TUDO foi criado por Ele

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O Apóstolo Paulo atesta sobre o Senhor Jesus: “O qual é imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação; Porque nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra”, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades. Tudo foi criado por ele e para ele. E ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele”, Col 1:15-17

Tradução da NVI: “O qual é a imagem do Deus invisível, o primogênito sobre toda criatura, pois nele foram criadas todas as coisas nos céus e na terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos ou soberanias, poderes ou autoridades; todas as coisas foram criadas por ele e para ele. Ele é antes de todas as coisas, e nele tudo subsiste”.

A passagem parece dizer que Jesus é o primogênito de toda criatura humana, como também diz que ele criou os céus e a terra e tudo quanto neles há, sendo, portanto, pré-existente, o que é reforçado pela sentença: “Ele é antes de todas as coisas”.

É bastante comum para a ortodoxia cristã convencional ler Colossenses 1:16 como referência ao ato da criação do Gênesis. Acredita-se que aqui nesse contexto Paulo está discursando sobre Jesus presente na criação, que Jesus foi o meio pelo qual Deus criou todas as coisas. Mas, será que o Apóstolo dos gentios está discursando sobre a preexistência de Jesus e o apresentando como o criador de todo o universo?

Porque nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra… Tudo foi criado por ele e para ele”.

A maioria cristã aprendeu com essa passagem que o uso desta palavra indica que Deus, o Pai, estava com o Filho como parceiros iguais na criação.

Este é um exemplo clássico de como é importante considerar todo o contexto quando estudamos a Bíblia sobre qualquer assunto importante. Além disso, o maior erro das pessoas que lêem versículos isolados é não considerar quem está falando, e quais são as circunstâncias. Aqui, Paulo escreve aos santos na igreja dos colossenses lembrando-lhes quão abençoados eles são de estar em Cristo Jesus e “participar da herança dos santos na luz.” (versículo 12)

Para entender o que ele quis dizer quando escreveu de Cristo como o primogênito de toda a criação, e que nEle foram criadas todas as coisas, é preciso ler todo o texto circundante. Em particular, devemos olhar para os versículos 17 e 18 neste primeiro capítulo.

E ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele. E ele é a cabeça do corpo da igreja; é o princípio e o primogênito dentre os mortos, para que em tudo tenha a preeminência.“

Perceberam alguma mudança? Observe que o texto acrescenta que ele é o princípio e o primogênito dentre os mortos. Além do mais, como mostro mais adiante, a palavra sobre Jesus, atestando que ele é antes de todas as coisas, significa que ele é superior a todas as coisas, que ele tem autoridade e primazia, e não que ele é “antes de todas as coisas” criadas no Gênesis. O contexto aqui não trata da criação original dos céus e da terra.

Parafraseando o texto: “Ele é superior a todas as coisas… ele é o cabeça… para que em tudo tenha a preeminência“.

As próprias palavras dos versículos 17 e 18 expostas mais acima falam por si só, elas são auto-explicativas e são consistentes com outros versos, como a profecia do Salmo 89:27. Este fala sobre um evento que ainda era futuro quando os Salmos foram registrados, “Também por isso lhe darei o lugar de primogênito; fá-lo-ei mais elevado do que os reis da terra“.

Os fatos bíblicos nos mostram que Paulo não está se referindo ao ato da criação do Gênesis em Colossenses 1:16. Ele está falando sobre a nova criação, a criação da estrutura de autoridade no reino de Cristo, a nova criação que é a reconciliação do velho. Paulo tinha em mente o que pode ser chamado de “nova criação” que teve início com a vitória de Cristo. Paulo passa a definir esta criação como compreendendo todas as coisas “no céu e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias, poderes ou autoridades; todas as coisas foram criadas por ele e para ele“. Assim, Jesus é o primogênito e as primícias de uma nova criação – chamado de um “novo e vivo caminho” em Hebreus 10:20. Tudo foi feito por ele e por meio dele, e sem ele nada do que foi feito se fez (Comparar com João 1:3).

Quando vemos a palavra “criar” ou “criação” não podemos simplesmente assumir que se refere ao relato da criação de Gênesis. Deus está criando de novo através de, e em Cristo. Em Efésios 2:10, Paulo diz que somos criação de Deus realizada em Cristo Jesus. Nós morremos para a velha criação e nascemos de novo para a nova criação de Deus. Em 2 Coríntios 5:16-19, aprendemos que Deus estava em Cristo reconciliando o mundo consigo mesmo e se estamos em Cristo ressuscitado fomos reconciliados com Deus e participamos de uma nova criação.

“Pois o amor de Cristo nos constrange, porque julgamos assim: se um morreu por todos, logo todos morreram; e ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou. Por isso daqui por diante a ninguém conhecemos segundo a carne; e, ainda que tenhamos conhecido Cristo segundo a carne, contudo agora já não o conhecemos desse modo. Pelo que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo. Mas todas as coisas provêm de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por Cristo, e nos confiou o ministério da reconciliação; pois que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões; e nos encarregou da palavra da reconciliação. 2 Cor 5:14-19. Se alguém está em Cristo pelo batismo, ele é uma nova criação. Observe o verso chave: “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo”, v 17.

Coisas velhas incluem o pecado de Adão e a velha criação. Tudo se fez novo. Acabou. Isso é que significa ESTÁ CONSUMADO! Somos perdoados em Cristo e na sua morte fomos batizados como novas criaturas. Ou seja, batizados quando Cristo é sepultado, e quando Cristo se levantou na ressurreição, significa que ressuscitamos com ele. Isso é o que significa ter Cristo morrido por nós, como também significa nascer de novo. Compare com Romanos 6:4, que diz, “Fomos, pois, sepultados com ele pelo batismo na morte, para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim andemos nós também em novidade de vida“.

Assim uma pessoa “em Cristo” é descrito como uma “nova criatura”, ou “nova criação” (Gl 6:15), e que as “coisas” que em Cristo é dito terem sido criadas e estão “nele”, são, obviamente, esta “nova criação” citada pelo apóstolo Paulo. Cristo é o começo desta nova criação de Deus (Ap 3:14), abrindo o caminho para que seus seguidores possam atingir o mesmo objetivo (Filipenses 3:21, 1 João 3:1-2).

Estas novas criaturas não podem viver conforme a velha criação. O planeta literal não pode ser creditado por estar em Cristo. A criação anterior permanece existindo paralela à missão completa de Jesus, estando ainda subjugada ao príncipe deste mundo. Portanto, a nova criatura participa da nova criação apresentada por Paulo em Colossenses, o qual insiste: “nEle foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra”, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades. Tudo foi criado por ele e para ele”.

No verso 18, Paulo fala de Jesus como “o primogênito dentre os mortos”, o que é uma referência a ser ele o “primogênito de toda a criação”. Ou seja, o primogênito da nova criação de Deus. Primogênito por que foi o primeiro a ressuscitar e não morrer mais, o que também nos deu o direito de participarmos da ressurreição sendo novas criaturas de uma nova criação. Devemos aceitar isso pela fé, pois o Apóstolo afirma categoricamente que nós fomos ressuscitados por Deus juntamente com Jesus e estamos assentados nas regiões celestiais ( Efésios 2:6), o que tornar-se-a realidade plena no Seu reino vindouro.

Jesus tornou-se “o Filho de Deus com poder” por sua ressurreição dentre os mortos: “… com poder foi declarado Filho de Deus segundo o espírito de santidade, pela ressurreição dentre os mortos, Jesus Cristo nosso Senhor” (Romanos 1:4).

Deus “ressuscitou Jesus, como também está escrito no salmo segundo: Tu és meu Filho, hoje te gerei” (Atos 13:32,33). Isso tudo significa que pela sua ressurreição, Jesus tornou-se o primogênito de uma nova criação. Sua ressurreição foi o selo de aprovação do Pai, no Filho (Rm 1, 1-4). Isto constituiu o Primogênito.

Paulo escreveu: “Ele é … o primogênito dentre os mortos, para que em todas as coisas ele tenha a preeminência” (Cl 1:18). Ele é o “primogênito entre muitos irmãos” (Rm 8:29), o que deve ser associado ao contexto de Jesus como ”o primogênito de toda criatura”, ou a NOVA criação, que é o sentido em Apocalipse quando fala do “primogênito dentre os mortos … o princípio da [nova] criação de Deus” (Ap 1:5; 3:14).

Jesus foi o primeiro a ser ressuscitado para a imortalidade (Lázaro e outros ressuscitados nas Escrituras morreram posteriormente). Uma vez que Jesus é o primeiro homem a ser ressuscitado para a imortalidade, fez dele o “primogênito dentre os mortos”, o primeiro e o último descrito em Apocalipse 1:17 e 2:8, chamado por Paulo, o novo homem,

Na sua carne desfez a inimizade, isto é, a lei dos mandamentos, que consistia em ordenanças, para criar em si mesmo dos dois um novo homem, fazendo a paz (Ef 2:15).

E vos renoveis no espírito da vossa mente; E vos revistais do novo homem, que segundo Deus é criado em verdadeira justiça e santidade (Ef 4:23,24).

O novo homem, a nova criatura, não mais se ajusta ao mundo presente, mas para ele também foi antecipado viver sob uma nova criação – esta é a mesma ideia que vemos aqui em Colossenses. Jesus foi a primeira pessoa a ressuscitar dentre os mortos e ter a imortalidade, sendo o primeiro da nova criação, e os verdadeiros crentes seguirão o padrão em seu retorno.

Cristo é a “cabeça do corpo, da igreja”. Consequentemente também pode ser dito que ele é o criador deste novo e vivo caminho. Foi a sua vida de obediência à vontade do Pai e do seu sacrifício fiel que lançou a pedra fundamental do seu templo espiritual, o corpo de crentes. Ele também é considerado o “autor e consumador da nossa fé” em Hebreus 1:2. Todos estes termos de louvor e exaltação são apropriados para Jesus Cristo, nosso Senhor e Mestre na nova criação. Jesus é o autor, o Senhor, o criador desta nova ordem de coisas, como diz Paulo em Colossenses 1:16: “Porque nele foram criadas todas as coisas que estão no céu, e que estão na terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades: tudo foi criado por ele e para ele”.

Certamente Paulo não está aqui nos dando uma aula de teologia sistemática relacionado à criação original dos céus e da terra. Observe que o contexto não revela que Cristo criou todas as coisas. Um exame atento da passagem irá revelar algo estranho e curioso, pois afirma que ele criou todas as coisas “no céu”. Isso incluiria o próprio Deus, para não falar dos anjos!

Isso está, obviamente, fora de ordem. Certamente, a criação falada neste contexto de Colossenses, refere-se à nova criação através do trabalho de Jesus, quando foram criadas todas as coisas: tronos, domínios, salvação, perdão, reconciliação, novo homem e tudo que diz respeito a antecipação do reino de Deus na terra. Paulo não diz que Jesus criou todas as coisas e, em seguida, nos mostra exemplos de rios, montanhas, pássaros, etc. O sentido em dizer que “nEle foram criadas todas as coisas nos céus e na terra” diz respeito ao seu domínio nas eras que se seguiram a sua ressurreição e ascensão e a sua vitória sobre a desordem causada pela queda do homem. Assim, podemos também ler em Efésios 2:6, como a ordem das coisas mudaram no céu, pois aqui é dito que os crentes estão em Cristo como assentados em “lugares celestiais”.

O contexto de Colossenses não diz que Jesus é o primogênito da velha criação, pois se ele adentrou a este mundo em semelhança da carne do pecado (Rom 8:3) crucificando com ele nosso velho homem, levando-o a sepultura (Rom 6:6-8), vantagem alguma haveria neste louvor Paulino de Colossenses capítulo um. O Novo homem não nasceu da antiga criação. Toda criação humana está ainda torta, sujeita à vaidade, na servidão da corrupção, gemendo e labutando na dor como resultado do pecado de Adão (Romanos 8:19-22). A velha criação humana está agora sob a servidão da corrupção, e não pode libertar-se (Romanos 5:12; 1 Pedro 4:1-4)

Colossenses ensina que houve uma mudança enorme feita na posição espiritual de muitas criaturas, as quais agora podem experimentar os efeitos da missão do nosso Salvador, que é aquilo que apenas se transforma em realidade para àqueles que crêem em Cristo e estão nEle. O mundo não pode experimentar essa realidade presente: “Porque Ele nos libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do seu Filho amado” (Cl 1:13).

É importante lembrar aqui que foi o próprio Cristo quem descreveu a criação original como sendo trabalho de Deus, e não dele: “Porque naqueles dias haverá uma aflição tal, qual nunca houve desde o princípio da criação, que Deus criou, até agora, nem jamais haverá” (Marcos 13:19). Compare com Hebreus 4:4, onde Deus, não Jesus, descansou da obra da criação: “Porque em certo lugar disse assim do dia sétimo: E repousou Deus de todas as suas obras no sétimo dia”.

Parece que muitos não consideram Isaías quando testifica que Deus criou tudo sozinho.

A João Ferreira de Almeida Revista Atualizada, diz: “Assim diz o SENHOR, que te redime, o mesmo que te formou desde o ventre materno: Eu sou o SENHOR, que faço todas as coisas, que sozinho estendi os céus e sozinho espraiei a terra” (Isaías 44:24).

João Ferreira de Almeida Atualizada: “Assim diz o Senhor, teu Redentor, e que te formou desde o ventre: Eu sou o Senhor que faço todas as coisas, que sozinho estendi os céus, e espraiei a terra, quem estava comigo?”

A NTLH piora bastante a situação dos Trinitarianos: “O SENHOR, o Salvador de Israel, diz: “Meu povo, eu sou o seu Criador; antes que você tivesse nascido, eu já o havia criado. Sozinho, eu criei todas as coisas; estendi os céus e firmei a terra sem a ajuda de ninguém”.

Paulo, na verdade, parece dar uma descrição exata do que ele quer dizer com “todas as coisas” criadas – “tronos, poderes, governantes, autoridades”. Isto é, Cristo está sendo chamado de criador porque está nos dando uma antevisão do seu reino na terra. Em outras palavras, “todas as coisas” – neste caso, “tronos, dominações, principados e potestades” – foram criados em Jesus, através” dele e “para” ele. Paulo não está dizendo aqui que Jesus foi o criador no versículo de abertura de Gênesis , mas que ele era o centro da hierarquia cósmica de Deus. Todas as autoridades deveriam ser submetidas ao Filho, que iria finalmente entregar tudo de volta para o Pai, o Senhor a quem devia fidelidade, para que “Deus possa ser tudo em todos” (1 Cor. 15:28). E é exatamente isso que nos esclarece o contexto da passagem em discussão. Observe: “… havendo por ele feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, tanto as que estão na terra, como as que estão nos céus” (Colossenses 1:20).

Paulo diz que quando Cristo foi ressuscitado dentre os mortos, e foi colocado à mão direita de Deus nos “lugares celestiais”, sua nova posição o levou a um estado “muito acima de todo governo e autoridade, poder e domínio, e de todo nome que pode ser dado , não só no presente século, mas também no vindouro” (Efésios 1:21). Não só isso, mas “Deus colocou todas as coisas debaixo de seus pés” (v. 22). Colossenses 1:17 ecoa, ao dizer que “nele tudo subsiste”; Colossenses 2:10 descreve-o como “a cabeça de todo poder e autoridade“.

Deus recompensou a “obediência até a morte” de Jesus e muito o exaltou dando-lhe o nome que está acima de todo nome, o que Paulo confirma: “Ao nome de Jesus todo joelho deve se curvar, no céu, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para glória de Deus Pai” (Filipenses 2:8-11) .

Estas atribuições de autoridade suprema a Cristo, sob Deus, sugerem que, quando Cristo veio para ser assentado à destra de Deus, ele – por sua vez – criou um novo sistema de regências entre os seres angelicais, bem como preparou um lugar de honra diante do Pai para todos os seus fiéis, tanto no presente como na idade vindoura (João 14:2,3). Tudo isso é, então, parte da “nova criação.” É esta a nova criação o tema de Colossenses 1:15-17.

O impacto da ressurreição de Jesus foi tão grande que, mesmo agora, um seguidor do Senhor é elevado a uma posição de privilégio em relação a Deus e Seu Filho, descrito como “os céus em Cristo” (Ef 1: 3). Esses “céus” foram trazidos à existência por meio de Cristo, e eles são os precursores dos políticos “céus” para se manifestar na idade para vir quando ele governará na terra. Neles são encontrados graduações de autoridade, descrito como tronos, dominações e assim por diante, alguns dos quais são visíveis e alguns dos quais ainda estão para se manifestar, e, portanto, ainda são invisíveis. A ordem das novas coisas, incluindo céus e terra, mundo por vir, ressurreição dos santos, redenção e etc, foram criadas por ele e para ele, sendo que tudo será revelado após a volta do Senhor Jesus.

Para resumir, Colossenses 1:16 não ensina a criação literal dos céus e da terra por Jesus, porque:

  1. Entra em conflito com o testemunho do Antigo Testamento, que ensina que foi Deus que criou.
  2. Os céus, e tudo criado por ele, em questão aqui em Colossensses, só podem ser entendidos quando aplicados para as coisas espirituais.
  3. Outras expressões do Apóstolo alinham os “céus” para posições de privilégio em Cristo.

Antes de Todas as Coisas

O versículo 17 diz que Cristo é “antes de tudo” – pró panton, no grego. Esta frase foi tomada como prova de sua preexistência pessoal. Mas é preciso ter cuidado, pois o verbo aqui está no tempo presente – “é”, e não “era”. Paulo não nos diz que Cristo “foi” antes de todas as coisas, como evidência de preexistência. Portanto, esse “antes” deve ter outro significado.

A palavra grega usada – pro – tem três usos comuns: antes, no sentido de lugar – na frente; antes, no sentido de tempo = “antes”, e antes, no sentido de preeminência, rank , ou vantagem . O último uso é visto em 1 Pedro 4:8 – pró panton, “antes de todas as coisas“, ou seja, “acima de todas as coisas” = “mais importante de todas“. Aqui em Colossenses, pro, não tem nada a ver com tempo ou lugar, mas sublinha como o amor cristão é preeminente acima de todas as outras virtudes. Tiago 5:12 é um outro exemplo do mesmo uso da frase pro panton .

Dizer, portanto, que Cristo é pró panton é dizer que a ele é dado o primeiro lugar no universo todo de Deus. Isto lembra o episódio em que Faraó exalta José para o “primeiro lugar” no Egito. Ele lhe disse: “Você deve estar no comando do meu palácio, e todo o meu povo se sujeitará às suas ordens. Somente em relação ao trono eu serei maior do que você. . . Tenho a honra de colocar você no comando de toda a terra do Egito. . . Eu sou o faraó, mas sem a sua palavra ninguém levantará a mão ou o pé em todo o Egito” (Gn 41:40, 41, 44). Este é o tipo de preeminência e regência que Deus concedeu ao seu filho – para ser mais do que todos os outros seres – tipificado apenas vagamente pela história da própria exaltação de José!

E não esqueçamos da liderança de Cristo sobre a igreja, que é um tema frequente nos escritos de Paulo. O versículo 18 declara sua chefia, e passa a chamá-lo de arche, “princípio”. Esta palavra também significa “governante, autoridade”. Ele dá mais ênfase ao tema de Paulo da preeminência de Cristo e a autoridade suprema em Deus, sendo que a autoridade conferida agora faz com que todas as coisas começem e terminem em Cristo.

Como o início da nova criação, ele é o “primogênito dentre os mortos“, o primeiro ser humano a subir imortal da sepultura e tornar-se assim um “participante da natureza divina” (2 Pedro 1:4). Como Senhor e também sendo “o primeiro a ser ressurreto” dentre os mortos, porque ele, por sua vez é o Doador da vida, o Príncipe da Vida – sua voz irá despertar os mortos de seus túmulos (João 5:21-29; Atos 3:15 ). E é pela ressurreição dos mortos que ele alcança sua posição suprema (v. 18: “para que”). Isto significa que ele não tinha essa posição antes.

Como sempre, o contexto (inimigo público dos trinitarianos) é um fator importante na interpretação. O foco de Paulo nesta passagem é sobre a “herança” (futuro) “reino”, e “autoridades” (Cl 1:12, 13, 16). Isto sugere fortemente que ele tem em mente a nova criação em Cristo que é o rei messiânico da nova ordem de Deus.

A Deus toda Glória

20 comentários em “TUDO foi criado por Ele”

  1. João 1 informa assim: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.

    Que princípio então era este, não seria o princípio do Gênesis?

    Quando diz em Gn.1.26 “Façamos”não se refere o convite de uma pessoa convidando outra para realizar algo? E quando diz à “Nossa imagem” não se refere também a mais de uma pessoa? Tente responder estas perguntas usando o contexto.Jesus tem duas identidades, uma terrena e outra celestial,você até tenta identificar a data de nascimento terreno usando hipóteses, mas a identidade celestial, eterna ninguém se quer ousa especular.

    O que dizer então que a “SALVAÇÂO” que é o próprio JESUS é antes da fundação do mundo? João 1:14 nos diz que “o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade; e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai”. Como humano JESUS não teve PAI ele é filho eterno de um pai eterno, pense nisso.

    Apocalipse 13:8 também se refere, como quase sempre assim traduzido, ao “Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo”.

  2. Anônimo, me faça um pequeno favor por gentileza; dê uma boa lida nesses dois artigos:

    “Antes que Abraão existisse eu sou” e “Sendo em FORMA de Deus”

    Depois nós conversamos…

  3. Tudo isso não deixa de ser verdade no fato de Cristo ser a primícia da nova criação que Deus há de fazer. Mas quando lemos todo o Evangelho de João não podemos deixar de afirmar de que Ele foi a Palavra, o Verbo Eu Sou, antes da fundação do mundo.

    Claro que Jesus Cristo ainda não estava manifesto na criação, segundo o relato se Genesis, mas sim a pessoa do Pai como tendo sua obra exclusiva a criação e a manutenção da criação. Mas se defendemos uma teologia trinitária, o qual tanto o Evangelho de João quanto o texto de Colossenses ensinam, então devemos afirmar de que tanto a pessoa do Pai, como do Filho e do Espírito Santo estavam presentes desde fundamento de toda a existência. Caso contrário Jesus Cristo é uma criação de Deus e não o Deus encarnado.

  4. Veja bem: Elohim é o plural de Elohi, Deus. Adonai é o plural de Adoni, Senhor. Disse Deus: Façamos… Gênesis 1: 26 … Então disse o Senhor: Eis que o homem se tornou como um de nós … Gênesis 3: 22 … Disse o Senhor: Vinde, desçamos e confundamos ali a sua linguagem … Gênesis 11: 7 … E disse o Senhor: … quem há de ir por nós? Isaías 6: 8 … Deus é Espírito e Deus é Amor … Por isso se ele se manifestou como o Pai onisciente, o Filho onipotente e o Espírito Santo onipresente para nós cristãos, Deus é triuno. A palavra Trindade é o modo popular de dizer Triunidade e só serve para se referir às três pessoas do único Deus bíblico . Para um conjunto de três deuses pagãos a palavra é Tríade pois se tratam de três deuses não unidos e cada um com seus próprios adoradores … “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus… Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez. … Estava no mundo, e o mundo foi feito por ele, e o mundo não o conheceu”
    João 1: 1 a 3 e 10.

  5. Perdoe-me, mas vejo uma confusão nas suas palavras quando falas da criação de todas as coisas. Está claro (pelo menos para mim), em Gênesis 1, que Yahweh criou todas as coisas pela Sua Palavra, dizendo “Haja…”. Entendo que não é por acaso o fato de Yahweh ressaltar a forma como resolveu criar: pelo Seu dizer (Sua voz, Sua palavra), título dado a Jesus no Novo testamento (NT): João 1:1-3, Apocalipse 19:13.
    Digo isso, pois há uma perfeita coerência entre todos os livros da Bíblia, e, por ser inerrante e infalível (os originais), as palavras encaixam-se perfeitamente e não se contradizem (não há duas criações distintas).
    No que se refere ao plano salvífico, há, sim, uma “nova criação” (em Jesus), contudo, na minha visão, isso significa um renovo espiritual na vida daquele que crê (somente). Ainda assim, mesmo os que crêem continuam na mesma condição material estabelecida em gênesis (1ª criação divina).
    O céu (morada de Yahweh) veio firme desde a criação de todas as coisas e segue firme da mesma maneira que foi retratada em Gênesis (não houve qualquer mudança, apenas na vida dos crentes).
    Segundo minha leitura da Bíblia, algo realmente novo (todas as coisas) ocorrerá no NOVO CÉU E NOVA TERRA de Apocalipse (algo futuro para nós, não para Yahweh, o qual enxerga o ontem e o hoje como um eterno “agora”).
    Por isso, entendo que o fato de Yahweh usar a expressão “nova”, quando refere-se a Cristo, trata-se apenas de uma força de expressão, que indica um nascimento espiritual na vida de quem estava morto espiritualmente, apenas isso.
    Querer ir além do que está escrito representa um perigo para criarmos novas doutrinas (as quais possuem base apenas nos nossos achismos)… claro que podemos (e devemos) refletir nas coisas de Yahweh (conjecturarmos), procurando conhecê-Lo e agradá-Lo, mas devemos ter sempre muito cuidado, pois nossa mente é muito próspera.
    Na minha opinião, tu fazes (involuntariamente talvez) um jogo de palavras e acaba por confundir as coisas, mas a própria Bíblia mostra-nos, em contextos distintos (em uníssimo, em um contexto global), que a Palavra criadora saiu da boca de Yahweh e criou todas as coisas (Salmo 33:6).
    Tal afirmação, remete-nos automaticamente a Jesus, o verbo, referido em Apocalipse 19:13 como a PALAVRA de Yahweh, casando uma coisa com outra, em virtude da coerência textual entre os Livros Sagrados.
    Veja que quando Yahweh classifica-se como o EU SOU (Êxodo 3:14), não há como deixar de ligarmos esse contexto com o discurso de Jesus (João 8:58), por uma questão de coerência que existe entre os textos sagrados: “Disse-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que antes que Abraão existisse, EU SOU” (João 8:58).
    O curioso dessa passagem é que os próprio judeus pegaram em pedras, na ocasião, para O apedrejar, por certo, entendendo a associação que Jesus fizera entre si e Yahweh (o uso dos mesmos termos).
    Respeito os muitos que não enxergam essa associação, mas eu prefiro esse entendimento, acreditando verdadeiramente que esse é um dos muitos casos reais de coerência entre os textos bíblicos. Por essa razão não concordo com a ideia de descontinuidade entre os Livros Sagrados e continuo achando que houve apenas uma criação (a de Gênesis 1), ainda que o NT, como força de expressão, use a expressão “nova” para os que nascem da água e do espírito (em Jesus).
    Portanto, eu aguardo, de facto, os NOVO CÉU E NOVA TERRA (de Apocalipse), quando TUDO realmente será NOVO, não acreditando que a Bíblia fala em três criações, segundo o que defendes tu.

    1. Prezado Marcelo, João 8:58 tem três opções de significado; uma delas é que Jesus reivindicou superioridade a Abraão. Nesse caso ele teria dito: “Eu sou antes de Abraão”, expressão que indicava que ele estava acima de Abraão.

      O mesmo ocorreu com João Batista quando disse que Cristo é antes dele: “este é aquele de quem eu disse: Depois de mim vem um varão que passou adiante de mim, porque antes de mim ele já existia” (João 1:30).

      João Batista parece dizer que Jesus existia antes dele, certo? O significado pode mudar drasticamente se atentarmos para a redação dos mesmos textos, mas em outras versões.

      Verso 15: “João testificou dele, e clamou, dizendo: Este era aquele de quem eu dizia: O que vem após mim é antes de mim, porque foi primeiro do que eu”.

      Verso 30: “Este é aquele do qual eu disse: Após mim vem um homem que é antes de mim, porque foi primeiro do que eu”.

      O evangelista Marcos dentro do mesmo contexto coloca o versículo da seguinte forma: “E pregava, dizendo: Após mim vem aquele que é mais poderoso do que eu, do qual não sou digno de, curvando-me, desatar-lhe as correias das sandálias”, Marcos 1:7.

      João simplesmente estava querendo dizer que, “o que vem depois de mim é [superior] antes de mim”. O significado é óbvio; Jesus tem um maior grau de autoridade no reino de Deus do que João Batista.

      Traduções tendenciosas e trinitarianas registram João Batista “afirmando” que Jesus já existia antes dele. Uma vez que João Batista nasceu seis meses antes de Jesus (Lc 1:24-31), esta cláusula independente exigiria a preexistência do Messias. No entanto, a AV e a RSV traduzem esta segunda cláusula diferente: “ele foi antes de mim”. Algumas traduções em português, como a ARC de 1995, traduzem como, “Ele foi primeiro do que eu“. Outras, como visto nas primeiras citações, associam as duas frases, “O que vem após mim é antes de mim, porque foi primeiro do que eu”.

      Este tipo de tradução não é sobre a preexistência, mas representa uma reiteração da cláusula primeira, isto é, que Jesus supera João Batista. Por isso João disse em outro verso,”Importa que Ele cresça e que eu diminua”, João 3:30.

      A mesma coisa pode ter acontecido com João 8:58. Jesus não teria dito “Antes que Abraão existisse eu sou”, mas sim “Eu sou antes (superior) Abraão”. Seria um motivo para o apedrejamento.

      Possívelmente eles entenderam que ele estava alegando superioridade a Abraão. Se considerarmos que Jesus usou as palavras “Eu sou antes de Abraão”, ou “Eu tenho sido antes de Abraão”, ele pode ter causado um rebuliço total na mente dos judeus levando-os a acreditar que ele declarou ser maior do que Abraão.

      Lembre-se que Jesus se declarou mais importante – maior – que o templo em Mateus 12:6, “aqui está quem é maior que o templo”. E também maior do que Salomão: “A rainha do Sul se levantará, no Juízo, com esta geração e a condenará; porque veio dos confins da terra para ouvir a sabedoria de Salomão. E eis aqui está quem é maior do que Salomão”.

      Jesus estava sendo ameaçado de apedrejamento pelo que ele teria dito sobre Abraão. Dizer que “Sou antes” (entendido pelos judeus como “mais importante”, “superior”, “maior”) de Abraão seria considerado injúria, visto que os Judeus encaravam tal ancestral como o “Pai” da nação (Ver João 8:39). Além disso, o significado de blasfêmia na bíblia vai muito além do que apenas dizer algo contra Deus. Era considerado blasfêmia algo que ofendesse algum maioral da nação (Ver Êxodo 22:28).

      Veja meu artigo “Antes que Abraão existisse, Eu sou”

      1. Meu caro amigo,
        O contexto precisa ser levado em consideração quando tentamos interpretar as Escrituras Sagradas.
        Além de superioridade (“És tu maior do que o nosso pai Abraão” João 8:53), o contexto também fala de cronológica.
        Veja oque os judeus disseram-lhe: “AINDA NÃO TENS CINQUENTA ANOS, e viste Abraão? Disse-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que ANTES QUE ABRAÃO EXISISSE, eu sou” (João 8:57,58).
        Na minha concepção, a questão dessa passagem é cronológica… Jesus está mostrando, nesse ponto, que Ele é eterno, mas não como Filho e sim como o Espírito que saiu da boca de Deus e criou todas as coisas (Salmo 33:6).
        Não há qualquer demérito em dizer que Yahweh se fez homem para salvar Suas criaturas; ao contrário, esse fato o exalta ainda mais, pois isso prova o infinito, incompreensível e imensurável amor de Deus.

      2. Sr Marcelo Victor, está muito complicada a sua visão de um Jesus preexistente.

        Veja, sua proposta inicial é que Deus, o Pai, desceu e, Ele mesmo, se fez homem no ventre de Maria. Nesse caso, Maria passa a ser mãe do Deus de Abraão.

        Outro problema é que Deus morreu e não morreu. Ou seja, enquanto Ele, disfarçado de Jesus, morria na cruz, O Espírito (Ele mesmo) ficava a distância assistindo tudo!

        Esse é o resumo que me resta!

        Veja estes dois artigos: “O Alfa e o Ômega” e “Jesus não era o Pai”.

      3. Sr. Al Franco,
        Vamos ao seu comentário e às minhas observações, as quais visam mostrar como há uma tendência em nós (incluo-me a mim próprio) de distorcer as coisas para defendermos as nossas “vãs filosofias”.
        1 – Tu disseste: “está muito complicada a sua visão de um Jesus preexistente”.
        Resposta: eu nunca disse que Jesus é “pré-existente” (isso é uma invenção sua e não minha). O que eu disse, desde o princípio, é que Jesus passou a existir há quase 2 mil anos atrás (uma pessoa distinta de Yahweh), sendo, antes disso, a eterna Palavra de Yahweh, ou o “espírito que saiu da boca de Yahweh” e criou todas as coisas: “Pela palavra do Senhor foram feitos os céus, e todo o exército deles pelo espírito da sua boca” (Salmos 33:6).
        2 – Tu disseste: “sua proposta inicial é que Deus, o Pai, desceu e, Ele mesmo, se fez homem no ventre de Maria. Nesse caso, Maria passa a ser mãe do Deus de Abraão”.
        Resposta: como disse anteriormente, na minha concepção, Yahweh teve poder suficiente para estar assentado no trono e, pelo atributo da onipresença, fazer-se homem (ao mesmo tempo) no ventre de uma mulher, vindo a ser o “segundo Adão” (1 Co 15:45).
        Jesus foi gerado pelo Espírito Santo, de sorte que Maria foi apenas gestora de Jesus (fez a gestação), sendo mãe do Mestre por adoção e não por geração, visto que Jesus foi gerado pelo Espírito Santo: “José, filho de Davi, não temas receber a Maria, tua mulher, porque o que nela está gerado é do Espírito Santo” (Mateus 1:20).
        3 – Tu disseste: “Outro problema é que Deus morreu e não morreu. Ou seja, enquanto Ele, disfarçado de Jesus, morria na cruz, O Espírito (Ele mesmo) ficava a distância assistindo tudo!”.
        Resposta: isso que disseste, na minha opinião, é que é uma grande confusão, empregando termos pejorativos para desqualificar as minhas palavras. Eu nunca disse que houve um disfarce, pois isso seria o mesmo que chamar Deus de mentiroso (coisa que eu não fiz).
        Vejo que não sabes o que significa onipresença, crendo, por certo, que Yahweh é incapaz de estar em dois lugares ao mesmo tempo.
        Vou tentar esclarecer minha visão sobre as Escrituras Sagradas: Jesus foi um homem perfeito, sem pecado (pois foi gerado pelo Espírito Santo, à semelhança de Adão antes da queda, sendo, portanto, igual a todos os mortais: “Por isso convinha que EM TUDO fosse semelhante aos irmãos”. (Hebreus 2:17).
        Sua morte foi exatamente igual à morte de todos os mortais, ou seja, fim de existência. Dessa maneira, na minha concepção, o Espírito Santo (que desceu sobre Ele no batismo), pelo qual Ele fazia as obras, deixou-o quando ele gritou: “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” (Marcos 15:34). Assim sendo, não teve “Espírito…a distância assistindo tudo”.
        Ao terceiro dia, o fôlego de vida retornou ao Seu corpo e Ele ressuscitou, pelo poder de Yahweh (que estava assentado no trono): “Mas Deus o ressuscitou dentre os mortos” (Atos 13:30). Simples assim.
        Por isso, não vejo confusão alguma nas minhas palavras.

      4. Fica difícil assim, caro Marcelo. Eis aqui suas palavras: “Yahweh teve poder suficiente para estar assentado no trono e, pelo atributo da onipresença, fazer-se homem (ao mesmo tempo) no ventre de uma mulher, vindo a ser o “segundo Adão” (1 Co 15:45)”

        Eu nunca vi alguém afirmar algo parecido. Vocês está insinuando que o Pai e o Filho são, literalmente, um só.

        Deus se fez em dois!

        Enquanto estava na terra, quando orava, falava com ele mesmo!!!

      5. Sugiro que leias meu livro ” Santíssima Trindade – quase dois mil anos de engano religioso” (“https://clubedeautores.com.br/livro/santissima-trindade-2).

        Jesus afirmou exatamente isso que tu disseste: “Eu e o Pai somos um” (João 10:30), tendo confirmado tal verdade diante dos apóstolos, na seguinte passagem: “Disse-lhe Filipe: Senhor, mostra-nos o Pai, o que nos basta. Estou há tanto tempo convosco, e não me tendes conhecido, Filipe? Quem me vê a mim vê o Pai; e como dizes tu: Mostra-nos o Pai? (João 14:8-9).
        Claro que os trinitarianos deturpam essas passagens e inventam um monte de lorotas, por não entenderem o poder na onipresença divina.

        Como explico no livro, Jesus era uma pessoa distinta de Yahweh, pois, para tornar-se um homem perfeito, foi necessário esvaziar-se de Seus atributos incomunicáveis (onipresença, onipotência, onisciência, imortalidade, eternidade). Se assim não fosse, Ele jamais poderia ter morrido: “Mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens” (Filipenses 2:7).
        Veja que o verso acima diz, claramente, que na “forma de Deus” (aquela que possuía antes de se fazer carne), Ele jamais poderia ter sido semelhante aos irmãos. Claro que os trinitarianos não concordam com isso e, mais uma vez, inventam um monte de lorotas, como, por exemplo: dizer que Jesus possuía as duas naturezas (humana e divina), as quais conviviam na mesma pessoa (algo anti-bíblico).

        Quanto às orações, a Bíblia mostra que, pelo fato de ser um homem (como os demais), Jesus orava àquele que o gerou (a quem chamou de Pai, por tê-lo gerado), de quem dependia integralmente para realizar as obras, conforme disse: “…o Pai, que está em mim, é quem faz as obras” (João 14:10).

        Portanto, Yahweh e Yeshua (Pai e Filho) foram duas pessoas distintas por cerca de 33 anos.
        Dessa forma, as orações de Yeshua eram sinceras e verdadeiras, pois só Yahweh podia livrá-lo da morte e o ressuscitar: “O qual, nos dias da sua carne, oferecendo, com grande clamor e lágrimas, orações e súplicas ao que o podia livrar da morte, foi ouvido quanto ao que temia” (Hebreus 5:7).
        Ou seja, as lágrimas de Yeshua foram sinceras e Suas súplicas verdadeiras àquele que O enviou, sendo, Jesus, o DEUS CONOSCO (Isaías 7:14; Isaías 8:8; Mateus 1:23).

        Paz!!!

      6. Caro Marcelo, o máximo que você pode chegar é na palavra/promessa que existia desde o princípio. Apesar de não esposar essa tese, acho que seria uma alternativa para remover Jesus como criador em Gênesis.

        Alguns estudiosos do texto bíblico entendem “a palavra”, no prólogo de João,  como uma referência ao propósito declarado de Deus de redimir a humanidade da morte. Este propósito de Deus teria sido declarado por Deus ‘desde o princípio’, isto é, o princípio da história redentora. Deus revelava seu plano de redimir a humanidade no Messias. Citam Paulo: “Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo” (2 Cor 5:19). E também Gênesis 3:15: “E porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua semente e a sua semente; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar”.  Pedro e Apocalipse são duas fontes. Veja 1 Pedro 1:20: “(Jesus) O qual, na verdade, em outro tempo foi conhecido, ainda antes da fundação do mundo, mas manifestado nestes últimos tempos por amor de vós”. Agora Apocalipse 13:8: “ … o livro da vida do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo”. Nesse caso, João 1:1 poderia ser lido assim “No princípio da fundação do mundo era a palavra/promessa”. Essa é uma das muitas interpretações alternativas que removem Jesus da criação original!

        Portanto, seria suficiente pensar em “palavra” como o enunciado de Deus, não Seu Filho antes da geração do Filho de Maria. Neste modelo, o Filho é, na verdade, a palavra prometida que cumpriu-se – isso é muito simples de solucionar! O Filho não preexistia como Filho. O Filho é a expressão humana visível do propósito preordenado de Deus. Não houve Filho de Deus até que o Messias foi concebido na história. Antes  Deus teve Seu Projeto e Plano “com Ele”, como a base de toda a Sua intenção para a criação e para a humanidade. Por esse entendimento, o Messias é realmente um ser humano, um estatuto que não pode ser invocado para ele se ele existia desde antes de Gênesis!

        Fica na paz

  6. Irmão Al Franco, primeiramente gostaria de agradecer o seu esforço para com o Evangelho, pois é nítida o seu comprometimento em tentar esclarecer os irmãos, ainda que nem sempre isso seja possível… Que Deus te abençoando e te inspirando sempre!!!!
    Um breve relato: Tenho passado a acompanhar este site há algumas semanas e cada vez mais está me fazendo sentido a questão do Senhor Jesus, filho de Deus, único mediador entre os homens, uma vez que cresci na igreja católica e servia a Deus no ministério de música e grupos de jovens, mas há muito deixei de congregar nas religiões e venho me pautando somente nas escrituras, que graças a Deus tem me libertado das tradições romanas e de homens.
    O que me motivou ainda mais a ter sede pela palavra foi o fato de querer evangelizar a minha amada esposa, muito sensata, que apesar de crer em Deus, ela me fala que sempre tinha dúvidas em entender a questão de Deus, Jesus, Espírito Santo, Maria, que não sabia a quem orar, etc… Então quando comecei a me colocar no lugar dela, uma pessoa que cresceu fora dos “templos”, percebi que a dúvida dela era totalmente racional pois essa questão de trindade só traz mais dúvidas, confusão essa que costuma ser ignorada e aceita como mistério para aqueles que fazem parte do sistema religioso.
    Uma dúvida: Não sei se essa questão é pertinente, ou se vc já falou a respeito em outras publicações, mas nos últimos dias não me sai da mente a passagem de Sadraque, Mesaque e Abebenego, em Daniel 3, onde no verso 25, há um quarto homem junto deles na fornalha (Então o rei exclamou: “Pois então vede isto! Há quatro homens desamarrados lá dentro, e nada sofrem, estão ilesos! E o quarto homem é parecido com um filho dos deuses!”).
    Na sua visão, quem poderia ser esse homem? Pois sempre acreditei se tratar do Senhor Jesus, mas agora me coloco a pensar como isso seria possível se Ele ainda não tinha sido gerado no ventre de Maria. Então, se isso proceder, temo, em parte, em voltar a considerar a possibilidade da preexistência de Cristo novamente, porém, ao meu ver, não como Deus, mas ainda sim na condição de Filho de Deus, é claro.

    1. Bruno, muito grato pelo seu comentário. Sua história é comovente. Isso nos anima a ir adiante.

      Há uma longa tradição na história cristã de identificar o “quarto homem” como uma teofania, ou (mais particularmente) o que às vezes é chamado de “cristofania” (uma aparição do Cristo pré-encarnado). Essa interpretação do texto remonta a um longo caminho na história da igreja e, para muitos conservadores, é provavelmente a única compreensão da passagem com a qual estão familiarizados. Mas há uma tradição (ainda mais longa) de comentaristas judeus e comentaristas cristãos que identificam o ser com um anjo.

      Eu vou lhe dar uma breve resposta. Esse texto é parte de um artigo que ainda está em construção.

      Observe que Nabucodonosor primeiro vê a quarta pessoa como um homem: “Eu, porém, vejo quatro homens soltos, que andam passeando dentro do fogo, e nenhum dano sofrem; e o aspacto do quarto é semelhante a um filho dos deuses” (Daniel 3:25).

      Mais tarde ele chama esta quarta pessoa de anjo: “Falou Nabucodonozor, e disse: Bendito seja o Deus de Sadraque, Mesaque e Abednego, o qual enviou o seu anjo e livrou os seus servos, que confiaram nele e frustraram a ordem do rei, escolhendo antes entregar os seus corpos, do que servir ou adorar a deus algum, senão o seu Deus” (Dan 3:28).

      Eu acredito piamente que existem cristãos tão envolvidos com o romantismo trinitariano que veem a cena da seguinte forma: O rei Nabucodonosor disse quando viu o quarto homem: “Veja! O único Deus verdadeiro tem um filho que também é Deus!”

      Algumas traduções trazem “filho dos deuses” e não “filho de Deus”. A NIV, e muitas outras traduções modernas, lêem algo como, “a aparência do quarto homem é como um filho dos deuses”. E aqui é bom lembrar que o termo hebraico ‘Beni-Ha Elohim’ usado em [Gênesis 6: 4] refere-se aos Nephelins como “filhos dos deuses”.

      “Para os judeus a frase hebraica filho dos deuses indicaria um ser celestial subordinado. Conforme o vigia sobrenatural de Daniel 4:13, 17, 23” (Goldingy, John, WBC “Daniel”, pág. 71).

      Deus enviou um anjo para cuidar dos homens e protegê-los. E no caso de Nabucodonosor ter dito “filho de Deus”, o Deus de Abraão (os cristãos nessa hora fazem de Nabucodonosor um exímio conhecedor do Deus de Israel), então ele pode ter visto mesmo um anjo, como reconhece no verso 28. O termo “filho/s de Deus” às vezes era usado ​​para se referir aos anjos na Bíblia:

      “Ora, chegou o dia em que os filhos de Deus vieram apresentar-se perante o Senhor, e Satanás veio também entre eles” (Jó 1: 6;).

      “Novamente houve um dia em que os filhos de Deus vieram apresentar-se perante o Senhor, e Satanás também veio entre eles para apresentar-se perante o Senhor” (Jó 2: 1)

      “Quando as estrelas da manhã cantaram juntas e todos os filhos de Deus jubilavam de alegria?” (Jó 38: 7).

      Os termos “anjo” e “filho de Deus” são usados ​​como sinônimos.

      O versículo 25 não está na boca de Daniel como narrador e escritor bíblico. Esta não é a descrição de Daniel, do que ele vê no fogo. Em vez disso, as palavras estão na boca do rei pagão, Nabucodonosor. Daniel (que não está presente nesta história, mas mesmo assim a narra como um historiador inspirado) é um bom escritor. Ele relata o que aconteceu com precisão, sem enfeites e sem exageros. Então, o que aconteceu historicamente? O Rei viu outro ser no fogo com os três amigos de Daniel, e falou sobre isso de acordo com seu próprio ponto de vista, de seu próprio entendimento limitado. Do seu ponto de vista, o que ele viu foi, “um filho dos deuses”. Esta frase comum significa simplesmente um anjo ou “ser divino” de qualquer tipo.

      Daniel deixa claro no versículo 28 que o que Nabucodonosor pensou ter visto era exatamente esse ser;

      “Então Nabucodonosor falou, e disse: Bendito seja o Deus de Sadraque, Mesaque e Abednego, que enviou *seu anjo* e libertou seus servos que nele confiavam, e mudaram a palavra do rei , e entregaram seus corpos, que eles não podem servir nem adorar nenhum deus, exceto seu próprio Deus. ”

      O rei pensou que era um “anjo” ou um ser divino, o que ele chama de “anjo” ou “filho dos deuses”. Assim, por exemplo, a Bíblia Coverdale de 1535 traduziu a frase no versículo 25: “E o quarto é como um anjo”.

      Pode ser o mesmo anjo em particular que visitou Daniel quando ele estava preso dentro da cova dos leões. Esse anjo também é mencionado no capítulo 8, quando foi enviado para interpretar o sonho que envolveu Daniel.

      Não há nenhuma evidência nas Escrituras de que este seja Jesus pré-encarnado. Tudo o que temos é: “Ele respondeu e disse:“ Mas vejo quatro homens soltos, andando no meio do fogo, e não estão feridos; e a aparência do quarto é semelhante a um filho dos deuses ”(Daniel 3:25). Essa pessoa é “como um filho dos deuses”, ou “filho de Deus”, como desejarem. De forma alguma isso descreve Jesus. Definitivamente, mostra que foi uma intervenção divina, mas não tem nada a ver com Jesus especificamente.

      Abraços e fica na paz de Deus

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