7, sobre ver o Pai, Ele declara mais explicitamente no versículo 9. Mas Ele explica claramente nos vv. 10-11: “o Pai está em Mim“, e, novamente, “Eu estou no Pai e o Pai está em mim” . Assim, Jesus não quer dizer em João 14:7 e o v. 9 que, literalmente, ver Ele é, literalmente, ver o pai. Ainda que, aparentemente, é o que Filipe  pensou que Jesus queria dizer. Por isso Tomé  pediu logo: “mostra-nos o Pai” (v. 8). Ele não estava entendendo…

Os que lêem João,  não devem  cometer este erro. Para  João “Nenhum homem tem visto a Deus a qualquer momento“(João 1:18). E o Jesus joanino  disse: “Não que algum homem tenha visto o Pai “(João  6:4).

Estas declarações afirmam o contexto fundamental visto no Velho Testamento, quando ensina que  Deus é invisível para os seres humanos mortais. Se,  literalmente,  eles vissem  Deus teriam morte instantânea. Então, Jesus deve ter tido a intenção de que as suas palavras no v. 7 e v. 9, acerca de ver o Pai, pudessem ser entendidas de forma mística. Ou seja, para ver e conhecer Jesus relacionalmente era espiritualmente ver e conhecer o Pai, que é Deus, porque Deus estava em Cristo.

O que Jesus disse a seguir para Tomé e Felipe  é bastante esclarecedor. Ele disse: ” Crede-me que estou no Pai, e o Pai em mim; crede-me, ao menos, por causa das mesmas obras “(v. 11). O que Jesus quer dizer aqui pode ser parafraseado: “Acreditem no que digo, as obras que faço testemunham que o que estou dizendo é verdade, que eu estou  no Pai e o Pai está em mim”.

Este ensinamento de Jesus em João 14,7-11, de ver o Pai em Jesus deve ter causado  em Tomé  uma  forte impressão. Ele certamente recordou  de tudo o que tinha ouvido aqui dez dias depois, quando  viu Jesus ressuscitado. A confissão de Tomé,  portanto, indica  mais do que um mero reconhecimento de que Deus ressuscitou Jesus de entre os mortos. Em vez disso, as palavras de Tomé, “meu Deus”, também indicam que este apóstolo, o qual  anteriormente duvidava,  agora entende o que Jesus havia ensinado  dez dias antes,  que Deus o Pai habita  em Jesus, e, portanto, completamente permeia a vida do Filho. Assim, o Pai é visto espiritualmente, isto é, compreendido  em Jesus Cristo. Então, as palavras de Tomé, “meu Deus”, enquanto dirigidas a Jesus, representam uma resposta de fé à  Deus que se revelou a Tomé  em Jesus ressuscitado. Tomé,  acreditando agora novamente, recorda estas palavras em sua própria mente, que realmente o Pai, o Deus de Tomé, está em Cristo. Por isso ele grita de alegria, ho Kurios mou kai ho theos mou [meu Senhor e meu Deus].  As palavras de Tomé,  “meu Deus”,  significam  que ele agora espiritualmente vê e reconhece Deus, o Pai, como habitando em Jesus, que é uma interpretação espiritual. Em contraste, a visão tradicional das palavras de Tomé  é uma interpretação literal, que repete o erro comum de não compreender “o evangelho espiritual” e o Jesus joanino.

O mérito desta interpretação, “Deus-em-Cristo”,  mediante a confissão de Tomé,  é baseado em um outro princípio hermenêutico importante e simples: deixar a Escritura interpretar a Escritura. Mais precisamente, esta interpretação tem a ver com o que  em  Deus é dado a conhecer,  pode ser visto em Cristo. Deus estar plenamente em Cristo, não Cristo sendo literalmente  Deus, é o que dá significado a Jesus Cristo. Assim, quando o filho é conhecido por estar atuando como agente do pai, é como  o pai está realmente presente CONOSCO, por isso é Deus conosco.

Este, sem dúvida, foi um momento muito emocionante  para Tomé, e certamente não foi uma tentativa de sua parte para oferecer  uma teologia avançada. O fato de que ele diz “Meu Senhor e Meu Deus” parece adequado ao seu estado emocional em que ele aceita Jesus como quem ressuscitou, sendo ele  “o Senhor” e “Deus”. Seu  monoteísmo judaico o  proíbe de concluir o pensamento de ser Jesus o Senhor Todo-Poderoso em pessoa, é óbvio. Ele não poderia ter fundido Jesus, o filho do Altíssimo e o Altíssimo em um ser. Jesus tinha sido o Mestre para Tomé o tempo todo, mas agora,  acreditando em  sua ressurreição, ele exulta diante da cena  maravilhosamente assustadora e clama cheio de emoção, “Meu Senhor e meu Deus”, entendendo que Deus estava em Cristo, não que Cristo era o Deus todo poderoso.

Jesus havia falado  a mesma coisa algum  tempo  antes. Ele disse: “Eu e o Pai somos um” (João 10.30). Seus oponentes judeus entenderam mal e estavam prestes a apedrejá-lo por dizer isso. Acusaram-no de “blasfêmia”, dizendo: “Você, sendo um homem, te fazes Deus a ti mesmo.” (v. 33).  A afirmação é falsa, e Jesus negou que ele era Deus, afirmando repetidamente que ele foi enviado por Deus, não podia fazer nada de si mesmo, tudo o que tinha foi dado a ele por Deus, e que ele era o Filho, não o Pai. É isso que ele afirma no fim da conversa dentro de uma pergunta aos judeus sobre a ameaça de apedrejamento no verso 36. Os judeus lhe disseram  que ele blasfemava se fazendo Deus, mas Jesus refuta-os transferindo a suposta blasfêmia por outro motivo. Acompanhe a leitura,

31 Eu e o Pai somos um.

31 Os judeus pegaram então outra vez em pedras para o apedrejar.

32 Respondeu-lhes Jesus: Tenho-vos mostrado muitas obras boas procedentes de meu Pai; por qual destas obras me apedrejais?

33 Os judeus responderam, dizendo-lhe: Não te apedrejamos por alguma obra boa, mas pela blasfêmia; porque, sendo tu homem, te fazes Deus a ti mesmo.

34 Respondeu-lhes Jesus: Não está escrito na vossa lei: Eu disse: Sois deuses?

35 Pois, se a lei chamou deuses àqueles a quem a palavra de Deus foi dirigida (e a Escritura não pode ser anulada),

36 «quele a quem o Pai santificou, e enviou ao mundo, vós dizeis: Blasfemas, porque disse: Sou Filho de Deus?

O que Jesus esta tentando explicar aos judeus é que quando fez a afirmação de “ser um com o Pai”, ele apenas queria que eles entendessem ser ele o  Messias prometido. Jesus claramente diz  que ele foi enviado por Deus, seu Pai, Senhor, e que ele era o Filho de Deus – não Deus Todo-Poderoso. Em seguida,  Jesus  explica o porque das palavras “eu e o Pai somos um”.  Ele esclarece esta unidade como “o Pai está em mim e eu no Pai” (v. 38).

Portanto, o conceito cristão de que nas palavras de Jesus em João 14.9 “Quem me vê a mim, vê o Pai“, ele está afirmando que é literalmente Deus,  é falso.  Basta observar o que ele também disse em outra ocasião para que possamos entender exatamente o contexto em estudo. Quando ele participou de uma festa em Jerusalém, “Jesus clamou, e disse: Quem crê em mim, crê, não em mim, mas naquele que me enviou. E quem me vê a mim, vê aquele que me enviou”, João 12,44-45. Mais uma vez, Jesus estava falando de Deus Pai. Na verdade, o Pai enviando o Filho é o tema mais importante no Evangelho de João, que ocorre 40 vezes.

Esta morada de Deus em Cristo, e Deus enviar Cristo reflete um conceito interessante. Na antiguidade, especialmente no mundo dos negócios e entre os judeus, o  principal seria escolher alguém para representá-lo como seu agente. Era de conhecimento geral que o filho de um homem geralmente prova ser o melhor candidato como seu agente. Assim, com o filho como agente, lidar com o filho de um homem era semelhante a lidar com o próprio homem, como se o pai estivesse  em seu filho.

Jesus ensinou esse conceito de agência de várias maneiras sobre ele e Deus seu Pai. Jesus disse muitas vezes que o Pai lhe havia dado suas palavras e obras (João 12:49; 14:10, 24; 17:8). E ele disse sobre o Pai: “A minha doutrina não é minha, mas daquele que me enviou. Se alguém está disposto a fazer a sua vontade, ele vai saber se o que eu falo é de Deus ou se eu falo de mim mesmo “(7:16-17). Note que ele distingue-se de Deus, isto é, o Pai. Em outra ocasião Jesus disse: “Eu vim em nome de meu Pai“, e ele, em seguida, chamou o Pai “o único Deus” (João 5:43-44). Isto é semelhante ao que o Jesus  orou ao Pai, dizendo: “Esta é a vida eterna: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste” (João 17:3).

O Evangelho de João é o único que mais enfatiza Jesus como o agente de Deus para seus negócios entre os homens, e é suficiente para evitar o que a ortodoxia cristã tem feito: interpretar equivocadamente vários textos joaninos em que Jesus é erroneamente identificado como Deus,  ou que  dizia ser Deus. Uma lástima que muitos ainda não perceberam que como agente supremo de Deus, o Jesus joanino funcionava como Deus sem realmente ser Deus.

O apóstolo Tomé era um judeu que provavelmente jamais abandonou  seu ensino de que há somente um “único Deus verdadeiro”.  Argumentar que ele deixou a sua formação religiosa judaica no momento em questão, e recebeu Jesus como  Deus literalmente é um cenário improvável. João,  envelhecido e sereno ao escrever seu Evangelho, resume todo este capítulo dizendo: “Jesus é o Cristo, o filho de Deus.” Isso é uma declaração clara do  que ele queria que nós acreditássemos e é isso que Tomé acreditava também.

Esta interpretação de Deus-em-Cristo dentro do contexto de Tomé ,  se encaixa muito bem com o propósito declarado de João, pois  a ideia de que Deus habita em Jesus coincide com Jesus é o Cristo,  o Filho de Deus. Na verdade, a filiação de Jesus serve como uma explicação das palavras de Tomé, “meu Deus.” Isto é, Deus habita plenamente em Jesus porque Jesus é o agente sem precedentes de Deus, sendo o Seu Filho.

Conclusão

Em conclusão, a interpretação tradicional da Confissão de Tomé  em João 20:28 é incompatível com os seguintes elementos contextuais,

(1) Descrição de Jesus quanto ao Pai como “o único Deus verdadeiro” (Jo 17:3),

(2) Jesus dizendo a Maria Madalena que o Pai é “Meu Deus e vosso Deus” (Jo 20:17).

(3) O propósito que João declarou para escrever seu evangelho (João  20,30-31).

(4) Quando Tomé expressou suas palavras, “meu Deus“, ele reconheceu o que Jesus havia ensinado antes, em João 14:10-11, que o Pai está n’Ele.

Esta interpretação de Deus-em-Cristo   é superior à interpretação tradicional, porque realiza cinco  coisas importantes:

1. Ele liga-se com a compreensão correta de João  1:1 no prólogo, que a palavra veio em carne, o que reflete perfeitamente o caráter de Deus.

2. Afirma Jesus  como o Revelador de Deus.

3. Isto coincide bem com dois outros temas joaninos importantes, isto é, a subordinação e dependência de Cristo a Deus, ao passo que a interpretação tradicional não faz e  cria um paradoxo problemático com esses temas.

4. É uma interpretação espiritual, o que está de acordo com o evangelho como o “evangelho espiritual”.

5. Talvez o mais importante de tudo, não vai além de quaisquer reivindicações sinópticas sobre a identidade de Jesus, especialmente as  reivindicações de Jesus sobre si mesmo. Está de acordo com tudo o que é dito aqui sobre textos pertinentes cristológicas neste evangelho.

A Deus toda Glória