Publicado em JESUS DE NAZARÉ NA ESCRITURA, PREEXISTÊNCIA DE JESUS CRISTO

“No Princípio era a Palavra” – que princípio?

É  lamentável ver como a nossa envelhecida ortodoxia cristã expôs a introdução do evangelho de João de forma totalmente mística para os cristãos; desenhou fragmentos e pedaços da Escritura por um caminho que parece sem fim, apenas com o objetivo de fazer deste contexto um testemunho forte e imbatível a favor da divindade de Jesus. Porém, o que essa interpretação fornece é uma farsa: o envolvimento dessa passagem bíblica com um Deus Filho preexistente é uma ilusão.

O domínio da interpretação ortodoxa impediu, por muitos séculos, que a verdade mostrasse o caminho correto para nossa cristandade; por esse motivo milhões de cristãos trazem muitas expectativas convencionais quando fazem a leitura do prólogo de João. Ouviram uma história familiar de Deus enviando seu Filho preexistente ao mundo para que as pessoas possam acreditar nele e se tornarem Seus filhos. A fim de sustentar essa leitura, eles filtram bastante o que está no texto, rejeitando a todo custo qualquer interpretação que ameace a quebra do vínculo com o romantismo místico trinitariano dominante. Fazem isso de propósito, tão somente para ocultar  aquilo que não é desejável ser exposto.

Atualmente o público recebe uma ampla gama de representações de João 1:1-3; do puramente literal ao livremente parafraseado. Mas essas traduções representam a intenção do significado original do texto? Eu duvido! Mas acredito piamente que serviu como uma arma nas mãos da ortodoxia cristã para impor as decisões dos credos e concílios pós-bíblicos – isso fez com que o texto se tornasse  amplamente mal compreendido. A abordagem hermenêutica descuidada da interpretação é o culpado comum, pois desviou  o verdadeiro significado do prólogo de  João, convencendo a maioria que, infelizmente e ignorantemente, passou a comparar este texto à criação de Gênesis.

Deus Filho, o fantasma Preexistente

Jesus existiu antes de viver na Terra! Isso é aceito como doutrina essencial – e oficial – à fé cristã. A crença está tão enraizada na nossa cristandade que parece impossível aceitar qualquer alegação contrária. Soma-se a isso a afirmação de que o Messias posteriormente desceu do céu para habitar no corpo gerado no ventre de Maria.

Os docetistas ensinavam que a humanidade de Cristo era apenas uma aparência; havia um fantasma dentro dele por meio do qual Deus tratou com o homem. Pessoas que seguiram o gnosticismo, como Cerinto, um cristão gnóstico, sustentaram que um ser espiritual desceu sobre ‘Jesus’, um homem normal, no batismo no Jordão e permaneceu com ele até pouco antes da paixão. Assim, ele dividiu Jesus e o Cristo (o ungido) e negou que o Cristo tivesse sofrido ou derramado sangue.

Irineu descreve sua doutrina da seguinte maneira: “Aqueles que separaram Jesus de Cristo, alegaram que Cristo permaneceu impassível, que foi Jesus quem sofreu” (Contra Heresias 3: 11: 7) “ … que o Filho do Criador era, em verdade, um, mas o Cristo de cima era outro, que também continuou impassível, descendo sobre Jesus… e voou de volta em Seu Pleroma” (ibid. 3: 11: 1).

A proposta trinitariana transformou em farsa o sacrifício do filho de Deus que morreu por todos os homens – eles estão dizendo que ele apenas ‘meio que morreu’; que parecia humano; que ele poderia ter mudado Seu corpo; que um espírito preexistente assumiu um corpo. Isso é especulação pura. O que eles insinuam é uma aberração. Eles sugerem que Deus amou o mundo de tal maneira que criou um corpo enrugado para viver, que posteriormente morreu, enquanto o verdadeiro ‘Espírito’ olhava à distância.

Ou o Filho de Deus morreu e nós temos a redenção, ou  “o Deus  Filho” não morreu (apenas sua natureza humana!?) e ainda estamos em nossos pecados. Não! A Bíblia diz que fomos reconciliados com Deus pela  morte de seu Filho (Rom 5: 10). Ele morreu mesmo!

Ter um Deus Filho como o Cordeiro, sendo tentado, mas imortal e incapaz de pecar, não funcionaria. Nem seria justo. Ou Jesus é feito como nós ou não é. Deus não falsifica ou mexe com a verdade. O fato é que Ele precisava que a luta fosse justa. Jesus teve que vencer apenas pela fé e pelo poder do Espírito de Deus nele, não por alguns truques divinos. O fato de Jesus ‘deixar de lado sua divindade’ zomba do que foi realizado no Calvário e da vida vivida até aquele evento culminante. Ele era totalmente dependente de Deus – só Deus podia – e salvou Jesus da morte.

O erro dos cristãos pós século II parece que não foi cometido pelos cristãos dos tempos de Jesus; não foi cometido pelos judeus da sua cidade, e muito menos por seus inimigos; eles não viam divindade em Cristo e nem acreditavam ter sido ele preexistente. Ouça o que disseram sobre a procedência do Cristo em João 7:41,42: “Outros diziam: Este é o Cristo; mas diziam outros: vem, pois, o Cristo da Galiléia? Não diz a Escritura que o Cristo vem da descendência de Davi, e de Belém, da aldeia de onde era Davi?”

Em Marcos 3:22 as autoridades dos judeus dizem sobre o Cristo”: “E os escribas, que tinham descido de Jerusalém, diziam: Este tem Belzebu, e pelo príncipe dos demônios expulsa os demônios“. Além disso, eles também alegaram que ele era “um homem comilão e beberrão, amigo dos publicanos e pecadores” (Mateus 11:19). Ninguém faria esse tipo de referência tão humilhante sobre uma criatura divina preexistente.

A reação da família de Jesus com relação a ele em Marcos 3:21; 31-35 é outra evidência. Eles saíram em busca de Jesus  “para o conter, pois achavam que ele estava fora de si“. Se seus familiares tivessem conhecimento da natureza divina de Cristo, de que ele era Deus, por que o teriam considerado como “fora de Si”? Faça sua própria análise.

A Constituição Trinitariana

Ei-la: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez” (João 1:1-3).

A interpretação de João 1:1-5, herdada da nossa ortodoxia cristã, enganou a cristandade do mundo inteiro. Essa visão convenceu os leitores de que a palavra era uma pessoa antes do nascimento de Jesus. E que Jesus participou da criação do Céu e da Terra narrada em Gênesis Capítulo 1.

Mas, o que aconteceria se chegamos ao entendimento de que “palavra” não foi uma pessoa existente ao lado de Deus desde a eternidade? O resultado fatal causaria um estrago imenso:  uma das principais plataformas do sistema tradicional sobre os membros da divindade, seria removida.

Observe que não há menção direta do Filho de Deus até chegarmos ao verso catorze, onde “A palavra se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade”.

O fato de que a palavra se tornou o homem Jesus, o Filho de Deus, não necessariamente ou automaticamente implica que ele foi, literalmente, equivalente a palavra antes do seu nascimento.  O que o texto quer dizer é que a palavra, a autoexpressão de Deus, se manifestou no homem Jesus, seu Filho: aquilo que era anunciado pelas terras de Israel “no princípio” do ministério de Jesus se fez real. Isso explica com muito bom senso o texto de João 1:14, o que também evita as terríveis complexidades nunca resolvidas da doutrina trinitariana. Na verdade, João está falando de um pré-existente Propósito divino, não uma segunda pessoa da divindade. 

A declaração de palavra de Deus encontrou sua substância e realidade, na pessoa do Senhor Jesus Cristo. Antes de sua chegada, foi uma simples palavra ou promessa, mas quando ele se tornou manifesta, tornou-se uma pessoa. A pessoa não existia antes do nascimento do menino Jesus, mas a promessa e sabedoria de Deus sempre existiu. Isso significa dizer que  Jesus também existia nos propósitos de Deus, mas não como uma pessoa

Assim, o argumento do escritor do Quarto Evangelho, sobre o logos tornar-se carne, apresenta a história da renovação de Israel como o fundamento histórico para recuperar a bondade e a autenticidade da existência criada, o que vai muito além de uma narrativa particular. Além disso, observe os tempos de João Batista (vv 6-8) se desenrolando diante da nação de Israel – ele foi o profeta pelo qual o Senhor falou ao seu povo novamente – no princípio – depois de 400 anos de silêncio.

Um novo Princípio

João fala do princípio do ministério de Cristo, ou seja, o tempo em que teve início a pregação da palavra de Deus pelas terras de Israel. É o princípio da Nova Criação.

A tipologia de Gênesis sobre o “princípio”, inserida no verso 1 de João, requer outro princípio para a palavra correspondente de Deus. Esse princípio é o ministério de Jesus. Segue-se que a palavra se tornou carne, ou seja, Cristo veio para ficar no lugar da palavra criadora de Deus. O batismo de Cristo foi acompanhado por uma exibição teofanica com os céus abertos e o Espírito descendo como uma pomba e uma voz declarando Jesus como filho de Deus. O ‘sobre ele’ do Espírito (Mat 3:16; Lucas 3:22) capta o motivo comum de o Espírito estar ‘sobre’ um indivíduo, que por sua vez está associado à palavra de Deus. Observe que João só conheceu a verdadeira identidade de Jesus depois de ter visto a descida da pomba (v. 34), e foi então que ele foi capaz de declarar que Jesus era o preferido antes dele. E note também quando ele diz que não o conhecia, apesar de serem parentes.

Deus profetizou que colocaria suas próprias palavras no Messias, e que ele falaria tudo o que Deus mandasse. As Escrituras apoiam a palavra de Deus vindo às pessoas e habitando nelas. Logo, não faz sentido dizer que um Jesus preexistente se tornou carne. Eu não acredito que a palavra de Deus se tornou carne de ninguém!

Como prova, eu cito Deuteronômio 18:18, que é cumprido em João 1:14: “Do meio de seus irmãos lhes suscitarei um profeta semelhante a ti; e porei as minhas palavras na sua boca, e ele lhes falará tudo o que eu lhe ordenar” (Deut 18:18). E de fato, Jesus falou as palavras de seu Pai, não suas próprias palavras.

Veja os textos:

João 7:15-18 “E os judeus maravilhavam-se, dizendo: Como sabe este letras, não as tendo aprendido? Jesus lhes respondeu, e disse: A minha doutrina não é minha, mas daquele que me enviou. Se alguém quiser fazer a vontade dele, pela mesma doutrina conhecerá se ela é de Deus, ou se eu falo de mim mesmo. Quem fala de si mesmo busca a sua própria glória; mas o que busca a glória daquele que o enviou, esse é verdadeiro, e não há nele injustiça

João 8:28 “Disse-lhes, pois, Jesus: Quando levantardes o Filho do homem, então conhecereis quem eu sou, e que nada faço por mim mesmo; mas falo como meu Pai me ensinou“.

João 12:49,50 “Porque eu não tenho falado de mim mesmo; mas o Pai, que me enviou, ele me deu mandamento sobre o que hei de dizer e sobre o que hei de falar”. E sei que o seu mandamento é a vida eterna. Portanto, o que eu falo, falo-o como o Pai mo tem dito”.

João 14:10,24 “Não crês tu que eu estou no Pai, e que o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo não as digo de mim mesmo, mas o Pai, que está em mim, é quem faz as obras… Quem não me ama não guarda as minhas palavras; ora, a palavra que ouvistes não é minha, mas do Pai que me enviou“.

Você pode resumir todos estes textos – associando João 1:1-5, usando as palavras do escritor aos Hebreus: “De muitas e várias maneiras Deus falou aos nossos pais pelos profetas; mas nestes últimos dias ele falou conosco por Seu filho”… (Heb 1:1-2).

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Tenha em mente ao ler este artigo: O que vemos em João 1:1-5 é um relato poético sobre as boas novas; fala da palavra que passou a ser anunciada no princípio do ministério de Jesus pelas terras de Israel. É o “princípio” de uma nova criação, um novo começo, o início da tão esperada restauração da Era Vindoura (cf. Mateus 19:28, Marcos 10:30, Lucas 22: 28-30, Efésios 1:21).

É claro que uma sugestão como essa vai de encontro aos estilingues da nossa tradição indignada que brada: “então qual é a verdade destes textos, e como ele pode mostrar o caminho?”

É o que nós vamos ver…

Antes de dar início ao estudo, devo dizer que não creio que João, filho de Zebedeu, foi o escritor do evangelho que leva seu nome;  muito provavelmente foi outro João. Mas esta é uma tarefa para ser tratada em artigo posterior.

Se desejar mais informações sobre o assunto, visite o site agrandecidade.com no artigo “O Discípulo Amado não é João”, clicando aqui

O Logos e o Mediador

Logos tem uma ampla gama de significados. Porém, tudo pode ser resumido no significado central que é a mensagem falada, a Palavra. Logos é traduzido nas Escrituras como, aparência, livro, comando, conversação, eloqüência, lisonja, queixa, ouvido, instrução, matéria, mensagem, ministério, notícias, proposta, pergunta, razão, relatório, regra, rumor, disse, dizendo,  frase, orador, discurso, histórias,  falar,  ensino e testemunho.

Qualquer bom léxico grego também mostrará essa ampla gama de significados (as palavras em itálico são traduções de logos):

Uma pergunta (Mt 21:24, “Eu também vos perguntarei”).

Uma declaração que você faz (Lucas 20:20, “para o apanharem nalguma palavra”).

Uma palavra (como incorporando uma ideia), uma declaração, um discurso (Rm 15:18, “para fazer obedientes os gentios, por palavra e por obras”).

Pregação da Palavra (1 Timóteo 5:17, “aqueles cujo trabalho é a pregação e o ensino).

Mandamento/Palavra (Gl 5:14, “Toda a Lei se resume num só mandamento”).

Provérbio, ditado, dizendo (João 4:37, “nisto é verdadeiro o ditado, um semeia outro colhe”).

Mensagem (Lucas 4:32, “porque a sua mensagem era com autoridade”).

Discurso (João 6:60, “duro é este discurso, quem o pode ouvir?).

Algo importante  em discussão:  ministério e assunto, como,  caso, coisa, ponto (Atos 8:21, “você não tem parte ou participação neste ministério”. Atos 15: 6, “E os apóstolos (…) se reuniram para examinar esse assunto”).

A revelação de Deus falada por Seus servos (Heb. 13: 7, “líderes que falaram a Palavra de Deus”).

Acerto de contas, uma sentença (Mt 12:36, “no dia do juízo, os homens haverão de dar conta”).

Uma razão, motivo (Atos 10:29, “Pergunto, pois, por que razão mandastes chamar-me?”).

A lista acima não é exaustiva, mas mostra que  logos tem uma ampla gama de significados. Com todas as definições e formas pelas quais  logos pode ser traduzido, como podemos decidir que significado escolher para qualquer verso? Como se pode determinar o significado de  logos em João 1: 1?

Qualquer ocorrência de logos deve ser cuidadosamente estudada em seu contexto para obter o significado apropriado. Porém, podemos afirmar com certeza que  logos em João 1: 1 não pode ser Jesus. Por favor, note que “Jesus Cristo” não é uma definição lexical de logos. Este versículo não diz: “No princípio era Jesus”.

“A Palavra” não é sinônimo de Jesus, ou mesmo “o Messias”. A palavra logos em João 1: 1 refere-se à auto-expressão criativa de Deus – Sua razão, propósitos e planos, especialmente quando são trazidos à ação. Refere-se à auto-expressão de Deus, ou comunicação, de si mesmo. Isso aconteceu através de Sua criação (Rm 1.19 e 20), e especialmente dos céus (Salmos 19). Veio através da palavra falada dos profetas e através da Escritura, a Palavra escrita. Mais notavelmente e, finalmente, surgiu através do Seu Filho (Hb 1: 1 e 2).

A palavra logos, então, denotando “razão” e “fala”, era um termo filosófico adotado pelo judaísmo alexandrino antes de São Paulo escrever, para expressar a manifestação do Deus Invisível na criação e governo do mundo. Incluía todos os modos pelos quais Deus se dá a conhecer ao homem. Como Sua razão, denotou Seu propósito ou design; como seu discurso, implicou sua revelação, que culminou na promessa do Messias. Por esse motivo é que essa  Palavra anunciada, ou promessa, tornou-se o homem Jesus Cristo.

O logos é a expressão de Deus e é Sua comunicação de Si mesmo, assim como uma “palavra” é uma expressão externa dos pensamentos de uma pessoa. Essa expressão externa de Deus ocorreu agora através de Seu Filho e, portanto, é perfeitamente compreensível por que Jesus é chamado de “Palavra”. Jesus é uma expressão exterior da razão, sabedoria, propósito e plano de Deus. Pela mesma razão, chamamos a revelação de “uma palavra de Deus” e a Bíblia “a Palavra de Deus”. Basta entendermos que logos  é a expressão de Deus – Seu plano, propósitos, razão e sabedoria.

A maioria dos leitores judeus do Evangelho de João estaria familiarizado com o conceito de a “palavra” de Deus estar com Deus enquanto Ele trabalhava para trazer Sua criação à existência. E tenha em mente: Os judeus eram ferozmente monoteístas e não acreditavam de forma alguma em um “Deus Triúno”. Eles estavam familiarizados com os idiomas de sua própria língua e entendiam que a sabedoria e o poder de Deus estavam sendo personificados como “palavra”.

O logos, isto é, o plano, propósito e sabedoria de Deus, “se fez carne” (entrou em concreção ou existência física) em Jesus Cristo. Jesus é a “imagem do Deus invisível” (Cl 1:15) e o seu principal emissário, representante e agente. Porque Jesus obedeceu perfeitamente ao Pai, ele representa tudo o que Deus pôde comunicar sobre si mesmo em uma pessoa humana. Como tal, Jesus poderia dizer: “Quem vê a mim, vê o Pai” (João 14: 9). O fato de que o logos “se tornou” carne mostra que ele não existia antes. Não há pré-existência para Jesus neste verso que não seja sua “existência” figurada como o plano, propósito ou sabedoria de Deus para a salvação do homem. O mesmo acontece com a “palavra” por escrito. Não tinha pré-existência literal como um “livro-espírito” em algum lugar na eternidade passada, mas surgiu como Deus deu a revelação às pessoas e elas escreveram.

No entanto, não se pode enfatizar demasiadamente que Cristo em pessoa era “a palavra”; Ele era o plano de salvação de Deus por meio do qual a palavra foi anunciada.  ‘Logos’ (“Palavra”) é frequentemente usado com relação ao evangelho sobre Cristo – por exemplo, “a palavra de Cristo” (Colossenses 3:16; Mat 13:19; João 5:24; Atos 19:10; 1 Tes 1: 8).

Veja os textos: 

Mateus 13: 19  “Ouvindo alguém a palavra do reino, e não a entendendo, vem o maligno, e arrebata o que foi semeado no seu coração; este é o que foi semeado ao pé do caminho”.

João 5: 24  “Na verdade, na verdade vos digo que quem ouve a minha palavra, e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna, e não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida”.

João 12:48 “Quem me rejeita, e não recebe as minhas palavras, já tem quem o julgue: a palavra que eu falei, essa o julgará no último dia”.

Atos 19:10  “E durou isto por espaço de dois anos; de tal maneira que todos os que habitavam na Ásia ouviram a palavra do Senhor Jesus, assim judeus como gregos”.

Colossenses 3:16  “A palavra de Cristo habite em vós abundantemente, em toda a sabedoria, ensinando-vos e admoestando-vos uns aos outros, com salmos, hinos e cânticos espirituais, cantando ao Senhor com graça em vosso coração”.

1 Tessalonicenses 1:8  “Porque por vós soou a palavra do Senhor, não somente na Macedônia e Acaia, mas também em todos os lugares a vossa fé para com Deus se espalhou, de tal maneira que já dela não temos necessidade de falar coisa alguma”.

Observe que o ‘logos’ é sobre Cristo, ao invés dele pessoalmente. Quando Cristo iniciou seu ministério, esta “palavra” se transformou em carne e sangue – “a palavra se fez carne” (João 1:14). Ou seja, o que era anunciado apareceu. Ele, pessoalmente, se tornou “a palavra” porque passou, pela palavra, a construir um novo mundo, a nova criação.

O plano, ou mensagem sobre Cristo estava com Deus no início, mas foi abertamente revelado na pessoa de Seu filho e a pregação do evangelho sobre ele no primeiro século. Assim, Deus falou Sua palavra para nós por meio de Cristo (Heb 1: 1,2). Repetidamente, é enfatizado que Cristo falou as palavras de Deus e fez milagres na palavra de comando de Deus para nos revelar Deus (João 2:22; 3:34; 7:16; 10: 32,38; 14:10, 24).

A vida eterna só foi possível para o homem por meio da obra de Cristo (João 3:16; 6:53); contudo, no início, Deus tinha esse plano de oferecer vida eterna ao homem através do sacrifício que Jesus faria. A revelação plena dessa oferta só veio depois do nascimento e morte de Jesus: “Vida eterna, que Deus … prometeu antes que o mundo existisse; mas, no devido tempo, manifestou a Sua palavra por meio da pregação” (Tito 1: 2,3).

Na Bíblia Hebraica, a palavra de Deus é aquela que ele falou. A palavra de Deus cai em duas categorias principais: comandos, decretos, instruções, etc, como nestas passagens: Gn 1: 3; Num 3:51; 1 Sam 15:23; 1 Reis 12:24; 13: 9; 2 Crôn 34:21; Sal 33: 6; e declarações de seus propósitos pretendidos na forma de oráculos proféticos e promessas, como nestes versos: Gn 15: 4; 1 Reis 2:27; 16: 1-4;  Jer 9: 20-22; Lam 2:17; Dan. 9: 2. Outras categorias incluem palavras de repreensão e palavras de encorajamento. Note também que a palavra de Deus às vezes é personificada como um servo (Salmo 107: 19-20; 147: 15-18), mas nunca é apresentada como um ser pessoal literal.

Portanto, desde o princípio havia o logos (a razão, o plano, o poder), que estava com Deus. Não havia outro “deus” existindo com Deus. Além disso, o plano de Deus era parte do próprio Deus. O plano de Deus começou a tomar forma no ventre de Maria.

O Mediador

No prólogo de João, o propósito de Deus era trazer um homem por meio do qual Ele redimiria a humanidade. Ou seja, é Ele mesmo falando para a humanidade na pessoa do filho. Esse é o sentido de a ‘palavra’ estava com Deus’ (a frase grega é pros ton theon – significando mediação) e pode denotar que a palavra estava, como um servo, em uma postura para com Deus, pronta para cumprir suas ordens. Isso é  o máximo que se pode fazer para colocar Jesus, literalmente, no verso 1 do capítulo 1 de João sem transferi-lo para a criação em Gênesis se os trinitarianos desejarem. No entanto, a intenção de João é colocar Jesus como a palavra em uma posição paralela ao que Deus diz. Em outras palavras, para o trabalho da nova criação, Cristo mantém a posição da ‘palavra de Deus’ porque Deus fala através dele. Portanto, a nova criação está sendo criada por Deus Pai pela palavra falada por Cristo. Dessa forma é que uma pessoa pode estar no lugar da palavra falada de Deus e ser ‘a palavra’. Nesse sentido é que Cristo é a palavra de Deus citada em Apocalipse 19:13.

Em Gênesis, as palavras são ditas e produzem um efeito.  Em João, diz-se que a Palavra está com/em relação a Deus e também é Deus. As ideias de estar ‘com Deus’ e ‘era Deus’ são detalhes adicionais não encontrados em Gênesis.  É importante ver que esses detalhes são um complemento, porque o texto fundiu o ensino de Gênesis com João.  O tom subjacente ao grego de ‘com Deus’ é intercessão e sacerdócio, e é por isso que é preferível traduzir a frase como ‘o Verbo estava voltado para Deus’.  Porque a palavra passou a ser uma pessoa em “a palavra se fez carne”. Falarei sobre isso mais adiante.

A menção da Palavra que “estava com Deus”, e também “como Deus – era Deus”, tem sido motivo de controvérsia.  Alguns veem neste texto uma menção a uma pluralidade na divindade; outros veem uma afirmação da divindade essencial de Cristo.  Contudo, esse duplo aspecto de Cristo, como ‘em direção a Deus – e ser Deus’, é baseado em Moisés, que era um homem ‘em direção a Deus e agia no lugar de Deus’ (entenda aqui o que significa “a  palavra estava com Deus e era Deus”). Veja  Êxodo 4:16 e compare com  Zacarias 12: 8; por uma razão semelhante o título ‘Deus’ foi aplicado à casa de Davi.

A tipologia mosaica é forjada pelo uso de João da mesma ideia de ‘em direção a Deus’ encontrada em Êxodo. Ou seja, “a Palavra era  Deus (depois que se tornou carne) por que Deus falava através de Jesus. Jesus foi o porta voz de Deus ao povo, como Moisés. Leia novamente Êxodo 4:15,16: “Tu, pois, lhe falarás, e porás as palavras na sua boca; e eu serei com a tua boca e com a dele, e vos ensinarei o que haveis de fazer. E ele falará por ti ao povo; assim ele te será por boca, e tu lhe serás por Deus”. O tipo é forjado pela posição de Moisés como Deus: “… você deve ser para ele como Deus… ”. Observe que a palavra grega πρός – pros (em Inglês with: com em português) do primeiro versículo de João (João 1:1, Studybible.info – 4314) é a mesma palavra  usada  em Êxodo 4:16 (Exodus 4:16 Studybible.info – 4314)  envolvendo Moisés  como mediador entre Arão e Faraó. A versão inglese NETS traduz a última parte de Êxodo 4:16 da seguinte forma: “Mas sereis para ele (para Arão) nas coisas que pertencem a Deus”.

O texto diz que Moisés seria usado no lugar de Deus para Arão. A tradução transmitiu o significado da preposição pro de forma perfeita.  Assim como João 1: 1, temos o verbo estático “estar” com o significando de “no lugar de”. Assim, dizer que “O Verbo estava com Deus” não significa que ele estava com Deus no princípio de Gênesis, mas sim que ele “estava com Deus como intermediário” entre Deus e os homens lhes transmitindo a mensgaem de Deus. É uma sensação de ‘estar ao lado’ ou ‘estar na companhia de alguém’ como em ‘estava com Deus’.

Isso não deve nos surpreender, pois é uma característica da Escritura de que os textos costumam levar alusões a muitos lugares.  Um mediador pode criar, cumprir os mandamentos de Deus e trazer ordem ao caos, como fez Moisés.  Assim, concluímos que João não está afirmando que Jesus é Deus,  mas que ele fala no lugar de Deus em relação a nova  criação. Por isso, posteriormente, são usadas frases do tipo, “quem vê o filho, vê o Pai”, “eu e o Pai somos um”, “Deus conosco” e similares.

Deus estava realizando sua nova  criação através da palavra de Jesus.  E, de fato, veremos que Jesus está envolvido, porque é uma criação de novos homens e mulheres nele (2 Cor 5:17; Gal 6:15;  Ef  2:10;  4:24;  Col 3:10; Tg 1:18;  1 Ped 1:23), que são aqueles  que nasceram, não do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus” (João 1: 12,13). É verdade, pois Tiago aponta O Pai como Criador nesta criação: “Segundo a sua (de Deus) própria vontade, ele nos gerou pela palavra da verdade, para que fôssemos como que primícias das suas (novas) criaturas” (Tiago 1:18).

O Verbo se fez Carne

E a palavra (verbo/logos) se fez carne e habitou entre nós, e vimos a Sua glória na pessoa do Seu único filho, cheio de graça e de verdade” (João 1:14).

Estas palavras anunciam a chegada do Messias. A palavra “anunciada” aqui traduz o substantivo grego logos, que também vem do verbo legein, que significa “dizer” ou “falar”. E no princípio do ministério de Jesus era apenas a palavra, o anúncio, a mensagem, tudo pode ser traduzido como Logos.

A palavra sobre a vinda do Messias começou a ser anunciada de uma forma mais crescente em toda Judeia. Em seguida, o que aconteceu pode ser resumido da seguinte forma: “a mensagem se fez carne“. Ou seja, o que era anunciado ficou visível: Jesus, o Salvador. Isso é João 1:1-14 sem complicações. Nele teve início a nova criação.

A afirmação no versículo 14, portanto, de que “o verbo se fez carne e habitou entre nós”, deve significar que  “a palavra/promessa foi cumprida na pessoa de Jesus”, e pertence a história de João Batista e da recepção do Messias, embora as notícias estivessem sendo anunciadas desde o nascimento do Salvador. João Batista explica sua própria missão nas palavras de Isaías 40: 3: “Eu sou a voz do que clama no deserto: Endireitai o caminho do Senhor, como disse o profeta Isaías” (Jo 1: 23).

Não é de interesse teológico do escritor, em “o verbo se fez carne”, o  nascimento de Jesus. É o começo da realização dinâmica dos propósitos de Deus que importa. A palavra “acampou entre nós” significa que Deus, através de Cristo, ocupou uma residência transitória no errante Israel de uma maneira análoga à presença dEle no tabernáculo no meio de seu povo. No entanto, isso não quer dizer que Deus seja necessariamente  o verbo, apesar de isso ser possível.

É claro, se alguém deu o primeiro passo falso ao assumir que a “palavra” no princípio (da criação original) era “o filho”, então a frase “a palavra era Deus” só pode confirmar a impressão de que há dois membros da divindade e que  ambos são Deus. Por mais problemática e ilógica que seja essa afirmação de uma dualidade em Deus, milhões de  leitores da Bíblia foram condicionados a dar esse salto arriscado, apesar de Jesus e Paulo demonstrarem em outros lugares serem crentes no monoteísmo, que é  grande herança judaica.

Dirigindo-se ao Pai, Jesus diz: “E a vida eterna é esta: que te conheçam, a ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste”  (João 17: 3). Ele se refere novamente ao Pai como o único Deus: “Como podeis vós crer, recebendo honra uns dos outros, e não buscando a honra que vem do único Deus? (João 5:44). Estes são ecos do monoteísmo puro da Bíblia hebraica. Deus permanece no Novo Testamento como “o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo” (1 Pd 1:3) e não Deus do Deus Jesus Cristo. Jesus tinha e tem um Deus. Deus não pode ser pai de Deus.  Além disso, nós só temos um Pai no céu, não dois. Malaquias atesta: “Não temos todos um só pai? Não nos criou um só Deus?” (Malaquias 2:10). Quão maravilhosamente isso se harmoniza com a grande declaração do credo de Paulo: “… não há outro Deus, senão um só” (1 Cor 8:4). Em Romanos 16:27 ele separa Jesus do único Deus: “ao único Deus, sábio, seja dada glória por Jesus Cristo para todo o sempre. Amém”.

Para milhões, é provavelmente impossível fazer a leitura do prólogo de João sem pensar em Jesus como Criador do Universo em Gênesis, mas tenha em mente que não há nada em João 1:1 para ligar Cristo à criação dos Céus e da Terra. E nada no contexto indica que que Jesus é preexistente, ou que Jesus era Deus.

As coisas que aconteceram  na história do evangelho, que o escritor está prestes a relatar, como consequência da obediência diligente do Filho, devem, portanto, ser entendidas como constituindo um novo período de atividade de criação divina, o começo de um novo mundo. A intenção criativa de Deus assumiu carne na pessoa de Jesus, a fim de trazer uma nova criação que significaria a vida da era vindoura para aqueles que acreditavam.

É “princípio” das boas novas – não da criação de Gênesis

Os escritores do Novo Testamento retratam claramente o ministério de Jesus começando com o batismo de João, como o início da Boa Nova e o iminente estabelecimento do Reino de Deus. Marcos abre seu Evangelho com as palavras “o princípio do Evangelho de Jesus Cristo”. Lucas abre seu Evangelho referindo-se ao princípio do ministério da Palavra e sua declaração de abertura no Livro de Atos se refere ao seu evangelho como “tudo o que Jesus começou a fazer e ensinar”. E em sua primeira epístola, João se refere à palavra como o que eles ouviram desde o princípio

João usa as palavras princípio, palavra, luz e veio a ser, não porque ele descreve a criação original do universo, mas porque ele descreve o mesmo Deus de Gênesis criando um novo princípio através das suas promessas.

Observe como nossas versões apresentam João 1:1,2: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus”. Outra versão substitui  verbo por palavra: “No princípio era a palavra, e a palavra estava com Deus, e a palavra era Deus. Ela estava no princípio com Deus”.

A interpretação comumente aceita da passagem fornece um suporte vital para a doutrina tradicional trinitariana da divindade, compartilhada igualmente por Pai e Filho desde a eternidade. A Versão Inglesa Contemporânea vai muito além do grego, e nos dá: “A Palavra era Aquele que estava com Deus“. Sem dúvida, de acordo com essa versão, essa palavra significa um filho eterno, embora seja um erro fatal. O texto lê “no princípio era a palavra” não “no princípio era o filho”.

O verso três diz: “Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez”. Isso não deve significar que Jesus estava com Deus na criação em Gênesis (encontre a resposta no meu artigo, “TUDO foi criado por Ele”. É um comentário extenso sobre Colossenses 1:16,17).

O fluxo da narrativa não para no verso três. Leia novamente os primeiros cinco versículos  num fôlego só:

No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.

Ele estava no princípio com Deus.

Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez.

Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens;

a luz resplandeceu nas trevas, e as trevas não a compreenderam” (João 1:1-5).

Os verbos apontam para eventos ocorridos no passado, no princípio, mas não o de Gênesis. Note os itálicos: “No princípio “era o verbo”, “estava com Deus”, “coisas foram feitas por ele”, “O verbo era Deus”, “e sem ele nada do que foi feito se fez”. No entanto, os dois versos imediatamente posteriores são apresentados no mesmo formato: “Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens; a luz resplandeceu nas trevas, e as trevas não a compreenderam”.

Como poderíamos localizar estes fatos na criação original? Os dois versículos são uma sequência da narrativa anterior, a mesma narrativa que os trinitarianos entendem ser uma alusão ao princípio de Gênesis. Nos dois versos os verbos também estão no passado: “Nele estava a vida”, “a vida era a luz dos homens”, “a luz resplandeceu nas trevas”, “as trevas não a compreenderam”.  O verso quatro continua no mesmo fôlego quando usa os verbos “estava e era”. “Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens”. Observe que a forma textual anterior em João 1:1-3 está toda – segundo os trinitarianos – no passado distante, no ato da criação: “no princípio eraestava com Deus… era Deus“. Verso 2: “Ele estava no princípio com Deus“.

A sequência no uso do verbo para indicar um só evento – supostamente a criação em Genesis – não foi interrompida no verso três, mas se completa com os versículos quatro e cinco. Veja novamente o verso quatro: “Nele (no verbo) estava a vida, e a vida era a luz dos homens“. “Nele estava a vida” – quando isso aconteceu? Está claro que o escritor narra fatos  ocorridos aqui na terra – ele apresenta uma sequência de eventos. O contexto deve ser lido e entendido com a finalidade de apresentar fatos para uma época apenas: “coisas que foram realizadas entre nós”, o princípio do ministério de Jesus e não o princípio da criação narrado em Gênesis.

Na verdade,  a palavra  princípio, em “no princípio era a palavra”, faz alusão ao tempo que Deus veio novamente, depois de um longo silêncio, falar ao seu povo. Deus trouxe  Sua palavra no princípio, o princípio da Nova Criação, que teve início com o ministério de Jesus. E nós vamos descobrir que Marcos, Lucas e o escritor da primeira epístola de João fazem referência ao mesmo princípio.

O Princípio em Marcos

Princípio do Evangelho (ou princípio das boas novas) de Jesus Cristo, Filho de Deus”. E Marcos segue mencionando João batista, como no prólogo de João: “Como está escrito nos profetas: Eis que eu envio o meu anjo ante a tua face, o qual preparará o teu caminho diante de ti. Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor, Endireitai as suas veredas. Apareceu João batizando no deserto, e pregando o batismo de arrependimento, para remissão dos pecados” (Marcos 1:1-4).

O impasse é muito fácil de solucionar; note que Marcos simplifica João – eles falam a mesma coisa; João: “no princípio era a palavra”. Marcos: “princípio das boas novas”.

O motivo dessa interpretação é visto logo após o contexto antecedente (“no princípio era a palavra”) quando menciona a aparição de João Batista: “Houve um homem enviado por Deus, cujo nome era João” (João 1: 6). Portanto, no princípio havia notícias se espalhando sobre a vinda do Messias – note que a “Palavra de Deus” veio a João Batista (Lucas 3: 2).

Os paralelos entre o evangelho de Marcos e João 1: 6 são claramente óbvios. O evangelho de Marcos apoia ainda mais essa tradução do logos como significando “a palavra falada em toda parte no princípio” – que são ecos de “no princípio era a Palavra” -, pois em  Marcos 1: 5 diz: “E toda a província da Judéia e os de Jerusalém iam ter com João Batista”. Obviamente podemos dizer que isso significa a palavra/notícia espalhada por todos os lugares.

O aparecimento de João Batista no evangelho de João e no evangelho de Marcos é uma evidência clara que João descreve o mesmo princípio que em Marcos. Ora, por que João Batista recebe tanto destaque nas duas introduções quando seu lugar nos quatro evangelhos como um todo não tem destaque semelhante? É porque ele não é outro senão o arauto da vinda do Senhor! Isto foi predito por Isaías: “Eis a voz do que clama: Preparai no deserto o caminho do Senhor; endireitai no ermo uma estrada para o nosso Deus. Todo vale será levantado, e será abatido todo monte e todo outeiro; e o terreno acidentado será nivelado, e o que é escabroso, aplanado. A glória do Senhor se revelará; e toda a carne juntamente a verá; pois a boca do Senhor o disse” (Isaías 40:3-5). João Batista confirma que ele é o arauto mencionado por Isaías: “Respondeu ele: Eu sou a voz do que clama no deserto: Endireitai o caminho do Senhor, como disse o profeta Isaías” (João 1:23).

Todos os quatro evangelhos citam Isaías 40: 3 (Mat 3: 3; Mc 1: 3; Luc 3: 4; João 1: 23) e estão unidos ao declarar que a profecia de Isaías foi cumprida pela vinda do Senhor ao mundo em Cristo. Este é um evento muito surpreendente para quem tem olhos para ver e ouvidos para ouvir.

João 1: 1-18 introduz o ministério de Jesus dando proeminência ao testemunho de João Batista porque esse desempenha uma função importante na apresentação do Messias. João Batista é apresentado de forma rápida, mas relevante, porque  tem um papel chave nesse início. Nem é preciso dizer que Ele não estava envolvido na criação de Gênesis.

A introdução do evangelho de João está em formato poético. É valioso observar que nos cinco versículos  ele abrange toda a caminhada de Jesus, desde o princípio até o fim. Leia outra vez com isso em mente: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez. Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens; a luz resplandeceu nas trevas, e as trevas não a compreenderam” (João 1:1-5). Isso é um resumo da chegada do Messias até sua assunção ao céu. Infelizmente ele subiu rejeitado pela nação de Israel.

Em seguida, o fluxo da poesia é interrompida para dar início aos eventos. Ou seja, o escritor volta ao princípio da história através de João Batista, o condutor da palavra (a mensagem). O que quero dizer é que o momento em que acontece João 1:1 (“no princípio era a Palavra”), pode  estar falando da pregação de João Batista, “a voz que clama no deserto, anunciando o caminho do Senhor”.

Repare nas semelhanças entre Marcos e João. Marcos introduz João Batista logo depois de dizer: “Princípio do Evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus“. Veja: “Eis que envio ante a tua face a meu mensageiro, que há de preparar o caminho do Senhor”. João introduz João Batista logo após seu prefácio: “Houve um homem enviado de Deus, cujo nome era João”. Os dois fazem referência ao mesmo princípio, que é o princípio do ministério do Messias. Além disso, a  New American Standard, numa nota de rodapé, traduziu  lógou, literalmente do grego em João, como “evangelho” e não como “palavra”. Isso deveria estabelecer e acabar com qualquer disputa sobre o significado de João 1: 1, pois há evidências de que o texto significa o início da mensagem do evangelho de Jesus Cristo, aqui começando com a mensagem de arrependimento pregada pela primeira vez por João Batista, um precursor do Messias.

O Prólogo de João poderia ficar nesse formato. Atente para os itálicos: “No princípio era a palavra (No PRINCÍPIO era apenas a mensagem sobre o Messias);  e a palavra estava com Deus (A palavra se tornou realidade habitando entre nós na pessoa de Cristo; Cristo estava com Deus como mediador); e a palavra era Deus (ele falava no lugar de Deus).

O Princípio em Lucas

Lucas também faz alusão ao princípio: “Tendo, pois, muitos empreendido pôr em ordem a narração dos fatos que entre nós se cumpriram, segundo nos transmitiram os mesmos que os presenciaram desde o princípio, e foram ministros da palavra, pareceu-me também a mim conveniente descrevê-los a ti, ó excelente Teófilo, por sua ordem, havendo-me já informado minuciosamente de tudo desde o princípio”  (Lucas 1:1-3).

Lucas usa a expressão “no princípio” para recuar até o nascimento de João Batista, o que é   muito revelador e significativo, pois está dando ênfase ao ministério daquele que veio preparar o caminho do Senhor.

“Desde o princípio”, para Lucas, faz referência à fatos ocorridos entre os judeus. 

desde o princípio , deve significar, desde o tempo em que Cristo começou a proclamar as boas novas do reino; e αυτοπται , testemunhas oculares , devem necessariamente significar aqueles que estiveram com ele desde o início e, conseqüentemente, tiveram as melhores oportunidades de saber a verdade de cada fato” (Adam Clark comentary – Luke 1:2)

O Princípio na Primeira Epístola de João

A primeira epístola de João, que parece mais uma réplica do início do Quarto Evangelho,  diz: “O que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que temos contemplado, e as nossas mãos tocaram da Palavra da vida” (1 João 1:1).

A expressão ‘desde o princípio’ ocorre dez vezes nas pequenas cartas de João. Foi usado aqui em 1:1 em conexão com a ‘Palavra da vida “, que foi ouvido, visto: “que vimos com os nossos olhos … as nossas mãos tocaramno princípio”.

Todos eles estão tratando do mesmo princípio:

No princípio era a palavra …” João 1: 1.

O princípio das Boas Novas …” Marcos 1: 1.

Desde o princípioministros da palavra …” Lucas 1: 1.

No princípioa Palavra da vida…” 1 João 1: 1.

Observamos que Lucas é o escritor do evangelho que estava preocupado em enfatizar que ele tinha inquirido aqueles que “desde o princípio eram testemunhas oculares e ministros da palavra“ (Lucas 1: 2). Marcos também inicia seu evangelho com a palavra “princípio”. Até Mateus não deixa de ter seu conceito de “começo” quando ele abre seu evangelho com uma ‘genealogia’ ou ‘o princípio’ (genesi) de Jesus Cristo. Todos os três sinóticos abrem seus evangelhos com Jesus.  João seria um exceção e teria aberto com Gênesis?

Os apóstolos tinham claramente a convicção de que a pregação da palavra começou em um determinado momento: “… o tempo em que o Senhor Jesus entrou e saiu dentre nós, começando desde o batismo de João até ao dia em que de entre nós foi recebido em cima…” (Atos 1:21,22). E ainda: “A palavra que ele enviou aos filhos de Israel, anunciando a paz por Jesus Cristo (este é o Senhor de todos); esta palavra, vós bem sabeis, veio por toda a Judéia, começando pela Galiléia, depois do batismo que João pregou” (Atos  10:36,37).

Olhando através do NT, obviamente existe uma consciência predominante de um novo princípio no propósito de Deus em João 1:1-5. É um prólogo em si, um resumo da história da salvação, como vimos.

Todo o contexto do capítulo 1 de João envolve Jesus e João Batista. Isso requer que  a Palavra e João Batista sejam contemporâneos e proporcionais.  Não faz sentido comparar uma hipóstase divina em um ponto de existência no início de Gênesis com um homem por volta de 30 dC. Para que? Qual seria a finalidade?

Notamos que há também o começo do ministério de João Batista.  Jesus é propriamente apenas ‘A Palavra’ neste momento.  Neste estágio imediatamente anterior, ele está pronto para ser como Moisés, ou seja, “Deus” para o povo.  Após seu batismo e a declaração de sua filiação, o uso do título “a Palavra” diminui, pois agora ele se manifesta como “o Filho ‘no resto do evangelho. Portanto, não nos é possível localizar o significado da ‘Palavra’ para o ministério de João Batista se lançarmos mão da tipologia de Gènesis.  A generalidade da nova criação no verso 3 requer um começo vinculado à  Palavra’ apontando para o início do ministério de Jesus.

Todo o contexto é sobre o  Messias sendo anunciado pelas terras de Israel no princípio, o princípio de seu ministério alcançando todo evangelho, que são as boas novas: as boas novas da Nova Criação. Essa é a intenção de João 1:1-5.  Absolutamente nada no texto nos faria pensar que Deus estava em companhia de Jesus na criação do Céu e da Terra. 

Quando João escreve as palavras gregas, “En archeé eén ho logos” é melhor traduzido: “No princípio as notícias eram ditas {em toda parte}. Isto é “a palavra que no princípio pairava sobre face das terras de Israel”.

O significado de “archeé” em João 1

Para determinar o período de tempo mencionado em João 1;1 é preciso  entender o significado da palavra grega traduzida como início (ou seja, “no princípio …”). A palavra grega para princípio é archeé. Esta palavra é semelhante a mesma palavra cognata de onde vem a palavra “arcanjo”. Um arcanjo é, por definição, um mensageiro chefe. Esta palavra grega tem uma ampla gama de definições e aplicações e somente o contexto determina o uso correto. Essa palavra pode se referir ao começo de qualquer coisa e é lamentável que os tradutores da Bíblia se sentissem limitados em seu uso e aplicação. Isso acontece quando a teologia interfere na capacidade de tradução de uma pessoa.

Para ilustrar como archeé é usado em outras partes do evangelho de João como referência ao ministério de Jesus, vamos ao texto de João 6:64 que contém uma chave importante: “Pois Jesus sabia desde o princípio (archeé) quem dentre eles não acreditavam e quem era que o trairia ”. Neste texto, “desde o princípio”, descreve apropriadamente o “princípio” de seu ministério como o Cristo.

No evangelho de Marcos, como vimos, encontramos uma aplicação idêntica de archeé com associação direta ao início do evangelho de Cristo (anunciador das boas novas): Marcos 1: 1-5: “Princípio do Evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus”.

O escritor do Quarto Evangelho continua seu uso de archeé apenas alguns versos depois, nos quais ele escreve sobre o início do primeiro milagre de Cristo em Caná da Galiléia: “Jesus principiou assim os seus sinais em Caná da Galiléia, e manifestou a sua glória; e os seus discípulos creram nele”, João 2:11.

Devo ressaltar que não estou dizendo que  archeé nunca tenha implicações para o começo mencionado em Gênesis. A palavra pode ser usada para o princípio de Gênesis, mas não a de João 1:1.

Observe que Jesus acrescenta mais um forte argumento como prova de que archeé em João 1: 1 é o começo de seu ministério quando ele menciona sobre a promessa de retornar como o Parakletos em João 15:27 e 16: 3-4. Ele fala em João 15:27: “E vós também testificareis, pois estivestes comigo desde o princípio”. Em João 16: 3-4 ele torna a dizer: “E isto vos farão, porque não conheceram ao Pai nem a mim. Mas tenho-vos dito isto, a fim de que, quando chegar àquela hora, vos lembreis de que já vo-lo tinha dito. E eu não vos disse isto desde o princípio, porque estava convosco”.

Outros autores do NT também usam archeé para indicar o princípio de algo que ocorreu entre eles, como quando Pedro descreve o “princípio”  como o dia de Pentecostes, quando os discípulos receberam o Espírito Santo (Atos 11:15). Paulo usa archeé para descrever seu modo de vida como judeu praticante em Atos 26: 4; essa interpretação é um forte apoio para a mesma  tradução de archeé em João 1: 1. Atos 26: 4 diz, “Quanto à minha vida, desde a mocidade, como decorreu desde o princípio entre os da minha nação, em Jerusalém, todos os judeus a conhecem, sabendo de mim desde o princípio (se o quiserem testificar), que, conforme a mais severa seita da nossa religião, vivi fariseu”.

Portanto, “no princípio era a palavra…” é uma referência ao princípio das boas novas, o princípio da Nova Criação, quando os rumores do tão esperado Messias se espalharam pelas aldeias rurais, vilas e cidades. João não diz que Jesus é preexistente e criador do mundo, embora essa conclusão ainda possa ser alcançada por um longo desvio. Não há antecedentes  para a eternidade na palavra princípio. A palavra princípio deve ser entendida considerando o contexto, pois a matéria de João está tratando do evangelho ou as coisas transacionais sob o evangelho.

O notável comentarista bíblico F.F Bruce defende esta interpretação: “Não é por acaso que o Evangelho começa com a mesma frase do Livro de Gênesis. Em Gênesis 1:1, “no princípio”, introduz a história da velha criação; aqui, ele apresenta a história da nova criação. Em ambas as obras da criação, o agente é a Palavra de Deus” (F.F Bruce, The gospel of John, pp. 28,29).

Em um dos livros de N.T. Wright sobre teologia paulina, ele argumenta que, “para Paulo, a morte e ressurreição de Cristo não apenas marcou a derrota decisiva do pecado e da morte, mas também realizou nada menos do que o lançamento da tão esperada renovação da criação por Deus” (N.T. Wright, “Paul: In Fresh Perspective” (Paulo: Em nova perspectiva). Minneapolis, MN: Fortress Press, 2009, p 38). E ainda: “A Nova Criação foi inaugurada, mas ainda não foi consumada” (p 137).

Outro atesta: “Os sinais do Evangelho devem ser entendidos … como um prenúncio desta glória e uma participação antecipada na nova vida que há de vir” (“The Gospel of John and Christian Theology” (O Evangelho de João e a Teologia Cristã). Richard Bauckham and Carl Mosser, 295-310. Grand Rapids, p 303).

A obra de Jesus é a obra da Nova Criação. E aqui, no evangelho de João a noção de criação deve ser amplamente concebida. A criação inclui a consumação de tudo e abrange, portanto, o que pode ser chamado de redenção total. Não apenas para a vida ficar infinitamente confinada neste mundo – não é a mera existência nessa vida. É, sim, “vida eterna”, vida em sua plenitude – aquela forma de vida que é a consumação da obra criativa de Deus.

Aguarde! Ele vai voltar para buscar os seus:

“…  Cristo, oferecendo-se uma só vez para levar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o esperam para salvação” Hebreus 9:28

Esclarecendo João 1:10

João 1:10 parece declarar que Jesus criou o mundo; vamos ler o versículo: “Estava no mundo, e o mundo foi feito por ele, e o mundo não o conheceu”. Como assim? O mundo físico de Gênesis não  conheceu Jesus?

O verso pode estar falando do Pai ou do Filho. Para mostrar Deus no texto, precisamos voltar ao verso seis, onde começa uma nova seção mencionado o nome do Pai: “Veio um homem enviado por Deus”. A referência é a João Batista. O verso sete diz: “Este veio  como testemunha, a fim de dar testemunho da luz, para que todos cressem por meio dele”. O verso seguinte segue dizendo: “Pois a verdadeira luz  que alumia a todo o homem, estava chegando ao mundo”, então vem o verso dez: “Estava ele no mundo, e o mundo foi feito por intermédio dele. E o mundo não o conheceu”. Há um verso que faz o mesmo paralelo. É João 17:25. Veja o que Jesus diz: “Pai justo, o mundo não te conheceu; mas eu te conheci, e estes conheceram que tu me enviaste”.

Somos informados que “Deus é luz” e que a luz de Deus mostrada por meio de Jesus Cristo o fez “a luz do mundo”. Embora Deus estivesse no mundo de muitas maneiras, inclusive por meio de Seu Filho, o mundo não o reconheceu. Ele veio aos seus enviando sua imagem exata para eles, mas mesmo assim eles não receberam Deus, pois rejeitaram Seu emissário. O fato de que o mundo não o recebeu torna-se mais profundo no contexto, conforme a Escritura revela o quão fervorosamente Deus os alcançou – Ele fez seu plano e propósito carne e irradiou Sua luz por meio de Cristo para alcançar o mundo – mas eles não o receberam, embora estivesse oferecendo a eles o “direito de se tornarem Seus filhos” (v 12).

De fato, quem dá luz a Jesus é Deus, que é a própria Luz: “O deus desta era cegou o entendimento dos descrentes, para que não vejam a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus. Mas não pregamos a nós mesmos, mas a Jesus Cristo, o Senhor, e a nós como escravos de vocês, por causa de Jesus. Pois Deus, que disse: “Das trevas resplandeça a luz”, ele mesmo brilhou em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus na face de Cristo” 2 Coríntios 4:4-6

Toda boa dádiva e todo dom perfeito vêm do alto, descendo do Pai das luzes…” (Tiago 1:17).

Vocês, porém, são geração eleita, sacerdócio real, nação santa, povo exclusivo de Deus, para anunciar as grandezas daquele que os chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” (1 Pedro 2:9).

A cidade não precisa de sol nem de lua para brilharem sobre ela, pois a glória de Deus a ilumina, e o Cordeiro é a sua candeia” (Apocalipse 21:23).

João 1: 5 diz: “Deus é luz; nele não há treva alguma“.  

Agora vamos comparar algumas traduções para tentar descobrir se “o mundo”  mencionado em João 1:10 trata de pessoas, os judeus, seu povo. O mundo de Gênesis não pode ser, pois “… o mundo que foi feito por elenão o conheceu”. Por isso, tenha em mente: muito cuidado ao querer posicionar Jesus no verso dez como criador em Gênesis, pois o texto não trata de um criador e sua criação original dos céus e da terra. 

A Tradução da BBE diz: “He was in the world, the world which came into being through him, but the world had no knowledge of him” (Ele estava no mundo, o mundo que surgiu através dele, mas o mundo não tinha conhecimento dele).

A DBY Translation: “He was in the world, and the world had its being through him, and the world knew him not” (Ele estava no mundo, e o mundo existia através dele, e o mundo não o conheceu).

A NJB diz: “He was in the world that had come to be for him, and the world did not recognize him” (Ele estava no mundo que tinha vindo a ser por ele, e o mundo não o reconheceu).

NRS version: “He was in the world, and the world was born through him; however, the world did not know him” (Ele estava no mundo, e o mundo nasceu através dele; no entanto, o mundo não o conhecia).

A YLT diz: “in the world he was, and the world through him was made, and the world did not know him” (no mundo que ele era, e o mundo através dele foi feito, e o mundo não o conhecia). Ou seja: “Do mundo (povo) que ele era, e que veio a existência por causa dele, não o conheceu”.

O mundo dos homens está implícito no texto; que kosmos (grego) aqui não se refere a pássaros e árvores é evidente na cláusula: “mas o mundo não o reconheceu”. Este mundo dos homens não tinha conhecimento natural deste (de Deus em Cristo) em seu meio; a fé nas mensagens das várias testemunhas enviadas por Deus era necessária para que qualquer homem o conhecesse. A ignorância de muitas pessoas foi demonstrada, por exemplo, pelos nomes que deram a Jesus (Mt 16:14). Até os líderes religiosos ignoravam, pois “não conheciam” suas próprias Escrituras do AT que falavam dEle.

O cosmos no evangelho de João pode, também, ser usado para denotar o mundo da humanidade (João 1:10 , 29 ; 6:33 , 51 ; 12:19 ; 14:17 , 19 ; 16:20 ; 17:21).

Vamos ver alguns desses textos

João 6:33,51 “Porque o pão de Deus é aquele que desce do céu e dá vida ao mundo… Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém comer deste pão, viverá para sempre; e o pão que eu der é a minha carne, que eu darei pela vida do mundo”.

João 12:19 “Disseram, pois, os fariseus entre si: Vedes que nada aproveitais? Eis que o mundo todo vai após ele”.

João 14:17, 19 “O Espírito de verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece; mas vós o conheceis, porque habita convosco, e estará em vós… Ainda um pouco, e o mundo não me verá mais, mas vós me vereis; porque eu vivo, e vós vivereis”.

João 17:21 “Para que todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim, e eu em ti; que também eles sejam um em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste”.

Note que em João 1:10, a palavra cosmos ocorre três vezes: o primeiro e o segundo parecem fazer referência à criação de Genesis, mas não é (“ele estava no mundo e o mundo foi criado através dele”), pois a terceira instância (“o mundo não o conhecia”) prova que a referência é ao mundo da humanidade, mais precisamente os judeus, uma vez que a percepção/conhecimento está envolvida. O envolvimento dos judeus no texto é confirmado pelo verso imediato, que diz: “Veio para os seus, e os seus não o receberam” (v 11).

As evidências apontam fortemente para a pessoa de Deus como aquele mencionado em João 1:10. Porém,  se você desejar colocar Cristo no texto, faça conectando-o ao povo que o rejeitou. A tradução de NJB pode lhe dar essa chance: “Ele estava no mundo que tinha vindo a ser por ele, e o mundo não o reconheceu“. 

Entendendo Hebreus 1:1,2

O escritor aos Hebreus desmistifica àquilo que foi equivocadamente o entendimento de milhões de cristãos, derrubando a teoria dos contextos que foram interpretados como sendo registros da criação do Gênesis. Ele fala da nova criação:  “Havendo Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, a nós falou-nos nestes últimos dias pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de tudo, por quem fez também o mundo” (Heb 1:1,2).

Uma olhada rápida na concordância de Strong ou em uma Bíblia on-line descobrimos que a palavra grega para “por quem” seria melhor traduzida por “para quem”, que está de acordo com a posição de herdeiro. Mas o foco principal é por quem Deus falou, que foi Seu Filho, aquele que os trinitarianos dizem que também criou o Universo. No entanto, o escritor não trata da criação em Gênesis, mas da era por vir. É o que ele  confirma no capítulo seguinte: “Pois não foi a anjos que sujeitou o mundo que há de vir, sobre o qual estamos falando” (Heb 2:5). E de fato, pois aion, [“mundo”, verso 1]  significa ‘as eras’ ou ‘uma era’. Em quase todos os casos em que a palavra aion ocorre no Novo Testamento  não significa “o planeta físico, a terra”, mas sim a “era por vir”. Em Efésios 2: 7 lemos sobre “as eras vindouras” –  é a palavra aion usada novamente.

Apenas alguns versos depois de Hebreus 1: 2, lemos que o filho reinará “para os aions e os aions”, ou, “para todo o sempre” (Hebreus 1: 8). Certamente a mensagem combinada é que as eras/aions  existem apenas por causa de Cristo, e Ele governará sobre todos os futuros aions, o “aion para vir” [“o mundo vindouro”, Heb 6: 5]. O aion por vir é a eternidade do Reino de Deus. Será, em linguagem um tanto hiperbólica, uma eternidade de eternidades. Mais tarde, em Hebreus, lemos que Jesus fez o sacrifício pelo pecado “na consumação dos séculos/aiōnōn” (Hb 9:26). Essa é uma prova clara de que a palavra não se refere ao planeta físico.

Portanto, em Hebreus 1:1,2 não há nenhuma  alegação de que o Filho estava na criação do Universo com o Pai, ou que ele era uma “pessoa eterna” dentro da divindade.

O escritor está fazendo referência ao mundo por vir. Jesus é o criador deste novo mundo por vir. Os redimidos são descritos como uma nova criação e Cristo nosso criador. O que nos espera é  “novos céus e uma nova terra”, onde habitará  a justiça.

Da mesma forma, quando o escritor do Quarto Evangelho alega que “Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez”, (João 1:3) ele está falando da nova criação. Paulo está de acordo quando diz que “Deus tudo criou por meio de Jesus Cristo” (Efésios 3:9). E continua: “Porque nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades. Tudo foi criado por ele e para ele” (Colossenses 1:16).

A reivindicação do escritor do evangelho de João  é a mesma que a de Paulo – todas as coisas foram feitas por Deus através de Jesus.  Esta abordagem é confirmada pela frase “sem ele nada do que foi feito se fez” (João 1: 3).

Jesus não estava presente na Criação de Gênesis

Como o livro de Gênesis começa com as palavras “no princípio”, os trinitarianos supõem que João está estabelecendo um período de tempo quando a palavra estava com Deus e quando a palavra era Deus. Sabemos que a palavra pela qual Deus criou todas as coisas em Gênesis era a Sua palavra falada, mas a interpretação convencional de João 1: 1-3 introduz uma confusão incompreensível pela qual devemos supor que João está se referindo ao início da criação de Gênesis e que Deus criou todas as coisas por meio de duas palavras diferentes: (1) Sua palavra falada, e (2) uma pessoa (Jesus) chamada a Palavra. A confusão trinitariana aqui é especialmente divertida, já que eles vêem o versículo três de João um como se referindo ao ato de criação do Gênesis. No entanto, as Escrituras nos dizem que a criação de Gênesis foi realizada por meio da palavra falada de Deus e não por Jesus. Jesus não se fazia presente quando Deus criou o universo. Deus criou tudo por ele mesmo: “Assim diz o SENHOR, que te redime, o mesmo que te formou desde o ventre materno: Eu sou o SENHOR, que faço todas as coisas, que sozinho estendi os céus e sozinho espraiei a terra”, Isaias 44:24.

Quando Deus diz através do profeta  que ele criou sozinho significa que ele criou tudo sozinho, sem Jesus, apesar de estar cercado pela sua corte celestial; os anjos.

Onde estavas tu, quando eu fundava a terra? Faze-mo saber, se tens inteligência. Quem lhe pôs as medidas, se é que o sabes? Ou quem estendeu sobre ela o cordel? Sobre que estão fundadas as suas bases, ou quem assentou a sua pedra de esquina, quando as estrelas da alva juntas alegremente cantavam, e todos os filhos de Deus jubilavam?” (Jó 38:4-7). Por esse motivo ele disse: “Façamos o homem nossa (de Deus e dos anjos) imagem e semelhança”. Deus não estava só, mas ao dizer que tudo foi criado somente por Ele, então deve significar que Deus criou tudo somente por Ele.

Jesus não é o criador ou co-criador do universo – as Escrituras ensinam enfaticamente que somente Deus Pai é o criador de todas as coisas. Isso é visto em muitas passagens do AT, e não dão a menor sugestão de que Ele foi ajudado de alguma maneira por outra pessoa. 

Gênesis 1: 1 diz que “no princípio, Deus criou os céus e a terra“. Não é deuses criaram!

O Senhor criou todas as coisas por meio de Sua palavra. Somente neste capítulo 1 de Gênesis, a frase “e Deus disse”, ou similar, ocorre onze vezes. Oito delas podem ser percebidas aqui (vv 3,6,9,11,14,20,24,26) e são declarações de um ato de criação da mesma  maneira de quando Ele disse: Haja luz”. As outras três instâncias (vv.22,28,29) são comandos auxiliares dados às coisas que Deus já havia criado, nos moldes de “Seja frutífero e multiplique”. Seis dos onze casos concluem com, “e foi assim”.

Deus foi o criador; somente Ele

Neemias 9:6 “Tu, só tu, és Senhor; tu fizeste o céu e o céu dos céus, juntamente com todo o seu exército, a terra e tudo quanto nela existe, os mares e tudo quanto neles há, e tu os conservas a todos, e o exército do céu te adora

Salmo 8: 3 “Quando contemplo os teus céus, obra dos teus dedos, a lua e as estrelas que estabeleceste“.

Salmo 19: 1 “Os céus proclamam a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos“.

Salmo 102: 25 “Desde a antiguidade fundaste a terra; e os céus são obra das tuas mãos“.

Salmos 136:4-6 “ao único que faz grandes maravilhas, porque a sua benignidade dura para sempre; àquele que com entendimento fez os céus, porque a sua benignidade dura para sempre; àquele que estendeu a terra sobre as águas, porque a sua benignidade dura para sempre”.

Salmos 146: 5,6 “Bem-aventurado aquele que tem o Deus de Jacó por seu auxílio, e cuja esperança está no Senhor seu Deus que fez os céus e a terra, o mar e tudo quanto neles há, e que guarda a verdade para sempre”.

Isaías 40:28 “Não sabes, não ouviste que o eterno Deus, o Senhor, o Criador dos confins da terra, não se cansa nem se fatiga? E inescrutável o seu entendimento”.

Isaías 42:5 “Assim diz Deus, o Senhor, que criou os céus e os desenrolou, e estendeu a terra e o que dela procede; que dá a respiração ao povo que nela está, e o espírito aos que andam nela”.

Isaías 45:12 “Eu é que fiz a terra, e nela criei o homem; as minhas mãos estenderam os céus, e a todo o seu exército dei as minhas ordens”.

Isaías 48:13 “… a minha mão fundou a terra, e a minha destra estendeu os céus; quando eu os chamo, eles aparecem juntos“.

Isaías 51:13 “e te esqueces do Senhor, o teu Criador, que estendeu os céus, e fundou a terra…”.

Jeremias 10:12 “Ele fez a terra pelo seu poder; ele estabeleceu o mundo por sua sabedoria e com a sua inteligência estendeu os céus“.

Jeremias 27: 5 “Sou eu que, com o meu grande poder e o meu braço estendido, fiz a terra com os homens e os animais que estão sobre a face da terra; e a dou a quem me apraz“.

Zacarias 12:1 “A palavra do Senhor acerca de Israel: Fala o Senhor, o que estendeu o céu, e que lançou os alicerces da terra e que formou o espírito do homem dentro dele“.

Esses versículos mostram que o Senhor criou todas as coisas sem a ajuda de ninguém. Isso é afirmado com dupla ênfase – “sozinho” e “por mim mesmo” – no seguinte verso – novamente para que você não esqueça: “Assim diz o Senhor, o seu redentor, que o formou no ventre: Eu sou o Senhor, que fiz todas as coisas, que sozinho estendi os céus, que espalhei a terra por mim mesmo” (Isaías 44:24).  Leia meu artigo, “Façamos o homem”

No Novo Testamento Deus é o único Criador

O Novo Testamento continua o ensino do Antigo Testamento de que o Senhor é o único Criador. As seguintes passagens do não dão nenhuma dica de que Cristo ajudou na obra da criação de Deus: “Ao ouvirem isto, levantaram unanimemente a voz a Deus e disseram: Senhor, tu que fizeste o céu, a terra, o mar, e tudo o que neles há…” (Atos 4:24). Nesta oração, o povo declara que Deus é o criador de todas as coisas. No entanto, eles falam duas vezes de “teu santo servo Jesus” (vv 27,30), mas nada acrescentam sobre alguma participação dele na criação.

Atos 7: 48-50, diz: “mas o Altíssimo não habita em templos feitos por mãos de homens, como diz o profeta: O céu é meu trono, e a terra o escabelo dos meus pés. Que casa me edificareis, diz o Senhor, ou qual o lugar do meu repouso? Não fez, porventura, a minha mão todas estas coisas”?

Atos 14:15 acrescenta: “Senhores, por que fazeis estas coisas? Nós também somos homens, de natureza semelhante à vossa, e vos anunciamos o evangelho para que destas práticas vãs vos convertais ao Deus vivo, que fez o céu, a terra, o mar, e tudo quanto há neles“. E Atos 17: 24-26 atesta: “O Deus que fez o mundo e tudo o que nele há, sendo ele Senhor do céu e da terra, não habita em templos feitos por mãos de homens; nem tampouco é servido por mãos humanas, como se necessitasse de alguma coisa; pois ele mesmo é quem dá a todos a vida, a respiração e todas as coisas“. 

O contexto imediato (v 31) diz que Deus havia designado um homem a quem Ele ressuscitou dentre os mortos, mas não há nenhuma associação desse homem na criação daquele que “criou o mundo e tudo que nele há” (v 24).

O testemunho de Paulo não é diferente. Para ele, Deus é o criador: “Pois os seus atributos invisíveis, o seu eterno poder e divindade, são claramente vistos desde a criação do mundo, sendo percebidos mediante as coisas criadas, de modo que eles são inescusáveis” Romanos 1:20. E ele acrescenta em Efésios 3: 9 “… Deus, que tudo criou“. O escritor de Apocalipse segue na mesma linha:  “… Temei a Deus, e dai-lhe glória …  adorai aquele que fez o céu, e a terra, e o mar, e as fontes das águas” Apocalipse 14: 7.

Nada menos que quatro desses textos são de Atos. Este é o livro que narra a saída do evangelho da salvação do centro do mundo espiritual, Jerusalém, para o centro do mundo secular, Roma. Na promulgação do evangelho, é importante declarar quem é o Deus de quem o evangelho procede e quem é o Deus que envia seus apóstolos ao mundo para pregá-lo.

Que Deus é o criador do céu e da terra – e de tudo que neles há – é a sua “marca de identificação”. Os trinitarianos devem pensar cuidadosamente no que estão fazendo quando atribuem a marca de identificação de Deus como Criador, a outro. Ao fazê-lo, eles estão tratando o Senhor com desprezo, visto que, segundo as Escrituras, somente Ele é o criador de todas as coisas. Sua criação revela Sua glória ( Romanos 1:20 ), glória que ele, na criação, não divide com outrem. Observe que em Romanos 1:25 , Paulo se refere no singular ao “Criador, que é bendito para sempre! Amém“.

Jesus também se exclui da criação ao fazer referência ao Criador, no singular: “Respondeu-lhe Jesus: Não tendes lido que o Criador os fez desde o princípio homem e mulher” (Mateus 19:4). E novamente ele descreve a criação original como sendo trabalho de Deus, não dele: “Porque naqueles dias haverá uma aflição tal, qual nunca houve desde o princípio da criação, que Deus criou, até agora, nem jamais haverá”, Marcos 13:19. Compare com  Hebreus  4:4, onde Deus, não Jesus, descansou da obra da criação, “Porque em certo lugar disse assim do dia sétimo: E repousou Deus de todas as suas obras no sétimo dia”.

Como visto, o prólogo do Quarto Evangelho não trata da Criação em Genesis, não mostra Jesus como criador e nem afirma que ele é preexistente – é um erro de interpretação que tem enganado toda cristandade.

A Deus toda Glória

 

Publicado em JESUS DE NAZARÉ NA ESCRITURA

Quem é o Príncipe do Exército do Senhor?

Depois que Josué e o povo de Israel cruzaram o Jordão, antes de atacarem Jericó, ele teve este estranho encontro:

E sucedeu que, estando Josué perto de Jericó, levantou os seus olhos e olhou; e eis que se pôs em pé diante dele um homem que tinha na mão uma espada desembainhada; e chegou-se Josué a ele, e disse-lhe: És tu dos nossos, ou dos nossos inimigos?

E disse ele: Não, mas venho agora como príncipe do exército do SENHOR. Então Josué se prostrou com o seu rosto em terra e o adorou, e disse-lhe: Que diz meu senhor ao seu servo?

Então disse o príncipe do exército do Senhor a Josué: Descalça os sapatos de teus pés, porque o lugar em que estás é santo. E fez Josué assim”? (Josué 5:13-15).

Este príncipe é um anjo; e os anjos foram criados por Deus: “Assim, os céus, e a terra, e todo o seu exército foram acabados” (Gn 2.1). Os anjos estão incluídos aqui como parte do exército celestial. Davi chama os anjos de ministros de Deus: “Bendizei ao SENHOR, todos os seus exércitos, vós, ministros seus, que executais o seu beneplácito” (Sl 103.21). Em Neemias é dito que Deus os criou: “Tu só és SENHOR, tu fizeste o céu, o céu dos céus e todo o seu exército, a terra e tudo quanto nela há, os mares e tudo quanto neles há; e tu os guardas em vida a todos, e o exército dos céus te adora” (Ne 9.6).

Por meio desta adoração feita pelos levitas nos dias de Esdras e Neemias, o Senhor nos revela que os anjos, isto é, Seu exército, foram criados por Ele. Que o exército do Senhor deve significar os anjos fica claro em textos como Gênesis 32: 2 ; 1 Reis 22:19; 2 Reis 6:16-17; Salmo 103: 20, 21 ; Salmo 148: 2.

Veja as passagens

Jacó também seguiu o seu caminho; e encontraram-no os anjos de Deus. Quando Jacó os viu, disse: Este é o exército de Deus. E chamou àquele lugar Maanaim” (Gênesis 32:1-2).

Micaías prosseguiu: Ouve, pois, a palavra do Senhor! Vi o Senhor assentado no seu trono, e todo o exército celestial em pé junto a ele, à sua direita e à sua esquerda” (1 Reis 22:19).

Bendizei ao Senhor, vós anjos seus, poderosos em força, que cumpris as suas ordens, obedecendo à voz da sua palavra! Bendizei ao Senhor, vós todos os seus exércitos, vós ministros seus, que executais a sua vontade! (Salmos 103:20-21).

Louvai-o, todos os seus anjos; louvai-o, todos os seus exércitos” (Salmos 148:2).

O Príncipe do exército do Senhor, visto por Josué, é um anjo; ele aparece no meio do acampamento sem avisar. Ele está com uma “espada desembainhada em sua mão”. Esta expressão ocorre apenas mais três vezes no AT e se refere apenas aos guerreiros angélicos: “A jumenta viu o anjo do Senhor parado no caminho, com a sua espada desembainhada na mão e, desviando-se do caminho, meteu-se pelo campo; pelo que Balaão espancou a jumenta para fazê-la tornar ao caminho” (Números 22:23). Compare com 22:31: “Então o Senhor abriu os olhos a Balaão, e ele viu o anjo do Senhor, que estava no caminho e a sua espada desembainhada na mão; pelo que inclinou a cabeça, e prostrou-se sobre a sua face”. Como Josué, Balaão se curva ao chão ao identificar o homem misterioso.

Em 1 Crônicas 21 (referência cruzada de 2 Samuel 24 ), quando Davi e Israel são punidos com uma praga, Davi vê “o anjo do Senhor em pé entre o céu e a terra, com uma espada desembainhada na mão dirigida contra Jerusalém” (1 Cr 21:16). Como Balaão e Josué, Davi e os anciãos de Israel se prostram ao chão ao ver o anjo. Aqui ele eles o fazem para evitar mais punições: “E Davi, levantando os olhos, viu o anjo do Senhor, que estava entre a terra e o céu, tendo na mão uma espada desembainhada estendida sobre Jerusalém. Então Davi e os anciãos, cobertos de sacos, se prostraram sobre os seus rostos” (1 Crônicas 21:16).

Alguns teólogos especulam que este anjo que aparece para Josué é Jesus Cristo preencarnado. A reinvindicação é que, como não devemos adorar anjos (Colossenses 2:18; Apocalipse 19:10; 22: 8-9) ou homens (Atos 10:26; Mt 4:10), logo, esse capitão do exército do Senhor só pode ser Jesus antes da sua encarnação porque Josué o adorou. E se Josué o adorou, e só Deus poder ser adorado, então Jesus é Deus, concluem os trinitarianos.

Josué não adorou o anjo, como veremos adiante. Além disso, este anjo não pode ser o Cristo preencarnado, pois os anjos foram criados por Deus e isso vai contra o conceito primário trinitariano de que Jesus é um ser eterno, não criado.

A palavra “anjo” significa “mensageiro”. Jesus não pode ter sido usado por Deus como um mensageiro no VT (Hb 1:1,2). Ele é o mediador da Nova Aliança. O mediador da Nova Aliança nunca foi um anjo (Hb 1:4,5). Além disso, o ministério do Filho não havia se iniciado ainda (Compare com Gal 4:4 e Hebreus 1:1). De fato, a missão de Jesus como Aquele que o Pai enviou ao mundo só teve início um milênio e meio depois de Josué (João 8:18, João 3:17).

Este comandante é apenas um anjo, embora não seja um anjo qualquer; ele é alguém que fala no lugar de Deus. Observe que o capitão do exército do Senhor usa a mesma linguagem usada em Êxodo 3: 5 (“Tira as sandálias dos pés, porque o lugar em que estás é santo” – Josué 5:15). Porém, não implica que essa pessoa seja necessariamente Deus. A linguagem é idêntica àquela usada na ocasião do Monte Sinal, na entrega das tábuas dos Mandamentos, mas quem falou com Moisés ali foi um anjo; “Moisés esteve na congregação no deserto, com o anjo que lhe falava no monte Sinai, e com os nossos antepassados, e recebeu palavras vivas, a fim de nos serem transmitidas” (Atos 7:38). Na ocasião da sarça ardente (Êxodo 3:2), quem também falou a Moisés foi um anjo: “E apareceu-lhe o anjo do Senhor em uma chama de fogo do meio duma sarça…”.

Ao longo do AT, Deus fala através de um anjo (Gênesis 16: 7-13; 48: 15-16; Êxodo 3: 2 -6). O anjo do Senhor é uma representação do próprio Deus. Portanto, o anjo que Josué viu era o Príncipe das “hostes” do Senhor que era uma hoste angélica: “Louvai-o, todos os seus anjos; louvai-o, todas as suas hostes!” (Salmos:148:2). O texto (Josué 5:14 ACF) identifica a figura como “o Príncipe do exército do Senhor”, não o próprio Senhor. O próprio título é uma forte evidência de que alguém além do Senhor é indicado. Este “capitão do exército do Senhor” faz parte de uma “hoste” angelical. Hoste na Bíblia é um exército invisível, invisível ao olho humano que cerca o trono de Deus.

Leia os textos: “Orou Eliseu e disse: Senhor, peço-te que lhe abras os olhos para que veja. O Senhor abriu os olhos do moço, e ele viu que o monte estava cheio de cavalos e carros de fogo, em redor de Eliseu” (2 Reis 6:17).

Bendizei ao Senhor, todos os seus exércitos, vós, ministros seus, que fazeis a sua vontade” (Salmos 103:21).

Louvai-o, todos os seus anjos; louvai-o, todas as suas legiões celestes” (Salmos 148:2).

Lembre-se que Cristo disse que doze legiões de anjos estavam prontos para defendê-lo.

O exame das Escrituras revela que Deus frequentemente emprega anjos no desdobramento de Seu plano de redenção. Do anjo que guardava o caminho para a árvore da vida em Gênesis 3:24 ao anjo que Jesus enviou para dar a visão final da Palavra de Deus em Apocalipse 22:16. Os anjos são usados para dar ajuda física ao povo de Deus, liberar mensagens e até mesmo executar julgamento sobre o impenitente.

O aparecimento de uma figura que é descrita com os títulos ou características de Deus, mas também com os de um anjo, não é incomum no VT (Juízes 13:3 e 13:22). Outros exemplos podem ser encontrados fazendo uma pesquisa sobre o “Anjo do Senhor”.

Na verdade, muitas vezes, quando essas figuras aparecem, são referidas como o Senhor e seu anjo indistintamente (por exemplo, “o Anjo de Deus disse Eu sou o Deus de Betel” (Gn 31:11-13). O próprio Deus diz sobre o anjo que seguia Israel pelo deserto: “meu nome está nele” (Êxodo 23:21). Acredito que isto destaca o fato de que sempre que o Deus infinito aparece ao homem, há necessariamente um aspecto mediador – nunca se pode vê-lo “como Ele é” (João 1:18), mas apenas como Ele se revela. Isso nos lembra de Sua glória inefável e majestade insondável.

Como todos os outros anjos, o capitão pode atuar como um mensageiro de Deus (Êxodo 23: 20-22). Quando ele e outros anjos funcionam dessa maneira, eles podem falar como Deus, agir como Deus, receber homenagem como Deus, etc., porque eles tem a autoridade de Deus, embora permaneçam distintos.

Acho que a chegada do capitão foi significativa para Josué porque foi o cumprimento da promessa de Deus de que Israel receberia a liderança de um anjo particularmente poderoso, que possui plena autoridade e identidade do Senhor, para derrotar os residentes de Canaã (Êxodo 23: 23-24). Ao resgatar Israel do Egito, o anjo trabalhou sozinho, não como um líder militar (Êxodo 14: 19-20). Mas quando chegou a hora de os israelitas começarem sua campanha em Canaã, o anjo tomou seu lugar como capitão do exército do Senhor para “expulsar os cananeus, os amorreus, os hititas, os perizeus, os heveus e os jebuseus”, como Deus prometeu (Êxodo 33: 2), então ele apareceu a Josué “com uma espada desembainhada na mão”; o ser se identifica como o “comandante” do exército do Senhor, que ao mesmo tempo era o próprio Senhor, o Deus Pai, é claro. No versículo 6: 2, Josué afirma que o Senhor falou, sendo este o anjo no versículo 5: 14-15. Isso deve apenas significar que o Senhor falou por meio deste homem (anjo).

Vemos situações semelhantes em outros textos. O “Anjo do Senhor” manifestado a Gideão (Juízes 6: 11-22). O “anjo do Senhor” (versículo 11) é equiparado ao “Senhor”. O verso 24 diz: “Gideão edificou ali um altar ao Senhor”.

Leia sobre o anjo manifestado a Manoá (Juízes 13: 3-21); o verso 3 se refere a ele como o “anjo do Senhor” (versículo 3) que ela viu como “um homem de Deus” (versículo 6). Note esse detalhe; ela diz ao marido: “Veio a mim um HOMEM de Deus”. E Manoá disse que eles “viram a Deus” (versículo 22).

Josué adorou o Anjo?

O fato de que Josué adorou esse anjo não é uma indicação tão clara quanto se propõe. A palavra hebraica shachah, que é traduzida aqui como adoração, às vezes é traduzida nas Escrituras como reverência, o tipo de reverência que um homem pode dar a um homem que é seu superior ou que um homem pode dar a um anjo com justiça. Este é o tipo de reverência que os irmãos de José lhe ofereceram (Gênesis 43:28), que Moisés ofereceu a seu sogro (Êxodo 18: 7), o mesmo gesto foi oferecido ao Rei Salomão pela sua própria mãe (1 Reis 1:16). Como o gesto que Rute prestou a Boaz: “Então ela, inclinando-se e prostrando-se com o rosto em terra, perguntou-lhe: Por que achei eu graça aos teus olhos, para que faças caso de mim, sendo eu estrangeira?” (Rute 2:10).

Acompanhe situações semelhantes

E Mefibosete, filho de Jônatas, filho de Saul, veio a Davi e, prostrando-se com o rosto em terra, lhe fez reverência. E disse Davi: Mefibosete! Respondeu ele: Eis aqui teu servo” (2 Samuel 9:6).

A mulher tecoíta, pois, indo ter com o rei e prostrando-se com o rosto em terra, fez-lhe uma reverência e disse: Salva-me, o rei” (Samuel 14:4).

Então aquele servo, prostrando-se, o reverenciava, dizendo: Senhor, tem paciência comigo, que tudo te pagarei” (Mateus 18:26).

E veio Judá com seus irmãos à casa de José, pois ele ainda estava ali; e prostraram-se em terra diante dele” (Gênesis 44:14).

Compare com algumas traduções de Josué 5:14

Josué 5:14, NVI : “ … não, disse ele, mas como comandante do exército do SENHOR eu vim. Então Josué caiu com o rosto no chão em reverência e perguntou-lhe: Que mensagem meu Senhor tem para seu servo?”

Josué 5:14, NASB: “Ele disse: Não; antes, na verdade, venho agora como capitão do exército do Senhor.’ E Josué, prostrando-se com o rosto em terra, curvou-se e disse-lhe: ‘Que tem o meu senhor a dizer ao seu servo?”

Josué 5:14, NLT : “Nenhum dos dois, respondeu ele. sou o comandante do exército do Senhor. ‘ Com isso, Josué caiu com o rosto no chão em reverência. ‘Estou às suas ordens’, disse Josué. O que queres que seu servo faça?”

Josué 5:14 (LEB) “E ele disse: Não. Eu vim agora como comandante do exército de Yahweh. E Josué prostrou-se com o rosto em terra, {inclinou-se} e disse-lhe: O que é que meu senhor está ordenando ao seu servo?”

Josué 5:14 (NAS) “Ele disse: não; antes, na verdade, venho agora como capitão do exército do Senhor.” E Josué, prostrando-se com o rosto em terra, curvou-se e disse-lhe: O que tem o meu senhor a dizer ao seu servo?”

Josué 5:14 (NCV) “O homem respondeu: não. Vim como comandante do exército do Senhor”. Então Josué se curvou com o rosto para baixo no chão e perguntou: Meu senhor tem uma ordem para mim, seu servo?”

Josué 5:14 (NIRV) “Não estou de nenhum lado”, respondeu ele. Eu vim como comandante do exército do Senhor. Então Josué caiu com o rosto no chão. Ele perguntou ao homem: Que mensagem meu Senhor tem para mim?”

Josué 5:14 (NLT) “Nenhum dos dois”, respondeu ele. Eu sou o comandante do exército do Senhor.” Com isso, Josué caiu com o rosto no chão em reverência. Estou às suas ordens, disse Joshua. O que você quer que seu servo faça?”

Josué 5:14 (OJB) “E ele disse: Lo (não); mas como Sar Tze’va Hashem sou, agora vim. E Yehoshua caiu com o rosto no chão, prostrou-se e disse-lhe: O que diz Adoni a seu eved?”

Versão contemporânea em inglês “Nenhum dos dois, respondeu ele. Estou aqui porque sou o comandante do exército do Senhor.” Josué caiu de joelhos e se curvou no chão. Eu sou seu servo, disse ele. “Me diga o que fazer”.

NET Bible, “Ele respondeu: “Na verdade, sou o comandante do exército do Senhor. Josué se curvou com o rosto para o chão e perguntou: “O que meu senhor quer dizer ao seu servo?”

JPS Tanakh 1917 “E ele disse: não, mas eu sou o chefe do exército do Senhor; Eu agora vim. E Josué, prostrando-se com o rosto em terra, curvou-se e disse-lhe: Que diz meu senhor a seu servo?”

New American Standard 1977 “E ele disse: “não, eu realmente venho agora como capitão do exército do Senhor”. E Josué, prostrando-se com o rosto em terra, disse-lhe: “Que tem o meu senhor a dizer ao seu servo?”

Tradução literal de Young “E ele disse: não, porque sou o Príncipe do exército de Jeová; agora eu vim; ‘ e Josué, prostrando-se com o rosto em terra, curvou-se e disse-lhe: ‘O que meu Senhor fala a Seu servo?

Isso é uma reação de um servo em submissão na presença do seu Rei e não pode ser classificado como adoração: Josué caiu com o rosto no chão e se curvou e disse a Ele: “O que meu senhor tem a dizer ao seu servo”? Isto é, que ordens o meu Senhor tem para mim – ele estava pronto para executá-las. Josué estava sinceramente disposto a sujeitar-se a ele como chefe-general das forças israelitas, a considerar-se e a comportar-se como um oficial subordinado a ele e a obedecer a todas as ordens que deveriam ser dadas.

A atitude dos irmãos de José, que não o reconheceram no Egito, foi similar ao ato de Josué. Considerando José como o “Senhor da terra” (Gn 42:30,33), seus irmãos “se prostraram diante dele” (Gn 43:28).

Em várias passagens das Escrituras podemos observar a mesma atitude de pessoas reverenciando reis de Israel e outros homens de posição elevada, sendo que o uso da palavra é a mesma de Josué 5:14.

Evidente que o homem visto por Josué não é um homem comum. Ele é o capitão do exército do Senhor, enviado para dar instruções e ajudar Josué e o povo na conquista de Jericó. Ao ver este homem, Josué se joga no chão e lhe presta reverência respeitosamente. De acordo com a cultura de então, as pessoas reverenciavam aqueles com maior autoridade. Além disso, quando Josué se refere a este ser com a palavra “senhor”, ele usa a palavra hebraica “Adoni” (que é usada, também, para seres humanos) não Yahweh.

Em resposta à revelação do caráter do homem que viu, Josué “prostrou-se com o rosto em terra, o reverenciou, e disse-lhe: Que diz meu senhor ao seu servo”? O verbo se refere tanto à adoração a Deus (Gn 24:26) quanto à prostração em reverência ou respeito perante os homens (Gn 23:12) ou anjos (Gn 19: 1). O verbo aparece como “curvar-se/abaixar” em Isaías 51:23, e em Provérbios 12:25, como “inclinar-se”.

O verbo é traduzido como “adorar” 99 vezes de suas 172 aparições nas Escrituras, e nas outras ocasiões aparece como “curvar-se” ou “inclinar-se”. E no caso de Josué, a palavra não prova conclusivamente que ele se prostrou diante do anjo em adoração – não será necessário discursar aqui sobre a identidade desse homem, que é um anjo; se é um anjo, não pode ser Jesus. Além disso, o próprio Deus fez uma distinção clara entre Jesus e os anjos: “Pois a qual dos anjos disse jamais: Tu és meu Filho, eu hoje te gerei? E outra vez: Eu lhe serei Pai, e ele me será Filho? (Hebreus 1: 5). Deus confirma, de forma indireta, que aquele anjo que se manifestou a Josué jamais foi seu filho!

O Príncipe do Exército do Senhor e Miguel

Antes de responder se este Comandante do exército do Senhor é Miguel, eu vou mostrar quem Miguel não é; de acordo com as Testemunhas de Jeová, Jesus pode ser entendido “pelas escrituras como o arcanjo Miguel” (Torre de Vigia, 1979, p. 29). “O grande príncipe Miguel não é outro senão o próprio Jesus Cristo” (Torre de Vigia, 1984, p. 29). A edição de 15 de maio de 1969 da Torre de Vigia das Testemunhas de Jeová, sugeriu: “Há evidências bíblicas para concluir que Miguel era o nome de Jesus Cristo antes de deixar o céu e depois de seu retorno” (p. 307).

Um texto chave usado por eles é Daniel 12: 1 “E naquele tempo se levantará Miguel, o grande príncipe que representa os filhos do teu povo: e haverá um tempo de angústia, como nunca houve desde que houve uma nação [até] para o mesmo tempo: e naquele tempo o teu povo será entregue, todo aquele que for achado escrito no livro

Daniel fala de Miguel como príncipe em 10: 21: “Mas eu te declararei o que está expresso na escritura da verdade; e ninguém há que esteja ao meu lado contra aqueles, a não ser Miguel, vosso príncipe”.

Na visão do mundo hebraico antigo, e na realidade, Deus designa anjos para governar e influenciar governos humanos (por exemplo, 1 Reis 22). Esses anjos são chamados de “príncipes”. Em Daniel 10:13, aprendemos que o príncipe da nação pagã da Pérsia se opôs ao mensageiro angelical enviado a Daniel. Em outras palavras, o príncipe da Pérsia era um anjo caído.

Os problemas para os Testemunhas de Jeová e alguns grupos Adventistas do Sétimo dia, que continuam ensinando que o Anjo Miguel é Jesus, são gigantescos.

Miguel não é Jesus

O “arcanjo” Miguel é citado em apenas três livros da Bíblia; em Daniel, Apocalipse e Judas. Vou focar aqui em Judas 1: 8,9, que diz: “Ora, estes, da mesma sorte, quais sonhadores alucinados, não só contaminam a carne, como também rejeitam governo e difamam autoridades superiores.

Contudo, o arcanjo Miguel, quando contendia com o diabo e disputava a respeito do corpo de Moisés, não se atreveu a proferir juízo infamatório contra ele; pelo contrário, disse: O Senhor te repreenda!”

Miguel, que nem mesmo achava apropriado condenar ou repreender o diabo em seu próprio nome, mas apenas em nome do Senhor, disse a ele: “O Senhor te repreenda”. Mas Jesus, o Filho de Deus, nunca foi de forma alguma subserviente ao diabo. Satanás nunca teve autoridade sobre o Filho de Deus. Quando Jesus se envolveu diretamente com Satanás, visto mais claramente em sua tentação, Ele apresentou uma atitude muito diferente daquela de Miguel; Jesus se mostra disposto a corrigir e repreender Satanás diretamente: “Levou-o ainda o diabo a um monte muito alto, mostrou-lhe todos os reinos do mundo e a glória deles e lhe disse: Tudo isto te darei se, prostrado, me adorares. Então, Jesus lhe ordenou: Retira-te, Satanás, porque está escrito: Ao Senhor, teu Deus, adorarás, e só a ele darás culto. Com isto, o deixou o diabo, e eis que vieram anjos e o serviram” (Mateus 4:8-11).

Percebam a diferença na autoridade; Miguel não ousou pronunciar nenhuma sentença de injúria contra o diabo (cf. 2 Pedro 2:11), mas Jesus o fez. Jesus uma vez declarou sobre Satanás: “Vós tendes por pai ao diabo, e quereis satisfazer os desejos de vosso pai. Ele foi homicida desde o princípio, e não se firmou na verdade, porque não há verdade nele. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso, e pai da mentira” (João 8:44).

Jesus não abordou o assunto de repreender Satanás com a mesma hesitação dos anjos piedosos como Miguel. Jesus, como Senhor do céu e da terra (Mateus 28: 18), ousadamente chamou o diabo de assassino e mentiroso, e chegou a declarar que “não há verdade nele”. O Filho de Deus obviamente não é o arcanjo Miguel.

O próprio fato de vermos que o Arcanjo Miguel disse: ‘O Senhor te repreende’, demonstra que ele não pode ser Jesus. Em outras palavras, se Miguel era o Senhor Jesus, por que Ele se referiria a outra pessoa como Senhor?

Miguel é um deles

Daniel 10:13 diz: “Mas o príncipe do reino da Pérsia me resistiu por vinte e um dias; porém Miguel, um dos primeiros príncipes, veio para ajudar-me, e eu obtive vitória sobre os reis da Pérsia”.

Observe que Miguel é “UM DOS primeiros príncipes chefes”, o que significa que há vários de categoria semelhante e, portanto, isso só pode se referir a vários seres criados de alta posição. Miguel é o príncipe-chefe dos anjos. Jesus nunca recebeu o título de “príncipe chefe” entre Seus muitos nomes, que incluem “Rei dos reis e Senhor dos senhores” ( Apocalipse 19:16 ). Miguel é um dos vários comandantes do exército angelical. Ele não é único. Jesus, no entanto, não pode ser descrito como um dos principais príncipes, simplesmente um entre muitos príncipes; Ele é o Rei dos reis e Senhor dos senhores, o Chefe de todos os governantes e autoridades:

Esta é a palavra que Deus enviou aos filhos de Israel, anunciando-lhes o evangelho da paz, por meio de Jesus Cristo. Este é o Senhor de todos… e nos mandou pregar ao povo e testificar que ele é quem foi constituído por Deus Juiz de vivos e de mortos” (Atos 10:36, 42 – compare com Romanos 10:12; 14: 9).

“… a suprema grandeza do seu poder para com os que cremos, segundo a eficácia da força do seu poder; o qual exerceu ele em Cristo, ressuscitando-o dentre os mortos e fazendo-o sentar à sua direita nos lugares celestiais, acima de todo principado, e potestade, e poder, e domínio, e de todo nome que se possa referir não só no presente século, mas também no vindouro. E pôs todas as coisas debaixo dos pés e, para ser o cabeça sobre todas as coisas, o deu à igreja, a qual é o seu corpo, a plenitude daquele que a tudo enche em todas” (Efésios 1: 19-23).

“… Jesus Cristo, o qual, depois de ir para o céu, está à destra de Deus, ficando-lhe subordinados anjos, e potestades, e poderes” (1 Pedro 3:22).

Eles farão guerra contra o Cordeiro, mas o Cordeiro os vencerá porque é o Senhor dos senhores e Rei dos reis – e com ele estarão seus seguidores chamados, escolhidos e fiéis” (Apocalipse 17:14 – cf. 19: 11-21; 1: 5; 3:21; 11:15; 12: 5, 10; 22: 1-3).

Assim, Miguel faz parte de um grupo de criaturas, e por mais graduado que seja, não pode ser Jesus, que detém a autoridade suprema sobre eles. Não sabemos quão grande é esse grupo do qual Miguel faz parte, mas ele não está sozinho nessa classe.

Mas os argumentos dos TJ não se encerram aqui; eles usam as palavras de Paulo sobre a volta do Senhor para validar seu ensino; observe que quando Cristo retornar, Ele virá com a voz, ou grito de comando, do arcanjo: “Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro” (1 Tessalonicenses 4:16 ). Se Cristo vem com a voz de arcanjo, eles dizem que Ele deve ser esse arcanjo. Entendem que o único arcanjo citado nas Escrituras é Miguel.

O fato de Cristo vir com a voz, ou grito de comando do arcanjo, não significa que Ele seja esse arcanjo. Qual arcanjo está descendo do céu não está claro, pois há mais de um. Pode nem ser Miguel. Além disso, basta atentar para aparte b do texto quando diz que Ele vem “com o toque da trombeta de Deus”, o que apenas deve significar que outro soa a trombeta. logo, quando lemos que o “Senhor descerá do céu, com a voz do arcanjo”, significa apenas que Sua vinda se seguirá ao brado de um dos anjos da hoste celestial. Sabemos que Jesus não está voltando sozinho, Ele está vindo COM seus anjos: “E a vós, que sois atribulados, descanso conosco, quando se manifestar o Senhor Jesus desde o céu com os anjos do seu poder” (2 Tessalonicenses 1: 7).

O anjo Miguel não pode ser Jesus, pois a qual dos anjos Deus disse: “Sente-se à minha direita?” (Hebreus 1:13). Jesus não poderia, portanto, ser o arcanjo Miguel porque as Escrituras dizem que Jesus está assentado à destra de Deus Pai.

Em Hebreus 1-3 , o autor se propõe a demonstrar que Jesus é superior aos profetas, anjos e Moisés. Somos informados de que Jesus é a revelação final de Deus (1: 1-2). Depois de declarar explicitamente que Ele é “muito superior aos anjos”, o autor de Hebreus escreve: “Pois a qual dos anjos Deus disse: ‘Tu és meu Filho, hoje eu te gerei?” (Hb 1:5). A resposta óbvia a esta pergunta hipotética é que Deus nunca disse isso a nenhum anjo!

Miguel lidera uma multidão de anjos em uma guerra vitoriosa contra Satanás e seus demônios em Apocalipse 12. Se o menino que sobe para Deus é Jesus, como entendem os católicos e uma multidão enorme de evangélicos, então Jesus não pode ser ao mesmo tempo o anjo Miguel do texto.

A mulher, que para os católicos é Maria, “deu à luz um filho, um varão que há de reger todas as nações com vara de ferro; e o seu filho foi arrebatado para Deus e para o seu trono. E a mulher fugiu para o deserto, onde já tinha lugar preparado por Deus, para que ali fosse alimentada durante mil duzentos e sessenta dias. Então houve guerra no céu: Miguel e os seus anjos batalhavam contra o dragão. E o dragão e os seus anjos batalhavam …” (Apocalipse 12:5-7).

Jesus (Apocalipse 12: 5) é distinto de Miguel (Apocalipse 12: 7). Como Jesus poderia ser Miguel se ambos são personagens separados na mesma história? Além disso, o livro de Apocalipse se refere a Jesus como “Jesus Cristo” sete vezes, “Jesus” seis vezes, “Cristo” quatro vezes, “Senhor Jesus” uma vez e “Senhor Jesus Cristo” uma vez. Por que o autor do livro do Apocalipse de repente chamaria Jesus Cristo pelo nome de Miguel? Não faz sentido – especialmente porque não há nada em nenhum outro lugar da Bíblia que apoie uma mudança repentina de nome como essa.

Depois de ascender ao céu, o Senhor e Salvador ainda é chamado de Jesus (Atos 9: 5; Apocalipse 22:16). Apocalipse 22:16 destrói ainda mais a distorção de Apocalipse 1: 1 para retratar erroneamente Jesus como um anjo, pois foi Jesus quem enviou seu anjo a João.

O Comandante do Exército do Senhor não é Miguel

Os primeiros cristãos identificaram o comandante do exército de Deus com Miguel. Em Josué, a palavra hebraica para “comandante” é śar. A palavra śar é traduzida em inglês como “príncipe, chefe, capitão, capitão-chefe”. Miguel aparece em Daniel 10:21 como “seu príncipe”. Em Daniel 10:13 ele aparece como “um dos príncipes-chefes” e em Daniel 12: 1 ele aparece como “o grande príncipe”. A referência em Daniel 8:11 é debatida. O “comandante do exército do céu” (Daniel 8:11 NLT) ou “príncipe das hostes” (Daniel 8:11- NRS) foi identificado com Jesus, o que não é verdade.

Veja os textos

Mas o príncipe do reino da Pérsia me resistiu por vinte e um dias; e eis que Miguel, um dos primeiros príncipes, veio para ajudar-me, e eu o deixei ali com os reis da Pérsia. Contudo eu te declararei o que está gravado na escritura da verdade; e ninguém há que se esforce comigo contra aqueles, senão Miguel, vosso príncipe” (Daniel:10:13,21).

Naquele tempo se levantará Miguel, o grande príncipe, que se levanta a favor dos filhos do teu povo; e haverá um tempo de tribulação, qual nunca houve, desde que existiu nação até aquele tempo; mas naquele tempo livrar-se-á o teu povo, todo aquele que for achado escrito no livro” (Daniel:12:1).

Ainda de um deles saiu um chifre pequeno, o qual cresceu muito para o sul, e para o oriente, e para a terra formosa; e se engrandeceu até o exército do céu; e lançou por terra algumas das estrelas desse exército, e as pisou. Sim, ele se engrandeceu até o príncipe do exército; e lhe tirou o holocausto contínuo, e o lugar do seu santuário foi deitado abaixo. E o exército lhe foi entregue, juntamente com o holocausto contínuo, por causa da transgressão; lançou a verdade por terra; e fez o que era do seu agrado, e prosperou” (Daniel 8:9-12).

Observe que no primeiro texto Miguel é chamado de “um dos primeiros príncipes”. No segundo texto ele é chamado de “o grande príncipe”, e no terceiro texto aparece alguém chamado de “o príncipe do exército”, mesma designação dada ao príncipe/comandante que apareceu para Josué, que como já vimos, era um anjo.

Seria este principe do exército aqui em Daniel o mesmo anjo/comandante/príncipe que apresentou-se diante de Josué como uma espada desembainhada? Esse último pode ser o mesmo citado como o anjo do Senhor que apareceu para Balaão e Davi: “o anjo do Senhor … com a sua espada desembainhada” (Balaão, Num 22:23); “o anjo do Senhor … a sua espada desembainhada na mão (Balaão, Num 22:31);o anjo do Senhor, que estava entre a terra e o céu, tendo na mão uma espada desembainhada(Davi, 1 Cro 21:16), e Josué: “um homem que tinha na mão uma espada desembainhada(Josué 5;14) chamado de “príncipe do exército do Senhor”. Lembre-se que a mulher de Manoá chamou um anjo de homem.

Ao dizer para Josué, “… venho agora como príncipe do exército do Senhor…”, ele está simplesmente dizendo que veio enviado por Deus. Em algumas traduções está assim: “Eu venho como príncipe/comandante do exército”, mas em outras, o anjo diz que “é o príncipe/comandante do exército”, o que deve significar apenas que ele é um anjo de Deus representando o próprio Deus.

Não sabemos se o comandante do exército do Senhor, que apareceu para Josué, é Miguel. Porém, podemos afirmar com toda certeza que ele não é Jesus. Sendo Miguel um dos primeiros príncipes do exército do Senhor, podemos inferir que há outros, e não são poucos. Isso deve significar que este comandante visto por Josué é um deles; é um anjo, como vimos, pois todos eles são anjos; são guerreiros do exército celestial.

Quem é o Príncipe do Exército citado em Daniel 8:11?

E o bode se engrandeceu sobremaneira; mas, estando na sua maior força, aquele grande chifre foi quebrado; e no seu lugar subiram outros quatro também notáveis, para os quatro ventos do céu.

E de um deles saiu um chifre muito pequeno, o qual cresceu muito para o sul, e para o oriente, e para a terra formosa.

E se engrandeceu até contra o exército do céu; e a alguns do exército, e das estrelas, lançou por terra, e os pisou.

E se engrandeceu até contra o príncipe do exército; e por ele foi tirado o sacrifício contínuo, e o lugar do seu santuário foi lançado por terra” (Daniel 8:8-11).

A referência mais comparável à frase de Josué 5:14 aparece em Daniel 8:11 , onde o “chifre pequeno (v. 9) … engrandeceu-se contra o príncipe do exército”. O “príncipe do exército” em Daniel 8:11 é debatido, mas ele não é Jesus. Ele pode ser o “Príncipe dos príncipes” citado no verso 25 (Pode ser o próprio Deus?). E note: Daniel apenas menciona o príncipe do exército. Ou seja: O PRÍNCIPE NÃO ESTÁ NA CENA!

Atente para os detalhes; o texto fala do santuário, ou lugar santo do “Príncipe do exército”, isto é, de Deus. A referência é ao templo, se entendermos literalmente. Essa interpretação é a mais provável; e a ideia na frase “príncipe das hostes” é que, como Deus é o governante das hostes do céu – liderando as constelações e comandando as estrelas, ele pode ser considerado o governante do exército sagrado, tanto do Céu como da Terra. Ou seja, as hostes no céu e na terra, estrelas, anjos e ministros terrenos.

A tradução da Easy-to-Read Version (ERV) apresenta o texto confirmando a ideia de que esse príncipe/governante é Deus, Veja em Inglês com a tradução para o Português:

“That little horn became very strong, and it turned against God, the Ruler of heaven’s army. It stopped the daily sacrifices that were offered to the Ruler. And the holy place where people worshiped the Ruler was pulled down”.

Esse chifre pequeno ficou muito forte e se voltou contra Deus, o Governante do exército do céu. Ele parou os sacrifícios diários que eram oferecidos ao Governante. E o lugar sagrado onde as pessoas adoravam o Governante foi demolido“.

A Evangelical Heritage Version (EHV) também aponta para Deus:

“It exalted itself against the Prince of the Army. It deprived him of the continual sacrifice, and the place of his sanctuary was thrown down”.

Exaltou-se contra o Príncipe do Exército. Isso o privou do sacrifício contínuo, e o lugar de seu (do Príncipe do Exército) santuário foi derrubado”.

1599 Geneva Bible (GNV)

“And extolled himself against the prince of the host, from whom the daily sacrifice was taken away, and the place of his Sanctuary was cast down”.

E exaltou-se contra o príncipe do exército, de quem o sacrifício diário foi tirado, e o lugar do seu santuário foi derrubado”.

GOD’S WORD Translation (GW)

“Then it attacked the commander of the army so that it took the daily burnt offering from him and wrecked his holy place”.

Em seguida, atacou o comandante do exército para que tomasse o holocausto diário dele e destruísse seu lugar sagrado”.

Good News Translation (GNT)

“It even defied the Prince of the heavenly army, stopped the daily sacrifices offered to him, and ruined the Temple”.

Até desafiou o Príncipe do exército celestial, interrompeu os sacrifícios diários oferecidos a ele e arruinou o Templo”.

Veja tradução da ISV (International Standard Version)

Depois, opôs-se arrogantemente ao Príncipe do Exército Celestial, de quem o holocausto normal foi retirado, a fim de derrubar seu santuário”.

A Living Bible (TLB)

“He even challenged the Commander of the army of heaven by canceling the daily sacrifices offered to him and by defiling his Temple”.

Ele até desafiou o comandante do exército do céu cancelando os sacrifícios diários oferecidos a ele e profanando seu templo”.

Lexham English Bible (LEB)

“Even against the prince of the hosts it acted arrogantly and took away from him the regular burnt offering, and the place of his sanctuary was overthrown”.

“Mesmo contra o príncipe dos exércitos, agiu com arrogância e tirou dele (do Príncipe=Deus) o holocausto normal, e o lugar do seu (do Príncipe=Deus) santuário foi destruído”.

A International Children’s Bible (ICB) foi a mais clara de todas:

“That little horn became very strong against God, the commander of heaven’s armies. It stopped the daily sacrifices that were offered to the commander. The place where people worshiped the commander was pulled down”.

Esse chifre pequeno ficou muito forte contra Deus, o comandante dos exércitos do céu. Parou os sacrifícios diários que eram oferecidos ao comandante. O lugar onde as pessoas adoravam o comandante foi demolido”.

Agora veja desde o verso 9 pela The Message (MSG) translation:

“Then the billy goat swelled to an enormous size. At the height of its power its immense horn broke off and four other big horns sprouted in its place, pointing to the four points of the compass. And then from one of these big horns another horn sprouted. It started small, but then grew to an enormous size, facing south and east—toward lovely Palestine. The horn grew tall, reaching to the stars, the heavenly army, and threw some of the stars to the earth and stomped on them. It even dared to challenge the power of God, Prince of the Celestial Army! And then it threw out daily worship and desecrated the Sanctuary. As judgment against their sin, the holy people of God got the same treatment as the daily worship. The horn cast God’s Truth aside. High-handed, it took over everything and everyone.

Então o bode inchou e ficou enorme. No auge de seu poder, seu imenso chifre se quebrou e quatro outros grandes chifres brotaram em seu lugar, apontando para os quatro pontos cardeais. E então de um desses grandes chifres outro chifre brotou. Começou pequeno, mas depois cresceu para um tamanho enorme, voltado para o sul e o leste – em direção à adorável Palestina. O chifre cresceu alto, alcançando as estrelas, o exército celestial, e jogou algumas das estrelas para a terra e pisou nelas. Até ousou desafiar o poder de Deus, Príncipe do Exército Celestial! E então expulsou a adoração diária e profanou o Santuário. Como julgamento contra seus pecados, o povo santo de Deus recebeu o mesmo tratamento que a adoração diária. O chifre jogou a verdade de Deus de lado; arrogante, assumiu tudo e todos“.

E a New Century Version (NCV) fecha de forma brilhante:

“That little horn set itself up as equal to God, the Commander of heaven’s armies. It stopped the daily sacrifices that were offered to him, and the Temple, the place where people worshiped him, was pulled down”.

Esse chifre pequeno se apresenta como igual a Deus, o Comandante dos exércitos do céu. Isso parou os sacrifícios diários que eram oferecidos a ele, e o Templo, o lugar onde as pessoas o adoravam, foi demolido”.

Daniel 8:25 esclarece que “ele se levantará contra o Príncipe dos príncipes”; “Contra o Deus dos deuses” (Daniel 11:36; compare com Daniel 7: 8). Ele não apenas se opõe ao antigo povo de Deus, mas também ao próprio Deus.

Jesus está em Daniel 10?

E levantei os meus olhos, e olhei, e eis um homem vestido de linho, e os seus lombos cingidos com ouro fino de Ufaz; e o seu corpo era como berilo, e o seu rosto parecia um relâmpago, e os seus olhos como tochas de fogo, e os seus braços e os seus pés brilhavam como bronze polido; e a voz das suas palavras era como a voz de uma multidão” (Daniel 10:5,6).

Este homem vestido de linho diz no verso 13: “Mas o príncipe do reino da Pérsia me resistiu vinte e um dias, e eis que Miguel, um dos primeiros príncipes, veio para ajudar-me, e eu fiquei ali com os reis da Pérsia”.

O ser celestial que fala em Daniel 10:13 indica que ele foi resistido por outro ser e exigiu a ajuda do arcanjo Miguel para finalmente superar o problema. Corretamente, alguns argumentam que qualquer pessoa ou coisa nunca poderia resistir ao Senhor Jesus e Ele certamente não precisaria da ajuda de um arcanjo para superar um problema. Além disso, é desconcertante imaginar Jesus lutando com um anjo maligno por 21 um dias no seu tempo de Glória, e sendo Deus, como afirmam os trinitarianos.

Esta é a razão mais convincente para pensar que este não é Jesus. Se Jesus foi realmente um ser supremo reencarnado, parte da Trindade, fica difícil pensar que Ele precisava ou recebia ajuda angelical.

A Deus toda Glória

Publicado em JESUS DE NAZARÉ NA ESCRITURA

A Sabedoria em Provérbios 8 é Jesus?

As Escrituras mostram que Deus (e somente Deus) sempre existiu (Salmos 90: 2). E Jesus, quem é Ele?

Faça esta pergunta a qualquer teólogo e sua resposta será comparável a esta declaração de um professor de teologia com vários diplomas universitários: “Jesus Cristo é a segunda pessoa eterna da Santíssima Trindade que se encarnou em Belém”. Esta declaração estaria de acordo com os catecismos e ensinamentos da maior parte da cristandade. Que Cristo é eterno como o Pai e existiu com Ele desde o início é quase universalmente aceito. Outros, embora rejeitem o conceito trinitário como antibíblico e ilógico, ensinam que ele preexistiu. Assim, a controvérsia sem fim continua. A doutrina foi estabelecida há tanto tempo que para o leigo médio sua verdade está além de qualquer dúvida. Por motivos como este a fé cristã permanece ou cai com a verdade de que Jesus Cristo é realmente o Deus Filho. Esse é o alicerce da doutrina trinitariana.

Mas o que dizer de tudo isso? Este é o ensino da Bíblia? Irá resistir ao teste de “Provar todas as coisas?”

Jesus foi a “semente da mulher” prometida desde o início, para destruir a lei do pecado e da morte, que era o produto da influência desorientadora da serpente (Gênesis 3:15). Por isso Paulo diz adiante: “Chegada a plenitude dos tempos, Deus enviou Seu filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para resgatar os que estavam debaixo da lei” (Gálatas 4: 4).

Se Cristo preexistia, como ele poderia ser descrito como a “semente da mulher?”

E o sábio Salomão está nos dizendo que “Cristo existia antes da criação do mundo?”

Leiamos os versículos em questão: “O Senhor me criou como a primeira das suas obras, o princípio dos seus feitos mais antigos. Desde a eternidade fui constituída, desde o princípio, antes de existir a terra.

Antes de haver abismos, fui gerada, e antes ainda de haver fontes cheias d’água. Antes que os montes fossem firmados, antes dos outeiros eu nasci, quando ele ainda não tinha feito a terra com seus campos, nem sequer o princípio do pó do mundo.

Quando ele preparava os céus, aí estava eu; quando traçava um círculo sobre a face do abismo, quando estabelecia o firmamento em cima, quando se firmavam as fontes do abismo, quando ele fixava ao mar o seu termo, para que as águas não traspassassem o seu mando, quando traçava os fundamentos da terra, então eu estava ao seu lado como arquiteto; e era cada dia as suas delícias, alegrando-me perante ele em todo o tempo; folgando no seu mundo habitável, e achando as minhas delícias com os filhos dos homens” (Provérbios 8:22-31).

Antes de começarmos este modesto artigo, uma pergunta é necessária: Se Jesus é a Sabedoria quem é a Prudência?

Eu, a sabedoria, habito com a prudência, e acho o conhecimento dos conselhos” (Provérbios 8:12).

A sabedoria e a prudência aparecem novamente juntas no Novo Testamento como posse dos cristãos: “Que ele fez abundar para conosco em toda a sabedoria e prudência” (Efésios 1:8). Isso poderia ser suficiente para qualquer sábio entender.

E acredite caro leitor, o Catolicismo romano retirou Jesus de Provérbios 8:22-31. E por qual motivo? Pelo simples fato de Provérbios 8:22 dizer que a sabedoria foi criada. Se a Sabedoria é criada, então não é Jesus nem o Espírito Santo. E adivinhem quem foi colocada no lugar da sabedoria? Ela mesma: Maria!

Dos textos, Provérbios 8 … exaltam a Sabedoria de Deus e que na liturgia se aplicam a Maria, a mais bela obra da Sabedoria de Deus” (Novo Advento, Enciclopédia Católica, Imaculada Conceição de Maria)

Hoje, católicos e uma maioria considerável dentro do protestantismo declaram – como aquele Ortodoxo Trintário olhando para o chão – sobre a sabedoria em Provérbios: “está claro que Provérbios 8: 22-31 não se refere a Jesus Cristo, pois a noção de sabedoria sendo “criada” por um ser que sempre existiu parece um paradoxo“.

Quem, ou o que, é a sabedoria?

Antes de olhar especificamente para esta passagem, devemos nos familiarizar com o contexto. Este capítulo começa com a personificação da sabedoria como uma mulher gritando nas ruas. Uma personificação é uma figura de linguagem em que as qualidades humanas são atribuídas a coisas não humanas. Por exemplo, dizer a alguém que a oportunidade está batendo à sua porta é uma personificação da oportunidade. Seria tolice para a pessoa ir verificar a porta para ver se alguém está literalmente batendo. A oportunidade não é uma pessoa real. No caso de Provérbios 8 , qualidades pessoais são atribuídas à virtude da sabedoria para que soe como uma pessoa ( Pv 8:12 ), mas não é realmente uma pessoa.

A intenção principal de Salomão – dos versículos 22 a 31 – é comunicar que Deus usou sabedoria quando criou o mundo. Deus foi sábio desde o início. Davi ecoa essa ideia nos Salmos. Ele escreve: “Ó Senhor, quão variadas são as tuas obras! Todas as coisas fizeste com sabedoria; cheia está a terra das tuas riquezas”( Salmo 104: 24 ). Isso deve significar o que disse Salomão em dois versículos de Provérbios 8: “O Senhor me possuía [sabedoria] no início de sua obra” e “Eu [a sabedoria] estava ao lado dele, como um mestre de obras …” ( vv. 22,30 ). Essa linguagem incrivelmente poética do Sábio deu vida a sabedoria.

Obviamente Deus não poderia ter produzido sabedoria. Sabedoria é um dos atributos essenciais que Ele possui desde a eternidade. Se os trinitarianos estiverem corretos, então Deus carece de sabedoria até que a produza. Visto que Deus é eterno, isso significaria que Ele existiu eternamente sem a virtude da sabedoria até que a produziu há um tempo finito – isso não está correto. O Deus da Bíblia é onisciente, o que significa onisciente. Portanto, não pode haver um momento em que lhe faltou sabedoria. Assim, o que Salomão está expondo, é que Deus criou tudo com sabedoria. Salomão exalta a virtude da sabedoria de Deus, não a sabedoria fora de Deus como se fosse uma entidade desencarnada.

Provérbios 8 é a voz da “Sabedoria” falando, mas não há nada que indique que essa “sabedoria” seja Cristo. O primeiro versículo do capítulo diz: “Não clama a sabedoria e o entendimento levanta a voz?” A sabedoria é personificada, mas não há referência a um Filho de Deus preexistente.

Personificação era comum na literatura hebraica. Na Bíblia do Intérprete, aprendemos que o hebreu gostava de personificar as coisas que via a seu respeito. Por exemplo, o profeta diz que “… os montes e os outeiros romperão em cântico diante de vós, e todas as árvores do campo baterão palmas” (Isaías 55:12). Essa tendência de personificar levou o hebraico a personalizar ideias e princípios abstratos. O processo neste caso particular de sabedoria é bastante claro. O princípio unificador chamado sabedoria veio de Deus.

Todo o capítulo fala de sabedoria como se fosse uma pessoa, mas não há referência a Cristo. Isso conecta a obra da criação com a sabedoria de Deus, uma conexão semelhante a outras declarações nas Escrituras, mas isso não quer dizer que Cristo teve qualquer conexão com a Criação. A sabedoria não era Cristo, mas o próprio Deus que criou tudo com sua sabedoria: “O Senhor, com sabedoria fundou a terra; com entendimento preparou os céus. Pelo seu conhecimento se fenderam os abismos, e as nuvens destilam o orvalho” (Prov. 3: 19-20). Falarei sobre isso mais adiante.

Provérbios 8: 22-31 foi interpretado principalmente de duas maneiras diferentes. Alguns afirmam que a passagem se refere ao Deus Filho (título dado a Jesus pelos Trinitarianos), mas a maioria dos estudiosos da Bíblia entende a passagem como se referindo à sabedoria.

Provérbios 8:22 foi um versículo altamente contestado durante a controvérsia ariana. Ário (250-330 dC) ensinou que o Filho de Deus não era divino, mas um ser criado. O Concílio de Nicéia em 325 dC rejeitou o ensino de Ário e no Credo Niceno afirmou que Jesus não foi criado.

Quem fala em Provérbios 8?

A primeira coisa que precisamos notar é que o orador diz: “O Senhor me possuiu”, “desde a eternidade fui estabelecida”, “fui criada”, “quando Ele estabeleceu os céus, eu estava lá”, “então eu estava ao lado Dele, “e diariamente era o Seu deleite”. Essas declarações não se referem ao Filho de Deus. Jesus Cristo não criou os céus e a terra; Ele não foi antes de todas as coisas de Gênesis 1. Veja meu artigo “TUDO foi criado por Ele

Se os trinitarianos concordam que a Sabedoria de Provérbios 8 é mesmo Jesus, então que resolvam seu impasse, pois eles acreditam que Ele criou todas as coisas e foi antes de todas as coisas. A palavra Grega “todos” é pas, e inclui todas as coisas – inclui Ele.

Mais uma vez: o contexto nos ajuda a entender o significado de Provérbios 8:22. Visto que o falante em Provérbios 8:22 é chamado de “eu”, precisamos descobrir se o contexto revela a identidade do falante. A identidade de “eu” é dada em Provérbios 8:12: “Eu, a sabedoria, habito com a prudência, e possuo o conhecimento e a discrição

Então a sabedoria se refere a si mesma como “eu”, “mim” e “meu” em cada versículo (v 13-21) antes do versículo 22. No versículo 22, a sabedoria se refere a si mesma como “eu/me” e depois “eu” nos versículos 23, 24, 25, 27 e 30. Depois, após Provérbios 8: 22-31, a sabedoria se refere novamente a si mesma como “eu” nos versos 32, 34, 35 e 36. Então, em Provérbios 9: 1, a sabedoria chama a si mesma de “sabedoria”. Devemos lembrar que capítulos e versículos foram adicionados depois que o livro de Provérbios foi escrito. Isso significa que o capítulo 9 é uma continuação do capítulo 8. Então, qual é o ponto? Provérbios 8:22 é sobre sabedoria. Não é sobre o Filho de Deus. E mesmo que em Provérbios 8, a sabedoria fala na primeira pessoa, não significa que a sabedoria é uma pessoa separada de Deus. A sabedoria é apenas um dos atributos de Deus. Da mesma forma, a sabedoria e o entendimento em Provérbios 3: 19 não são pessoas separadas de Deus: “Deus pela sabedoria fundou a terra; pelo entendimento estabeleceu os céus ”.

Mas, lido poeticamente, Provérbios 8 não é um problema, e não foi um problema para os judeus. Os problemas foram criados posteriormente pelos cristãos, a partir de meados do século II, que aplicaram a Provérbios 8 o artifício poético de personificar a sabedoria (semelhante à personificação do amor em 1 Co 13: 4, “o amor não inveja nem se vangloria” ) – e então transformaram a sabedoria em uma pessoa real.

Nem seria necessário dizer que quem fala e escreve é o rei Salomão em forma de poesia.

Jesus, a Sabedoria de Deus

1 Coríntios 1:24 registra: “Mas para os que são chamados, tanto judeus como gregos, Cristo, poder de Deus, e sabedoria de Deus“.

Isto deve significar apenas que Jesus tem sabedoria (Mt 13: 54; Mc 6: 2; Lc 2: 40,52); para transmitir sabedoria (Lc 21:15). Porém, alguns trinitarianos especulam que Jesus é chamado de “sabedoria de Deus” em 1 Coríntios 1:24 por causa da referência à “sabedoria” em Provérbios 8:22; o que provaria que Ele existia antes de seu nascimento, e que estava no início da Criação – um ponto fundamental na afirmação do Trinitariano de que Jesus é Deus.

Em 1 Coríntios 1:24, o apóstolo Paulo identificou Cristo como “a sabedoria de Deus” em reconhecimento de ser a personificação dessa sabedoria, mas ele não disse nada que indicasse que Cristo era a sabedoria das Escrituras do Antigo Testamento. Cristo possuía e vivia pela sabedoria de Deus tão completamente que poderia ser chamado de “a sabedoria de Deus”, pois falou apenas as palavras que recebeu de Deus (João 7:17; 12:50). Sabedoria não era algo que ele possuía antes de seu nascimento, mas algo que ele tinha que adquirir (“E crescia Jesus em sabedoria… “, Lucas 2:52). Era necessário que Ele aprendesse “obediência pelas coisas que sofreu e, tendo sido aperfeiçoado, tornou-se o autor da salvação eterna para todos os que lhe obedecem” (Heb 5: 8-9).

Provérbios 8 não ensina a pré-existência de Cristo. Tirar a conclusão de que Cristo é a “sabedoria” de Provérbios 8 porque Paulo O identificou como a “sabedoria de Deus” é ler nas Escrituras algo que não está lá. E não está completamente claro que Paulo pretendia identificar Jesus com a Sabedoria de Provérbios 8:1. Além disso, dizer que a “sabedoria” foi designada desde a eternidade, e que Cristo é essa “sabedoria de Deus” com base em 1 Coríntios 1:24) não encontra apoio mais nem mesmo entre os trinitários, e por boas razões.

Essa sabedoria em Provérbios foi “designada” (literalmente, “estabelecida”) por Deus e, portanto, está subordinada a Deus. A leitura cuidadosa do versículo e seu contexto mostra que a sabedoria foi “produzida como a primeira de suas obras” (v. 22). Se esta “sabedoria” fosse Cristo, então Cristo seria a primeira criação de Deus, que é uma crença herética para os trinitários ortodoxos. Portanto, muitos dos Padres da Igreja rejeitaram este versículo como um suporte da Trindade, entre eles “pesos pesados” como Atanásio, Basílio, Gregório, Epifânio e Cirilo. Também o rejeitamos, e por muitas razões.

Pegar um conceito e falar dele como se fosse uma pessoa é um erro imperdoável no estudo da Teologia. A personificação é apenas uma figura de linguagem. A personificação geralmente torna mais fácil nos relacionarmos com um conceito ou ideia porque, como humanos, estamos familiarizados com o relacionamento com outros humanos. A personificação era comum entre os judeus, e a sabedoria de Deus é personificada em Provérbios. Cristo é considerado a sabedoria de Deus em Coríntios por causa do que Deus realiza por meio dele.

Em 1 Coríntios 1:24, descobrimos que Jesus também é referido como “o poder de Deus”. Em Atos 8:10, Filipe, o evangelista, também é descrito como o “poder de Deus”, por Simão, o feiticeiro. Mas isso não significa que Simão pensava que Filipe era Jesus, ou vice-versa.

O próprio Evangelho é descrito como o “poder de Deus” (1 Coríntios 1:18), mas isso não significa que o Evangelho e Jesus são uma e a mesma coisa. Jesus é descrito como o “poder de Deus” em 1 Coríntios. 1:24, e ainda assim Jesus está sentado à direita do “poder de Deus” (ver Lucas 22:69). Mas como pode Jesus sentar-se à direita de si mesmo?

Em Efésios 3:10, descobrimos que há uma VARIEDADE na sabedoria de Deus: “… Para que agora, pela igreja, a multiforme sabedoria de Deus seja conhecida dos principados e potestades nos céus” .

Agora veja como encontramos em Provérbios 3:19 outra pessoa participando da criação além da sabedoria: “O Senhor pela sabedoria fundou a terra; pelo entendimento estabeleceu os céus“. Nesta passagem, descobrimos que não havia apenas a “sabedoria” com o Senhor no início, mas também outra pessoa chamada entendimento! Aliás, nós podemos ver a sabedoria acompanhada ainda de uma terceira pessoa, a Senhora Prudência: “Eu, a sabedoria, habito com a prudência…” (Provérbios 8:12).

Para serem consistentes, os trinitarianos teriam que transformar o “Entendimento” e a “Prudência” em seres vivos!

A Sabedoria em Mateus e Lucas

Para os trinitarianos, provérbios 8: 22-31 é famoso por sua descrição da sabedoria de Deus como uma pessoa ou entidade – uma figura no nível da divindade que auxilia Deus de alguma forma na criação do mundo: Jesus, mais conhecido entre os trinitários como Deus Filho.

Vamos agora ler duas passagens que estes trinitários defendem com unhas e dentes para proteger seu argumento (Jesus é a Sabedoria de Provérbios 8) contra os “terríveis hereges” antitrinitários.

Lucas 11: 49-51 faz referência à Sabedoria de Deus: “Ele, porém, respondeu: Ai de vós também, doutores da lei! porque carregais os homens com fardos difíceis de suportar, e vós mesmos nem ainda com um dos vossos dedos tocais nesses fardos.

Ai de vós! porque edificais os túmulos dos profetas, e vossos pais os mataram. Assim sois testemunhas e aprovais as obras de vossos pais; porquanto eles os mataram, e vós lhes edificais os túmulos.

Por isso diz também a sabedoria de Deus: Profetas e apóstolos lhes mandarei; e eles matarão uns, e perseguirão outros; para que a esta geração se peçam contas do sangue de todos os profetas que, desde a fundação do mundo, foi derramado; desde o sangue de Abel, até o sangue de Zacarias, que foi morto entre o altar e o santuário; sim, eu vos digo, a esta geração se pedirão contas” (Lucas 11:46-51)

No contexto, Jesus é o orador e invoca a hipocrisia de seus detratores. Mas, no versículo 49, Jesus repentinamente interrompe outro orador, a Sabedoria de Deus. Lucas tem a Sabedoria falando na primeira pessoa. Jesus dá a impressão de que foi a Sabedoria quem enviou os profetas e apóstolos.

Para os trinitarianos, o incrível (?) impacto da declaração vem quando se compara Lucas 11:49 com a passagem paralela do mesmo incidente em Mateus 23. Observe a parte sublinhada, lembrando que quem fala, como em Lucas 11, é Jesus:

Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! porque edificais os sepulcros dos profetas e adornais os monumentos dos justos, e dizeis:

Se tivéssemos vivido nos dias de nossos pais, não teríamos sido cúmplices no derramar o sangue dos profetas.

Assim, vós testemunhais contra vós mesmos que sois filhos daqueles que mataram os profetas.

Enchei vós, pois, a medida de vossos pais. Serpentes, raça de víboras! como escapareis da condenação do inferno?

Portanto, eis que eu vos envio profetas, sábios e escribas: e a uns deles matareis e crucificareis; e a outros os perseguireis de cidade em cidade; para que sobre vós caia todo o sangue justo, que foi derramado sobre a terra, desde o sangue de Abel, o justo, até o sangue de Zacarias, filho de Baraquias, que mataste entre o santuário e o altar.

Em verdade vos digo que todas essas coisas hão de vir sobre esta geração
(Mateus 23:29-36).

Enquanto em Lucas, Jesus e Sabedoria são claramente distintos (Jesus se refere à Sabedoria), e a Sabedoria parece desempenhar o papel de Deus, Mateus coloca as palavras da Sabedoria na boca de Jesus. E já que Jesus disse isso, e Lucas diz que a Sabedoria quem disse, o trinitariano supõe que Jesus é essa Sabedoria de Provérbios 8. No entanto, essa afirmação é completamente cega para o fato de que Jesus foi o profeta que Deus prometeu levantar dizendo que colocaria Suas palavras em sua boca. As Escrituras do NT nos mostram muitas vezes que Deus colocou Suas palavras na boca de Jesus e as palavras de Jesus não eram suas, mas do Pai que o enviou. O próprio Jesus dá testemunho disso várias vezes (João 7:17; 8:28; 12:50). Jesus falava pela sabedoria de Deus em Lucas 11:49.

Observe as palavras do Profeta Isaías sobre Jesus: “Então brotará um rebento do toco de Jessé, e das suas raízes um renovo frutificará. E repousará sobre ele o Espírito do Senhor, o espírito de sabedoria e de entendimento, o espírito de conselho e de fortaleza, o espírito de conhecimento e de temor do Senhor” (Isaías 11:1,2).

Compare as palavras de Isaías acima com estas passagens a seguir:

Mateus 13:54: “E, chegando à sua pátria, ensinava-os na sinagoga deles, de sorte que se maravilhavam, e diziam: De onde veio a este a sabedoria, e estas maravilhas?”

Marcos 6:2: “E, chegando o sábado, começou a ensinar na sinagoga; e muitos, ouvindo-o, se admiravam, dizendo: De onde lhe vêm estas coisas? e que sabedoria é esta que lhe foi dada? e como se fazem tais maravilhas por suas mãos?”

Lucas 2:40: “E o menino crescia, e se fortalecia em espírito, cheio de sabedoria; e a graça de Deus estava sobre ele”.

Lucas 2:52: “E crescia Jesus em sabedoria, e em estatura, e em graça para com Deus e os homens”.

Lucas 11:31: “A rainha do sul se levantará no juízo com os homens desta geração, e os condenará; pois até dos confins da terra veio ouvir a sabedoria de Salomão; e eis aqui está quem é maior do que Salomão”.

Portanto, por meio de Jesus a sabedoria divina declara seu conselho, a sabedoria pessoal de Deus que apareceu em Cristo e emitiu a declaração, como em Lucas. É a pessoa de Cristo sendo a auto-revelação pessoal da sabedoria de Deus.

Deus encheu Jesus de sabedoria, que é uma virtude, e não Ele (Jesus) mesmo. Ele fez o mesmo com Salomão: “E todo o Israel ouviu o juízo que havia dado o rei, e temeu ao rei; porque viram que havia nele a sabedoria de Deus, para fazer justiça” 1 Reis 3:28.

E deu Deus a Salomão sabedoria, e muitíssimo entendimento, e largueza de coração, como a areia que está na praia do mar” 1 Reis 4:29

E toda a terra buscava a face de Salomão, para ouvir a sabedoria que Deus tinha posto no seu coração” 1 Reis 10:24

Sabedoria e Entendimento andam juntas (Pv 2:10; 3:13; 4:5; 4:7; 24:3), mas são virtudes e não espíritos desencarnados.

A sabedoria estava com Deus, mas não era Jesus: “Com ele está a sabedoria e a força; conselho e entendimento tem” (Jó 12:13), e, “Com ele está a força e a sabedoria; seu é o que erra e o que o faz errar” (Jó 12:16). E ainda: “Eis que Deus é mui grande, contudo a ninguém despreza; grande é em força e sabedoria” (Jó 36:5). “Os mesmos” que estavam na criação: entendimento e sabedoria: “Quem pôs a sabedoria no íntimo, ou quem deu à mente o entendimento?” (Jó 38:36).

Davi não falava de Jesus e de uma pessoa chamada conhecimento, mas falava de virtudes: “A minha boca falará de sabedoria, e a meditação do meu coração será de entendimento” (Salmos 49:3).

Deus criou tudo com sabedoria, não com Jesus: “Ó Senhor, quão variadas são as tuas obras! Todas as coisas fizeste com sabedoria; cheia está a terra das tuas riquezas” Salmos 104:24. Compare novamente com Provérbios 3:19: “O Senhor, com sabedoria fundou a terra; com entendimento preparou os céus“.

A sabedoria de Deus permeia todas as partes da criação. Nenhuma parte do mundo está intocada. Tudo é moldado por sua mão sábia. Sua sabedoria resplandece na criação, como diz o Salmista: “Quando vemos o mundo que Deus fez, exclamamos com o salmista: “Ó Senhor, quão multiformes são as tuas obras! Todas elas as fizeste com sabedoria; a terra está cheia das tuas riquezas” (Salmos 104:24). E Jeremias acrescenta: “Ele fez a terra com o seu poder; ele estabeleceu o mundo com a sua sabedoria, e com a sua inteligência estendeu os céus” (Jeremias 10:12). Ele repete em 51:15: “Ele fez a terra com o seu poder, e ordenou o mundo com a sua sabedoria, e estendeu os céus com o seu entendimento”. A sabedoria, portanto, foi trazida do próprio Deus na criação. Essa compreensão do verbo em Pv 8:22 nega a afirmação de que Jesus é eterno.

E por fim, Sabedoria, Prudência e Instrução não são pessoas, mas virtudes: “Para se conhecer a sabedoria e a instrução; para se entenderem, as palavras da prudência” (Provérbios 1:2). E de fato, pois Salomão fala aqui da mesma sabedoria de Provérbios 8: “Porque o Senhor dá a sabedoria; da sua boca é que vem o conhecimento e o entendimento” (Provérbios 2:6). E ele acrescenta: “A sabedoria fortalece ao sábio, mais do que dez poderosos que haja na cidade” (Eclesiastes 7:19). E mesmo que Salomão dissesse que procurava conhecer a sabedoria, ele sabia que essa sabedoria não era uma pessoa: “Aplicando eu o meu coração a conhecer a sabedoria e a ver o trabalho que há sobre a terra, que nem de dia nem de noite vê o homem sono nos seus olhos” (Eclesiastes 8:16).

Jesus não participou da Criação

Como visto, a sabedoria não é uma pessoa distinta de Deus. A sabedoria não era uma entidade separada que estava com Deus quando ele criou o mundo. A sabedoria é personificada para enfatizar a sabedoria de Deus na criação do mundo. Além disso, Salomão estava poetizando sobre a sabedoria, e não sobre o Jesus preexistente.

Não era Jesus na criação, mas o próprio Deus. Ele criou tudo sozinho: “Assim diz o SENHOR, que te redime, o mesmo que te formou desde o ventre materno: Eu sou o SENHOR, que faço todas as coisas, que sozinho estendi os céus e sozinho espraiei a terra”, Isaias 44:24.

A tradução da Almeida Corrigida e Fiel enfatiza mais ainda: “Assim diz o SENHOR, teu redentor, e que te formou desde o ventre: Eu sou o SENHOR que faço tudo, que sozinho estendo os céus, e espraio a terra por mim mesmo”.

É importante lembrar aqui que foi o próprio Cristo quem descreveu a criação original como sendo trabalho de Deus, não dele: “Porque naqueles dias haverá uma aflição tal, qual nunca houve desde o princípio da criação, que Deus criou, até agora, nem jamais haverá” (Marcos 13:19). Compare com Hebreus 4:4, onde Deus, não Jesus, descansou da obra da criação, “Porque em certo lugar disse assim do dia sétimo: E repousou Deus de todas as suas obras no sétimo dia”.

Devo deixar claro que não há nada no livro de Provérbios que prove que a “sabedoria” é uma referência a Jesus.

A Deus toda glória

Publicado em JESUS DE NAZARÉ NA ESCRITURA

Sangue de Deus? (Atos 20.28)

Para muitos cristãos, a humanidade de Cristo é como um parente indesejável. Evitam recebê-la em sua fé. Não gostam de perceber o lado humano de Jesus, ou mesmo emprestar para a figura de Cristo um perfil humano. É como se fosse um sacrilégio olhar Jesus apenas como um ser humano excluindo dele a divindade tão exigida que supostamente aparece nos relatos das Escrituras. É um pecado mortal, alegam os mais espirituais e piedosos.

Será muito justo se dissermos que todo esse desacerto doutrinário tem um único culpado: a nossa Ortodoxia Protestante, a qual está envolvida com o mundo sagrado católico romano até o pescoço. Ela recebeu tudo aquilo que diz respeito à divindade e deidade de Jesus, mas não percebeu (?) que todo esse material é oriundo dos velhos concílios do passado, e que a Trindade é um monopólio da Igreja Católica, e é um dos maiores embustes doutrinários de todos os tempos.

Essa Ortodoxia também parece não se importar de sofrer o ridículo quando alguém lhes questiona sobre Deus ter sangue, mesmo quando a menção aponta para o Senhor Jesus como sendo esse Deus. Eles não respondem, não querem entrar a fundo na discussão, e como desculpa soltam aquele velho jargão: “É um mistério!”

Realmente é um mistério. Acho que é por isso que está escrito na testa da Grande Meretriz em Apocalipse 17:5: “Mistério, a grande babilônia, a mãe das prostituições e abominações da terra”. O Senhor colocou na boca de cada um deles hoje a palavra MISTÉRIO quando é exigida uma resposta para o significado da Trindade. Está aí a identificação da Grande Babilônia, criadora da Trindade.

Vamos ao texto de atos 20:28; qual tradução seria a mais viável: “Pastorear a igreja do Senhor, que Ele comprou com o seu próprio sangue“, “Pastorear a igreja de Deus, que Ele comprou com o sangue do seu próprio Filho” ou “Pastorear a igreja de Deus, que Ele comprou com o seu próprio sangue?”

Evidente que para os trinitarianos a última opção é a verdadeira, sem dúvida. Os trinitarianos reivindicam que este versículo mostra que Jesus é Deus porque foi Jesus quem comprou a igreja com seu próprio sangue e a passagem diz que Deus comprou a igreja com seu próprio sangue. Logo, Jesus é Deus.

Veja a tradicional versão de Atos 20: 28; “Acautelai-vos, pois, por vós, e por todo o rebanho, sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos, para pastoreardes a igreja de Deus, que ele comprou com seu próprio sangue”.

Como outras traduções apresentam este verso

“…, por meio do sangue do seu próprio Filho” – Bíblia na Linguagem de Hoje – SBB.

“…, pelo sangue do seu próprio Filho” – Bíblia de Jerusalém.

“…, por meio do sangue do seu próprio Filho” – BMD (Bíblia Mensagem de Deus) 1983

“…, por meio do sangue do seu próprio Filho”- BF (Bíblia Fácil), Paulo Avelino de Assis, Centro Bíblico Católico

Note como a KJA traduziu todo o texto: “Concluindo, tende cuidado de vós mesmos e de todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos estabeleceu como epíscopos para pastoreardes a Igreja de Deus, que Ele comprou com o sangue do seu Filho Unigênito” – Atos 20, King James Atualizada

Bíblia de Jerusalém em Espanhol: “Tendes cuidado de vosotros y de toda la grey, en medio de la cual os ha puesto el Espíritu Santo como vigilantes para pastorear la Iglesia de Dios, que él se adquirió con la sangre de su propio hijo” – Atos dos Apóstolos, 20 – Bíblia Católica Online

Veja outras traduções em Inglês

“o sangue de seu próprio filho”.
(NET) Tradução Nova em Inglês – 2005

“o sangue de seu próprio filho”.
(NRSV) Nova Versão Padrão Revisada – 1989

“o sangue de seu próprio filho”.
(RSV) Versão Padrão Revisada – 1946

“a morte de seu próprio filho”.
Bíblia em Inglês Comum – 2011

“sangue do próprio filho”.
Bíblia Judaica Completa – 1998

“o sangue de seu próprio filho”.
(CEV) Versão Inglesa Contemporânea – 1995

“o sangue do seu filho”.
(GNT) Boas Novas Tradução – 1992

“o sangue de seu próprio filho”.
Bíblia Online Lexham – 2010

“a morte de seu próprio filho.”
(NCV) Versão do Novo Século – 2005

“o sangue de seu próprio filho”.
(VOZ) A Tradução da Bíblia – 2011

Muitos estudiosos do texto bíblico entendem que a frase “a igreja do Senhor” (encontrada em nenhum outro lugar do Novo Testamento) foi substituída pela mais familiar “a igreja de Deus” (encontrada onze vezes nos escritos de Paulo). Na verdade, isso não faria diferença, pois Senhor aqui é o próprio Deus. Quando os dois são abreviados, como costumava acontecer em alguns manuscritos, é por que há apenas uma diferença de uma letra entre eles. A leitura “a igreja do Senhor e Deus” é uma combinação das duas leituras, assim como “a igreja do Senhor Deus”, que é lida por muitos dos manuscritos bizantinos. As ocorrências nas quais aparece a expressão ‘Igreja de Deus’ estão em 1 Coríntios 1:2; 10:32; 11:22; 15:9; 2 Coríntios 1:1; Gálatas 1:13; 1 Timóteo 3:5, 15.

Tanto a Sociedade Bíblica Americana quanto o Instituto de Pesquisa do Novo Testamento da Alemanha (que produz o texto grego Nestlé-Aland) concordam que a evidência do manuscrito apoia a leitura “tou haimatios tou idiou”, literalmente traduzido como, “o sangue de Seu próprio (Filho)”, e não “idiou haimatios”, “seu próprio sangue”. Deus pagou por nossa salvação com o sangue de Seu próprio Filho, Jesus Cristo.

E de fato é o que temos nesse versículo: “Acautelai-vos, pois, por vós, e por todo o rebanho, sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos, para pastoreardes a igreja de Deus, que ele comprou com o sangue do seu próprio filho”.

Se fosse realmente o sangue de Deus, em vez de o sangue do homem Jesus Cristo, então não houve resgate – somente o sangue de um ser humano poderia realizar a substituição pelo pecado de Adão. Jesus, sendo o nosso sumo sacerdote designado por Deus, oferece seu próprio sangue diante do Pai, que recebe o sacrifício (Salmo 8:5; João 17:1, 3; Hebreus 2:9; 3:1, 2; 9:14). É claro que, na realidade, o Deus Todo Poderoso é um ser espiritual e não tem carne e sangue (João 3:24; 2 Coríntios 3:17)

A Escritura não poderia nunca reclamar que o sangue de Deus foi derramado, nem mesmo como figura apontando para Jesus. Acredito eu que este é o único versículo em todo o Novo testamento que jamais deveria ser traduzido como sendo Deus quem derramou seu sangue por causa do sacrifício pelo pecado, que deveria ser feito por um homem. A ênfase dada ao Pai no texto destrói todo o contexto do sacrifício quando se fala que um ser imortal (I Tm 6:15) derramou sangue.

Era o homem incorrupto Adão, que pecou, tornou-se corrompido, e foi condenado à morte, e sob a lei divina, poderia ser resgatado somente pelo sacrifício de um homem, sem pecado e incorrupto. A lei declara: “Olho por olho, dente por dente, e vida de um homem para a vida de um homem” (Êxodo 21:24). Assim, o sangue de touros e bodes jamais poderia fazer expiação pelo pecado de Adão, porque não corresponde a exigência (Hebreus 10:4). O homem pecador deveria ser resgatado por outro homem, mas sem pecado.

Portanto, a tradução de Deus (que derramou seu “próprio sangue”) para dentro do texto é espúria. Ela não permite que se faça uma comparação de Jesus como Deus, pois declara que Deus pode morrer. O Filho é o sujeito do texto, e apocalipse enfatiza isso quando afirma que foi ele quem nos comprou: “E cantavam um novo cântico, dizendo: Digno és de tomar o livro, e de abrir os seus selos; porque foste morto, e com o teu sangue compraste para Deus homens de toda a tribo, e língua, e povo, e nação”. Apo 5:9

I Coríntios 7: 22,23 também nos diz algo: “Porque o que é chamado pelo Senhor, sendo servo, é liberto do Senhor; e da mesma maneira também o que é chamado sendo livre, servo é de Cristo. Fostes comprados por bom preço; não vos façais servos dos homens”.

As palavras sangue de Deus chega a ser uma aberração no texto. Imagina o susto para um judeu monoteísta incrédulo ler o versículo dessa forma? Aliás, acho até que a composição do verso é uma agressão à inteligência das pessoas. A primeira vista a pergunta que surge é: DEUS TEM SANGUE? Na verdade, esse versículo é o único em toda a Bíblia que não devia ter Deus nessa função. Motivo disso é o contexto do sacrifício, que é exigido por alguém semelhante aos pecadores, segundo diz hebreus: “Por isso convinha que em tudo fosse semelhante aos irmãos, para ser misericordioso e fiel sumo sacerdote naquilo que é de Deus, para expiar os pecados do povo” (Heb 2:17).

E m João 4.24 a Bíblia diz que “Deus é Espírito”. Quem disse que Espírito tem sangue, carne e ossos? Jesus quando ressuscitou disse a Tomé em Lucas 24: 39 “Olhai as minhas mãos e os meus pés, que sou eu mesmo; apalpai-me e vede; porque um espírito não tem carne nem ossos, como percebeis que eu tenho”. É claro que, na realidade, Deus Todo-Poderoso é um ser espiritual e não tem carne e sangue.

“O que está em causa aqui é o final do verso, cuja leitura dá a entender que Deus tem (ou teve) sangue, e isso só poderia ser cogitado, se aplicado a Cristo, dizendo que a humanidade de Jesus é a própria Deidade.

Assim, aqui existem, pelo menos, duas questões:

1) A humanidade de Jesus é também deidade? Ou seja, Jesus é de única natureza, de tal modo que o sangue não é do homem Jesus, mas de Deus? Será que a deidade se transformou em carne também e vice-versa?

2) A expressão “seu próprio sangue” pode significar outra coisa que não uma relação de identidade direta?

A primeira é menos provável se tomarmos a Bíblia em seu sentido amplo, pois além de descaracterizar quem é Deus, anularia o sacrifício de Cristo: um humano resgatando a humanidade (o segundo Adão), assim como um humano fez cair a humanidade (o primeiro Adão). Rm. 5.14 mostra que foi o homem Jesus, enviado pela graça de Deus que verteu o seu sangue.

Em favor da segunda opção temos o resto da Bíblia, que nos informa que Deus é Espírito (Jo. 4.24) e que um espírito não tem carne e ossos, consequentemente não tem sangue (Lc. 24.39).

Assim, sangue é algo físico, inerente à matéria. Nesse sentido, o sangue de Deus, não pode significar que Deus tem sangue, mas que o sangue pertence a ele.

Além do mais, se o sangue em At. 20.28 é o sangue das “veias” de Deus, isto significaria inapelavelmente que Deus morreu, já que foi esse sangue que teria sido vertido na cruz, mas as Escrituras dizem: I Tm. 1.17 “Ora, ao Rei dos séculos, imortal, invisível, ao único Deus, seja honra e glória para todo o sempre. Amém.” O IMORTAL não morre. Se um dia o IMORTAL morreu não era, então, de fato, IMORTAL, pois pôde morrer, provando sua mortalidade. Deus não poderia ter dado “seu próprio sangue” e não ter sido considerado MORTO. Mas, isso tornaria falso I Tm. 1.17.

Mas, será que existe apoio linguístico para a acepção de que o sangue pertence a Deus, sem ser o sangue do próprio Deus em si? Sim, existe! A expressão “διὰ τοῦ ἰδίου αἵματος” pode ser entendida de duas formas: a) atributivamente, que é como a maioria dos trinitários entende; ou b) possessivamente, significando que o sangue é de alguém que pertence a Deus. Isso tem apoio do resto da Bíblia que apresenta Deus e Jesus como seres distintos, não apenas pessoas distintas!

As escrituras dizem: “Corpo me preparas-te” (Hb. 10.5). A epístola aos hebreus deixa claro que Deus preparou um corpo não para si próprio, mas para outro. O verso 7 dessa mesma epístola mostra, mais uma vez de forma clara, que quem adquiriu o corpo não foi Deus, mas alguém disposto a fazer a vontade de Deus.

O contexto onde esse verso de Atos está inserido fala, no mesmo capítulo, de Deus e de Jesus em distinção várias vezes: At. 20.21,24, 27. O fluxo do texto não leva os leitores a acreditarem que Jesus é o mesmo Deus de quem aparece em distinção recorrentemente.

Apoio de trinitaristas! O entendimento de não tratar-se do “sangue de Deus” não é exclusividade dos unitarianos. É uma constatação lógica do texto bíblico. Basta lembrarmos que a palavra “Deus” ocorre certa de 1.340 vezes. Note 1.340 vezes. Desta milhar e algumas centenas apenas raras, realmente raras vezes o termo é aplicado, em teoria, a Jesus (talvez umas 6). E todas essas escassas vezes o texto não está livre de apuração. E At. 20.28 é um caso típico!

O PhD Dr. Murray J. Harris que é professor emérito de exegese do Novo Testamento e teologia na Trinity Evangelical Divinity School, em Deerfield, Illinois, diz em seu livro “Jesus como Deus – O uso Theos no Novo Testamento, em referência a Jesus” (Grand Rapids: Baker Book House, 1992), 141: “nesta construção de ίδιος é mais provável que θεός é Deus, o Pai e o objeto não expresso de περιεποιήσατο é Jesus”. Ou seja, mesmo os que defendem Jesus como Deus reconhecem que o texto não pode se referir ao sangue do Deus que é Espírito, mas pertencer a ele, através do Filho que é dEle.

Há uma variante grega, usada na USB, que traz a parte final do verso assim: “διὰ τοῦ αἵματος τοῦ ἰδίου”. Literalmente se traduz: “com o sangue de seu próprio”. Há uma expressão similar em Rm. 8.32 onde encontramos “τοῦ ἰδίου υἱοῦ” (seu próprio Filho). Já vimos que a outra variante pode ser usada tanto atributivamente como possessivamente. Então se houvesse apenas ela a possessividade já era constatável. Mas, esta mostra diretamente a possessividade, o que permite concluir que o texto fala do sangue do Filho. Esse uso não é estranho. Matzger em “Um Comentário Textual em grego do Novo Testamento”, 2 ª ed. (Stuttgart: Sociedades Bíblicas Unidas, 1971.), 426, diz: “Este uso absoluto de ‘idios’ é encontrada em papiros gregos como um termo carinhoso referindo-se a parentes próximos”.

A Bíblia de Jerusalém, que é uma bíblia produzida por católicos e protestantes, assim verteu o verso: “nele o Espírito Santo vos constituiu guardiães, para apascentardes a Igreja de Deus, que ele adquiriu para si pelo sangue do seu próprio Filho”. Assim também entenderam os tradutores católicos e trinitários da versão da CNBB: “o Espírito Santo os constituiu como guardiães, para apascentarem a Igreja de Deus, que ele adquiriu para si com o sangue do seu próprio Filho”. Outra versão protestante, logo, feita por trinitarianos, NTLH apresenta o verbo com a redação: “o Espírito Santo entregou aos seus cuidados, como pastores da Igreja de Deus, que ele comprou por meio do sangue do seu próprio Filho.”.

Nota-se com isso que, seja católico, seja protestante ou, ainda, os dois juntos, os tradutores não têm dificuldades em perceber que ali não se trata do sangue de Deus em si.

Logo, o entendimento unitariano que vê em At. 20.28 a Bíblia falar do sangue que pertence a Deus porque o Filho pertence a ele, tem apoio não somente do ponto de vista bíblico (Rm 8:32 “Aquele que nem mesmo a seu próprio Filho poupou, antes o entregou por todos nós, como nos não dará também com ele todas as coisas?“), mas linguístico e exegético, refletido em reconhecidas traduções bíblicas e renomados exegetas trinitários. Claro, só a Bíblia já bastaria, mas essas informações extras são só para mostrar que esse entendimento não é exclusivo do unitarianismo” (1).

1 FILHO, Valdomiro – Atos 20:28

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“Deus e Senhor nosso, Jesus Cristo”

A tradicional versão de Judas 1:4, tão aclamada  pela nossa envelhecida ortodoxia cristã, diz: “Porque se introduziram alguns, que já antes estavam escritos para este mesmo juízo, homens ímpios, que convertem em dissolução a graça de Deus, e negam a Deus, único dominador e Senhor nosso, Jesus Cristo“.

Nenhum trinitário contestaria “a verdade” transmitida por essa tradução, no entanto, essa construção pode não ter sido planejada no contexto de Judas.  Apenas alguns versículos anteriores, em Judas 1: 1, ele, Judas, além  de fazer distinção entre Jesus e Deus, não reservou o título divino para Cristo: “Judas, servo de Jesus Cristo e irmão de Tiago, aos que foram chamados, amados por Deus Pai e guardados por Jesus Cristo“. Ele citou duas vezes o nome de Jesus, mas uma vez o nome de Deus, não conectando o título a Cristo. Há também uma distinção de função para cada pessoa neste contexto. Judas 1: 4 pode muito bem ser uma continuação dessa distinção entre as duas pessoas consideradas da Trindade. Somente Deus é Deus, e Jesus é nosso Senhor, como veremos mais adiante.

Alguns textos acrescentam o nome  “Deus” em estreita proximidade com “Jesus Cristo”, e isso faz com que os trinitarianos acreditem que há aqui uma prova da Trindade. Na verdade, a ideia trinitariana foi querer transformar Jesus em Deus, um segundo Deus. Ou seja, Deus e Cristo como sendo a um só em divindade e essência. Na verdade, vamos descobrir que tudo isso foi construído por causa de corrupção textual. Nem tudo é tão simples como pode parecer, mas há um erro grave na tradução aqui. Por isso é muito importante não usar uma tradução incorreta.

Observem como as traduções da Igreja Católica, berço do Trinitarianismo, verteu o versículo de Judas. Créditos para Valdomiro Filho:

“A Bíblia do Peregrino verte assim: “… que traduzem o favor de Deus em dissolução e renegaram o único patrão, o Senhor nosso Jesus Cristo“.

Já a “Bíblia do Pão” (Editoras católicas Vozes e Santuário) assim verteu o texto: “… que transformam em libertinagem a graça de nosso Deus e negam nosso único Senhor, Jesus Cristo”.

A CNBB entendeu: “… pois abusam da graça de nosso Deus para a devassidão e negam o nosso único soberano e Senhor, Jesus Cristo.”

A BJ traduziu: “… que convertem a graça de nosso Deus num pretexto para licenciosidade e negam Jesus Cristo, nosso único mestre e Senhor”.

O padre Matos Soares, da vulgada latina, traduziu: “… os quais trocam a graça do nosso Deus em luxúria, e negam a Jesus Cristo, nosso único Dominador e Senhor.” (1)

Observem agora algumas traduções consideradas protestantes que seguem a mesma linha. Vamos começar com a ARA de 1993: “… homens ímpios, que transformam em libertinagem a graça de nosso Deus e negam o nosso único Soberano e Senhor, Jesus Cristo“.

A Almeida Atualizada, diz: “… homens ímpios, que convertem em dissolução a graça de nosso Deus, e negam o nosso único Soberano e Senhor, Jesus Cristo“.

Outra Almeida Atualizada, a de 1987, apresenta o verso dessa forma: “… homens ímpios, que transformam em libertinagem a graça de nosso Deus e negam o nosso único Soberano e Senhor, Jesus Cristo“.

A NTLH acrescenta: “…  Eles torcem a mensagem a respeito da graça do nosso Deus a fim de arranjar uma desculpa para a sua vida imoral. E também rejeitam Jesus Cristo, o nosso único Mestre e Senhor“.

Muitos críticos e tradutores textuais reconhecem que   as traduções modernas não podem ser lidas dessa maneira: “… negam a Deus, único dominador e Senhor nosso, Jesus Cristo”.

Na maioria das traduções temos o Senhor Deus (ho theos)  enquanto Jesus é chamado de “NOSSO Senhor Jesus” (Κύριον – Kyrion).  Como a Bíblia afirma claramente, Jesus foi feito nosso Senhor por Deus: “Saiba pois com certeza toda a casa de Israel que a esse mesmo Jesus, a quem vós crucificastes, Deus o fez Senhor e Cristo” (Atos 2:36).

Essa distinção é vital e é evidente ao longo do livro de Judas: “Mas o arcanjo Miguel, quando contendia com o diabo, e disputava a respeito do corpo de Moisés, não ousou pronunciar juízo de maldição contra ele; mas disse: O Senhor te repreenda” (1:9). O Senhor aqui é o próprio Deus.

Judas ainda se refere a Deus como o único Deus sábio: “Ao único Deus sábio, Salvador nosso, seja glória e majestade, domínio e poder, agora, e para todo o sempre. Amém” (1:25).

Novamente Judas se refere a Jesus como nosso Senhor nos versículos 17 e 21, e não como Deus:

Judas 1-17 “Mas, amados, lembrem-se das palavras que foram ditas pelos apóstolos de nosso Senhor Jesus Cristo“.

Judas 1-21 “Mantenha-se no amor de Deus, procurando a misericórdia de nosso Senhor Jesus Cristo para a vida eterna”.

Note a distinção nos títulos. Note também que quando Judas, no verso 25, ao dizer sobre Deus como “o único Deus sábio, nosso Salvador”, ele não acrescentou o nome Jesus em seguida. Observem que quando ele chama Jesus de Senhor nos dois versos citados acima ele não conecta Jesus ao nome Deus. Se você não observou, posso repetir os textos para que possa entender melhor. Veja que a versão trinitariana de Judas 1:4  diz que homens ímpios, que querem transformar em libertinagem a graça de Deus “… negam a Deus, único dominador e Senhor nosso, Jesus Cristo”. Porém, o texto do versículo 25 diz, “Ao único Deus sábio, Salvador nosso, seja glória e majestade, domínio e poder” que não é uma referência a Jesus, mas aponta para o Deus de Israel. De fato, Judas, um judeu monoteísta jamais poderia se referir a Jesus como o “único Deus sábio”. Único e dominador são títulos para o Pai, não para Jesus. As versões, tanto católicas como protestantes, erraram ao emprestar o título de Único Dominador para Jesus, apesar de não chama-lo de Deus fazendo distinção entre ele e o pai.

Há algo mais incomum em algumas traduções de Judas 4, que  é a aplicação de  “Soberano” traduzido do grego “Despotēn” para Jesus, aliás, isso é incomum no NT. “Despotēn” aqui deveria ser traduzido apenas como Mestre e Senhor (“Despotēn kai Kyrion”) . O único soberano é o Pai (I Tim 6;15).

Além disso, parece que esses escribas não queriam que o leitor (como alguns monarquistas antigos) confundissem/separassem Jesus e Deus, e tentaram esclarecer adicionando a palavra “Deus”. Por outro lado,  não há problema em chamar Deus e Jesus de “Mestre”, assim como não há problema em chamar cada um de “Senhor” – desde que deixemos claro qual é o significado!

Evidentemente, se fosse de  acordo com a lógica trinitariana, Sara era uma pessoa muito confusa e pensava que seu marido era Deus, pois Ela chamou Abraão de senhor, como mostrado em 1 Pedro 3: 6.  Suponho que uma maneira de explicar isso é alegar que ela estava bêbada.  Mas espere, a passagem está incentivando as mulheres cristãs a serem como Sara: “como Sara obedecia a Abraão, chamando-lhe senhor; da qual vós sois filhas, se fazeis o bem e não temeis nenhum espanto“.

Também devemos lembrar que Judas, o autor da passagem em questão, era  irmão de Jesus.  Eles cresceram juntos.  Se ele acreditava que Jesus era totalmente Deus, Judas deveria ter conhecido e defendido esse fato com grande clareza, mas não, ele chama o Pai no versículo 4 de “Θεοῦ” (“Theou”, ou “ho theos“), que quer dizer “Deus”, mas usa “nosso Senhor” para Jesus. Jesus é Senhor de Judas, não de Deus.

Por fim, para desfazer toda essa anomalia trinitariana, vou adicionar aqui a tradução que parece ser mais coerente com o contexto bíblico e a mais próxima dos originais,  a versão da “BJ”, que assim verteu a segunda parte do texto em discussão: “… que convertem a graça de nosso Deus num pretexto para licenciosidade e negam Jesus Cristo, nosso único mestre e Senhor”.

  1. FILHO, Valdomiro – Judas v 4

Deus seja louvado

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Isaías viu sua Gloria e falou DELE

No ano em que morreu o rei Uzias, eu vi o Senhor assentado sobre um alto e sublime trono… ” (Isaías 6:1).

Isaías disse essas coisas porque viu Sua glória e falou dele” (João 12:41).

A tradução da NVI foi além: “Isaías disse essas coisas porque viu a glória de Jesus e falou sobre ele” (João 12:41).

Como você pode ver, a Nova Versão Internacional troca o pronome (αὐτοῦ) pelo nome pessoal “Jesus”. A NVI quer que você acredite que por volta de 750 aC, Isaías teve uma visão de Jesus (preencarnado) no céu como Deus. De onde partiu tanta ousadia? Os tradutores da NVI estão apenas sendo descuidados com o texto, ou eles deliberadamente se decidiram pela causa trinitariana? Existe alguma justificativa para essa alteração não tão sutil do texto pela NVI? Será que Isaías viu “o Senhor [Jesus] sentado em um trono com a orla de Suas vestes enchendo o templo” (Isaías 6: 1)? Os estimados trinitarianos crêem que sim; eles têm certeza de que João 12:40, 41 faz referência direta a Isaías 6:1-3, que diz: “No ano em que morreu o rei Uzias, eu vi o Senhor assentado sobre um alto e sublime trono, e as abas de seu manto enchiam o templo. Acima dele havia serafins; cada um tinha seis asas; com duas cobriam o rosto, com duas cobriam os pés e com duas voavam. E clamavam uns aos outros: Santo, santo, santo é o SENHOR dos Exércitos; toda a terra está cheia da sua glória”.

A tradução da NVI representa uma séria leitura errada deste “texto de prova” para a doutrina da deidade e preexistência de Cristo.

E não esqueça caro amigo leitor o que vou dizer-lhe aqui: Não importa em quantos outros textos a NVI é fiel aos originais, isso não faz dela uma tradução exclusiva – o mesmo acontece com outras traduções, enquanto inúmeros textos parecem ser exatos, outros são um desastre. O correto é consultar todas as traduções e usar aquilo que está de acordo com todo o contexto das Sagradas Escrituras.

Nesse caso aqui discutido, não devemos aceitar como verdadeira uma tradução textual tendenciosa assumindo as coisas sem uma investigação adequada dos fatos. E é isto que vamos fazer.

Isaías viu a Glória de JESUS

Não é difícil descobrir por que os trinitarianos creem que João 12:41 é uma referência positiva para Isaías 6: 1-3. Afinal, as palavras “viu” e “glória” são encontradas em João 12: 41 e Isaías 6: 1-3. Isaías “viu” o SENHOR e Sua “glória” enchendo o céu e toda a terra. E João diz que Isaías “viu sua glória” quando “falou dele”. Então, se João está dizendo que Isaías viu “a glória de Jesus” no céu e “falou dele” em Isaías capítulo 6, está resolvida a questão para os trinitarianos: Jesus é o Deus que está assentado num “alto e elevado trono” – para os trintaríamos Jesus está sendo adorado pessoalmente pelos serafins como Deus. Isso tornaria a visão de Isaías de um Jesus preexistente, visto pelo profeta 750 anos antes dele se tornar um ser humano.

Antes de determinar se João realmente está dizendo que Isaías viu Jesus como Deus no céu, é necessário examinar o contexto no qual João está escrevendo, o que é muito importante. Vamos analisar a amplitude de João, capítulo 12, antes de focar no versículo 41.

A primeira coisa que devemos ter em mente é: o contexto de João 12 fala da GLÓRIA DE JESUS ATRAVÉS DO SOFRIMENTO. Mesmo uma leitura superficial de todo o capítulo 12 de João mostra que o assunto diz respeito aos sofrimentos e a glória de Jesus por meio do seu sacrifício no calvário. João 12 não está falando sobre “ontologia”, ou seja, ele não está escrevendo sobre o “ser” de Deus ou a “natureza” de Deus.

Cena 1: O capítulo abre com o registro em Betânia, “seis dias antes da Páscoa”. É a última semana da vida de Jesus. Todo o clímax de seu ministério está sobre ele. Jesus logo será a Páscoa sacrificial, o “Cordeiro de Deus” (João 1: 29). Mas, por enquanto, Jesus está desfrutando de uma “ceia” com seus amigos, incluindo Lázaro, a quem ele ressuscitou dentre os mortos. Durante o jantar, Maria usa um “unguento genuíno e puro” para ungir os pés de Jesus” – e chora por ele. O próprio Jesus descreve esse ato de devoção como um retrato “para o dia do seu enterro” (v. 3, 7). A sombra do Calvário paira no ar – os principais sacerdotes se aconselhavam” sobre como eles poderiam não apenas matar Jesus, mas também Lázaro (v 10). O sofrimento do Calvário e a rejeição de Israel ao seu Messias são amplamente mostrados quando começamos a ler João capítulo 12.

Cena 2: Em seguida, Jesus faz a entrada triunfal em Jerusalém (vv 12-13). A multidão que se reuniu para a festa da Páscoa escolta Jesus montado em um jumento. Eles balançam os galhos das palmeiras e gritam: “Hosana! Bendito aquele que vem em nome do Senhor, o rei de Israel“. A caminho da cidade sabemos que Jesus chorou sobre Jerusalém porque ela não o reconheceu como seu rei. O registro de João acrescenta que “Seus discípulos não entenderam a princípio”, mas quando Jesus foi glorificado, eles lembraram que essas coisas haviam sido escritas e porque haviam feito essas coisas a ele” (v 16). João cita indiretamente o profeta Zacarias (9: 9) e o salmista (118: 25) quando lembra que “essas coisas foram escritas”. Somente após Jesus ter “sido glorificado”, depois de sua morte, sepultamento, ressurreição e ascensão ao céu, os discípulos viram a glória messiânica dele.

Cena 3: João nos apresenta a seguir “certos gregos” que querem “ver Jesus” (v 21). Depois de falarem com Felipe, este e André foram ter com Jesus, mas Jesus responde enigmaticamente: “chegou a hora de o Filho do Homem ser glorificado” (v 23). Jesus conta a eles uma pequena parábola sobre a necessidade de um grão de trigo cair no chão e morrer antes que possa dar muito fruto (v. 24). Jesus explica claramente que o caminho para a glória e a salvação de seus seguidores também será por meio de sacrifício e negação (v 25-26). Sim, eles “verão” a Jesus, mas não como anteciparam.

Essa perspectiva de sofrer e morrer parece perturbar profundamente o próprio Jesus. Porém, Ele não pedirá ao Pai para poupá-lo de um destino tão cruel (v 27). Ele ora: “Pai, glorifique o teu nome” (v. 28). Uma voz do céu responde: “Já o tenho glorificado, e outra vez o glorificarei“. Deus será glorificado pela morte de Jesus. Jesus então diz aos seus ouvintes que estará no processo de ser “levantado da terra” – referindo-se à sua morte humilhante e consequente ressurreição – e que os planos de Deus para o mundo serão consumados (vv 28, 32-33). Embora ele morra sozinho, a glória lhe é garantida.

Para muitos, com o benefício da retrospectiva, isso é facilmente entendido. Mas para os ouvintes da primeira audiência, tudo isso é sombrio e enigmático. O que é toda essa conversa sobre morrer? “E quem é o filho do homem?”, perguntam (v 34). Após esse diálogo Jesus “partiu e se escondeu deles” (v 36). Assim, o leitor cuidadoso observará que todo o contexto que antecede nosso “texto de prova” no versículo 41 de João 12, diz respeito a como Jesus seria glorificado, e que sua glória viria através de seu sofrimento e execução pública.

Com essa breve explanação em mente, vamos agora para a parte principal de João, os versículos 37-41:

E embora tivesse operado tantos sinais diante deles, não criam nele; para que se cumprisse a palavra do profeta Isaías: (aqui é Isaías 53:1) Senhor, quem creu em nossa pregação? e a quem foi revelado o braço do Senhor?

Por isso não podiam crer, porque, como disse ainda Isaías: (aqui é Isaías 6:10) cegou-lhes os olhos e endureceu-lhes o coração, para que não vejam com os olhos e entendam com o coração, e se convertam, e eu os cure.

Estas coisas disse Isaías, porque viu a sua glória, e dele falou“.

Quando João escreve que Isaías disse “essas coisas” – que “viu sua glória”, ele não está se referindo a quando Isaías viu a glória do Senhor em Isaías 6:1-3. Ele está dizendo que Isaías viu a glória futura quando o Messias seria exaltado através do sofrimento e da morte. Ou seja, “para que se cumprisse a palavra do profeta Isaías, que diz: Senhor, quem creu na nossa pregação? E a quem foi revelado o braço do Senhor?” (João 12:38) é a referência correta para identificar a glória que Isaías viu, e é um texto que está no capítulo 53 de Isaías (v 1).

O capítulo todo se refere ao ministério e sofrimento de Jesus aqui na terra. Mostra que a sua pregação não seria aceita e também apresenta como o Messias deveria sofrer em Sua missão. Se levarmos em consideração todo o pensamento desse capítulo e juntarmos com o contexto de João 12, confirmaremos que Jesus estava tratando de Seu ministério e o sofrimento que teria em Sua crucificação e a glória que deveria seguir. Ele fala isso pouco antes dos versículos aqui em discussão: “E Jesus lhes respondeu, dizendo: É chegada a hora em que o Filho do homem há de ser glorificado. Na verdade, na verdade vos digo que, se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas se morrer, dá muito fruto” (João 12: 23-24).

Fica evidente que Jesus estava falando a respeito de sua morte sacrificial, e que ele seria glorificado por isso. Porém, conforme podemos ler no verso 34 do mesmo capítulo, os judeus não estavam acreditando nessas palavras. Por este motivo, o Senhor os alerta dizendo: “Enquanto tendes luz, crede na luz, para que sejais filhos da luz”, mas mesmo assim João relatou que “ainda que tinha feito tantos sinais diante deles, não criam nele” (Jo 12:37). Por isso João cita o texto de Isaías 53:1, mostrando que ninguém daria crédito às palavras de Jesus, e em seguida João menciona o texto de Isaías 6:10 para mostrar que os corações daquelas pessoas ficaram endurecidos. No entanto, Jesus nunca desistiu de sua missão, mas continuou firme até o final, até o momento em que deveria ser “levantado da terra” para salvar a todos que nele cressem. Essa foi a glória que João menciona ter sido vista pelo profeta Isaías.

E para que você entenda melhor precisamos apenas ajuntar os dois textos de João: “Isaías disse estas coisas [“ Senhor quem creu na nossa pregação? E a quem foi revelado o braço do Senhor”] quando viu a sua glória e falou dele”. A glória que Isaías viu está em todo o capítulo 51. Portanto, se foi o Pai quem disse as palavras de Isaías 6, então devemos buscar a visão da glória de Jesus no outro texto. E de fato, ESTAS COISAS que revelam a glória dele – do filho, não do Pai – só podem ser a referência citada no verso 38 de João 12, que é exatamente a réplica de Isaías 53:1, que diz: “Senhor quem creu na nossa pregação? e a quem foi revelado o braço do Senhor?

Leia o restante do capítulo e observe atentamente como Isaías viu a glória de Jesus:

Pois foi crescendo como renovo perante ele, e como raiz que sai duma terra seca; não tinha formosura nem beleza; e quando olhávamos para ele, nenhuma beleza víamos, para que o desejássemos.

Era desprezado, e rejeitado dos homens; homem de dores, e experimentado nos sofrimentos; e, como um de quem os homens escondiam o rosto, era desprezado, e não fizemos dele caso algum.

Verdadeiramente ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus, e oprimido.

Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados.

Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo seu caminho; mas o SENHOR fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos.

Ele foi oprimido e afligido, mas não abriu a sua boca; como um cordeiro foi levado ao matadouro, e como a ovelha muda perante os seus tosquiadores, assim ele não abriu a sua boca.

Da opressão e do juízo foi tirado; e quem contará o tempo da sua vida? Porquanto foi cortado da terra dos viventes; pela transgressão do meu povo ele foi atingido.

E puseram a sua sepultura com os ímpios, e com o rico na sua morte; ainda que nunca cometeu injustiça, nem houve engano na sua boca.

Todavia, ao SENHOR agradou moê-lo, fazendo-o enfermar; quando a sua alma se puser por expiação do pecado, verá a sua posteridade, prolongará os seus dias; e o bom prazer do SENHOR prosperará na sua mão.

Ele verá o fruto do trabalho da sua alma, e ficará satisfeito; com o seu conhecimento o meu servo, o justo, justificará a muitos; porque as iniquidades deles levará sobre si.

Por isso lhe darei a parte de muitos, e com os poderosos repartirá ele o despojo; porquanto derramou a sua alma na morte, e foi contado com os transgressores; mas ele levou sobre si o pecado de muitos, e intercedeu pelos transgressores

Compare com essas passagens abaixo e observe que a glória que o profeta Isaías viu tem origem no sacrifício e morte de Cristo. De fato, Jesus não foi glorificado até que Deus o ressuscitou dentre os mortos:

E isto disse ele do Espírito, que aqueles que acreditavam Nele estavam para receber, porque o Espírito Santo ainda não fora dado, porque Jesus ainda não tinha sido glorificado” (João 7:39).

JESUS falou assim, e, levantando os seus olhos ao céu, disse: Pai, é chegada a hora; glorifica a teu Filho, para que também te glorifique a ti” (João 17:1).

Os seus discípulos, porém não entenderam isto no principio: mas, quando Jesus foi glorificado, então se lembraram de que isto estava escrito dele, e que isto lhe fizeram” (João 12:16).

Vemos, todavia, aquele que, por um pouco, tendo sido feito menor que os anjos, Jesus, POR CAUSA DO SEU SOFRIMENTO E MORTE, FOI COROADO DE GLÓRIA e de honra, para que, pela graça de Deus, provasse a morte por todo homem” (Hebreus 2:9).

O Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó, o Deus de nossos pais, glorificou a seu Servo Jesus, a quem vós traístes e negastes perante Pilatos, quando este havia decidido soltá-lo” (Atos 3:13).

Pedro diz novamente que Deus “ressuscitou [Jesus] dentre os mortos e lhe deu glória…” (1 Pedro 1:21).

O escritor do Quarto Evangelho não disse em momento algum que Jesus era Àquele que estava assentado sobre o trono na visão de Isaías, nem que Jesus fazia parte de uma trindade. Compreender dessa forma é ir além do que os textos bíblicos estão afirmando. O contexto deve sempre reinar, e qualquer leitura justa de João 12 prova que o assunto é a glória através do sofrimento por Jesus. Assim, “essas coisas” não são questões de ontologia, ou seja, a questão do “Ser” de Deus não está em discussão. E para Jesus, é uma glória em perspectiva, não porque ele é Deus, mas porque ele é fiel até a morte. De fato, “essas coisas” exigidas pelo versículo 41 de João 12 aponta para a citação em João 12: 38, que vem de Isaías capítulo 53, não de Isaías 6: 1. Isaías 53 é a grande profecia do Servo Sofredor, onde é previsto que o Messias seria “um homem de dores e familiarizado com a dor” e seria “desprezado” ”e afligido” e etc. Assim, João está dizendo que Isaías “viu” o ministério vindouro do sofrimento e a subsequente glória do Messias.

A segunda citação em João 12:40, relativa à cegueira e dureza de Israel, é tirada de Isaías 6 durante a visão de Isaías do Senhor dos exércitos no céu. Depois que Deus purificou e comissionou Isaías para seu ministério profético, o Senhor explica a rejeição que o próprio Isaías experimentaria em breve quando fosse pregar a Israel (Is 6: 10). O povo não vai ouvir Isaías por causa de sua dureza e incredulidade. Era o mesmo tipo de rejeição que Jesus estava encontrando em João 12. Embora Jesus tivesse realizado muitos “sinais”, o povo “não estava acreditando nele” como o Messias há muito prometido (Jo 12:37).

Não apenas o próprio Jesus na passagem de João conecta seus sofrimentos messiânicos como o meio de trazer “glória”, mas também foi assim que os outros apóstolos entenderam. Lembre-se, Jesus já nos indicou que, quando fosse “levantado” de sua morte, o Pai seria glorificado e também o recompensaria com GLÓRIA (João 12: 27).

Lembre-se também de que os discípulos não tiveram essa conexão entre os sofrimentos do Messias e sua glória (João 12:16). Porém, após a morte, sepultamento, ressurreição e ascensão de Jesus ao céu à mão direita de Deus, o Pai, os discípulos finalmente o entenderam: “Desta salvação inquiririam e indagaram diligentemente os profetas que profetizaram da graça que para vós era destinada, indagando qual o tempo ou qual a ocasião que o Espírito de Cristo que estava neles indicava, ao predizer os sofrimentos que a Cristo haviam de vir, e a glória que se lhes havia de seguir” (1 Pedro 1:10-11).

Certamente Isaías foi um dos profetas mencionados por Pedro que séculos antes havia visto “os sofrimentos do Messias” e “as glórias” que se seguiriam. Em harmonia com Pedro, seu companheiro e apóstolo, João, concorda que os profetas Zacarias, o salmista e Isaías viram os sofrimentos do Messias e a glória que se seguiria (João 12: 12-16; 37-41).

Paulo também sabia que “essas coisas” estavam escritas nos profetas, de como o servo sofredor do Senhor “suportaria nossas iniquidades” ao “derramar-se até a morte”. Mas Paulo também sabia que Isaías tinha visto a recompensa gloriosa do Messias e como o Senhor Deus “veria” a “angústia de sua alma e ficaria satisfeito” (Is 53: 10), e depois que ele se “esvaziou” até a morte, o Apóstolo diz que “Deus o exaltou soberanamente, e lhe deu o nome que é sobre todo nome; para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para glória de Deus Pai” (Filipenses 2:9-11).

E novamente: João disse que Isaías viu a glória de Jesus apontando para os registros proféticos do capítulo 53 e não do capítulo 6. O capítulo 53 de Isaías nos fornece uma fonte rica dos “sofrimentos previstos de Cristo e das glórias a seguir”. A glória de Deus é revelada no caminho de humildade do Messias. E através de seus sofrimentos, Jesus sabia que Seu Pai também seria glorificado. As multidões de Israel em João 12 não viram isso.

Esse ensinamento já foi mencionado anteriormente no evangelho de João. Por exemplo, prevendo seus sofrimentos e morte – e sabendo que Israel o matará, Jesus disse: “o Pai é quem me glorifica” (João 8: 54). Eles se recusaram a acreditar nas credenciais messiânicas de Jesus. Eles se recusaram a acreditar que o ensino de Jesus tem o poder de impedir alguém da “morte eterna” (João 8:51). Jesus retruca: “Abraão, vosso pai, se alegrou em ver o meu dia, ele o viu e alegrou-se” (João 8:56). Espero que você tenha entendido isso; Abraão “viu” o futuro dia da glória do Messias. Isto é o que Isaías e todos os profetas também viram, o futuro “dia” de glória do Messias.

Isaías viu o Deus de Abraão, Isaque e Jacó

Não há um pedaço de evidência textual testificando que Isaías viu a “glória de Jesus” nas visões registradas no capítulo 6. Isaías também não diz nada de um Deus que é uma Trindade na sua visão.

Na Bíblia Hebraica (comumente chamada de Antigo Testamento), existem quase sete mil ocorrências do nome divino de Deus (escrito em hebraico com quatro consoantes (YHWH). Por isso devemos nos ater ao fato de como é importante entender quem é o Deus da Bíblia. Em todas essas quase sete mil ocorrências do nome pessoal de Deus, os verbos e pronomes pessoais acompanhantes estão no singular. A linguagem não tem meios mais seguros de comunicar que o Senhor é uma pessoa e não duas ou até três.

Embora alguns tentem ler de forma tríplice, “Santo, Santo, Santo”, desejando ardentemente identificar uma ‘divindade’ trina, sabemos que o resto da adoração angélica é ao Deus monoteísta, o único Deus, pois eles dizem: “Santo, Santo Santo, é o Senhor dos exércitos, toda a terra está cheia da sua glória” (Is 6:3). Ou seja, sabemos que Deus é uma Deidade Individual por causa dos verbos singulares e pronome pessoal singular que os acompanha. De acordo com todos os profetas, Isaías faz uma distinção clara entre Deus Pai e o Messias.

Para Isaías, o Senhor é uma única pessoa e nunca é confundido como dois deuses ou duas pessoas que são Deus. Para Isaías, Yahweh é o Deus que “formará” Seu Servo Messiânico no ventre de sua mãe (Isaías 49:5). Para Isaías, o Messias é referido como “o ramo do Senhor”, aquele que “se deleitará no temor do Senhor”, aquele “escolhido por Deus”, aquele em quem o Senhor “se deleita”, aquele que será o sábio “servo” do Senhor, aquele que cresceria diante do Senhor como “um renovo” e aquele em quem o Senhor lançará “a iniquidade de todos nós” (Is 4: 2; 11: 2-3; 42: 1; 52:13; 53: 2, 6,10; 61: 1). Assim, ao longo de todo o livro de Isaías, o profeta nunca confunde o Messias vindouro com o Deus Pai. Para Isaías, o Messias não é o Senhor dos exércitos.

Além disso, dizer que Jesus é o Senhor é quebrar a regra trinitária inviolável de que as Pessoas da Divindade não devem ser confundidas. Lembre-se, Yahweh é um nome pessoal. Dizer que Deus o Pai é Yahweh e ao mesmo tempo dizer que Jesus é o Senhor Deus é confundir a “Primeira Pessoa” da Trindade – Deus o Pai – com a “Segunda Pessoa” da Trindade – “Deus o Filho”, como os Trinitarianos chamam Jesus.

Se dissermos que João está equiparando Jesus a Yahweh em João 12:41, estaremos defendendo não o Trinitarianismo, mas o Modalismo. Modalismo é o conceito de que Jesus é Deus Pai se expressando em um “modo” ou expressão diferente (é proposto hoje por grupos como os Pentecostais da Unidade), que Deus se manifestou como o filho. Ou seja, que são literalmente um só.

Jesus nunca se identificou como o Deus Pai, um conceito que nem os trinitarianos aceitam. Isaías afirmou que viu o Senhor em Isaías 6, e não Jesus, o Messias. Mas o que Isaías viu e falou (capítulo 51) é a visão profética da rejeição e subsequente glória que o Messias alcançaria 750 anos no futuro. “Essas coisas” que Isaías viu falam do cumprimento da profecia nos dias de João sobre os sofrimentos do Messias e a glória seguida à sua ressurreição.

Dizer que Isaías viu Jesus como Deus no céu é desconsiderar o contexto imediato de João 12:37-41, os quais falam dos sofrimentos de Jesus como o prelúdio necessário para sua glória messiânica; é ignorar a distinção consistente em todo o livro de Isaías e de todos os profetas do AT, que Deus é “uma pessoa” e que o Messias prometido nunca é Deus.

Provando que Isaías viu o Pai, não o Filho (Is 6:1-10)

No ano em que morreu o rei Uzias, eu vi o Senhor assentado sobre um alto e sublime trono, e as orlas do seu manto enchiam o templo. Ao seu redor havia serafins; cada um tinha seis asas; com duas cobria o rosto, e com duas cobria os pés e com duas voava.

E clamavam uns para os outros, dizendo: Santo, santo, santo é o Senhor dos exércitos; a terra toda está cheia da sua glória. E as bases dos limiares moveram-se à voz do que clamava, e a casa se enchia de fumaça. Então disse eu: Ai de mim, pois estou perdido; porque sou homem de lábios impuros, e habito no meio dum povo de impuros lábios; e os meus olhos viram o rei, o Senhor dos exércitos!

Então voou para mim um dos serafins, trazendo na mão uma brasa viva, que tirara do altar com uma tenaz; e com a brasa tocou-me a boca, e disse: Eis que isto tocou os teus lábios; e a tua iniquidade foi tirada, e perdoado o teu pecado. Depois disto ouvi a voz do Senhor, que dizia: A quem enviarei, e quem irá por nós?

Então disse eu: Eis-me aqui, envia-me a mim. Disse, pois, ele: Vai, e dize a este povo: Ouvis, de fato, e não entendeis, e vedes, em verdade, mas não percebeis. Engorda o coração deste povo, e endurece-lhe os ouvidos, e fecha-lhe os olhos; para que ele não veja com os olhos, e ouça com os ouvidos, e entenda com o coração, e se converta, e seja sarado“.

O mais impressionante é que o texto esclarece de forma cristalina, não deixando dúvida alguma, que Isaías viu o Deus de Abraão Isaque e Jacó, o Deus dos exércitos, uma designação exclusiva do Pai – Isaías viu um ser apenas, não dois. E mais impressionante ainda é ver como os trinitarianos destronam o Senhor dos exércitos na visão de Isaías e colocam Jesus no lugar. Jesus nunca esteve no trono do Pai até que ele foi exaltado à destra de Deus depois de sua ressurreição. O Senhor dos exércitos de Isaías 6 é o Pai. Ele é visto em Apocalipse como “O Todo- poderoso”, e está separado do cordeiro.

As mesmas designações (“Todo-poderoso e Senhor dos exércitos”) são aplicadas ao Pai no Velho Testamento.

Vejam os textos:

Jeremias 32: 18 “Tu usas de misericórdia até mil gerações, mas retribuis o pecado dos pais nos filhos. Tu és o grande e poderoso Deus, cujo nome é SENHOR dos Exércitos“.

Salmos 84: 12 “Ó SENHOR dos Exércitos, bem-aventurado o homem que confia em ti“.

Salmos 89: 8. “Ó SENHOR, Deus dos Exércitos, quem é poderoso como tu, SENHOR, com a tua fidelidade que te cerca?”

Gênesis 17: 1. “Quando Abrão tinha noventa e nove anos, o SENHOR lhe apareceu e disse: Eu sou o Deus Todo-poderoso; anda na minha presença e sê íntegro“.

O SENHOR (YHWH) do Velho Testamento sempre á uma referência ao Deus Todo-poderoso. “Todo-poderoso” e “Senhor dos exércitos” são títulos que Jesus nunca recebeu nas Escrituras.

Outro ponto importante a se notar é que o capítulo 4 e 5 do livro de Apocalipse deixam bem claro que os seres celestiais proclamam “Santo, Santo, Santo” para Aquele que está assentado sobre o trono, sendo esse o Deus Todo-poderoso, o Ser que difere da pessoa do Cordeiro: “Eu sou o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim, diz o Senhor, que é, e que era, e que há de vir, o Todo-Poderoso“, Ap 1:8.

Observe com atenção nos versículos citados a seguir que “Aquele que é, que era, e que há de vir” está separado de Jesus: “João, às sete igrejas que estão na Ásia: Graça e paz seja convosco da parte daquele que é e que era, e que há de vir, e da dos sete espíritos que estão diante do seu trono; E da parte de Jesus Cristo, que é a fiel testemunha, o primogênito dentre os mortos e o príncipe dos reis da terra. Àquele que nos amou, e em seu sangue nos lavou dos nossos pecados” (Apocalipse 1:4, 5).

O Todo-poderoso, O Senhor dos exércitos, aparece em mais passagens do Livro de Apocalipse – sempre separado de Jesus. O escritor, ao contemplar a nova Jerusalém que desce do céu, registra que “Nela não vi santuário, pois seu santuário é o Senhor Deus Todo-poderoso e o Cordeiro“, Ap 21:22.

O Senhor dos Exércitos visto por Isaías em glória é o mesmo citado como sendo o Deus de Jesus em Apocalipse 2:7; 3:2, 12, que se distingue do Cordeiro em Apocalipse 5:1-7; 5:13; 6:16; 7:10, 15.

Veja as passagens

Apocalipse 2:7, “Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: Ao que vencer, dar-lhe-ei a comer da árvore da vida, que está no meio do paraíso de Deus“.

Apocalipse 3:2, 12 “Sê vigilante, e confirma os restantes, que estavam para morrer; porque não achei as tuas obras perfeitas diante de Deus… A quem vencer, eu o farei coluna no templo do meu Deus, e dele nunca sairá; e escreverei sobre ele o nome do meu Deus, e o nome da cidade do meu Deus, a nova Jerusalém, que desce do céu, do meu Deus, e também o meu novo nome“.

Preste atenção nesses registros onde você também poderá constatar que Deus é distinto do Cordeiro:

Apocalipse 5:1-7,13 “E vi na destra do que estava assentado sobre o trono um livro escrito por dentro e por fora, selado com sete selos. E vi um anjo forte, bradando com grande voz: Quem é digno de abrir o livro e de desatar os seus selos?

E ninguém no céu, nem na terra, nem debaixo da terra, podia abrir o livro, nem olhar para ele. E eu chorava muito, porque ninguém fora achado digno de abrir o livro, nem de o ler, nem de olhar para ele. E disse-me um dos anciãos: Não chores; eis aqui o Leão da tribo de Judá, a raiz de Davi, que venceu, para abrir o livro e desatar os seus sete selos.

E olhei, e eis que estava no meio do trono e dos quatro animais viventes e entre os anciãos um Cordeiro, como havendo sido morto, e tinha sete pontas e sete olhos, que são os sete espíritos de Deus enviados a toda a terra.

E veio [o Cordeiro], e tomou o livro da destra [de Deus] daquele que estava assentado no trono.

E ouvi a toda a criatura que está no céu, e na terra, e debaixo da terra, e que está no mar, e a todas as coisas que neles há, dizer: Ao que está assentado sobre o trono, e ao Cordeiro, sejam dadas ações de graças, e honra, e glória, e poder para todo o sempre“.

Apocalipse 6:16, “E diziam aos montes e aos rochedos: Caí sobre nós, e escondei-nos do rosto daquele que está assentado sobre o trono, e da ira do Cordeiro“.

Apocalipse 7:10, “E clamavam com grande voz, dizendo: Salvação ao nosso Deus, que está assentado no trono, e ao Cordeiro“.

Agora leia Isaías 6:1, “No ano em que morreu o rei Uzias, eu vi o Senhor assentado sobre um alto e sublime trono…”.

O mesmo Deus e Senhor visto assentado no trono em Apocalipse, distinto do Cordeiro (Jesus), é aquele que Isaías viu assentado no trono em sua visão registrada no capítulo 6:1-10. Isaías viu a glória do Deus Todo-poderoso, que é o Pai. Isaías não viu Jesus. Jesus não falou com Isaias. O Messias não falava no Velho Testamento porque ele ainda não existia: “Havendo Deus antigamente falado muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias a nós nos falou pelo Filho…”. (Hebreus 1:1-2).

O Filho de Deus jamais existiu antes de nascer em Belém. O Salmista sabia disso, como sabia também que Ele não estava no céu: “Quem, nos céus se compara ao SENHOR? Quem é igual ao SENHOR entre os seres celestiais? (Salmos 89:6).

O Espírito Santo falando

Vamos agora analisar Atos 28:25-28, que diz: “E, como ficaram entre si discordes, despediram-se, dizendo Paulo esta palavra: bem falou o Espírito Santo a nossos pais pelo profeta Isaías, dizendo: vai a este povo, e dize: de ouvido ouvireis, e de maneira nenhuma entendereis; e, vendo vereis, e de maneira nenhuma percebereis. Porquanto o coração deste povo está endurecido, e com os ouvidos ouviram pesadamente, e fecharam os olhos para que nunca com os olhos vejam, nem com os ouvidos ouçam, nem do coração entendam, e se convertam, e eu os cure. Seja-vos, pois, notório que esta salvação de Deus é enviada aos gentios, e eles a ouvirão“.

Os versos 26 e 27 são referências ao texto de Isaías 6: 9-10. É o mesmo texto citado por João no capítulo 12. Dessa vez é Lucas quem escreve, pois ele é o autor do livro de Atos dos Apóstolos. Em Isaías 6:8-9, o profeta diz que foi o Senhor quem falou com ele em visão, ou seja, o grande Rei que estava assentado sobre o trono, conforme podemos ver a seguir:

“Depois disto ouvi a voz do Senhor, que dizia: A quem enviarei, e quem há de ir por nós? Então disse eu: eis-me aqui, envia-me a mim. Então disse ele: vai, e dize a este povo: ouvis, de fato, e não entendeis, e vedes, em verdade, mas não percebeis” (Isaías 6:8-9).

Note novamente que no relato descrito por Lucas, o apóstolo Paulo refere-se ao “Espírito Santo” como aquele que falou com Isaías. Leia outra vez o verso de Atos: “E, como ficaram entre si discordes, despediram-se, dizendo Paulo esta palavra: bem falou o Espírito Santo a nossos pais pelo profeta Isaías…” (Atos 28:25).

Se a doutrina da trindade fosse verdadeira, isso seria uma contradição, pois os Trinitarianos compreendem que cada pessoa da Divindade são diferentes entre si e que existe uma distinção clara entre cada uma delas, conforme expliquei no início desse estudo. Ora, se o profeta Isaías diz ter sido o Senhor quem falou com ele em visão, logo não pode ter sido outra pessoa, mesmo que essa “suposta pessoa” faça parte do mesmo ser. Na mentalidade judaica, expressa nos relatos bíblicos, o “Espírito Santo” nada mais é do que a própria pessoa de Deus agindo de forma espiritual.

O mesmo acontece no relato de Atos 5:3-4, onde é intercalado o termo “Espírito Santo” e “Deus”, pois o primeiro é uma referência ao próprio Deus: “Disse então Pedro: Ananias, por que encheu Satanás o teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo, e retivesses parte do preço da herdade? Guardando-a não ficava para ti? E, vendida, não estava em teu poder? Por que formaste este desígnio em teu coração? Não mentiste aos homens, mas a Deus” (Atos 5:3-4).

Pedro afirma que Ananias mentiu ao Espírito Santo, e em seguida diz novamente que ele mentiu para Deus. Portanto, o termo “Espírito Santo” relatado na Bíblia pode muitas vezes estar se referindo a própria pessoa do Pai, e não a uma terceira pessoa da trindade.

A distância entre Jesus e a visão de Isaías é de sete séculos e meio. Jesus não estava lá. Isaías não viu a glória de Jesus em 6:1-3, pois era o Pai celestial falando.

O que podemos concluir é que os relatos de Isaías 6, João 12 e Atos 28 não são uma prova da doutrina trinitariana. Como visto, os textos foram analisados honestamente, o que nos possibilitou de forma cristalina encontrar interpretações contrárias ao que ensina a doutrina da trindade. O próprio conceito trinitariano acaba perdendo a sua credibilidade ao tentar provar uma trindade com base nessas passagens, pois na distinção das três pessoas, acabam confundindo cada uma delas nas próprias passagens, contradizendo o respectivo ensinamento que cada um é uma pessoa distinta da outra.

Deus seja louvado

Publicado em JESUS DE NAZARÉ NA ESCRITURA

“Existindo em forma de Deus” (Fp 2: 6,7)

Há profecias de que um ser celestial viria a terra em forma humana?

Milhões entre os cristãos têm em sua crença de que o próprio Deus se fez homem e veio a terra. Vocês conseguem imaginar um acontecimento mais fantástico do que esse, impossível não é? Pois, se tratando então de um evento desta envergadura, que tal acreditar que os profetas antigos teriam dito que isso aconteceria? Será que os profetas antigos falaram que isso aconteceria? Muitos dizem que sim, mas onde?

Em Filipenses 2:4-8, Paulo registra: “Não atente cada um para o que é propriamente seu, mas cada qual também para o que é dos outros. De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus, mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens; e, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz”.

A nossa envelhecida ortodoxia protestante entende que esse “esvaziou-se” implica dizer que Cristo trocou uma natureza pela outra, que ele saiu do céu [tendo a forma de Deus] e chegou a terra como homem [tomou a forma de homem]. Ou seja, os trinitarianos geralmente fazem a leitura desse versículo como se Paulo estivesse falando de um Jesus que viveu antes do seu nascimento em Belém e de sua decisão de se tornar um ser humano. Para eles, Paulo está se referindo à encarnação do Filho preexistente.

Neste contexto, a aparente possibilidade de Cristo estar esvaziando-se da natureza divina, e uma grande massa de linguística e evidência favorável a essa interpretação, parece tornar inviável qualquer alternativa contextual, o que deixou enraizado na Ortodoxia Cristã total credibilidade para essa visão tradicional.

Inevitável não haver questionamentos diante de um contexto tão controvertido. Por que o verso cinco diz que toda essa metamorfose de divindade para humanidade foi um sentimento que houve em Cristo Jesus, o nome que lhe foi dado depois de nascido? Ora, a passagem não diz nada sobre o céu ou uma vida passada para Jesus, mas sim se refere a “Cristo” – “o Filho de Deus”, um nome e título que ele adquiriu apenas a partir de seu nascimento (Sl 2:7; Lucas 1: 32,35 e Mat 1:18).

A noção de uma divindade que se despe de suas atribuições e prerrogativas é inerentemente problemática – os trinitarianos devem responder se isso significa que Jesus deixou de ser “Deus” quando se tornou humano. Ora, o conceito tradicional da preexistência significa que a concepção de Jesus foi o rompimento de uma existência como Deus e o começo de uma carreira terrestre como homem. Além disso, se Deus é eterno e não muda, como Ele pode livrar-se de qualquer parte da sua natureza? Será que essa idéia não contradiz passagens como Malaquias 3:6, que diz: “Eu sou o Senhor, não mudo”?

Como e quando ele readquiriu seus atributos divinos? O que é que tudo isto implica sobre a morte de Jesus, que Deus/Jesus realmente morreu ou se apenas uma parte dele morreu na cruz?

Jesus, numa existência anterior imortal, poderia “aniquilar” em si mesmo essa imortalidade para se tornar homem? Ou não foi a morte de Jesus uma morte real, que somente o homem Cristo morreu e sua parte deificada não morreu? Será que isso tudo é uma charada divina? Será que apenas o corpo humano de Jesus morreu? Se assim for, isso não significa que sua natureza humana é impessoal? Se apenas a parte humana de Jesus morreu, o que foi o ponto de “Deus, o Filho”, como os trinitarianos o chamam, “esvaziando-se de seus atributos divinos?”

Estamos preparados para aceitar a noção de que Deus pode se tornar um homem? E como pode o agir exclusivo de Cristo em “despojar-se” de seus privilégios divinos para se tornar humano, servir como um exemplo prático da humildade cristã? Um cristão pode “alienar-se” de seus atributos humanos e assumir uma natureza totalmente diferente?

Finalmente, se Jesus é humano e divino, isso não faz dele uma espécie de híbrido? Como ele pode, nesse caso, ainda ser classificado como verdadeiro ser humano? E se ele não é verdadeiramente humano, se ele possui poderes ou uma natureza que é mais do que humano, como ele pode servir como um exemplo de como os seres humanos devem viver?

Vemos que foi uma decisão de Jesus através do seu sentimento, no que diz respeito a se esvaziar. E de que maneira devemos usar em nós o mesmo sentimento? Deixe-me colocar da seguinte forma: Quando ele aceitou vir do céu – como muitos ensinam – parece sugerir que ele administrou todo o processo de transição até entrar no útero de Maria como uma célula reprodutora. Isso parece estranho como interpretação para a preexistência de Cristo, pois fala dele perdendo uma natureza que adquiriu num lugar, sendo transportado com uma natureza totalmente diferente para outro lugar. Isso implica dizer que o Senhor Jesus drenou a sua própria essência divina. E nós, como faríamos a mudança usando sentimentos?

E, se foi assim que aconteceu, por que muitos insistem dizer que ele era divino quando aqui andou se ao mesmo tempo dizem que ele despiu-se da sua glória? Assumir a natureza humana dessa forma parece absurdo, pois se acaba perdendo o significado real de escravo e servo inseridos no contexto de Filipenses. Ou seja, bastaria dizer que ele era divino e se transformou num ser humano. No entanto, o texto insiste dizendo que houve significativas mudanças que vieram dar real significado ao contexto, pois fala do sentimento que havia em Cristo Jesus, e não que ele passou de uma condição extraterrestre para uma de habitante deste planeta.

E há um ponto crucial ignorado por milhões dentro da nossa ortodoxia: Será que não passa pela mente trinitariana que foi o Espírito Santo – intitulado por eles mesmos como a terceira pessoa da Trindade – quem desceu até Maria e não o próprio Jesus? A decisão de enviar foi do Pai, não do Filho. Jesus não deixou sua glória para vir a terra em “sendo em forma de Deus … foi achado na forma de homem” porque ele não estava na eternidade passada. Ele nunca foi preexistente!

Toda essa confusão poderia ter sido evitada se não fosse pela má interpretação da palavra grega morphe. Esta palavra é comumente traduzida para o português como “forma”. A maioria tende interpretar morphe bem ao estilo convencional: natureza divina. Isso significa, para muitos, que a “forma de Deus” aponta para a “natureza” interior de Jesus, que o seu corpo era divino, transcendente esotérico atemporal. Porém, isso não está de acordo com Gênesis 3:15, quando garante categoricamente que ele foi semente de Mulher, como também não está de acordo com outras passagens que falam de Cristo como descendente de Davi e Abraão. Isso não significa simplesmente dizer que ele se esvaziou de sua glória, significa dizer que ele nasceu como todos os homens nascem. Na verdade, Paulo aqui apresenta o Senhor como o Filho do criador do universo, sendo sua [forma] imagem, exemplo deixado em vários discursos de Cristo quando afirmava que ele o Pai são um, quem o via também via o Pai e versos similares.

É importante para o novo convertido quando ele ouve sobre Jesus de Nazaré como um homem; um homem que o salvou e levou seus pecados, ao contrário dessa heresia nociva sugerindo que Jesus ultrapassou os limites da fraqueza vencendo o pecado porque ele era um ser especial, um homem-Deus, como insinuou um evangélico num dos muitos debates sobre a divindade de Cristo: “Seria totalmente impossível a “semente” de Gênesis 3:15 ter sido um ser somente 100% humano, não teria a menor possibilidade de tal vencer as obras do diabo. Jesus derrotou o diabo em harmonia com Deus e tal harmonia era especial. A relação de Jesus com Deus era especial e para que isso fosse possível se faz necessário algo transcendente em ambos”.

O texto de Filipenses jamais poderia dizer que Jesus era Deus tendo a natureza de Deus – ele foi um terráqueo, no grosso da palavra. Além disso, Paulo diz que o Senhor não julgou como usurpação o ser igual a Deus. Igualdade com Deus aqui não significa igualdade com a outra pessoa da Divindade, mas a igualdade como Filho direto de Deus. E essa igualdade aqui não é a igualdade na posse da essência divina, mas na sua expressão.

Vou apresentar aqui uma tradução diferente dos versículos em questão, que podem tornar o entendimento do contexto bem mais claro,

Embora existindo em igualdade com Deus, não considerou que o ser igual a Deus era algo a que devia apegar-se, mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens; E, sendo reconhecido em figura humana, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz“.

Há alguns detalhes aqui que precisam ser observados; “Embora existindo em igualdade com Deus, não considerou que o ser igual a Deus…“. Ora, evidente que isso deve significar que Deus era outro. Portanto, quando diz que ele “esvaziou-se a si mesmo” esta claramente separando ele (si mesmo) de Deus. Na verdade, o versículo poderia ficar dessa forma: “pois ele, sendo a expressão do próprio Deus, não quis se igualar a Deus; antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana”.

Quando o texto diz que Cristo não quiz se igualar a Deus deve significar que ele não era o próprio Deus. O que ele está dizendo é que Cristo em sua mente, ou atitude não egoísta, não “apoderou-se” ser igual a Deus, mas humilhou-se como servo por amor a nós. Ele não considerou agarrado em igualdade com Deus. O escritor aos Hebreus explica melhor: “embora fosse filho, aprendeu a obediência por aquilo que sofreu“. A ênfase em “embora fosse filho” nos revela um significado interessante; Jesus não é filho de qualquer um, mas do Criador do universo, o Rei. E mesmo assim ele não se concentrou em sua nobreza como filho, mas se humilhou para servir aos outros.

Jesus era da realeza; Deus escolheu para seu filho nascer na linhagem de Davi (Mateus 1: 1); Deus poderia declará-lo como herdeiro do trono de Davi (Lucas 1:32). Ele determinou que Jesus iria governar a casa de Israel para sempre (Lucas 1:33). E, enquanto ele nasceu e viveu como rei dos judeus (Mateus 2: 2), Paulo diz aos filipenses no verso 7a que ele “esvaziou-se …”. Uma série de outras traduções dizem: “Mas se fez de nenhuma reputação”. Esse é o caso. Por exemplo, quando Jesus, como o futuro rei de Israel, entrou na cidade de Jerusalém em “entrada triunfal” ele não veio em posição adequada para uma realeza. Ele veio montado num animal de carga – um jumento (Mateus 21: 7).

A nobreza de Jesus estava em sua relação com Deus como Filho do Rei e criador do universo. Por isso o Apóstolo Paulo em outro lugar diz que Jesus, sendo rico, se fez pobre por amor de nós (2 Cor 8:9). Sim, ele era o filho do Deus Todo-Poderoso, mas não se agarrou nessa realidade humilhando-se para servir a outros. Assim, a humildade do Senhor não estava no fato de que, como um filho preexistente, ele desceu de sua posição no céu, como muitos afirmam, humilhando-se em uma encarnação, sugerindo que Cristo não se fez realmente pobre por nós, mas manteve a riqueza de sua natureza divina nobre quando ele encarnou-se, e, enquanto desfilava disfarçado em um corpo humano, sua humildade foi ter que aturar a natureza humana comum em si mesmo ao mesmo tempo em que vivia em sua natureza divina.

O auto sacrifício de Jesus é contrastado com a história do Gênesis da arrogância de Adão querendo agarrar a divindade no convite de Satanás de que “seriam como Deus”(Gn 3:5) . Como Adão, Cristo foi a forma/imagem de Deus, mas em vez de escolher se agarrar em igualdade ou semelhança com Deus, Cristo esvaziou-se, recebendo livremente a forma de um escravo. Cristo se humilhou, não escolhendo abraçar a atitude de Adão, passando longe do destino que Adão sofreu como título de punição, sendo assim obediente até a morte. Adão cedeu quando eles estavam sendo tentados pelo pensamento de que poderiam “ser como Deus” (Gênesis 3: 5). Ele não foi um exemplo de humildade e obediência que Paulo poderia apontar para os filipenses. Jesus, por outro lado, não considerou “a igualdade com Deus algo a ser apreendido”. Jesus era o exemplo perfeito para os filipenses. Ele conseguiu vencer onde Adão falhou. E mesmo que Adão não seja mencionado no texto, a “forma de Deus” em Jesus pode fazer um paralelo para se referir a Adão como a “imagem de Deus”. Observe que Paulo também chama Jesus de Adão,

Assim está também escrito: O primeiro homem, Adão, foi feito em alma vivente; o último Adão em espírito vivificante”, 1 Co 15:45.

Observem o que aconteceu em Gênesis 3:5; o diabo disse para Adão e Eva: “Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se abrirão os vossos olhos, e sereis como Deus…”.

Volta para Filipenses e veja novamente o que os textos dizem sobre o último Adão, Jesus: “Que, sendo a imagem/forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus, Mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens; E, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz“.

Portanto, não há nada no contexto de Filipenses aqui em estudo indicando que Cristo possuía igualdade divina com Deus. E quando ele recusa-se ser igual a Deus, ele simplesmente escolhe o caminho oposto ao de Adão. Assim, esse contexto (“mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, tornando-se semelhante aos homens”) não deve ser interpretado como o Filho preexistente escolhendo se encarnar, tese que inevitavelmente gera algumas perguntas desconcertantes para os trinitarianos: Se Jesus era Deus no céu, por que Paulo não diz que ele não desejou ser igual a si mesmo se despindo de sua natureza celestial e tornando-se em forma de Homem? Ora, se o texto diz que ele não queria ser igual a Deus, e ele mesmo era Deus, então a confusão trinitariana está armada. De fato, observe a contradição: “o qual, subsistindo em forma de Deus, não considerou o ser igual a Deus coisa a que se devia aferrar“, Filipenses: 2:6.

Novamente: Se Ele era Deus no céu por que o texto não diz que ele “não considerou ser igual a ele mesmo quando estava no estado preexistente?”

Depois de dizer que Cristo estava na forma de Deus, Filipenses 2: 6 prossegue dizendo que Cristo “não considerou a igualdade com Deus algo a ser apreendido” (NIV). Esta frase é um poderoso argumento contra a Trindade. Se Jesus fosse Deus, então não faria nenhum sentido dizer que ele não “compreendia” a igualdade com Deus porque ninguém se agarra à igualdade consigo mesmo. Faz sentido apenas elogiar alguém por não buscar a igualdade quando ele não é igual. Alguns trinitaristas dizem: “Bem, ele não estava buscando a igualdade com o Pai”. Não é isso que o versículo diz. Diz que Cristo não pretendeu a igualdade com Deus, o que torna o versículo sem sentido se ele fosse Deus.

O que o texto está apresentando é uma antítese, um contraste: Jesus não foi e nem era Deus em tempo nenhum. Porém – aqui na terra, não no céu – devido à sua humildade, seu sentimento, rejeitou qualquer aspiração a ser igual a Deus, considerando isso uma usurpação, mas, ao contrário, ‘humilhou-se até à morte’.

Além disso, se Cristo é igual a Deus, como então Deus poderia enaltecer Jesus a uma posição superior, sendo que não há posição superior a de Deus? Ele só poderia ter recebido uma “posição superior” – considerando que ele tinha uma existência pré-humana – se ele não fosse “igual a Deus”. E mais, o verso nove diz que a ele foi dado um nome acima de todo o nome. Isso nos leva a um questionamento curioso: “qual nome ele tinha antes de descer a terra se o que ele recebeu aqui foi maior?”

E acima de todas essas dificuldades devemos considerar a principal delas. O texto grego diz, “ὃς ἐν μορφῇ θεοῦ ὑπάρχων”, que traduzido literalmente é “O qual em forma de Deus existindo“. A declaração está fora de ordem. Ou seja, é uma tradução literal do grego de Filipenses 2:6 que a maioria das nossas versões verteram por, “O qual sendo Deus”. Isto não é absolutamente uma tradução, mas uma enorme adulteração.

De fato, podemos analisar a declaração à luz da própria Bíblia fazendo comparação com outros textos onde a palavra “forma” ocorre. Em Fil. 2:7, no próximo versículo, observamos a palavra “forma” sendo empregada novamente. Paulo nos diz que Cristo literalmente “tomou a forma de escravo”, em uma equivalência dinâmica, e em matéria de tradução, podemos dizer que “assumiu a forma de escravo”. Como sabemos “escravo” se refere a uma classe de pessoas.

As comparações de “forma de Deus” e “forma de escravo” revelam todo o contexto. Atente para a expressão “assumiu a forma de escravo” no versículo sete. É preciso mistificar alguma coisa aqui? Logo, essa “forma de Deus” não trata da natureza de Jesus e sim de sua função, seu propósito.

A palavra usurpação já deixa claro que se trata de se colocar na posição (lugar, cargo) de outra pessoa, não fala de natureza e sim posição e também diz que ele tomou a forma de escravo, novamente se trata de posição (cargo) e não de natureza. Posição de escravo e não natureza de escravo. Escravo é uma posição (cargo) e não uma natureza. Este texto é claro em se referir ao propósito e não à natureza. Assim como “forma de escravo” é posição de escravo, “forma de Deus” é uma posição, e não natureza. E não importa o que dizem os inúmeros léxicos disponíveis, que na verdade não concordam entre si sobre o significado real de morphe. Diferentes léxicos têm pontos de vista opostos sobre a definição dessa palavra, a tal ponto que não podemos pensar em nenhuma outra palavra definida pelos léxicos de forma tão contraditória. Portanto, os léxicos não servem para referências conclusivas nesse contexto.

Por que Paulo faz uma conexão com a morphe de Deus com a morphe de um servo? Parece sem sentido se Paulo tivesse contrastando um “o que” (uma natureza divina) versus um “quem” (um servo). Além disso, um servo não é um servo devido a possuir uma natureza que o classifica como servo. Um servo é um servo devido à sua posição na vida e as atividades de servo que ele realiza. Isso fala de uma função, não de um ser. Não é a natureza ou essência particular que faz de você um servo. É uma posição na vida.

Paulo está falando de um comportamento visível. Tomar a forma de um servo significa necessariamente se comportar visivelmente como servo, fazendo as atividades humildes de um servo. Um servo não é um servo porque ele tem uma natureza particular. Um rei e um servo têm a mesma natureza humana. A categoria servidora refere-se à função não a inerência, e tomar a forma de um servo é uma coisa funcional. Devemos nos perguntar se morphe é uma referência para funcionar também.

Tentando anular a realidade da interpretação os trinitarianos apontam para o verso oito quando Paulo usa o mesmo termo (morphe) e diz que Jesus foi “achado na forma de homem”, o que, para eles, provaria que na eternidade ele era um espírito. Ora, imediatamente após dizer que Jesus foi “achado na forma de homem”, diz que ele “humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz”. Veja a passagem com o verso sete adicionado: “Mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens; e, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz”.

A semelhança aqui não é uma referência à transferência do céu para a substância física da humanidade, mas sim de “ter se tornado uma imagem da humanidade (pecadora)”, embora ele não tivesse em si mesmo pecado (1Pe 2:22). Observe que a frase, “foi feito (do grego genomenos) à semelhança dos homens” ocorre antes da sequência que diz que ele “se tornou obediente”. O sentido é que ele se mostrou à semelhança dos homens, mas com uma diferença enorme: Ele foi a pedra angular, o ungido, o Salvador dos pecadores, e mesmo sendo um homem, se mostrou obediente à vontade de seu pai. Ele era um homem, vivendo entre os homens, mas com um propósito a cumprir além do que qualquer outro homem foi chamado a alcançar. Por isso o verso oito, “E sendo achado na forma de homem”, foi traduzido por Weymouth como, “E sendo reconhecido como um verdadeiro ser humano”. Foi essa condição humana que deu a Cristo sua empatia com homens e mulheres. A tradução na linguagem de hoje melhora consideravelmente o sentido quando diz que Jesus “abriu mão de tudo o que era seu e tomou a natureza de servo, tornando se assim igual aos seres humanos. E, vivendo a vida comum de um ser humano”.

E mais uma vez: “achado da forma de homem”, não se refere a qualquer mudança de substância espiritual para carne e sangue. Antes, porque Jesus “tomou a forma de um escravo” significou assumir o status de escravo com a atitude mental (versículo cinco) ou disposição de um servo. Apesar de ser o Messias, ele assumiu o status de homem/humanidade caída para se tornar um servo da humanidade e não assumiu seus direitos e privilégios como filho do Rei. Não há pensamento aqui de mudar para a substância de um ser humano; nenhuma das alterações de localização é indicada, mas a simples aceitação de um status inferior por alguém que, por direito, tem um status elevado. Além disso, como mortal, é impossível que Jesus tenha existido anteriormente como um imortal, isto é, como um anjo ou ser celestial (Lucas 20:36). No entanto, Jesus era como os outros homens e não o mesmo que eles, porque eles precisavam se reconciliar com Deus, enquanto ele não. Novamente, a frase sobre Jesus “tendo sido achado na forma de homem” não tem significado metafísico. Semelhante ao esquema de morphe, deve significar:

1) O estado geralmente reconhecido ou forma em que algo aparece. Nesse caso, podemos ver morphe como sinônimo de caráter, aparência ou imagem de Deus.

2) O aspecto funcional de algo, modo de vida das coisas; compare com 1 Coríntios 7:31 “Este mundo em sua forma (morphe) atual está desaparecendo”.

No entanto, o mundo da humanidade não terá uma mudança da substância física da qual é feita, mas sim do seu caráter e modo de operação. No caso de Jesus deve ser interpretado como “estar em condição de homem”, ou “compartilhando com os humanos”. Cristo está sendo avaliado como Adão – como homem representativo, como se fosse um homem caído, apesar de não ter sido, mas se colocando no lugar deles para salvá-los. Então, Jesus “tendo se tornado à semelhança dos homens” significa que ele cresceu para ser um homem, assim como os pecadores fazem. A frase está efetivamente dizendo que ele cresceu e se tornou um homem como os outros homens são (Lucas 2:40). Não se tornando um homem de outra coisa (ninguém pode fazer isso), mas tornando-se completamente humano, o que poderia significar também que ele foi 100% homem sem divindade alguma. Deus o “fez” à semelhança dos homens. Na verdade, ele foi feito como nós “em todos os aspectos” (Hebreus 2:17).

Jesus esvaziou-se de tudo. Jesus já teria (“tendo”) sido humano quando se esvaziou ou se derramou. Assim, o céu não é o local onde ocorreu tal esvaziamento. Pelo contrário, esta frase mostra que Jesus negou-se a si mesmo ao longo de sua vida para, finalmente, ser sacrificado a nosso favor (Isaías 53:12). Neste caso, “ekenosen” (ele se esvaziou), não se refere a um único momento, entendido pelos trinitarianos como o momento da “encarnação”, mas a completude de uma série de atos repetidos; sua vida terrena, vista como um todo, era um processo infalível de auto esvaziamento.

Portanto, em seu curso de vida, Jesus [o Messias – o homem] pôs de lado essa legítima dignidade, prerrogativas e privilégios como filho do Rei, humilhando-se para viver uma vida de servidão que terminou com a sua morte. Os filipenses seriam convidados a copiar o exemplo impossível de se esvaziar de sua essência? Em vez disso, deviam “esvaziar-se” de sua natureza contenciosa, egoísta e imitar o exemplo vitalício de humildade e abnegação de Jesus. Paulo não nos adverte para não sermos como um arcanjo ou ser celestial. Ele nos adverte para sermos servos humildes como humanos. O contexto adicional é mostrado quando ele diz:

Eu (Paulo) estou sendo derramado como uma oferta de libação sobre o sacrifício e serviço público para o qual a fé o conduziu” (Fp 2:17). Certamente a essência de Paulo não foi derramada.

Assim, o tema desses versos não é sobre um arcanjo preexistente ou um ser celestial ou o “Deus Filho”, mas o Messias humano, o histórico Jesus – “Pois há um mediador… um homem, Cristo Jesus” (1 Tim. 2: 5 ) que veio a existir através de seu nascimento (Lucas 1:35, 2:11). É evidente que Paulo estava pensando em Cristo como homem quando redigiu essas linhas em Filipenses capítulo dois onde o contexto é: “mas na humildade da mente… que esta mente esteja em vocês, que também estava em Cristo Jesus” (versículos 3-5). Logo, o assunto não é sobre uma mudança na essência ou natureza de Jesus num tempo de pré-concepção, mas fala de um sentimento do homem Jesus quando aqui viveu.

E, por mais incrível que possa parecer, algumas palavras derivadas de morphe são usadas com relação aos crentes, o que não deve significar que eles foram seres divinos ou deuses: “Meus filhos, com quem estou novamente em trabalho de parto até que Cristo seja formado (morphoo) em vós“, Gl 4:19.

Paulo não está sugerindo que os gálatas desenvolvam a forma física de Cristo, ou a literal essência do Jesus ressuscitado, mas que os princípios de Cristo fossem adotados por eles.

Outra pista é encontrada em 2 Timóteo 3: 5 onde lemos que os “homens tinham uma forma de piedade” (morphōsin eusébeias), mas negavam o poder dela. A essência deles era piedade? Evidente que não, pois Paulo diz que eles a negavam. Paulo está se referindo aqui a atividades não intrínsecas. Mais ainda, devemos entender que essa forma de piedade não era autêntica. Esses homens tinham a aparência externa de piedade, mas não eram de todo piedosos. Em vez disso, eles praticavam o mal.

Agindo na forma de Deus

Havia uma “forma de Deus” em Jesus. Ele era “o unigênito do Pai” (João 1:14). Jesus declarou: “quem vê a mim vê o Pai” (João 14:9) e “Eu estou no Pai e o Pai em mim” (João 14: 7–15). Sua vida declarou Deus a Israel, porém, daquele alto status, ele estava preparado para adotar o status de servo para cumprir o propósito de seu Pai. Ou seja, de acordo com a forma de Deus “todas as coisas foram feitas por intermédio dele” (João 1:3). De acordo com a forma de um servo, “ele nasceu de mulher, nasceu sob a lei” (Gl 4:4). Conforme a forma de Deus, “ele e o Pai são um” (João 10: 30), de acordo com a forma de servo, “ele não veio para fazer a sua própria vontade, mas a vontade daquele que o enviou” (João 6:38). De acordo com a forma de Deus, “como o Pai tem a vida em si mesmo, ele também deu ao Filho ter vida em si mesmo” (João 5:26), de acordo com a forma de servo, “sua alma está triste até a morte, e: “Pai”, diz ele, “se é possível, passe de mim este cálice” (Mateus 26:38-9).

Podemos perguntar, então, como fez Jesus sua função do status/morphe de Deus durante seu ministério terreno? Será que os quatro Evangelhos retratam suas atividades de forma a sugerir que ele estava fazendo o que o próprio Pai teria feito, se Deus estivesse presente, visível e pessoalmente para realizar o ministério que seu filho de fato cumpriria? Será que Cristo estava exercendo as prerrogativas que realmente pertencem ao próprio Deus? Não precisamos ir muito longe para encontrar a resposta a estas perguntas. Muito cedo no ministério de Cristo surgiu a pergunta: “Quem pode perdoar pecados senão Deus?” (Marcos 2:7). Jesus tinha acabado de dizer a um paralítico: “Filho, os teus pecados estão perdoados”.

Os mestres da lei que o ouviram dizer estas palavras o acusaram de blasfêmia. Jesus respondeu: “Qual é mais fácil: dizer ao paralítico: ‘Os teus pecados estão perdoados’, ou dizer: ‘Levanta-te, toma o teu leito e anda?” Então, ele acrescentou as palavras cruciais: “Mas, para que saibais que o Filho do Homem tem na terra poder para perdoar pecados…” (2:10). Os escribas estavam corretos na compreensão de que a autoridade máxima para perdoar os pecados dos homens repousa sobre Deus. Mas eles precisavam entender ainda mais que Deus delegou ao seu Filho autoridade para agir no lugar dEle e em seu nome! Neste ato de perdão, então, Cristo estava funcionando no morphe o estado – de Deus, que o havia enviado.

Mais uma prova do status de Jesus como morphe de Deus na terra é visto em João 5:21: “Porque, assim como o Pai ressuscita os mortos e lhes dá vida, assim também o Filho dá vida a quem tem o prazer de dar-lhe”. O poder para ressuscitar os mortos está nas mãos do Pai, e ele manifesta esse poder gloriosamente quando ele levantou seu Filho da morte para a imortalidade (Atos 17:30, 31, Rm 6:9; 8:11). Mas enquanto Cristo estava na Terra, ele levantou vários da morte – o caso mais famoso é o de seu amigo Lázaro. Assim, mais uma vez, Cristo estava agindo no lugar de Deus, ressuscitando os mortos e mostrou-se no morphe de Deus.

Portanto, morphe não subentende acidentes externos ou crises de divindade, mas sim os atributos essenciais. Isso pode ser comparado com o trecho de II Cor. 4:4, onde Cristo figura como a «imagem» de Deus, o que é igualmente atestado em Col 1:15.

Cristo exibiu a «forma» de Deus no sentido de como sua vida se manifestou ao mundo. A frase não indica «ser igual a Deus», em qualquer sentido, mas antes, indica «existência em pé de igualdade com Deus», o que, presumivelmente, para muitos, significa uma forma idêntica de existência, embora não seja essa a visão de Paulo.

Jesus era filho de Deus, de modo que existia na própria expressão do Pai, mas como Deus não tem forma, Jesus existir na forma de Deus significa que ele revelava a deidade. Existir em forma de Deus não fazia dele a divindade assim como existir em forma de humano não fazia dele a humanidade, apenas especifica que ele existia na forma em que aquela natureza impõe. Se existir em forma de Deus, significasse que Jesus é a divindade, então existir em forma de humano, significaria que Jesus era a humanidade, mas sabemos que a humanidade é uma natureza partilhada.

Outro uso de morphe na Bíblia apoia a posição de que a palavra não se refere à literal essência/natureza divina. O Evangelho de Marcos faz uma breve referência à conhecida história em Lucas 24: 13-33 sobre Jesus aparecendo aos dois homens no caminho para Emaús. Marcos nos diz que Jesus apareceu “em uma forma (morphe) diferente” para esses dois homens, de modo que eles não o reconheceram (Marcos 16:12). Isso é muito claro. Jesus não teve uma “natureza essencial” diferente quando apareceu aos dois discípulos. Ele simplesmente tinha uma aparência externa diferente.

As bíblias de estudo podem até sugerir que a ideia de sentido da palavra “morphe” (forma) seja relativa “a natureza de”, mas isso apenas parece mais uma tática para “subliminar” o ensino de que Jesus seja Deus todo-poderoso. De fato, se ele era Deus, então ele certamente não foi feito em “todas as formas” como os seres humanos (Hebreus 2:14; 2:17), o que deve significar que ele era 100 % humano.

Ter o mesmo sentimento de Cristo

Interpretar a frase “estar na forma de Deus” tornou-se um romantismo teológico para a ala trinitariana. Significa para eles que Jesus era Deus, mas no seu nascimento ele se tornou um homem. O contexto dessa passagem deve ser cuidadosamente considerado. Por esse motivo estou insistindo em mais algumas linhas.

É significativo que esta seja quase a única passagem que pode ser apresentada para explicar o “elo perdido” no raciocínio trinitário – como Jesus se transferiu de ser Deus no Céu para ser um bebê no ventre de Maria. A análise a seguir procura demonstrar o que essa passagem realmente significa acompanhando o verso cinco, onde Paulo nos exorta a ter a mesma atitude de Cristo Jesus.

Paulo não apenas começa a falar sobre Jesus “do nada”. Ele se refere à mente de Jesus em Filipenses 2: 5. De volta a Filipenses 1: 27 Paulo começa a falar da importância do nosso estado de espírito. Isso é desenvolvido nos primeiros versos do capítulo 2: “que sintais o mesmo, tendo o mesmo amor, o mesmo ânimo, sentindo uma mesma coisa. Nada façais por contenda ou por vanglória, mas por humildade; cada um considere os outros superiores a si mesmo. Não atente cada um para o que é propriamente seu, mas cada qual também para o que é dos outros. De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus…”, Filipenses 2:2-5.

Paulo está, portanto, falando da importância de ter uma mente como a de Jesus, que é devotada ao humilde serviço dos outros. Os versículos que seguem comentam sobre a humildade da mente que Jesus demonstrou, ao invés de falar de qualquer mudança de natureza. Assim como Jesus era um servo, Paulo se apresentou com a mesma palavra (Filipenses 1:1, 2:7). A atitude de Jesus é estabelecida como nosso exemplo, e somos instados a nos unir a Paulo para compartilhá-la. Não nos pediram para mudar a natureza; somos convidados a ter a mente de Jesus – para “conhecê-lo, e à virtude da sua ressurreição, e à comunicação de suas aflições, sendo feito conforme a sua morte; Para ver se de alguma maneira posso [possamos] chegar à ressurreição dentre os mortos” (Fp 3:10, 11).

A nossa natureza não mudou, mas Paulo apenas pede que tenhamos o mesmo sentimento que houve em Cristo Jesus, que “sendo em forma de Deus…” – que exigência os trinitarianos pensam que está sendo feita aos cristãos filipenses? O contexto é claríssimo, pois o que Paulo mostra nos versos 3, 5, 7 e 8, ajuda a esclarecer o verso 6. O conselho é para que se considere os outros superiores e melhores do que a si mesmo. Paulo então usa Jesus como referencial para dar um exemplo do que está querendo dizer: “Tenham o mesmo modo de pensar, mesma mente que Jesus teve“. Mas que mente seria esta exigida dos cristãos? Achar que não seria uma usurpação querer ser igual a Deus? Certamente que não, pois é exatamente o contrário disso que Paulo está solicitando. Paulo mostra que Jesus considerou os humanos e os interesses deles mais importantes que os seus, e não que ele ao contrário, tentou alcançar mais poder, ao tentar reivindicar igualdade com Deus.

Ter o mesmo sentimento que houve em Cristo Jesus não significa dar um salto de um local mistico transcendental espacial para um ambiente secular. Além disso, se o ponto do versículo é dizer que Jesus é Deus, então por que não dizê-lo? É claro que Deus tem a “natureza essencial” de Deus, então por que alguém colocaria Jesus nesse ponto? Este verso não diz: “Jesus, sendo Deus”, mas sim, “estar na forma/igualdade de Deus”. O significado real do texto pode ser norteado pela versão da Nova Bíblia Americana, edição católica inglesa, que verteu o versículo imediato da seguinte forma: “Ele não julgou que a igualdade com Deus fosse algo de que se devia apoderar”, ou seja, como ele preferiu não humilhar as pessoas por ser Filho do Rei, não agindo com altivez e poder abusivo, ele obedeceu e se humilhou como servo de todos até a morte no calvário.

Assim, fica claro que a questão tratava de Autoridade: Superior/inferior [sentimento], pois o contexto nos pede algo similar, “tendes o mesmo sentimento que houve em Cristo Jesus“, o que não foi uma mudança de natureza, do céu a terra, mas uma atitude (“sentimento”), e por isso foi exigido dos filipenses que “com sinceridade, considerem os outros superiores a vocês” (v 3).

Está resolvido o problema. E veja como: “Nada façais por contenda ou por vanglória, mas por humildade; cada um considere os outros superiores a si mesmo. Não atente cada um para o que é propriamente seu, mas cada qual também para o que é dos outros. De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus“.

Observe o que Paulo está falando aqui em todo este contexto; ele está dizendo que devemos ter a mesma “atitude” ou “mente” de Cristo. O que ele esclarece é que Cristo em sua mente, ou atitude não egoísta, não “se apegou” ser igual a Deus, mas se humilhou como servo por amor a nós. Ele não considerou agarrar-se à igualdade com Deus. Em outras palavras, Jesus não era obstinado e não se concentrava em sua nobreza como filho, mas se humilhava e servia aos outros. Ele não veio para ser servido, mas para servir. Assim, Paulo diz aos filipenses que façam a mesma coisa: ter a mente do “ungido” (Cristo) Jesus.

São os homens na terra – não Deus ou super-seres no céu que são ungidos. O homem Jesus foi ungido “por Deus” para o seu ministério e obra (Atos 10:38). É sobre aquele Jesus ungido que Paulo está escrevendo para os filipenses. O céu é o lugar errado para o esvaziamento. Paulo não usa uma única vez a palavra “céu” em Filipenses 2: 5-8. Ele não diz nada da ideia de um Jesus pré-humano fazendo um sacrifício “no céu” deixando seu suposto esplendor e vindo para a terra. Essa é uma história que nunca é descrita na própria Bíblia. É uma imagem que foi pintada por poetas, compositores e expositores pós-bíblicos. A obediência e sacrifício de Cristo que Paulo está apontando para os filipenses ocorreram na terra – não no céu. É o Jesus humano que tomou sobre ele a posição de um servo. E vai aqui um alerta para você caro amigo leitor: não acredite que a concepção e nascimento de Jesus foi o momento da vinda do super-ser do céu.

Paulo não diz nada sobre seguir o exemplo de um Jesus não humano que vem à Terra. Como isso seria um exemplo para os filipenses? Os filipenses não são “super-seres” que poderiam procurar “se transformar” de um tipo de ser em outro. O verdadeiro Jesus, nascido o filho de Deus, o filho de Davi, o herdeiro de todas as coisas, que se humilhou e obedeceu a Deus até a entrega de sua vida em uma cruz, tornou-se o exemplo mais incrível que nós, como seres humanos, teremos.

Enfim, Jesus recebe uma recompensa por sua obediência e sacrifício. Contudo, a figura que Paulo apresenta aos filipenses nos versículos 9-11 não é de um Jesus que é “restaurado” para sua “suposta” antiga glória no céu. Antes, Paulo nos mostra um homem que, por causa de sua obediência e morte em uma cruz, foi glorificado e agora está assentado à destra de Deus no céu. Deus “deu a ele” o nome que está acima de todo nome.

A visão trinitariana é inconcebível quando interpreta o texto de Filipenses como significando que Jesus se humilhou em uma encarnação, que Cristo não se tornou pobre para nós, mas manteve a riqueza de sua nobre natureza divina quando ele encarnou enquanto desfilava disfarçado de humilde no seu pobre corpo humano, e em sua humildade estava tendo que suportar sua natureza humana comum enquanto também vivia em sua natureza divina.

Não caros amigos trinitarianos, foi tudo real; Jesus “se humilhou tornando-se obediente até a morte, e morte na cruz”; Jesus se humilhou para fazer a vontade de Deus até o ponto de morrer (Marcos 10:45). E não morrer apenas uma morte, mas uma morte terrível no madeiro. Ele estava disposto a morrer porque entendia que, por sua morte, os pecados de muitos seriam perdoados (Mateus 26:28). Jesus sabia que, como filho humano unigênito de Deus, ele era exclusivamente amado por Deus (Mateus 17: 5). Ele sabia que ele era de grande valor aos olhos de seu pai. Tanto assim, que Deus aceitou sua morte como um sacrifício para o resto de nós (Efésios 5: 2). Por esta razão – Deus exaltou Jesus. E de fato, “Deus o exaltou soberanamente, e concedeu a Ele um nome que está acima de todo nome”. Jesus era o único filho gerado de Deus. Ele era o filho “amado” de Deus (Mateus 12:18). Ele foi exaltado por Deus e recebeu uma altíssima posição. Deus o fez para ser “Senhor” e “Cristo” (Atos 2:36). Deus também o exaltou por causa de seu trabalho e missão: seu cuidado e amor por seus semelhantes. A disposição de Jesus para morrer, a fim de redimir o resto de nós para Deus foi incrível (Apocalipse 5: 9). Por todas estas razões, Deus determinou que Jesus fosse o herdeiro de todas as coisas e que aqueles que são o seu povo serão co-herdeiros com ele (Romanos 8:17). Esta é a maravilha do favor de Deus sobre o homem Jesus Cristo. É um favor que flui sobre aqueles que são seu povo.

A humildade de Cristo não era de um filho preexistente saindo de sua posição no céu. A humildade do homem Jesus era que ele não considerava agarrar-se à igualdade de estima com Deus, mas sabendo que ele era apenas um homem, ele humildemente serviu e desistiu de tudo inteiramente. Isso é o quanto ele nos amou. Jesus ensina que a menos que estejamos dispostos a negar a nós mesmos e deixar tudo não podemos ser seus discípulos. Quão hipócrita ele seria se não desistisse de tudo como os trinitarianos afirmam.

A Deus toda Glória

 

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Cristo estava nos Profetas?

Da qual salvação inquiriram e trataram diligentemente os profetas que profetizaram da graça que vos foi dada, Indagando que tempo ou que ocasião de tempo o Espírito de Cristo, que estava neles, indicava, anteriormente testificando os sofrimentos que a Cristo haviam de vir, e a glória que se lhes havia de seguir”, 1 Pedro 1:10, 11.

No versículo 10, Pedro nos revela que os profetas do Antigo Testamento que escreveram sobre a salvação vindoura pela graça de Deus não a compreenderam completamente. Eles pesquisaram e fizeram perguntas sobre isso.

Ele continua a frase no versículo 11: Os profetas queriam conhecer a “quem” e “quando” o Espírito de Cristo se referia à medida que eles eram direcionados para escrever as palavras de suas profecias. Quem seria a pessoa que traria essa salvação, o Cristo que sofreria e depois seria glorificado? E quando isso aconteceria? Os capítulos 11 e 53 de Isaías são exemplos dessas profecias.

No versículo 12, Pedro nos dá a resposta que receberam, mas o versículo 11 é importante. É uma declaração clara de que os profetas do Antigo Testamento não estavam escrevendo suas próprias ideias – O Espírito Santo os dirigia enquanto escreveram as próprias palavras de Deus. É uma verdade que Pedro indicará ainda mais claramente em 1 Pedro 1: 21: “Porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo”.

Pedro não faz menção à preexistência de Cristo.  Os fatos contextuais nos mostram também que o Espírito de Cristo “neles” se refere ao que esperavam, o Messias prometido e profetizado desde  Gênesis 3:15.   Ou seja, o “Espírito de Cristo que neles estava” não era Cristo neles de forma literal como um ser preexistente.  Não significava o espírito de Cristo como nova criatura ou um Jesus que existia antes de descer a terra.

Necessário aqui lembrar que o Espírito Santo, que foi dado a Jesus pela primeira vez no Jordão, nunca foi dado a ninguém antes da sua glorificação, isto é, não antes do Pentecostes (João 7: 39). Aqui em 1 Pedro 1: 11 a expressão deve significar, evidentemente, outra coisa, ou seja, o poder de revelação profética concedido aos profetas pelo próprio Deus sobre o Messias. Neste caso, Pedro aplicaria o termo “espírito de Cristo” de maneira retrospectiva a esses profetas.

Esses profetas estavam investigando o que, ou o tempo em que o Messias apareceria, e ao mesmo tempo estavam testemunhando de antemão os sofrimentos de Cristo e as glórias a seguir. Parafraseando isso de forma diferente, enquanto esses profetas procuraram conhecer muitas coisas sobre o Messias, o que realmente lhes foi revelado era o sofrimento que o Messias devia suportar e as glórias a seguir.

Também não devemos pensar que Pedro estava dizendo que os profetas entendiam plenamente o que estava sendo falado através deles. Todos profetizaram sobre o Messias vindouro, mas a manifestação não era para eles, mas para os apóstolos a quem o espírito da verdade havia sido dado, pelo qual foram conduzidos a toda verdade. Veja o verso 12: “Aos quais (aos profetas) foi revelado que, não para si mesmos, mas para nós, eles ministravam estas coisas que agora vos foram anunciadas por aqueles que, pelo Espírito Santo enviado do céu, vos pregaram o evangelho; para as quais coisas os anjos desejam bem atentar”.

Uma leitura mais atenta do versículo 11, e uma breve revisão do contexto imediato revela a verdade do assunto: “Indagando que tempo ou que ocasião de tempo o Espírito de Cristo, que estava neles, indicava, anteriormente testificando os sofrimentos que a Cristo haviam de vir, e a glória que se lhes havia de seguir”. Pedro descreve como os profetas profetizaram o futuro Cristo. Basta observar como ele se refere aos sofrimentos de Cristo e as glórias que se seguiram, uma referência a um futuro ser humano (Isaías 53). E neste contexto, o termo “Espírito de Cristo” refere-se a como o Espírito Santo revelou Cristo a eles, isto é, o que aconteceria no futuro em relação a Cristo. Na verdade, nas antigas profecias, Deus prometeu um Salvador que sofreria e depois seria glorificado. A vida, a morte e a ressurreição de Jesus realizaram as profecias.

Por outro lado, a expressão “espírito de Cristo” nunca aparece no Antigo Testamento. O “espírito do Senhor” ou “o espírito de Deus” aparece uma multidão de vezes, mas nunca o “espírito de Cristo”.

O espírito que Deus coloca sobre as pessoas assume nomes diferentes, pois se refere a diferentes funções. Isso pode ser comprovado. No entanto, o espírito é o mesmo. Deus sempre dá o Seu espírito, e então ele é nomeado como funciona. Quando está associada à sabedoria, é chamado de “espírito de sabedoria” (Ex 28: 3; Deut 34: 9; Efésios 1:17). Quando é associada à graça, é chamado de “espírito de graça” (Zac 12: 10; Heb 10:29). Quando está relacionado à glória, é chamado de “espírito de glória” (1 Pedro 4:14).

É chamado de “espírito de adoção” quando está associado à nossa vida eterna (Romanos 8:15, que é traduzido como “espírito de filiação” em algumas versões). É chamado “o espírito da verdade” quando está associado com a verdade que aprendemos pela revelação (João 14:17; 16:13). Estes não são espíritos diferentes. Efésios 4: 4 afirma claramente que há “um espírito” e esse espírito vinha com poder sobre alguns profetas no VT, revelando através de profecias que tomavam a forma escrita ou vinha através de poder dando autoridade para eles em ocasiões oportunas, e em nós hoje é concedido como dom permanente segundo a necessidade de cada um.

É errado ver 1 Pedro 1:11 como prova de que Jesus era aquele a quem Deus usava no Antigo Testamento para falar com os profetas; a Escritura não diz isso. Quem assim ensina deve antes considerar Hebreus 1: 1,2.

Quando Pedro menciona que “o espírito de Cristo” era sobre os profetas, porque “previam os sofrimentos de Cristo e a glória que seguiria”, não devemos entender que Cristo realmente existia como um ser divino durante o Antigo Testamento.

 

 

 

Publicado em JESUS DE NAZARÉ NA ESCRITURA

“Desci do Céu”

Deus é Onipresente – os teólogos trinitários celebram com júbilo quando falam em onipresença. Evidente que eu concordo que Deus é Onipresente. Uma maneira precisa de falar em onipresença é: “Deus não está limitado no que diz respeito à localização“. Localização, em relação ao que é infinito, apresenta problemas reais para o trinitário quando se fala de encarnação. A maioria dos trinitários acredita que o Deus Filho (Jesus) pode ser originalmente localizado no Céu, mas mudou-se para a terra por um tempo, e depois se mudou novamente para o céu. Como, então, é Deus, o Filho, infinito? Além disso, alguns notáveis trinitários têm promovido a ideia de que Deus, o Filho, permaneceu no céu mesmo enquanto ele “descia do céu” mudando-se para a terra. Problema resolvido? Dificilmente.

Em que sentido Cristo “esvaziou-se” se Ele permaneceu completamente Deus no céu? Em que sentido Cristo “se fez carne” se Ele permaneceu completamente Deus no céu? Como Cristo poderia ser tentado pelas glórias patéticas da terra se Ele permaneceu plenamente Deus no céu? Como poderia Cristo ter medo de ter sua alma deixada no inferno, se Ele permaneceu completamente Deus no céu? Como poderia Cristo, na cruz, se sentir separado do seu Pai, se Ele permaneceu totalmente Deus no céu, indivisível e inseparavelmente ligado a Tríade Divina? Como poderia Cristo verdadeiramente morrer se permanecesse completamente Deus no Céu, incapaz de morrer? Será que o Deus Filho observava do céu seu corpo morrendo na cruz?

Os que defendem a preexistência de Jesus usando João 6:31-56 parecem desatentos com um detalhe extremamente curioso. Vou apresentar aqui  dois versículos dessa  passagem citando-os  separadamente: “Porque o pão de Deus é aquele que desce do céu e dá vida ao mundo… Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém comer deste pão, viverá para sempre; e o pão que eu der é a minha carne [meu corpo], que eu darei pela vida do mundo” (João 6:51,63).

O corpo de Jesus não foi gerado nas dependências celestiais. Se o pão que desceu do céu é a carne/corpo de Jesus, então ele não veio do céu. Seu corpo é terreno; não pode ter vindo do céu. Porém, a interpretação convencional insiste: “mas a Bíblia diz, Porque eu desci do céu“. Eles não procuram dar uma olhadela no contexto que, como sempre digo, é o inimigo número um dos trinitarianos.

Cristo está falando metaforicamente quando declara: “Porque eu desci do céu”. Entendemos isto simplesmente observando o contexto, que fala do maná que descia do céu. Só a alma mais ingênua poderia acreditar que Deus tinha armazéns literais de maná no céu, e que esta substância viajou através das dimensões em rota para a terra; “desceu do céu”, é entendido no sentido de que a fonte do maná é Deus – que Deus forneceu. Da mesma forma Cristo. Ele foi “enviado do céu”. Ele desceu do céu, mas não como um ser preexistente.

Vamos aos textos

João 6:33, nas palavras de Jesus, registra: “Porque o pão de Deus é aquele que desce do céu.” João 6:38 acrescenta: “Eu desci do céu“.

Em João 6:51 o Senhor repete: “Eu sou o pão vivo que desceu do céu“. E finalmente em João 6:58; “Este é o pão que desceu do céu“.

Os trinitarianos e os defensores da preexistência de Jesus acreditam que aqui nos versículos expostos estão as provas de que Jesus existia no céu antes de vir a este mundo.

Desceu Jesus literalmente do céu? O capítulo 6, v. 38 do evangelho de João aparentemente responde a esta pergunta. Jesus disse: “Porque eu desci do céu, não para fazer a minha própria vontade, e sim a vontade daquele que me enviou”. Não devemos apressadamente chegar à conclusão trinitariana. O tema não é tão simples como parece à primeira vista. É preciso cavar mais fundo. Há boas razões para acreditarmos que a ação em descer do céu não seja literal, mas figurativa. No versículo 31 do mesmo capítulo, há menção do “maná” enviado do céu no Velho Testamento. Este era um tipo de pão que Deus proveu, por um milagre, para o seu povo enquanto eles estavam no deserto. As palavras do versículo 31 são: “Ele (Deus) lhes deu pão do céu para comer“.

Aqui, obviamente, o contexto está tratando de uma linguagem figurada. Este pão milagroso não foi cozido no céu e nem armazenado em gavetas até chegar a terra. A afirmação de que ele veio do céu nos informa que o Deus do céu foi o provedor direto. Estas palavras são tomadas em linha reta a partir do Novo Testamento em Tiago 1:17, que diz que toda boa dádiva vem “do alto, descendo do Pai”.

A Bíblia não diz que as “boas dádivas” descem literalmente do céu, a menos que você esteja procurando uma tradução trinitária distante. Jesus desceu do céu? Sim? Então todas as “coisas boas” também descem do céu e se encarnam!

O que o Senhor quis dizer com estas palavras difíceis, “Eu desci do Céu?” Uma compreensão da analogia com o maná fornece a chave para o correto entendimento desta passagem.

O maná é descrito como “pão do céu” (João 6:32), e o Senhor comparou-se ao maná anti-típico ou “pão do céu” (vv. 32-33). Será que esta descrição significa que o maná foi fabricado no céu, na morada de Deus, e flutuou em uma nuvem grossa todas as noites através dos espaços ilimitáveis acima para o deserto embaixo?

O pão “do céu” (v. 31) não significa que ele realmente foi fabricado no céu e desceu através da atmosfera, mas sim que ele foi produzido na terra pelo poder de Deus. “Do céu”, portanto, enfatiza a origem divina do pão. Esse é o sentido, portanto, no qual devemos entender as alusões do Senhor a si mesmo. Da mesma forma, Cristo desceu do céu, não literalmente, já que foi o Espírito Santo, que desceu sobre Maria, para efetuar a concepção. (Lucas 1:35). “Do céu”, enfatiza sua origem divina como uma pessoa (isto é, do seu pai, Deus) e a origem divina do seu ensinamento.

Devemos notar que as palavras deste capítulo 6 de João foram consideradas palavras duras: “duro é este discurso”, (v. 60). Esse discurso foi seguido por um ainda mais difícil: “E se vós virdes o Filho do Homem subir para onde ele estava antes?” Tão ridículo isso soou para alguns dos discípulos de Jesus que eles o deixaram (v. 66). E isso é prova conclusiva que eles não sabiam nada da teoria de um Cristo pré-existente. Veja: “Murmuravam, pois, dele os judeus, porque dissera: Eu sou o pão que desceu do céu. E diziam: Não é este Jesus, o filho de José, cujo pai e mãe nós conhecemos? Como, pois, diz ele: Desci do céu?”, vv. 41,42.

Além disso, considere o título que o Senhor usou. Ele se descreveu como “Filho do Homem”. Como um ser pré-existente pode ser Filho do Homem? E mais ainda: Como conciliar que um filho de homem poderia “subir para onde ele estava antes?” Como entender o real significado desse texto?

Alguns mestres das Escrituras atestam que aqui, Deus, pelo Seu Espírito, desceu a terra para prover uma raça humana capaz de vencer o pecado e, tendo feito isso, Ele o retirou (Jesus) para o céu, tendo mudado sua natureza de um corpo de carne para um corpo espiritual, o que poderia ser entendido que um ser espiritual é corpóreo (1 Coríntios 15: 44-45). Assim, Jesus, pelo Espírito, ascendeu onde (O Espírito) estava antes, embora em uma forma diferente: Desceu como o poder de Deus e ascendeu como um Filho do Homem tornado imortal. Outros acreditam que aqui Jesus falava de sua morte e ressurreição nas palavras “subir para onde estava antes”, que poderiam ser entendidas como subir da sepultura voltando para o meio deles outra vez, o que faz mais sentido com o contexto.

Este fato é claro a partir do estudo do contexto. Porque os tradutores optaram por traduzir o grego anabaino como “ascender”, as pessoas acreditam que é uma referência à ascensão de Cristo da terra como registrado em Atos 1: 9, mas Atos 1: 9 não usa esta palavra. Anabaino simplesmente significa “subir”. É usado para “subir” a uma elevação mais alta como subir uma montanha (Mateus 5: 1, 14:23); de Jesus “subindo” da agua no seu batismo (Mateus 3:16, Marcos 1:10). E como todos sabem, o batismo é um símbolo da morte e da RESSURREIÇÃO.

O contexto confirma que Jesus estava falando sobre ser o pão do céu, que ele daria a sua vida através de sua ressurreição. Versículos como o 39, 40 e 44 confirmam isso. Jesus repetidamente disse: “Eu o ressuscitarei [cada crente] no último dia“. Cristo estava surpreso porque alguns de seus discípulos ficaram ofendidos com seu ensinamento. Ele estava falando da ressurreição, e eles se escandalizaram, então ele perguntou se eles poderiam ficar ofendidos se o vissem ressuscitado, o que infelizmente foi traduzido como “ascender” no versículo 62. Jesus poderia ter feito uma pergunta retórica: “Se as pessoas tropeçam em mim agora, o que farão quando me virem levantar dos mortos?”

Quem “desceu” foi o Espírito, não Jesus

Se a nossa envelhecida Ortodoxia Protestante desejasse, pelo menos, literalizar as palavras, desci do céu, poderia ter um razoável sucesso se as interpretassem segundo as circunstâncias de seu nascimento. O anjo disse a sua mãe: “Descerá sobre ti o Espírito Santo, e o poder do Altíssimo te envolverá com a sua sombra; por isso, também o ente santo que há de nascer será chamado Filho de Deus”, Lucas 1:35. O que gerou Cristo (O Espírito) desceu do céu.

Porém, a revelação nos conduz para outro caminho: Jesus era “o Filho unigênito de Deus” e, portanto, de cima. Paulo ensinou que “Deus estava em Cristo, reconciliando consigo o mundo” (2 Coríntios 5:19).

Uma maneira melhor de entendermos as palavras de Jesus em João 6 seria compará-las com palavras semelhantes faladas em João 16: 28-30:

Saí do Pai, e vim ao mundo; outra vez deixo o mundo, e vou para o Pai. Disseram-lhe os seus discípulos: Eis que agora falas abertamente, e não dizes parábola alguma. Agora conhecemos que sabes tudo, e não precisas de que alguém te interrogue. Por isso cremos que saíste de Deus.”

Em João 16:28, Jesus afirmou que ele “saiu do Pai”. Em João 6:38, Jesus disse que “desceu do céu”. Estas duas frases significam a mesma coisa. Basta apenas observar o que os discípulos disseram no verso trinta. Quando eles ouviram Jesus dizer: “Saí do Pai”, entenderam que o ensinamento dele era de Deus. Os discípulos disseram: “Agora conhecemos que sabes tudo, e não precisas de que alguém te interrogue. Por isso cremos que saíste de Deus.” Este, “por isso cremos que saíste de Deus”, não foi um aviso de que eles entenderam que Jesus era preexistente, mas que ele foi enviado de Deus, ensinado por Deus e autorizado por Deus e, o mais importante: é Filho de Deus.

Os discípulos entenderam a declaração de Jesus de que ele “saiu do Pai” de forma diferente da ortodoxia tradicional. Os discípulos compreenderam que Jesus estava falando do seu conhecimento e sabedoria. Os discípulos não confundiram suas palavras para significar que Jesus havia preexistido no céu, ou que ele tinha descido do céu levando sua habitação para a pessoa de Maria como um embrião, que mais tarde teria sido habitado pelo ser celestial preexistente. Como sabemos disso? Porque Jesus confirmou que os discípulos tinham interpretado o significado de “que vem de Deus” corretamente, pois ele respondeu positivamente a sua confissão de fé, respondendo-lhes: “Credes agora?”

Os discípulos acreditaram com razão, que Jesus “vindo do céu” era nada mais do que uma referência a Jesus como aquele que “sabia todas as coisas”, que era o Messias prometido, a pedra, o salvador, e que Jesus não precisa ter alguém para dizer-lhe qualquer coisa. Em suma, “vindo de Deus” é uma abreviação para “sendo ensinados por Deus e Deus ensinando aos homens.”.

Nós encontramos essa figura de linguagem também em João 6:42, onde os judeus perguntam: “Não é este Jesus, o filho de José, cujo pai e mãe nós conhecemos? Como, pois, diz agora: Desci do céu?” Os judeus tropeçaram nas palavras de Jesus porque a tomaram literalmente. Na tentativa de explicar o que queria dizer, Jesus escolheu citar o Antigo Testamento:

Está escrito nos profetas: E serão todos ensinados por Deus” (João 6:45)

Ensinar através de Deus, portanto, é o equivalente a “vindo de Deus”, de acordo com Jesus. O último é uma figura de linguagem, e não deve ser tomada literalmente. Se continuarmos a ler mais em João 6, veremos que Jesus fala muitas vezes em sentido figurado. Por isso Jesus se compara ao maná do céu. João 6:51 diz: “Eu sou o pão vivo que desceu do céu“. Aqui Jesus está falando em sentido figurado – não literalmente – pois ele se compara ao pão celestial (o maná), que sustentou os israelitas no deserto por quarenta anos. Jesus, então, continua a dizer que devemos comer sua carne e beber seu sangue. Os protestantes tomam as palavras de Jesus aqui, literalmente? Não, não tomam. Então, por que eles ensinam que Jesus fala literalmente quando ele diz: “Eu desci do céu”?

Caro amigo leitor, lembre-se novamente que em João 6:31 o maná é referido como “pão do céu”. A tradução literal é “pão do céu”. Foi o maná cozido pelos anjos no céu, ou pelo próprio Deus, e depois atirou em direção a Terra à velocidade da luz, só para pousar no chão do deserto do Sinai? Não! Quando alguma coisa (ou outra) é descrito como tendo vindo de Deus, isso significa que a sua fonte pode ser atribuída a Deus. A fonte do maná pode ser atribuída a Deus, por isso o maná é descrito como “pão do céu”. Da mesma forma, a “fonte” de Jesus é Deus, e, portanto, Jesus poderia afirmar corretamente que ele veio do céu (isto é, de Deus), assim como o maná no deserto veio do céu. Mas tal afirmação não significa ter Jesus preexistido no céu antes do seu nascimento – não mais do que fez o “preexistente” maná no céu antes de aparecer no deserto do Sinai.

Deus enviou seu Filho

Deus é a fonte de Jesus Cristo. Cristo foi o plano de Deus, e então Deus gerou diretamente Jesus. Há também versículos que dizem que Jesus foi “enviado de Deus”, uma frase que mostra Deus como a fonte final do que é enviado. João Batista era um homem “enviado de Deus” (João 1: 6), e foi ele quem disse que Jesus “vem de cima” e “vem do céu” (João 3: 31).

Ainda outro exemplo é quando Cristo estava falando e disse: “O batismo de João – de onde ele veio? Foi do céu ou dos homens?” (Mateus 21: 25). Naturalmente, o modo como o batismo de João teria sido “do céu” era se Deus fosse a fonte da revelação. João não teve a ideia por si mesmo, ela veio “do céu”. O versículo torna o idioma claro: as coisas poderiam ser “do céu”, ou seja, de Deus, ou poderiam ser “dos homens”. Assim, quando os termos são usados em relação a Jesus: Jesus é “de Deus”, “do céu” ou “de cima”, o sentido é que Deus é seu Pai e, portanto, sua origem.

A ideia de vir de Deus ou de ser enviado por Deus também é esclarecida pelas palavras de Jesus em João 17. Ele disse: “Assim como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo” (João 17: 18). Nós entendemos perfeitamente o que Cristo quis dizer quando declarou: “Eu os enviei ao mundo“. Ele quis dizer que ele nos encomendou, ou nos nomeou. Ninguém pensa que estávamos no céu com Cristo e encarnados na carne. Cristo disse: “Como tu me enviaste, eu os enviei“. Tomamos a frase “Cristo nos enviou” para entender como Deus enviou Cristo.

O Filho foi enviado como um homem, e não como Deus: “Deus enviou seu Filho feito de uma mulher” (Gálatas 4: 4). Paulo se refere a um evento que teve lugar em um determinado ponto no tempo. A palavra enviou não deve significar que Deus enviou seu Filho do céu, mas que ele foi enviado a partir do seu nascimento. Isso significa que ele veio de Maria. A palavra “enviado” não significa pré-existência, mas sim sua origem, quando foi enviado através de uma Mulher: “Deus enviou seu filho, nascido de mulher”.

Deus seja louvado

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Divindade ou Entidade?

Porventura caro amigo leitor, você já teve a oportunidade de ver uma foto do Jesus preexistente? Certamente a resposta será um sonoro não. Porém, eu acredito que poderia ser algo parecido com essa figura ao lado. Muito provavelmente essa é a imagem perfeita do Jesus preexistente que existe na mente de uma multidão enorme de cristãos. É o misticismo que tomou conta do Protestaismo e do Catolicismo – Jesus é o ser, é o misterioso homem que veio do céu, aquele que venceu porque era (um) Deus, o iluminado, o invencível homem de aço, o Super Homem disfarçado de Clark Kent. Porém, com Jesus foi um pouco diferente: Ele veio do espaço – já adulto – para habitar no corpo gerado no ventre de Maria

É dessa forma que milhões de cristãos crêem, sejam eles católicos ou protestantes: que um veio habitar no outro – a parte divina dele desceu para habitar na parte humana. Essa parte divina, crêem, é aquela que não morreu, que não foi gerada por Maria. Acreditam que ela apenas gerou o corpo de Jesus. Está é uma maneira terrível de confessar que ele não veio em carne (1 João 4:2; 2 João 1:7), o que vai ser assunto para outro artigo.

Gostaria de aproveitar essa oportunidade tão preciosa para fazer uma pergunta: A parte de Jesus que não morreu ficou onde quando ele morreu, dentro ou fora do corpo dele? Vou aguardar a resposta sentado …

Os cristãos e religiosos em geral, seja ele católico ou evangélico, entendem a divindade de Jesus de uma forma extremamente extraordinária: Jesus era do outro mundo. Ou seja, Jesus era divino porque não tinha um corpo semelhante aos outros nascidos de mulher. Concluem dessa forma por ter sido ele gerado por obra e graça do Espírito Santo através de uma diviníssima criatura chamada Maria, que também não participou, segundo os católicos, da natureza legada aos seres humanos.

Obviamente muitos concordam que Jesus foi humano, mas o problema é quando alguém realmente mostra como ele era mesmo humano – é aqui que entram os protestos. Entre os católicos podemos encontrar facilmente aqueles que não concordam que Maria possa ter gerado um ser humano como os outros por vários motivos, dentre eles o mais popular: ela não carregou a mancha do pecado original, era especial, divina e celestial espacial; ela não poderia ter gerado um ser humano, mas um Deus.

Infelizmente os cristãos da nossa geração tem uma visão de Jesus como tinham àqueles que vieram de uma origem grega ou romana, que acreditavam que o termo “filho de Deus” significava uma encarnação de um deus ou alguém nascido de uma união física entre os deuses masculinos e femininos. Isso pode ser visto em Atos 14: 11-13, onde lemos que, quando Paulo e Barnabé pregaram em uma cidade da Turquia, os pagãos afirmavam que eles foram a encarnação de deuses. A Barnabé chamavam o deus romano Zeus, e Paulo, o deus romano Hermes.

Vamos examinar um problema. Quem morreu na cruz? E se aquele que morreu na cruz era Deus, então Deus ficou morto por “três dias”! É consistente com o Antigo Testamento expressar algo desse tipo? E se o Doador da Vida foi mesmo morto, quem mais poderia trazer de volta à vida? Quem cuidou do universo antes da ressurreição de Deus?

Para muitos cristãos, Deus teve de assumir a forma humana para compreender a tentação e o sofrimento humano, mas o conceito não se baseia em quaisquer palavras claras de Jesus. Em contraste, Deus não precisa ser tentado e sofrer, a fim de ser capaz de compreender e perdoar os pecados do homem, ou mesmo para ficar sabendo como sofrem ou o que sofrem, porque Ele é o Criador do homem e onisciente. Deus não enviou seu amado Filho por esse motivo, como se querendo saber que sentimento tem os humanos debaixo da servidão e opressão. Isso está expresso em Êxodo 3:7,

E disse o Senhor: Tenho visto atentamente a aflição do meu povo, que está no Egito, e tenho ouvido o seu clamor por causa dos seus exatores, porque conheci as suas dores“.

Muitos cristãos afirmam que no nascimento de Jesus ocorreu o milagre da encarnação de Deus na forma de um ser humano. Dizer que Deus se tornou verdadeiramente um ser humano convida a uma série de perguntas. Vamos perguntar o seguinte sobre o homem-Deus Jesus. O que aconteceu com seu prepúcio após sua circuncisão (Lucas 2:21)? Será que desapareceu quando ele tornou-se adulto se manifestando como [um] Deus? Durante sua vida, o que aconteceu com seu cabelo, unhas e sangue derramado de feridas? As células de seu corpo morreriam como nos seres humanos comuns? Se o seu corpo não funcionou de uma forma verdadeiramente humana, ele não poderia ser verdadeiramente humano, mas verdadeiramente Deus, o que não foi o caso. Assim, se o seu corpo funcionou exatamente de um modo humano, isso anularia qualquer alegação de divindade. Seria impossível para qualquer parte de Deus, mesmo se encarnado, ser submetido ao que Jesus foi submetido e ainda ser considerado Deus. A verdade é que, Jesus no seu corpo sofreu as sequelas da decadência humana durante sua vida aqui, logo, ele não poderia ser Deus. Infelizmente muitos acreditam, mesmo com o testemunho das Escrituras apresentando Jesus como um ser humano normal, que ele não foi submetido a essa ‘decadência’ concluindo que ele era verdadeiramente [um] Deus.

Muitos atribuem a Jesus uma divindade mística corporal, ou seja, um homem com um corpo divino, o que seria dizer: homem com carne divina. Isto não está de acordo com a divindade de Cristo, mas está de acordo com a divindade do Cristo avatar andróide místico. A divindade de Jesus esta ligada a sua autoridade espiritual, que o envolve na missão para a qual, só Ele, foi o escolhido, salvar a humanidade, o que fez como homem, e não como um Deus, ou o próprio Deus, literalmente.

A interpretação de divindade herdada do catolicismo sobre a pessoa de Jesus parece estar ligada a divindade da carne, o que não passa de heresia, pois o que insinuam é que no corpo do Filho e da mãe não corria o sangue dos descendentes de Adão e Eva. E isso não está de acordo com Atos 17:26, onde ficamos sabendo que Deus “… de um só sangue fez toda a geração dos homens, para habitar sobre toda a face da terra…”. Quando afirmam que Jesus e Maria não foram gerados como os outros seres humanos, eles acabam transformando-os em dois deuses, dois seres, e sem o perceber, ou talvez por cegueira e teimosia, eles divinizam àqueles que vieram da descendência do primeiro casal criado, e isso é heresia. Ninguém que tenha sido gerado de uma maneira diferente dos nascidos de mulher poderia fazer essa oração: “… o meu espírito se alegra em Deus meu Salvador“, Luc 1:47

Isso transforma o católico numa pessoa que tem uma fé baseada em conhecimento místico e experimental do divino nos objetos e corpos mortos e pessoas vivas, o que é mais parecido com um gnosticismo misturado com misticismo do que o Cristianismo do Novo Testamento, e é uma característica de todas as religiões místicas.

Creio com toda minha convicção que ninguém sensato e de boa mente, jamais diria que temos na passagem que se segue a descrição de [um] Deus. Certamente o profeta Isaías fazia referência a um homem,

1 QUEM deu crédito à nossa pregação? E a quem se manifestou o braço do Senhor?

2 Porque foi subindo como renovo perante ele, e como raiz de uma terra seca; não tinha beleza nem formosura e, olhando nós para ele, não havia boa aparência nele, para que o desejássemos.

3 Era desprezado, e o mais rejeitado entre os homens, homem de dores, e experimentado nos trabalhos; e, como um de quem os homens escondiam o rosto, era desprezado, e não fizemos dele caso algum.

4 Verdadeiramente ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus, e oprimido.

5 Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados. Isaías 53

Muitos, principalmente entre católicos, detestam ouvir falar do Jesus homem que veio em carne, o último Adão, como afirma Paulo em I Cor 15:45, pois, se é assim, o que é fato, Maria teria que descer de onde a colocaram: o de humana e não divina. Provavelmente isto o catolicismo romano jamais permitirá.

Um católico resumiu:

“… Temos agora evangélicos-protestantes que negam a divindade de Jesus. Ignorando toda a discussão teológica nos concílios da Igreja e que definiram a Trindade, bem como a divindade de Jesus, afirmam que Jesus era apenas um homem, do seu nascimento até a ressurreição”.

O problema principal é que o catolicismo tem como meta somente proteger a pureza de Maria. Tudo que escrevem e anunciam sobre a divindade de Jesus tem como objetivo defender Maria e sua divindade. E o problema se torna ainda mais sério quando fica patente que o catolicismo não tem disposição alguma em confessar que Jesus veio em carne. É como se estivessem bloqueados. Portanto, com esse objetivo crônico em negar a humanidade plena de Jesus, apenas demonstram que querem proteger a divindade de Maria.

Hebreus 2:9 afirma que Jesus foi feito inferior aos anjos,

Vemos, porém, coroado de glória e de honra aquele Jesus que fora feito um pouco menor do que os anjos, por causa da paixão da morte, para que, pela graça de Deus, provasse a morte por todos”.

O detalhe do escritor da carta aos hebreus é por demais interessante. Ele lembra sobre “aquele Jesus”, ou seja, aquele que aqui andou, que era um homem, um ser humano. Afinal, “aquele” de um passado recente, o Jesus de Nazaré. Isso deixa implícito que ele aludia a uma pessoa, uma figura histórica, e não a [um] Deus.

Jesus era humaníssimo, mas os anjos não, tanto que a Escritura diz que quando os salvos chegarem a glória celeste serão como os anjos, sem nada de humano, criaturas totalmente destituídas de vestígios terrenos, pois terão seus corpos transformados:

Mar 12:25 “Porquanto, quando ressuscitarem dentre os mortos, nem casarão, nem se darão em casamento, mas serão como os anjos que estão nos céus”.

Portanto, se tomamos por base a interpretação de divindade do ponto de vista católico romano, então podemos facilmente perceber que a palavra divindade desaparece se aplicadas a Jesus e Maria dando lugar a palavra entidade.

A divindade que eles exigem esta ligada para além deste mundo, uma definição de divindade que ultrapassa as mais altas nuvens, cheia de espiritualismo, que acabou criando uma onda de misticismo envolvendo a pessoa de Jesus e Maria. Ou seja, diante da exigência espiritual temporal, que transformaram Jesus e Maria em dois seres, que é uma herança da interpretação católica, descobre-se que o Jesus histórico e sua mãe desaparecem por completo, dando lugar a duas figuram que se manifestaram entre os homens, oriundas de cima mesmo, literalmente – Fizeram deles duas entidades que baixaram entre os seres humanos!

Esse misticismo todo envolvendo a pessoa do salvador e sua mãe fez com que surgissem dois seres do alto, envoltos em mistério, que obrigaram a mente divina católica desaparecer com a verdadeira identidade de Jesus de Nazaré. O catolicismo romano passa a seus fiéis um Jesus, que mesmo em vida era um Deus, tendo ao seu lado outra figura divina, sua mãe. Maria e Jesus foram transformados em duas coisas do outro mundo, criaturas que se manifestaram na terra de uma maneira diferente dos humanos.

O Católico quando quer definir a divindade de Jesus, logo posiciona a mãe na frente do filho que ela gerou. Assim, transformam Maria numa figura esplendidamente embelezada e revestida com roupagem doutrinaria católica; não a Maria bíblica, a judia e mãe, mas sim a divindade/entidade que tomou impulso por causa da suposta virgindade, o que explicaria o título de santíssima, pois é esse o único motivo que reforça sua divindade, a sua virgindade que a transformou em diviníssima. Isso pode ser notado pela ênfase dada a pessoa de Maria, considerando-a não humana, o que, provavelmente os levem a pensar que a natureza dos deuses tenha criado nela o desinteresse pelo o que é carnal, dando a Maria o poder da abstinência, da pureza sexual, que por fim fez dela a milagrosa, divina, pura e imaculada. Provavelmente o catolicismo visualiza Maria como alguém que não foi gerado como foram os outros seres humanos, o que supostamente criou nela uma blindagem que a protegia do lado impuro humano. Associaram a figura de Jesus à figura da mãe, transformando-o numa coisa, onde numa metade dele morava Deus mesmo e na outra metade um homem diferente dos humanos. Ou seja, o católico pensa que Deus movia e animava o corpo de Jesus.

A divindade de Jesus esta ligada a sua missão que gerou sua obediência, fazendo dele um homem casto não por exigência religiosa de deuses internos e externos, mas sim por amor a Deus, dedicação e posição. Bem diferente da divindade exigida pelo catolicismo, que estaria no corpo divino espacial, nos cabelos de aço, olhos de bronze e visão de raio X, que sugere o homem misterioso e formado de uma maneira oculta dentro de um ventre celestial. Jesus e Maria, segundo o catolicismo, são dois mistérios da revelação de Deus, cheios de poder outorgado por algum Deus do olimpo.

Por isso que milhões entendem que as roupas e as sandálias de Maria, como também seu leite conservado em potes, guardado com chaves de ouro nos aposentos de alguns mosteiros divinos, eram igualmente divinos. Sem contar as centenas de objetos espalhados por tantos outros mosteiros ao redor do planeta: pregos divinos, mantos divinos, lascas de madeiras da cruz divina e etc… Não é de admirar que possam divinizar dois humanos.

Por fim, e resumindo em poucas palavras o que registro até aqui, quero dizer que, o catolicismo quando tenta definir o que é divindade, em se tratando da pessoa de Jesus e sua mãe, estão simplesmente interpretando como se eles fossem duas entidades. Eles transformaram o Salvador e a virgem em entidades católicas romanas. Isso faz com que eles desçam aos porões do diviníssimo misterioso oculto, o que é um perigo – isso é espiritismo. Jesus não foi um espírito que baixou na terra! E mesmo que Ele tenha sido gerado de uma maneira totalmente incrível, ele foi, sem duvida, 100% homem.